Desclaimer: Nada disso me pertence, e não ganho nada escrevendo isso. Mas amo escrever tais insanidades.


Capítulo 8 – The Call

O telefone tocou cinco vezes antes de Alex estender a mão, pegá-lo e puxá-lo para si. Irritada, tirou o rosto do travesseiro e atendeu, sem se importar em ser educada.

-O quê?

-Isso é jeito de se falar com sua mãe?

-Mãe?! – Alex quase rolou para fora da cama, tamanha a surpresa. O sono havia desaparecido e sentou-se sorrindo igual criança em manhã de Natal.

-Oi, minha criança. Como está?

-Bem, mãe! E você? E o papai?

-Estamos bem, querida. Divertiu-se no seu aniversário? – a voz da mulher era calma.

-Muito. Muito mesmo, só faltou a minha família aqui, né? – Alex sentiu os olhos lacrimejarem.

-Você sabe que não é fácil. Bom, na verdade, não era fácil. – a voz da mãe de Alex ficou um pouco mais empolgada. – Seu pai e eu estamos indo visitá-la.

-Jura? – Alex ficou de pé na cama e começou a pular, gritando de felicidade.

-Alex, escuta. – a mãe esperou o ataque da filha passar, rindo da felicidade dela. – Estamos indo no próximo sábado. E vamos te levar uma surpresa.

-Que surpresa, mãe? – perguntou desconfiada. Não gostava das surpresas que sua mãe e seu pai faziam. Algo sempre acabava dando errado.

-Vou levar duas malas extras. – a mulher desatou a rir. Alex sentou-se na cama, olhando fixamente para o guarda-roupa, imaginando o pior.

-Mãe, quando você diz malas...

-Sim, o Marcos e André estão indo junto.

Alex sentiu que o quarto girava, sua cabeça começou a latejar e suava. Era uma das piores notícias que poderia receber. Não que não os quisesse lá, apenas achava que não era o melhor momento para André e Marcos aparecerem em sua vida. Não poucos dias depois de ter contado toda sua história com eles para Edward. Sábado faria quatro dias que ele escutara a história, era muito recente. Não iria dar certo.

-Mãe, eu não sei...

-Ora, não se preocupe. Eles já compraram as passagens, já reservaram hotel e tudo. Vamos todos ficar no... espera que eu não lembro o nome. – a morena ouviu a mãe gritar com o marido, perguntando o nome do hotel, enquanto isso Alex repetiu como um mantra: "Não o Munique. Não o Munique." – É o Hotel France.

-Ah, que bom. – respirou um pouco mais aliviada.

-Sim, sim. Então, nós vamos no sábado. O nosso vôo provavelmente chegará depois das nove da noite, querida. Irá nos buscar?

-Sim, claro. – uma idéia surgiu em sua mente nesse momento. – E mãe, já te apresento, e para o papai também, uma pessoa.

Uma pessoa especial? – a voz da mulher tornou-se carinhosa.

-Muito. Muito especial.

-Que bom, filha. Fico feliz. Até sábado, meu amor.

-Até sábado, mãe.

Desligou o telefone e ficou fitando o aparelho, sua mãe nesse momento já estava contando para seu pai sobre o "alguém especial". E seria questão de tempo para André e Marcos saberem também. Mas não era exatamente isso que passava por sua mente nesse momento. Era qual seria a reação de Edward ao receber tal notícia.


-E vai sair agora? Como o sol do meio-dia? – perguntou Alice vendo o irmão lhe olhar com raiva.

-Só pode estar brincando. Está certa do que viu? – Edward perguntou e, instantaneamente, sentiu-se mal ao ver a cara de ofendida que ela estava. – Desculpe.

-Pare de drama. Vi quatro pessoas, e vocês dois em uma lanchonete, restaurante, não sei. – Alice levantou-se da cama e ficou parada na frente do irmão. – Alex é uma mulher decidida.

-Não é com ela que me preocupo. – Edward respondeu olhando nos olhos de Alice. Seu humor estava péssimo, mas não conseguia ficar bravo com a morena.

-É com o volante de seu carro? – Alice perguntou, fazendo cara de inocente. Edward não resistiu e sorriu para ela, balançando a cabeça. – Emmett me contou. E eu tinha que falar algo.

-Gostaria de ver você em meu lugar. – Edward sentou na cama de seu quarto e tirou os sapatos, colocando os pés no tapete negro.

-Tiraria de letra. – Alice também tirou as sandálias e sentou-se ao lado do irmão. – Eu não me controlaria como você.

-Você não ficaria em seu limite. – a morena pareceu não entender. – O cheiro, Alice. O aroma.

-O aroma? Sério?! Sempre achei o aroma dela tão... sem graça.

-É isso. Para você pode ser sem graça. – o ruivo deitou-se e Alice deitou ao seu lado. Ambos encarando o teto, o quarto com as janelas fechadas e cortinas cerradas. – Para mim, é doce.

-Você está apaixonado. – debochou Alice. – E os fatores aroma e mente fechada, só fazem você ficar procurando justificativas.

-Não é bem assim...

-É, você sabe. Você sabe que eu sei. E ela sabe e sente o mesmo. – a morena se deixou levar por sua própria mente. – E mesmo com o aroma, eu não iria me controlar. Não é certo que ele pode morrer caso...

-Alice, você sabe muito bem que qualquer deslize nosso, mata um deles. Quebra-os como palitos. – Edward cruzou os braços e fechou o rosto. Não gostava daquele assunto, porque sempre acaba com ele tendo a mesma resposta negativa.

-Certo, eu não vou entrar no mérito dessa questão. Você sabe o que é melhor para você.

Edward não respondeu e evitou ao máximo pensar em tal questão. Era perigoso tentar deixar o controle de lado, porque poderia não consegui-lo de volta, e machucaria – no mínimo - Alex. Mas o que, realmente, aconteceria se deixasse Alex beijá-lo, se a beijasse de volta, se permitisse um carinho? Não sabia responder, e talvez fosse essa a questão que o atormentava, antes da descoberta de hoje. Não tinha certeza de como seu corpo reagiria se fosse um pouco mais além. E talvez nem fosse seu corpo seu maior problema, talvez fosse sua mente. A mente controlada para não querer sangue, nem carne humana, que poderia mostrar para ele o quão tentador o aroma doce de Alex poderia ser.

Porém, no momento outra descoberta estava se fazendo presente. Os amigos dela do Brasil viriam nos sábado com os pais dela, e Edward não poderia fazer nada para impedi-los. E não poderia falar nada para a morena, ou faria papel de ciumento, e não queria isso por motivo algum.

-Edward, ela é tão diferente da Bella. – comentou Alice apoiando-se em um dos cotovelos e olhando para o irmão ao seu lado.

-Eu sei.

-Não, Eu quero dizer... em tudo. – a morena levantou uma sobrancelha, atitude que fez o ruivo sorrir. – Eu nunca pensei que você ficaria com alguém tão diferente de você.

-Alex é um oposto. – o ruivo sorriu novamente, olhando fundo nos olhos da irmã. – E ficar é...

-Adolescente!

-Exato.

-E o que é, então? – o sorriso de Alice era tão grande, que Edward achou que era a primeira vez que o via.

-Alice, procure o que pensar.

Edward levantou-se da cama e andou calmo até o banheiro, ouvindo Alice rir. Iria banhar-se e esperaria o sol sumir para ir ver Alex, e quem sabe deixar o limite um pouco maior.


Alex entrou debaixo do jato de água quente e ficou paralisada, deixando o corpo se acostumar àquelas temperaturas. Mas sentia outra coisa, como se fosse alguém, alguém parado do lado de fora do box. Respirou fundo, ainda de costas, tentando controlar o medo de olhar e ver realmente alguém ali.

-Não grite. – pediu Edward o lado de fora do box. Alex virou-se assustada e ficou olhando-o, mas viu que o ruivo estava de costas para si. Respirou um pouco mais aliviada.

-Me assustou. – desligou o chuveiro e puxou a toalha, enrolando-a no corpo e saiu do box. – Eu senti você.

-Me sentiu? – Edward não se virou para falar com ela.

-Sim... Edward, se vira.

-Melhor não. Já estou achando que não foi uma boa idéia ter entrado aqui.

-Pare de besteira. – Alex disse tentando conter o riso. – Se não me olhar, ficarei brava.

-Não fique, Alex. Apenas não sei se será uma boa idéia.

Edward sentia mais que nunca que tentar passar um pouco de seu próprio limite fora um erro. Não sabia o que o levara a entrar naquele banheiro, mas assim que o fizera, se arrependera. O box era de vidro negro esfumaçado, permitindo que quem estivesse do lado de fora visse somente contornos. Mas para Edward os contornos eram nítidos. Até demais. Sentiu a mão de Alex em seu queixo, tentando virá-lo para ela, sem força. Era quase um carinho.

-Edward, não seja bobo. – Alex tentou não ficar muito próxima. Já deveria ser difícil estar ali com ela de tal jeito, imagina com o corpo dela próximo. Porém ela se perguntava o que poderia ter acontecido para Edward entrar em seu banheiro, mesmo sabendo que ela estaria sem roupa alguma. - Pode me olhar, estou de toalha.

-Alex, vou ficar assim. – o ruivo não se virou e fechou os olhos, forçando-se a ignorar o aroma dela.

-Já que vai ficar assim, posso tirar a toalha.

Edward ouviu tal frase e sentiu medo. Não de Alex tirar a toalha, mas de si mesmo. Medo da reação que tal frase causara em seu corpo. Era como se toda sua saliva sumisse, o frio de seu corpo intensificasse quase dez vezes. Conhecia aquelas sensações e não podia se deixar ser controlado por elas. Tinha que ser mais forte.

-Alex, não brinque. – sentiu que sua voz estava mais grossa, sussurrada.

-Passei dos limites outra vez? – perguntou incerta.

-Não... apenas, não brinque. – Edward sabia que sua voz ainda estava mudada, pois ouvia o coração de Alex bater rápido. – Você disse que me sentiu?

-É... isso. Senti que você estava aqui. – Alex tentou acompanhá-lo na mudança repentina de assunto.

-Chama-se conexão. – explicou Edward ainda sério e bem devagar virou o corpo, os olhos colados no chão. Mas assim que viu os pés de Alex subiu o olhar, reparando em cada gota que descia pela pele dela. Vendo o contorno dela na toalha, e finalmente, chegando ao rosto, vendo que a morena sorria.

-Conexão. Não me lembro disso nos livros. – tentou recordar de qualquer coisa que fosse parecido com o que sentiu.

-Não tem. Conexão é quando um mortal passar certo tempo com um vampiro e eles se identificam, acabam criando um reconhecimento. – explicou, olhando fundo nos olhos de Alex, com medo de que seus olhos o traíssem.

-Eu já tive isso com você antes. – lembrou-se do episódio do telefone. – Você me ligou e segundos antes eu sabia. Sabia que o telefone ia tocar, e que era você.

-Conexão. – Edward forçou o sorriso, mas acho melhor deixá-la sozinha. – Vou te esperar na sala.

-No quarto. – o ruivo levantou as sobrancelhas, fazendo Alex rir. – Hoje quero ficar no quarto. Precisamos conversar.

-Já sei o assunto. – Alex balançou a cabeça entendo e viu ele sair.

Vinte minutos, Alex entrou no quarto, vendo Edward deitado em sua cama, uma mão atrás da cabeça, e a outra segurando o porta-retratos dela com André e Marcos. Sentou-se ao lado dele e ficou olhando-o, pensando nas perguntas e assuntos que preparara para conversar com ele. O problema é que toda vez parecia que o mundo conspirava contra ela, porque Edward estava cada vez mais bonito, atencioso e cuidadoso. Preocupado em não machucá-la.

-Por que eles decidiram vir com seus pais?

-Não sei, minha mãe sé me disse que ele vão vir junto.

-Seu pai não vai gostar de mim.

-Ele só gosta da minha mãe. – comentou, sorrindo e deitou-se de lado, olhando Edward ainda observando o porta-retratos. – Vai soar super infantil, mas vou dizer... que você... é...

-Que sou seu namorado?

-Você é? – perguntou, vendo-o lhe olhar, o rosto sério outra vez.

-Sou. – houve uma pausa na qual Edward somente analisou as feições de Alex. – Ou não?

-É. – apressou-se em dizer. – Sim, é sim. Meu namorado de dezessete anos.

-Alex, você sabe que sou mais velho que isso.

-Eu sei, mas meus pais não. E nem vão. – suspirou profundamente, vendo os olhos de Edward a observando com atenção.

-Você está querendo me contar algo.

-Não é contar... é pedir. – parou um segundo para juntar forças. – Você poderia não ser... tão... ciumento?

-Não farei nada. – o rapaz tentou ser o mais sincero que conseguiu.

-Eu sei. Mas é que eu sei como os dois se comportam com outros rapazes perto de mim, entende? E sei que você tem muita paciência, então...

-Não se preocupe. – Edward virou-se e ficou de frente para a morena, olhando-a. – Você ainda que me dizer algo.

-Não... não é bem dizer. – sorriu. E Edward gostou de ver o sorriso malicioso dela pela segunda vez.

Puxou a morena para perto de si devagar, vendo Alex sorrir por ele ter entendido o que ela queria. Abraçou-a e deixou seus lábios a milímetros dos dela, deixando que ela começasse o beijo; porém, a morena nada fez. Apenas ficou parada, abraçando e olhando.

-Eu não começo mais nossos beijos. Porque sempre passo dos limites. –justificou a morena. – Você beija e dita as regras.

-Não gosto disso?

-Por quê?

-Porque não quero te controlar. Já me basta eu. – ponderou o ruivo, acariciando os cabelos molhados dela, sentindo o cheiro de manga.

-Mas eu passo dos limites. E não quero que você tenha medo de mim.

-Não tenho medo de você. – respondeu sorrindo. – O que eu tenho é receio de te machucar.

-Eu sei. Mas se você não me beijar, também não te beijo.

Edward riu da atitude dela e inclinando-se devagar encostou seus lábios nos dela, sentindo que ela aconchegava-se em seu corpo. Sabendo que essa etapa era fácil, deixou-se levar, ficou algum tempo assim. Entretanto, Alex se afastou e ele abriu os olhos.

-Bem, eu sei que falei que não ia mais começar o beijo...

Porém a morena não terminou a frase, Edward a trouxe para perto outra vez, beijando os lábios dela com mais vontade. Abrindo seus lábios frios para que se beijassem mais profundamente, sentiu a língua quente de Alex procurar a sua. Ainda incerto ficou parado por alguns momentos, mas notou que ainda estava no controle, ainda estava bem.

A mente de Alex estava uma confusão. Ela sentia todo o frio de abraçar Edward, mas não o soltaria por nada. O beijo era tímido, mas estava deixando seu corpo pegando fogo. O ruivo mexia a língua tão lentamente que Alex achava que ele estava a provocá-la. Braços fortes a seguravam e ela achava que se ele apertasse um pouco mais, ambos se fundiriam.

Edward conseguia sentir o calor de Alex, sentir o coração acelerado dela. E sentia a boca macia dela na sua. Mexendo-se devagar, mas a língua contrastava, parecia querer provocá-lo mexendo-se e escapando da sua. Virou um jogo, quem controlava quem, e Edward sentiu-se bem, depois de tanto tempo. Sentiu-se diferente, como se pudesse lidar com isso, como se fosse a coisa mais simples do mundo. E não podia discordar quando ela dizia que estavam evoluindo.


Comentem?? Please??

Kiss