Desclaimer: Nada disso me pertence, e não ganho nada escrevendo isso. Mas amo escrever tais insanidades.
Capítulo 9 – Night Before
Mexeu-se devagar, acordando aos poucos e abriu os olhos. Não se lembrava de quando fora dormir, mas lembrava do que estava fazendo antes. O frio. O frio dele ainda estava presente, ainda estava perto de seu corpo, mais precisamente em sua barriga. Virou-se para a esquerda e encontrou dois olhos dourados lhe encarando, a mão dele ainda fazendo carinhos em sua barriga. Deu uma rápida olhada na direção da janela, e viu que não tinha sol. Estava nublado e parecia fim de tarde, já de manhã.
-Bom dia! – desejou Edward, olhando Alex acordar aos poucos.
-Bom dia. – bocejou e sorriu. – Ficou a noite toda?
-Sim. E você disse a verdade, você sonha e fala muito.
-Por quê, sonhei com o quê?
-Várias pessoas. – sorriu quando a morena aproximou-se para beijá-lo. – Seus pais, eu, Alice e Emmett.
-Seus irmãos? – Alex se surpreendeu.
-Sim. E o que me deixa mais intrigado é que pareciam quatro sonhos diferentes. – percebeu que ela não entendera. – Primeiro sonhou só com seus pais. Depois comigo. Logo após com Alice, e por último com Emmett. E devo dizer que esse foi o que mais me interessou.
-Por quê? – Alex forçou a mente para tentar lembrar qual tinha sido seu sonho.
-Você disse pelo menos três vezes: Emmett, pára. – riu da cara de espanto dela, e continuou. – E depois dizia: Edward é meu namorado. Pára!
-Nossa, que vergonha. – a morena não sabia onde enfiar a cara.
-Foi engraçado.
-Engraçado?
-Sim. Você fazia cara de brava. Significava que não estava gostando das investidas de meu irmão.
-Seu irmão nunca faria isso. – declarou Alex ainda extremamente envergonhada. – E eu também não.
-Alex, foi só um sonho.
-E o que sonhei com você? – Alex viu Edward olhar em outra direção, e achou que os olhos dele ficaram mais escuros.
-Não consegui ficar perto de você, nesse momento. – deu uma pausa e continuou. – Na maior parte do tempo você... gemeu.
Alex corou violentamente e saiu de perto de Edward, levantando-se e seguindo para o banheiro. Achava que nunca tinha passado tanta vergonha em sua vida, e ainda por cima com ele. Mas não era sua culpa, não podia controlar o que sonhava; porém, a vergonha não diminuía. Não era possível que depois de tantas noites sonhando com ele, justamente naquela ela decidira sonhar aquelas coisas. E o pior é que não se lembrava de nada, de nem uma parte dos sonhos. Nem o sonho com seus pais, nem com os irmãos de Edward, e muito menos com ele. E isso era horrível.
Ele parou no batente da porta do banheiro, vendo Alex jogar água gelada no rosto e olhá-lo pelo espelho, a morena evitando olhar em seus olhos. Edward sabia que falara da maneira errada sobre o sonho, ela também era sensível com relação ao sexo. E o sonho, infelizmente, não tinha nada a ver com isso, e Edward gostaria muito mais falar sobre isso do que falar sobre o que teria. Viu Alex terminar de lavar o rosto e ficar de frente para si, porém olhando para o chão. Decidiu contar logo e deixá-la saber o porquê de se afastar dela durante aquele sonho.
-Você gemeu de dor. – a frase a fez lhe olhar nos olhos. – No começo achei que você estava sonhando em... – levantou uma sobrancelha. Ela sorriu. – Mas você disse frases que fizeram com que eu saísse do quarto.
-Do quarto? – a surpresa era gigante.
-Sim.
-O que eu disse? – Alex viu Edward olhá-la fundo nos olhos, temendo ver medo da parte dela.
-"Isso é para eternidade. Não tema, já quase não sinto dor. E depois, nunca mais sentirei." – Edward repetiu as palavras dela como se fosse as dele. – Sua voz entrecortada e carregada de dor.
-Edward, não significa nada.
-Eu saí do quarto, não podia mais ficar.
-Não signi...
-Eu te mordi, não entende? – a voz de Edward era séria e ele sentia que passara do limite. Não era culpa de Alex que o sonho era aquele, ela poderia pensar sobre aquilo, querer aquilo, ou até odiar a idéia. Mas controlar sonhos, ela não conseguia.
Ficou fitando-a, esperando qualquer palavra dela, qualquer reação. Porém, nada. Alex encostou o quadril na pia e cruzou os braços, olhando os olhos dele. Edward queria saber qual era o pensamento dela naquele momento. Saber o que ela achava sobre o que ele havia falado. Mas, nada. Ela não respondia, não sorria e não ficava de cara amarrada, apenas lhe fitava. Um olhar incômodo, como se esperasse por ele reagir.
Reagiu, de um jeito que ela não esperava, ele pensava. Eliminou a distância entre eles e segurou o rosto dela com uma mão e a cintura com a outra, buscou os lábios dela, e a beijou. Um beijo tímido, somente um beijo para mostrar que ainda era ele mesmo, um beijo sincero.
-Já passou pela sua cabeça que eu possa querer isso? – ela perguntou, roçando os lábios nos dele.
-Não farei isso. – respondeu sem se afastar.
-Eu sei. Eu sei que você não faria isso.
Porém ela não o deixou reagir, não o deixou responder, o beijou. Dessa vez, como na noite passada.
-Satisfeita?
-Até demais, pode se dizer. – disse Alex, empurrando o prato para frente e sorrindo para Edward. O ruivo fizera a comida para o almoço dela, deixando-a surpresa. Ele sabia cozinhar muito bem, mesmo não comendo nada do que fazia.
-O que pretende fazer hoje?
-Ainda não sei, mas acho que vou ao shopping pagar algumas contas e no cinema. Vamos?
-Quer mesmo que eu vá?
-Não, Edward. – riu, retirando a louça suja da mesa e a colocando na pia. – Claro que quero.
-Certo.
Alex sorriu para Edward sentindo-se melhor do que na parte da manhã. O assunto sobre seu sonho a assustara. Não que não pensara na possibilidade dele lhe morder, mas de pensar a pedir existia uma grande diferença. Sabia bem como ele reagia sobre o assunto, era somente ler as páginas dos livros. A reação do ruivo era extremamente avessa ao que acontecera no sonho. E por um lado, ela entendia. Com crença não se brinca.
-Vai se arrumar? – ele perguntou, levantando-se e olhando para o rosto pensativo de Alex.
-Sim, vou tomar um banho. – respondeu saindo da cozinha, mas virou-se brevemente e o olhou. – Espero por surpresas no banho?
-Não, Alex. – respondeu, balançando a cabeça. Ela sorriu e foi na direção do banheiro.
Edward sabia que sua atitude de entrar no banheiro dela, enquanto a morena tomava banho, não fora uma idéia ótima. Valera para descobrir certos limites, e outras coisas. Mas o risco era grande, e talvez, não devesse corrê-lo outra vez. Entretanto, ficava difícil não querer entrar naquele banheiro sabendo que poderia ver o corpo de Alex, sentir o aroma doce dela. Ouvir os batimentos calmos do coração dela. Tudo isso enquanto a água morna a banhava.
Poderia entrar por breves segundos e sair sem que ela percebesse. Uma atitude infantil, mas ela mesma perguntara se ele apareceria durante o banho dela. Seu pensamento o levou até a porta do banheiro e ficou alguns segundos fitando com seus olhos dourados a maçaneta. Tentando decidir se entrava ou não. Parte de si dizendo que não. A outra parte dizendo que sim. E a parte que dizia sim, era seu corpo. A reação que não sentia há anos. Uma sensação boa, porém perigosa.
-Achei que não teria surpresas.
Edward olhava Alex através do vidro esfumaçado e não sabia bem o que fazer. A morena virou-se, somente parte do corpo, a toalha enrolada no corpo, totalmente molhada. Sentiu quando ele entrou, sabia que ele entraria. Não entendia como sabia que ele entraria, mas sabia.
-Você sabia. – disse Edward ao vê-la com a toalha enrolada no corpo.
-Eu sabia. Mas não entendo por quê. – decidida, Alex abriu a porta do box e aproximou-se de Edward, olhando-o nos olhos. – Não entendo por que não me toca, se quer tanto.
-Posso te machucar.
-Você quer me tocar? – Alex deixou seu corpo rente ao do ruivo. Vendo-o contrair a mandíbula, ficando apreensivo.
-Alex...
-Não quer me tocar? – a morena sabia que estava passando dos limites, mas não queria se controlar. Não queria parar de provocá-lo.
-Eu...
-Não quer me ter?
-Alex... – Edward via os olhos de Alex ficarem mais escuros a cada segundo, a cada palavra que ela dizia. Ele se conhecia, sabia aonde aquilo pararia. A história se repetia, e ele não podia deixar isso acontecer.
-É só... – segurou a mão dele, colocando-a em sua cintura, deixando o frio dele chegar até sua pele através da toalha molhada. – Me tocar.
-Alex, pare!
-Não. – disse pressionando o corpo contra o dele. – Não paro. Você me toca, porque me quer.
-Quero, mas não posso. – esquivou-se e afastou-se da morena. Olhou para Alex, vendo-a lhe olhar de um modo entre decepcionada e ofendida.
-Não quer...
-Eu posso te matar. – disse decidido. – Lhe quero, mas...
-Esqueça. – pousou a mão direita no nó da toalha e o desfez. – Esqueça isso. Sei que não vai.
Edward prendeu a respiração, mesmo que não respirasse. Seus olhos esquadrinhavam o rosto dela, seu corpo reagia ao saber que ela estava sem roupa alguma. Um gosto amargo tomou conta de sua boca, e Edward sabia perfeitamente, que amargo era aquele. O amargo do perigo, o amargo da morte. Chegara a hora de por um fim naquilo.
-Não perca o controle. – Alex aproximou-se e o envolveu em um abraço. Pressionando todo seu corpo ao dele. – Não perca.
Já tinha perdido. Ela estava oferecendo. Estava entregando-se de bandeja para ele. Não poderia recusar, ela era tentadora, sabia que ela faria o que dissesse. Se comandasse que ela se jogasse em seus braços, afastasse os cabelos do pescoço e lhe entregasse a pele alva para a morte, ela assim o faria. Era uma questão de tomá-la para si. Matá-la de uma vez e acabar com aquilo. Ela o fazia perder o controle, a mente nublava. Não podia deixá-la viva...
Não! Não faria isso. Não podia matar Alex. Não podia se transformar em um monstro outra vez. Tinha que parar aquilo. Afastou-se. Moveu as pernas, e no segundo seguinte estava do lado de fora da casa. Seus pés no asfalto, sua mente no corpo dela. O vento estava forte e batia em seu corpo, aliviando o cheiro dela. O cheiro tentador que o impulsionava para dentro da casa. Para dar o que ela pedia, para fazê-la sua e depois matá-la. Era isso que tinha que fazer. Mas não faria.
O vento estava lhe ajudando a esquecer. Esquecer as curvas, os seios fartos, as coxas modeladas. Esquecer a pele morena, os olhos injetados. A porta da casa se abriu, ele se virou para ver Alex sair, vestindo uma calça e uma blusa larga, cabelos pingando. Ela segurava o molho de chaves e vinha rapidamente em direção ao portão.
-Não, Alex.
-Me desculpe. – Alex sabia que havia passado dos limites. Tinha que se desculpar.
-Alex... fique aí. – a voz era apreensiva.
-Edward, se você quiser me matar não serão barras de ferro que vão lhe impedir. – procurava desesperada a chave do portão.
-Me dê um tempo.
-Eu perdi o controle, me desculpe. – colocou a chave na fechadura e a virou, mas não conseguiu abrir o portão, viu a mão de Edward segurando as barras.
-Fique aí, Alex. Por favor.
-Edward, eu não... me desculpe. Solte o portão.
-Não, fique...
-Solte o portão, deixe que eu...
-Ainda quero te matar.
Alex calou-se. Suas mãos afrouxaram nas barras de ferro e escorregaram para o lado do corpo. Sua boca aberta, como se não conseguisse dizer a palavra que queria. A respiração estava acelerada e Alex sabia que ele dizia a verdade.
-Me mata.
Foi a vez de Edward soltar o portão. E a morena se aproveitou disso e abriu o portão. Edward afastou-se e continuou a olhá-la. As palavras dela ainda ecoando em sua mente.
-Só disse isso para te fazer soltar o portão.
-Você...
-Não. Não fuja. – Alex deu um passo para frente. – Edward, me perdoe. Não queria isso. Não pretendia passar o limite desse jeito. Me perdoa. – lágrimas caiam de seus olhos e riscavam seu rosto.
Edward nunca tinha visto um choro tão sentido, a morena chorava lhe olhando nos olhos, pedindo desculpas. Sabia que não era somente ela que deveria se desculpar, ele também deveria. Esqueceu tudo, aproximou-se dela, abraçando-a, acariciando seus cabelos molhados, pedindo que ela não chorasse mais, que ela ficasse calma.
Não imaginava o quanto era importante para Alex, a ponto de a morena chorar de forma tão dolorosa. Sentia um calor bom em seu peito, algo como um calor humano, um sentimento tomando conta de si. Não daria nome, não queria. Queria sentir, cuidar da morena.
-Venha, vamos entrar.
Alex ainda chorava, silenciosa. As lágrimas caiam de seus olhos, molhando sua blusa, seus olhos estavam vermelhos. Sua boca seca. Sabia bem que passara dos limites, que acabar por quase perder Edward. Mas não podia se controlar naquele momento, ele sabia o efeito que causava nela. No corpo e na mente.
-Você me perdoa?
-Assim que você me perdoar. – Edward respondeu, trancando o portão e levando-a para o quarto.
-Não, eu não tenho que te desculpar. – limpou algumas lágrimas que ainda caiam. – Você não fez nada de errado.
-Fiz sim. Não entendi o seu lado. – disse, olhando-a nos olhos e depositando um beijo em sua testa. – Deita.
Alex deitou e Edward deitou logo depois, ficando ao seu lado, acariciando seu rosto manchado pelas lágrimas. Alex era sincera em todos seus sentimentos, e não importava-se de mostrá-los. Algo que Edward era o oposto. Mas gostava de ver o quanto era importante para alguém que não era de sua família. Puxou a coberta e a cobriu, olhando-a ainda deixar algumas lágrimas caírem de seus olhos castanhos.
-Pare de chorar. Não vou a lugar algum.
-Você está bravo comigo. – ela não fez uma pergunta, apenas afirmou.
-Não. Estou bravo comigo. – disse Edward, depositando mais um beijo na testa dela. Percebera que o cheiro dela estava ainda preso em seu nariz, mas a vontade de mordê-la desaparecera. – Não deveria ter entrado no banheiro. Nada disso teria acontecido.
-Mesmo assim, eu deveria ter me controlado. – mais lágrimas desceram dos olhos dela.
-Alex, já foi. Aprendemos mais um pouco. Lembra-se, evolução? – ela balançou a cabeça e esboçou um pequeno sorriso. Edward também sorriu. – Agora tente dormir e quando acordar, faremos algo.
-Você vai embora. – declarou, com certo receio.
-Não. – abraçou o corpo da morena por cima do cobertor, sorrindo. – Ficarei aqui.
Alex fechou os olhos, aninhando-se entre os braços dele, sentindo-se mais calma. Deveria se controlar, se policiar, ou acabaria por perder Edward. Não podia deixar isso acontecer, não agora que descobrira que estava apaixonada.
Comentem?? Please??
Kiss
