N.A.: É isso aí galera, chegamos a reta final. Espero que gostem desse último capítulo. E deixem comentários...

Evo, Just, Vivvi, Larissiinha, Dahi ' Angie, Brubru, Amanda, Mandav... vcs são demais... Origada por tudo, de verdade...

Bjo no coração de todos que leram e não comentaram... mesmo não tenho cometnários, eu fico feliz que leram as minhas fics...

Chega de falar... vamos ao final de Reality... Espero que gostem...

Boa Leitura!


Capítulo 15 – Don't

01:40 a.m.

Alex entrou no carro chorando, jogou a mala no banco de trás. Iria embora da cidade por um tempo, ligara para sua chefe dando a desculpa que não poderia voltar para trabalhar, pois estava com sérios problemas com a família. Bateu com as mãos no volante com raiva, estava fugindo de tudo por causa dele. Não queria ter que fugir, muito menos por causa dele, mas não via outra solução. Não havia outra solução. Tinha que se afastar o mais rápido possível de Edward Cullen, de vampiros, de pessoas que não morriam. Tudo corria em sua mente, estava tão perturbava que nem se dera o trabalho de pensar para onde ia, somente ia. Ia para longe, fugindo e sumindo.

Ele lhe oferecera a imortalidade, e mesmo assim não o olhou, não aceitou. Esperou que ele abaixasse o braço e que a deixasse sair. Correndo até o elevador, descendo chorando até o térreo. Entrando em seu carro e partindo, quase causando um acidente por estar chorando. As lágrimas não pararam de cair de seus olhos desde que saíra do hotel. Doía deixar tudo para trás, doía amar e ter que deixar tudo para trás por causa desse amor. Amor louco e perfeito. Alex amava Edward mais que qualquer outra coisa em sua vida. Mas não era possível, não tinha como ser dele, mais do que já fora. Tivera que se despedir, mostrá-lo que ele era mais humano do que achara.

Ele era capaz de ser de alguma mortal e não matá-la. Controlar a sede, ser mais humano do que nunca foi. Mas não seria com ela, não era possível. Estavam distantes em tantos sentidos, e tão perto em outros. E mesmo assim sentia-se perdida, zonza, como se alguém a tivesse feito bater a cabeça. Não conseguia saber o que fazer ou que decisão tomar. Apenas sabia que deveria partir, dirigir até não poder mais. Ou até suas lágrimas secarem.

Ligou o carro e partiu, suas lágrimas embaçando seus olhos, fazendo com que tivesse que limpá-los a todo o momento. Dirigia com rapidez, o celular tocando insistentemente, jogado no banco do passageiro, o visor mostrava que era Monica. Não queria falar com ninguém, não queria contar mais mentiras. Deixara uma mensagem na secretária eletrônica dela, avisando que sairia da cidade por algum tempo e que ligava qualquer dia dando notícias. Claro que não conseguira parar de chorar durante a ligação e Monica deveria estar morta de preocupação.

Mas Alex sabia que se atendesse não resistira à voz familiar de Monica e ficaria, e ficar era a última coisa que poderia fazer. Ligaria quando tudo se acalmasse e tivesse forças para enfrentar a amiga. Nesse momento, só queria partir, deixar de pensar em Edward e em tudo que se relacionava a ele. Não queria mais chorar ou sofrer. Mas isso somente o tempo ia conseguir parar, e o tempo demoraria a passar.

Entrou na auto-estrada e acelerou, pegando a primeira saída, indo na direção do interior. Ficaria em uma cidade qualquer de nome estranho, impossibilitada de se comunicar e de ser encontrada. Podendo acalmar a mente e o coração, longe o suficiente de Edward e de tudo que pudesse magoá-la. Seu rosto ardia de tantas vezes que o limpara, secando as lágrimas que o riscavam, e dificultavam sua direção. Mas estava dirigindo bem, não havia mais carros na pista. Era uma pista pouco usada e uma placa no canto direito pintada de verde, com a tinta descascando, dizia em letras brancas: Valley Stream. Seria ali. Já tinha ouvido falar daquela aldeia e seria perfeita. Poderia ficar lá, esconder-se, acalmar-se e ter certeza de que a vida poderia ser vida sem Edward Cullen e sua imortalidade presente.

Poucos quilômetros depois ainda chorava, e uma chuva forte começou a bater em sua janela. As gotas acertavam o carro sozinho na pista, fazendo um barulho tão alto que Alex não conseguia nem escutar o rádio – ligado sem propósito algum, pois ela não estava a escutar nada do que estava tocando. Sua mente só conseguia pensar em como estava magoada, triste, perdida. O carro derrapava na pista molhada, mas ela não diminuía, apenas continuava. Tinha que se afastar e com rapidez, não tinha tempo para pensar em diminuir ou no perigo que corria. O carro era sua única segurança no momento. Olhou para o relógio no rádio, vendo o horário: 01:56 da matina. Secou os olhos mais uma vez com a ponta dos dedos e ao abri-los, mesmo que os tivesse fechado, por um mero segundo, viu que algo estava na pista. Algo que antes não estava ou não vira que estava.

E tudo aconteceu rápido demais.

O vento soprava a chuva com força contra o carro, a pista molhada fazia os pneus escorregarem e o grande galho de uma das árvores do acostamento fez o carro dar uma guinada para a direita. Alex assustou-se com o barulho que a lataria fez ao se chocar com o galho no meio da pista e tentou segurar o volante, para estabilizar o carro e não sair da estrada. Os pneus derraparam na pista molhada, fazendo um barulho estranho, e o carro caiu no acostamento, rodando no asfalto negro. Alex segurava o volante quando se chocou com algo que produziu um barulho maior ainda, a lateral do carro amassou-se e Alex a olhou. Tudo se movia devagar demais, e o medo crescia com rapidez. Conseguia ver que o carro ainda se movia e agora era o seu lado que bateria. Seu carro se aproximava de um tronco de árvore grossa, forte o suficiente para agüentar a batida e nem se mexer. A porta do motorista se aproximava cada milésimo mais rápido, e a morena só teve tempo de mexer o corpo para a direita, saindo do banco em que estava, jogando-se no outro.

Os barulhos eram ensurdecedores, e Alex ouvia alguém gritando. Gritando de dor, gritando de medo. E não abriu os olhos, não conseguia. Tudo doía, sua mente parecia que estava em qualquer lugar, menos no lugar. Sentia que todos os ossos de seu corpo estavam quebrados e lhe perfuravam a carne. Era a pior dor de todos os tempos, a pior dor que poderia sentir. Gotas geladas caíam em suas costas e sabia que deveria estar virada para o chão, mas como conseguiria sair? Não havia meios, não conseguia abrir nem os olhos, muito menos mexer o corpo. Era isso, o fim. O medo de morrer já estava tão presente em sua mente que isso era a última coisa que pensava. Morrer era um passo para o outro lado, seja lá qual lado for.

Mais gotas batiam contra o carro amassado, e mais gotas pareciam cair em seu corpo. Tinha que se mexer, e os gritos não cessavam. Cheiro de sangue. Seu sangue. Sabia que deveria estar sangrando e que não deveria ser em pequena quantidade. Mas sentia o cheiro e isso a aterrorizava. Alguém ainda gritava, e era um grito triste, um grito de quem precisa de ajuda. Ouviu um estrondo mais alto que o grito, diferente do da batida do carro, diferente do barulho dos metais se retorcendo.

Era um estrondo de chuva, o céu avisando que a água não pararia de cair tão cedo, o que assustava ainda mais Alex. Quem a acharia? Quem a ajudaria? Ninguém sabia para onde ela ia, não avisara ninguém de seu destino. Nem ela mesma sabia para onde estava indo antes de ir. E isso poderia significar sua morte, prematura e imbecil. O grito foi mais alto.

Um arrepio e tudo pareceu voltar. Era ela que gritava, gritava de dor e de medo. Sentia a garganta queimando, seus gritos cessaram ao perceber que eram dela mesma, seu corpo pedia socorro. Abriu os olhos, chorando de dor, vendo o chão do carro, vendo o painel a segurando contra o chão retorcido. Podia virar a cabeça um pouco e viu o banco onde estava momentos antes todo perfurado por metais do teto e da porta. Não estaria viva se tivesse ficado ali, sentia as pernas livres, mas uma dor alucinante tomou conta de sua mente e outro grito de dor escapou por seus lábios.

Algo além do painel a prendia no chão, algo que a perfurava na lateral do tórax e que fazia o sangue sair. Levantou o rosto e puxou o braço, raspando-o em todo o plástico e todo o metal, levando os dedos até seu rosto. A luz de um relâmpago a deixou ver, estava deitada contra o chão, uma piscina de sangue. Seu rosto estava manchado, suas mãos, o resto de seu corpo se tingia. Perdera muito sangue com esse ferimento, e a dor estava começando a se tornar insuportável, pois seu sangue esfriava. A adrenalina passava, deixando-a cair em um poço de desespero, no medo de morrer e só ser encontrada em alguns dias.

Não poderia pensar assim ou perderia o controle. A dor era terrível e tudo começou a perder a cor. Seu sangue ficou cinza, tudo que tinha cor, se perdeu. Tudo que se mexia, parou de se mexer, e o que restou foi um grito. Dessa vez não seu, mas um grito que chamava seu nome. E então, a dor maior veio, o metal que atravessava seu corpo foi retirado, assim como a parte do painel que a esmagava. Mãos geladas a puxaram, tudo se tornou silêncio e uma voz a chamou, não conseguindo impedi-la de entrar na escuridão.


01:45 a.m.

Alice espalmou a mão contra a parede, seus olhos perdidos no chão do quarto. Emmett e Jasper vieram para seu lado, olhando-a com certo receio, há anos não tinha uma visão que a deixasse tão abalada. Edward veio para seu lado e a segurou, olhando em seus olhos baços, sentindo o pequeno corpo dela estremecer.

A morena voltou à realidade segundos depois, vendo os olhos do irmão negros, a face com dor. Abriu a boca, mas só o que conseguiu deixar escapar foi um pequeno choro. Ela vira, vira Alex, o galho, a pista molhada, o carro, a morte.

-Edward, eu vi o nome da aldeia, ela estava indo para lá. Valley Stream. Não sei em que ponto. – a voz era triste e sentida, a morena pareceu engolir em seco e precisar de ar para continuar a falar. – Ela...

-Vamos, Edward. – disse Emmett, olhando para Alice, impedindo-a de falar. Não era certo que a morena morreria. – Vamos procurar pela estrada.

-Não sabe quando isso vai acontecer? – a voz de Edward demonstrava todo seu desespero em achar a morena.

-O rádio dela marcava 01:56 na hora em que ela fechou os olhos para secá-los. – olhou para Rosalie, que estava ao canto, olhando-os, sua face sem expressão. – Onde está Sin?

-Ela disse que tinha pequenos problemas a resolver. – respondeu Rosalie sem dirigir-se a ninguém em especial. O frio de Edward pareceu espalhar-se pelo quarto com rapidez, como se fosse capaz de congelar o lugar apenas por estar nervoso.

-Ela não seria capaz. – foram as últimas palavras que Edward disse antes de sair porta a fora, correndo pelas escadas, sumindo como um vulto. Correndo, pedindo para que Deus, caso este realmente existisse lhe permitisse chegar a tempo, salvá-la desse acidente, impedi-la de morrer. Impedir Sin, caso ela tivesse algo com isso.


02:03 a.m.

Demoraram para achar o local, a pista estava inteira com galhos e pedaços de árvores. Tentavam sentir o cheiro de sangue, mas o vento forte da chuva que passara impedia. Quando finalmente acharam, já era tarde, e Edward não conseguia se controlar, gritara várias vezes o nome dela, antes mesmo de olhar pelo carro.

-Edward, ela não está aqui. – disse Jasper, olhando dentro do carro batido. Os ferros esmagavam completamente o banco do motorista.

-Ligue para Alice, ela deve ter visto algo mais. – sua voz era de total desespero e ficou ainda mais ao perceber que poderia ter perdido Alex para sempre.

-Edward... – disse Emmett, olhando para uma parte na lataria do carro onde estava impressa, com sangue, uma mão.

-É de Alex. – disse o ruivo, olhando para os lados, tentando seguir o cheiro do sangue dela. Mas o aroma perdia-se no vento forte, como se o sangue dela tivesse sumido de seu corpo.

-Edward. – chamou Jasper e um segundo depois Edward estava ao seu lado, do outro lado do carro, olhando a porta do passageiro retorcida. Marcas de mãos e unhas. Alguém havia arrancado a porta e parte do painel, uma poça de sangue se formava no chão na frente do banco do passageiro. Somente vampiros tinham força para fazer isso, e seus instintos lhe diziam que um era culpado disso. Uma vampira.

-Sin.

Foi a última coisa que Emmett e Jasper ouviram antes de Edward começar a correr em direção à cidade. Seu frio parecia crescer a cada passo que dava, e a velocidade em que corria estava ultrapassando a velocidade que normalmente corria. Não via nada passar por si, apenas queria chegar o mais rápido que pudesse perto de Sin. Tinha de achá-la. Sabia onde ela estava e começava a pedir para todos os deuses que Sin não cometesse a loucura que estava pensando.


02:25 a.m.

Abriu a porta da velha casa onde Sin ficava quando ia a New York, o cheiro de sangue fresco invadindo seu nariz. Invadindo sua mente. Dois andares de escadas e estava a frente de Sin, olhando-a com seus olhos negros de dor e raiva.

-Me desculpa, Edward. – disse Sin, o corpo de Alex pendendo de seus braços. Sua boca vermelha. Sangue. Sangue da Alex escorria por seu queixo, descia por sua pele pálida. A morena estava morta.


Dois dias depois – 10:00 a.m.

-Estamos reunidos hoje, aqui nesse local sagrado para deixarmos que nossa querida amiga, irmã e filha, Alexandra Light... – falou alto o padre, a chuva atrapalhava que todos os presentes escutassem sua voz. Muitas pessoas, escondidas por seus guarda-chuvas, estavam chorando, algumas apenas olhavam com grande pesar o caixão, que descia muito lentamente para dentro da cova. Todos de preto, a tristeza era quase palpável, Monica abraçava Anne, enquanto as outras amigas de Alex choravam e se abraçavam, quase não acreditando no que havia acontecido.

A família Cullen estava presente, escondidos em três grandes guarda-chuvas negros, todos olhavam com pesar para o caixão negro, de entalhos prateados, porém nenhum deles chorava. Era triste perder alguém, mas eles já conheciam essa rotina bem demais. Já estavam acostumados a perder pessoas, a enterrarem entes queridos, a verem quem se ama, partir. Edward olhou para o caixão, o peito apertando, não acreditava que realmente estava fazendo aquilo, participando do enterro de Alex; era quase como um sonho – um pesadelo! E até poderia pensar que fosse um, se ele pudesse dormir.

Mas não dormia e estava ali realmente, vendo aquilo, vendo o caixão da mulher que amava ser engolido pela terra. Vendo que ali se encerrava a vida de Alex, por uma simples pessoa, a vida de outra, chegava ao fim. Não era certo, não deveria ter deixado aquilo acontecer. Deveria tê-la impedido de sair daquele quarto de hotel, impedido que ela se fosse. Mas não o fizera e agora o resultado era aquele. Aquele resultado que não queria ver, que não queria ouvir. E mesmo assim, ouvia.

-Uma garota jovem, que foi levada pela tragédia. Mas nada acontece por acaso, Alex, tinha que partir. Ficar ao lado do Criador e ser feliz, eternamente no paraíso.

Edward virou-se, andando na chuva, para longe daquela voz, para longe daquele caixão. Da morte de Alex, do pesadelo que vivia. Não era possível, não estava realmente fazendo aquilo. Não entendia como Sin fizera tal coisa, como Alice arquitetara tal plano, e toda sua família concordara. Seu carro estava parado perto da entrada do cemitério, sentia os olhos de Carlisle e de Esme em suas costas, e ainda conseguia ouvir seus pensamentos. Mas não se importava, apenas queria entrar em seu carro. Abriu a porta, a chuva molhando brevemente o banco do motorista. Sentou-se no banco e mexeu os cabelos ruivos que colavam em sua testa, olhou para o lado. Olhos dourados o encaravam, o rosto com um sorriso sincero. Não conseguiu sorrir de volta.

Sin era tudo em sua vida. Ela lhe ensinara a ser de alguém, a saber que um dia poderia amar. Que ser imortal tem seus defeitos, que cada pessoa morre dentro dela mesmo sem ser vampiro, caso um dia não encontre alguém para dividir essa vida. Sin havia encontrado em Edward essa pessoa, mas Edward havia encontrado em Alex. E como a dor da perda era grande. Corroia cada pedaço de seu ser, como se fosse uma culpa sem fim. E para imortais é eterna. Sin era bela, em muitos sentidos, mas extremamente sem beleza alguma em outros.

Vingativa, infantil. Transformada aos dezessete anos, não teve escolha de ser morta ou transformada. Apenas teve que aceitar o que era, aprender sobre o que era. Edward sabia a idade dela, mas somente ele. Ela não lhe permitia espalhar quantos anos tinha. Mais antiga que Carlisle, mas antiga que muitos vampiros. E andava pela Terra como se fosse dona dela, não dando notícias. Não se escondendo, apenas aparecendo ocasionalmente. País a país, cidade a cidade, morte a morte. Sin tinha longos fios vermelhos, sorriso ladino, rosto fino. Uma perfeita adolescente que nunca conseguiria saber o que era ser adulta. E ela não se importava. Gostava de ser eternamente adolescente. Sentia-se mais viva assim. Mais uma humana.

Edward já tivera cada pequena célula que aquele corpo formava. Nada ali parecia estranho para si, muito menos a mente. Mas Sin conseguia mantê-la fechada. Algo como esconder bem melhor que Alice os pensamentos dele. Uma barreira invisível. Talvez anos demais na Terra, talvez anos demais perto dele. Não era bom que ouvisse cada pensamento dela, nem cada coisa que ela desejava. Ela não era mais sua companheira, se é que algum dia ela tivesse sido.

Mexeu-se no banco, olhos dourados contra negros. Ela estava calma, apesar do sorriso estar forçado. Edward entendia a calma de Sin, ela apenas perdera um homem a mais em sua vida. Ele perdera o amor, de certo modo. Ele a viu virar a cabeça na direção do enterro de Alex, a chuva ainda caia, um pouco mais fraca agora. Mas ainda assim, todos continuavam debaixo de guarda-chuvas, encostados uns nos outros – menos na Família Cullen – para se aquecerem. Era uma reação natural.

-O enterro está bonito. O meu foi bem mais simples. – disse Sin, ajeitando-se no banco e olhando fundo dentro dos olhos de Edward. O ruivo apenas a encarou sério e com um jeito acusatório. – Certo, comentário na hora errada.

-Não deveria estar aqui. – disse, pegando a chave no bolso do casaco que escorria pequenas gotas de chuva, e ligou o carro. – Deveria estar na casa.

-Eu sei. Mas vim lhe dizer que cessou. – respondeu, sorrindo e abrindo a porta, a chuva entrou em pequenas e finas gotas geladas. – Ela parou de gritar faz uma meia hora. Te vejo amanhã.

Sin sumiu antes que Edward pudesse dizer algo, antes que pudesse formular uma questão. Os gritos haviam cessado, isso só significava uma coisa. E desejava ardentemente, que fosse o que imaginava.


Entrou na grande casa, olhando para os lados, deveria tomar cuidado, não poderia ser pego de surpresa. E sabia bem que agora seria pego de surpresa. Deu apenas alguns passos para dentro da casa, olhando fundo dentro dos olhos negros à sua frente. Deus, aquilo era algo que nunca gostaria de ver. Ela estava morta. Morta por dentro, mas viva no corpo. Uma casca. Andou devagar, ela estava instável, descontrolada pela fome. E a fome poderia fazê-la lhe atacar. Não queria ter que segurá-la e domá-la.

Alex arrastou-se contra o chão, o peito ardendo. O cheiro de sangue chegava até seu nariz, mas sentia nojo. E uma grande vontade de ir atrás desse cheiro. Viu Edward entrar no quarto, ele parecia apreensivo. Talvez fosse lhe explicar o que acontecera. Lembrava do acidente, lembrava do carro girando na pista molhada, batendo na árvore, amassando-se. Ela no chão presa pelo painel e por algo mais. Seu sangue se espalhando no chão. Sangue. Alguém sangrava perto dali, tinha que sair.

-Dói. – foi a única coisa que disse, tudo realmente doía. As pernas, braços, tronco, cabeça. A língua parecia latejar a impedindo de falar. Era doloroso demais. Não entendia quem a havia salvado, não entendia como chegara até ali. E não entendia essa vontade insana de ir atrás daquele sangue que escorria de alguém.

-Alex, vem aqui. – disse como se falasse com uma criança. Não seria possível fazê-la entender que essa sede tinha que passar, que ela tinha que ser forte. Sabia que ela não seria. Sabia que ela acabaria por querer sangue humano. E agradecia por estar ao seu lado. Por conseguir ensiná-la.

A morena andou em passos vacilantes, o corpo perto do chão, parecendo um gato aproximando-se com medo do dono. Edward a abraçou, trazendo o corpo dela para junto do seu. Não a deixaria aprender sozinha, iria ensinar tudo que sabia. Como não havia volta, o melhor era fazer Alex sua. Eternamente sua. Agora imortal poderiam ficar juntos, mesmo que houvesse o aprendizado dela no caminho.

Alex sentiu os braços de Edward em seu corpo, abraçando-a. Encostou a cabeça em seu peito, aquilo era um lugar familiar. Mas por que ainda sentia o arder no peito de sede? Por que sentia que se não fosse atrás de quem sangrava, ficaria louca? O abraçou com força, sentindo que ele ficava apreensivo. Olhou-o, olhos dourados tristes contra negros curiosos.

-Eu te amo, Alex. Nunca se esqueça disso. – disse baixo, sabendo que não seria necessário dizer mais alto. Ela escutaria mesmo se corresse para fora, e falasse essas palavras em um sussurro. Era um deles agora, uma imortal, uma maldita. E essa realidade de Edward batia de encontro com os livros de Stephenie. Sabia o fim de Bella Swan nas mãos de Edward Cullen, e não fora o mesmo que Alex tivera. Mas depois de alguns anos, seria. Eles ficariam juntos, seriam um do outro, e Alex seria dele.

-Eu... – por que sua fala não saia? Por que doía tanto?

-Não fale. – pediu Edward, sabendo que aquilo doía. Era um processo lento, doloroso, mas que seria feito. E algo que nunca pensou sentir novamente, ele sentiu. O vento da porta aberta entrou, envolvendo o corpo de ambos, e o aroma se espalhou. O aroma de Alex, ainda preso no corpo recém-nascido para a morte. O aroma que o enlouquecia, que o fazia sorrir. Ainda estava no corpo dela. E sabia que ele sumiria com os dias, mas queria guardá-lo eternamente na memória. Guardar algo para que ela soubesse que um dia foi mortal, que saiu ao sol, que morreu e nasceu. Nasceu para que ficassem juntos. Eternamente juntos.


FIM.


N.A.: É isso, amores. Acabou.

Agora a novidade, estou a escrever a continuação... ahauhahuaua

É uma fic para o I Chall Edward Cullen, do Fórum Twilight Brasil...

Quando estiver com ela pronta, postarei...

Obrigada por tudo, galera.

Comentem, hein??

Kiss