Capítulo 3 - Há alguma coisa que eu deva saber?

Estúpida, Ginny pensou para si mesma. Era o que ela era, estúpida. Draco tinha sido a sua única maneira de chegar a casa e agora que ela estragou essa opção, não tinha maneira de voltar para Nova Iorque. Ginny abanou a cabeça. A culpa não é tua, disse para si. Não é tua culpa se ele é um idiota. Ela saiu do edifício e começou a subir a avenida Brighton. Ou pelo menos pensou que era a avenida Brighton. Só esteve em Inglaterra um par de vezes acerca de seis ou sete anos. Alguém lhe podia ter dito que aquela parte de Inglaterra era a Turquia, ela não teria escolha senão acreditar.

Ginny alcançou o fim do quarteirão e parou. Estava perdida. Mesmo que quisesse ir ter com Hermione, não podia porque não fazia ideia para que lado ficava o apartamento de Hermione. Queria pedir ajuda, mas não havia ninguém na rua à sua frente. Não tinha ideia de que horas eram, mas Draco tinha-se estado a preparar para o trabalho, por isso ainda devia ser cedo. Bem, pelo menos já tomei o pequeno-almoço, pensou enquanto passava por uma pastelaria. E tinha sido de graça. Isso ajudou-a a poupar dinheiro. Agora, tudo o que ela precisava era encontrar uma maneira de convincente Raul a dar-lhe mais uma semana ou chegar com o dinheiro da renda. Já tinha desistido da ideia do trabalho. O prazo expirava em seis dias. Não havia maneira de encontrar um trabalho e o seu primeiro pagamento em seis dias.

Só ai, Ginny reparou numa mulher a atravessar a estrada, indo na sua direcção. Ela vestia um casaco de peles e um casaco que praticamente lhe escondia a cara toda. Ginny parou-a para pedir indicações.

"Desculpe, mas sabe onde fica Dalton Street?" disse Ginny. A mulher pareceu pensar por um momento.

"Dalton Street? É um pouco longe daqui. Certamente, não dá para ir a pé." A mulher disse com uma ligeira gargalhada. Tinha um sotaque que Ginny não conseguia situar.

"Oh." Ginny disse, desapontada. Agora como poderia ir para casa?

"Não se preocupe. É uma turista, certo?" A mulher nem esperou pela correcção de Ginny. "Há sempre alguém disposto a ajudar um turista. Eu levava-te, mas estou a caminho da casa do meu namorado. Na verdade," disse, baixando a voz."nós estamos para nos casar em poucas semanas. Namoramos há mais de um ano."

"Parabéns."Ginny disse vagamente. Já não estava a prestar muita atenção. Precisava de pensar num plano de como chegar a casa. Ou, pelo menos, chegar a casa de Hermione.

"Ele não parece muito feliz com as minhas ideias para o casamento. Mas tenho este sonho, percebe, desde que era pequena. Quero um grande casamento, com todos os meus amigos e família lá. Quero usar um vestido branco com um véu que tenha, pelo menos, sete metros de comprimento, para que eu precise de, pelo menos, dois rapazes atrás de mim para o carregar. E quero um boquet de lírios. São as minhas flores favoritas. E quero que ele vista um fato cinzento com uma gravata cinzenta, para combinar com os olhos dele, mas ele diz que não quer que combine. Quero um bolo de seis andares que leve meses a fazer e centenas de pessoas para o acabar. Quero o meu próprio cantor no casamento, para que eu e o meu noivo possamos dançar até cair. Quero pétalas cor-de-rosa espalhadas no chão antes de eu subir ao altar. E fontes, muitas fontes e…" A mulher parou e olhou para Ginny."Oh, desculpa. Acho que te estou a atrasar."

"Não faz mal. Não é que eu tenha coisa melhor para fazer."Ginny sorriu. A mulher riu, o vento ondulando o seu longo cabelo preto em volta da sua face. A verdade era que, ouvir os sonhos de casamento daquela mulher lhe deu quente e terno sentimento. Na verdade, elevou o seu nível de felicidade uns pontos acima.

"Bem, na verdade serve um pouco de ajuda falar com alguém sobre isto. Especialmente um estranho. Eu sei que parece estranho." A mulher disse, enquanto segurava o chapéu no lugar.

"Não, para mim faz bastante sentido. Uma vez que não te conheço, não te posso julgar. Por vezes, também me sinto assim." Ginny disse com um olhar de compreensão. A mulher sorriu-lhe de volta.

"É bom ter uma rapariga com quem falar, nem que seja uma vez, de vez em quando." Disse a mulher. Ginny deitou-lhe um olhar confuso. "Oh, não que eu seja má pessoa. É só que eu cresci rodeada por homens. Acho que as raparigas devem sentir-se intimidadas para falar comigo ou coisa do género." Ginny podia jurar que tinha percebido algo como tristeza na voz da mulher ao dizer a ultima frase.

"Oh, bem, o meu nome é Ginny. Se alguma vez precisares de alguém para falares, podes falar comigo. Sou boa ouvinte." Ginny disse. Ginny sentiu-se mal por ela e pensou que talvez elas pudessem ser amigas. Não tinha certeza do porquê de estar a oferecer a sua amizade a uma estranha, mas parecia-lhe boa ideia.

"Prazer em conhecer-te. Chama-me Katie. Sabes, és a primeira pessoa que eu conheço em muito tempo, que diz apartamento em vez de andar. És dos Estados Unidos?" Katie disse enquanto prendia uma madeixa de cabelo preto atrás da orelha.

"Nova Iorque. Bem na verdade, eu nasci em Inglaterra mas tenho vivido em Nova Iorque nos últimos seis ou sete anos." Ginny esclareceu, observando Katie procurar algo dentro da bolsa.

"A sério? Engraçado, eu nasci em Nova Iorque mas cresci em Inglaterra. Não é uma boa coincidência? Aha! Aqui está ele." Katie exclamou, segurando num telefone."Para trocar números."disse perante o estarrecimento de Ginny. Então, ela era uma trouxa. Apesar de que, Ginny já tinha visto feiticeiras que carregassem telemóveis na bolsa.

"Este dia tens estado a ser o mais estranho em toda a minha vida." Ginny disse, dando o seu número a Katie.

"Oh! Porquê?" Katie registava o número. Ginny hesitou. Não tinha intenção de dizer aquilo em voz alta e não estava pronta para discutir toda a situação com Malfoy. "Eu contei-te a minha história, lembras-te? Por isso, desembucha." Katie disse, ajeitando a sua bolsa.

"Nada. Eu apenas revi um rapaz com quem andei na escola, ontem de noite." Ginny disse. Aquilo era verdade. Apenas não referiu quem ela reviu ou como acabou a noite na casa de Malfoy, na sua cama.

"E? O que aconteceu? Já não o podia aguentar mais?" Katie disse, inclinando-se para ela. Ginny gargalhou. Katie lembrava-lhe tanto como ela costumava ser antes de Voldemort e da guerra.

"Não, não… Bem, na verdade, eu não sei bem. Eu embebedei-me e acordei com ele."Ginny disse. Estava surpresa com a facilidade com que se tinha aberto para uma estranha. Mas Katie parecia o tipo de pessoa com quem se podia falar durante horas. Sobre qualquer coisa.

"Oh meu Deus! Não pares agora, essa é a melhor parte." Ginny riu.

"Não tens de ir ver o teu noivo?" Katie deixou escapar um gritinho.

"Obrigada por me lembrares. Mas não penses que te safas tão facilmente. Eu telefono-te mais logo para que possamos acabar esta conversa." Katie disse enquanto se ia embora. Ginny acenou e viu KAtie entrar no edifício de Malfoy. Engraçado, Ginny pensou, aquela rapariga parecia-lhe familiar. Estava prestes a recordar-se quando alguém, por trás dela, a chamou. Ginny virou-se para encontrar Pavarti.

"Ginny, que bom ver-te! Eu vi-te na festa a noite passada, mas estavas muito ocupada com Malfoy, não pude falar contigo. O que fazes aqui, já agora?" ela perguntou enquanto abraçava Ginny. Ginny gemeu.

"Então as pessoas viram-nos juntos." Ginny disse, afastando-se de Pavarti.

"Não só vos viram juntos, como vos viram a partir juntos também. Mas não interessa." Pavrati acrescentou rapidamente quando viu o olhar horrorizado de Ginny. "Toda a gente sabia que estavas bêbada. Ambos estavam. Mas não respondeste à minha pergunta. O que fazes aqui?"

"Bem, sabes, apenas a fazer um passeio." Ginny mentiu.

"Às seis da manhã? Esta é muito bom hora para fazer uma caminhada." Pavarti disse olhando para o seu relógio. Ginny pode sentir a cara ficar vermelha. Nunca foi boa mentirosa.

"Eu gosto da quietude e… da paz que há a esta hora do dia." Ginny disse começando a procurar por uma desculpa para deixar Pavarti na estrada.

"Hum." Pavarti fez, olhando para as roupas de Ginny. Foi quando Ginny se lembrou que vestia um fato de Malfoy. Precisava de convencer Pavarti a leva-la a casa antes de quaisquer ideias começarem a formar-se no seu cérebro acerca do sítio onde Ginny passou a noite.

"Bem, o que andas aqui a fazer?" Perguntou Ginny no que ela esperou que fosse uma voz casual.

"Eu? Oh, eu vivo aqui." PAvarti disse enquanto apontava para um edifício vizinho do de Malfoy. Ginny assentiu com a cabeça. Ela não sabia. Não via Pavarti desde o seu sexto ano, quando ela foi à formatura de Hermione e Lavender.

"Diz-me, podias aparatar-me para casa?" Ginny perguntou cruzando os dedos. Sem perguntas, por favor, ela pensou.

" Porque não podes fazer isso tu própria?" Ginny suspirou. Devia estar à espera de que haveria perguntas. Precisava pensar em alguma coisa, rápido.

"Porque eu não tenho a minha varinha." Ela despejou. Pavarti deitou-lhe um olhar céptico. Por favor, acredita, Ginny pensou. Sabia que era uma péssima mentirosa, mas talvez, apenas desta vez, a sua cara não a deixasse ficar mal. E, para além disso, ela não estava verdadeiramente a mentir. Ela não tinha a varinha em sua posse, de momento.

"A sério? Não fazes ideia de onde está a tua varinha?" Ginny assentiu. Na verdade, sabia exactamente onde ela estava. Num cofre, dentro do seu frigorífico, onde ninguém, alguma vez, pensaria em procurar. A única pessoa que tinha acesso ilimitado ao seu apartamento era Raul e desde que Ginny foi notificada para sair, ele simplesmente assumiu que o frigorífico estava vazio. Foi uma ideia brilhante: a varinha estava longe o suficiente para a separar do mundo mágico, e ainda assim perto o suficiente para que ela a apanhasse numa emergência. Ginny não podia correr riscos.

"Bem, acho que te posso levar a casa. Mas não vou poder ficar muito tempo. Tenho de ir trabalhar em alguns minutos." Pavarti disse, tirando para fora a sua varinha. Ginny agradeceu e agarrou-lhe o braço. Ginny fechou os olhos e, com um pequeno pop, elas chegaram ao apartamento dela. Pavarti disse lhe adeus e foi-se embora imediatamente. Ginny ficou sozinha no seu apartamento.

O seu primeiro passo foi tomar um duche e mudar de roupas. Não queria quaisquer lembranças dos sórdidos eventos da noite passada. Não que ela conseguisse lembrar-se de alguma coisa, mas sabia que ele podia chateá-la. Se ele se conseguia lembrar, então ele podia estar, pelo menos, um pouco sóbrio, e se ele estava sóbrio, não se devia ter controlado um pouco? Claro que não, Ginny pensou. Draco Malfoy era todo hormonas. Homens que não pensam com a cabeça, mas com a pila. Ele, provavelmente, viu Ginny como uma bêbada e vulnerável e consequentemente, um alvo fácil. Ginny bufou ao lançar a sua camisola através da sala. Bem, ele teve uma surpresa. Ginny Weasley não era nenhum alvo fácil. Ele podia tentar investir nela o quanto ele quisesse, não faria qualquer diferença para ela. De facto, ela ansiava por vê-lo de novo, apenas para que pudesse ter outra oportunidade de esmagar outro vaso na cabeça dele. Isso iria diminuir o seu ego, ela pensou, também atirando um par de calças pela sala.

Ginny tinha acabado de saltar do chuveiro quando ouviu batidas na porta. " Quem poderá ser?" Ginny disse para si própria, pondo rapidamente um par de meias. Enquanto Ginny se aproximava para abrir a porta, as leves batidas transformaram-se em fortes pancadas na porta. " Deve ser Raul", disse Ginny. Aquilo acontecia cada vez que o pagamento de Ginny estava atrasado, o que era todos os meses. Mas nunca tinha acontecido à meia-noite. Ginny encolheu os ombros. Talvez Raul se tivesse esquecido que horas eram, pensou, abrindo a porta.

"Abre a porta, Weasley! Eu sei que estás ai! Consigo ver luz pela fresta da porta.", Ginny ouviu Raul gritar. Ginny pôs um sorriso e abriu a porta. Raul tinha estado encostado na porta, assim, quando ela se abriu ele embateu em Ginny, que caiu no chão. "Mas que merda…tu tens alguma problema, por acaso?" Raul esbracejou, levantando-se do chão.

"Desculpa, mas tu saltaste para cima de mim." Ginny esperou que ele a ajudasse a levantar-se. Quando ele não lhe estendeu a mão, Ginny levantou-se. Achou estranho que Raul, que ela esperaria que a ajudasse, escolhesse não lhe estender a mão, quando Malfoy, que ela pensou que não a ajudaria, a menos que o Inferno finalmente tivesse congelado, lhe tivesse estendido rapidamente uma mão. Porque estou eu sequer a pensar nele? Ginny pensou, abanando a cabeça e concentrando a sua atenção em Raul. Ele pregava um pedaço de papel na sua porta. "O que estás a fazer?"

"Foste despejada." Raul disse, enquanto continuava a pregar o papel na porta. Os outros vizinhos começaram a sair para o corredor para ver de que se tratava o tumultuo.

"Eu sei disso, Raul. Mas porque estás a pregar um aviso na minha porta?" Ginny perguntou mexendo-se para ver o papel. Ela engasgou-se. De acordo com o papel, Raul tinha-lhe dado um aviso com duas semanas até ao despejo e o tempo dela acabava amanhã. "Raul, isso é mentira! Só me contaste acerca do meu despejo há um par de dias." Ginny disse. Os outros vizinhos murmuraram em concordância.

"Isso foi antes de teres dito ao meu pai que eu oferecia apartamentos em troca de sexo." Raul grunhiu. Os olhos de Ginny abriram-se. Tinha-se esquecido da entrevista. De repente, todo a situação de dormir com Malfoy já não parecia tão má. Nada parecia mau em comparação a ser uma sem abrigo.

"Mas tens de acreditar em mim quando eu digo que não tive intenção. És um bom tipo, Raul. Eu nunca diria algo como isso sobre ti." Ginny apelou enquanto ele se virava para se ir embora.

"Em quem devo eu acreditar: alguém que não consegue aguentar um emprego por mais de uma semana e que nunca paga a renda a tempo ou no meu pai. Gee, é uma escolha difícil." Raul acabou quando se afastava. Ginny não conseguia acreditar. Amanhã ela não teria onde viver.

"O que é que eu vou fazer?" Ele pensou em voz alta.

"Sempre podes mudar-te comigo." Uma voz malévola disse atrás de Ginny. Ginny virou-se e sorriu para ele. Era o seu vizinho do lado, Darrius. Ele também não tinha um emprego. Apenas se voluntariava para cozinheiro de sopas e orfanatos. Ginny não pôde evitar imaginar como é que ele pagava a renda sem nenhuma fonte de rendimento.

"Obrigada pela oferta, Darrius, mas acho que isso faria Raul encanar contigo também." Ginny disse, pegando no chá que ele lhe oferecia. Darius bufou.

"Raul que se lixe. O que tu disseste era verdade e é só por isso que ele está chateado." Darrius disse, entrando no apartamento de Ginny, atrás dela.

"Sim, bem, essa pode ser a verdade mas continuo a precisar de um sítio para viver. E mais importante que isso, um emprego." Disse Ginny enquanto procurava um prato limpo. Era a rotina deles: Darrius parava ali de manhã com chá em troca de pratos de Ginny. Ele dizia que as pessoas da cozinha de sopas preferia os pratos que ele levava do apartamento de Ginny do que aqueles que a cidade providenciava. Ginny não se importava de abrir mão de alguns pratos dela. Ela nunca os usava, considerando que normalmente comida fora, em casa de alguém. Mas considerava estranho que Darrius tivesse chá para ela tão tarde. Ou talvez fosse cedo, considerando que já passava da meia-noite.

" Muda-te comigo e eu arranjo-te um emprego na cozinha." Disse Darrius, tirando os pratos de Ginny. Ginny levantou uma sobrancelha.

"Eu preciso de um trabalho onde me paguem, Darrius. O que tu fazes não me deixaria comprar um pedaço de pão ou pagar as minhas contas." Ginny disse, sorvendo o seu chá.

"Quando vais aprender, Gin? Dinheiro é a fonte de todo o mal." Darrius disse, fazendo Ginny rolar os olhos. Isto também fazia parte da rotina deles. "EU digo-te, se toda a gente fosse falida, não iria ter mais problemas. Todos nós temos sido apenas tão espertos, apenas tão sujos como efémeros e superficiais. Dinheiro apenas faz ficar os problemas do dia-a-dia incomensuráveis." Ginny sorriu. Por mais que ela discordasse com a lógica de Darrius, adorava ouvi-lo falar. Ela ficava impressionada pelo seu rico sotaque de sul e com a maneira como ele gostava de fazer analogias com tudo.

"És uma das razões pelas quais eu me mudei para Nova Iorque," Ginny disse começando a lavar o seu copo. Darrius deu-lhe um olhar estranho. "Bem, não exactamente. Mas por causa de pessoas como tu. Há tantos tipos diferentes de pessoas em Nova Iorque. É uma experiencia onde se aprende muito, percebes?"

"Sim. Algo que não se põem num livro." Darrius acenou com a cabeça. Ginny sorriu. Darrius era uma das poucas pessoas que percebia a sua necessidade de sabes como era o resto do mundo. "Bem, é melhor eu ir descansar para ir trabalhar. Eu vou parar eu casa quando vier da cozinha. Trarei alguns restos. Podíamos partilhar." Darrius disse, tirando o copo limpo de Ginny. Ginny sorriu e olhou para a porta atrás dela. Logo que a porta se fechou, Hermione aparatou na sala de estar.

"Graças a Deus que estás bem! Estava tão preocupada contigo!" Hermione disse correndo para ir abraçar Ginny. Ginny afastou-a.

"Hermione, o que é que eu disse sobre anunciar as tuas entradas?" Ginny ralhou.

"Desculpa, estava tão preocupada contigo." Hermione procurava por feridas em Ginny.

"O que poderia acontecer se um dos vizinhos estivesse aqui?" Hermione apenas afastou a ideia. Ginny suspirou. Por vezes, Ginny sentia que ela era a mais velha em vez do contrário.

"Onde foste com o Malfoy?" Hermione perguntou. Ginny ficou especada.

"O mundo inteiro me viu com Malfoy a noite passada?" ela perguntou, esfregando a cara nas mãos.

"Não, apenas toda a gente que esteve naquela festa ontem de noite."Hermione disse, ficando confortável no sofá de Ginny.

"Bem, eu não me consigo lembrar sequer de ter ido algumas vez a uma festa."

"Não sejas parva, Ginny. Não estavas assim tão bêbada quando entrámos. Então, ontem tu telefonaste-me e estavas muito chateada por causa da tua entrevista par um trabalho que não te correu muito bem. Lembraste disso?"

"Vagamente." Ginny disse enquanto se tentava lembrar. "Lembro-me de ir a um bar. Tu bebeste uma cosmopolitana, como sempre. E eu bebi alguns shots-"

"Alguns?! Acho que foram mais tipo muitos." Hermione interrompeu. Ginny olhou para ela.

"Sim, bem, como queiras, eu bebi alguns shots. Depois mencionaste termos ido a casa do Fred e do George. Algo sobre encontrar uma parceira de quarto ou uma oferta de trabalho."

"Sim. Isso seria na festa. Então, uma vez que lá chegámos, foste directa para o bar. Eu deixei porque achei que te podias aguentar sozinha. Quando voltei a olhar, estavas tu e o Malfoy partilhando uma garrafa de vodka! Depois vi-te ir embora com ele. Tentei dizer-te quem ele era, mas tu afastaste-te logo. Por isso, esta manhã eu telefonei para o teu apartamento para te perguntar como estavas, e ninguém respondeu. Isso quer dizer que passaste a noite noutro lugar. E eu aposto que onde quer que estivesses, Malfoy esteve junto. Estou ou não estou certa?" Hermione disse meneando as sobrancelhas. Porra, ela era boa, pensou Ginny. Os seus dois minutos a analisar bateram muito perto da questão. Então de novo, Hermione sempre foi uma bruxa esperta.

"Na verdade, eu passei a noite aqui." Disse Ginny. Estava perto de mentir, apesar de não ter certeza do porquê. Confiava em Hermione e sabia que se lhe contasse a verdade, essa não deixaria o quarto. Mas Ginny continuava a pensar que se ignorasse o problema, ele desapareceria.

"Oh? Então porque não atendeste o teu telefone?"

"Eu estava… a dormir. Toda a festa e bebida realmente deitaram-me a baixo." Ginny disse acrescentando um bocejo para o efeito.

"Então, onde estavas tu hoje cedo, quando eu parei aqui para uma visita?" Ginny amaldiçoou-se mentalmente. Precisava de proteger magicamente o seu apartamento. 'Bem, ainda não o fiz porque ele já não é meu', pensou Ginny. Talvez também lhe pudesse pregar a mesma mentira que deu a Pavarti. Pelo menos, dessa maneira, se alguma vez falassem sobre os eventos desse dia, teriam balanços semelhantes de onde Ginny poderia ter estado.

"À uma da manhã?" Hermione perguntou olhando por de trás de Ginny. 'Chiça, esqueci-me da diferença horária', pensou Ginny, virando-se para olhar para o que Hermione estava a examinar. "E o que estás esse fato a fazer no teu quarto? Parece-se muito com o que Malfoy usava na noite passada."

"Isso é porque é dele. Ele deu-mo ontem à noite depois de eu derramar vinho na minha camisa." Ginny improvisou.

"Sabes, para uma pessoa que jura não se lembrar de nada do que aconteceu a noite passada, tens demasiadas e detalhadas explicações para todas as minhas perguntas." Ginny mordeu o lábio. Se nem a sua melhor amiga ela conseguia levar a acreditar nela, como conseguiria que mais alguém acreditasse?

"Lembro-me de algumas coisas. Como a cosmopolitana que tu tinhas e como eu bebi algumas das tuas depois dos meus shots. E como o Malfoy me estava a ajudar a fazer um Pearl Necklace e um Long Island Iced Tea ontem à noite, mas não conseguíamos encontrar vodka. E depois encontrei uma, mas não me conseguia lembrar dos outros ingredientes, por isso só bebemos a vodka." Ginny disse, recordando-se. Estava admirada com o muito de que se tinha lembrado. E como a sua cabeça doía pouco. Só tinha ficado bêbada uma vez antes, nos seu vigésimo primeiro aniversário, mas podia lembrar-se claramente dos vómitos e enxaquecas que teve no dia seguinte.

"Hum." Foi tudo o que Hermione disse enquanto examinava as roupas de Malfoy. Subitamente, Ginny lembrou-se de algo que o Malfoy lhe disse sobre trabalho.

"Suponho que não tenhas de ir trabalhar hoje." Ginny disse, pondo-se ao lado de Hermione.

"Que horas são?" ela nem sequer esperou por uma resposta. Tirou a sua varinha, disse adeus e aparatou. Ginny suspirou. Sabia que devia ter pedido a Hermione ajuda para encontrar um sítio para ficar, mas estava a tentar arranjar desculpas e Hermione estava cheia de perguntas. Para além disso, odiava mentir para ela.

Ginny bocejou realmente desta vez. O que ela precisava naquele momento era de algum descanso. Ela sabia que estava a relaxar quando não devia, mas não era como se pudesse fazer muita coisa sobre a situação do apartamento sem um emprego ou mesmo com algum dinheiro. Havia de telefonar a alguns amigos mais tarde e perguntar se podia ficar em casa deles por algum tempo. E se tudo lhe falhasse, ainda tinha Darrius.

Entretanto, a aproximadamente duzentos quilómetros de distância, o parceiro de crime de Ginny escolheu uma abordagem completamente diferente para a situação deles. Ele escolheu dizer a verdade.

"Catherine?" disse, depois de alguns momentos em silêncio. A sua noiva, Catherine Bennet- Prince, sentou-se olhando directamente para os olhos de Draco. Não parecia zangada ou chateada. Na verdade, a sua casa não transmitia qualquer sentimento. Os seus habituais olhos afectivos não deixavam transparecer nada. Ela permanecia sem emoções mesmo quando Draco se levantou para pôr os pratos no lavatório. Se Draco não a conhecesse tão bem como conhecia, poderia ter pensado que ela tinha sempre aquele coração de gelo. Mas ele sabia que no sangue dela não corria gelo frio. Muito pelo contrário, Catherine era propensa a selvagens explosões de sentimentos. Mesmo assim ali estava ela, sentada como se estivesse a jantar com um completo estranho em vez do noivo dela, com quem ela casaria em menos de um ano.

"Catherine? Quanto mais cedo falarmos sobre isto, mais cedo podemos pôr isto para trás das costas." Draco disse, virando-se para olhar para ela outra vez. Ela continuou como estava. Draco suspirou. "O que queres? Desculpas? Eu estava bêbado, por amor de Merlin! Não podes culpar-me tão duramente por uma coisa que eu fiz sobre a influência de álcool. Para além disso, eu já te pedi desculpas na minha explicação." Draco esperou um pouco. Nada. "Pelo menos eu não te menti. Não tinha de te contar, tu sabes. Podia ter ignorado toda a situação. Não é como se tu, ainda por cima, conhecesses a rapariga. Tu possivelmente nunca terias descoberto se eu não te tivesse contado." Draco permitiu o silencio que pairou no ar por alguns momentos. "Ok. Se não queres falar sobre isto, tenho de ir trabalhar. Sabes onde estou se mudares de ideia. Sobre qualquer coisa." Pegou na sua pasta e começou a encaminhar-se para a porta.

"Eu não estou zangada." Catherine disse finalmente. Ele parou na porta da frente. " A sério, não estou. Eu só não consigo evitar pensar que alguém esteve no teu quarto contigo, na tua cama, a cama que nós partilhamos." Ela pausou para procurar na sua bolsa um cigarro. "Não mudei de ideias." Draco virou-se com estas palavras. "Não sei porquê mas eu amo-te. E esta humilhação não muda isso." Disse tragando o seu cigarro. Draco sabia que ela estava nervosa. Catherine só fumava quando estava muito chateada ou nervosa. Naquele momento, parecia estar ambas as coisas.

Por ele saber que ela precisava, voltou a trás até ela e puxou-a para os seus braços para um abraço. Draco raramente abraçava. Ele odiava qualquer tipo de exibição pública de afecto. Mesmo os abraços na privacidade da sua própria casa parecia demasiado público e emocional para ele. Mas ela precisava do seu afecto naquele momento. Ela precisava dele. "Queres falar sobre isso?" perguntou, pondo-a longe o suficiente para a olhar nos olhos. Ela abanou a cabeça. "Ok, então vou trabalhar. Estarei de volta antes das sete. Vais estar à minha espera?" Ela assentiu. Ele deu-lhe um ultimo beijo de adeus antes de a deixar com os seus próprios pensamentos.

A primeira coisa que ela fez foi desfazer-se e chorar. Nunca esperou estar numa relação adúltera. Não que a relação deles fosse adúltera. Ela nunca o tinha traído e Draco apenas se desviou do caminho aquela vez e tinha sido sincero. Ela mentiu. Precisava de falar com alguém. Terrivelmente. Mas o seu noivo, por muito que o amasse, não era a pessoa certa com quem discutir a sua traição. Precisava de falar com outra pessoa. Um estranho amigável que dificilmente a conhecesse e por isso não a pudesse julgar. Catherine sabia exactamente a quem ligar. Procurou dentro da sua bolsa e tirou o telemóvel. Ela marcou e esperou enquanto o telefone tocava uma vez, duas, e depois três vezes antes de alguém atender.

"Oh, graças a Deus que te apanho! Desculpa, esqueci-me da diferença horária. É que a coisa mais horrível me aconteceu. O meu noivo traiu-me! Preciso de falar contigo o mais cedo possível. Vamos combinar no Four Seasons. Ok, vejo-te lá. És uma grande amiga, Jenny."

N/A: Este capítulo parece um pouco forçado. Eu estava a ter vários bloqueios de escritora e isto foi o melhor com que eu me consegui sair. De qualquer forma, muito obrigada a quem comentou. Vocês são fantásticos! Então, para aqueles que lêem isto, deixem comentários. E por favor, digam-me se detectarem algum erro na história. Não tenho uma BETA, então tenho de ver todos os capítulos eu mesa e eu sei que a minha gramática e pontuação são uma porcaria. Mas estou a trabalhar nisso. Então, leiam, divirtam-se e por favor deixem comentários! Obrigada.

N/T: Muito obrigada pelos comentários. Significam muito.

Beijo