Capítulo II
Então, a partir daquele dia, eu e Malfoy nos tornamos amigos.
Sim, isso soa muito estranho, mas fazer o quê. Era a verdade.
Começamos a andar juntos, para cima e para baixo e as pessoas que nos viam rindo e brincando achavam que estávamos malucos.
Mas, sinceramente, eu não me importava.
Malfoy sabia ser um bom amigo. Eu descobri que ele era engraçado, carinhoso, gentil e até que tinha um coração (eu admito que essa foi a minha maior descoberta em relação a ele, eu juro por Merlim que pensava que ele era um robô).
Pois bem, nós éramos amigos mesmo, daqueles que só faltam dormir juntos (e pensando bem, se ele fosse da grifinória ou eu da sonserina, acho que isso aconteceria facilmente). Então, nessas condições, eu era a melhor amiga dele e ele o meu melhor amigo.
E durante o tempo que estávamos juntos eu não conseguia distinguir se ele era ou não... às vezes ele parecia ser, mas nas outras vezes ele parecia não ser...eu começava a suspeitar que Collin tinha razão: ele era um pouquinho dos dois.
Ok.
Mas o que importa é o que vem a seguir.
Certo dia, estava eu, sentada na grama do jardim quando Malfoy sentou-se ao meu lado e disse:
"Tudo bem, Weasley?"
"Beleza, Malfoy e você?"
"Tudo bem."
E ficamos calados.
A verdade é que eu não estava muito para conversar.
Tinha acabado de ver Harry e Cho se comendo no corredor, e acredite, não é uma cena muito bonita de se ver.
"Weasley, eu queria te pedir uma coisa."
"Ok, mas se for dinheiro, eu não tenho."
"Eu sei, Weasley, que você é pobre. Eu não vou te pedir dinheiro."
"Vai para a ..."
"Olha a boca suja, Weasley."
Ah, eu esqueci de mencionar que nós éramos amigos, mas isso não queria dizer que não brigávamos.
"Pede logo."
"Bem, é algo especial e muito delicado."
"Tudo bem."
"E eu não vou poder dizer o porquê de estar pedindo isso. Apenas diga sim ou não, entendido, Weasley?"
"Sim."
"Você pode fingir que é minha namorada?"
Olhei para ele espantada.
Eu esperava tudo, menos isso.
"O quê?"
"Apenas diga SIM ou NÃO."
Pensei...bem, eu não tinha namorado e aparecer com Malfoy do meu lado seria bom, talvez até conseguisse alguém melhor.
"Ok. SIM."
"Sério?"- disse Malfoy rindo.
"Claro."
"Então, ta, Weasley. Tchau."
E saiu correndo igual a um louco.
Realmente às vezes ele parecia estranho.
Mas ignorei.
E cheguei até esquecer a "proposta indecente" do Malfoy.
Mas no dia seguinte, quando eu estava descendo, preguiçosamente, a escada para ir ao Salão Principal, dei de cara com Malfoy.
"Enfim você desceu, Weasley."
"O quê? Você estava me esperando?"
"Claro, você é minha namorada. Esqueceu?"
"Hm...ok...mas é de mentirinha, não é?"
"Sim, mas nós precisamos fingir direito."
"Precisamos?"
"Sim, Weasley. Agora vamos. Eu sento à mesa grifinória ou você senta à mesa sonserina?"
"O QUÊ?"- eu juro que ainda estava meio sonolenta e não estava entendendo nada.
"Ok, eu sento à mesa da Grifinória."
Merlim, o quê eu fui aceitar, hein?
O Malfoy estava levando essa história muito a sério.
Tipo, a gente ia se beijar?
Tipo, de língua?
Ah MEU MERLIM. Eu não merecia.
Mas, tipo, se o Malfoy era gay, como ele ia me beijar?
Quer dizer, ele era gay? Era hetero? Era os dois?
Eu precisava, urgentemente, de um calmante. As perguntas martelavam na minha cabeça e eu não tinha a metade das respostas para elas.
Assim que as portas de carvalho se abriram e nós passamos por elas, todas as cabeças se viraram para o casal mais estranho que Hogwarts já teve.
Sentamos e o mundo a nossa volta parecia estar em pause.
Até que alguém se mexeu e um grito rompeu pelo Salão:
"GINEVRA, O QUÊ ELE ESTÁ FAZENDO AQUI?"- gritou/berrou Rony
Olhei Malfoy e depois respondi para Rony
"O mesmo que você, ou seja, comendo."
"Ginny, eu não estou brincando. O quê esse cara está fazendo com você?"
"Nada. Ele é só meu...Ai!"- senti o cotovelo de Malfoy bater nas minhas costelas.
"Digo...ele é meu namorado, e daí, Rony?"
"Namorado????"- gritaram Rony e Hermione juntos.
"Sim, namorado, por quê?"- disse Draco me abraçando.
"Ginny, eu preciso falar com você."- Hermione falou
"Ah, Mione, se você não se incomoda, eu estou com fome e quero comer."
E ignorei as tentativas dela de me puxar para fora do Salão.
Alô? A vida é minha e eu namoro quem eu quiser.
Mesmo que seja de mentirinha.
E pior que Rony e Mione nunca notam minha presença quando entro no Salão Principal ou no Salão Comunal, eles sempre estão ocupados demais brigando ou fazendo as pazes, mas agora que a Ginnynha apareceu com um namorado e tipo, o último cara que alguém (que não o conhece) pode escolher para ter um relacionamento, eles (Rony e Mione) ficam querendo se preocupar com a minha vida.
Muito obrigada, mas NÃO!
Caham...
Tudo bemmm...
Depois que eu consegui terminar de comer, eu e Draco saímos do Salão Principal e fomos seguidos por Mione, que muitas vezes se mostrava muito chata.
"Depois da aula nós nos vemos."- disse Draco em voz alta para que Hermione ouvisse.
"Ta, tchau."- eu disse já saindo.
"Espere, GINNY..."- disse Malfoy me puxando e me beijando logo em seguida.
Eu preciso dizer que até agora estou sentindo o gosto daquele beijo.
Nossa.
Se eu visse aquele beijo de outro ângulo, diria que ele não tinha nada de MENTIRINHA. Não mesmo.
E eu também diria que Malfoy, por aquele beijo, não é gay coisíssima nenhuma.
Mas tudo bem... voltando ao assunto...depois que Malfoy saiu, Hermione veio até mim:
"Ginny, o quê está acontecendo?"
"Nada, Mione, por que?"
"Você está namorando o Malfoy. Isso não é possível."
"Por que não? Ele é solteiro e eu também."
"Não é por isso. Você não lembra de todos os insultos, ofensas e maldades que ele e a família dele te fizeram?"
"Ah, Mione, isso é coisa do passado. O Malfoy...quer dizer...o Draco é legal, sincero, gentil e a gente se gosta."
"Ginny, você deve estar com um grave problema mental."
"Quer saber, Granger? Já encheu. Eu não estou com problema mental. Eu gosto do Draco e pronto, ta legal. F-se se você ou o meu irmão não gostam dele. Eu não fico dizendo que você só pode estar maluca para namorar um cara como o meu irmão, não é? Por isso, preocupe-se com sua vida e me deixa em paz."- e logo depois saí.
Fui para a minha aula e no fim do dia me encontrei de novo com Draco.
Ele parecia meio estranho. Mais do que o normal.
"O que houve, Malfoy?"
"O nosso namoro, não está dando o resultado que eu queria."
"Como assim?"
"Eu esperava mais reação das pessoas."
"Mais? Você não viu como as pessoas ficaram quando entramos no Salão Principal?"
"Vi sim, Weasley, mas não é o suficiente."
"E o quê mais você quer?"
"Não sei. Talvez, primeiro, nós devamos nos chamar pelos nossos primeiros nomes. Você me chama de Draco e eu te chamo de Ginevra."
"Ah não, me chama de Ginny."
"Ginny é apelido. Eu não chamo as pessoas por apelidos, Ginevra."
"Merlim, como você é chato."
"Obrigado. Depois, vamos nos mostrar mais apaixonados."
"Como assim?"
"Sei lá. Demonstrações públicas de afeto seriam ideais."
"Ah não, Malfoy... assim já é demais. Eu estou fingindo ser sua namorada, mas agora me agarrar com você na frente dos outros, sinceramente, não rola."
"Por que, Weasley? Confesse, eu sou um pedaço de mau caminho."
"É mesmo"- eu quis dizer, mas optei por dizer – "Crente que pode...olha Malfoy, é melhor a gente acabar com isso..."
"Ah que grande amiga você é! Quer me abandonar no momento que eu mais preciso."
Dramático...
"Vamos, Malfoy, me diz o quê é, assim, eu posso te ajudar."- eu joguei essa, doida para saber se ele era ou não.
"Não, você não ia entender."
Olhei para a cara dele e eu não entendo como uma pessoa consegue fazer, tão bem, cara de coitado. E eu, óbvio, fiquei com pena e aceitei a proposta super indecente dele.
"Ok."- eu disse.
"Sério? Que bom!"- ele disse me abraçando forte.
Viu? Às vezes ele parece beeeemmm feminino...
"Tá, deixa de frescura. Agora me diz como vamos fazer."
"Eu já tenho tudo armado. Muhahahaha."- ele disse com um olhar maligno.
Às vezes eu tenho medo dele.
É sério.
Logo depois que tínhamos combinado tudo, seguimos para o Salão Principal com o fim de jantarmos. Mais uma vez sentamos à mesa grifinória e eu conseguia ouvir os bufos de ódio do meu querido irmão Rony.
Draco segurava com força minha mão e eu juro por Merlim que era muito difícil comer com uma mão só. Além disso, tinha que rir o tempo todo para Draco como se ele estivesse contando histórias suuuuper engraçadas.
Eu estava quase terminando meu jantar, quando Harry e Cho sentaram-se em frente a nós e começaram a sessão agarra-agarra noturna.
Draco, de repente, ficou sério e a cada vez que os beijos dos dois se intensificavam ele apertava mais minha mão. Tenha modos, Malfoy, seu frutinha.
Quer dizer, eu não sabia se ele era mesmo, mas ao que tudo indicava, ele era.
Minha pobre mão foi tão maltratada que tive que dar um berro para Draco se tocar. Ele me pediu desculpas e como forma de mostrar seu arrependimento começou a distribuir pequenos beijos pela minha mão e não é por nada não, mas aquilo estava me incomodando mais do que ele apertar a minha mão até a morte.
"Draquinho, querido, terminei. Vamos?"
"Acho melhor nós ficarmos aqui, Ginny."
Safado, só me chamava de Ginny na frente dos outros.
"Eu acho melhor nós irmos. Tenho tarefa para fazer."
"Depois você faz."
"Não, Draco, agora."- eu disse me levantando.
"Mas eu não quero ir."- ele disse emburrado.
"Tudo bem, então, fica aí."- eu disse saindo
Oras, ele não mandava em mim.
Fui para o Salão Comunal e encontrei Collin sentado, fazendo suas tarefas (sem me esperar para copiar as respostas dele).
"Ginnnny, queridinhaaaa!!!! Você e o Malfoy, hein?"
"O quê é que tem?"
"Vocês dois estão namorando. Uiiiiiiii que arrasoooooooooooo, amiga."
"Ah, Collin. Se eu te contar uma coisa, você guarda segredo?"
"Claroooooo que sim, mona. Assim você me ofende, hein. Minha boca é um túmulo."
"Ok. Mas meu namoro com o Malfoy é de mentira."
"Como assim, flor?"
"Ah, tipo, ele está me usando para fazer ciúmes no Harry."
"QUÊ????????Como Harry é sortudo..."- disse Collin com o olhar sonhador.
"Collin..."
"Tudo bem, miga. Mas como você tem certeza que é o Harry?"
"Eu não tenho certeza. Mas tudo indica que sim."
"Ah queridinha, isso não quer dizer nada. Pode ser euzinhooooo."
Collin era um palhaço, fala sério.
"HaHaHa..."
"Ok, Gi. Mas por que você está tão chateada?"
"Não sei."
"Você está gamada no bofe, né?"
"Claro que não, Collin."
"Sei não, miga. Esses olhinhos estão muito tristes..."
"Não é nada, Collin. Vou dormir. Até amanhã."
Subi para o dormitório, tomei banho e me deitei.
Não era verdade.
Eu não estava gostando do Draco.
Gostava.
Só como amigo, claro.
Era melhor não pensar nisso...
E adormeci com a esperança de esquecer tudo o que estava acontecendo.
Mas os sonhos que eu tive só pioraram tudo...
E talvez, assim, só de leve, eu estava gostando do Draco...
Nota da Autora: Sim, eu sei que ta uma porcaria.
Mas, eu direi os motivos:
Primeiro: Tenho uma prova quarta-feira, e eu to fazendo isso bem rápido...
Segundo: Estou totalmente sem inspiração
Eu demorei a postar, porque, como eu disse em outra fic, meu pai faleceu no começo de novembro e, como vocês podem imaginar, eu estou totalmente sem inspiração, sem forças de escrever mesmo.
Agradeço a todas as reviews...muito obrigada mesmo.
Beijos
Manu Black
