Capítulo V
Saí correndo para o dormitório.
"Senha?" – a Mulher Gorda perguntou
"Leão." – consegui falar em meio a um mar de lágrimas.
"O que houve? Você deveria estar na aula." – a Mulher Gorda perguntou, como sempre, querendo saber demais das coisas.
"Eu já disse a senha, agora você pode abrir a porta?" – falei, ríspida.
Ela deu de ombros e abriu a porta. Entrei e fiquei no dormitório chorando até que, sem aguentar mais, esbravejei:
"ELE NÃO É GAY!"
Chorei ainda mais quando ouvi aquelas palavras saindo dos meus lábios.
Deitei na cama, fechei os olhos e vi a imagem novamente: Draco e Cho se beijando.
CHO CHANG!
Aquela japonesa vaga de novo!
Primeiro, o Harry. Agora, o Draco. Merlim, eu não merecia!
Mas agora tudo ficara claro. Draco amava Cho, que era comprometida e seus pais nunca iam aceitá-la, uma vez que ela era sangue-ruim e corvinal.
Chorei mais ao lembrar de tudo que eu tinha feito e constatar que, mais uma vez, tinha perdido para ela.
Resolvi não ir para as outras aulas, não queria ver ninguém e, se possível, queria que um buraco abrisse no chão no exato local onde eu estava. Queria sumir.
Adormeci e acordei com os chamados de Colin.
"Giiiii?"
"Oi."
"Tá doidói?"
"Não." – respondi já sentindo as lágrimas voltando – "Eu descobri, Colin. Draco Malfoy não é gay!"
"Ô, miga, não fica assim." – ele disse, abraçando-me.
"E sabe de quem ele gosta?"
Sem esperar resposta, completei:
"Da Cho Galinha!"
"Ah não! De novo?"
"Você percebe? Eu sempre perco para ela, sempre!" – completei essa afirmação com um soluço alto.
Chorei mais e depois de muito tempo fiquei mais calma. Tomei banho, vesti meu pijama e já ia dormir quando colin disse:
"Vamos jantar, Gi."
"Não quero! Se sentir fome, vou até a cozinha, mas agora só quero dormir."
"Ok, amore, fica bem!"
Deitei novamente e, agora mais calma, cochilei um pouco. Mas lá pela meia-noite, acordei com o ronco desesperado do meu estômago, afinal minha última refeição tinha sido o café-da-manhã.
Fui até a cozinha e depois de comer um sanduíche e um suco (feitos por Dobby), meu pobre estômago já estava satisfeito e eu podia voltar para o meu berço, digo, cama.
Só que, como esperado, algo impediu os meus planos de ter um sono calmo e reparador, pois encontrei Harry discutindo, ferozmente, com o retrato da Mulher Gorda.
"O que houve?"- perguntei para o retrato.
"Ele está desnorteado, não sabe a senha."
"Leão." – falei para ela.
A porta foi aberta e, com um pouco de dificuldade (visto que Harry era muitos centímetros mais alto e muitos quilos mais pesado do que eu), consegui colocá-lo no sofá do Salão Comunal.
"O que aconteceu, Harry?"
"A Zchhhooow... me dexô!" – ele falou
Certo.
Na primeira palavra que ele proferiu, quase fiquei bêbada, assim não demorou nem meio segundo até constatar que aquele distinto rapaz estava bêbado, mas muiiiiiito bêbado.
Além do bafo de onça, da conversa desconexa, ele ainda desatou a chorar.
Deprimente.
"Harry, você não pode ficar assim. Aquela japonesa duma figa não merece!" – aproveitei que ele estava bêbado e que não ia lembrar de nada no dia seguinte e desatei a insultar a baranga – "Vamos, deite-se."
Ele obedeceu, mas continuou chorando e falando. Após alguns minutos ele ficou calmou e desmaiou, quer dizer, dormiu. Como era solidária à dor dele, fiquei velando seu sono, caso algo acontecesse.
Assim que amanheceu, fui até a cozinha e pedi à Dobby um chá que curasse ressaca braba.
Dobby não entendeu, mas fez um chá que levantava até defunto, sendo assim, levei esse mesmo.
Voltei para o Salão Comunal Grifinório e resolvi acordá-lo antes que os outros o vissem naquele estado desolador.
"Harry?"
"Cho?" – ele falou com um sorriso nos lábios.
Sério, fiquei acordada a noite inteira, cuidei da pessoa e depois ainda sou insultada dessa forma.
Perdoei, afinal ele estava de ressaca.
"Não."
"Ginny?" – perguntou ao mesmo tempo em que se levantava e percebia que tinha bebido além da conta.
"Calma. Sente-se e beba esse chá, a dor vai melhorar."
Ele sorveu o líquido e deitou novamente.
"Melhor?"
"Sim, obrigado."
"Harry, acho melhor você deitar na sua cama, afinal os alunos vão acordar daqui a pouco, aproveite que hoje é sábado."
Ele se levantou e o ajudei a ir até a porta do quarto, ele disse um agradecimento e se foi.
Em seguida fui para o meu quarto e dormi até a hora do almoço.
Quando desci vi Colin roendo as unhas enquanto batia o pé freneticamente.
"Nervoso?" – falei
"Ansioso! Fofoca noooooooooooovaaaaaaaaaaa! Vem que vou contar" – ele me puxou e sem aguentar mais, gritou:
"Cho e Harry estão separados! It's over! The End!"
"Certo, e a novidade?"
"Você já sabia?"
E foi aí que contei tudo.
"Noooooooooooooooooooooooooosssa que babado!"
"É, essa Cho é uma ridícula."
"Amiga, agora tenho que ir. Marquei um compromisso, você sabe, nos vemos em Hogsmeade."
Eu me despedi dele e segui para o Salão Principal, se corresse ainda conseguiria pegar o almoço.
Quando as portas de carvalho foram abertas o local estava deserto, só existia uma pessoa ali além de mim: Harry.
Andei até ele e disse:
"Tudo bem?"
"Sim."
Comi silenciosamente, porque estava morta de fome e, também, porque não queria falar naquele assunto tão desagradável.
"Ela não podia me deixar e logo para ficar com ele."
"Quem?" – sério, eu estava tão absorvida na tarefa de comer até passar mal que nem me lembrava de Harry ali.
"Cho e Malfoy. Eles nos abandonaram, Gi."
"Senti uma pontada no peito quando lembrei da cena, mas logo respondi:
"Eu sei. Mas você não pode ficar assim, ela não merece isso."
"E você, não está triste também?"
"Estou, muito, mas não vou morrer por isso, não é a primeira vez que isso acontece comigo, você sabe." – falei e logo me arrependi.
"É verdade. Eu também te traí com ela."
"Harry, não importa, isso é passado."
"Mas eu lembro e me sinto um idiota."
"Olha, deixa para lá. Vamos até Hogsmeade, passear, ver pessoas diferentes, esquisitas, mas diferentes dessas caras da Escola."
"Não, Ginny."
"Vamos, vai ser divertido! Nós comeremos doces até cairmos e quando estivermos caídos, comeremos no chão. Que tal?"
Ele sorriu e logo depois estávamos a caminho de Hogsmeade.
Visitamos a loja dos gêmeos e, como sempre, saímos de lá com brindes explosivos e bastante suspeitos.
Fomos até a DedosdeMel e compramos quilos de doces, de todos os tipos e sabores.
Por fim, paramos num café novo, mas logo tive vontade de voltar quando vi Cho e Draco sentados em uma mesa, rindo de alguma coisa.
Meu coração quis falhar, mas me mantive impassível.
"Vamos voltar, Harry?"
"Não. Vamos procurar uma mesa."
Passamos pelos dois , mas não vi a reação deles.
Sentamos e enquanto eu pedi um chá com bolo de cenoura, Harry pediu um café preto e sem açúcar.
"Harry, você está bem?"
"Sim, melhor do que nunca."
Comemos e não encontramos mais o novo casal de Hogwarts, eles saíram do lugar antes de nós.
Voltamos para Hogwarts calados, aquele encontro com o casal 20 tinha estragado o passeio. Quando chegamos no Salão Comunal resolvemos acabar com todos aqueles doces maravilhosos que tínhamos comprado.
Claro que eu devorei a grande parte deles, mas no final estávamos felizes.
"Agora eu vou dormir." – falei, levantando do chão.
"Eu também."
"Boa noite, Harry." – disse dando um beijo na bochecha dele.
"Boa noite, Ginny e obrigado por tudo."
Fui para o meu quarto e adormeci logo em seguida.
Os dias passaram e fui me aproximando cada vez mais dele, afinal Colin deveria estar de olho em algum bofe, pois nunca o via.
Dessa vez conseguia perceber, nitidamente, que nós sempre só seríamos bons amigos, pois tanto ele não me via de outro jeito como eu também.
Freqüentemente encontrava Draco e Cho juntos, se beijando, apesar da dor, conseguia fingir que nem tinha percebido a presença dos dois.
Em um belo dia, quando eu e Harry estávamos indo para as carruagens que levavam os alunos para Hogsmeade, Cho puxou Harry para o lado sem deixar que ele reagisse.
A japa tinha muita força.
Eles entraram no colégio e, claro, que segui os dois. Cho falou algumas coisas e logo em seguida o beijou, mas quase no mesmo instante Harry a afastou.
"Pára, Cho."
"Por que, querido? Você não me ama mais?"
"Não." – ele disse com bastante firmeza
"NÃO?" – ela gritou, indignada.
"Não. Você me deixou, lembra?"
"Harry, esqueça isso, honey. Agora isso é passado. Eu quero você."
"Ok. O problema é que EU não te quero mais. E agora, tchau que a Ginny está me esperando."
"Aquela baranga ruiva, Harry?"
"Olha lá como vai falar dela. Ginny é minha amiga. Aliás, por que você sempre quer os namorados dela?"
Epa! Eu nunca tinha pensado nisso, mas era verdade...
Sempre, namorado ou não, a Cho se interessava...
Saí pensando nisso e cheguei a conclusão de que a gueixa de meia tigelatinha inveja de mim.
Mas antes precisava comprovar isso...
Por que se fosse verdade...
Ah, se fosse verdade...
Ela ia sentir o peso do meu braço.
[Será que ele é?
"Coliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiin" – gritei da escada.
"Gineeeeeeeeeeeeeeeeeeeeecaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!"
Corremos e nos abraçamos dramaticamente.
"Tudo bem, querido?"
"Tudo e você, fofíssima?"
"Ótima. Vou te contar uma coisa, depois vou pedir sua opinião..."
Contei tudo que tinha acontecido e ele disse:
"Que safada!"
"Também acho. Você precisa me ajudar, amigo."
"Sem stress, fofa! Eu tenho o bofe ideal!"
"Você acha que dará certo?"
"Claro, querida! E o melhor é que teremos canja para o jantar."
Rimos maleficamente e colocamos em prática o plano.
Colin me apresentou seu bofe ficante, ele se chamava Jason Owen, era um pedação de homem e a Chogalinha ia cair direitinho.
Jason concordou com tudo e nós começamos a circular de mãos dadas, Cho nos viu e logo percebi que ela mordera a isca.
Deixei Jason, propositadamente, sozinho no pátio e fui me esconder atrás de uma árvore distante. Cho foi conversar com ele e logo eu recebi o sinal de que ela tinha mordido a isca. Voltei para perto dele e disse:
"Perdeu alguma coisa aqui?"
"Você que irá perder, Weasley!" – disse, gargalhando.
Quando ela se afastou, Jason me deu todos os detalhes do encontro que marcaram.
Eu estaria pronta para encher a cara dela de porrada.
[Será que ele é?
Logo depois do jantar me dirigi para o jardim.
Ela estaria lá e, enfim, eu colocaria toda essa história em pratos limpos.
Mas quando estava descendo as escadas, encontrei Draco olhando para mim.
"Oi." – ele falou, timidamente.
"Olá." – falei tentando segurar a emoção, porque eu disfarçava, mas ainda estava muito magoada por tudo o que acontecera.
"Você tem um minuto?" – ele perguntou
"Na verdade, Malfoy, estou muito apressada."
"Ginny, é bem rápido. É que a Cho me deixou..." – ele disse, parecendo bastante abatido.
Quando ele disse aquilo tive toda a certeza de que a safaranha já estava certa que ia ficar com Jason.
Minha raiva aumentou, porque, embora ele tivesse me traído, eu ainda amava Draco muito e não queria vê-lo sofrer.
Mesmo assim, tentei me controlar, não ia demonstrar nem raiva nem amor, apenas disse:
"Que pena, mas agora tenho que ir."
E parti para o jardim.
Encontrei Cho sentada em um banco, mas quando ela me viu deu um pulo e disse:
"O que você está fazendo aqui?"
"Eu vim te mostrar do que eu realmente sou capaz."
E no mesmo instante parti para cima dela, descontando toda a raiva que tinha acumulado durante aqueles anos. Ela tentava revidar, mas eu parecia estar dominada por uma força superior que a impedia de fazer qualquer coisa além de gritar.
E talvez tenha sido por isso que minutos depois o colégio inteiro estava ao nosso redor, McGonagall chegou para nos separar, mas ela precisou da ajuda de mais dois professores para conseguir me tirar de cima da piranha.
Enquanto ela foi levada até a Ala Hospitalar, eu fui levada até o escritório de McGonagall. Para resumir: estava suspensa por tempo indeterminado e tinha perdido o posto de monitora.
Depois iam decidir se minha suspensão seria, na verdade, uma expulsão ou se poderia voltar logo, enquanto isso me mandaram para casa.
Mas o pior disso tudo é que eu não me arrependia de nada.
Eu poderia até ser expulsa, mas tinha lavado minha alma.
Nota da Autora: Gente, espero que gostem...
No próximo capítulo o Draco aparecerá mais.
E desculpem os erros, pois esse capítulo não foi betado.
Beijos,
Manu Black
