Capítulo VI

Capítulo VI

Já estava em casa há uma semana e a professora McGonagall nem dava sinal de resolver minha situação.

Não tinha outra palavra para definir minha mãe naquele momento, exceto decepção. Ela sempre esperou esse tipo de coisa do Ron e dos gêmeos, mas nunca de mim. Assim que cheguei em casa, ela alugou meus ouvidos por horas, falando sobre como eu era irresponsável, depois disso, me colocou de castigo e mal tem dirigido a palavra a mim.

Eu também me sentia decepcionada, tipo, não sabia que ia me empolgar tanto na hora do fight, mas não me arrependia, a japa teve o que merecia.

Além disso, estava totalmente incomunicável. Mamãe sempre recebia minhas correspondências e eu sabia que Harry (por causa da Edwiges) tinha me escrito, assim como Rony (por causa da Pichi) e Colin (por causa da Priscilla, a coruja dele), e outra pessoa tinha escrito, mas não sabia quem era, a coruja não era conhecida, era uma ave muito diferente, a cor era bem escura, quase preta e ela tinha trazido uma caixa, mas não sabia o que era. Minha mãe confiscou todos os pacotes e cartas, além de esconder a Errol, para evitar que eu escrevesse para os meus amigos.

No sábado, acordei tarde, afinal nem tinha o que fazer, desci para o café e encontrei a casa vazia, provavelmente mamãe tinha ido comprar alguma coisa para o almoço.

Estava comendo tranquilamente quando ouvi uma batida na porta. Levantei da cadeira e abri a porta, um grito ecoou:

"SURPRESA!"

Olhei para as pessoas que estavam ali. Harry, Hermione, Ron, Colin e Luna, meus amigos tão queridos. Corri e abracei todos, depois eles entraram e eu, um pouco mais calma, disse:

"Que saudade de vocês! Como estão?"

"Bem, querida. Mas viemos aqui em uma missão super duper ultra mega blaster especial." – Colin falou – "Estamos aqui para te entregar isto." – falou estendendo para mim um envelope com o brasão de Hogwarts.

A resposta... naquele envelope estava selado o meu destino.

Peguei a carta e a abri vagarosamente... Li todo o conteúdo e não conseguia acreditar.

"E então, Ginny?" – Harry perguntou preocupado.

"Eu..."

"O que, mulher?" – Colin falou roendo as unhas.

Fechei os olhos e ouvi os passos deles se aproximando de mim. De repente levantei a cabeça, arregalei meus olhos e gritei:

"ESTOU DE VOLTA!"

Então todos começaram a comemorar. Ron e Mione se abraçaram (mas foi só uma desculpa para eles fazerem isso), Colin corria atrás de Harry para abraçá-lo também ao que Harry saiu correndo pela sala como se estivesse fugindo de Você-Sabe-Quem, Luna fazia uma dança da chuva estilo reggae e eu pulava igual a um sapo manco.

Sério, nós parecíamos bem estranhos...

De repente a porta da sala foi aberta, minha mãe entrou e vendo aquela cena bizarra, gritou:

"CHEGA!"

Paramos a comemoração na mesma hora, mamãe disse:

"O que está acontecendo aqui? Ginny, você está de castigo!"

"Mamãe, eu vou voltar!" – falei entregando a carta para ela.

Ela olhou a carta cuidadosamente e depois me abraçou chorando.

Todos ficaram para o almoço (eles estavam em dia de passeio para Hogsmeade e a prof. McGonagall tinha dado permissão para eles ficarem o tempo necessário), depois arrumei meu malão (que já estava meio arrumado), mamãe o enviou para a Escola e eu fui com meus amigos para Hogsmeade.

Chegando no povoado, Rony e Hermione foram para uma livraria (adoro a Mione, mas esse é o tipo de programa ideal dela, ler livros até na hora do passeio), Colin foi para o Cabeça de Javali (ele ia encontrar com Jason), Harry foi para a sorveteria e Luna saiu em direção ao Três Vassouras.

Adoro meus amigos, mas, tipo assim, eles me levam para passear e me deixam sozinha? Legal, não?

Decidi passar na DedosdeMel, comprei vários doces e depois fui caminhando até o castelo, porque, ao contrário de todos que estavam ali em Hogsmeade, eu ansiava por estar em Hogwarts novamente, estava com muita saudade.

Depois de alguns minutos caminhando cheguei na Escola.

E juro por Merlim que na mesma hora senti vontade de dar meia volta e sair correndo.

Por que algumas pessoas têm festas para recebê-las e eu tenho isso?

Draco e Cho estavam se beijando apaixonadamente na porta do Castelo. Sério, não tinha outro lugar, tipo, o quinto dos infernos? Por que tinha que ser logo na ENTRADA da Escola?

E acho que foi pelo susto que levei, mas assim que vi a cena derrubei a sacola com meus doces e saí correndo para o meu dormitório.

Ótimo jeito de voltar, não?

Ainda ouvi a voz dele dizendo:

"Ginny?"

IdiotaIdiotaIdiotaIdiota!

Como ele ainda tinha coragem de ficar com ela?

Tipo, a Cho traiu ele, assim, CHIFROU o garoto e ele ainda gosta dela?

É inaceitável...

Então cheguei na porta do Salão Comunal,em frente ao retrato da Mulher Gorda e ela me olhou como se estivesse vendo um fantasma.

"VOCÊ?"

"Eu, por que?" – respondi, rezando para que as lágrimas não saíssem dos meus olhos.

"Você foi expulsa!"

"Fui suspensa e já estou de volta." – respondi indignada, afinal, quem era a Mulher Gorda? Uma fiscal do Departamento de Educação do Ministério? – "Espada." – falei a senha que Mione tinha me dado um pouco antes de sair com Rony.

"Mas, mas..."

"ESPADA!" – gritei

Ela girou o quarto para a frente e falou:

"Mas que menininha abusada..."

O salão comunal estava deserto, apenas alguns alunos do 1º. e do 2º. Ano estavam ali, fui direto para o meu quarto e tentei não chorar, mas não obtive muito sucesso.

Eu nem sabia porquê ainda chorava, pois Draco nunca ia olhar para mim de um jeito especial, é claro que ele sempre vai gostar da Chogalinha, mesmo que ele tenha que passar pelas portas abaixando a cabeça (para não quebrar os chifres, sabe como é).

Aproveitei que estava sozinha e arrumei minhas coisas na minha cama. Depois de alguns minutos, as meninas voltaram do passeio a Hogsmeade e todas pareciam impressionadas com a minha volta.

Na hora do jantar preferi não aparecer, porque estava chamando muito a atenção, todos se mostravam petrificados com o meu retorno.

Sério, gente, eu só mandei a japa para o Hospital, se morresse não ia fazer falta e também, quem, nessa Escola, não tem vontade de pegar a Chang e torcer seu pescocinho fino?

Então, fiquei no quarto escrevendo uma carta para minha mãe (ela tinha pedido que assim que chegasse escrevesse e contasse como tinha sido meu retorno) e, se depois estivesse com fome, iria até a cozinha e falaria com Dobby.

Já tinha terminado a carta quando Colin entrou no quarto.

"Gineeeeecaaaa, cadê você no jantar?"

"Estou sem fome, amigo." – menti.

"Sei, você não sabe mentir, miga. Para mim, não. Eu sei que você não foi por que todos estão falando da sua volta."

"E afinal o que tem de mais nisso?"

"Gi, não dê importância ao que eles dizem, um bando de fofoqueiros..." – ele falou sentando na minha cama – "Mas deve ter acontecido outra coisa, você esteve chorando."

"Como você sabe?" – perguntei impressionada, depois completei – "Quer dizer, se eu tivesse chorado? Porque eu não chorei..."

"Ginevra...você não consegue me enganar. Eu sei que você chorou porque está com duas olheiras enormes. Você viu o Draco com a Chang?"

"Vi..."

"Eles não estão juntos, Ginny."

"Você não diria isso se tivesse visto a cena..." – respondi e ao lembrar da cena senti vontade de chorar novamente.

"Ginny, o Draco está muito chateado com a Chang, afinal ela enfeitou a cabeça linda e loira do bofe. A Chang voltou ontem para a Escola e tudo que ela tem feito é tentado agarrar o Draco. E não faça essa cara, porque é verdade, ontem mesmo vi o fora que Draco deu nela."

"Pode até ser, mas ele, com certeza, mudou de opinião..."

"Amiga, não fica assim..." – Colin falou, preocupado.

"Esquece." – respondi tentando sorrir – "Como foi seu encontro com o Jason?"

"Nem me fale, miga. O Cachorro não apareceu, acredita? Eu sabia que ele só queria uma noite e nada mais..."

"COLIN!" – gritei, tentando não parecer santa demais.

"Esses garotinhos idiotas, não levam a relação a sério, só querem diversão, por isso que tomei uma decisão." – falou, sério.

"Qual?"

"Agora só quero sair com homens mais velhos...estilo Brad Pitt..."

"Colin!" – falei e ri alto, só ele mesmo para me fazer rir.

"Isso mesmo, amiga, gosto de você sorrindo."

"Você é doido, mas eu te amo, viu?" – falei e o abracei, porque sabia que ele também não estava legal.

Colin tenta disfarçar, mas a verdade é que ele sofre muito por ser gay, alguns idiotas fazem piadinhas e os caras que ele sai, sempre fazem que ele sofra. E quando eu visse Jason ia ter uma "conversinha" com ele.

Depois que Colin saiu, me deitei e tentei dormir, mas meu estômago protestava insistentemente. Levantei da cama e fui até a cozinha, por sorte o salão comunal estava totalmente vazio (o que era um pouco estranho já que ainda estava longe das 23hs).

Fui até a cozinha e Dobby junto com os outros elfos, me deram suco de abóbora, pão e um pedaço de bolo de chocolate. Depois de comer tudo, agradeci a todos e comecei a caminha de volta para o salão comunal.

E eu já estava bem perto quando senti uma mão me puxando.

Tinha sido pega e nem estava fazendo coisas erradas, só estava com fome, ninguém sente fome nesse castelo não?

Já ia começar a me explicar quando a pessoa disse:

"Ginny."

Certo.

Meu corpo se arrepiou todo de ouvir aquela simples palavra dos lábios dele.

"Oi, Draco." – respondi, enquanto ele soltava o meu braço.

Não sei se era saudade ou só porque tinha passado algum tempo sem vê-lo, mas achei que ele tinha conseguido ficar mais bonito durante minha ausência.

"Tudo bem com você?"

"Beleza." – respondi, tentando ser natural – "E com você?"

"Tudo bem... que bom que está de volta..."

"Pois é... estava com saudade..." – falei e depois completei – "da escola e tudo mais... então, o que você quer?"

"É sobre o que você viu hoje cedo..."

"Draco, não precisa explicar, ok? Agora, com licença, tenho que ir." – falei sem deixá-lo explicar nada, não era necessário, eu tinha entendido tudo.

Voltei para o dormitório e tentei não pensar, mas só consegui adormecer quase na hora de acordar.

Passei o domingo inteiro no quarto, porque toda vez que saía de lá vinha alguém e perguntava:

"Você voltou?"

Ao que me dava vontade de responder:

"Não, ainda estou em casa."

Por isso, para evitar stress, fiquei no quarto colocando a matéria em dia, afinal estávamos em ano de N.O.M's.

Na segunda-feira todos pareciam estar mais acostumados com a idéia de que eu estava de volta. As aulas foram ótimas, Flitwick e Trelawney me deram boas vindas, o único que fez comentários idiotas a respeito, foi, claro, Snape, que insinou ser contra a minha volta e a favor da minha expulsão, depois falou sobre eu continuar como monitora e, tipo, ele deve estar com problemas na cabeça, uma vez que eu não sou mais monitora.

À tarde tive aula da profa. McGonagall, que foi a única a não dizer nada a respeito durante a aula. Depois que a aula terminou e todos saíram, ela falou:

"Srta. Weasley, venha até aqui."

Obedeci e ela disse:

"Bem, seja bem vinda de volta."

"Obrigada, profa. McGonagall."

"Mas a chamei até aqui para falar sobre sua situação como monitora."

"Pensei que tinha perdido o cargo depois do que aconteceu."

"E perdeu, mas sei que o que aconteceu foi um fato isolado, não é da sua índole sair batendo nas pessoas sem motivo. Então me reuni com os outros professores e, depois de argumentar muito com alguns, resolvemos reintegrá-la ao cargo de monitora."

"Sério?" – falei toda feliz, aquilo era melhor do que estar de volta.

"Claro, Weasley." – pegou um pergaminho e me entregou – "Aqui estão os seus horários de ronda. Agora, pode ir."

"Obrigada, professora." – falei pegando o pergaminho e me dirigindo para a porta da sala, mas antes de sair, ela ressaltou:

"E Ginny, não faça mais isso... qualquer outro deslize ocasionará sua expulsão."

Eu sorri para ela e balancei a cabeça afirmativamente.

No caminho olhei para o pergarminho e quando vi a primeira ronda quase caí para trás. Seria no próximo domingo, depois do jantar, com Draco.

Ótimo.

Por que quando você menos quer ver alguém, você só vê a tal pessoa?

Não é justo.

Passei o resto da semana tentando esquecer isso, até tive vontade de ir até a profa. McGonagall e desistir do cargo de monitora, mas não podia fazer isso, ela confiava em mim, não é? Não poderia decepcionar.

Então o domingo chegou mais rápido do que eu queria. Durante todo o dia enrolei, tentei esquecer que tinha a ronda, mas se fizesse isso perderia o cargo e a confiança de McGonagall, até que, desistindo de fugir disso, fui para o corredor do 5º. Andar, onde deveria encontrá-lo.

Andei vagarosamente até que, sem conseguir adiar mais o encontro, cheguei ao corredor e o vi encostado à parede com os braços cruzados e com uma expressão pensativa no rosto.

"Boa noite." – falei.

"Boa noite. Bem, eu vou pela esquerda, você, pela direita e nos vemos daqui a duas horas." – falou saindo rapidamente.

Nada de interessante aconteceu durante a ronda, a não ser o fato de que peguei alguns sonserinos do 2º. Ano andando furtivamente pelo castelo e alguns corvinais primeiranistas que tinham se perdido.

Quando voltei para o lugar em que tínhamos marcado, ele já estava lá, com a mesma expressão pensativa no rosto.

"Bem, então... boa noite." – falei quase saindo.

"Espera, Ginny."

"O que foi, Draco? Preciso ir, ainda tenho que colocar umas tarefas em dia..." – o que não era de todo mentira.

"Você pode vir comigo até meu quarto?" – ele perguntou simplesmente.

Meu coração, que já estava acelerado, batia tão forte no peito que ia explodir a qualquer momento.

Afinal, como assim "ir até o quarto dele"?

"O que?" – falei depois de alguns minutos com a expressão assustada.

"Calma, Ginny." – ele respondeu com um sorriso malicioso – "Não é isso. Você não confia mais em mim?"

Para falar a verdade, não muito, mas disse:

"Tudo bem, vamos."

Andamos em silêncio até o salão comunal da sonserina, que, graças a Merlim, estava deserto. Ele foi até o quarto e eu fiquei esperando na sala, minutos depois ele desceu e disse:

"Tome." – disse me entregando a sacola da DedosdeMel que eu deixei cair no primeiro dia que cheguei.

"Obrigada, Draco." – falei sorrindo, porque REALMENTE aqueles doces estavam fazendo falta.

"Por nada." – respondeu sorrindo também – "Eu escrevi para você quando estava suspensa... você recebeu minhas cartas?"

"Ah, então era a sua coruja!" – falei lembrando da ave de cor escura e bonita que vi duas vezes – "Não recebi, minha mãe interceptou todas as minhas cartas."

"Eu já tinha imaginado." – falou e completou – "Então, está aqui." – disse me entregando uma caixa com um envelope.

"O que é isso?"

"Abra e veja."

Tirei o papel que cobria a caixa e vi o que era. Uma caixa de chocolate com morango, daquele bem caro que eu só como uma vez na vida e a outra na morte. Mas como ele sabia que eu adorava aquele chocolate?

Abri o envelope e dentro tinha uma carta minúscula que dizia:

"Espero que goste e que, algum dia, volte a me considerar amigo...

D.M."

Olhei para ele e, fala sério, o que você faria no meu lugar?

Ele era lindo, inteligente e, agora, um fofo total, o único defeito era gostar da Chang.

Naquela hora não pensei na Chang ou em qualquer outra coisa, além da saudade que eu sentia em tê-lo como amigo. E talvez fosse melhor assim, tipo, sermos só amigos.

Abracei-o e, sério, não sei o que me deu, mas comecei a chorar.

Às vezes eu sou muito ridícula.

"Senti tanta saudade." – ele falou enquanto apertava meu corpo junto ao dele.

"Eu também."

Ficamos ali abraçados até que, ele se afastou e olhando para mim, disse:

"Você é minha melhor amiga, Ginny. Eu te amo."

E então eu chorei mais e disse:

"Eu também te amo."

E ele nem sabia o quanto nós estávamos falando de coisas diferentes...

Nota da Autora: Gente, I'm back! Depois de três meses em um bloqueio total, voltei! êêêÊ! Agora rai! Quer dizer, agora vai!! Essa fic era para ser bem curta, tipo 7 capítulos, mas acho que agora ela vai até o capítulo 11! :)

Bem, espero que curtam o capítulo... no próximo, o negócio vai esquentar...

Desculpem os erros, mas esse capítulo não foi betado (ChunLi, amiga, desculpa, mas estava com pressa...beijooos)

Beijos povo que eu amo (sem falsidade...)

Manu Black