Capítulo 8 - Finalmente, a balada!
História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Saga, Shura e MdM chegaram à balada antes de todos. Como eles não tinham mais nada para fazer, sentaram-se perto do bar e continuaram a beber e conversar. A cada novo copo, Saga se incomodava menos com os estranhos comentários de seus amigos. Um estranho efeito da bebida, mas aparentemente ele passava a ver graça onde antes não via.
Afrodite foi o primeiro a chegar e, não achando ninguém, foi para o bar. Lá chegando, notou os três homens maravilhosos que lá estavam. Um, mais do que os demais, chamou sua atenção. Longos cabelos, voz profunda, olhos escuros. Como sueco, Afrodite valorizava os tipos morenos, tão raros em sua terra. E, então, a compreensão o atingiu... ERA ELE! ELE! Depois de tanto tempo! E, atordoado, viu Mu, Shina, Marin e Aldebaran chegarem e correu ao encontro dos quatro. Era raro para ele não saber o que fazer.
Os rapazes do programa de intercâmbio chegaram todos juntos (aliás, parece que sempre andavam juntos). E, acompanhando-os, uma bela loira acabou por chamar a atenção de Shura, nosso cínico espanhol, que, por mais que tentasse, não conseguia achar um único defeito na garota. Kamus e Shaka chegaram juntos, já que marcaram de se encontrar em uma estação de metrô na qual os dois precisavam trocar de trem. Metódicos e pontuais como eram, fácil foi para eles se encontrar e chegar na boite exatamente na hora combinada, qual seja, 22:30hs.
Misty e Algol também foram, não que alguém realmente os tivesse convidado. Chegaram junto com outros alunos, entre os quais Lara, Brenda, Friederich e Leonard.
Milo e Aioria foram os últimos a chegar, pois que Milo procurara pela casa toda um remédio para resfriado, mas não tinha achado. Aioria se cansou e falou que ia sozinho, já que Marin não poderia dar mole em boite. Faz-se necessário explicar que Aioria achava que com seu rosto inocente ela fatalmente atrairia vários cafajestes. E tanto discutiram que Milo desencanou do remédio e resolveu sair. E o remédio lá permaneceu onde sempre estivera, na 3ª prateleira do armário superior da cozinha, ao lado direito, junto com os demais remédios organizados por Saga por ordem alfabética (sim, Saga era metódico até para guardar remédios). Tão logo os dois chegaram, começaram a falar ao mesmo tempo com vários de seus colegas, que tiravam sarro da pontualidade dos gregos. Eles nunca seriam britanicamente pontuais.
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Shina viu Milo e Aioria chegarem. O que ela deveria fazer? Milo continuava a ignorá-la. Então, num impulso, Shina resolveu o que fazer. Quando Milo passou perto dela, ela simplesmente agarrou quem estava mais perto de si para um beijo para lá de cinematográfico. O escolhido foi Mu, que estava perto dela por temer que ela armasse um barraco com Milo.
Mu, pego de surpresa, não teve reação. Milo, por seu lado, estava com tanta dor de cabeça que não deu a mínima atenção. Se não tivesse sido a ele a insistir com todos para que lá estivessem naquela noite, ele provavelmente teria ficado em casa, dormindo.
Shaka, por sua vez, tomou a falta de reação de Mu como uma aprovação e saiu imediatamente da roda de amigos.
Desolado, Mu se livrou de Shina e desabafou:
- Shina, qual é a sua?
- É que eu queria fazer ciúmes para o Milo!
- Será que um dia desses você vai perceber que o seu egoísmo pode atrapalhar a vida dos outros, Shina? Que assim você pode perder todas as suas amizades? Que dar mais atenção para a opinião dos outros pode ter um péssimo efeito na sua vida? – e Mu foi atrás de Shaka.
Shina olhou aterrada para Mu. Ela o julgara incapaz de perder o controle ou responder mal para alguém. Ela o tinha como um pilar de paciência e abnegação. O que ela fizera desta vez? E, desconcertada, viu Mu seguir Shaka. Havia algo entre os dois que, em seu egoísmo, ela não havia notado...
Shina, então, foi para o bar. Sua noite estava acabada. Ela não era apaixonada por Milo. O que ela estava fazendo? Quem ela tinha magoado desta vez?
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Milo e Aioria demoraram um pouco para achar Saga que continuava sentado no bar com Shura e MdM, desta vez bebendo whisky. Tão logo viu Milo, Saga não perdeu tempo em perguntar:
- Milo, você tomou o remédio? – Saga novamente na função "pai preocupado".
- Não, Saga. Não achei. Não sei onde você colocou e o Aioria estava com pressa para ver a Marin. Aliás, você já identificou a ruiva do Aioria? É aquela com o vestido...
- Não, Milo. Não quero saber quem é a Marin. Quero saber como você pode não ter achado o remédio no armário!
- Sei lá, Saga. Eu tomo quando eu chegar em casa. Desestressa!
Shura e MdM, acompanhando esta conversa, tiveram a certeza que faltava que Saga encontrava-se terrivelmente apaixonado. A tal ponto que não notava que o seu excesso de preocupação podia ser chato. Foi MdM quem resolveu a questão:
- Guarda20, Milo! Eu também estava meio gripado e tenho o remédio qui21. Toma! – MdM foi tão solícito que Shura e Saga estranharam. Mas foi Aioria quem respondeu:
- Até que ele serve para alguma coisa! – e foi o que bastou para que os dois começassem uma interminável discussão.
- Sirvo para muito mais do que você pensa, parvo!
- Não consigo imaginar para quê, carcamano!
- Fica aí por perto para ver, estúpido!
- Tenho mais o que fazer do que ficar ao seu lado, italiano sem vergonha!
- MdM dá o tal do remédio para o Milo, então – Saga achou que podia interromper a discussão só um minuto. E MdM, resmungando em italiano deu uma pílula a Milo.
- Ok, ok. Eu tomo! Shura, me empresta o whisky aí!
Saga até pensou em falar que não se devia tomar remédio com whisky, mas o olhar de Shura fez com que ele se contivesse. Ele estava sentindo que estava prestes a passar dos limites adequados de preocupação. Milo tinha aquele efeito sobre ele e somente agora ele começava a ter consciência disso. Assim, Milo tomou o remédio com o whisky de Shura.
- Bom, gente, agora que eu já sarei, peço licença que eu preciso ir dançar. E você também, Aioria!
- Cuida da sua vida, Milo – Aioria estava irritado como somente a presença de MdM conseguia deixá-lo.
- Aioria, io penso22 que você deveria dar uma atenção à Marin! É una ragazza23 linda e não deve ficar sozinha com o anão do Seiya! – Shina já havia se cansado da falta de segurança de Marin e da falta de iniciativa do Aioria. Ela gostava muito da Marin e não queria que o devagar do Aioria a magoasse. Ela nem mesmo pensara em seus problemas antes de falar.
- E para onde ela foi, Shina?
- Secondo piano24!
Aioria se foi num piscar de olhos, agradecendo à Shina. Milo, então, a viu:
- Oi, Shina. Eu não tinha te visto!
- Oi Milo. Me piace25 tua camisa! – Milo estava mesmo lindo com uma camisa azul de mangas longas. Combinavam perfeitamente com os olhos dele.
- Você está linda, Shina. Desculpa por não ter te ligado! Eu peguei uma gripe dos diabos.
- Sem problemas, Milo. Você não está mesmo com uma cara boa!
- Se não tivesse sido eu a organizar isso aqui, nem teria vindo. Posso te ligar amanhã?
- Si.
- Legal! Vou indo para a pista de dança. Quer ir?
- No, grazzie26.
- Ok. Depois a gente se encontra, então.
E Milo se foi. Estranhamente, Shina nem ligou. Nem ela mais sabia por que se incomodava tanto. Ela não gostava dele. Quer dizer, ele era um cara legal, bonito, simpático e tudo o mais, mas nada além de um bom amigo. Ela PRECISAVA se desculpar com Mu. Ela não tinha notado que ele gostava de alguém. Ela não fizera por mal... Era seu maldito gênio. Ela precisava aprender a se controlar! E ela pediu ao barman um whisky duplo, ou melhor, triplo.
Enquanto isso se passava, os três amigos tiravam sarro da cara de Saga por estar tão preocupado com Milo.
- Madresita27 preocupada, Saga!
- Pára, Shura – Saga encontrava-se irritado, já que finalmente havia notado que estava se comportando de forma estranha com Milo.
- Hahaha! Se está a fim do bambino28, pega ele!
- Quieto, MdM!
- Saga, qual é o problema? – Shura parara com o tom de gozação e resolvera falar seriamente com Saga.
- Nenhum, Shura. Mas não acho que seja tão fácil assim pegar o garoto como fala aqui o nosso amigo. Acho que ele não é gay.
- Podia não ser fácil nos outros dias, mas hoje vai ser moleza!
Shura e MdM se viraram ao mesmo tempo para MdM, sem notar que atrás de si outra pessoa também prestava atenção no que MdM dizia.
- E por que isso, MdM? – ninguém notou o perigoso tom na voz de Saga.
- Oras, porque eu resolvi te ajudar e dei para ele uma pílula que vai deixá-lo bem disponível, Saga. Pode me agradecer! Você só tem que chegar antes de qualquer outro. Hoje ele é de quem pegar! – e MdM bebeu mais um pouco do seu whisky.
- E VOCÊ DEU ISSO PARA ELE JUNTO COM WHISKY DUPLO? – e Saga saiu atrás de Milo.
O berro pegou MdM de surpresa. Ele fizera tudo para agradar o amigo e agora ele reclamava? Qual era o problema do whisky duplo, afinal? Ele mesmo já havia tomado uns 3 desses. Shura o olhou com desprezo e seguiu atrás de Saga, deixando MdM sozinho no bar, sem entender nada. Mas, na falta do que fazer, pediu outro whisky. E Kamus, que estava atrás de MdM, saiu atrás de Shura.
Foi só aí que MdM viu uma beldade sozinha tomando um grande copo de whisky. Seu tipo de mulher!
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Tão logo Aioria saiu, foi procurar Marin. Ele a encontrou no segundo andar, como Shina falara, conversando com o irritante estudante japonês, que sempre vestia uma camisa vermelha. Aioria achava que ele era o tal do Seiya, mas não tinha certeza, já que o moleque era extremamente sem graça.
Que irritante! O que a Marin via naquele moleque? Pequeno, sem graça e metido a engraçado! Mas Aioria não estava nem um pouco a fim de perder tempo. Chegou perto dos dois, puxou Marin sem a mínima cerimônia e a levou para a pista de dança, na qual já estavam quase todos. E deixou o aparvalhado Seiya olhar os dois saírem sem saber o que fazer.
Nesta noite ninguém mais iria se engraçar para os lados da Marin!
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Kamus andava empurrando as pessoas de seu caminho. Quanta gente cabia naquele lugar? Com aquela falta de luz ele nunca acharia Milo. Kamus, então, viu uma escada e subiu para o segundo andar.
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Shura até manteve, por alguns minutos a intenção de ajudar Saga. Mas ele acabou achando a bela loira. Ela estava com um moleque franzino, de cabelos verdes.
- Ta para mim! – e Shura foi conversar com a garota.
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Mu finalmente achou Shaka. Ela estava saindo do banheiro, com cara de poucos amigos. Bom, a verdade é que Shaka tinha cara de poucos amigos. Ele sempre estava azedo. Sempre era antipático. Nem Mu entendia porque tinha se interessado tanto pelo loiro. Mú tentou, então, a tática do "nada tinha acontecido":
- Olá, Shaka! E aí?
- ... – lembrem-se que Shaka era perito na arte de ignorar os outros!
- Pôxa, Shaka! Aconteceu alguma coisa? – então Shaka olhou diretamente para os olhos de Mu. Mu foi para trás, tamanho o impacto do olhar de Shaka.
- Nada, Mu. Eu acho que andei entendendo as coisas de forma errada. Minha percepção deve estar enferrujada.
- Do que você está falando, Shaka? – Mu ainda se encontrava atordoado pelos olhos imensamente azuis de Shaka.
- De não saber que você tinha um caso com aquela cobra da Shina! – OK, pensou Mu. Shina era malcriada, maluca, por vezes vadia, mas NÃO ERA uma cobra. Mu já tinha notado como ela se incomodava com as pessoas, como tentava ajudar, mesmo que ninguém notasse, como não hesitaria em se sacrificar, se necessário fosse.
- Eu não gosto que você fale assim de meus amigos!
- Pode deixar. Eu nunca mais falarei de seus amigos. Mesmo porque nunca mais falarei com você – e Shaka se foi em direção à escada, deixando Mu sem saber se comemorava o fato de Shaka estar com ciúmes, ou se chorava pelo fato dele estar se afastando.
Mu demorou muito pouco para ir atrás de Shaka.
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Finalmente Saga o via. Milo estava dançando muito animado no meio da roda de amigos. Todos estavam aplaudindo e Milo continuava. Foi somente um olhar e Saga percebeu que ele não estava bem. Ele estava lindo! Mais lindo que o normal. Dançava como um felino no meio de todos. Ele realmente era insinuante. Sim, chamar a atenção dos outros parecia ser o normal de Milo, mas ele estava com os movimentos mais rápidos e agia como fosse impossível ficar quieto. Mas como? Como Saga iria tirá-lo daquela boite e convencê-lo a ir para casa?
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Aioria e Marin dançavam colados. Nada a ver, eu sei! Música techno não se dança colado! Mas vai entender a paixão!
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Mu alcançou Shaka. Ele estava sentado sozinho em um sofá dos fundos do segundo andar, de olhos fechados (é claro!) com ar de desolado. O que Mu poderia fazer para consolá-lo? A vontade de Mu era beijá-lo, mas ele não tinha bem certeza se essa seria a melhor saída com Shaka.
Mu ainda não entendia o complicado jeito de ser dos virginianos... Era muito raro um virginiano se posicionar e ser levado pelas emoções. Shaka era ciumento, mas na maioria das ocasiões esse sentimento se encontrava trancado a sete chaves em seu coração. Mas quando o sentimento represado aparecia, ele levava tudo, como um dilúvio. E a melhor coisa para conter um virginiano em alto grau de emoção era justamente atacá-lo com mais emoções. Infelizmente, Mu tentou argumentar com Shaka. Infeliz escolha, já que argumentar com virginianos não é tarefa das mais fáceis.
- Shaka, eu não sei por que você está tão chateado comigo.
- ... – desnecessário explicar que Shaka o estava ignorando.
- Shaka, fala comigo!
- Não tenho nada a falar com você, Mu.
- Por favor, Shaka. Eu te juro que não tenho nada a ver com a Shina. Ela estava tentando fazer ciúmes para o Milo.
- Ok.
- É verdade.
- Eu acredito. – mas a voz de Shaka demonstrava tudo, menos que acreditava.
E nesse momento,os dois foram interrompidos por Kamus.
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Não, Milo não estava no segundo andar. Ele só achou Shaka e Mu. O clima parecia estar tenso, mas Kamus não tinha muito tempo para pensar naquilo. Ele interrompeu os dois, que espantados o olharam. Perguntou se alguém tinha visto Milo. Mu respondeu com sua calma voz que não e indagou se havia algo errado. Kamus se foi antes mesmo de responder.
Mu não teve como não pensar que Kamus e Shaka eram bem parecidos. Não pareciam se incomodar com os sentimentos dos outros. E, olhando para Shaka, continuou a discussão.
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MdM olhava a beldade tomar o grande copo de whisky quase que de um só gole. E não pode se conter mais.
- Piano, ragazza29! – Shina o ignorou completamente. Talvez ela não entendesse italiano. MdM já ia falar novamente, quando a ouviu falar.
- Outro, per favore!
- Italiana?
- Si.
- Anche io30!
A partir daí os dois começaram a conversar como somente dois expatriados são capazes em terras estrangeiras.
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Milo terminara de dançar e ia começar outra música, quando foi empurrado para o meio da roda. Sim, aquela música era sensacional. Normalmente ele detestava techno, mas naquela noite, ele descobriu que aquelas músicas eram sensacionais. Vibrantes! Que ritmo! O ritmo o levava a querer dançar sem parar. E a luz? Certo que ela incomodava seus olhos, mas a luz tinha um quê de surreal... Aliás, era isso... Era assim que Milo se sentia... Surreal... Ele se sentia como se tivesse saído dele mesmo e observasse a si próprio. E ele estava gostando muito do que via. Seus movimentos de felino. Seu cabelo cacheado. Seu próprio corpo. Ele estava anormalmente consciente de seu próprio corpo.
Como a luz incomodava demais, Milo começou a dançar de olhos fechados. E o pessoal começou a aplaudir. Bem que os estudantes mais velhos tinham falado que aquela boite era animada. Aquele ambiente, a luz, o som, as paredes, o cheiro, os espelhos, a fumaça. Tudo levava à animação. E enquanto dançava, ele sentia que todos os seus problemas iam embora e que nada mais importava. A mudança, a ansiedade, a falta de dinheiro, a falta de atração por Shina. O emprego que ele deixou. Os parentes que ele deixou. Tudo saía voando de sua cabeça e lá só ficava aquela música maravilhosa, e a sensação de estar dançando como nunca dançara. Foi quando Milo notou que não estava mais sozinho. Alguém pegava sua mão e tentava tirá-lo da pista... Saga! Não, de novo, não. Ele tomara o remédio. Aliás, que remédio! Ele precisava se lembrar de perguntar a MdM o nome do remédio. Ele estava tão mal enquanto vinha para a boite. E agora estava na maior animação.
Saga o puxava pela mão, mas sua mão estava suada e escorregou. Saga, então, o puxou pelo braço. Milo já estava meio cheio mas, estranhamente, não encontrava a vontade necessária para falar não para Saga e se deixou levar. Saga o empurrou até o banheiro de deficientes e fechou a porta. Milo achou estranho, mas não conseguia coordenar seus pensamentos para protestar. Sua cabeça estava completamente vazia. E voltara a doer fortemente.
Milo somente ficou olhando para Saga. Mas a luz o incomodava tanto que ele fechou os olhos. Sentiu, então, que Saga o colocava na frente da pia e começava a molhar seu rosto. Sua pele estava sensível. O contato com a água era bom e sua pele se arrepiou. Ele encontrou forças para abrir os olhos e olhar para Saga pelo espelho. Foi quando seus olhos azuis se encontraram com os olhos escuros de Saga. Um estremecimento percorreu o corpo de Milo. Foi neste momento que Milo sentiu uma forte tontura e foi amparado por Saga, que o encostou na parede, enquanto continuava molhando seu rosto enquanto falava algo que Milo não conseguia ouvir. Milo só conseguia sentir. Sua cabeça doía e latejava como o inferno. Seu corpo estava moído. Ele gemeu.
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Fora difícil, mas ele conseguira. Conseguira puxar Milo da pista de danças e empurrá-lo para o banheiro de deficientes que, por milagre, estava vazio. Milo protestou muito pouco ou quase nada. Para Saga esse era mais um sinal de como Milo não estava bem. Saga trancou a porta e começou a molhar o rosto de Milo. Ele realmente não sabia se essa era a melhor coisa a fazer, mas ele não sabia o que mais poderia fazer. Milo não estava bem. Foi nesse momento que Milo o olhou pelo espelho e Saga sentiu como se tivesse levado um choque. As pupilas de Milo estavam imensamente dilatadas, seus olhos, quase negros. Isso devia explicar porque Milo estava de olhos fechados. Maldição! O que MdM tinha feito dessa vez? Ele era um bom amigo, mas seus meios eram criminosos, para dizer o mínimo! Mas Saga teve que interromper seus pensamentos quando foi pego de surpresa por um Milo que praticamente caía em seus braços. Saga, então, o encostou na parede. A respiração dele estava entrecortada, rápida. Sua camisa estava um pouco aberta, provavelmente devido a ter dançado daquela forma. Sua cabeça pendia para um dos lados. Seus cabelos cacheados estavam desalinhados. Suas mãos tentavam em vão segurar a parede. Milo estava tão... indefeso, entregue. E lindo!
Saga continuou molhando o rosto e o pescoço de Milo, falando para ele que tudo ia ficar bem, quando notou que sua pele se arrepiava toda vez que seus dedos o tocavam. E Saga o ouviu gemer. Foi o que bastou para que ele perdesse o resto do auto-controle que se impusera. Respirou fundo e beijou Milo, como há muito não beijava ninguém.
Saga trouxe Milo mais para perto de si e começou a beijar seu pescoço, seu rosto, sua boca. A cada toque, Milo se arrepiava e logo começou a abrir os lábios. Saga, então, invadiu sua boca, enquanto abraçava Milo, cada vez mais forte. Ele sabia que Milo precisava de seu apoio e não de seu desejo, mas como resistir? Ele estava lá, lindo, entregue, indefeso, ofegante. Ele era somente seu. Ao contrário, a reação de Milo a seus toques dava a entender que Milo também o queria. Ele se arrepiava e gemia a cada toque de Saga. Seu coração estava disparado. E, tomando a reação de Milo por aceitação, Saga começou a morder seu pescoço, sua boca. No começo, de leve, mas a falta de resistência de Milo o incentivou a ser mais agressivo. Seu desejo reprimido o tornava agressivo. Saga começou a abrir a camisa de Milo e a beijá-lo, sugá-lo, marcá-lo como seu. Milo era tão quente... quente... quente!
Não, algo não estava bem! Milo estava muito quente. Saga se afastou e olhou para Milo. Milo ofegava, procurando por apoio. Saga tocou sua testa e a compreensão veio como um soco no estômago. Milo estava ardendo em febre.
- Idiota, idiota. Dez vezes idiota. Ele está doente... DOENTE.
E Saga amparou Milo para levá-lo para casa.
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Kamus encontrou Afrodite, finalmente. Ele saberia de Milo. Ele parecia aborrecido, mas com certeza saberia de Milo.
- Sim, Kamus. Eu o vi. Ele foi puxado da pista de dança por aquele outro grego amigo dele. Acho que eles foram para o banheiro. – havia uma nota para lá de amarga na voz de Flor, mas Kamus não tinha como pensar naquilo agora.
- Qual banheiro?
- Vem comigo que eu te mostro! – Kamus não sabia como agradecer a ajuda de Flor.
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Saindo do banheiro de deficientes, com Milo amparado pela cintura, Saga encontrou dois dos colegas estudantes de Milo. Um parecia levemente conhecido. Ele rapidamente pediu ao mais alto e com um ar mais responsável que cuidasse de Milo e o levasse para a saída enquanto ele ia para a saída pegar os casacos e pagar as contas. Saga falou que Milo estava com febre alta e que precisava sair dali o mais rápido possível. E Saga se foi, praticamente empurrando Milo para cima de Kamus. Afrodite avisou que iria procurar Aioria e também se foi..
Kamus, então, amparou Milo e começou a levá-lo para a saída da forma mais rápida possível, lutando com aquele mar de gente que tomara a boite.
Enquanto o fazia, várias vezes, Kamus sentiu a temperatura de Milo. Como ele desejou, naqueles momentos, que suas mãos tivessem o poder de esfriar o corpo de Milo, para que pudesse dar-lhe algum conforto... Milo parecia um autômato, mas estava consciente, apesar de não abrir os olhos. Mas, para garantir, Kamus tentou falar com ele:
- Milo, você me ouve?
- ...
- Milo, fale alguma coisa!
- Kamus, é você? – Kamus sentiu um calor passar pelo seu corpo ao ser reconhecido por Milo.
- Oui, Milo. Comment allez vous31
- Kamus, pára de falar em francês! – o tom brincalhão ainda estava lá, mas a voz de Milo estava fraca.
- OK, Milo. O que você quiser! – e Kamus chegou ao hall de entrada da boite, onde acreditava que o outro grego viria encontrá-lo. Ele encostou Milo em uma coluna, enquanto o amparava pela cintura – Assim está bom, Milo?
- Sim. Obrigado Kamus!
- Non há de que, Milo. Só fique bom, s´il vous plait32! – até Kamus se espantou. Ele nunca se incomodara com ninguém. Por que isso agora? Mas interrompeu seus pensamentos quando Milo pegou seu rosto e o virou para si.
- Kamus, sua camisa é gostosa. Seu cheiro é bom! – Kamus levou um choque ao ouvir aquilo. Milo nunca demonstrara nada por ele.
- Merci, Milo! Fica bom, só isso. – Kamus tentava se controlar. Ele achava que só estava se sentindo preocupado, o que em si já era um fato estranho.
- Não me deixa, Kamus, por favor! – e Milo de olhos abertos, pendeu a cabeça para o lado e começou a passar as mãos pelas costas de Kamus em uma carícia lenta e firme.
Kamus estremeceu ao toque e às palavras de Milo. Ele se sentia hipnotizado, como se estivesse em frente a um escorpião. Mas quando olhou dentro daqueles olhos estranhamente escuros e desfocados, com as pupilas claramente dilatadas, recobrou a razão. Milo havia sido drogado! Ele estava delirando devido à febre alta! Possivelmente estava alcoolizado. Aquilo não significava nada! Mas Milo o olhava fascinado. O que ele devia fazer? Foi quando sentiu a mão de Milo estremecer nas suas costas e viu um brilho assustado passar pelos seus olhos. Ele cairia no chão, não fosse o apoio de Kamus. E enquanto o apoiava, Kamus notou os diversos arranhões e marcas na pele de Milo.
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Saga finalmente os localizou no hall de entrada. E estava indo para lá quando viu Milo olhar para Kamus da forma como ele tanto desejava. Ele parou estarrecido. O tal francês estava a ponto de beijar o SEU Milo. Mas ele começou a correr tão logo notou que Milo desmaiara. E lá chegando tentou tirar Milo dos braços do francês.
Kamus viu Saga chegar e o olhou com nojo:
- Foi você! Foi você quem fez isso com ele! – e Kamus apontava para o pescoço de Milo, todo marcado, enquanto segurava Milo como se ele fosse a coisa mais preciosa do mundo.
- Você não tem nada a ver com isso ou com ele. E eu preciso levá-lo para casa. Você não vê que ele não está bem? – mas o que Saga realmente queria era mandar o francês para a Sibéria no primeiro vôo.
- Ele non está bien porque você e seus amigos o drogaram e embebedaram! Ele precisa ir a um hospital e não para casa!
Mas nesse momento Aioria chegou. Ele gritou ao ver Milo, o arrancou decididamente dos braços de Kamus e foi para a saída, seguido por Saga, gritando com o pessoal da boite que ele voltaria no dia seguinte para pagar a conta.
Foi tão rápido! – pensou Kamus. Será que ele deveria ter ficado com Milo? Não, ele não tinha como discutir com Aioria. Ele e Milo eram amigos há mais de vinte anos... Aioria cuidaria para que nada de mal acontecesse com Milo.
Quando Kamus olhou para os lados foi para encontrar um Afrodite tão desolado quanto ele, seguido por Marin. E os três, juntos, voltaram para a boite. Para os três a noite estava perdida, de qualquer forma.
Bom, pessoal. Finalmente! Finalmente eu cheguei à balada! Acho que eu posso dizer que finalmente a fic começou. Sim, eu sei que demorei 8 capítulos, mas eu sou detalhista... Desculpem!
Espero que vocês tenham gostado! E, mais uma vez, eu gostaria de agradecer às reviews das minhas queridas Musha, Gigi e Gemini Kaoru (Gemini Kaoru, li suas fics. Elas estão lindas! Parabéns!).
Beijos a todos os que seguem a história!
Virgo-chan
Mai/06
Capítulo 9 – Pós-balada – Parte I
História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo 9 – Pós-balada – Parte I
Saga seguia Aioria que carregava Milo meio que arrastado. Os dois estavam à procura de um táxi, mas a verdade é nenhum dos dois sabia bem o que fazer... Levar Milo a um hospital? Levá-lo para casa? Qual seria o melhor? Saga tinha a impressão de que deveria evitar o hospital, já que sabia que Milo havia tomado algo ilegal.
Já Aioria achava que Milo não gostaria de ir a um hospital, já que sempre que fora, fora obrigado e quase amarrado. Ademais, ele tinha certeza que em algum dos formulários da LSE havia o telefone de um médico para que eles ligassem em caso de urgência. E se aquele não fosse um caso de urgência, qual seria?
E, assim, os dois entraram no táxi e se dirigiram para casa. Se algo acontecesse, ainda restaria o hospital!
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Com muito esforço, Milo saiu da escuridão que o envolvia. Tentou abrir os olhos, mas não conseguiu. Onde ele estava? Notou, então, que sua cabeça estava encostada em alguém. Kamus?
- Kamus? – chamou, mas ninguém pareceu ouvi-lo.
E a escuridão o envolveu novamente.
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Kamus, Marin e Afrodite estavam para entrar na boite, quando encontraram Shaka, com cara de muito menos amigos do que o habitual. Kamus julgara que aquilo não era possível, mas Shaka estava praticamente descontrolado. E Shaka era o mais próximo de um amigo de longa data que Kamus conhecia. Ele precisava ajudá-lo (bem se vê que Kamus estava tendo um dia fora do ordinário). E, assim, ajudado por Afrodite e Marin, Shaka foi convencido a ir com eles a um pub que ficava quase em frente à boite. Com certeza lá Shaka iria contar o que havia acontecido para deixá-lo naquele estado...
Kamus, é claro, subestimava a famosa discrição virginiana.
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Aldeberan estava se divertindo horrores na boite! Sim, ele notara que Mu seguira Shaka. Problemas iminentes! - pensou nosso amigo. Mas ele deveria se meter? Falar que a louca da descompensada da gostosa da Shina só estava armando ciúmes para o tal Milo? Não, ele achava que era melhor não meter a mão naquela cumbuca.
Depois ele vira Milo dançar como um lunático e notara que algo não estava normal. Mas ele deveria ter feito algo? Sei, não! - pensou nosso amigo. Ele firmemente acreditava que as onças pintadas não deviam se meter com tigres listrados.
Ele acompanhara o sumiço de Shina. Notara que Afrodite estava estranho. E sabia que a Marin estava fazendo besteira de se meter com o gnomo do Seiya. Mas eles que eram brancos que se entendessem, certo?
Certo? Certo? Não, não era tão certo assim! Ele precisava fazer alguma coisa! Eles estavam todos juntos no mesmo barco. Enquanto estivessem na LSE, todos e cada um deles só tinham a si mesmos para se consolar, se ajudar e dividir os bons e os maus momentos. Afinal, eles estavam num país estrangeiro, longe da família. Nessa situação os laços de amizade são estranhamente reforçados.
E Aldebaran foi para o segundo andar, para onde vira Mu correr. Mu era seu amigo e se havia algo que Aldebaran realmente valorizava era a amizade.
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Shina estava bêbada! Sim, ela realmente estava muito bêbada. Mas ela tinha vontade de continuar a beber! O que ela fizera com o Mu? Ela gostava imensamente dele! O que ela fizera? E o Milo! Ele não falara que pegara uma gripe terrível? Devia ser porque ela roubara o casado dele! Ela! Ela! Ela! Por que ela só conseguia pensar nela mesma?
Quando ela iria aprender a não atrapalhar a vida dos outros? Quando ela começaria a ser alguém de quem ela própria se orgulhasse?
E o carcamano ao seu lado? Como se chamava mesmo? Ela não se lembrava do nome. Mas ele falara algo a ver com morte...Máscara da Morte! Bom, que fosse! Ela simplesmente não estava a fim. Ele era muito bonito, mas ela resolvera não se envolver com mais ninguém até que achasse que ela própria valia à pena!
E continuou a beber sem ouvir uma palavra do que ele falava.
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Saga e Aioria entraram em casa após haver carregado Milo escada acima por sete andares. Milo reclamou muito pouco enquanto era carregado entre os dois, com os braços em volta de seus pescoços. Mas era certo que Milo acordara.
Enquanto carregava Milo, Saga pensava no que ele fizera. Ou melhor, no que deixara MdM fazer. Milo estava ardendo em febre. Será que eles deveriam levá-lo ao hospital? Mas como explicar que ele estava drogado? Melhor ficar em casa, mesmo. E Saga abriu a porta e colocou Milo no sofá, como um saco de batatas e foi procurar seu termômetro em Celsius. Ele nunca conseguira saber que temperatura era alta ou não em Farennheit. Já Aioria foi pegar um folheto em que estava o nome e o celular do médico da LSE.
- 40,2 º! – enquanto falava isso, o coração de Saga se apertava.
- Caramba! Isso é em Farenheit, certo?
- Não, Aioria, é em Celsius mesmo! Faz o seguinte, vai dar um banho frio em Milo para a febre baixar que eu ligo para o Dr. – Saga olhou para o folheto – Shion. Dr. Shion.
- Feito! - o fato de Aioria não argumentar era um marco do tamanho da sua preocupação.
E Saga ligou para o Dr. Shion, que pediu o nome, ano e curso de Milo, bem como qual a febre:
- Precisamos abaixar isso. Banho frio e anti-térmico. Ele tomou algo?
- Bom, ele tomou ecstazy, eu acho.
- Já estava com febre?
- Acho que sim.
- Idiota. Isso acelera o metabolismo e nunca deve ser tomado com o corpo debilitado! Com essa temperatura ele deve estar muito próximo de entrar em convulsão! Me liga em 10 minutos – e bateu o telefone.
Saga ficou olhando para o telefone, por alguns segundos. Convulsão! Isso não parecia bom!
Foi quando ele ouviu os gritos de Milo e de Aioria. E foi correndo para o banheiro com o coração na mão.
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Mu estava no mesmo local em que Shaka o deixara. Olhando o vazio. O vazio deixado por Shaka. Era como se Shaka tivesse arrancado seus sentidos. Ele estava entorpecido. Não conseguia sentir mais nada. Ouvir, falar, cheirar. Nada
Ele não fizera nada errado! Por que Shaka o tratara assim? Por que ele estava se sentindo assim, se os dois não tinham nada? Nenhum tipo de relacionamento, nada.
Mu começou a tremer e se abraçou. Cenas horríveis da sua infância imediatamente começaram a passar por sua cabeça.
Ele se lembrou da travessia pelo Himalaia para fugir do Tibete invadido. Essas travessias normalmente eram feitas no inverno para evitar o policiamento de fronteira. Ele se lembrou de ter achado que morrera, mas não ligara. Não ligara a mínima. Por que isso agora? Por que ligar tanto para o que um quase estranho falava? Tudo bem! Ele não iria mais falar com Mu. Qual o problema? Mu nunca mais vira seus pais depois da travessia e sobrevivera. Shaka estava chateado com Mu! E seus instrutores de Dharamsala33 não ficaram chateados, quando ele abandonou o vilarejo para estudar em Nova Delhi? E ele sobrevivera! Por que isso agora?
Mu não tinha a mínima idéia de por quanto tempo ficou perdido nessas tristes memórias. Sempre que pensava nisso, ele perdia a noção do tempo, do espaço e de tudo o mais. Ele só voltou quando foi chacoalhado por Aldebaran!
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Shura finalmente alcançara a bela loira... Parece que ela estava meio a fim do moleque franzino! Como podia? Um franzino! Mas Shura nunca falhava. Ele iria pegar a loira... Nem que tivesse que contar até o infinito. Duas vezes!
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Saga empurrara a porta do banheiro preparado para ver Milo no chão em plena convulsão! Mas, não! Ele vira Aioria e Milo no chuveiro gelado, molhados, vestidos e tremendo! Milo se encolhia e berrava. Aioria berrava para Milo ficar quieto.
- Aioria! O que é isso?
- Você me mandou jogar o Milo no chuveiro gelado. Como ele não queria entrar, eu o agarrei e vim também! A febre precisa baixar.
Tá! Aioria era burro! OK! Mas era bem intencionado, coitado. Se jogar na ducha gelada com o amigo doente era mais uma prova do tamanho da amizade que Aioria sentia por Milo. Mas precisava entrar de roupa?
- Aioria, vai se secar antes que você também fique doente, vai! Deixa que eu ajudo o Milo.
- OK. – Aioria parecia tão desnorteado...
- E você, Milo. Tira a roupa.
- ...
- Eu te ajudo. Sai daí. Aioria, aproveita e separa uma roupa para o Milo! E pega o remédio para a febre no armário da cozinha.
- Certo.
Saga sabia que os dois precisavam dele.
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Meu Deus! Será que queriam matá-lo? Afogado? Congelado? Ele não tinha a mínima idéia de onde estava e nem do que tinha feito para merecer aquele tratamento!
Até que ouviu a voz de Aioria! AIORIA!
Ele devia estar lhe dando um caldo no mar! Devia ser por causa dos livros. Só podia ser. Ele nunca confessara que fora ele quem roubara todos os livros de Aioria, e colocara as capas dos livros em revistas de sacanagem! Quando o professor de trigonometria descobriu, Aioria ficou suspenso por 7 dias. E a mãe de Aioria fora chamada para falar como diretor. E Aioros fora também. Milo nunca rira tanto!
Mas agora era a hora de pagar. Aioria o segurava em baixo da água. Será que iria afogá-lo? Mas ele finalmente fora salvo. Salvo por alguém que tentava tirar-lhe a roupa. Pelo jeito, dessa vez, a vingança de Aioria seria terrível
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Shina viu Aldebaran conversando com Mú. Aliás, Aldebaran estava quase carregando Mu. Shina largou MdM falando sozinho e foi falar com os dois. Bastou um olhar para se assegurar que Mu estava arrasado. Os olhos de Shina encheram-se de lágrimas. Ela estava tão arrependida. Ela ainda não sabia o que acontecera, mas tinha a certeza de que a culpa fora sua.
Sem mais pensar ou mesmo de despedir de MdM, Shina foi com os dois.
MdM não acreditou que tivesse sido abandonado. Isso nunca lhe acontecera! Como é que aquela cobra fizera isso com ele? Ela iria pagar! Com certeza iria pagar!
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Shaka fora praticamente arrastado para o pub por Kamus.
Ele estranhara o comportamento de Kamus. Ele poderia jurar que Kamus absolutamente não se importava com ele. Mas Kamus demonstrara que estava, sim, preocupado. Ele o arrastara ao pub e providenciara um grande copo de whisky e fizera Shaka beber. Shaka bem que precisava da companhia e do whisky.
De modo vago Shaka notou que também Kamus não parecia bem, mas naquele momento ele não tinha muito o que fazer além de tomar o seu whisky.
Shaka. Ah, Shaka! Se é que alguém realmente tinha errado naquela noite, esse alguém era Shaka. Ele se criticava da forma mais dura. Por que, de novo, ele se deixara levar pelas emoções? Ele já deveria saber que suas emoções o trairiam. Ele nunca as controlava, por mais que se esforçasse. Em algum momento elas viriam como um dilúvio e destruiriam tudo! E dessa vez elas destruíram Mu. Seu Mu Seu destinado Mupensava desnorteado Sim, pois que Shaka tinha certeza de que Mu lhe fora destinado. Talvez não nesta vida, mas em outra época. A ligação deles transcendia este momento. Mas agora só restava o eco das palavras. As palavras que ele atirara em Mu como facas. As feridas deixadas pelas palavras. E as críticas. As críticas que Shaka fazia a ele mesmo.
E ele pediu outro copo de whisky.
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Kamus estava excepcionalmente preocupado com Milo. Ele não conseguia esquecer como se sentira quando Milo o olhara e pedira para que não o deixasse. E o que Kamus fizera? Deixara-o na primeira oportunidade... Kamus sentia-se miserável. Mas um miserável extremamente preocupado com Milo. E, para piorar, ele sentia que algo dentro dele próprio se modificara muito. Algo como uma geleira que se derretera. E ele não sabia ainda o que isso significava.
Mas Kamus sentia que Shaka, se possível, ainda estava pior do que ele mesmo. E resolvera se dedicar a confortá-lo de alguma forma. Claro que Kamus conhecia Shaka o suficiente para saber que não deveria forçar confissões ou qualquer coisa perto disso. Quando o momento chegasse, Shaka falaria. Então, ele começou a falar com os amigos sobre Milo (fazer o que? Ele não conseguia abandonar o assunto).
- O que será que o Milo teve para desmaiar daquele jeito?
- Ele desmaiou? – foi Marin quem perguntou. Marin, por sua vez, sentia-se abandonada. Aioria falara com Afrodite e saíra correndo sem nada explicar para ela.
- Sim, Marin. O Aioria não te falou? – Afrodite também parecia aborrecido.
Estranho, pensou Kamus. Tristeza e Afrodite não pareciam andar juntos.
- Não, não vi. Ele estava doente? Bebeu demais? – mas Marin parecia se sentir melhor com a notícia de Milo ter passado mal, o que fez com que Kamus sentisse uma forte vontade de esmurrá-la. Nem Kamus se reconhecia mais...
- Não é possível que ele tenha bebido tanto em tão pouco tempo, Marin. Ele deve ter ficado doente.
- Bom, eu bem que falei para a Shina que foi maldade roubar o casaco do Milo.
- Shina? – Shaka interessou-se um pouco pelo assunto.
- Sim, Shaka. A Shina estava aborrecida com o Milo por algum motivo e resolveu roubar o casaco dele. Desde então ela parece obcecada por chamar a atenção do Milo. Também, ele é lindo! – tudo bem que Marin se apaixonara por Aioria, mas quem deixaria de notar a beleza de Milo? (certo, observação da Virgo-chan e não da Marin!).
- Roubou o casaco dele? Do Milo? La femme34 queria fazer ciúmes para ele ou matá-lo de pneumonia?– Kamus estava revoltado. Ele torceria o pescoço de Shina se ela aparecesse na sua frente.
- Sei lá! Acho que ela faria qualquer coisa para chamar a atenção do Milo! A Shina é boa pessoa, mas tem o gênio do cão! Mas o Milo e o Aioria são muito amigos, certo? Se o Milo passou mal, claro que o Aioria sairia correndo atrás dele. – Marin estava consideravelmente mais animada.
- Isso me parece uma certeza, Marin! O Aioria parecia tão desesperado que dava dó. E aquele outro grego, o Saga, foi também – Kamus notou que o tom de voz de Afrodite estava diferente, mais sonhador.
- Nós deveríamos ligar para eles? - Kamus tentou parecer o mais impessoal possível, mas Afrodite, sensível como era, notou.
Shaka estava transtornado com o rumo da conversa. A Shina com ciúmes do Milo. Poderia ela ter beijado o Mu para fazer ciúmes para o Milo? Ele tentou se lembrar se o Milo estava por perto quando a Shina beijou Mu. Shaka acabou seu whisky e voltou para a boite.
- Ué! O que deu nele? – Afrodite, apesar de abatido, ainda se interessava pela vida dos outros.
- Não sei. – mas Marin parecia não se importar com mais nada.
Somente Kamus vislumbrava o que tinha levado Shaka a sair daquele jeito. Mas ainda assim pensou que definitivamente Shaka não estava bem para voltar para aquele lugar infernal com aquela música abominável!
Um pouco depois eles viram três pessoas saírem da boite. Com tantos casacos, era difícil dizer quem era quem, mas um deles era muito alto! E os três entraram em um táxi. Marin saiu correndo e entrou no táxi atrás deles.
E Kamus e Afrodite lá ficaram, cada qual perdido em seus pensamentos.
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Saga ajudava Milo a se vestir e a secar os cabelos.
Durante todo o tempo em que o ajudara, ele evitara notar as marcas no pescoço e no peito de Milo. Marcas que ele mesmo, em seu desejo egoísta, fizera. Como ele poderia se desculpar com Milo? Mas a verdade é que Milo nem mesmo parecia se lembrar do ataque que sofrera. Ele estava tão diferente dele mesmo que chegava a assustar. Ele não falava, não sorria, e estava incrivelmente fraco. Seus olhos estavam vidrados e ainda escuros. Seus movimentos estavam lentos, como se demandassem um esforço tremendo. Vê-lo assim atingia Saga como uma bofetada.
- Milo? Toma o remédio. E eu preciso ver se a febre baixou.
- Tá.
- Senta na sua cama que eu vou buscar o termômetro.
- ...
- Milo! MILO! – Milo deitara na cama e lá permanecia inerte. Saga tirou a febre (que baixara para 39.1º) e se assegurou que Milo estava bem - Aioria, fica com o Milo que eu vou ligar para o médico. Vê se fala com ele!
E Aioria tentou. Tentou mesmo falar com Milo:
- Milo, seu maldito! Fica bom logo que tu tá me matando de preocupação. Idiota!
- Tá, fui eu. Fui eu que peguei os livros!
- Que livros? FOI VOCÊ MESMO QUEM PEGOU MEUS LIVROS? – algum lampejo de compreensão vibrava na voz do Aioria.
- É.
- E VOCÊ ME DEIXOU BRIGAR COM O AIOROS?
Saga entrou e interrompeu a conversa. Como o maluco do Aioria berrava com o Milo naquela situação? Será que eles nunca podiam parar de brigar?
Mas Aioria estava a ponto de chacoalhar Milo. E Milo parara de responder, pois batia os dentes de frio. Saga não teve dúvidas, afastou um espantado Aioria e deitou em cima de Milo até que ele parasse de tremer.
- O que falou o médico? – mas Saga podia sentir a suspeita na voz de Aioira. Será que até ele tinha notado o interesse de Saga? OU será que era pela estranha história dos livros?
- Pediu para ligar em 30 minutos. Ele ficou aliviado que a febre começou a baixar.
- Cara, eu também estou aliviado! Eu já vi o Milo doente, mas nunca assim!
- É. Ele não está bem!
- Será que a gente devia tê-lo levado para um hospital? – sim, só agora Aioria pensara naquilo.
- Não, acho que ele está melhorando.
- Será? Essa história dos livros...
- Que livros?
- Uma vez ele roubou meus livros e trocou por revistas de sacanagem. Eu fiquei suspenso por 7 dias. E achei que fosse o Aioros quem tinha armado. Acho que ele estava falando disso. Ele está delirando.
Por um momento Saga considerou aquela informação. E essa agora? Ele precisava falar com o médico! Nesse momento o telefone tocou. Quem seria àquela hora da noite?
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Afrodite (sempre ele) tinha em sua agenda eletrônica o telefone da casa de Milo e Aioria. E Kamus resolveu ligar! Verdade que cada um por suas razões queria ligar, mas a vontade de Kamus prevaleceu. E, infelizmente, foi Saga quem atendeu:
- Alô? – imediatamente Kamus sentiu sua raiva subir a ponto de ebulição.
- Comment35 está o Milo? – Saga, por seu lado, também sentia raiva do maldito francês.
- Bem. Mais alguma coisa?
- Sim, levá-lo para um hospital!
Afrodite, que ouvia a conversa, não acreditava em como Kamus estava sendo desnecessariamente antipático com quem quer que fosse que tivesse atendido o telefone.
- Para sua informação, estamos falando com um médico, que está monitorando a situação. Pode parar de se preocupar – e de se meter, pensou Saga. E Saga bateu o telefone, desejando que o francês desaparecesse.
Kamus praguejou em francês. Agora ele não tinha informações e teria que explicar para Afrodite o que acontecera.
- Bom, Kamus. Acho que está na hora de me explicar o que está acontecendo, certo? – sim, Afrodite, definitivamente não perdera o interesse pela vida dos outros.
- Claro, Flor! Desde que você também me explique, n´est pas? – sim, às vezes, até mesmo Kamus tinha interesse pela vida dos outros.
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Passado o sufoco, Saga foi se arrumar para dormir. Claro que no caso dele era uma tarefa complicada e metódica. Ele tinha várias etapas a cumprir antes de finalmente poder se recolher para dormir. Mas nessa noite ele pularia o cigarro.
Antes de ir para o seu quarto Saga voltou para o quarto de Milo e encontrou Aioria dormindo em sua cama. Milo também estava dormindo. Saga tirou-lhe novamente a temperatura (38,5º) e ligou novamente para o médico, que mandou que ele lhe ligasse pela manhã ou mesmo à noite, caso algo ocorresse. Disse que delirar era normal quando a febre era muito alta, mas se continuasse que ele deveria ligar novamente.
Sem ter mais o que fazer, Saga resolveu ir dormir. Mas como? E a preocupação com Milo? Ele sabia, por experiência própria, que Aioria tinha o sono pesado. Não dava para confiar caso Milo acordasse ou a febre aumentasse.
Saga suspirou. O que fazer?Ele pegou seu travesseiro e um cobertor, sentou-se ao lado da cama de Milo e encostou-se na parede, pronto para dormir sentado no chão. Mas pelo menos o desconforto lhe daria tranqüilidade...
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Shaka procurou por Mú em toda a boite. Na verdade, dos conhecidos, só encontrou os graduandos do programa de intercâmbio e os dois amigos do Saga (um deles parecia mais do que feliz cantando algo em espanhol para uma loira embasbacada!). Já o outro parecia plenamente disposto a estrangular o copo que estava segurando.
Não adianta! Ele deve ter ido embora! – pensou Shaka.
E, com vontade de se dar um ponta-pé, Shaka foi para a própria casa. Ele sabia que não dormiria naquela noite.
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Milo acordou sentindo que fora atropelado por um caminhão. E que engolira um guarda-chuva!
O que acontecera? – pensou. E partes da noite voltaram como flashes em sua cabeça! A música, a sua vontade de dançar, uma sensação gostosa de estar nos braços de alguém muito, muito querido. Mas, aos poucos, os flashes foram substituídos por sensações ruins, que Milo não conseguia identificar a quais fatos estariam ligadas. Dor, medo, desrespeito, mal estar, a sensação de ter saído de si mesmo, o frio.
Meus Deus! O que ele fizera desta vez, para não ter nem mesmo uma lembrança inteira?Tudo bem que ele já fizera inúmeras bobagens, mas nunca tinha acordado no dia seguinte daquela forma.
E Milo abriu os olhos. Doía. Tudo estava estranhamente desfocado. Ele demorou para identificar que a iluminação estava reduzida. E demorou mais alguns segundos para notar que Saga estava dormindo sentado ao lado de sua cama, com a cabeça apoiada no seu próprio travesseiro. Ele estava descoberto e se abraçava para se proteger do frio.
Milo foi tomado por uma onda de gratidão! Ele se lembrou de Saga ajudando-o a subir a escada. Ajudando-o a se trocar. Ele sabia que fora Saga quem, por diversas vezes durante a noite, tomara sua temperatura, dera-lhe água, e o esquentara quando o frio ficara insuportável. Saga fizera tudo aquilo por ele!
E ainda agora Saga estava ali, ao seu lado. Gentilmente, Milo tocou o rosto de Saga, que imediatamente abriu os olhos, assustado. E assustou-se ainda mais a ver o rosto de Milo tão próximo do seu.
Os olhos de Milo ainda estavam escuros, mas ele parecia melhor. Seu cabelo caía bagunçado. Seu rosto não estava tão pálido. E em seus lábios havia um leve sorriso. Saga o olhava maravilhado, sem nada falar.
- Saga? Está com frio?
- Você está bem? – e Saga já ia sentir a temperatura de Milo, quando teve sua mão segura por outra mão.
- Saga, você está com frio. Entra aqui debaixo dos cobertores. Senão é você quem vai ficar doente!
Saga estremeceu com o toque, mas literalmente tremeu com o que Milo falou. Teria ele dado esta sorte? Será que Milo o perdoara? Será que se importava com ele? Mas, tomado pelo sono e pelo frio como estava, ele entrou na cama sem analisar cada uma das implicações daquele convite.
Saga sentiu-se feliz!
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É isso! Espero que vocês tenham gostado desse capítulo! Eu sei, eu sei! Coitados do Mu e do Shaka. Eu também adoro os dois! Não gosto de fazê-los sofrer! Mas arianos e virginianos são TÃO diferentes. Só pode dar nisso...
Bom, a Virgo-chan gostaria de anunciar que está muito feliz! A fic teve um número recorde de acessos e atingiu a marca de 20 reviews (Eu não mereço!). Obrigada! Obrigada a todos os que estão acompanhando e obrigada, especialmente, às reviews da Gigi, Gemini Kaoru, Elena, Nocnas e Musha (querida Musha, não fique tão brava com a Shina. Ela é legal, mas impulsiva!).
Se quem estiver lendo puder deixar reviews, eu ficarei eternamente agradecida.
Beijos da
Virgo-chan
Mai/06
-
1 Cama e Café da Manhã
2 Modesta menção a Hamlet, de Shakespeare.
3 Esta manhã.
4 Dois meninos
5 idiota
6 Sim, sim. Sem dúvida.
7 OK.
8 Belo cabelo
9 Venha aqui.
10 De acordo.
11 Não, não é verdade, Milo.
12 Não é?
13 Não é possível.
14 diferente
15 o mundo
16 homem
17 O pequenino
18 Eu creio
19 muito
20 olha
21 aqui
22 Eu penso
23 Uma garota
24 Segundo andar
25 Eu gosto
26 Não, obrigada
27 mãezinha
28 menino
29 Devagar, garota
30 Eu também
31 Como está você?
32 Por favor
33 Capital do Tibete no exílio.
34 A mulher
35 Como
