The Cheat - Um novo começo para todos nós.
1 - Saint Seiya não é meu, nem seus personagens.
2 - Não fui eu quem chamei o MdM de Carlo e não sei quem foi, mas estou usando aqui.
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Aiolos havia acordado bem cedo naquele dia, como em todos os outros. Como estava frio e chovendo, o grego se mantinha na cama, coberto e fingindo que dormia, como sempre. Se tudo estava tão normal, então por que ele sentia que havia algo estranho? Talvez porque Carlo não estava na cama, e sim sentado em uma poltrona que ficava próxima.
Aquilo vinha acontecendo muito de um mês até aquele dia, e Aiolos temia que o outro estivesse passando por um período difícil e talvez não quisesse lhe falar. Temia mais ainda que o italiano tivesse descoberto seu segredo. Se fosse isso, sua posição estaria realmente comprometida: amava Carlo, realmente o amava demais, porém... Sim, havia um porém. Aiolos nunca sentiu pelo marido o que sentia por Shura!
Não sabia o que era, mas só de ver o espanhol sentia a barriga congelar, se arrepiava todo e começava a suar. Quando estavam juntos, Aiolos esquecia de tudo ao seu redor para se concentrar apenas em Shura e no que ele falava, ou no modo como ele o tocava. Eram coisas simples, mas já não as sentia tanto com Carlo.
Enquanto pensava naquilo, ouviu um barulho. Provavelmente Carlo se levantara para ir tomar banho e se arrumar, e logo depois Aiolos adormeceu. Quando acordou novamente, o italiano já havia saído para o trabalho. Sim, seu marido estava estranho há um mês... Acordava mais cedo do que o normal, já não tomava café-da-manhã em casa e quase não tinha mais tempo para o grego. "Mas afinal, eu não posso reclamar...", pensava Aiolos.
Ele se sentia angustiado, culpado, se sentia perdido. Por que o espanhol voltara? Afinal, com Carlo, ele estava tão feliz! Mas, ele voltara... E quando isso acontecera Aiolos perdeu seu rumo.
Ainda se lembrava. Aiolos amou Carlo desde que ficaram juntos, mas sabia que ninguém acreditava nele.
Afinal, Shura o havia trocado por outra pessoa naquela época e todos acharam que o grego só queria fazer ciúmes ao ex-namorado e para isso usava o atual.
No início, sempre recebia aquele olhar desconfiado do irmão, quando falava dos programas que fazia com o italiano. Sabia que Aiolia não fazia por mal, já que aquilo fazia parte da fama que ele tinha construido para si mesmo.
Se a memória não falhava, só foram acreditar em seu amor por Carlo quando Shura decidiu ir para a Espanha, e mesmo assim Aiolos continuou namorando. Sentiu-se meio desolado naquela época, mas ainda assim não ligava muito para os comentários deles.
Tivera um ano maravilhoso com o italiano desde então: O namoro era tranquilo, ao mesmo tempo em que a relação na cama era cada vez melhor e sempre estavam saindo juntos para fazer coisas divertidas ou apenas namorar mesmo. Ao final do ano, Carlo o chamou para morarem juntos num belo apartamento que o italiano tinha, e logo ambos estavam dividindo o mesmo quarto, a mesma cama e uma vida. Uma vida que parecia perfeita. Até mesmo um comercial de pasta de dentes sentiria inveja do casal! Foi quando aconteceu.
Aiolos caminhava tranquilamente pela rua, vendo as lojas e pensando no que compraria de aniversário para Carlo, quando esbarrou em alguém. Foi levantando os olhos aos poucos para ver quem era, já exclamando um "desculpe" sem terminar de levantar a cabeça. Quando seus olhos chegaram ao rosto do outro, gelou.
Não havia mudado nada... Shura estava exatamente igual ao que sempre fora. Os olhos penetrantes, o cabelo espetado com gel e parecia que nem o corpo mudara. Mas de repente, aquilo recomeçou... Enquanto se olhavam, quietos, Aiolos sentiu a barriga congelar e as mãos suarem, além do rosto corar um pouco.
- Aiolos... Quem diria que iria encontrá-lo aqui? – disse um surpreso Shura.
- Eu quem digo isso, Shura. Não estava na Espanha? – Aiolos falava como se estivesse calmo.
- Estava, mas voltei há poucos dias, pois fui transferido. Vim comprar algumas coisas para meu apartamento novo. – Dizia calmamente.
- Oh, que bom que está de volta. – Sorriu. Não, não era nada bom!
- Obrigado. Como vai o Carlo? Está chegando o aniversário dele, não? –Shura e o italiano eram amigos próximos..Sempre se haviam dado bem, mesmo depois que o canceriano e o sagitariano haviam decidido por ficar juntos.
- Vai bem, sim. Obrigado por perguntar. É. Eu vim comprar um presente para o Carlo. – Suspirou profundamente. Achou que seria uma boa surpresa se... – Por falar nisso, Kamus está organizando uma festa para ele em sua casa. Por que não dá uma passada lá? Acho que ele ficaria contente em te ver! Vai ser no dia do aniversário mesmo.
- Tudo bem, então. Vai ser bom poder me reunir com eles de novo. – Shura sorriu.
Aiolos veria mais tarde que aquela havia sido uma péssima idéia. Eles se separaram ali e depois o grego foi comprar o presente de Carlo. Passaram-se alguns dias e tudo em que Aiolos podia pensar era em Shura e que o veria novamente em breve, mas tentava afastar aqueles pensamentos.
Até que finalmente chegou o dia da festa. Aiolos não se lembrava muito do que aconteceu naquele dia, só se lembrava da felicidade de Carlo ao ver a festa e principalmente ao ver Shura ali. Na verdade, ainda tinha mais uma coisa de que ele se lembrava. Como poderia se esquecer? Afinal, foi ali que seu inferno começou.
Queria dizer que estava bêbado quando aquilo aconteceu, mas não estava. O grego e o espanhol estavam mais que sóbrios. Aiolos tinha ido à cozinha buscar uma bebida quando Shura entrou, aparentemente com a mesma intenção. Ambos bebiam a bebida, sem graça, sozinhos ali. Quando o grego foi saindo do cômodo, sentiu Shura segurá-lo pelo pulso. Virou-se para ele ouvindo-o perguntar se sentia saudades da época em que namoravam, assim, sem mais nem menos. Aquilo bastou para o grego.
Aiolos beijou Shura sem nem responder a pergunta, ou se importar se alguém os via. Beijaram-se intensamente, se agarrando ali mesmo, como se fosse há dois anos. Pelo risco de alguém entrar no local, foram discretamente para o banheiro e aconteceu. Aiolos ainda se lembrava dos braços de Shura o envolvendo com necessidade, dos movimentos fortes do outro e dos gemidos que tentava abafar para ninguém desconfiar do que estava acontecendo.
Também se lembrava de como os dois haviam ficado um tempo abraçados ali mesmo, conversando sobre o que ocorrera. Naquela hora, tivera consciência de que Carlo estava num cômodo próximo, que era o aniversário dele... E também sabia muito bem o que fazia quando aceitara a proposta do espanhol de se verem novamente.
Depois da transa, saiu antes do espanhol e voltou para a festa, para o lado de Carlo, agindo como se nada daquilo tivesse acontecido, por mais que não conseguisse fazer seu coração bater mais devagar ou evitar os olhares para Shura.
Naquela mesma noite, quando voltaram para a casa, só via a felicidade estampada nos olhos de Carlo, ouvia os agradecimentos do outro por aquela festa incrivel, cada vez se sentindo pior, mas escondendo aqueles sentimentos. Não tinha mais volta agora. Naquela mesma noite, talvez ainda pela culpa, Aiolos acabou transando com Carlo para esquecer do que tinha feito.
E assim completou-se um ano. Carlo era muito amigo de Shura. Sempre saíam juntos, e tudo que Aiolos podia pensar quando não estava com eles era em como Shura deveria estar se sentindo. Nenhum dos dois fazia aquilo por mal, ou para magoar Carlo. Era apenas porque... Se amavam. Todos os dias, sem excessão, Aiolos pensava no que sentia por Carlo. Sabia que se o trocasse por Shura, isso acabaria com o italiano.
Uma vez, em uma das mensagens que trocavam para combinar data, local e hora para se encontrarem, Shura comentou sobre a traição que faziam a Carlo. O grego ficou chateado com aquilo, mandando uma mensagem que dizia que o outro sabia o motivo pelo qual ainda estava com o italiano. Simplesmente porque não queria vê-lo sofrer. Combinaram o encontro, e tudo correu como o planejado. Quase tudo. Como acontecia algumas vezes, Carlo chegou antes de Aiolos, mas aceitou perfeitamente a desculpa de que o mesmo tivera que trabalhar até mais tarde.
Naquele ano, Aiolos aprendeu a mentir para uma das pessoas que mais amava. Pouco tempo depois de mandar aquela mensagem, seu celular deu um problema na configuração, e Carlo foi consertar. O grego deixou na maior boa vontade, até se lembrar que não tinha apagado a mensagem que mandara ao espanhol. Gelou nessa hora, mas fingiu que nada estava acontecendo.
A tarde para ele passou monótona. Tinha saido de casa depois do café e ido trabalhar, como sempre. Isso até que Shura ligou para ele, já sabendo que Carlo não estava por perto, e falou com certa urgência:
- Olos... Eu preciso te ver.
- Shura, mas agora? Você sabe que eu trabalho... E na sua casa tem o Saga!
- Aiolos.. Por favor... Já faz quase um mês!
- Shu... – Aiolos respondeu num tom manhoso – Como pretende fazer isso...?
- Não sei... Você não me mandou mais mensagens depois que o Carlo viu seu celular, então eu também não mandei. Por favor... Em qualquer lugar, qualquer hora, mas precisa ser hoje! – Shura tinha uma óbvia urgencia pelo grego
- Tudo bem, tudo bem... – Acabou deixando-se levar pelo desespero do outro, pensando. – Vou pedir para sair mais cedo e vamos para a minha casa. Tudo bem para você? Afinal, o Carlo ainda vai demorar a chegar.
Shura suspirou, aliviado.
- Claro, claro. Já vou indo para lá.
E assim os dois sairam de seus trabalhos. Aiolos era um arquiteto conhecido e tinha uma empresa com um amigo, o que facilitava bastante as coisas para ele em horas como aquela.
O grego pegou o carro e foi correndo para casa, afinal também estava louco para encontrar Shura. Sabia que sempre que ficavam tanto tempo sem se ver o sexo era ótimo, então isso o deixava ainda mais ansioso. Assim que chegou lá, estacionou o carro na garagem e foi para o apartamento.
Sorriu ao ver a porta do elevador se abrindo e encontrar Shura ali, esperando por ele. Começaram a se beijar no pequeno hall mesmo, enquanto Aiolos tentava abrir a porta ao mesmo tempo. Faziam tudo rápido, pois havia o risco de Carlo chegar a qualquer momento. Mas não iria acontecer, afinal, ainda eram apenas cinco horas da tarde.
Aiolos foi conduzindo o outro até seu quarto, ainda o agarrando e beijando-o, desejando o corpo do espanhol. Logo ambos estavam no quarto de Aiolos e Carlo, e Shura deitou o grego na cama. O mesmo foi tirando as roupas enquanto via seu acompanhante fazer igual, sorrindo ao observar o corpo perfeito do outro.
Shura se deitou sobre Aiolos, beijando-o com luxúria novamente e virando-se, de modo que o grego ficasse em cima. Parou o beijo para olhá-lo nos olhos enquanto o puxava para baixo de modo a se sentar sobre o espanhol, o que fez os dois soltarem um longo gemido.
Aiolos foi se movimentando rapidamente, passando as mãos pelo peito do espanhol. O grego sentiu o outro beijando sua orelha, gemendo mais com aquilo. Lembrava-se de quando Carlo fez isso nele. Já o traia com Shura e ficou com peso na consciência ao sentir aquele carinho, dando a desculpa de que não gostava.
Mal reparou quando o próprio italiano entrou no quarto e os viu daquele jeito. Apenas notou quando ouviu sua voz, e gelou na hora.
- É bom que aproveite bem, Aiolos, pois essa é a última vez que se deita nessa cama. Quando eu voltar, quero você fora daqui com todas as suas coisas. – Aquelas palavras ditas de forma tão dura por Carlo acabaram com o grego. Sabia que as merecia, mas imaginava o que o outro deveria estar sentindo. Em momento algum quisera machucar Carlo.
Levantou-se na hora, enrolando o lençol na sua cintura rapidamente e sentindo os olhos arderem, quase teve a porta batida na cara graças à fúria do outro. Tentou correr atrás de Carlo enquanto o italiano saia do apartamento, mas já era tarde demais. Ele se fora e Aiolos sabia que jamais iria vê-lo novamente. Com aquele pensamento, se ajoelhou no chão e começou a chorar, se culpando pela infeliz decisão que tomara há um ano atrás.
Se tivesse contado para Carlo logo no início... Talvez as coisas não terminassem daquela forma. Aiolos sabia muito bem que Shura estava com ele apenas porque Saga já não o satisfazia como antes. Lembrava-se que uma vez ouviu Kanon comentando com Afrodite que o irmão estava tendo problemas com o espanhol.
Aiolos também chegou a duvidar do que sentia por Shura algumas vezes. Quando estava ali, ajoelhado e chorando, finalmente percebeu que com o espanhol era apenas desejo, Carlo lhe oferecia algo concreto, algo que o grego sempre quis. Afinal, percebera tarde demais a intensidade do amor pelo italiano.
Shura o ajudou a se recompor. Era visível que também estava abatido. Quando Aiolos já estava melhor, respirou fundo e virou-se para o espanhol enquanto se vestiam.
- Shu... É melhor pararmos... – Ainda sentia os olhos ardendo e a face molhada, vestia as calças nessa hora.
- Olos, mas agora? Como você vai ficar? - Shura parecia sério, mas entendia o que o outro passava.
- Eu vou ficar bem... Por favor... Eu só não quero... Não consigo mais continuar com isso! – Olhava-o, até que sentiu o abraço do outro.
- Tudo bem, calma... Essa relação acaba aqui. Mas Aiolos... Não faça nenhuma besteira, certo? – Observava os olhos do outro, preocupado.
O grego concordou. Assim que Shura saiu, começou a arrumar suas malas. Sabia que não tinha escolha e que não adiantaria tentar conversar com Carlo enquanto o outro estivesse bravo. Enquanto guardava suas coisas para ir para um hotel, via entre os objetos que ia pegando alguns presentes de Carlo, que foram todos deixados ali. Aiolos não merecia aquelas coisas.
Terminou de arrumar as coisas, dando mais uma olhada no quarto e nas fotos dele com Carlo. Depois disso, foi até a sala para escrever uma carta para o marido... Ou melhor, ex-marido
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Carlo,
Perdoe-me por fazer o que eu fiz. Creio que saiba os motivos para que eu tenha agido dessa maneira e que não tem nada a ver com você. Mas tenho que admitir que fiz uma besteira, pois apenas agora percebo que estava obcecado por Shura pelo que tivemos anos atrás, e me esqueci do que eu tinha com você.
Não espero que me perdoe logo, pois sei que não o fará. Também sei que as chances de que me aceite de volta são mínimas. Não foi justo o que eu fiz e você merece ser mais bem tratado. Apenas gostaria que pudéssemos conversar algum dia, e que talvez ainda me aceite ao menos como amigo.
Eu te amo, por mais que não acredite.
Aiolos.
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Aiolos dobrou aquela carta e a colocou sobre a mesa, em frente à televisão da sala. Olhou novamente o apartamento e, suspirando, saiu dali. Deixou a chave sob o capacho e se dirigiu à garagem, onde pegou seu carro e foi para um hotel.
Continuava a se amaldiçoar, quebrado por dentro, e sem ter a quem recorrer. Por mais que os amigos gostassem dele, nenhum iria apoiá-lo naquele momento, e nem deveriam mesmo.
Sentia-se sozinho, o pior dos cafajestes. E merecia aquilo.
Só conseguia pensar nisso e em como Carlo devia estar se sentindo enquanto se registrava no hotel. Sem nem perceber, já estava subindo o elevador com as malas e entrando no pequeno quarto. Suspirou. Só queria voltar no tempo, não ter reencontrado Shura, ou não tê-lo cumprimentado.
Abraçou-se e fechou os olhos, sentado na cama. Agora estava sozinho, e estaria sozinho até que, e se, o outro pudesse perdoar seu grande erro.
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Tá, podem matar. Depois de meio século sem atualizar a fic, eu termino esse capítulo desse jeito! Mas ainda tem muitas coisas para acontecer nos dois capítulos finais. O próximo capítulo vai contar como o Shura viu tudo o que se passava e o que aconteceu com ele também. Deixem reviews e façam uma criança feliz \o/ Super agradecimentos à Muk, à Akane e à Eliz, que betaram minha fic. Obrigada pela paciência com os meus infinitos erros. E agradeço também os comentários que vieram \o/
