História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Atenção: Verifique a classificação da fic, antes de ler este capítulo.
Capítulo 10 – Pós-balada – Parte II
Kamus praguejou em francês. Agora ele não tinha informações e teria que explicar para Afrodite o que acontecera.
- Bom, Kamus. Acho que está na hora de me explicar o que está acontecendo, certo? – sim, Afrodite, definitivamente não perdera o interesse pela vida dos outros.
- Claro, Flor! Desde que você também me explique, n´est pas1? – sim, às vezes, até mesmo Kamus tinha interesse pela vida dos outros.
Bom, era a hora da verdade. Será que Afrodite conseguiria a coragem necessária para colocar em palavras toda a mágoa que o acompanhava?
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Afrodite viera a Londres com alguns amigos da Suécia. Todos falavam que aquela cidade era maravilhosa, mas ele não conseguia achar. Tempo úmido, céu cinzento. A cidade sofrera muito na II Guerra Mundial e fora reconstruída às pressas. Sem glamour, pensava Afrodite. Até que viu os dois...
Lindos! Morenos! Gêmeos! Era impossível não notá-los! Impossível não querê-los. E Afrodite os quis com todas as suas forças. Um parecia mais fechado e o outro mais brincalhão. Foi o mais despachado que notou Afrodite e cutucou o irmão, que se virou e olhou Afrodite diretamente nos olhos.
Talvez tivesse sido naquele momento que ele perdera o controle do seu coração. Talvez tivesse sido mais tarde. Mas o que importava? O importante é que ele se deixara levar por aquele olhar sério, por aquele jeito controlado, por aqueles olhos escuros.
E foi com esse sentimento que acompanhou os dois até a casa deles. Somente Kanon parecia interessado nele. Saga, de vez em quando, lhe lançava um olhar inquisidor. Como se quisesse saber o que poderia pensar um ser tão diferente dele mesmo. Mas Afrodite via naquele olhar o que ele queria. Ele achara que vira um brilho de desejo nos olhos de Saga. Caberia a si fazer aquele desejo se transformar em algo mais duradouro.
Tão logo entraram em casa, Kanon o agarrou, arrancou-lhe a roupa e começou a prepará-lo para a penetração. Saga somente ficou olhando, do outro lado do quarto. Nem por um minuto Afrodite deixou de olhar para os olhos de Saga. Quando Kanon começou a possuí-lo, Saga veio para perto e beijou-lhe a boca. A partir daí, Afrodite não soube mais quem era quem. Os dois eram idênticos. Os dois eram excelentes amantes. Os dois o levaram à loucura completa. Mãos, beijos, pernas, gemidos. Tudo se misturou. Nunca, nunca mais ele tivera uma relação tão prazerosa. Era como um sonho.
Findo o sonho, porém, veio o despertar cruel.
- E aí, Saga. Vai me dizer que não gostou. Vai continuar a me criticar como nossos pais?
- Não, Kanon. Não gostei. Não entendo porque você abandonou nosso país e magoou tanta gente somente para isso – e apontou para Afrodite com desprezo.
Saga, então, pegou sua roupa e se foi. Afrodite nunca mais o vira. Kanon nem mesmo tentou justificá-lo. Ele simplesmente rira e possuíra Afrodite mais uma vez.
Sim, doía. Doía como uma punhalada nas costas. Naquele momento ele entendera a expressão. Era uma dor localizada, forte, aguda. Como uma punhalada. Engraçado como essas expressões idiomáticas faziam sentido... Mas a verdade era que a dor de ser usado e desprezado era muito forte. Forte demais para que ele conseguisse continuar. O tempo parecia ter parado para que ele sentisse aquela dor em toda sua intensidade.
Mas, eventualmente, a dor diminuiu. O tempo passara, afinal. Quatro anos. E a dor passara com o tempo. Ele achou realmente que estava curado, até vê-lo novamente. Daí Afrodite notou que a dor sempre estivera lá, enterrada, esperando o momento certo para voltar. Fora ela que determinara que ele viesse a Londres estudar. Fora ela que determinara que ele se aproximasse de Milo, outro grego. Fora ela que se incumbira de fazer com que Saga reaparecesse na sua frente!
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Como ele podia contar tudo isso a Kamus?
- Bom, Kamus... Digamos que eu conheci o Saga há muitos anos. Ele aparentemente não se lembra de mim, mas eu me lembro da mágoa que ele me causou.
- E você quer vingança? – Kamus tinha um jeito objetivo e pragmático de se colocar, isso Afrodite tinha que admitir.
- Não sei, Kamus. O choque de vê-lo ainda não passou. Eu não sei bem o que quero. Mas acho que eu queria que ele tivesse olhado para mim como ele olhou para o Milo – touché2pensou Flor.Agora seria o Kamus a explicar.
- Realmente ele pareceu interessado no Milo. – Kamus falava com cuidado, tanto que não falava em francês.
- Mais do que interessado, eu diria. Acho que apaixonado seria mais adequado – touché de novo, pensou Afrodite.
- Você acha?
- Tenho certeza. Eu só não sabia que o Milo jogava neste time.
- Acho que nem ele mesmo sabe que joga. – Kamus tinha certeza de que Milo o queria. Mas achava que nem mesmo Milo havia notado.
- Então acho que o Saga terá todo o interesse em mostrar em qual time o Milo joga! – uma nota amarga permeou a fala de Afrodite e Kamus notou.
Non, non, mon ami3! Acho que não é vingança o que você quer. E os dois continuaram a beber, como se nada mais tivesse importância.
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Mu chorava compulsivamente. Como bom ariano, ele não tinha problema algum em demonstrar suas emoções. Elas eram fortes e deviam ser postas para fora. Se ficassem dentro, certamente ele seria contaminado pela tristeza.
Shina, Marin e Aldebaran ficaram com ele o tempo todo. Aldebaran lhe deu uma bebida transparente, que queimava como fogo.
- Para afogar as mágoas, Mu. Nada melhor do que uma braba!
Mu tomou e engasgou! O que era aquilo, afinal? Fogo líquido? Mu não estava acostumado a beber e disse a Aldebaran que não queria mais.
Então foi a vez de Marin. Como japonesa, ela preparou para Mu um bom chá de jasmim.
- Acalma os nervos! – disse Marin.
Mu tomou o chá, mas o achou totalmente sem gosto. Não se sentiu mais calmo, absolutamente.
Então veio Shina, com uma enorme almofada verde berrante.
- Mu, quando eu estou muito nervosa, eu soco esta almofada até me acalmar. Por que você não tenta?
E Mu socou a almofada até suas mágoas se afogarem, até seus nervos se acalmarem. Até finalmente ele fechar os olhos e dormir.
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- Kamus. Fala para mim! Você está a fim do Milo, certo?
Após quase uma hora em silêncio, Flor resolvera saciar sua curiosidade. Tudo bem que ele tinha seus próprios problemas, mas ainda havia espaço para se preocupar com os assuntos dos outros, oras!
Kamus, por seu lado, parecia menos inalcançável do que o normal. Ele estava em uma terra estrangeira. Sua família não estava por lá. Por que ele não poderia falar? Sim, ele estava DESESPERADAMENTE a fim do Milo! Como nunca estivera a fim de alguém.
Ele se lembrou dos belíssimos olhos azuis de Milo. De seu sorriso sempre presente. De seu cabelo cacheado. De seu rosto bronzeado. De seu corpo perfeito. Lembrou-se como Milo o olhara. Mas, mais do que tudo, ele se lembrou novamente de Milo desmaiando em seus braços. Como quisera protegê-lo! Como ele brigaria com o mundo por Milo! Sim, ele era gay assumido. Ele não se achava limitado por aqueles valores hipócritas da sociedade. Ele podia falar, afinal!
- Sim, Flor. Eu estou a fim do Milo. Mas non sei bem qual é a dele! – pronto! Ele falara e não doera. Ele falara e o chão não se abrira.
- E como você pretende saber?
- La manière normale4! Perguntando!
Sim, ele falara e quebrara um padrão aquariano de comportamento. Mas isso não queria dizer que ele se comportaria como os representantes dos demais signos. Ele era aquariano afinal! Ele não iria ficar perdendo tempo com romantismos idiotas. Ele tinha mais o que fazer, certo?
Flor suspirou. Como fazer um aquariano entender que o mundo não funcionava do jeito dele? Ele até concordava que por vezes seria bom que funcionasse daquele jeito prático. Mas a realidade é que o mundo era diferente. Possivelmente Milo não pensaria como Kamus. Suspirando, Flor resolveu pedir a conta.
E os dois se foram, cada um para sua casa.
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Aioria acordou cedo no domingo. Imediatamente se levantou e foi ver como Milo estava. E qual não foi sua surpresa ao ver Saga dormindo com Milo. Mesmo dormindo, Saga abraçava Milo como se não tivesse a mínima intenção de soltá-lo. Um de seus braços estava sob a cabeça de Milo e o outro o abraçava de modo possessivo.
Sim, Aioria achara estranho todo o envolvimento de Saga enquanto Milo estivera doente. Mas aquilo? Agora Aioria entendia que Saga estava a fim de Milo Não havia como negar! Mas também não havia como negar que sem o empenho de Saga possivelmente Milo teria tido uma convulsão ou algo mais sério.
E, afinal, Milo dormia tranqüilamente, como se nada daquilo o perturbasse. Não cabia a Aioria interferir. Se fosse esse o caminho escolhido por Milo, ele só poderia apoiá-lo. Afinal, eles eram amigos há mais de vinte anos e a escolha de Milo não iria interferir nesta amizade.
E Aioria, mais cuidadosamente do que de costume, saiu e fechou a porta.
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Saga acordou quando Aioria fechou a porta. Ele tinha o sono extremamente leve. Abriu os olhos e deu de cara com Milo, dormindo em seus braços. Lindo! Lindo e entregue em seus braços. E parecia tão indefeso. E totalmente seu.
Uma onda de ternura e desejo o invadiu. Ele não queria machucar Milo. Ele somente o queria. Saga sentiu a temperatura de Milo. Ele estava quente, mas nada preocupante como no dia anterior. Milo não acordou. Com uma das mãos Saga começou a acariciar levemente o rosto de Milo. Milo falou algo inintelegível. Saga não entendeu e continuou a acariciar o rosto de Milo. Então, Milo falou novamente e dessa vez Saga ouviu.
- Kamus?
Saga não acreditou no que ouviu! Kamus? Kamus? Não aquele francês metido e antipático. Não ele de novo! A ternura que Saga sentira sumiu como num passe de mágica. Saga pegou as duas mãos de Milo e as segurou acima de sua cabeça, com apenas uma mão. Com a outra, Saga segurou o rosto de Milo enquanto o beijava com raiva.
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Milo estava tendo um sonho maravilhoso. Sonhava que estava nos braços de alguém muito querido. Alguém que se importava com ele. Alguém por quem ele poderia, afinal, se apaixonar.
Ele tinha certeza que já conhecia essa pessoa, mas não conseguia ver seu rosto. Cada vez que ele tentava, a escuridão o envolvia.
Então ele sentiu que alguém acariciava seu rosto. Levemente. Em seu sonho ele finalmente viu o rosto da pessoa. Cabelos compridos, lisos e esverdeados. Um rosto tão lindo que parecia ter saído do cinzel de um grande escultor. Olhos azuis escuros que o olhavam com amor. Ele o chamou maravilhado:
- Kamus?
Mas a visão se desfez e Milo foi novamente arrastado para um pesadelo no qual o que ele queria era simplesmente desrespeitado. Mas ele não conseguia resistir. Ele não conseguia impor sua vontade. Ele não conseguia nem mesmo mexer suas mãos. O que estava acontecendo com ele afinal?
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Saga beijava Milo quase violentamente. Ele finalmente conseguira que Milo abrisse os lábios e enfiava sua língua com volúpia na sua boca, explorando cada pedaço com gosto. Foi aí que Saga notou que Milo abrira os olhos. Assustados. Assustados, desfocados e com as pupilas dilatadas. Milo ainda estava drogado. Mas tudo bem! Ele não agüentava mais esperar. Milo seria seu.
Milo tentou puxar as mãos, mas Saga estava preparado e não permitiu. Além disso, Milo estava debilitado pela febre alta de modo que ele não tinha forças para se soltar de Saga. Ele torceu uma das mãos de Milo e subiu por cima dele enquanto o prendia e beijava. Milo gemeu, mas Saga não soube se de dor ou excitação. Será que ele iria gemer se Saga interrompesse o beijo? Ou será que ele iria gritar por Aioria? Ele precisava saber! Saga, então, virou Milo de lado, prendeu suas mãos atrás de suas costas e começou a falar em grego bem perto do ouvido de Milo:
- Quando você chamar alguém, que seja eu, ouviu? Eu nunca mais quero ouvir você chamando outro! – principalmente aquele francês insuportável, pensou Saga.
- ...
Milo não gritou. Ótimo! Saga, então, resolveu descobrir se Milo estava gostando. Arrastou sua mão livre para baixo, tocando o corpo de Milo até sua mão localizar a ereção. Feliz, Saga começou a acariciá-la. A princípio por cima da calça, mas logo Saga achou uma brecha para acariciá-la melhor e começou a masturbar Milo de forma intensa.
- Milo? Você é lindo! Você me quer, não quer?
Milo abriu mais os olhos. O que ele poderia responder? Ele o queria, não queria? Milo não sabia ao certo. Sua cabeça estava enevoada. Ele não conseguia pensar claramente e aquilo o estava irritando. E como ele podia pensar direito com Saga fazendo aquilo com ele? Falando daquela forma tão perto de seu ouvido? Foi quando sua excitação tornou-se forte demais. Ele arqueou as costas e gemeu enquanto ejaculava.
Para Saga aquela foi a demonstração que ele precisava. Ele continuou beijando e mordendo Milo. Ele queria possuí-lo, mas sabia que seria errado, sabia que poderia se arrepender. Então ele começou a passar sua mão livre pelo corpo de Milo enquanto se empurrava contra ele. Saga estava tão excitado que acabou por explodir.
Finalmente ele soltou as mãos de Milo e se deitou ao seu lado. Ele sentia a respiração descompassada de Milo. Ele praticamente ouvia as batidas do seu coração. E ele sentia Milo tremer ao seu lado. Mas ele não se importou. Ele não se importou com o fato de que Milo agira durante todo o ataque de modo quase mecânico, sem reagir. Tudo bem que ele agira como um boneco. Desde que fosse o SEU boneco, Milo podia agir como quisesse.
Saga, então, levantou-se e foi ao banheiro se limpar. Logo que saiu do quarto, a consciência pareceu despertar na mente de Saga.
Isso não podia continuar. Não era certo atacar Milo enquanto ele não tivesse condições de resistir. Milo estava drogado e fraco. Ele tinha que parar com aquilo. Ele tinha que conversar com Milo. Ele não o queria como quisera os outros. Ele estava apaixonado por Milo. A verdade, porém, é que uma parte de si estava maravilhada com o fato de Milo se encontrar tão indefeso. E outra parte de si não esquecia o fato de que Milo ficara muito excitado com seus toques. Afinal, por que ele tinha que ser TÃO bipolar?
Saga pegou uma toalha úmida para limpar Milo e voltou para o quarto.
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Milo não sabia em que pensar. Ele estava ultrajado. Saga o prendera, o beijara, o masturbara e ele não fizera nada! O fato de que estava fraco não parecia ser suficiente para explicar tamanha passividade.
O que dera nele? Será que ele queria aquilo? Por que aquelas malditas névoas não saíam de sua cabeça e não o deixavam pensar claramente? Mas apesar de tudo ele não podia ignorar o fato de que ficara extremamente excitado. Seria ele gay, afinal? Tudo bem. Ele podia aceitar o fato de ser gay. Mas ele não podia aceitar o fato de alguém o tratar com o mais absoluto desrespeito. E as lembranças finalmente voltaram... Flashes de luz e música enquanto ele era beijado no banheiro. Saga o machucara, mas ele não fizera nada. Ele não conseguira. Saga abrira sua camisa, o mordera e arranhara, mas ele não reagira. O que havia com ele afinal?
Mas outras lembranças se seguiram. Alguém o ajudara. Alguém em quem ele sentira que podia confiar. Alguém que ele não queria deixar. Ele se lembrava do cabelo liso e macio em suas mãos. Quem seria?
Indignado consigo próprio, com sua fraqueza e confusão, ele tentou se levantar, mas foi tomado por uma forte tontura e se encostou pesadamente na parede, batendo a cabeça. Seu corpo doía. Sua cabeça doía. Ele não conseguia juntar um punhado de vontade nem mesmo para sair da cama. Se possível, aquilo o irritou ainda mais.
Saga imediatamente se materializou ao seu lado. Ele o limpou, deu-lhe água, remédio, e o deitou de novo para tomar sua temperatura. Milo se sentia inteiramente à mercê de Saga e não sabia definir se aquilo era bom ou ruim. Então ele ouviu a voz de Saga:
- Milo? Você está sentindo o que?
- ... – um nó se formou na garganta de Milo. O que ele sentia? Vergonha? Desejo?
- Milo, fala comigo. Me perdoa!
- Me deixa, Saga! – ele não podia perdoar, apesar de saber que Saga cuidara dele o tempo todo.
- Por favor, Mi. Me perdoa. Quando você melhorar, vamos conversar. Pode ser?
- ...
- Então dorme, meu amor. Você precisa descansar para melhorar. Você ficou muito doente.
Meu amor? Desde quando? O que estava acontecendo? Que raio de doença era aquela, afinal? Ele nunca saíra de órbita dessa maneira, nem mesmo na Grécia. E a verdade é que ele fizera coisas inenarráveis por lá. Mas ele nunca ficara assim. Ele nunca se sentira tão confuso. Nem com tanto sono...
Saga tirou o termômetro e ficou olhando para Milo enquanto ele lutava contra o sono. A febre voltara a subir. Vê-lo daquele jeito reforçou sua culpa. Ele iria falar com Milo! Saga faria Milo perdoá-lo. Ele daria um jeito. Faria o que fosse necessário. E ele não iria novamente para cima de Milo até que ele estivesse bem e o quisesse.
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Shaka passara a noite inteira em posição de flor de lótus. Ele precisava pensar. Ele precisava definir como iria pedir desculpas a Mu. Ele iria arranjar um modo de ser perdoado. Mu não merecia ser mal tratado. Mu merecia ser feliz e Shaka iria fazer o que estivesse a seu alcance.
E ele não iria esperar. Ele iria fazer algo agora mesmo. Não se deve viver esperando o futuro. A vida é o presente. E o presente deve ser construído agora mesmo.
Shaka se levantou e foi até o telefone.
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Saga saiu do quarto e foi até a cozinha. Lá estava Aioria, comendo:
- Saga, eu acho que preciso voltar até a boite de ontem. Eu saí sem pagar, não foi?
Saga sorriu enquanto se lembrava do fuzuê armado por Aioria, que gritava que seu amigo estava doente e que ele voltaria para pagar no dia seguinte. Realmente Aioria era um bom amigo.
- É, Aioria, melhor você ir até lá e pagar. Milhares de testemunhas te ouviram gritar que voltaria hoje para pagar.
- Você fica com o Milo? – Saga assentiu – Você... não vai magoá-lo, não é?
Saga olhou diretamente nos olhos de Aioria. Ele sabia!
- Não, Aioria. Não vou fazer nada que Milo não queira.
- Ótimo! OK! Já é meio-dia. Vou até lá! Depois vou ligar para a Marin para pedir desculpas por ontem. Eu acho que saí sem dar nenhuma explicação. Você a viu ontem?
- Vi, sim. Ela é bem bonita, Aioria!
- Linda, não e? E os cabelos dela... E ela é tão meiga. – Aioria entrara no "modo sonhador" e falava de Marin sem notar mais nada.
Saga aproveitou para comer alguma coisa e começar a estruturar como ele falaria com Milo, já que Aioria não estaria em casa. É, Saga era metódico até mesmo para conversar...
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Oi pessoal! Aqui é a Virgo-chan. Espero que vocês estejam gostando! Eu sinto que negligenciei os outros personagens neste capítulo, mas vou me retratar no próximo. Prometo! E para quem for aquariano, esclareço: eu amo os aquarianos! Mas que eles acham que o mundo deve ser do jeito deles, isso acham!
Tenho notado que os acessos estão aumentando muito, o que me deixa feliz! Gostaria de aproveitar para agradecer àqueles que ainda não se sentiram à vontade para me escrever uma review! Se vocês estiverem gostando, eu espero que um dia desses vocês se animem a escrever!
De maneira especial, gostaria de agradecer às reviews mais do que fofas da Patin, da Musha, da Elena e da Gigi (Gigi, espero que você não se decepcione com o Saga!). As reviews foram tão simpáticas que me animaram a escrever e a superar uma semana complicada! Muito obrigada!
Grande beijo da
Virgo-chan
Mai/06
História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Atenção: Verifique a classificação da fic, antes de ler este capítulo.
Capítulo 11 – Mal entendidos
Kamus bateu novamente o telefone. Aquele tal daquele Saga era mesmo insuportável. Ele nunca conhecera alguém tão arrogante. Bom, pelo menos um não francês, tão arrogante, pensou Kamus para ser justo. Sua conversa fora mais ou menos assim:
- Saga? Comment va Milo5
- Não falo sua língua!
- Fala de uma vez como está o Milo!
- Bom, agora que eu te entendo posso te falar que muito bem! – Saga, é claro, ainda estava revoltado com o fato de que Milo chamara Kamus dormindo.
- Você o levou ao hospital?
- Não!
- Ele ainda está com febre?
- Sim!
- Preciso falar com ele.
- Não!
- Comment6?
- Não. Não vai falar com ele. Ele está dormindo e eu não vou acordá-lo para falar com alguém que ele não sabe nem mesmo quem é.
- Vous êtes trés insuportable7
- E você devia aprender a falar inglês! – e Saga bateu o telefone.
Bom, na verdade, difícil dizer quem bateu antes o telefone. Os dois simplesmente se odiavam. Isso era mais do que certo.
Kamus, sem saber o que fazer, saiu para almoçar sozinho. Sua preocupação com Milo passava do nível do tolerável, mas ele não sabia mais o que fazer. Ele não sabia o endereço, não tinha outro telefone e não sabia com quem falar!
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Shaka estava em frente ao telefone. Aliás, ele estivera em frente ao telefone pelas últimas 2 horas. Ele já contara todas as teclas. Ele já contara todas voltas que o fio do telefone fazia. Ele sabia exatamente de quanto em quanto tempo a luz vermelha do lado superior direito acendia. Ele já havia até desenvolvido a respiração certa para acompanhar a luz do telefone. Sim, Shaka ERA virginiano!
E se Mú não o atendesse? E se ele estivesse bravo? E se ele batesse o telefone na sua cara? Mais uma vez: Shaka ERA virginiano!
Claro que seria mais fácil saber de uma vez do que ficar sofrendo como estava Shaka... Mas ele não conseguia sair daquele estado engessante de indecisão. E quem já passou por isso sabe exatamente o tamanho do problema enfrentado pelo loiro.
E assim, o telefone acabou tocando, o que surpreendeu Shaka, que se desequilibrou de sua posição de flor de lótus. O toque! O telefone tocava! Entre todas as funções analisadas do referido aparelho, Shaka se esquecera totalmente da possibilidade que ele tinha de tocar. (OK, virginiano!).
- Shaka? C´est moi8
- Oui, Kamus?
- Shaka, você pode vir até minha casa? Preciso da sua ajuda.
- E eu da sua, Kamus. Estou indo para aí.
Bom, todos sabem que duas cabeças pensam melhor que uma.
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Mú acordara bem melhor. Oras, afinal por que ele ficara daquele modo por causa de um loiro que ele mal conhecia? Bom, verdade que era um loiro lindo! Verdade que desde que o conhecera, Mu não conseguia pensar em mais nada. Verdade que Shaka o defendera sem necessidade alguma. Verdade que ele, impulsivo como era, sentia que havia perdido seu coração para aquele loiro cabeçudo!
Bom, Mú, como de costume, entrara de cabeça naquela situação, sem nem mesmo ponderar os fatos ou considerar as dificuldades. Shaka era uma pessoa muito contida. Claramente era uma pessoa muito esforçada e disciplinada. E claramente tinha dificuldades para demonstrar suas emoções. Pensando assim, talvez não fosse de todo ruim que Shaka explodira daquele jeito.
Sim, Shina o beijara. Mas ele não haviam transado embaixo da mesa, oras! Isso provava que Shaka se incomodava com ele, não provava?
Era isso! Mu tinha que dar um jeito de fazer com que Shaka se abrisse. Ele acharia alguma forma.
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Milo se sentia saindo de um sonho comprido e complicado. Ele sonhara com seus pais, com Korfu, com as praias da ilha e até mesmo com a estátua de Achiles. Ele sonhou com Aioria, e com algumas das barbaridades que fizeram juntos. Foram tantas... Como daquela vez em que os dois, com dez anos colocaram bombinhas no banheiro das meninas! Elas correram para todos os lados! E os dois foram suspensos por três dias! Depois, ele sonhara com a faculdade e com alguns amigos que ele nunca mais vira. Sonhara com o escritório no qual ele trabalhara.
E, finalmente, ele acordou.
Demorou um pouco para que ele se lembrasse de onde estava... Londres, era isso. LSE, sim. Apartamento do Saga, OK. Saga ... ai meu Deus! O que acontecera? Ele sempre gostara de Saga. Saga sempre o tratara tão bem. Eles até mesmo conversaram sobre assuntos que Milo não falava com mais ninguém.
Sua vontade era voltar a dormir... Mas ele não conseguia. Que doença fora aquela afinal? Ele ficara completamente sem reação. Parecia que ele havia levado uma porretada na cabeça e virado um brinquedo sem vontade alguma.
E daí veio a pergunta mais difícil... Seria ele gay? Estaria ele disposto a passar o resto da vida brigando por aceitação, por reconhecimento e por seus direitos? Estaria ele disposto a brigar com seus pais, com vários amigos, e com o resto do mundo? Estaria ele disposto a ser discriminado para o resto da vida? No final, ser gay significava exatamente isto. Ser discriminado. Enfrentar o preconceito dos outros.
E a resposta veio... Não, ele não queria isso! Queria?
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Saga falara com o médico. Tudo certo! Ele somente falou que passaria no dia seguinte na sala de Milo para ver se estava tudo bem.
E Saga começou a preparar o almoço de Milo. Sopa de legumes. Nada como sopa de legumes para melhorar, como dizia sua mãe. Sim, sua mãe. Saga se lembrava dela com saudades. Pena que a sua última conversa com sua mãe fora tão difícil. E triste. Sua mãe brigara com ele quando ele lhe dissera que também ele era gay. Que ele também se deitava com homens. Ele passara tanto tempo ao lado dos pais atacando a escolha de Kanon, que quando chegou sua vez, os pais não acreditaram.
Se a escolha fosse consciente. Se ele pudesse simplesmente escolher não ser gay, ele não sabia o que faria... Mas ele era gay. Kanon lhe provara. E se sua escolha magoava os outros, o que ele poderia fazer? Ele não poderia mudar o que ele era. Ele só poderia esperar até que seus pais resolvessem aceitá-lo como ele era. E se eles não o aceitassem, o que ele poderia fazer? Seguir com sua vida e ser feliz do melhor jeito possível.
E como sempre fazia quando estava assim, Saga se sentou no computador e começou a trabalhar no seu jogo. Um dia ele terminaria de fazer aquele jogo!
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- Mú?
- Pois não?
- C´est Kamus9.
- Kamus?
- Oui! Ontem à noite eu o vi sair da boite mal e resolvi te ligar para saber se você está melhor!
- Sim, estou bem, obrigado por se preocupar, Kamus – estranho, pensava Mú. Por que Kamus ligaria para ele?
- Que bom, Mú. Vamos almoçar amanhã? De repente a Shina, a Marin e o Aldebaran também podem ir...
- Claro! E quem mais vai?
- Pensei em convidar o Shaka, o Afrodite, o Milo e o Aioria. O que você acha?
- Ótimo! Onde? – finalmente aquilo fazia sentido. O covarde do Shaka pedira para o amigo ligar...
- Vamos perto do Museu de Cera de M. Tusseau. Nós nos encontramos em frente, lá pelas 12:00hs.
E Kamus desligou o telefone logo depois de passar endereço, horário e como chegar para Mu (como ele era perdido!). Então, ele se virou para o Shaka:
- Agora é sua vez!
- Claro, Kamus! Pode deixar! Me dá o telefone do Milo que eu vou ligar!
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Nada como um banho para desanuviar a cabeça. Ainda mais uma cabeça anuviada como a de Milo ultimamente. E agora, comer alguma coisa! Ele estava morrendo de fome! Só depois disso é que ele pensaria no que falar com o Saga.
- Aioria! Cadê você?
- ...
- Aioria!
- Ele não está, Milo – Saga respondeu do seu quarto.
- Onde ele foi? – Milo colocou a cabeça na porta do quarto de Saga somente para ver uma versão digital de si mesmo na tela do computador de Saga. – O que é isso?
- Ah! Eu ia mesmo te perguntar se você me daria sua autorização. Esse é o Cavaleiro de Escorpião, do jogo que estou desenvolvendo.
- Sou eu!
- Sim, é. Você me disse que era de escorpião, daí quando eu me dei conta, ele tinha o seu rosto. Será que posso usar sua imagem? Claro que eu precisarei de um termo assinado, sei lá em quantas vias e tudo o mais. Mas eu ficaria bem feliz se você deixasse.
Milo olhava embasbacado para o desenho. "Ele" usava uma roupa dourada, tinha uma unha vermelha e um ar meio agressivo. O resultado, porém, era muito bom!
- E ele é "do bem", ou "do mal"?
- "Do bem", é claro. O mau sou eu mesmo. Quer ver?
E Saga mostrou a si mesmo com mais ou menos a mesma roupa estranha e dourada. Milo, que adorava jogos de computador, logo se animou a fazer perguntas e mais perguntas sobre o tal jogo.
- Milo, depois eu te mostro mais. Agora vem comer que você deve estar com fome. – a verdade é que Saga estava mais do que aliviado por Milo não ter brigado consigo.
- Maravilha! Eu estou mesmo morrendo de fome.
- Mas você está se sentindo bem? E você não devia secar seu cabelo? – claro que Saga ainda agia de forma protetora.
- Ah! Depois eu seco. Agora preciso mesmo comer. O que é que tem, hein? – e Milo abria a panela para dar uma olhada. – Não! Sopa de legumes. Parece minha mãe!
- É, eu sei que não é lá muito bom, mas você estava tão mal, que eu achei que era o que você precisava.
- Minha mãe falava isso. – mas Milo ainda parecia desconsolado.
- É, a minha também!
- Parece que as mães gregas são todas iguais, não é? – e Milo foi se servindo de sopa. Ele queria adiar a conversa que teria com Saga. Por que? Por que era tão difícil falar sobre aquele assunto?
Saga, por seu lado, observava Milo sem saber como falar. Ele pensara tanto, mas agora simplesmente não conseguia. Então, ele resolveu a velha tática de ser direto:
- Milo, depois do almoço acho que precisamos conversar!
- É, também acho.
- Eu preciso te pedir desculpas!
- ...
- Eu vou tentar te explicar! – a voz de Saga, normalmente tão firme, parecia mais com um sussurro.
- Tá.
- Mas come antes – e Saga se virou e acrescentou baixinho enquanto saía - meu amor.
Ah! Lá estava! Meu amor, de novo! E, afinal das contas, não soava tão mal assim, pensou Milo enquanto comia. Foi quando o telefone tocou.
- Sim, ele está, claro! – Saga apareceu de novo na cozinha – Milo, é um tal de Shaka.
- Shaka! E aí?
- E aí, você, Milo? Tá melhor?
- Muito melhor!
- Pelo jeito que você saiu da boite ontem, parecia que um tanque de guerra havia
estacionado em cima de você!
- Acho que o tanque de guerra caiu em cima de mim, Shaka! Mas eu já estou melhor.
- Que bom! Porque ontem você deixou todo mundo preocupado!
- É. Não me lembro de já ter apagado daquele jeito! - realmente aquilo era estranho, pensou Milo pela milésima vez.
- Ótimo, Milo. Que tal almoçarmos amanhã com o pessoal? O Aioria também.
- Acho que vou, sim. Só preciso falar com o Aioria. Ele deu uma saída. Onde?
- Na frente do Museu de Cera da M. Tusseau, às 12:00hs.
- Feito. Valeu!
Saga, que ouvia tudo, já ia começar a se irritar, quando decidiu se controlar. Não! Ele não podia perder o controle novamente. Ele tinha que falar com Milo.
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Shina, Marin e Aldebaran davam, todos ao mesmo tempo, seus respectivos palpites sobre a vida de Mu.
- Esquece o maledeto10, Mu. Ele é ciumento! Vai por mim: ciúmes só atrapalha! Vai por mim!
- Pô, Mu fala sério! Você mal conhece o cara e ele já chega bancando para cima de você! Vai devagar!
- Ah, Mu Acho TÃO lindo ele ficar com ciúmes de você! É sinal que ele te ama, mesmo!
Parece ser desnecessário esclarecer de qual personagem é cada fala acima, certo?
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Afrodite ainda se encontrava sob o impacto de ter reencontrado Saga. Aquilo mexera com ele. Por que ele nem mesmo se lembrara dele? Teria sido ele tão descartável? Seria ele tão comum? O que ele precisaria fazer para que Saga lhe desse alguma atenção?
Afrodite, então, também resolveu ligar para o Milo! E Saga novamente atendeu.
- Oi! Quem fala?
- Saga – Flor quase perdeu a fala.
- O Milo está?
- Sim, quem quer falar?
- É o Afrodite.
A mente de Saga novamente visualizou o amigo de cabelo azul claro de Milo. Ele não perdia a impressão que o conhecia. Mas enquanto entrava na cozinha com o telefone, Saga deu de cara com os olhos azuis de Milo. Claro está que todos os seus pensamentos possivelmente dirigidos a outra pessoa fugiram da sua mente.
- Flor? É você?
- Mi, qual é a tua? Eu quase MORRI de preocupação! E o Kamus, coitado? Ficou HISTÉRICO. Claro, dentro de uma padrão Kamus de histeria! – Flor acrescentou aquilo somente para ser justo.
- Kamus?
Saga gelou! Maldição! Ele duvidava que odiava qualquer coisa mais do que ouvir aquele nome pronunciado por Milo! Ele já estava em vias de arrancar o telefone da mão de Milo, quando se lembrou que estava tentando se controlar!
- É, Mi. Kamus! Francês! Bonitão! Lembrou dele?
- Claro! Mas o que tem ele?
- Ele ficou desesperado quando você desmaiou nos braços dele.
E a cena voltou como um raio na cabeça de Milo! Kamus! Fora ele quem o ajudara a chegar à saída da boite! Mas a voz estridente de Afrodite fez com que sua lembrança se perdesse em algum lugar de sua mente.
- Milo? Você tá aí? E como você está agora?
- Bem, Flor!
- Você foi para o hospital?
- Não, imagina!
- E quem cuidou de você?
- O Saga! Você se lembra dele?
Sim, Afrodite se lembrava! Ele só não se lembrava de como doía ficar com ciúmes!
- Ei, o Shaka me ligou para sairmos amanhã... Você vai com a gente, Flor?
- Só se o Kamus for, Milo! Depende do Kamus. Deixa eu combinar com ele!
E Afrodite desligou apressadamente. Milo ficou com uma sensação vagamente ruim, que foi interrompida pela voz de Saga.
- Milo, agora que você acabou, podemos conversar?
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Afrodite, por sua vez, desligou o telefone e ligou para Kamus.
- Kamus? Estou indo para aí, me dá o endereço!
- 239, Park Lane.
- Ok. Ponha três garrafas de vinho no freezer que em 1 hora eu estou aí. Até!
- Vinho branco, então? – não podemos esquecer que Kamus entendia muito de vinhos.
- Como?
- Vinho branco, pois vinho tinto não deve ir ao freezer!
- Tanto faz, Kamus!
- Não, Afrodite. Há muita diferença entre os dois tipos. Vinho tinto é mais encorpado e rico...
- PÁRA! Você escolhe, você decide, você coloca ou não no freezer. – mas Flor pensava em como era complicado aquele francês.
- Va bien!
E Kamus obedeceu. Shaka já tinha saído e ele estava tão ansioso que precisava de companhia. Mas isso não fazia com que deixasse de se preocupar com o vinho de forma adequada.
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Milo olhou para Saga e reparou que ele parecia transtornado! Péssimo! E contra tudo o que estava sentindo, Milo se lembrou como Saga cuidara dele. Como o carregara escada acima! Como o salvara de Aioria que tentava afogá-lo (disso, Milo tinha certeza!). Como medira sua febre vezes sem conta. Como o esquentara quando ele tivera frio. E, mais do que tudo, Milo se lembrou de Saga dormindo sentado ao lado de sua cama, somente para se certificar que Milo estava bem.
Talvez... Talvez enquanto estivera com febre Milo tivesse passado a Saga a impressão de que ele estava a fim. Ele não sabia bem o que tinha feito. Tudo estava meio que apagado. Ele podia ter dado algum sinal errado. E Saga podia ter interpretado errado.
- Milo? Eu queria te pedir desculpas! Eu acho que entendi tudo errado!
Sim, era a confirmação. Milo definitivamente devia ter mandado algum sinal errado!
- Saga, acho que eu devo te pedir desculpas por ter te dado tanto trabalho!
- Trabalho nenhum, Milo. Eu faria tudo de novo se fosse para você ficar bem! E o Aioria ajudou!
- Tá, Saga. Eu conheço o Aioria. Eu sei que se dependesse dele eu poderia ter me afogado no ralo da pia da cozinha. Ele é de uma incompetência fora do comum! – bom, a verdade é que a avaliação de Milo estava correta...
- Mas é um amigo e tanto!
- Isso eu sei! Eu e o Aioria somos amigos desde sempre. Por isso eu sei que nessas horas ele não serve para nada. Obrigado de verdade, Saga!
- Não, Milo. Não me agradece! Eu te agarrei enquanto você não podia se defender. E eu quis achar que você estava gostando. Desculpa! Eu vou entender se você nunca mais quiser olhar na minha cara. – Saga se segurava para não chorar.
- Saga, eu estive pensando... Eu não sei se te mandei os sinais errados. Tudo está meio embaçado na minha cabeça! Eu não sei o que eu tive, mas eu me lembro que foi você quem ficou ao meu lado o tempo todo. - Saga olhava para Milo com os olhos marejados, sem acreditar – E Saga, é estranho admitir, mas em alguns momentos eu acho que eu gostei. Você... Você só gosta de homem?
Saga olhava para Milo encantado. Suas lágrimas miraculosamente secaram. Não! Ele não gostava de homem. Ele gostava de um homem. Ele gostava de Milo. Ele gostara dele desde o momento em que ele entrara por sua porta da primeira vez. Desde a primeira vez em que pusera os olhos em Milo ele soubera. Com seus olhos incríveis, com seu sorriso onipresente, com seu bom humor praticamente inabalável, Milo o conquistara e ganhara seu amor. Quando Milo ficara mal, ele, de bom grado, teria trocado de lugar com Milo, somente para que Milo ficasse bem. Ele não se importava com ele. Só com Milo.
- Saga? Você só gosta de homem?
- Não, Milo. Na verdade eu só gosto de você! Mas eu me deito com homens ou mulheres. Depende do que rolar.
Milo não soube o que responder. Se ele conseguisse ser sincero com ele mesmo, ele iria admitir que Saga despertara seu desejo. E sua curiosidade.
Saga conseguira o impossível! Deixara Milo sem falar. E, se aproveitando daquele fato raro, Saga aproximou-se e começou a enrolar um dos cachos molhados de Milo em seu dedo. Milo continuou sem falar, mas não se afastou. Com todo o cuidado, Saga acariciou de leve a nuca de Milo e notou que ele se arrepiou. Saga, então, contornou os lábios de Milo com seu dedo e, quando ele abriu os lábios enfiou o dedo, de leve, em sua boca. Milo fechou os olhos, mas Saga se aproximou de seu ouvido e falou bem baixinho:
- Não fecha os olhos, meu amor. Seus olhos são lindos. Olha para mim!
Milo abriu os olhos enquanto sentia que Saga beijava sua orelha, e, em seguida, mordiscava de leve seu pescoço. Dessa vez ele podia reagir, ele podia se afastar, mas ele não queria. Ele queria saber que sensação era aquela que Saga provocava nele.
Saga se segurava para não assustar Milo. Ele não julgara aquilo possível. Ele achara que havia perdido Milo para sempre. Mas lá estava Milo, com a respiração agitada. Saga sabia que qualquer movimento brusco faria Milo fugir. Ele devia agir com cautela, ainda que aquilo fosse contrário à sua natureza. Saga, então, pegou uma das mãos de Milo e levou-a ao próprio rosto, na esperança que Milo o acariciasse também. Saga, então, colou seu rosto ao de Milo e falou bem baixo:
- Milo? Eu vou te beijar. Posso?
Milo estremeceu. Ele podia? Milo estava perdido em sensações estranhas. Ele queria, queria mesmo que Saga o beijasse. Ele estava tão excitado que não confiou em sua própria voz e somente acenou com a cabeça. E Saga o beijou. Milo imediatamente o abraçou, mesmo porque ele precisava de apoio. As estranhas sensações aumentaram várias e várias vezes.
Saga, surpreso e feliz, abraçou Milo com força. Saga era mais alto e Milo se moldava perfeitamente ao seu corpo. Era como se aquele fosse o seu lugar. Mas Saga resolvera que dessa vez ele não iria apressar as coisas. Ele não iria forçar Milo. E, assim, Saga interrompeu o beijo. O olhar incrédulo que Milo lhe lançou doeu profundamente.
- Milo, nós não podemos. Não agora. Eu quero que você decida que é isso que você quer. Eu sei que é o que eu quero, mas eu não vou te forçar. Não mais!
- ... – Milo não sabia o que falar.
- E você vai secar esse cabelo agora mesmo! – bom, por mais que quisesse, Saga sempre voltava a agir de forma protetiva para com Milo. Fazer o que?
E Saga se foi para o seu quarto, deixando um aparvalhado Milo parado no meio da cozinha.
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Quando Aioria chegou, encontrou os dois no computador discutindo animadamente sobre a melhor forma de projetar um jogo estranho. A única parte da conversa que Aioria acompanhou foi quando lhe perguntaram qual era o seu signo!
Porém, tão logo viu a si mesmo na tela do computador, Aioria se juntou aos dois até de madrugada.
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Olha aí mais um capítulo! Acho que de todos os capítulos, esse foi o mais complicado de escrever! Mas espero que tenha ficado bom. Eu dei uma abandonada no Aioria, no Shura, no MdM, nos bronzeados... Mas juro que vou me emendar...
Quanto às minhas incursões por outras línguas, gostaria de esclarecer que eu pergunto, pesquiso e até pego livros e dicionários... Mas se alguém achar algum erro, por favor, me avise, OK? Eu terei prazer em corrigir.
Agradeço a todos os que lêem minha fic e faço um pedido... Se vocês estiverem gostando - ainda que um pouquinho - vocês poderiam me deixar uma review? Eu gostaria muito de saber se estou seguindo pelo caminho certo...
E gostaria de agradecer, especialmente, a Musha e a Gigi, pelas reviews mais do que fofas. E aviso as duas: eu não consigo deixar o Saga mau. Eu adoro o moço!
Beijos da
Virgo-chan
Mai/06
História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo 12 – Discussões
- Afrodite? Você chegou antes da hora marcada! – Kamus pegou o casaco de Flor e o pendurou no armário da sala.
- É, eu sei. Eu NUNCA chego na hora. Ou chego antes ou depois. Tenho problemas com horário.
- Não deu para o vinho branco gelar.
- Kamus, pela milésima vez! Eu não me importo com o que vou beber, contanto que eu beba muito! Sou sueco, lembra? Lá a gente bebe qualquer coisa, a qualquer hora. Em Estocolmo chegamos a ir a 7 bares em uma noite, só para não parar de beber.
- Sem apreciar a bebida? – que pecado, pensou Kamus.
- Claro que apreciamos a bebida! Só não levamos tanto tempo quanto vocês franceses! Não somos lesados!
- Pois saiba que nós franceses somos considerados finos e elegantes pelo valor que damos ao vinho.
- Pára Kamus! Nós suecos somos considerados como o povo mais lindo do mundo e eu não jogo isso na cara de ninguém! Bom, pelo menos nem sempre!
Sim, a verdade é que Flor era uma companhia divertidíssima! E Kamus precisava de companhia. Ele, que sempre apreciara ficar sozinho, agora estava desesperado por companhia. O que será que acontecera com ele? E a resposta veio imediata: MILO.
- Kamus, você conseguiu falar com o Milo?
- Non, Flor. Aquele maldito Saga não deixa. Eu liguei umas 5 vezes. Ele não me deixa falar com o Milo.
- Eu falei.
- E COMMMENT ELE ESTÁ? – Não, não era normal Kamus berrar...
- Ele está bem. Falou que o Saga está cuidando dele. Me convidou para sair com vocês todos amanhã.
- Flor, desculpe! Eu ia te ligar, mas essa história toda...
- Não encana, Kamus. Eu sei. Eu só fiquei meio abalado com a intimidade dos dois, sabe?
- Flor, você quer me contar o que rolou entre o Saga e você?
- Não. – Flor parecia tão desconsolado que Kamus o abraçou.
- Flor, às vezes a gente precisa falar para reorganizar nossos pensamentos.
- Eu sei, Kamus. Um dia eu falo, mas hoje não.
Kamus se levantou e foi pegar vinho tinto. Afinal, como o branco não gelara, Kamus via-se obrigado a servir vinho tinto à temperatura ambiente. A conversa com Afrodite fluía fácil. Ele até mesmo deixava Kamus falar (de vez em quando!).
- Kamus, eu estava aqui pensando. Por que a gente tem sempre que gostar de quem não gosta da gente?
- Non sei, Fleur. Acho que a gente complica demais as coisas, no final.
- Eu gosto quando você fala Fleur! Fica tão... francês!
- Je suis français11.
- Pára, Kamus. Se você ficar falando francês com esse biquinho eu sou capaz de te beijar.
- Fleur, cuidado. Eu sei que você está apaixonado pelo maldito Saga. Não está certo sair por aí beijando todo mundo.
- É. Mas eu vou parar. Eu não vou mais pensar no Saga. Eu vou achar alguém legal. Alguém assim como você, mas sem essa encanação cansativa com vinhos! E sem essa mania de falar francês com biquinho.
Kamus levou um choque. Flor era realmente lindo! Talvez o ser mais belo que ele já vira. Era também muito divertido. Se ele não tivesse se lembrado de Milo, mais uma vez, ele realmente ficaria com Flor. Afinal os dois já estavam para lá de bêbados e trocando confidências. A partir daí, ficar com Flor seria só um passo. Mas não! Ele iria dar uma chance para o sentimento que tinha por Milo!
- E eu ficaria com alguém como você, Fleur, se não fosse pelo Milo. Claro que eu teria que te ensinar a valorizar os vinhos!
- Kamus, você parou mesmo no Milo, não é?
- É, Flor. Nunca me aconteceu antes. Nunca senti nada assim.
- O que será que ele tem que todo mundo se apaixona por ele, hein? – a voz de Afrodite era não mais que um lamento.
Sim, Kamus se perguntou. O que será que Milo tinha que o fazia ser tão arrebatadoramente especial? Ele não conseguia definir. Desde que o vira, ele se encantara. Na faculdade, ele esperava que pudessem se encontrar para conversar. Era como se o dia perdesse o colorido se Milo não estivesse presente. Com seu jeito brincalhão e expansivo, tão diferente dele mesmo, Milo o conquistara totalmente. Mas a verdade é que foi somente após saber que ele havia sido drogado que Kamus notou o quanto ele era importante para si. E depois de tê-lo em seus braços, ainda que doente, Kamus soube que estava irremediavelmente perdido.
Mais uma garrafa depois, e os dois, mais para lá do que para cá, decidiram que Flor iria dormir por lá mesmo.
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Milo e Aioria saíram para ir almoçar com os amigos e ir ao Museu de Cera da Madame Tussauds, um museu de estátuas de cera que existe desde o século XVIII, bem perto de Baker Street, endereço fictício do famoso detetive Sherlock Holmes. Era um programa totalmente turístico, mas considerando-se que todos eram estrangeiros, foi fácil convencer todos a irem.
Saga teve alguma dificuldade em se controlar e não impedir Milo de ir sob a alegação que sua febre podia voltar. Ele somente checou se Milo estava agasalhado e o deixou ir, com um peso no coração. Ele sabia que Kamus iria estar com os demais e não conseguia se esquecer da forma como Milo olhara para Kamus na boite ecomo o chamara enquanto estava com febre. Mas Saga havia marcado de se encontrar com Shura e MdM. Ele ainda não se esquecera do que MdM fizera. E ele TINHA que confiar em si mesmo e em Milo.
Lá chegando Milo e Aioria encontraram-se com quase todos os seus amigos. Todos perguntavam como Milo estava e o que ele tinha tido, o que o levou a se posicionar no meio do grupo iniciando sua dramática narrativa sobre sua obscura doença desconhecida:
- Vocês não imaginam o que foi. O médico me disse que eu terei que ficar em observação na Escola Real de Medicina por uns 5 anos. Que um grupo será formado somente para estudar meu caso. Claro que eu perguntei se receberia algo em troca, ao que ele me disse que somente o prazer de ajudar a ciência.
- E o que você disse, Milo? – era ainda indefinido se Marin estava ou não acreditando na história.
- Marin, eu disse a ele que não tinha prazer NENHUM em ajudar a ciência, é claro!
Kamus e Afrodite, que haviam chegado juntos no meio da narrativa de Milo, pareceram se divertir. Todos notaram, no entanto, que Afrodite e Kamus estavam mais próximos. O que será que tinha acontecido, pensou Milo ligeiramente incomodado. Ele até tentou conversar com Flor, mas este o ignorou solenemente. Kamus, por outro lado, o olhava de longe, sem nunca falar nada. Sim, havia algo de estranho, pensou Milo novamente.
Já que todos haviam finalmente chegado, eles foram almoçar.
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MdM, Shura e Saga encontraram-se no restaurante combinado. Dos três, somente Shura parecia à vontade. MdM evitava falar com Saga e Saga olhava MdM com ódio. Shura, tentava acalmar os ânimos.
Ele contava seus avanços com a loirinha, June, mas tinha a certeza de que ninguém ouvia. Uma pena! Era uma história tão boa!
- Despues que eu cantei para a garota, eu a pedi em casamento! Eu disse que com ela eu casava. Que alguém com aquele corpo e com aquele rosto não podia ter defeitos! Ao que eu continuei elogiando o seu sorriso, o seu cabelo. Mas veio aquela vacilada... Eu a llamei de Jane!
- Ah! – gemeu MdM
- Tá – disse Saga
Shura pensou se adiantaria alguma coisa ele continuar falando como um tonto para aquela platéia sem reação.
- Bueno, entonces fiz o que deveria ser feito. Falei que ela poderia me chamar de Tarzan! Ela começou a rir e terminamos la noche12 fazendo macacadas!
Shura estava realmente feliz com o resultado de sua cantada, mas ninguém parecera se empolgar. Ele, então, afundou na cadeira e pensou: Que seja o que Deus quiser! Imediatamente os dois começaram a discutir.
- Você é louco, MdM? O Milo podia ter morrido.
- Saga, eu só quis te ajudar, capisce13?
- Não, MdM, o que você fez foi maluquice. O Milo ficou com uma febre altíssima. Ele podia ter tido convulsão!
- Saga, eu só quis te ajudar!
- MdM, quando eu quiser sua ajuda eu peço
- Eu só quis retribuir as vezes em que você me ajudou. Eu sabia que você estava a fim do bambino14. Quis dar uma força.
- MdM, eu nunca pedi retribuição alguma! Não precisava fazer isso.
Mas Saga finalmente entendeu MdM. Ele tinha dificuldade em agradecer. Ele achava que amizade precisava de retribuição. E ele era assim, favorável a métodos violentos. Saga sempre soubera disso. Estaria ele certo em querer uma reação diferente de MdM agora?
Shura parecia acompanhar os pensamentos de Saga. MdM era um cavalo, para dizer o mínimo. Mas ele era um desses amigos com os quais se podia contar até debaixo de chuva de canivete. Em caso de alagamento ou incêndio, lá estaria MdM. Chutando a porta, batendo nos outros ou invadindo a sala, mas o certo é que MdM viria em seu socorro.
Saga se lembrou das diversas vezes em que apartara as brigas de MdM, das diversas vezes em que teve que segurá-lo, da vez em que um funcionário interceptara seus e. mails e MdM quase o jogara pela janela. Ai, que dor de cabeça para fazer o garoto desistir de processar a empresa e MdM! Mas daí Saga se lembrou de como ficara quando brigara com Kanon. Lembrou-se de todas as noites em que MdM aparecera em sua casa sem motivo aparente e ficara por lá sem falar nada, só para ele não ficar sozinho. De todas as vezes em que MdM o carregara para casa quando ele bebera demais. Lembrou-se de quando ele e Shura arranjaram briga numa boite com uns 9 caras e de MdM se lançando na roda de briga para bater em todo mundo. Eles acabaram a noite jogados para fora e machucados, mas rindo para valer.
- OK, MdM. Esquece. Só não dá mais nada para o Milo ou para qualquer pessoa, certo?
- Si, Saga.
- E Shura, que tosco você de Tarzan! Bizarro demais pensar em você de tanguinha pegando no cipó, hein?
Bueno, pensou Shura, alguém ouvira sua história afinal!
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Já fazia algum tempo que Kamus seguia Milo pelo museu. Kamus não havia conseguido falar com Milo desde que chegara. Não quisera interromper sua longa e dramática narrativa, sentaram-se longe um do outro no almoço e Milo nunca ficava sozinho no museu. Mas Kamus estava ansioso por saber de Milo e falaria com ele desta vez!
Na sala de bandas de rock, Kamus se surpreendeu. Milo estava sentado num canto da sala, perto das estátuas de alguns cantores, imóvel. Aioria, por sua vez, encontrava-se admirando Milo como se ele fosse uma estátua. Também, pensou Kamus, com uma calça jeans rasgada, jaqueta de couro preta, cabelos revoltos e rosto perfeito, Milo realmente parecia um Astro do Rock15. Discretamente, mas sem parar de observar os gregos, Kamus pôs-se a olhar a estátua de Freddie Mercury.
Enquanto fingia ser estátua Milo posicionou-se de forma a ver Kamus. Engraçado! Kamus não falara com ele desde que chegara. Será que ele o havia ofendido de alguma forma na boite? Ele não conseguia se lembrar muito daquela noite... Milo não sabia direito o porquê de valorizar tanto Kamus. Mas a verdade é que ele o achava inteligente, refinado, elegante, de bom senso e confiava nele mais do que jamais confiara em alguém que não tivesse nascido na Grécia. E sentia que havia algo mais. Era como se algo lhe escapasse... uma sensação que desde a boite parecia ser constante.
Passados não mais do que três minutos, várias pessoas haviam se juntado a Aioria na admiração da estátua de Milo. Milo, então, pulou e gritou de repente assustando as pessoas que se puseram a correr pela sala. Milo e Aioria riam tanto que tiveram que se encostar na parede para não cair. Quem não achou graça foi um dos vigias do museu que achando a fonte do corre-core, deu bronca nos dois ameaçando expulsá-los se eles continuassem com as brincadeiras. Os dois, então, se separaram. Milo começou a olhar para as estátuas dos astros enquanto Aioria voltou algumas salas atrás.
Kamus sorriu discretamente, muito embora sentisse um desagradável nó no estômago. Milo era tão feliz e alegre, tão diferente dele próprio. Será que pessoas tão diferentes poderiam se unir?
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Shaka, por sua vez, seguia Mú desde que entraram no museu, mas Mú parecia querer fugir dele. Não se sentara perto dele no almoço, evitara seus olhares, e nunca respondia a suas perguntas. Mas Shaka iria conseguir falar com ele. Uma vez que resolvia fazer algo, ele fazia, nem que morresse tentando. E com esse animador pensamento, colocou-se na frente de Mú impedindo sua passagem. Mú, Marin, Shina e Aldebaran, é claro, se assustaram. Afinal eles estavam na sala dos serial killers16.
- Mú, eu poderia falar com você, por favor?
Mú olhou diretamente para Shaka. Aqueles olhos! Ah, aqueles olhos realmente causavam impacto. Eram azuis, tão azuis. E puxados, como olhos de orientais. O rosto perfeito ladeado pelos fios mais loiros e compridos que Mú já vira. Era muito para ele! Mú perdera a fala! Mas ele não iria se render àqueles olhos.
- Mú, você me ouviu?
- Sim, Shaka. Claro? Posso te ajudar? – Shaka engoliu em seco com o tom frio de Mú.
Evidentemente não é possível esquecer que Mú era extremamente orgulhoso. Ele não iria deixar barato! Shaka o agredira, o deixara mal. Ele não iria facilitar!
- Eu gostaria de falar com você, Mú...
- Mas acho que já estamos falando, certo, Shaka?
- Mas eu gostaria de falar a sós!
- Ah, a sós! – Mú fez cara de conteúdo, como se estivesse avaliando a requisição – Não, Shaka. Pode falar qualquer coisa na frente dos meus amigos. – Mu disse em tom mais alto do que o seu sussurro habitual.
Aioria, que havia acabado de localizar Marin e caminhava ao seu encontro, parou no meio do caminho. Marin e Aldebaran se voltaram, curiosos. Shina não sabia o que fazer para tentar ajudar o pobre Shaka!
- Mú, per favore, vá falar com o Shaka!
- Fica fora disto, Shina. Acho que você já se meteu o suficiente nesta história. – Shina ficou vermelha. E seus olhos começaram a marejar. Sim, ela tinha se metido. A culpa era dela, afinal. E ela se foi.
- Mú, não há necessidade de tratá-la assim. – Shaka, afinal, odiava injustiças, lembram-se?
- Ah, Shaka e o que você pode me ensinar sobre como tratar as pessoas, hein? Você é a pessoa mais fria que eu já conheci. Você não se aproxima de ninguém. Você só avalia e julga os outros. Quem você pensa que é? Você pensa que está próximo de Deus? É isso?
Shaka piscou várias vezes. Quem era aquela pessoa? Mú era doce, gentil, carinhoso e atencioso! Ele tratara Shina mal e agora falava assim com ele. Shaka estava atônito.
- Desculpe-me, Mú. Eu queria te pedir desculpas e saber se posso, afinal, ajudá-lo com o trabalho sobre o Tibete amanhã. Não queria aborrecê-lo. Desculpe-me mais uma vez!
E Shaka se foi, deixando Mú desconsolado. Maldito gênio! Ele sempre se continha e mostrava seu lado mais carinhoso. Ele tentava não libertar aquele mau gênio. Ele deveria ter deixado Shaka se desculpar. Por que ele fizera aquilo afinal? E Mú foi atrás de Shaka.
Aioria não estava entendendo nada. Mas Marin e Aldebaran foram atrás de Mú, deixando-o na sala dos assassinos. Ele olhou para a estátua de Jack, o Estripador e, em tom de confissão, falou:
- Ok, amigo! Eu bem que mataria todos aqueles que me interrompem toda a vez que eu estou com a Marin! Eu te entendo totalmente!
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Era agora, pensou Kamus, ao ver que nenhum outro conhecido estava naquela sala. De forma decidida Kamus andou até o outro lado da sala e, em frente a Mick Jagger, finalmente falou:
- Milo, je veut parler avec toi17.
- Kamus? O que você disse?
- Vamos conversar, Milo.
- OK. Não pode ser aqui? - Milo avaliava Jerry Hall e pensava em como o Mick Jagger a abandonara.
- Non.
E assim, Milo seguiu Kamus até uma sala completamente vazia dentro daquele museu. Enquanto o seguia, Milo olhava para Kamus reparando em como seu cabelo era bonito. Bonito! Ele queria tocá-lo! Senti-lo entre seus dedos! Pára Milo, repreendeu-se mentalmente. Primeiro aceitava o beijo de Saga e agora reparava no cabelo de Kamus. Ele estava virando mulherzinha!
Kamus parou quando encontrou uma sala vazia. Claro está que ninguém, ninguém mesmo, tinha muito interesse em ver a sala da Guerra contra Napoleão, nos dias de hoje. Mas Milo sentiu que Kamus ficou um tanto quanto orgulhoso com sua própria escolha! Afinal ele era francês e para ele Napoleão fora um grande herói! (claro que para a Virgo–chan também, mas isso não vem ao caso).
- Milo, você está melhor? – Milo imediatamente ficou com vergonha. Até agora ele não tinha compreendido porque apagara daquele jeito...
- Sim, Kamus. Obrigado! Já estou bem!
- C´est bon ça18 Eu fiquei meio assustado com você desmaiando daquele jeito. – E Kamus parou de olhar Napoleão e se virou para olhar para Milo.
Milo não soube o que falar. Sua voz se perdeu na sua garganta. Kamus o olhava preocupado, como se toda a sua atenção fosse dirigida somente a ele, o que era um elogio e tanto, já que seu rival era ninguém menos do que Napoleão.
- Milo, tem certeza que está bem?
- Sim, sim Kamus. Desculpe! - Milo, volta para a Terra, pensou.
- Milo, você já sabe o que teve?
- Na verdade, Kamus, eu não tenho a mínima idéia! Eu nunca desmaiei antes. Tá certo que eu bebi, mas não foi tanto assim. E olha que eu já fiz coisas que até os deuses gregos duvidam! Não lembro de quase nada do que aconteceu, é tudo meio nebuloso... deve ser por causa da febre – mas Kamus o interrompeu com a mão.
- Milo, você foi drogado!
- Hã! – aquilo definitivamente o pegara de surpresa, notou Kamus. Então o maldito Saga não tivera a decência de falar...
- Oui, Milo, c´est vrai19!
- Kamus, por favor, pára de falar em francês! Eu não te entendo...
- Milo, é verdade, você foi drogado!
- Não! Não é possível! Eu saberia, não saberia? Se alguém tivesse chegado com uma injeção, quero dizer... Eu notaria!
- Milo, pára de ser antiquado. Não são todas as drogas que são injetáveis!
- Tá, tá, eu sei. Mas quero dizer que eu saberia se eu tivesse usado drogas, certo?
- Não, se não foi proposital, Milo! – como ele podia ser tapado quando queria, pensou Kamus.
- Você acha que alguém quis me drogar? Para que, Kamus? - Milo definitivamente estava fazendo o possível para não entender.
- Para você aceitar qualquer coisa... - Kamus não conseguia se livrar da imagem de Milo drogado nos braços de Saga.
- Imagina, Kamus. Eu já aceito qualquer coisa. Eu moro com o Aioria! – lá estava Milo tentando fazer piada com aquilo.
- Milo – Kamus pegou o rosto de Milo com as duas mãos e aproximou seu próprio rosto, pegando-o de surpresa – VOCÊ FOI DROGADO!
Milo olhou para Kamus com cara de quem não havia entendido. Também, como entender algo? Seu coração falhou uma batida. Era como se ele tivesse levado um choque de sabe-se lá quantos volts. E repentinamente alguns flashes começaram a pipocar em sua cabeça. A boite, a música, a fumaça, muitas, muitas pessoas. Uma sensação boa de estar nos braços de alguém! Mas tudo vinha rápido demais. Milo fechou os olhos, tentando focalizar aquelas lembranças. Mas a voz de Kamus o chamou de volta para a realidade.
- MILO, VOCÊ ME OUVIU? VOCÊ FOI DROGADO! - sim, agora ele ouvira.
- Kamus, não é possível! Quem faria isso comigo? E para que? – Milo falou após um momento, balançando a cabeça.
- Os amigos do tal do cara que mora com você! Para ele ficar com você – Milo podia ser tão cabeçudo, pensou Kamus.
- Fala sério, Kamus!
Milo se soltou das mãos de Kamus. Ele estava transtornado. Não sabia se pelo fato de Kamus o olhar daquela forma, de tê-lo tocado, daquela meia lembrança que não vinha ou do rumo da conversa. Era isso... ele não estava gostando do rumo daquela conversa. Kamus falara de Saga como se ele fosse um ser desprezível. Era verdade que Saga viera para cima enquanto ele estava dormindo, mas Saga o ajudara, cuidara dele, pedira desculpas e até se declarara. Milo ficara extremamente agradecido. E Milo nunca, nunca mesmo, seria ingrato. Milo não deixaria aquele francês falar mal de Saga.
- Você sabe que é verdade, Milo!
- Não, não é, Kamus. E como você saberia disso?
- Porque eu vi, oras.
- E você não fez nada? Só para poder me contar depois? – o tom de voz de Milo estava baixo, mas ameaçador.
- Milo, não distorce as coisas. Eu não sou o vilão aqui.
- Ah, sim! O vilão é o Saga, certo?
Pronto! Foi aí que Kamus perdeu a paciência! Ele ficara desesperado quando Milo desmaiara. Ele ficara desnorteado com a falta de notícias. Ele ficara revoltado quando teve a certeza de que Saga agarrara Milo na boite. Ele passara duas noites praticamente sem dormir pensando em Milo. Saga não o deixara falar com Milo uma só vez. Ele, contra tudo o que acreditava, havia usado de artifícios para conseguir se encontrar com Milo. E agora isso? Ele simplesmente não ia tolerar que Milo defendesse Saga.
- Sim, o vilão é o Saga, aquele cafajeste, mentiroso, sem-vergonha, éstupide, couchon20
- Eu não gosto que ofendam meus amigos. Ainda mais um que me ajudou tanto quanto o Saga! Foi ele quem ficou comigo até a febre baixar. Foi ele quem me deu remédio. Foi ele quem me deu água quando eu estava com sede, Kamus.
Ciúmes! O sentimento explodiu no peito de Kamus. Então Milo o defendia? Defendia aquele sem vergonha, sem caráter! Kamus, de bom grado, teria cuidado de Milo, se tivesse tido a oportunidade! Mas Saga não deixara, deixara? Saga devia ter conseguido o que queria. Ele devia ter conseguido ficar com o Milo. E MILO DEVIA TER GOSTADO! Kamus passou a ver tudo vermelho. Sim, ele era controlado! Mas quando perdia o controle, era bom ninguém passar na sua frente!
- Bien, Milo. Ninguém pode ofender seus amigos. Mais je pense que21 tudo bem se teus amigos te ofenderem, n´est pas22?
- Como?
- Ora, se os teus amigos te drogarem, agarrarem, humilharem, machucarem, usarem, mas depois te ajudarem, tudo bem, certo?
- O que você quer dizer com isso?
- Que você non tem um pingo de amor próprio, Milo. Que eu pensei que você valia alguma coisa, mas você non se dá valor! Você e o Saga se merecem! Vocês não valem nada. Nem o chão em que pisam.
- Agora você está me ofendendo!
- Sim, estou. Mas non tem problema, n´est pás? Desde que eu cuide de você depois, imagino que você vai me perdoar.
- Não, não vou, Kamus. Eu espero nunca mais ter que olhar para a sua cara.
- Parbleu! O que te impede? Vai correndo para aquele viado, porque ele te quer. Vocês dois são farinha do mesmo saco. Sem amor-próprio, sem honra, sem princípios, sem ...
Kamus realmente não esperou o soco que levou. Quando ele se levantou, estava sozinho com Napoleão. Mas quem seria melhor companhia? Os dois foram derrotados, afinal!
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Milo entrava e saía das salas sem nenhuma idéia de para onde estava indo. Qual era a de Kamus, afinal? Que ele soubesse, eles nunca tinham chegado a ser nem mesmo amigos próximos. Sim, Milo o admirava e gostava de sua companhia, mas nada além disso, certo? Mas o certo é que as ofensas de Kamus o haviam machucado. Muito.
Kamus parecia tão sério e esforçado. Tão controlado. O que fora aquilo? E novamente ele teve aquela sensação de que estava se esquecendo de alguma coisa importante relacionada a Kamus ... Mas não conseguia se lembrar. E nada daria a Kamus o direito de ofendê-lo daquela maneira. Milo sentia que desde que chegara a Londres sua vida virara de ponta cabeça. Ele desmaiara na boite, fora agarrado por Saga, fora ofendido por Kamus, não tinha mais certeza de sua sexualidade... O que mais faltava acontecer?
E, sem pensar, esbarrou com alguém que estava na sala da Família Real, olhando para Lady Di. Shina! E estava chorando!
- Shina, calma! Ela morreu, mas não precisa chorar desse jeito!
- Milo? Scusa23, é que...
- É que você parece estar precisando de um café. E eu também. Vamos tentar achar a saída daqui.
- Milo, eu preciso te pedir desculpas!
- Pelo que, Shina?
- É que eu roubei seu casaco e você ficou doente e eu me acho responsável. Eu só atrapalho tutti el mondo24.
- Ô, ô, Shina. O que é isso? Você acha mesmo que uma gripe boba ia me atrapalhar? Fala para mim o que está acontecendo?
- Nada! É que eu sinto que desde que eu cheguei em Londres mia vita virou de ponta cabeça, Milo.
- Shina! Acredita! Eu te entendo! Vamos embora conversar.
- Milo, scusa, mas eu não tenho a mínima condição de me enfiar num pub lotado. Eu vou chorar e te fazer passar vergonha...
- Vamos para a minha casa, então. Você parece precisar de um amigo e eu definitivamente preciso de uma amiga. Tá dentro?
- Si, grazzie.
E os dois finalmente encontraram a saída do museu e se foram.
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Demorou, mas Mú finalmente o avistou. Na sala de Peter Pan. Shaka olhava para os meninos voando pela janela como se ele também quisesse ir embora. Como se ele fosse um menino perdido. Aquilo apertou o coração de Mu.
- Shaka?
Shaka o olhou sem falar nada. Mas aquele olhar doeu até o fundo da alma de Mú.
- Shaka, desculpa! Eu fiquei nervoso e falei besteira. A verdade é que eu me apaixonei por você!
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Oi pessoal:
Aqui é a Virgo-chan novamente! Ah, esse francês! Ele é tão complicado e ciumento... E o Milo é TÃO cabeçudo! Acho que vai demorar um pouco para os dois se entenderem. Isso, é claro, se o Saga deixar. Mas o Shaka e o Mú, quem sabe? Não consigo pensar em casal mais lindo do que esses dois.
Agradeço às reviews da Gemini Kaoru (você devia torcer mais pelo Saga!), da Musha ( desculpe cortar nessa parte...), da Gigi (nova fã do Shaka) e da Elena (obrigada pelos elogios).
Agradeço também a todas que lêem esta fic.
Beijos da
Virgo-chan
Jun/06
1 Não é?
2 Toque (expressão utilizada em esgrima).
3 Não, não, meu amigo.
4 A maneira normal!
5 Como vai o Milo?
6 Como?
7 Você é muito insuportável.
8 Shaka! Sou eu!
9 É o Kamus.
10 maldito
11 Eu sou francês
12 A noite
13 entende
14 garoto
15 Singela homenagem a uma das primeiras e mais fofas fics que eu li: O Astro do Rock, de Bélier.
16 Assassinos seriais, como Jack, o estripador
17 Milo, eu quero falar com você.
18 Que bom
19 Sim, Milo é verdade!
20 Estúpido, porco
21 Mas penso que
22 Não é?
23 desculpa
24 Todo mundo
