História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.

Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial

Capítulo 13 – Sedução

- Opa, opa, opa, gatinho. Manifestar sua simpatia pelos crimes do Jack não é legal, não! – quem, além de Afrodite, chamaria Aioria de gatinho?

- Sai fora!

- Não saio, não. Conta tudo para a Flor aqui. E não me esconda NADA! Por que é que você está armando crimes com nosso amigo, aí? – verdade que Afrodite andava chateado, mas nada, nada mesmo, podia afastá-lo de seu interesse maior: SE METER NA VIDA ALHEIA!

- Nada, não, Flor. Vai cuidar da sua vida que eu cuido da minha.

Aioria parecia tão desolado que Afrodite resolveu continuar andando. Ele não precisava de ninguém mais chateado do que ele mesmo.

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Sim, era definitivo. Shaka era um idiota. Um idiota rematado e completo, e além de qualquer tipo de ajuda. Ele conseguira, mais uma vez, fazer com que a pessoa que ele gostava o odiasse. Ele queria, queria mesmo, se livrar daquele jeito frio, daquele ar arrogante. Ele queria, ao menos uma vez, deixar de passar aquela impressão de que ele se julgava melhor do que os outros.

Mas a verdade é que em vários aspectos Shaka era melhor do que os outros! Ele estudava mais, sabia mais, se esforçava mais, era mais competente, cuidava de tudo nos mínimos detalhes, nunca se esquecia de nada, administrava as mais diferentes situações com igual (e altíssimo!) grau de acerto... Quem mais faria isso? Mas, o mais importante... Para que fazer tudo isso? Qual a vantagem? Ele estava cansado. Cansado de tudo. Cansado dele mesmo. Ele queria descansar. Queria rir. Queria se divertir. Queria ser igual aos outros. Igual a todos os que não eram tão competentes, ou estudiosos, ou esforçados. Ele só queria ser feliz! E deixar de afastar aqueles de quem ele mais gostava.

E, enquanto pensava em tudo isso, Mú apareceu na sua frente. Seu Mú, com aquele lindo cabelo lilás, aqueles maravilhosos olhos verdes, aquele ar delicado, mas ao mesmo tempo tão forte. Tão mais forte do que ele!

Shaka olhava para Mú, via sua boca se mexer, até escutava as palavras... Mas a FRASE não fazia sentido. As palavras não se juntavam. Mas assim era sua vida, não era? Ele conseguia fazer milhões de coisas, várias delas bem feitas, mas ele não conseguia juntar tudo para simplesmente viver! Ele estava sempre preocupado com os detalhes, sempre preocupado em não errar, sempre preocupado em ser o melhor, mas nunca se preocupava com o todo.

Ele, então, olhou para Mú, e tentou, tentou mesmo, ouvir a frase e deixar de se importar tanto com as palavras... Eu... me... apaixonei... por ... você!

Seria possível?

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Mú estava perdendo a paciência. O que é que Shaka tinha afinal? Ele continuava a olhá-lo com aquele ar aparvalhado, sem esboçar a mínima reação. Mas Mú não iria deixar nada ficar em seu caminho desta vez. Nem mesmo o ar aparvalhado de Shaka.

E, sem pensar melhor, Mú fez o que queria ter feito há muito tempo. Puxou Shaka para si e lhe deu um abraço desesperado. Ao sentir os longos cabelos de Shaka caírem por sobre suas mãos, Mú se extasiou. Shaka era tão lindo. Possivelmente o ser mais bonito que ele já vira. Seus cabelos, seus olhos, seu rosto, seu corpo. Tudo perfeitamente maravilhoso. Mú se acomodou melhor naquele abraço. E sentiu que Shaka fazia o mesmo. Claro que sem o mesmo ímpeto, com movimentos mais retraídos e menos à vontade, mas assim era Shaka. E ele teria que aceitá-lo assim.

- Mú, nós estamos em um museu público. Você sabe, não sabe? – quando foi que a voz de Shaka ganhara aquele tom quente e feliz?

- Shaka, eu sei onde estamos e não me importo. Só me importa você. Eu nunca mais quero discutir com você! E não estou nem aí com o público! – Mú ouviu Shaka rir (Shaka rir?).

- Eu sei, mas é melhor não darmos escândalo em público, meu anjo. – anjo? Mú se encantou com o som da palavra.

- Quero esclarecer que não estou nem aí para o escândalo, mas se você quiser ir para um lugar menos público, eu sou a favor. – Mú não deixara de abraçar Shaka nem por um momento. Aliás, suas mãos procuravam coisas mais interessantes para tocar.

- Então vamos! Eu morreria de vergonha se fôssemos expulsos do museu!

- Shaka, meu anjo. Eu ainda vou te fazer passar MUITA vergonha! – E as mãos de Mú finalmente acharam algo interessante.

- Mú, pára.

- Não. Só paro quando te vir sair desse museu para me levar para um lugar mais privado. Até lá... MUITA vergonha. – Shaka riu (sim, novamente!), enquanto puxava Mú pelas mãos para a saída do museu que Shaka, é óbvio, sabia exatamente onde se localizava, já que ele havia memorizado o caminho.

Mú não cabia em si de feliz. Fora tão fácil. Shaka, porém, estava ainda mais feliz. Por cerca de 1 minuto e 29 segundos ele não se importara com nada mais além da sensação inebriante de estar nos braços de Mú.

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Marin e Aldebaran, que estiveram na sala de Peter Pan assistindo ao desenlace do complicado desfecho, resolveram que tinham que achar o que fazer fora de casa por um bom tempo.

E seguiram em frente, sem serem notados pelo feliz casal.

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Shina falava pelos cotovelos aos borbotões. Sim, o acúmulo de expressões idiomáticas serve somente para dar uma idéia do quanto ela estava falando. Ela emendava um assunto no outro, chorava no meio, gesticulava como uma louca, tudo de uma vez só. E isso durante todo o longo trajeto até a casa do Milo.

Mas a verdade é que a história de Shaka e Mú mexera muito com ela. E também a história com Milo. Era, de fato, estranho que ela escolhesse justamente Milo para desabafar, já que ele era, inadvertidamente, parte daquela história. Mas Milo a ouvia com paciência, falando (muito pouco!) de vez em quando, mas sempre a incentivando a continuar.

- Milo, scuza1! Eu sei que estou sendo chata!

- Não está, não, Shina. Chato fui eu de não te dar atenção antes. Me desculpa!

- Ah, Milo! Imagina! Você sempre foi um fofo! Un vero amico2! Io é que ando pisando nos meus amigos. E apesar desse meu jeito eu nunca quis atrapalhar nessuno3. Eu gosto tanto do Mú! O que foi que eu fiz?

- Shina, não fica assim!

- Sabe, eu sempre fiquei com vários caras, mas para mim amigo sempre foi sacro4! Parece que desde que eu vim para cá eu enlouqueci! Eu estou vendo a Marin com dificuldades para ficar com o Aioria e nem estou fazendo nada...

- Como?

- Ah, vai, Milo. Até você já notou que ela gosta do Aioria.

- Mas você também já notou que o Aioria gosta dela, certo?

- Pois é, e a gente nem para ajudar os due.

- Então tá resolvido. A gente vai ajudar os dois. Mas agora me conta de você, Shina.

- Acho que erro muito em ficar com todo o cara que fica meio a fim de mim. Eu devia escolher melhor. Sei lá, me preservar mais.

- ...

- Tipo você! Eu nunca devia ter ficado com você!

- Pôxa, agora ofendeu, hein, Shina?

- Não é isso, Mi. Te acho uma gracinha, mas não é para mim. Você tá mais para amigo.

- Ok, vou esquecer a ofensa.

- Sério, eu devia esperar um pouco para me apaixonar, mas bate aquela insegurança de nunca acontecer e eu vou ficando, ficando com um monte de gente e afasto a possibilidade de me apaixonar...

- Shina, como amigo eu posso te dizer que você é linda. Mas, o mais importante é que você é divertida e boa gente. É evidente que você vai achar alguém que goste de você.

- Grazzie, Milo. É bom saber que você me entende.

E Shina chorou novamente sendo abraçada por Milo.

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Sim, Milo entendia Shina. Entendia perfeitamente. Também ele passara a vida ficando com várias garotas sem gostar de nenhuma, só para passar o tempo. Foram tantas e tantas vezes, eram tantos e tantos rostos que ele duvidava que se lembrasse de todos. E para que? Aquilo não o satisfazia mais. Ele queria encontrar alguém que fosse importante para ele. E alguém que o considerasse importante e não um troféu. Mas ele duvidava que alguém que gostasse dele e de quem ele gostasse de volta pudesse aparecer em sua vida. E o pior... se aparecesse, será que ele reconheceria o sentimento?

E a voz de Kamus interrompeu seus pensamentos... Eu fiquei meio assustado com você desmaiando daquele jeito... Sim, parecia que Kamus se importava com ele. Se não fosse assim, ele acreditava que Kamus nem mesmo se daria ao trabalho de brigar com ele. Por que, então, o agredira tanto? Aquilo o incomodava muito! A opinião de Kamus era importante para ele. E aquela sensação estranha de que ele se esquecera de algo importante relacionado a Kamus não passava.

Para piorar tudo, a situação com Saga. Saga o agarrara e ele não reagira. Sim, gratidão explicava em parte sua conduta, mas absolutamente não explicava tudo. Ademais, se ele quisesse ser honesto consigo mesmo, ele admitiria que sentira algo quando Saga o beijara. Desejo? Curiosidade? Qual seria o nome daquele sentimento? Não, Milo não se importava com o fato de ser ou não ser gay. Ele tinha a mente aberta demais para se importar com isso. Mas o que realmente lhe incomodava era sua conduta vergonhosa. E as palavras de Kamus vieram novamente... Eu pensei que você valia alguma coisa, mas você non se dá valor! Teria Kamus razão, afinal?

E entre conversas e pensamentos tristes eles finalmente acabaram chegando ao prédio de Milo.

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Afrodite chegou finalmente à sala de Napoleão. Ele tinha muita simpatia por Napoleão. Além disso, a história da Suécia encontrava-se curiosamente ligada a Napoleão.

Napoleão nomeara um de seus mais famosos generais, Bernardotte, para governar a Suécia pelo império napoleônico. E a esposa de Bernardotte era ninguém menos do que Desirée, o amor de Napoleão.

Com sinceridade, Afrodite duvidava que a tal da Desirée tivesse sido o amor de Napoleão, já que ele lera todas as cartas que Napoleão escrevera a Josephine, sua primeira esposa... Que cartas eram aquelas! E que homem fora Napoleão! Poderoso, inteligente e, acima de tudo, romântico. O moço devia ter sido poeta e não imperador! Mas, enfim, cada um com suas manias. Se ele gostava de comandar exércitos, fazer o que? Mas o fato inquestionável (na opinião de Afrodite, é claro!) é que Napoleão nascera para escrever cartas de amor.

Chegando à sala vazia, Afrodite se deu conta de que Kamus estava sentado no chão, encostado em uma parede, com o rosto escondido entre as mãos. Enfim, numa posição passiva tão contrária ao próprio Kamus que Afrodite deixou escapar um grito de surpresa, que pareceu despertar Kamus do seu estado catatônico.

- Quoi5? – Afrodite sentiu uma fisgada de remorso ao notar que assustara Kamus.

- Kamus, você está passando mal?

- Fleur? Como você chegou aqui? – a voz de Kamus se encontrava estranha, fraca.

- Kamus, posso te ajudar?

- Non, non, merci! Já estava de saída – o ar perdido de Kamus deixou Afrodite com o coração cortado.

- Kamus, nessas horas, eu sempre tomo um café. Expresso. Forte. Quente. Vamos! E nem adianta discutir.

Kamus se deixou levar pela energia sempre presente de Afrodite. Ele precisava que alguém lhe desse alguma direção, já que ele nunca se sentira tão perdido.

Por que ele agredira Milo daquela maneira? Esse definitivamente não era o melhor jeito de demonstrar seu interesse. Mas a verdade era que Milo tinha o poder de tirá-lo do sério. A mera possibilidade de pensar em Milo nos braços de outro o corroía por dentro. O fato de Milo ter defendido Saga o fizera agredí-lo. E agora, que ele já tinha posto tudo a perder, nada mais lhe restava. Malditas emoções. Elas realmente só serviam para tumultuar a vida!

Seu rosto doía onde o soco de Milo acertara, mas nada parecido com seu peito. Ele duvidava que um dia ele fosse voltar a sentir qualquer coisa. Era como se seu peito tivesse sido tomado de forma abrupta por uma geleira. Nada, nada mais nasceria ali. Jamais.

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Aioria vira Milo e Shina saindo e, mais uma vez, se perguntou por que não tinha a facilidade de Milo para tratar com as mulheres. Milo chegava, falava e levava. Fazia parecer TÃO fácil...

Mas para Aioria as mulheres eram seres misteriosos, estranhos, atraentes e perigosos. Aioria não conseguia entender aqueles seres fascinantes. Ele tentara várias e várias vezes, mas falhara miseravelmente! Elas tinham prazer em perguntar coisas, mas nunca queriam saber a resposta verdadeira! Por que elas perguntavam se estavam gordas, mas se você falasse um básico "pára de comer doces, então", terremotos assolavam a Terra? Elas conseguiam brigar sobre coisas faladas há mais de 2 meses, das quais ele nem mesmo conseguia se lembrar. Irracionais sádicas. Era isso que elas eram!

Todas as vezes que Aioria contava suas brigas para Milo ele ria como se tomado por um espírito maligno e dizia como ele deveria ter agido. Fácil! Depois do terremoto era fácil falar como ele deveria ter feito!

Mas ele ia mudar! Ele não iria se incomodar se alguém chorasse, sorrisse ou brigasse. Ele não iria mais se envolver com aqueles seres estranhos. Ele seria como Milo, cujo coração jamais se comprometia. E decidido, virou-se para ir para outra sala, dando de cara com Aldebaran e ... Marin!

Aioria congelou com um sorriso bobo nos lábios, olhando para Marin com um ar de expectativa digno de um cachorro que encontra o dono depois de um longo e tenebroso inverno!

Bom, Aioria tomou outra decisão. A partir de amanhã ele deixaria de se incomodar com as mulheres. Hoje ele aceitaria o convite de Aldebaran e Marin para visitar o museu Sherlock Holmes, na Baker Street.

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Shina e Milo entraram em casa e deram de cara com Saga, Shura e MdM. Depois da discussão durante o almoço, Saga resolveu chamar os dois para darem uma olhada no seu jogo. Afinal, ele fizera o Cavaleiro de Escorpião e o Cavaleiro de Leão, depois de tantos meses sem nada fazer. Claro que ele tivera que ouvir as brincadeiras cáusticas de Shura sobre a semelhança do Cavaleiro de Escorpião com um certo alguém. Já MdM fez comentários mais agressivos sobre o Cavaleiro de Leão. (Não seria melhor colocar uma lagartixa?).

Foi neste momento que Saga teve uma brilhante idéia! Shura e MdM também seriam colocados em seu jogo, mas ele daria um jeito de se vingar nos personagens como gostaria de se vingar dos originais devido aos comentários irritantes dos dois.

Foi quando Milo e Shina chegaram. Saga estreitou os olhos ao ver a bela italiana com SEU Milo. Mas, observando melhor, ele notou que aparentemente não havia nenhum interesse entre os dois. Porém, ao ver MdM estático, ele notou finalmente que havia algum interesse no ar, sem dúvida. Shura, é claro, não deixava barato e começou a elogiar a bela italiana, que estranhamente não mostrava a mínima receptividade:

- Bom, Milo, agora entendo o porquê de usted ter deixado a Grécia para vir estudar aqui. – e Shura olhava para Shina descaradamente.

- Pois é, Shura! Na Grécia só temos mesmo estátuas! – será que a Shina vai surtar, perguntou-se Milo.

- Só não dá para entender por que o MdM deixou a Itália!

- ... – significativo silêncio de MdM.

- ... – silêncio sem paciência de Shina

- ... – Saga nada fazia para tentar arrumar a situação, já que não gostara de ver Milo com Shina.

- Certo, Shura, chega disso! – era Milo, o único que ainda tentava fazer alguma coisa.

- MdM, usted é mesmo burro, se eu tivesse uma conterrânea perdida na Inglaterra, eu com certeza iria mostrar-lhe Londres! E você fica aí sem falar nada!

- Porca putana! Cala a boca! – Shina disse

- Porca miséria! Cala a boca! – MdM disse ao mesmo tempo que Shina.

Shina e MdM se olharam e começaram a rir. A partir daí os dois continuaram a falar em italiano, gesticulando como loucos e se esquecendo do resto do pessoal que estava em casa. Shura, Milo e Saga, então, desistiram dos dois e começaram a conversar.

- Ô, Shura! Precisava babar na Shina daquele jeito? – Milo até que gostava de Shura, mas naquele dia ele estava extraordinariamente inconveniente.

- Arre, Milo! É que o MdM está meio a fim dela desde o dia da boite, mas bem ao jeito dele ele não faz nada e fica emburrado num canto – oras, e não é que na verdade o Shura quis dar uma mão para o MdM?

- Shura eu não tinha notado nada!

- Sabe o que é, Saga? Ultimamente usted só nota o que te interessa!

Eu bem que mereci ouvir isso, pensou Saga. Já Milo ficou desconfortável. Seria possível que os dois soubessem do interesse de Saga?

- Mas o que te deu para trazer ela aqui, Milo? Vocês não iam almoçar todos juntos? – Saga estava curioso para saber como tinha sido o encontro com Kamus e por que Milo voltara com Shina.

- É que ela estava meio chateada, eu também, e a gente resolveu conversar. Ma agora acho que ela está feliz falando na língua dela.

E realmente eles só ouviam animadas palavras em italiano... Milo entendia muito pouco ou quase nadamas, enfim, os dois pareciam bem felizes conversando. E Milo nunca vira MdM tão animado. Afinal, normalmente ele ficava reclamando num canto ou brigando com o Aioria. E Shina parecia mais contente do que parecera durante todo o caminho do museu até o apartamento (o que, convenhamos, não era nada difícil!).

Depois de um tempo Shura se despediu, falando que tinha assuntos inacabados para resolver com uma certa loira, no que foi quase que imediatamente seguido por Shina e MdM. Milo apenas a puxou de lado um pouco:

- Shina, odeio me meter na sua vida, mas não era você quem estava falando sobre não se envolver com alguém sem conhecer melhor?

- Si, Milo, é vero6! Mas desestressa por que o MdM só vai me acompanhar até a estação de metrô.

- Tem certeza que está tudo bem?

- Si, va bene7. É que ele me disse que adorava tomar Lemoncello a Pizza del Popolo em Roma, nas tardes de domingo. Acho que eu não tinha me dado conta do quanto eu estava com saudades de casa! Só isso, Milo. – algo se apertou no coração de Milo. Ele também estava com saudades de casa.

- OK, então.

- Grazzie por se preocupar, Mi. Mas eu vou mudar. Fica tranqüilo!

- Se cuida, Shina. Gosto muito de você!

- Eu também, Milo! Gosto muito de você! – e, para desgosto de Saga e de MdM, Shina deu um estrondoso beijo no rosto de Milo e saiu com MdM.

Milo, então, se deu conta de que estava sozinho em casa com Saga. E, desconfortável, saiu para o terraço para pensar um pouco sobre sua vida e as saudades que sentia da Grécia.

Saga até tentou dar um tempo. Ele ficou no seu computador mais um pouco, mas não se agüentando, saiu para o terraço atrás de Milo.

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Milo estava de costas, olhando para a cidade com as mãos apoiadas na amurada e não percebeu a aproximação de Saga.

A simples visão de Milo no terraço mexeu com Saga. A jaqueta de couro preto combinava especialmente com Milo. Másculo, despojado, dono de uma beleza singular. A calça velha parecia ter se acostumado com o contorno do corpo de Milo, marcando somente o que merecia maior atenção. Os cachos azulados caíam pelas costas de Milo de forma desarranjada. Ah! Que vontade de enfiar suas mãos naqueles cachos, senti-los, cheirá-los. Saga não se lembrava de já ter desejado alguém, homem ou mulher, daquela forma. Milo parecia ter sido feito para ser desejado. E parecia nem mesmo ter consciência disso.

- Milo? Tudo bem com você? – sua voz soou rouca pelo desejo reprimido. Ele precisaria se controlar muito para não agarrar Milo e beijá-lo à força.

Milo se assustou com a voz de Saga, estranhamente rouca, e se virou. Ele estava tão perdido em seus pensamentos que se esquecera que não estava sozinho em casa. Um leve estremecimento passou por sua espinha. E a voz de Kamus ecoou na sua mente. Ora, se os teus amigos te drogarem, agarrarem, humilharem, machucarem, usarem, mas depois te ajudarem, tudo bem, certo? Será que Kamus tinha mesmo razão? Será que Saga o drogara? A verdade é que Saga o beijara e agarrara enquanto ele estava dormindo e com febre, sem se importar com o que ele queria. Saga o desrespeitara totalmente. Não seria possível que o tivesse drogado também? Kamus teria razão? E ele brigara com Kamus, sem nem mesmo analisar a possibilidade dele ter razão. O remorso tomou seu peito. Ele sempre fora impulsivo, falando antes mesmo de pensar sobre os assuntos. Que maldição!

- Saga, um amigo meu chamado Kamus me disse que eu fui drogado. Que você e seus amigos me drogaram. Foi isso o que me aconteceu, Saga?

Maldito, maldito Kamus! Agora ele queria envenenar Milo contra si. Ele queria que Milo desconfiasse dele. Ah, se ele não tivesse atacado Milo! Se ele tivesse respeitado o fato de que ele não podia reagir. Por que ele se deixara levar pelo desejo? Ora, a resposta veio logo: porque ele tinha uma natureza sensual! Mas agora era tarde demais. Ele iria dar um jeito de inverter aquela situação. Kamus não iria ganhar. Milo seria dele, só dele. Ele teria que fazer Milo acreditar nele! E para tanto ele não podia admitir que Milo fora drogado. Os olhos de Saga brilharam. Um brilho vermelho, que refletia a luz de um anúncio em cima de outro prédio!

- Milo, você acreditou neste tal de Kamus?

A voz de Saga soara rouca, baixa e envolvente. Enquanto falava, Saga chegava mais e mais perto, como se fosse um felino apreciando sua presa antes de saboreá-la. Milo estremeceu. Ele precisava sair dali. A dificuldade era que seus pés pareciam ter grudado no chão. Agora era tarde demais... ele já não conseguia deixar de olhar para aquele brilho vermelho refletido nos olhos de Saga e se sentia como uma presa com os movimentos restritos, em antecipação pelo ataque que logo viria. Milo balançou a cabeça, tentando se livrar daquela sensação de impotência.

- Eu não sei, Saga! Eu saí completamente de sintonia. Eu não sei o que me aconteceu. Mas eu sei que você me agarrou contra a minha vontade.

- Milo, eu não sei como te pedir desculpas. Se eu não tivesse me deixado levar, talvez hoje você acreditasse em mim e não nesse tal desse Kamus. Milo, deixa eu te esclarecer uma coisa!

Saga agora estava imóvel bem próximo de Milo, muito embora continuasse a olhá-lo com um ar claramente predatório. Saga, então, pegou a mão direita de Milo e a virou para cima. Começou a acariciar o pulso de Milo com seu dedo polegar, num carinho estranho e possessivo, sem nunca deixar de olhar diretamente nos olhos azuis de Milo.

Milo, por seu lado, encontrava-se magnetizado por Saga. Seus olhos escuros, seu cabelo sedoso, sua voz rouca, o carinho em seu pulso. Por quê? Por que ele se sentia assim na presença de Saga? É verdade que Saga cuidara dele, mas Saga não era uma pessoa confiável. Era? Pensa, Milo! Pensa! Mas, contra sua vontade, seu sangue começou a correr mais rápido nas suas veias e seu pulso acelerou.

- Milo, eu sei que é tarde, mas preciso te dizer que para mim não faria o mínimo sentido ter tua mão, se eu não pudesse sentir o seu pulso se acelerar pelo meu toque.

Milo estremeceu novamente. Seu coração falhou uma batida! Era como se Saga tivesse algum poder secreto, algo capaz de fazer tudo o mais parar de se movimentar. E Saga, sem soltar sua mão, começou, com a outra mão, a acariciar seu pescoço levemente. E, involuntariamente, a sua pele se arrepiou.

- Milo, sentir sua pele não teria valor, se eu não soubesse que ela gosta e quer meu toque.

Milo fechou os olhos e respirou fundo. Maldição! O que ele estava pensando? Ele precisava se entregar daquele jeito? Como uma adolescente com hormônios enlouquecidos? O que estava acontecendo com ele? Seria ele gay, afinal? Bom, isso agora parecia fora de questão! Milo apertou os olhos para tentar controlar melhor a sua respiração que começava a ficar pesada. Ele precisava se controlar. Saga estava com as mãos em seu pulso e em seu pescoço. Ele não podia se denunciar daquele jeito.

- Milo, eu sei que sua respiração está pesada porque você, mais do que tudo, quer que eu te beije. Se você estivesse drogado eu não teria essa certeza, teria?

Vergonha! Era isso. Ele realmente não tinha vergonha na cara. Ele estava totalmente à mercê de Saga. Se Saga quisesse, ele podia tê-lo lá mesmo, já que no estado em que ele se encontrava, não seria possível opor a mínima resistência. Por isso ele não reagira quando Saga o atacara. Porque no fundo ele queria que Saga o atacasse. Ele queria que Saga o beijasse. Você non tem um pingo de amor próprio, Milo. Não, Kamus. Eu não sou assim... Não!... Você está errado, Kamus!

- Milo, se eu te drogasse, eu poderia até ter o seu corpo. Mas não é isso que eu realmente quero. – Milo abriu os olhos incrédulos, somente para se deparar com a expressão de puro desejo de Saga – Eu quero você, Milo! Eu quero seu corpo, sua vontade, seu desejo, seu coração. Eu quero tudo, Milo. Uma parte só não me interessa!

Milo expirou profundamente. Seus pulmões ficaram repentinamente vazios. A cadência da respiração de Saga acariciava seu rosto. O calor de Saga passava lentamente para seu corpo. Ainda por uma última vez ele ouviu a voz de Kamus. Milo, você foi drogado! Ainda uma vez ele viu os olhos de Kamus, azuis, íntegros, preocupados com ele! Ele sentiu, ainda uma vez, o amargor da descofiança que sentia por Saga. Mas tudo foi substituído pelo rosto de Saga que se aproximava. Os olhos de Saga, com aquele brilho vermelho tão atraente. O hálito doce de Saga que se aproximava de sua boca... O felino finalmente pegara sua presa... E Milo se viu novamente arrastado para aquele mundo paralelo que ele somente podia adentrar se estivesse com Saga.

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Oi pessoal! Aqui é a Virgo-chan (sim, eu de novo!). Desculpem se eu demorei um pouquinho mais para postar. Eu juro que tento postar uma vez por semana. Se eu não faço isso eu me sinto meio culpada (tipo Shaka, sabe?). Mas esse final de semestre está realmente complicado.

Bom, mas queria comemorar que minha fic recebeu 30 reviews! Obrigada! Obrigada especialmente à Gemini Kaoru (que apesar de revoltada com o caráter vilanesco do Saga, resolveu me escrever), à Musha (espero que você tenha gostado do nosso casal), à Dark Ookami (que está lendo lá longe, no Japão) e à Fro (que comentou uma fic pela 1ª. vez!).

Agradeço também a todas aquelas que ainda não se sentiram à vontade para me deixar uma review, mas que acompanham a fic.

Beijos da

Virgo-chan

Jun/06

1 desculpa

2 Um verdadeiro amigo

3 ninguém

4 sagrado

5 O que?

6 verdade

7 Sim, tudo bem