História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Atenção: Verifique a classificação da fic, antes de ler este capítulo.
Capítulo 14 – Pela manhã
Mú acordou antes do despertador tocar, como era normal no seu caso. Um hábito que tinha desde Dharamsala1. Mas naquela manhã ele não podia estar mais feliz. Parece que finalmente ele e Shaka haviam se acertado. E a verdade era que após vencidas as muitas, várias, inúmeras barreiras para chegar a Shaka, ele era uma pessoa encantadora. Sim, Mú admitia que ele era arrogante, antipático e altivo, por vezes, mas mesmo assim Mú o amava.
Eles haviam passado a tarde anterior apenas conversando e se beijando ocasionalmente. Ele precisava conhecer mais Shaka. Ele sentia que se ele não desse tempo para o verdadeiro Shaka se manifestar, ele o perderia novamente por conta de qualquer tipo de complicação que estivesse dentro daquela cabeça loira e linda, mas tão diferente da sua!
Mú sabia que um relacionamento com Shaka teria dificuldades e barreiras. Num primeiro momento, quem os visse juntos jamais poderia acreditar que eles eram tão diferentes. Mas, eles eram fundamentalmente diferentes. Diferentes na forma de ver a vida. Diferentes na forma de encarar os problemas. Diferentes na forma de se entregar a um relacionamento.
Shaka era analítico e cauteloso. Mú era intuitivo e explosivo. Shaka era perfeccionista, ao passo que Mú era impetuoso. Shaka tomava muito cuidado para controlar seus sentimentos, mas Mú tinha urgência em demonstrá-los.
Enfim, Mú acreditava que se eles conseguissem vencer as dificuldades iniciais, um teria muito a ensinar ao outro. Quem sabe a união dos dois poderia resultar em um Mú mais cauteloso e em um Shaka menos desconfiado.
E, no meio daquela conversa, Shina chegou em casa. Ela entrou em silêncio, tão ao contrário dela mesma. Era como se ela tivesse medo de atrapalhar Mú mais uma vez. Mú já ia se levantar para falar com ela, mas Shaka foi mais rápido:
- Shina? Que bom que você chegou! Onde você estava?
- Ah! Oi, Shaka. Eu estava na casa do Milo – do Milo, pensou Shaka. Ele precisava se lembrar de conversar com Kamus, então.
- Eu estava preocupado com você! Eu acho que te devo desculpas pelo modo como o Mú te tratou! A culpa é minha. Eu havia ficado com ciúmes de vocês dois na boite.
Mú sentiu um orgulho surdo de Shaka. Ele era uma pessoa justa. Uma pessoa que se importava com os outros. E havia se preocupado com Shina, sua amiga. Oras, Mú tinha certeza que Shina iria esquecer rápido. Ela era tão ou mais explosiva do que ele. Mas o fato de Shaka haver se importado com ela e de ter tomado para si a responsabilidade por se desculpar era realmente especial. Shaka era desse tipo de pessoa que tratava os demais com extrema delicadeza, como se as pessoas merecessem ser tratadas como vasos de cristal.
Shina, que não esperava aquele pedido de desculpas, ficou parada, olhando para Shaka com os olhos marejados. Mú resolveu, então, assumir a conversa.
- É, Shina. Pode nos dar os parabéns! Acho que nós nos acertamos! – e Mú ouviu o grito de Shina, que imediatamente pulou em seu pescoço.
- Pôxa, Mú! Shaka! Que boa notícia! Eu fiquei com tanto remorso. Desculpe por ter agarrado o Mú, Shaka. Eu queria fazer ciúmes para o Milo. Nada a ver! Desculpa! – e Shina abraçou Shaka.
Shaka ficou surpreso com o abraço. As pessoas normalmente não o abraçavam daquele jeito. Ainda mais uma pessoa com a qual ele estivera chateado há menos de dois dias. Mas a verdade é que aquele era o mundo de Mú. Espontâneo. Emotivo. Verdadeiro. E ele queria se acostumar àquele mundo. E Shaka abraçou Shina de volta, que falava sem parar, enquanto abraçava Mú novamente, repetindo como estava feliz e como eles formavam o casal mais lindo do mundo. Ela chegou mesmo a perguntar se eles não queriam que Aldebaran passasse a noite com ela e Marin.
Sim, pensou Shaka, não iria ser tão difícil se acostumar àquele mundo. Um mundo no qual as pessoas não guardavam ressentimento e podiam falar livremente o quanto estavam felizes. Sim, ele iria se acostumar ao mundo de Mú.
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Marin já estava acordada também. Ela sempre acordava antes de Shina e aquela manhã não seria diferente. Ela iria se arrumar para depois ficar apressando a Shina. Mas, naquela manhã, algo segurou Marin na cama. Memórias felizes do dia anterior.
Ela se lembrou do passeio com Aioria e Aldebaran no museu Sherlock Holmes. Ela se lembrou das várias vezes em que pegara Aioria olhando para si, sem nenhuma razão aparente. Das vezes em que perguntara algo a Aioria e que ele engasgou, como se não tivesse a mínima idéia do que ela perguntara. E Marin começou a rir deitada na cama.
- Esse museu é porreta! Eu sempre gostei do tal do Sherlock Holmes. A gente tem lá no Brasil um livro que conta da passagem dele pelo Brasil2!
- Ele esteve no Brasil? – Aioria, que passara os últimos segundos analisando Marin de um ângulo não tradicional, levantou sua cabeça e perguntou...
- Não, Aioria. É um livro! De um cara famoso lá no Brasil.
- Ah, tá! Porque acho que ele só morou aqui na Inglaterra, mesmo.
- Aioria, ele não viveu. É personagem de livro.
- Pára Aldebaran. A gente tá aqui na casa dele em Baker Street e você quer me dizer que ele não morou aqui.
- Não, Aioria. É que os livros citavam esse endereço e alguém comprou a casa e fez o museu!
- Verdade, Aioria! – disse Marin que estava analisando a primeira edição do primeiro livro da série "Um Estudo em Vermelho".
Aioria imediatamente ficou vermelho. Resmungou algo e seguiu em frente. Marin ficou com pena e foi atrás dele.
- Oi Aioria. Você ficou chateado comigo? – Aioria a olhou surpreso.
- Chateado com você? Eu? Eu só fico chateado de sempre fazer papel de bobo na sua frente. Só isso.
- Papel de bobo? – boba estava ela de conseguir finalmente falar com Aioria sem gaguejar, tropeçar ou ficar vermelha.
- É, Marin. Sempre que estou com você eu perco a linha do meu pensamento. Eu só falo besteira. E eu não queria que você ficasse com a impressão de que eu sou um idiota. – (observação da Virgo-chan: tudo bem, eu sei que o Aioria é um idiota, mas eu o adoro!).
Marin não soube o que dizer. Ela tinha a clara impressão de que sempre que estava com Aioria ela agia como uma tonta, sem nunca ter nada de interessante para falar. Mas saber que ele também se sentia assim a fez ficar mais confiante.
- Aioria, eu te acho muito inteligente ... – mas naquele momento Aldebaran entrou na sala, apontando para o violino de Sherlock Holmes.
- E aí, Aioria! Até que para alguém que não existiu, ele tocava muito bem o violino, certo?
E Marin, coitada, completou a frase em sua cabeça: eu te acho muito inteligente, lindo, maravilhoso, charmoso e queria muito, muito que o Aldebaran voltasse para o Brasil!
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Kamus acordou com uma dor de cabeça dos diabos! Ele nem se lembrava direito de onde estava... Sua casa? Teria ele voltado para Paris? Não, ele pensara em voltar ara Paris. Era isso.
E ele se levantou rápido e acendeu a luz. Sua cabeça latejou de modo insuportável. Ondas e ondas de dor caminhavam de suas têmporas para o centro da cabeça. Kamus sentiu enjôo. E se lembrou... MILO.
Ele agredira Milo sem piedade. Ele falara coisas para Milo que nunca tinha dito a ninguém. Ele o acusara de não ter amor próprio ou princípios, ou... Kamus colocou o rosto entre as mãos. O que ele fizera? Milo fizera muito bem de tê-lo socado. Ele tinha se descontrolado totalmente! Por quê? Por quê?
Mas esconder o rosto não estava tendo a mínima utilidade. Ele via os olhos de Milo, seu cabelo, seu rosto. Ele o ouvia rindo no museu, discursando para todos na LSE. Sempre tão ... feliz! Tão fora de seu alcance. Tão diferente dele mesmo...
E Kamus chorou. Chorou por ter agredido Milo. Chorou por tê-lo perdido para sempre. Mas, principalmente, chorou por ter desejado o que jamais seria dele e o que jamais poderia ter. Uma pessoa feliz ao seu lado.
E as lembranças de sua miserável vida vieram. Ele as controlava tanto. Sempre que elas tentavam voltar ele as chutava para o fundo de sua cabeça, como se fossem ratos que precisavam se esconder no escuro. Suas lembranças eram assim. Precisavam ficar trancadas no escuro para que não fizessem mal a ele mesmo. Mas dessa vez ele as deixaria sair e olharia para elas. Ele merecia sofrer. Merecia sofrer porque tinha feito Milo sofrer.
Seu irmão mais novo brincando na piscina da casa de praia, na Riviera. Seus pais discutindo como sempre. Sua mãe chorando e correndo. Seu pai correndo atrás dela e berrando para Kamus tomar conta de Isaak. Kamus correndo atrás da mãe implorando para que ela parasse de chorar. O corpo de Isaak sendo tirado da piscina.
Claro que sua mãe nunca mais se recuperara do choque. Até hoje ela vivia entrando e saindo de sanatórios que prometiam a cura do corpo ou do espírito. Ou dos dois. Seu pai se enterrara no trabalho e ficara cada vez mais distante de todos. Voltava cada vez menos para casa. Queria saber pouco ou quase nada do filho mais velho que ele julgava responsável pelo acidente que acabara com sua família.
Kamus, ele mesmo, passou anos se julgando responsável. Responsável pela morte do irmão, pela tristeza incurável da mãe, pelo distanciamento do pai. Hoje ele tinha dúvidas. Deixar uma criança de 8 anos responsável por uma criança de 2 não parecia razoável. Mas, mesmo assim, aquela certeza que tivera por anos a fio destruíra qualquer possibilidade que tivera de ser feliz. E tudo, tudo o que fizera depois não parecera ser suficiente para fazer seu pai orgulhoso, sua mãe menos triste ou ele mesmo feliz. Ter assumido sua sexualidade frente aos pais não foi absolutamente difícil depois disso. Nada do que ele fizesse poderia tê-los decepcionado mais depois da morte de Isaak.
Como sempre, Kamus encerrou aquelas lembranças aos soluços. Sim, Milo! Eu te machuquei, mas pode se considerar vingado! Você não poderia me machucar mais do que eu mesmo!
E, enquanto se arrastava para o banheiro para pegar um remédio, Kamus tentou se lembrar por que se apaixonara por Milo daquela forma. Teria sido no primeiro dia? Quando ele ganhara a classe com suas brincadeiras? Seria o seu jeito de sempre colocar os outros à vontade? Kamus sentia que desde que conhecera Milo, ele tivera mais facilidade em se relacionar com os outros. E ele gostava disso. Teria sido depois que Milo ficara com Shina e fora almoçar com ele? Kamus não se lembrava de já ter contado a alguém tanto sobre a própria vida. E Milo o ouvira como se ele fosse importante, como se realmente quisesse saber sobre Kamus... Mas, não. Kamus desconfiava que ele definitivamente se apaixonara por Milo quando ele o levara à saída da boite. Milo o reconhecera, mesmo ardendo em febre, drogado e alcoolizado e ficara feliz com isso. Como se a mera presença de Kamus o fizesse se sentir melhor, se sentir... feliz!. E quando Milo o olhara daquela forma antes de desmaiar em seus braços, Kamus já sabia que não havia mais nada que ele pudesse fazer. Ele havia se apaixonado.
Sim, ele havia se apaixonado apesar de todas as suas defesas e reservas. Apesar de ser contrário a tudo em que acreditava. Sentimentos só atrapalhavam e dificultavam as coisas. Se ele não tivesse se incomodado com as lágrimas da sua mãe, talvez Isaak ainda estivesse vivo! Não! Não era culpa dele!
- Milo, desculpa por ter te forçado meus sentimentos! Eu nunca mais vou te incomodar! – Kamus falou em voz alta para o seu reflexo no espelho – eu não vou mais atrapalhar sua felicidade. Mas me diz como eu faço para deixar de te querer?
De lá ele foi para a cozinha para tentar preparar a única coisa que poderia fazer com que ele tivesse forças para enfrentar aquele dia: Café! E Kamus chutou a porta da cozinha e entrou, sendo surpreendido por um grito assustado:
- AAHH! Meu Jesus! O que é isso?
Kamus, por seu lado, pulou para trás assustado com o grito e bateu a cabeça no batente da porta:
- Merde3!- e Kamus tentou se lembrar se era o dia da empregada vir arrumar o apartamento.
- KAAAMUUSS! Que susto!
- Fala mais baixo, criatura – sim, ele sabia quem estava lá.
- É, amigo. Eu te falei para não tomar porre de martini. Mas você me ouviu? Nada! Nunca me ouve. E eu tive que ficar aqui de novo para cuidar de você!
- Fleur, cala a boca. Mon Dieu!
- Querido! Desculpa! Você tá bem? Tá melhor? Quer me contar o que você estava falando em francês no banheiro?
- Fleur, devagar, s´il vous plaît4! Tudo dói. Tudo gira!
- Vem, Kamus. Eu te fiz um café bem forte. Eu bem que achei eu você ia precisar.
- Merci beaucoup, Fleur5.
- Olha, eu sei que você é o rei do mau humor matinal, mas quem resiste a você falando em francês, hein?
E Afrodite serviu Kamus, enquanto tagarelava sem parar. Era o seu jeito de mostrar que se importava. E Kamus se sentiu imensamente grato por poder contar com alguém naquele momento, ainda que fosse um ser com seu roupão, suas meias (uma de cada cor), um cachecol de cor indefinida, descabelado, e que tinha feito chá na caneca do leite. Mas, ainda, assim, Flor era um grande amigo.
- Merci beaucoup, Fleur! – repetiu Kamus para si mesmo.
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Saga acordara cedo. Ele não precisava de despertador algum para acordá-lo. Para ele bastava ir se deitar pensando no horário em que deveria acordar e ele acordava. E, naquela manhã, ele decidira que iria acordar 1 hora antes do horário de Milo. Ele precisava falar com Milo.
Milo! As lembranças voltaram fortes e seu corpo reagiu de forma igualmente forte. Milo, se eu te drogasse, eu poderia até ter o seu corpo. Mas não é isso que eu realmente quero. Eu quero você, Milo! Eu quero seu corpo, sua vontade, seu desejo, seu coração. Eu quero tudo, Milo. Uma parte só não me interessa! Depois disso Milo o olhou como que encantado, como se fosse uma presa que finalmente percebesse que não tinha mais como fugir.
Poder! Poder e dominação. Saga sentiu-se inebriado por aquelas sensações. Ele sentia que poderia conduzir Milo a fazer o que ele quisesse. Milo finalmente seria seu. Não de Kamus. Seu! O cabelo, o rosto, o corpo musculoso, o sorriso onipresente, os olhos. Aqueles incomparáveis olhos azuis. Todo seu.
Saga olhou para Milo apreciativamente, enquanto avaliava o efeito de suas palavras sobre ele. Milo estava imóvel, magnetizado por algo que via nos olhos de Saga. Ele respirava pesadamente. Seu pulso, que ainda se encontrava sob o controle de Saga, estava acelerado. A sua pele se arrepiava ao toque de Saga. Sim, seu sucesso fora completo. E Saga, de maneira possessiva, beijou Milo e o amparou quando suas pernas fraquejaram. Saga nunca se sentira tão excitado em toda a sua vida. A sensação de dominar Milo era realmente inebriante e afrodisíaca.
- Milo, vem comigo para o meu quarto. Agora! - e Milo, como se fosse um autômato, o seguiu sem nada falar.
Lá chegando, Saga se despiu apressadamente, ordenando a Milo que fizesse o mesmo. Milo hesitou por alguns segundos, mas Saga pegou o seu rosto e disse:
- Meu amor, por favor. Eu só quero te ver. Não vou fazer nada que você não queira.
Mentiroso! Saga sempre soube que faria o que queria com Milo, ainda que Milo não quisesse. Sentir Milo tão entregue e dócil às suas vontades era maravilhoso. Saborear o poder que parecia ter sobre Milo o enlouquecia. Mas Saga sabia que se Milo se recusasse a algo que ele quisesse, ele o atacaria sem dó nem piedade. Novamente.
Mas, felizmente, Milo o obedeceu. Saga o olhou embasbacado. Ele facilmente poderia ter sido o modelo para as estátuas de Fídeas6. Milo era simplesmente ... perfeito! E estava envergonhado. Saga, então, passou a língua nos lábios, em antecipação.
Saga notou as marcas de arranhões e chupões que fizera em Milo na boite. Elas estavam desaparecendo. Não! Elas eram a prova de que Milo era seu. Ele não as deixaria desaparecer! E Saga começou a morder o pescoço e a boca de Milo. No começo, de leve, mas logo começou a ser mais agressivo. Começou então a arranhá-lo e sugá-lo, querendo deixar sua marca em Milo de modo que todos soubessem de quem ele era. Saga ignorava, sem nenhum pudor, os protestos de Milo e quando ele tentou se desvencilhar de Saga, ele o empurrou para sua cama, enquanto se desculpava e mentia deslavadamente para acalmar Milo.
Já na cama, Saga não teve grande dificuldade em convencer Milo a se entregar. Era a primeira vez de Milo. Não era a sua. Era a escolha lógica, afinal!
Saga tentou, tentou realmente, ser carinhoso com Milo. Ele o amava. Ele estava quase certo disso. Ele nunca quisera alguém daquela forma. Ele nunca se importara com alguém como se importava com Milo. Ele nunca antes havia sentido ciúmes de alguém. Se aquilo não era amor, o que seria? Mas, independentemente disso, o desejo de Saga era devastador. Ele precisava de Milo e precisava rápido. Ele não agüentava mais esperar. E, apesar de não ter sido violento, também não foi carinhoso.
E, depois de saciar seu desejo, e também o de Milo da melhor forma que encontrou, notou que Milo estava sonolento em sua cama. E finalmente, a consciência de Saga despertou. O que ele fizera? Novamente tratara Milo como se não se importasse com sua vontade. Ele devia tê-lo tratado como a pessoa especial que ele era, mas Saga o tratara como mais um. Como mais um corpo. Como mais um dos rostos dos quais ele nem mesmo se lembrava. Ele ainda tentou falar com Milo, mas Milo estava estranhamente quieto e sonolento.
E Saga o ajudou a ir ao banheiro e o esperou para colocá-lo na cama. Antes de Milo fechar os olhos, a última coisa que ouviu foi:
- Você e o Saga se merecem! Vocês não valem nada. Nem o chão em que pisam. - aah, Kamus, sai da minha cabeça, por favor, pensou Milo antes de dormir.
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Milo estava acordado há muitas horas. Na verdade, ele tinha mesmo dúvidas se tinha ou não dormido naquela noite. O que ele fizera afinal? Não, não fora exatamente ruim! Mas também não fora bom. Ao menos ele não sentira repulsa. E isso já era algo, não era?
Milo sentia que não podia confiar totalmente em Saga. Havia algo que lhe escapava completamente. Parecia que outra pessoa morava dentro de Saga e nunca dava para saber quem iria aparecer. Aquela sensação era inquietante. E ele se arrependera de ter se deixado seduzir pelo jeito envolvente de Saga.
Milo se levantou devagar. Ele não queria acordar Aioria. Seu corpo doía e os arranhões latejavam. Maldição, pensou Milo, enquanto saía do quarto para trombar com Saga no corredor. Saga o abraçou forte enquanto se desculpava, chorando.
- Milo, eu preciso de você. Eu preciso falar com você.
- Saga, aqui não dá. O Aioria vai acordar. – era só o que me faltava, pensou Milo: o Aioria saber disso.
- Então vem me encontrar depois da faculdade, Milo. Vem para o meu escritório.
- Tá, tá. Mas fica quieto, por favor. Eu não quero que o Aioria saiba.
- Você vai me encontrar? Às 17:00hs?
- Vou, tá marcado. Deixa eu me arrumar, Saga. – ele falaria qualquer coisa para Saga ficar quieto.
- Milo, eu te amo! – e Saga empurrou um cartão com o endereço nas mãos de Milo.
Não! Dessa vez Milo não iria se deixar levar pelas mentiras de Saga. Seus atos e palavras pertenciam a duas pessoas diferentes.
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Oi Pessoal:
Acho que todo mundo sabe que tive que re-postar minha fic, certo? Na verdade, desde que abri a conta, tive um sem número de problemas técnicos relativos à postagem, reviews, replies etc. A solução final foi apagar e começar tudo de novo, com a conseqüente perda de todas as reviews e avisos de favoritos/alerta. Imagino que algumas pessoas foram pegas de surpresa pelo desaparecimento da fic. Assim, eu gostaria de me desculpar tanto por isso quanto pelo atraso do capítulo 14. Como eu não conseguia nem mesmo re-postar a fic, parei de escrevê-la por um tempo. Confesso que fiquei bem chateada com tudo isso e quase perdi a motivação para escrever.
Então, se não for demais, gostaria de fazer um pedido... Se alguém aí estiver gostando da fic e quiser animar uma ficwriter desconsolada, por favor, deixa uma review! Por favor!
Por fim, gostaria de agradecer o apoio da Musha, da Gigi, da Áries-sin, da Tsuki Torres e da Dark Ookami. Obrigada!
Virgo-chan
Jun/06
1 Capital do Tibete no exílio.
2 O Xangô de Baker Street de Jô Soares.
3 Merda!
4 Por favor
5 Muito Obrigado, Flor.
6 Famoso escultor grego da Antigüidade.
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