História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Atenção: Verifique a classificação da fic, antes de ler este capítulo.
Capítulo 16 – Decisões
Mú não sabia o que pensar. A última vez que vira aquele rosto fora numa foto há mais de vinte anos, no Tibete. Seria o irmão de seu pai? Alguém que a família acreditava morto há mais de 30 anos?
A verdade é que a travessia pelas montanhas no inverno era tão difícil que várias pessoas haviam morrido tentando. Ele mesmo, Mú, por várias vezes achou que não conseguiria. Mas ele acabou chegando à Dharamsala e sua família foi avisada. Não foi isso, no entanto, o que aconteceu com Shion. Os guias voltaram para o Tibete avisando que a criança morrera durante a travessia. Uma foto dele foi colocada no altar da família e todos rezavam por sua alma. Claro que para os budistas a morte não era realmente o final. Era, por assim dizer, um passo para uma nova fase. Mas mesmo assim, por muito tempo, Mú observara aquele rosto estranhamente parecido com o seu e se perguntara o que aquela criança poderia ter feito se tivesse sobrevivido. E agora ele estava lá, em pé na sua sala de aula, batendo boca com o seu professor... O que ele devia fazer?
Seria mesmo Shion? Shion, seu tio? Shion, o irmão do seu pai que ele nunca vira? E se fosse, que diferença aquilo poderia fazer em sua vida? Ele se acostumara a não ter família. Ele fora criado no centro coletivo dos refugiados do Tibete. Ele sempre soubera que nunca mais veria sua família. Que ele estava sozinho no mundo. Que só podia contar com ele mesmo!
Mas sua vida já não era mais assim... Não! Agora ele tinha Shaka. Nem ele mesmo sabia exatamente o porquê, mas ele tinha certeza de que depois de Shaka sua vida não seria mais a mesma. Ele nunca mais seria sozinho. Ele sempre poderia contar com Shaka. Seu Shaka! Emburrado, antipático e ciumento. Mas também justo, forte e ponderado. Juntos eles poderiam enfrentar todas as dificuldades da vida. Juntos ele poderiam ter acesso a todas as felicidades da vida.
Será que ele deveria contar a Shaka quem era aquele homem estranho e exótico?
OK! Mas porque Shaka estaria emburrado agora?
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Milo saiu do corredor da forma mais rápida que encontrou. Por que ele tinha ficado tão aborrecido com o fato de Flor ter chegado? Eu preciso passar na sua casa para pegar as coisas que deixei lá no final de semana. E não adianta me pedir. Hoje eu NÃO durmo na sua casa, seu francesinho metido. Com que então eles estavam dormindo juntos... Não que ele se importasse absolutamente com isso, é claro!
Kamus e Flor podiam dormir com quem quisessem! Inclusive juntos! E Milo não tinha nada a ver com isso. Mas haver se lembrado que ele havia desmaiado nos braços de Kamus não ajudava em nada! Ele já estava cheio! Parece que sua vida fora tomada por Kamus. Que saco! Kamus o amparando. Kamus o ofendendo. Kamus o defendendo. Kamus sorrindo para ele. Kamus com Afrodite.
Bom, eles que ficassem juntos, se quisessem. Milo não se importava. Ele mesmo dormira com Saga! E novamente aquela estranha sensação de remorso apareceu. Saga não era confiável. Às vezes era uma pessoa e às vezes era outra. Por que afinal ele dormira com Saga? Ele andava estranho! Não conseguia impor sua vontade. Não conseguia dizer não a Saga. Não conseguia saber se ele era gay ou não. Não sabia se gostara ou não de ficar com Saga. A verdade é que ele tinha a impressão de que Saga conseguia manipulá-lo. Que ele sempre acabava fazendo o que Saga quisesse. Seria porque ele estava sentindo falta de casa? Seria porque ele gostava de Saga? Seria porque ele estava curioso? Seria atração? O que seria aquilo, afinal?
Mas de agora em diante ele iria fazer valer a SUA vontade. E sua vontade era dar um belo murro no meio das fuças de Afrodite, oras bolas! Justo para cima do Kamus? Kamus? O que Kamus tinha a ver com o que ele estava pensando? O problema era Saga, certo? Foco, Milo! Foco! E assim pensando Milo chegou ao consultório do Dr. Shion:
- Com licença, doutor! Posso entrar? - e Milo entrou no consultório do Dr. Shion. Era muito simples, no prédio administrativo da LSE, e tinha vários diplomas pendurados na parede.
- Claro, Milo! Eu estava mesmo te esperando. Eu não sabia quanto tempo o Professor Dohko iria te segurar! – Shion, como sempre, estava sorrindo. Parece que aquele sorriso raramente deixava sua face. E Milo se pôs a sorrir também.
- É, desculpa, doutor. Ele me passou um longo trabalho. Acho que ele se aborreceu porque eu dormi na sala.
- É, eu notei. Mas acho que ele se aborreceu porque eu te chamei também! – ahá! Teria Kamus razão, afinal?
- Pois é! Mas sem erro! Eu vim como o senhor pediu.
- OK, Milo. Já estou com o seu formulário médico. Sem doenças a reportar, nada na família... Sobe lá na maca, tira a camisa e põe este termômetro. Eu já vou tirar sua pressão. Você já tinha tido febre alta como a que você teve na 6ª. feira? Já tinha desmaiado antes?
- Não sei, doutor. Para falar a verdade nem sei quanto de febre eu tive na 6ª. feira. Só sei que nunca antes tinha apagado daquele jeito... – Shion definitivamente o olhou de forma estranha, mas Milo resolveu deixar passar.
- Que bom que o seu amigo Saga cuidou de você, não é? Temperatura normal, pressão normal. Vamos ver os pulmões.
- O Saga foi realmente um amigão. Não sei o que teria feito sem ele – e novamente uma onda de agradecimento inundou o coração de Milo.
- Ele realmente se mostrou muito competente. E muito preocupado com você! – ah! Lá estava aquele olhar estranho de novo... Como era difícil saber o que pensava o Dr. Shion.
- Ele ficou mesmo preocupado! Coitado! Que trabalho eu dei para ele... – pensando melhor, era mesmo estranho que Saga tivesse tido tanto cuidado com ele. Eles mal se conheciam! Seria verdade o que ele falara? Milo, eu te amo! Amor! Seria isso?
- Bom, Milo! Tudo normal. Deve ter sido a febre alta. Se você desmaiar ou delirar de novo, peça para me avisarem imediatamente que eu te encaminho para um hospital, certo?
- OK, doutor! Obrigado! Vou almoçar na lanchonete, então! – e Milo estava quase saindo quando ouviu Shion chamá-lo.
- Espera aí, Milo. Eu também vou almoçar por aqui. Vem comigo!
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Kamus foi praticamente arrastado para a casa de Flor. É verdade que ele se encontrava abatido, mas isso não era motivo para se render aos planos malucos de Flor. Flor falou várias coisas sem ligação numa seqüência absolutamente ilógica...! Desculpas, flores, roupas, sol, sapatos, água, desculpas, escova de dentes, Milo... Milo! Aí estava uma palavra que chamava a atenção de Kamus. Mas o que teria Milo a ver com escovas de dentes? Por mais que ele se esforçasse ele não conseguia acompanhar o longo discurso de Flor. Mas, enfim, há dias que Flor dirigia sua vida. Se ele o fizesse por mais um dia, que mal poderia haver? Flor era um amigo e tanto! Alguém como Kamus nunca tivera. Alguém que Kamus gostaria muito de manter ao seu lado.
E Kamus seguiu Flor para a casa deste sem tentar impor sua lógica ao discurso sem pé nem cabeça de Flor, fato este memorável para um aquariano característico como Kamus. Um fato que comprovava o quanto Kamus valorizava aquela amizade.
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Sim, Shaka estava mais do que ciente de que aquele seu ciúme era ridículo! Que mais uma vez ele fizera papel de imbecil! Que aquele ciúme atrapalhava. Que era infantil. Indesejado! Mas o que ele podia fazer? Mú olhara para aquele médico como se o quisesse devorar! No que mais Shaka poderia pensar? Obviamente que Mú estava a fim dele!
Claro que ninguém com um mínimo de razoabilidade pensaria que aquele poderia ser o Tio-Tibetano-Dado-Como-Morto-Pela-Família-De-Mú! Aquilo parecia coisa de novela! Mas talvez aquela fosse uma amostra de como a vida de Mú era cheia de emoções e não convencional.
A vida sem emoções de Shaka parecia tão normal perto de tudo o que Mú já passara... Claro que somente um virginiano como Shaka poderia pensar que sua vida não tinha emoções...
Shaka saíra da Índia com sete anos. Seus pais decidiram sair daquele país estagnado que não crescia há várias e várias décadas. Ele lera que após o término do mandato de Nehru o país finalmente começara a crescer. Mas, enquanto Shaka lá vivera, a Índia era só pobreza, sem bolsão algum de riqueza. Miséria, estagnação, desesperança, tudo isso era pouco para descrever como fora sua vida até que seus pais decidissem se mudar para a França.
Sua família era minúscula para os padrões indianos. Eles eram de fato diferentes dos indianos tradicionais... Loiros, decididos, não praticantes da eterna aceitação e budistas. Enfim, uma família diferente que trilhou caminhos diferentes.
Chegaram à França, moraram em Bobigny, uma cidade nos subúrbios de Paris e esperaram vários e vários anos até que sua situação estivesse legalizada. Shaka, então, por suas notas excepcionais, conseguira entrar em Paris II, onde conheceu Kamus.
Trabalhou em alguns escritórios, sempre se destacando por sua seriedade e competência, até que ganhou do escritório no qual trabalhava uma bolsa de estudos para estudar na LSE.
Como se vê, a vida de Shaka não era exatamente comum, mas a forma como ele a encarava tirava dela todo e qualquer brilho e emoção. Sua vida era permeada de trabalho e esforço. Nada mais. Talvez por isso Mú fosse tão importante para ele. Mú era emocionante, brilhante, impulsivo e divertido. Alguém como Shaka gostaria de ser, não fosse o fato de não conseguir. Por isso ele tinha tanto medo de perdê-lo. E talvez por isso ele fosse tão obsessivamente ciumento.
- Shaka? Você ainda está bravo porque eu te pedi para ficar quieto?
- Não, Mú! E nem fiquei bravo na hora.
- Ah! Pára Shaka. Eu consigo sentir o seu mau humor a 100 milhas náuticas de distância!
- E você lá sabe quanto vale uma milha náutica, Mú? – Shaka era obsessivamente específico, às vezes.
- Não! Nem quero saber. Eu só quero você. Quero que você não fique com ciúmes de todo mundo... Eu só me importo com você. E não sei como fazer para você acreditar nisso, Shaka!
- Eu sei disso, Mú. É esse mau gênio que me persegue. Mas eu vou conseguir parar com isso. Eu acho mesmo que consigo qualquer coisa, desde que você esteja comigo.
- Então vamos embora conquistar a LSE, Shaka! Porque eu vou ficar com você até o inferno esfriar!
- Certo, Cérebro! Mas não seria melhor conquistar o mundo logo de uma vez?
Bom, desnecessário dizer que o mau humor de Shaka passou. Ele precisava da segurança e do otimismo de Mú. Se ele tivesse isso, até mesmo ele conseguiria ser alguém mais divertido. E, juntos, eles foram almoçar.
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Afrodite não cabia em si de remorso. O que ele fizera? Verdade que ele já estava cheio do Milo. Ele podia ter quem quisesse. Podia ter Saga. Podia ter Kamus. E sabe-se lá mais quem. Mas isso não era verdadeiramente culpa dele, certo? Que ele soubesse, Milo não fizera nada para Kamus parar na dele daquele jeito. E, aparentemente, também não se dera conta que Saga estava a fim dele.
Que maldição! Não adiantava nada ficar ressentido com Milo. Ele era um cara legal! Responder para o professor daquele jeito. Ficar no pé da turma inteira para marcar as baladas. Viver irritando o outro grego, o Aioria. Se meter com a Shina. Desmaiar na balada. Enfim, talvez sem Milo por perto as coisas não fossem tão agitadas. Flor tinha, sim, que dar um jeito de parar de ficar ressentido com Milo. Milo não tinha como saber que Afrodite gostava de Saga. Ele não tinha mesmo como saber que Afrodite conhecia Saga. E, ademais, não era do feitio de Afrodite ficar ressentido com os outros.
Já o remorso que ele sentia por ter atrapalhado o Kamus era mais sério. Se ele parasse de falar tanto. Se ele tivesse ao menos olhado para ver se Kamus estava com alguém. A verdade é que quando ele notara que Kamus estava com Milo, os dois estavam se olhando de forma absolutamente apaixonada. Possivelmente Milo não tinha consciência que gostava de Kamus. Afrodite se perguntava mesmo se Milo tinha consciência que era gay. Mas talvez fosse esse o charme de Milo. Não ter consciência do próprio poder.
O mais importante agora era ajudar Kamus. Ele estava arrasado. Ele estava completamente apaixonado por Milo. E cada vez mais acreditava que aquilo não tinha futuro. Assim, Flor conseguira arrastá-lo para o seu apartamento sem que Kamus opusesse a mínima resistência. Ele não falara nem mesmo que tinha que por o vinho na geladeira ou algo parecido. Ele não estava bem. E Flor gostava verdadeiramente de Kamus. Nem ele mesmo sabia exatamente o porquê. Talvez porque Kamus fosse tão diferente dele. Kamus sempre pensava sobre o que falar ANTES de falar. Kamus sempre analisava tudo friamente. E, claro, Kamus era lindo! Ele possuía aquele jeito discreto e elegante de pessoas bem nascidas que, por óbvio, faltava ao espalhafatoso Afrodite. Se Afrodite tivesse domínio de seu próprio coração, ele se apaixonaria por alguém confiável como Kamus e não por um manipulador sensual como Saga.
Que inveja de Milo, Afrodite pensou mais uma vez.
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Milo e Shion chegaram à lanchonete para almoçar. Lá encontraram Shina, Aldebaran, Marin e Aioria (sentados lado a lado). Eles estavam com aqueles moleques de bronze, Seiya, Hyoga, Shiryu, Iki e Shun. Todos queriam saber como fora com o professor Dohko. Milo, é claro, começou a contar uma longa história divertida sobre o evento. Mas não conseguiu deixar de mencionar que Kamus fora o máximo! E que nem por um momento tentou escapar à injusta punição. Shion se integrara perfeitamente com todos, parecendo mesmo um estudante e não alguém bem mais velho do que eles. Shion divertira a todos com histórias da universidade e de ex-alunos, até que o pessoal se foi, menos Milo e Shion, que não haviam almoçado ainda. Antes de sair, no entanto, Shina puxou Milo para um lado e lembrou que eles haviam ficado de ajudar Aioria e Marin. Milo respondeu que eles resolveriam isso na próxima balada e Shina se foi, depois de dar um beijo no rosto de Milo.
- Milo, me conta a verdade. O Dohko foi agressivo com você? – Shion queria saber isso desde que flagara o olhar agressivo que Dohko lançara a Milo.
- Bom, doutor, a verdade é que eu estava dormindo mesmo na aula dele...
- É, mas não foi isso que eu perguntei, certo?
- Digamos que ele não estava controlado como sempre, então. Mas o Kamus, meu parceiro de trabalho, conseguiu acalmá-lo um pouco. – Shion notou o tom de admiração na voz de Milo, mas não falou nada.
- Ele... falou algo de mim? – ahhhááá, pensou Milo. Ponto para Kamus.
- Literalmente ele disse: quero ver se aquele médico sem vergonha ainda vai te querer depois disso...
- Foi? - e, por um momento, o rosto de Shion pareceu se iluminar.
- O senhor e o professor Dohko tiveram algo, não é? – quando Milo queria, ele conseguia arrancar confissões de uma pedra.
- Sim, há muito tempo. Mas acabou. Ele não me quis, casou, teve filhos...
- E ele continua casado?
- Sim, casado e infeliz... E eu sozinho e infeliz... Acho que errei muito em esperar sempre por ele. Eu devia ter ficado com alguém... – foi quando Shion se deu conta do que estava falando – Bom, e agora você vai fazer o tal trabalho e tudo vai se acertar, certo?
- Certo! Acho até que vai ser bom, já que não prestei atenção à aula mesmo!
- Ótimo! – e Milo teve uma idéia repentina.
- Doutor, nós vamos marcar de sair na 6ª. feira... Por que o senhor não vem com a gente? Assim, se eu desmaiar de novo o senhor já vai estar por perto!
- Pode ser, Milo! Fala comigo na 6ª. feira.
- OK. Vou falar. – e Shion se foi. Na entrada da lanchonete quase trombou com Shaka e Mú.
Que estranho! Shion na lanchonete dos alunos... Mú ficou olhando Shion ir embora sem se decidir se falava ou não com ele. Mas logo Shake e Mú viram Milo e foram se sentar com ele.
- E aí? Os dois finalmente se acertaram, certo? Que legal! Se você não pegasse logo o Shaka, Mú, eu iria dar em cima dele! Sempre tive um fraco por loiros que falam francês! – claro, depois de tudo, Milo não poderia falar que iria dar em cima de Mú. Shaka iria matá-lo... Mas Mú gostou da brincadeira e logo estavam todos rindo e comendo.
Milo não pode deixar de querer um relacionamento como o deles. Eles pareciam tão felizes juntos. Eles perguntaram um pouco sobre o trabalho de Dohko e muito sobre Shion, mas como Milo não sabia da história do tio desaparecido, Milo não se deu conta do interesse. Na sua modesta opinião, Shion era por si só interessante. E uma frase que ele falara não saíra da cabeça de Milo por toda a tarde em que passou na biblioteca com Shaka e Mú. Os dois fazendo o trabalho do Tibete, e Milo fazendo o trabalho da OMC, sanções comerciais e afins... Eu devia ter ficado com alguém...
Será que Milo também não devia ficar com alguém? Essa de esperar se apaixonar podia ser uma fria. Olha aí o que aconteceu com o Dr. Shion. Esperou pelo amor e ficou sozinho. Será que esse não era o destino dele, Milo? Ficar sozinho? Será que ele não devia tentar, tentar de verdade ficar com alguém? Será que aquele maldito Aiacos tinha razão? Ele sempre ficaria sozinho? Todo mundo parecia estar se arranjando... Mú e Shaka (ele já estava se sentindo uma vela estudando com os dois) ... Marin e Aioria (sim, ele e Shina os juntariam de alguma forma!) ... Kamus e Afrodite (aarrgh!).
Somente ele ficaria sozinho. Como sempre. Organizando as baladas, brincando com todos e... sozinho! Como Shion! E ele ouviu novamente a voz de Saga, baixa, rouca... Milo, eu te amo! Por que essa frase não saía da sua cabeça?
Enfim, Milo estava prestes a cometer um erro comum. Tomar uma decisão baseada na experiência de outra pessoa.
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Depois de um dia miserável, Saga finalmente desligou seu computador. Ele brigara com quase todos os que ousaram aparecer em sua sala naquele dia. De secretárias a programadores, de administradores a vendedores, todos levaram seu quinhão. Nada estava bom! Por que todos tinham que ser tão incompetentes? Aliás, por que ele tinha que ser tão incompetente? Ele tivera a chance perfeita de ficar com Milo e o que ele fizera? Chutara a chance! Ele, sim, merecia levar um chute!
Bom, agora toca para casa que ele não tinha mais o que fazer. Nem mesmo Shura e MdM o esperaram. Também, depois que ele os expulsara de sua sala, eles começaram a lhe mandar e. mails e mensagens instantâneas. Saga respondera mal a todas as tentativas de contato dos amigos. Ele queria e devia ficar sozinho.
Assim, qual não foi a sua surpresa ao sair para a rua e se deparar com Milo? No meio da chuva que nunca parava, com o cachecol jogado ao lado do seu pescoço e sem fechar a jaqueta de couro. O que ele estava pensando? Assim ele iria ficar doente de novo! Ele estava maluco? Por que não subira? E Saga se apressou a ir ao encontro de Milo para fechar sua jaqueta, arrumar o cachecol e tentar de alguma forma agasalhá-lo mais.
- Saga, sem erro. Deixa o cachecol assim que eu não gosto de enrolar no pescoço. Eu acho que vou sufocar! – mas Saga, é claro, não ouvia. Ele tinha suas próprias idéias sobre a exata forma de enrolar um cachecol. As duas pontas deviam ficar exatamente na mesma altura uma atrás, outra na frente do corpo.
- Fica quieto, Milo. Se você ficar assim vai ficar doente de novo. – agora Saga fechava a jaqueta e tentava puxar Milo para um lugar protegido da chuva.
- Saga, você não é minha mãe! – mas Milo não podia deixar de gostar do cuidado de Saga. Realmente, tirando sua mãe, ninguém nunca se preocupara assim com ele.
- Milo, vamos para um pub tomar uma coisa quente para você não adoecer.
- Tá, vamos – a idéia parecia boa afinal! Assim ele podia se livrar do incômodo cachecol.
E os dois entraram no primeiro pub que acharam. Lá, Saga fez Milo tomar um chá (claro, afinal eles estavam na Inglaterra) e só depois deixou Milo tirar o cachecol, jaqueta, luvas e pedir um whisky. E somente depois de tudo isso é que Saga realmente se deu conta de que Milo fora encontrá-lo. Ele podia jurar que Milo não iria. Que depois da forma como Saga o tratara, ele nunca mais iria querer olhar na sua cara. Que ele iria mesmo procurar outro lugar para morar. Mas ele estava ali. Ele fora ao seu encontro. Seria para dizer-lhe que iria embora? Que nunca mais iria falar com ele? O que ele faria se Milo se fosse? Possivelmente partiria para cima de Milo onde quer que ele estivesse, pensou Saga, não muito feliz com seu pensamento.
Milo, por sua vez, tinha pensamentos dos mais contraditórios. O que ele estava fazendo ali, afinal? Medo de ficar sozinho não deveria ser um bom motivo para se relacionar com alguém. Ainda mais com alguém não confiável como Saga. E mais! Por que ele não tentava com uma mulher, se ele queria mesmo tentar? Mas a resposta veio rápida... Porque ele se sentia atraído por Saga. Porque nunca dera certo com mulheres. Porque sua curiosidade fora despertada. Porque nunca antes ninguém falara que o amava. Porque ele queria tentar se relacionar e Saga parecia a melhor possibilidade disponível. Todos bons motivos, não fosse o fato de que nenhum deles era o suficiente para engatar um relacionamento. Só que, infelizmente, ninguém sabe disso antes de tentar, certo?
- Saga, eu vim te encontrar como você pediu. O que você queria me dizer?
O que, não é mesmo? Que ele era um idiota? Que ele gostava de Milo? Que não queria que Milo se fosse? Que agira errado? Que sabia que Milo havia sido drogado e se aproveitara daquilo? O que ele poderia falar?
- É que eu ... quero tentar de novo, Milo! E te pedir desculpas!
- Saga, eu também quero tentar. – pronto! Ele falara! E agora?
- ... – o silêncio de Saga refletia o quanto estava surpreso.
- Mas é claro que eu não quero que o Aioria fique sabendo. E já estou cheio de você me pegando quando eu estou doente.
- ... – Milo estava impondo condições? O que ele quisesse, claro!
- Eu estou meio curioso e preciso saber se é isso que eu quero. – Milo já estava começando a estranhar o silêncio de Saga.
- Tá. – Saga realmente não sabia o que falar.
- Só isso?
- Não! É que eu estava com tanto medo que você não quisesse mais me olhar na cara que não sei bem o que falar. – e Saga finalmente voltou a respirar aliviado.
- Que tal falar que não sabe como você deu esta sorte, hein, Saga? – e Milo sorriu para Saga com um ar de quem sabia que era gostoso.
Ah! Aquele sorriso... Lindo! Milo queria tentar ficar com ele! Os motivos não interessavam a Saga naquele momento. Ele sabia que Milo não gostava dele. Ele sentia que algo rolava entre Milo e Kamus. Mas Milo seria dele. Só dele!
- Milo, eu não sei como dei esta sorte! Eu agi errado com você. Eu juro que vou tentar me redimir. E que a gente vai se divertir junto.
- Então você vai ter que parar de enrolar o meu cachecol daquele jeito!
- Ok. Vou te dar um sweater com gola rolé!
- Opa! Isso é coisa de mulherzinha, não é?
- Claro! Mas se você não quer mais que eu vá para cima de você quando você estiver doente, melhor não ficar doente, certo Milo?
- Hahaha! Ameaça?
- Você não faz nem idéia, meu amor.
Meu amor! Lá estava novamente. Talvez aquela não fosse uma má idéia. Ele podia se acostumar com alguém que o chamava de meu amor, cuidava dele e se importava com ele. E Saga realmente era atraente. Moreno. Elegante. Alto. Com a voz rouca. Os olhos escuros. Misterioso. Sim, ele podia tentar. Saga o atraía.
Já Saga não cabia em si de feliz. Milo resolvera ficar com ele e estava brincando como se nada tivesse acontecido. E sorria para ele com aquele sorriso de derreter geleira. Talvez ele não tivesse sido tão mau na última noite, afinal! Era tão fácil falar com Milo. Era tão fácil gostar de Milo. Dessa vez ele iria tratá-lo bem. Sem drogas, sem mentiras, sem forçá-lo. Bom, pelo menos enquanto ele se comportasse.
Saga contou um pouco para Milo sobre Kanon. Milo contou um pouco para Saga sobre sua vontade de ter um relacionamento estável. O local não era propício para trocas de carícias, mas Saga não pode deixar de segurar o pulso de Milo e sussurrar no seu ouvido com sua voz rouca:
- Bom, meu amor, agora que você resolveu me dar uma chance, o que você acha de deixar eu te dar algo em troca, hein? – ao sentir o pulso de Milo se acelerar sob seus dedos, Saga se levantou para pagar a conta. Naquela noite ele trataria Milo como ele merecia.
E, juntos, eles foram para casa meio alegres depois dos drinks que tomaram.
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Aioria estranhou a chegada dos dois, tão felizes e juntos, mas resolveu não falar nada. Não falou nada nem mesmo quando os dois foram fumar e voltaram estranhamente quietos e sorridentes. E resolveu ir dormir antes que tivesse que conter sua língua mais uma vez.
Milo, por sua vez, tão logo notou que Aioria dormira, foi para o quarto de Saga. Tudo estava escuro. Saga estava dormindo. Milo, então, subiu por cima de Saga, acreditando-o adormecido. Mas, é claro que Saga não estava dormindo. Ele esperava por Milo conforme tinham combinado enquanto fumavam. Milo era tão inocente. Em questão de segundos Saga se virou e prendeu Milo por baixo de si. Dessa vez ele faria tudo para dar prazer a Milo. E para si mesmo.
Saga começou, então, a tirar o moleton de Milo e o seu próprio. Encantou-se novamente com os músculos bem definidos de Milo e começou a acariciar seu corpo e a esfregar-se contra Milo. Milo se arrepiava e gemia baixinho. Saga, então, o beijou e, num momento de entrega, pegou as mãos de Milo e as amarrou com o seu próprio cachecol, que ele havia deixado cuidadosamente pendurado na cabeceira de sua cama.
- Não, Saga! – Milo ficou apreensivo. Será que Saga iria novamente forçá-lo? Será que aquele outro Saga iria aparecer?
- Calma, meu amor. Eu só quero te mostrar para que mais serve um cachecol... – a voz rouca, marcada de desejo, excitou Milo.
Saga, por outro lado, excitou-se ainda mais ao sentir que havia dominado Milo. Assim amarrado ele não poderia opor a mínima resistência. Milo era seu para fazer o que quisesse. E nada, absolutamente nada, excitava Saga mais do que dominar Milo. Então, Saga sentiu a excitação de Milo e resolveu dar a atenção que ela merecia. Parou de beijar Milo e desceu sua língua até a ereção, e a tomou em sua boca. Milo gemeu.
- Meu amor, se você continuar gemendo alto assim, o Aioria vai acordar. E é você quem não quer que ele saiba... Será que vou ter que te amordaçar também?
Um estremecimento percorreu o corpo de Milo. Ele não conseguia deixar de se sentir atraído por Saga. Até mesmo o receio de Saga vir a forçá-lo parecia impulsioná-lo para Saga e aumentar sua excitação. E Saga, meticulosamente, o chupou até que ele gozasse e o virou de bruços, para começar a prepará-lo. Milo gemia o mais baixo que podia, mas sua respiração estava pesada. Seu coração estava disparado. Ele nunca se sentira tão excitado. Saga, por seu lado, maravilhava-se por ver Milo tão entregue, mas tentando se controlar. Sim, um dia desses ele iria amordaçá-lo também. Mas não hoje. Hoje ele queria ouvi-lo gemer. Gemer e chamar o seu nome.
Saga, então, penetrou Milo e sentiu a reação do seu corpo. Milo gemeu. Devia ter doído. Mas dessa vez ele seria carinhoso. Ele daria prazer a Milo. E Saga se abaixou e falou perto do ouvido de Milo:
- Milo? Você é lindo! E você é meu! Eu te amo!
E enquanto Milo processava o que ouvira, Saga deu uma nova estocada, dessa vez mais forte e ouviu Milo gemer e o sentiu ceder em baixo de si. A partir de então nenhum dos dois soube mais exatamente o que fazia. Até que Saga explodiu de prazer, quase ao mesmo tempo que Milo, que chamou o nome de Saga entre um gemido e outro.
Antes de se entregar ao sono, o último pensamento de Milo foi sobre o acerto de sua decisão de ficar com Saga.
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Vocês devem ter notado que eu demorei um pouco, não é? É que eu tirei uma semana de férias. Sem computador. Sem internet. Sem chefe. Sem prazos. Pena que acabou. Mas pelo menos ainda estou em férias da faculdade!
Bom, eu sei que é uma pena quebrar o casal Milo-Kamus, mas esse desvio é necessário para a história. E, afinal, o Saga está longe de ser uma má escolha! (e sei que a Tsuki Torres concorda comigo). E dessa vez dei um foco maior ao Shaka e ao Mú (espero que a Musha tenha gostado!)
Gostaria de agradecer às reviews da Dark Ookami, da Musha, da Gigi, da Elena, e da Dionisiah. Vocês são muito fofas! Obrigada! E gostaria de aproveitar para implorar por reviews (sim, de novo!). Além de eu ser uma fic writer estreante, eu tive o azar de perder um monte de reviews. Tenham dó de mim! Por favor!
Beijos da
Virgo-chan
Jul/06
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