História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo 23 – Hospital
- Roxos...?
- Como Saga?
- ... Eles são... roxos...? - que bom! Ele falava em inglês, o que era um ótimo sinal, considerando-se que não era sua língua natal.
- Saga, que bom que você acordou! Você está melhor? - havia um evidente tom de alívio na voz de Shion, mas Saga não notou... Ele tinha uma vaga idéia sobre quem seria aquela pessoa. Ele não sabia direito onde estava. Mas ele sabia que queria uma informação.
- Roxos...? – evidentemente Saga estava falando de seus olhos, deduziu Shion.
- Sim, roxos... Estranhos, não? - Shion colocou a mão na testa de Saga, por força do hábito.
- É... Eu gosto... - e Saga fechou os olhos. Shion tirou a mão e começou a se afastar, quando Saga falou novamente.
- Sua mão... Ela ... faz minha cabeça parar de doer ... – Shion estremeceu. Aquele era o dom. Saga também o sentira. E ele o julgara incapaz.
- Eu sei, Saga, mas você precisa descansar agora. Eu deixo a mão até você dormir – e Saga dormiu em seguida.
Shion, então, o examinou brevemente. Dessa vez ele não havia desmaiado. Aparentemente ele havia dormido realmente. E Shion o deixou descansar. Por vezes o contraste da tomografia causava aquele efeito nos pacientes. Saga havia desmaiado um pouco antes de chegar à sala de exame. Mas eles decidiram dar seguimento ao exame e o acordaram. Não era normal que após uma queda o paciente começasse a passar mal daquele jeito, inclusive com vômitos. Aquele era um péssimo indicativo. Saga, então, fora examinado e levado consciente até o pronto socorro, onde fora acomodado em uma cama. Era visível que ele não estava bem. Ele parecia meio atordoado, com pequenos lapsos de memória, muito embora razoavelmente consciente do que estava acontecendo.
Shion estava saindo à procura de Milo quando o celular de Saga tocou pela milésima vez. Seria melhor atender? O celular não parara de tocar desde que Saga entrara no hospital. Quem seria? Mas Saga abrira os olhos e procurava pela fonte do som com os olhos. Shion lhe estendeu o telefone e perguntou se Saga queria que ele segurasse para ele. Saga concordou de forma vaga e Shion colocou o telefone em seu ouvido:
- SAGA! Onde você está?
- ...
- SAGA! Você está bem? – Shion podia ouvir a voz desesperada do outro lado da linha, muito embora não identificasse as palavras. Saga, por sua vez, parecia não registrar nada, até que finalmente falou...
- ... Kanon... É você...?
- SAGA! Você está bem? - Saga olhava para o vazio, sem saber o que fazer, o que levou Shion a pegar o telefone e falar com a pessoa do outro lado da linha. Fosse quem fosse, parecia em desespero.
- Alô? Quem fala?
- Aqui é o Kanon. Quem é você? Preciso falar com meu irmão! - o tom passara do desespero ao agressivo em centésimos segundos.
- Saga está no hospital e eu tirei o telefone das mãos dele... Eu sou o médico dele. – era estranho se apresentar assim. Até hoje Shion não se acostumava à mudança de tom que fatalmente viria após a apresentação.
- Doutor! – o respeito agora era evidente naquela voz - Saga está no hospital? O que aconteceu? Ele está bem? Que hospital? Estou indo para aí. Eu sou o irmão dele.
Shion passou as coordenadas ao irmão de Saga, desligou o telefone e observou Saga novamente. Ele estava com os olhos abertos e vazios.
- Kanon... ele ... vem para cá?
- Seu irmão falou que está vindo, Saga!
- Kanon...! – seria amor ou apreensão? Que sentimento vibrou na voz de Saga, perguntou-se Shion. Ele estava se preparando para sair novamente, quando Saga o chamou.
- Dr. Shion... o senhor poderia por a ... mão na minha cabeça ... novamente? - então Saga sabia quem ele era, pensou Shion. Aquele era outro ótimo sinal! - Ela... dói.
- Claro, Saga! - disse Shion sorrindo.
E Shion colocou a mão na testa de Saga até que ele voltasse a dormir e, em seguida, saiu para procurar Milo. Estranho... Saga não perguntara por Milo... Será que ele se lembrava? No caminho receitou algo para a dor de cabeça de Saga. Nada muito forte que pudesse mascarar os sintomas.
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Difícil explicar tudo o que se passara na cabeça de Kanon durante o curto trajeto da casa de Saga até o hospital. Saga! Seu ídolo! Seu irmão! Seu amigo! A pessoa mais ligada a ele mesmo de sua vida! E ele o machucara muito. E agora Saga estava machucado... Teria sido toda aquela competição necessária? Teria ela sido real? Será que alguma vez Saga competira com ele ou será que o tempo todo ele competira sozinho? Agora a resposta chegava... O conhecimento era mesmo uma coisa engraçada... Ele chegava de uma vez e derrubava tudo o que fosse obstáculo a ele.
Kanon passara a vida magoando Saga. E agora ele finalmente entendia que fizera aquilo sem motivo algum. Saga nunca fizera nada para causar dor a Kanon. Ele não tinha culpa de ser daquele modo. Ele não tinha culpa. Mas Kanon o culpara da mesma forma. Meu Deus! O que eu fiz para o meu irmão?
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Kamus estava desesperado. Ele tentava há mais de uma hora ligar no celular de Milo, mas ele tocava, tocava e ninguém nunca atendia. Ele já lotara a caixa de recados. Ele tinha certeza de que algo de muito ruim havia acontecido a Milo e, em sua cabeça, o culpado só podia ser Saga. Afinal, Saga ameaçara Milo.
Como ele dormira e deixara isso acontecer? Ele devia ter trancado a porta e sumido com a chave. Ele podia ter algemado Milo na cama. Ele podia não ter dormido. Ele podia e devia ter feito tanta coisa que não fez. E agora se Milo estivesse machucado de alguma forma, ele seria culpado junto com Saga. Ele nem mesmo avisara Milo do perigo. Ele fora extremamente inconseqüente. E ele não sabia o que fazer para encontrar Milo. E, pela milésima vez, Kamus leu o bilhete que Milo lhe deixara:
Meu Belo Adormecido lindo:
Fui para casa. Preciso falar com uma pessoa. Não quero nem pensar em passar a noite longe de você. Então, já volto! Ah! E eu até escreveria em grego, mas como você não entende, vai assim mesmo: EU TE AMO!
É! Em francês fica mesmo mais bonito. Bom, fazer o que? Alguma vantagem os franceses deviam possuir, certo?
Até já! E a próxima é a minha vez!
Milo"
Kamus traçou com os dedos cada letra da frase tão querida. O que ele podia fazer? O que ele devia fazer? E Kamus voltou a ligar para o celular de Milo.
Foi quando seu próprio celular tocou.
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Shion estava procurando Milo ao longo das divisórias que lotavam o setor de emergência do Hospital, quando notou uma movimentação incomum em uma das baias. Um entra e sai de enfermeiras, enfermeiros, médicos plantonistas, recepcionistas. Intrigado, Shion chegou mais perto e começou a ouvir algumas vozes e uma espécie de jogral permeado por várias, inúmeras gargalhadas e risadas abafadas. Tão anormal tanta alegria naquele lugar, pensou Shion:
- Gente, gente! Assim eu nunca vou conseguir saber o que eu tenho. Mais devagar, por favor. E vê se alguém acha o meu celular. Eu não sei onde deixei! E eu já estou procurando há um tempão! – a voz de Milo ainda saía de forma dolorosa e permeada por alguns gemidos, mas era inegável o tom divertido. E Shion ouviu novamente o jogral:
O Milo torceu o braço
Mas é o rei do pedaço
E distendeu o tendão
Mas mora no meu coração
Nas costas deu mau jeito
Mas ele é quase perfeito!
E quase quebrou o pescoço
Ah! coitado do moço!
E sente muita dor
Mas que coisa! Mas que horror!
Shion se pôs a rir, mas desfez o rosto alegre antes de adentrar a baia na qual estava Milo, com o braço engessado, a perna enfaixada e vários curativos ao longo do peito e das costas, tudo meticulosamente enfaixado por bandagens. Sua cama estava rodeada por cerca de sete pessoas, sendo que duas enfermeiras (por que duas?) davam-lhe comida na boca. E, sério, Shion falou:
- Ora, ora. O que temos aqui? - o constrangimento dos presentes era evidente. Aos poucos eles começaram a sair de mansinho, evitando o olhar do chefe do pronto socorro.
- Pôxa, Dr. Shion! Eles estavam me ajudando a lembrar tudo o que eu quebrei! Eu nunca iria me lembrar sozinho... Pega leve com eles. – e Milo tentou se levantar da cama, soltando um gemido contido.
- Milo! – Shion o ajudou a deitar novamente - Agora você precisa de repouso. Você vai passar a noite aqui. Eu vou te prescrever um analgésico forte para a dor melhorar e ...
- Passar a noite aqui? – ah, pensou Milo, ele perdera mesmo a chance de voltar para a casa de Kamus.
– É, Milo! Você desmaiou, não foi? Tem que ficar em observação!
- É que eu achei que ia conseguir sair hoje... – novo gemido.
- Balada de novo, Milo?
- Não, não! Outra coisa... – o rosto de Milo assumiu um ar anormalmente triste e pensativo... ah, meu francês, por favor, me espera. Me espera mais um dia!
- Posso te ajudar, Milo? - só se o senhor tiver o telefone do Kamus, pensou Milo. Sem celular, sem o número, preso no hospital. Como vou achar o Kamus?
- Dr. Shion, será que ... Não! Deixa quieto!
- Quer que eu avise alguém que você está aqui, Milo?
- Eu... não sei!
A dor de cabeça voltara forte, enquanto Milo começava a considerar. Sem a agenda do celular ele não sabia o telefone de ninguém, só do Aioria. Mas perturbar o Aioria no seu primeiro final de semana com a Marin estava fora de cogitação. Ele iria avisar o Kamus amanhã, fazer o que? Será que Kamus teria chance de achar alguém em tão pouco tempo? Não! Nem mesmo Kamus conseguiria ficar com outro alguém em tão pouco tempo, pensou Milo para se tranqüilizar. E Kamus falara que o amava. Ele não seria substituído tão facilmente... E aquela dor que o impedia de pensar direito. Shion olhava para Milo sabendo que ele queria algo, mas que não tinha coragem de pedir. O que seria? Milo finalmente pareceu chegar a uma conclusão e falou:
- Doutor, e o Saga? Ele estava com o senhor da última vez que eu o vi. – imediatamente Milo notou que havia algum problema com Saga. Shion sentou-se na cama de Milo e pediu.
- Milo? Me conta exatamente o que aconteceu.
E Milo começou a contar, enquanto uma enfermeira colocava no soro um remédio para a dor e um para ajudá-lo a dormir. Logo, Milo dormiu.
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Tão logo Shion saiu da baia de Milo ligou para Kamus. Ele não podia ter certeza absoluta, mas algo lhe dizia que Milo gostaria de ter avisado Kamus... Mas ainda que isso não fosse verdade, de uma coisa ele tinha a mais absoluta certeza! Kamus gostaria de saber o que acontecera a Milo. E Shion ligou para Kamus. Claro que ele era médico e não podia se sensibilizar com todos os problemas de seus pacientes, mas Shion sentia-se como que ligado àquela turma específica de estudantes. Algo que como se uma ligação invisível existisse entre ele e aquelas pessoas... algo de que ele não pudesse se lembrar... Mas a voz de Kamus atrapalhou o curso daqueles pensamentos:
- Oui?
- Kamus? Aqui é o Shion!
- Dr. Shion!
- Eu estou com o Milo aqui no hospital... – a avalanche de palavras em francês pegou Shion de surpresa... - Kamus, fala mais devagar...
- Que hospital, doutor? O que aconteceu? Est–ce qu´il est bien? Ele está vivo? Ele pode falar?
- Calma, Kamus. Ele está bem, vivo e pode falar, mas agora está dormindo. Você não gostaria de vir para cá? Daí a gente conversa! Anota o endereço!
Shion desligou. Pobre Kamus! E agora ele teria certeza absoluta que fora Saga quem causara o acidente... Já Shion tinha sérias dúvidas... Milo não parecia achar que fora Saga e, ainda que fosse, Saga se jogara escada abaixo para ajudar Milo. Não lhe parecia que Saga realmente quisesse machucar Milo! E, ao final, Saga parecia ter saído mais avariado do acidente do que o próprio Milo. Não, Saga não jogara Milo escada abaixo. Disso Shion estava quase convencido. Agora faltava somente convencer Kamus disso... É, seria difícil!
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Kanon adentrou o hospital como um vendaval. Chegou à recepção e praticamente gritou o nome de Saga. Saga Kyrillos. E correu pelo PS até chegar à indicada baia de Saga, que estava dormindo. Ele se conteve bastante para não chacoalhar Saga e acordá-lo. Ele precisava saber que Saga estava bem. Então ele se debruçou sobre Saga para saber se ao menos ele estava respirando.
Enquanto isso se passava, Shion entrou na baia, avisado pelas enfermeiras de que o seu paciente da última baia estava correndo entre as divisórias. Shion correu desesperado! Mas que raio de reação estapafúrdia seria aquela? Ele nunca ouvira falar de correria desenfreada como um sintoma posterior de uma concussão. Será que havia algum artigo que ele não lera?
Shion entrou na baia desbaratinado quando viu alguém debruçado sobre a cama. Um Saga deitado, outro Saga debruçado sobre o primeiro. Ahháá! Não era sintoma médico. Era um caso clássico de espírito desincorporado... Devia ser isso! Não, Shion! Pensa! Isso não existia... ou melhor, existia, mas ele como médico não deveria acreditar. Médicos só acreditam em evidências. Mas ele acreditava neste lado espiritualizado na vida... Mas ele era médico. Mas o que seria aquilo? Claro! O IRMÃO DE SAGA! Eles deviam ser gêmeos. Sim, sim, sim. Uma explicação lógica, afinal!
- Você deve ser o irmão de Saga, certo? - Shion falava cautelosamente, pois ainda existia a possibilidade de ser um espírito desincorporado, afinal (ok, ele era médico, mas acreditava!).
- Sim! Dr. Shion? Eu sou o Kanon! Me conta o que aconteceu! O Saga está bem?
Shion encostou-se na única parede real que existia naquela baia. Um irmão gêmeo. Mas Shion nunca vira gêmeos adultos tão parecidos. Eles eram absolutamente idênticos. A mesma aparência, o mesmo jeito, a mesma forma de se vestir, o mesmo cabelo, os mesmos olhos, a mesma voz, o mesmo ar superior. Idênticos.
- Dr. Shion? Aconteceu alguma coisa? O senhor está com medo de me falar do Saga? Ele não está bem? – coitado, o irmão desesperado e ele ali, sem falar nada!
- Kanon, o Saga rolou a escada do prédio dele e bateu a cabeça. Ele, ao que tudo indica, teve uma concussão.
- O que isso quer dizer, doutor? - maldita linguagem de médico, pensou Kanon.
- Quer dizer que ele teve uma perda da consciência e da memória de curta duração que ocorreu após uma lesão cerebral, sem causar nenhuma lesão orgânica evidente. Muitas vezes isso acontece após um traumatismo crânio-encefálico menor.
- Como?
- Ele desmaiou, Kanon, depois de bater a cabeça. Mas não parece nada sério, já que o exame não mostrou nada. Será que eu falei grego?
- Não, doutor! Não falou. Se fosse grego eu entenderia, certo1?
- Er... certo!
- Então o Saga está bem?
- Ele está meio confuso, mas está bem. Se ele não apresentar sintomas à noite, amanhã de manhã eu o libero!
- Mas que ótimo! - Kanon quase pulou em cima do médico, tamanha sua felicidade. - Eu vou levá-lo para casa, então. E vou ficar cuidando dele!
- Então você também vai levar o Milo.
- Quem é o Milo?
- Você não conhece o Milo?
- Nunca ouvi falar, doutor!
- Vamos à minha sala, Kanon. Nós temos muito o que conversar.
E Kanon o acompanhou encanado. Seria o Milo o tal namorado do Saga? E ele também estava no hospital? O que teria acontecido de verdade?
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Shaka acordou sentindo-se estranho. Algo acontecera. Mas tudo parecia bem. Seu carneirinho dormia em seus braços, cansado depois de tanto esforço. Shaka não pode conter um leve sorriso, enquanto agradava o lindo rosto de Mú. Concentre-se, Shaka! Sua família... Ele não sentiu nada estranho por lá. Seus amigos... Kamus! Era isso acontecera algo com Kamus. Ou com Milo. O que podia ser?
Shaka levantou-se suavemente para não acordar Mú e foi correndo ao telefone. Ele ligou para a casa de Kamus, mas ninguém atendeu. O celular. Desligado! O que podia ter acontecido? Ele vira Milo e Kamus andando em direção ao parque. Será que aqueles cabeçudos se desentenderam novamente? Não dava mais! Shaka teria que tomar aquele assunto em suas competentes mãos.
E ele precisaria de ajuda. Quem será que ele podia recrutar para a força-tarefa? Sem dúvida o Mú. E a Shina. E o Aioria e a Marin. Afrodite? Também. Aldebaran. Claro! Os dois cabeções precisavam de ajuda e eles iriam em seu socorro. Shaka já estava cheio deste baixo-astral! E se ele trabalhasse, ele esqueceria suas próprias encanações e seria feliz também! Nada como ser útil para manter um virginiano feliz! Pronto! Tudo resolvido. Agora tudo o que ele precisava era de um plano!
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Kamus finalmente chegou à baia de Milo. Ele o viu dormindo, enfaixado e engessado. Kamus sentiu uma dor muito forte em seu peito. Ver Milo assim, machucado, sozinho em uma cama de hospital. O soro preso à sua mão esquerda. Seu rosto pálido. Era muito para ele. Sua vontade era chorar. Chorar muito. Milo estava machucado e a culpa era sua. Ele não conseguira impedir. Ele não avisara Milo do perigo. Ele ignorara o aviso que recebera. Ele era culpado... Como fora culpado pela morte de Isaak ... Não! Chega Kamus!
Kamus sentou-se ao lado da cama de Milo e considerou a conversa que acabara de ter com Shion. Shion podia pensar o que quisesse. Para Kamus, porém, era óbvio que fora Saga quem fizera aquilo com Milo. Saga ameaçara machucar Milo se Kamus insistisse em ficar com ele. Kamus insistiu e, em seguida, Milo aparecia machucado. Era mais do que óbvia a culpa de Saga. Ah! Se ele estivesse em seu país! Se ele tivesse alguma prova. Se alguém concordasse em testemunhar contra Saga. Mas nem mesmo Shion concordara. Ele não podia fazer nada. Ele sabia que não iria fazer nada. O melhor que ele podia fazer era se afastar de Milo. Assim nada mais iria atingi-lo...
Mas ele ainda não conseguiria. Ele iria ficar com Milo enquanto ele estivesse dormindo. Ao menos ele poderia vê-lo. E Kamus contornou alguns cachos de cabelo de Milo que se sobressaíam sobre o lençol extremamente branco da cama do hospital. Nenhuma reação. Tão lindo! Então, Kamus contornou o rosto de Milo de leve. Dessa vez ele podia jurar que Milo sorrira dormindo. Seu anjo! E sorriu dormindo! Ah! Que vontade de beijá-lo! Mas ele não podia. Milo nunca mais seria seu. Nunca mais seria o seu anjo! Era melhor isso do que sabê-lo machucado. Imediatamente os versos de uma antiga música francesa chegaram a sua mente:
C'est une chanson qui nous ressemble / Toi tu m'aimais / et je
t'aimais / Et nous vivions tous les deux ensemble /
toi qui
m'aimais / et que j'aimais / Mais la vie sépare ceux qui
s'aiment / tout doucement / sans faire de bruit /
et la mer efface
sur le sable / les pas des amants désunis...23
Não! Ele jurara que não choraria. Afastar-se seria melhor para Milo. Kamus passou quase a noite toda sentado ao lado da cama de Milo, velando por seu sono. Às vezes ele o ouvia gemer, às vezes suspirar. Uma vez ele o ouviu chamar por si. Onde ele acharia a vontade necessária para sair da vida de Milo?
E, finalmente, os raios de sol começaram a brilhar fracamente. Já era um milagre que o sol brilhasse no inverno londrino. Isso deveria dar-lhe a força necessária. Kamus se levantou e tocou, com seus lábios, os lábios de Milo, que se mexeu fracamente. Kamus se despediu em pensamento. Ele nunca esqueceria Milo. E Kamus se foi. Ele esperava que seus passos fossem logo apagados do caminho da vida de Milo. Talvez assim ele não lhe fizesse mais mal.
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Olá a todas! É a Virgo-chan de novo! Eu também estou com pena do Kamus. Esse francês é tão lindo. Mas tão complicado... Tudo a ver com aquela lógica própria dos aquarianos, a meu ver. Engraçado como o Milo só se dá mal, mas eu sempre acabo com pena é do Kamus... Deve ser amor. Mas nós sempre podemos contar com o Shaka! (meu cavaleiro maravilhoso!)
Bom, eu gostaria de avisar que comecei a escrever uma outra fic. Chama-se Nunca te esqueci. Quem puder, por favor, dá uma lida e me deixa um recado dizendo se está boa ou não. (Sim, Kanon, você terá mais espaço nesta nova fic). ( Não! Não mais do que o Saga!). (Ah! Que competição cansativa...). (Não falei nada, Kanon!)
Agradeço às reviews maravilhosas que recebi de Gigi, Dark Ookami, Tsuki-chan, Hikaru, Tsuki Torres, Musha, Dionisiah, Srta. Kido, Dana, Haiku e Nuriko. É principalmente devido a vocês que escrever esta fic me deixa tão feliz! Obrigada! Muito obrigada!
E agradecimentos especiais à minha beta, Nuriko-riki, que escreveu uma fic maravilhosa!
Virgo-chan
Set/06
1 Virgo-chan estava louca para fazer essa piada infame! Eheheheh
2 É uma canção que nos faz recordar. Você que me amava e eu que te amava. E nós vivemos juntos. Você que me amava e eu que te amava. Mas a vida separa aqueles que se amam. Docemente. Sem fazer barulho. E o mar apaga na areia os passos dos amantes separados (tradução livre da própria Virgo-chan).
3 A música é Les Feiulles Mortes. Ela é cantada por Edith Piaf ou por Yves Montand (bem que o Flor falou que música francesa é de fossa, não é?).
