História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo – Pontos de Vista
Kanon
Bom, era ÓBVIO que Milo iria se atrasar para a faculdade. Ele ficara cerca de 35 minutos no banho. Aliás, como ele tomara banho se estava todo enfaixado e engessado? Devia ser por isso que ele fora para o banheiro com tantos sacos plásticos. Coitado! Ele devia ter se enrolado nos sacos plásticos para poder tomar banho. Vestir-se fora outra demora. Milo pegara a calça cortada no hospital, já que sua perna estava enfaixada e pegara emprestado um casaco imenso de Saga, de forma que conseguiu se aprontar quase um hora depois de ter levantado. E Kanon o ajudou a descer as escadas, a pedido de Saga, que ainda estava sonolento. Por pouco Milo não caíra novamente umas 10 vezes. Seria um verdadeiro suicídio para Milo subir e descer estas escadas enquanto estivesse de muletas. O cara era um desastre, pensou Kanon sorrindo. Ele precisava falar com Saga sobre isso. Eles precisavam pensar em mudar Milo para algum lugar sem escadas.
Mas, enfim, eles chegaram ao térreo e Kanon colocou Milo em um táxi. Ele não podia deixar Saga sozinho. E, agora, finalmente, ele iria conversar com Saga sobre se ele estava ou não com Milo. Kanon não estava entendendo nada. E Saga estava sendo evasivo ao extremo. Kanon sentia que havia algum problema ali, mas ele não podia perguntar a Saga na frente de Milo. Mas tão logo Saga acordasse realmente, ele iria perguntar. Somente se soubesse o que estava acontecendo é que Kanon conseguiria ajudar Saga!
E ajudar Saga era sua prioridade absoluta! E, depois disso, ele tentaria ajeitar as coisas com Afrodite!
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Aioria
Cacete! O que foi que o Milo fez agora? Muletas, gesso, faixas... Ele está todo quebrado e, mais uma vez, atrasado para a aula do Prof. Dohko. Xiii, estou vendo que isso não vai terminar bem! Mas dessa vez o Milo caprichou. Ele já torceu o braço, a perna, e vários dedos. Ele já deslocou o ombro, a mão e o pé. Acho até que ele já quebrou o nariz e já ficou com tampão no olho. Mas tudo de uma vez como agora... Nunca vi! Será possível que não posso ficar nem um final de semana longe que ele se quebra inteiro? O Milo é um carma! Um inútil! Um desligado! Um desajeitado! Ele precisa sempre da minha ajuda! E POR QUE ELE NÃO ME LIGOU QUANDO SE MACHUCOU? Isso não vai ficar assim. O Milo vai ouvir poucas e boas quando a aula acabar! Idiota!
E Aioria levantou-se e foi ajudar Milo com suas coisas. A Shina, é claro, também foi! Tudo bem que ela tinha o gênio do cão, mas era uma amiga fiel como poucas. E Marin simplesmente adorava a Shina. E o Milo também. É, ela devia ser gente boa!
A classe congelou com a entrada de Milo. Todos olharam para Milo e, por óbvio, o professor odiou que Milo ganhasse mais atenção do que ele próprio e tão logo Aioria e Shina instalaram Milo e suas coisas em uma cadeira na primeira fileira, o professor o olhou malignamente e falou:
- Senhor Keramidas! Vejo que o senhor desenvolveu um novo método de perturbar minha aula! - Se segura, Milo, pensou Aioria.
- ... – aparentemente Milo recebeu as ondas mentais de Aioria e não falou nada. Ele parecia mais interessado em olhar a classe e ver se alguém estava lá.
- E espero que o médico da instituição não apareça hoje também para interromper minha aula! - Se segura, Milo, pensou novamente Aioria.Mas dessa vez Aioria falhou miseravelmente!
- Acho que ele não virá, professor. Afinal, nós passamos todo o final de semana juntos!
Oh, Deuses! Quando pisam no pé do Milo ele definitivamente fica venenoso como um escorpião, pensou Aioria. Ante o olhar viperino que o professor lançou a Milo, Aioria e Shina prepararam-se para defendê-lo fisicamente, se necessário fosse, pois o professor parecia prestes a partir para cima de Milo.
- O senhor é um desqualificado, sem vergonha, inútil, vou providenciar sua suspensão... – estourou o professor Dpohko, descontrolando-se completamente.
A classe inteira estava indignada. Afinal, o Milo estava todo quebrado! O professor o agredira despropositadamente. Ele respondera de forma venenosa, é verdade, mas, ainda assim, civilizada. Nada que justificasse aquele descontrole. O professor Dohko fazia um triste papel em frente à classe toda! Aioria estava a ponto de explodir em defesa de seu amigo, quando uma voz totalmente inesperada se fez ouvir. Era só o que faltava, pensou Aioria espantado!
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Shura
Quem ousava ligar para ele às 8:00hs de la mañana?Ah! Se eu pudesse puxar o fio do telefone e enforcar o infeliz, sem dúvida que eu faria isso, pensou Shura no seu habitual ânimo matinal assassino. Mas, para sua surpresa, era Saga! E Saga estava com a voz de quem havia caído de um avião em pleno vôo.
Shura desligou o telefone um pouco preocupado. Como assim, Saga caíra da escalera? Saga era a pessoa mais cuidadosa que ele conhecia. Ele duvidava que em alguma outra ocasião de sua vida Saga tivesse se acidentado. A verdade é que se Saga caíra da escalera a culpa, sem dúvida, era da escalera, que devia estar ensaiando passos de salsa! Mas Saga não lhe contara absolutamente nada sobre o tal acidente. E Shura lhe perguntara umas 20 vezes!
Saga lhe pedira para cuidar do escritório até 4ª feira. Oras, até 4ª feira ele tinha certeza de que poderia organizar muitos bolões. Ele tinha certeza de que poderia transformar a sala de Saga em um karaokê! Ele tinha certeza que daria tempo de transformar o balcão da recepcionista em um bar. E ele tinha certeza que eles poderiam transformar a empresa em uma balada noturna! Bom, a verdade é que até 4ª. feira eles iriam se divertir MUITO naquela empresa. Mas antes de tudo isso eles precisavam visitar Saga.
E Shura ligou para MdM, na certeza de que o ânimo do amigo seria muito mais assassino do que o seu àquela hora de la mañana.
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Shina
Eu vou matar questo insensibile1 Vou mandar um peixe morto para a sala dele oggi2 mesmo! Vou explodir sua macchina3! Como ele ataca o Milo assim? Não vê que ele está todo quebrado?
Shina realmente já ia responder para o professor quando ouviu:
- CHEGA! PÁRA DE FALAR ASSIM COM O MILO! Se isso continuar nós vamos reportá-lo à direção.
Dio mio! A ragazza4 estava fora de si! E Shina sentiu o orgulho invadí-la fortemente. Sua amiga! MARIN! Para Shina desde o começo foi mais do que óbvio que Marin não tinha sangue de barata! E, afinal, quem é que agüentava aquele professor obtuso atacando o Milo? Justo o Milo, que sempre era tão legal com todo mundo? E se o Shaka tivesse razão, além de tudo o Milo estava sofrendo muito por causa do Kamus. Bonito, elegante, rico e tudo o mais... mas frio demais para Shina! Mas se era ele quem o Milo queria, era ele quem o Milo teria. Afinal, o Milo sempre ajudara a todos. Ele merecia que todos o ajudassem! Todo mundo concordara com os planos de Shaka! Mas talvez agora eles tivessem que rever os planos, já que o Milo estava naquele estado lastimável. O que teria acontecido com ele? E enquanto Shina pensava nisso, o professor virara para Marin com aquele olhar de fúria de cem dragões. Seria melhor que ela e Aioria saíssem do lado de Milo e fossem proteger a Marin? Mas Shina definitivamente achava que a Marin tinha plena capacidade de se defender de quem quer que fosse! Aqueles cabelos ruivos nunca a enganaram! E o modo magnífico como ela olhava o professor demonstrava o mais absoluto controle da situação. Não! Ela não faria niente! Marin sabia se defender. Procurar protegê-la seria deixar de acreditar na capacidade da amiga! Tomara que o tosco do Aioria entendesse isso!
Já o professor parecia ter sido concretado no chão! Por óbvio ele não esperava que uma mulher tão pequena quanto a Marin pudesse desafiá-lo. Esse era o erro dos homens, pensou Shina. Julgar as mulheres pelo tamanho ou por sua fala suave!
Sim, ela tinha orgulho, molto orgoglio5, da sua pequena amiga!
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Aldebaran
Gente! Que barraco!, pensou Aldebaran feliz. Parecia a festa de Natal de sua família. Que saudades! Tudo bem, todo mundo ficava estressado, mas Aldebaran, não! Para ele era a prova máxima do amor! Se todo mundo brigava, mas ainda assim ficava junto, era porque o amor era muito grande, certo? E ele sentia saudades desses barracos!
Mas o professor estava olhando para a Marin com cara de quem iria matá-la. E ele prezava muito a pequena amiga ruiva para deixar algo acontecer a ela. E Aioria estava do outro lado da sala. E, afinal, com seu tamanho, ele realmente não precisava fazer nada. Ele só se levantou por trás de Marin, para o professor sentir a pressão do que seria se meter com sua amiga!
Por óbvio o professor se deu conta do perigo e meramente falou, consultando sua lista:
- Marin Takigawa e Aioria Admeto. Na minha sala depois da aula!
Pronto! Tudo resolvido. Mulheres eram impressionantes! O que elas fariam se não fossem os homens a resolver as encrencas que elas arranjam?6, pensou Aldebaran. E Aldebaran sentou-se feliz! Hoje ele ligaria para sua família! Estava resolvido!
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Afrodite
Como? Como o Milo conseguia? Apesar de todo quebrado, ele ainda conseguia estar ma-ra-vi-lho-so! E, para piorar, parecia ter nascido no Dia-do-Santo-do-Cabelo-Bom! Como ele fazia aquilo?, pensou Flor com uma ponta de inveja. Ele definitivamente precisava saber o que o Milo passava nos cabelos. Oras, ele não ficara quase 1 hora lavando, escovando e passando chapinha no cabelo para conseguir aquele efeito esvoaçante? E o cabelo do Milo ficava melhor que o dele? Era o fim. O fim! Mas Flor se forçou a pensar em assuntos mais relevantes (ou melhor, tão relevantes quanto seu cabelo!). Milo e Kamus.
Kamus estava transtornado ao seu lado. Flor acreditava piamente que a agitação de Kamus era somente mais um prova da beleza devastadora de Milo. Em vários momentos daquela inusitada confusão, Flor tivera que literalmente segurar Kamus na cadeira. Que vantagem haveria se Kamus também entrasse na discussão? Milo, Shina, Aioria, Aldebaran e Marin (grande menina!) já estavam encrencados. E Flor e Kamus estavam no fundo da classe. E tudo se passava bem lá na frente.
Mas Flor sentiu a dor de Kamus quando viu Milo, todo quebrado, se arrastar para dentro da classe. Ele sentiu Kamus praticamente se descontrolar quando Milo o procurara com o olhar! E ele sentira a indignação de Kamus quando o professor começara a agredir Milo verbalmente. Bom, Milo era mesmo sinônimo de confusão. Ele sempre aprontava alguma e era sempre o centro das atenções. Sem ele na classe, possivelmente a aula do Professor Dohko seria muito mais chata do que já era!
Flor ainda não conseguira digerir tudo o que Kamus lhe contara! Com certeza Kamus magoara Milo além de qualquer possibilidade de perdão. E Kamus amava tanto o Milo! Como ele conseguia errar tanto? Como ele poderia ajudar Kamus a recuperar Milo? E essa fantástica história de Saga... Seria verdade que Saga atacara Milo? Por mais que Flor adorasse Kamus (e ele adorava!), ele ainda acreditava que Kamus estava enganado. Afinal, Flor conhecia Saga e Kanon. Ele não acreditava que Saga pudesse fazer aquilo. Ele acreditava que Saga era extremamente ciumento e manipulara Kamus. Isso, sim, fazia sentido! Mas o idiota do Kamus acreditara e chutara Milo de todas as maneiras possíveis! E, para piorar, quando Milo estava naquele estado. O que Flor poderia fazer?
Tomado por seus próprios pensamentos, Flor mal notara que a aula recomeçara e acabara. E ele viu Milo se dirigir à mesa do professor Dohko, que arrumava suas coisas. Dessa vez ele não foi rápido o suficiente para segurar Kamus, que foi apressadamente para o lado de Milo.
Que besteira o seu francezinho iria fazer dessa vez? Flor precisava, com urgência, tomar o controle da situação, já que aqueles dois eram uns incapacitados! Foi quando Shaka veio falar com ele!
Sim, ele confiava plenamente na capacidade de organização de Shaka! E depois que tudo isso se resolvesse ele podia se dedicar a tentar resolver sua situação com Kanon!
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Dohko
Ah! Se ele pudesse matar esse tal de Milo, sem dúvida ele o faria! Ele tinha certeza, certeza absoluta, que Shion estava interessado em Milo. Mas o que ele queria? Fora ele quem não aceitara o amor de Shion. Isso fora há... 18 anos? E ele ainda sentia ciúmes de Shion, como se fosse ontem. Por que ele não fora corajoso o suficiente para assumir o relacionamento? Por que ele o desprezara, casara, tivera filhos? Não era exatamente que Dohko fosse infeliz com sua escolha. Ele, meramente, não era ... feliz! E saber que Shion era livre para ser feliz o tirava do sério! Ele mal contivera a satisfação quando vira Milo se preparando para vir falar com ele. Ele já antecipara que isso aconteceria. E o que ele faria? Dohko sorriu malignamente enquanto esperava Milo se aproximar de sua mesa:
- Professor Dohko? Eu queria pedir um favor ao senhor! – a voz de Milo estava muito mais humilde do que o habitual.
- Pois não, senhor Keramidas!
- Como o senhor vê, eu estou com o braço engessado e não irei conseguir entregar o trabalho manuscrito na semana que vem. Será que eu posso digitá-lo no computador?
Dohko olhou longamente para Milo saboreando imensamente o desconforto pelo qual o fazia passar.
- Não, senhor Keramidas, não pode. Mas, se não me engano, o senhor Kamus, que aqui chega, é sua dupla de trabalho, não é? E ele não parece ter nada de errado com seu braço. Ele poderá escrever o trabalho, sem dúvida. Bom dia! – e Dohko saiu da classe feliz.
Bom, agora tudo o que ele tinha a fazer era acabar com aquela menina ruiva e o par dela. Os alunos iriam aprender a não se meter com ele. Afinal, essa era atualmente uma das poucas satisfações que ele tinha! Pobre professor Dohko! Ele não podia imaginar o que o esperava!
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Kamus
Que vontade de congelar aquele verme! Ele podia ver que ele se divertia tratando mal o Milo. Ok! Ele também tratara Milo mal, mas pelo menos ele não se divertira com isso, pensou Kamus um tanto quanto desconfortável. Kamus estava logo ao lado de Milo e tinha certeza que Milo sabia disso, mas ele não se virava para olhá-lo. Milo devia odiá-lo. Mas, afinal, não era isso exatamente o que ele queria? Que Milo o odiasse? E, finalmente, Milo se virou para Kamus. Ele podia ver que Milo estava fervendo de raiva. Então, Kamus resolveu falar primeiro, para dar um tempo para Milo se recompor:
- Milo, non liga para esse stupide. Eu escrevo o trabalho. Eu já te disse isso beaucoup de façons7. Conta comigo!
- Obrigado, Kamus. E me desculpa! Eu sou mesmo um idiota. – por que a impressão de que a última parte não tinha muito a ver com a primeira, pensou Kamus.
- Não, Milo. Não precisa me agradecer.
- Eu já separei muito material e posso te ajudar a redigir! – Milo continuou como se ele não tivesse falado nada. Definitivamente Milo não parecia bem, pensou Kamus com o coração apertado.
- Quer ficar hoje à tarde na biblioteca, Milo?
- Não. Hoje, não. Eu preciso ir para casa. O Saga está em repouso e eu tenho que ficar com ele. Pode ser amanhã? – Ah! Saga! Sempre o Saga! Ele era mesmo um maldito, pensou Kamus, cerrando os punhos de raiva.
Foi nesse momento que Aioria passou ao lado de Milo, falando em grego no celular! Milo empalideceu visivelmente e gritou algo que se parecia muito com: Não, Aioria! Kamus se assustou. O que podia ter acontecido? Mas quase que imediatamente o celular de Milo tocou e Milo começou a falar em grego. Em seguida, sempre falando, ele saiu da classe e passou pelo grupo de amigos que queria falar com ele para saber o que acontecera. Milo demorou tanto que o grupo dispersou, restando somente Kamus na classe cuidando do material de Milo e esperando que ele voltasse.
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Milo
Aioria! Quando eu puser minhas mãos em você, não vai sobrar nada para contar história! Por quê? Por que ele tivera que contar para a mãe que ele estava todo quebrado? É óbvio que sua própria mãe ficaria preocupada! Milo até mesmo se esquecera de Kamus, que o olhava preocupado. Ele até mesmo se esquecera da humilhação de depender de Kamus para escrever o amaldiçoado trabalho! E, em um minuto, seu telefone tocou. Pelo visor ele viu que era da Grécia. Oh, deuses, me dêem forças! E Milo saiu da sala para atender ao telefone!
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Mú
Mú olhava com orgulho Shaka conversar com um por um dos amigos que escolhera para compor a tal da força-tarefa! Eles marcaram de se encontrar logo depois do almoço, já que o restaurante da faculdade não era o lugar mais tranqüilo para discutir uma questão como aquela. E eles tinham que esperar por Marin e Aioria que acabaram de subir para falar com o professor Dohko. Ele ainda achava que Shaka estava errado quanto a Kamus e Milo, mas como ele poderia ter certeza? Afinal, ele era mesmo tão desligado!
Mas, enfim, o que acontecera com Milo? Ele estava todo quebrado. E parecia tão para baixo! Mú gostava verdadeiramente de Milo! Ele era sempre tão simpático, organizava quase todos os encontros e parecia estar sofrendo miseravelmente. E Mú entendia muito de sofrer. E juntar Kamus a Milo não parecia uma má idéia, afinal! (muito embora Mú ainda acreditasse que Kamus estava com Flor!). Kamus parecia uma pessoa leal. Shaka o tinha em altíssima conta. E Mú confiava imensamente na opinião de Shaka.
Os dois esperaram um pouco para falar com Milo, para saber o que acontecera com ele. Mas Milo sentia a impaciência de Shaka. O que estava acontecendo? Para sua surpresa, Shaka desistiu de esperar por Milo e o arrastou pelo braço até uma classe vazia no final do corredor e praticamente o empurrou para dentro, fechando a porta. Mú estava meio incrédulo! Quando fora que Shaka ficara tão impulsivo? Mas, isso não era importante agora. E Mú enfiou suas mãos por dentro da blusa de Shaka e começou a acariciar seu peito. Ele sentia a pele de Shaka se arrepiar com seu toque. Não demorou nada para que Shaka o abraçasse forte e tomasse seus lábios num beijo apaixonado. Mú sentiu-se derreter, como sempre acontecia quando estava nos braços de Shaka. Ah! Como ele amava Shaka!
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Kamus
O que acontecera com Milo? Ele parecia verdadeiramente preocupado. O que podia ter acontecido de tão grave? Ah! Eu juro que vou tentar aprender grego. Não agüento mais não saber o que se passa com Milo!, pensou Kamus, enquanto esperava pela volta de Milo. Vinte minutos depois, Kamus decidiu ir atrás de Milo. Algo devia ter acontecido. Ele estava mal, de muletas e podia ter caído! E Kamus o viu, no final do corredor, com as costas encostadas na parede, olhando para algo com ar desolado. E, sem pensar que ele não tinha o direito de se meter na vida de Milo, Kamus foi correndo até lá e o chamou. Milo se assustou e derrubou o que quer que estivesse segurando, bem como uma muleta. Ele estava se abaixando para pegar as coisas, quando Kamus, mais rápido, pegou-as e ajudou Milo a se levantar e a se encostar novamente na parede:
- Milo, mon chèr, o que você tem? Onde dói?
- Nada, Kamus. Não dói em lugar nenhum! – e Milo tentava arrancar o que estava nas mãos de Kamus.
Somente então Kamus olhou para o que segurava. Uma foto. Uma foto com cinco pessoas. Um elegante casal mais velho, possivelmente os pais, e três jovens, fortemente abraçados. Milo estava no meio, sorridente, entre duas garotas lindíssimas. O que mais chamava a atenção nos três jovens é que eles eram extremamente parecidos, todos com aqueles olhos azuis rascantes, e cabelos cacheados, mas somente os de Milo eram azuis. As meninas tinham cabelos em diferentes tons de loiro. Linda família, foi o que Kamus pensou, enquanto devolvia a foto a Milo.
- Sua família, Milo?
- Sim – a voz de Milo encontrava-se estranhamente sonhadora – meus pais e minhas irmãs, Galatéia e Alexandra. Eu... eu estava falando com eles agora... pelo telefone. – era como se Milo não soubesse com quem estava falando naquele momento, pensou Kamus.
- E... tout va bien8, Milo?
- Como?
- Está tudo bem com eles, Milo? – Milo estava tão estranho que Kamus se preocupou.
- Ah, sim! Eles estão bem! É que o Aioria contou para a mãe dele que eu havia me machucado e a mãe dele contou para a minha mãe e, em menos de um minuto, minha família inteira estava no telefone... – como devia ser bom ter uma família que se importava, pensou Kamus. Mas por que Milo estava daquele jeito?
- Mas, se está tudo bem, qual o problème?
- É que... eles querem que eu volte. Para a Grécia. E acho que eles têm razão... desde que eu vim para cá, deu tudo errado na minha vida...
NÃO! Isso não! Ele não agüentaria nem mesmo poder ver Milo à distância. E Kamus falou isso em alto e bom som!
- NON, MILO! VOCÊ NÃO VAI VOLTAR!
- Por quê? – surpreendeu-se Milo.
- Você vai ficar ici9 até tudo voltar a dar certo! – Kamus estava decidido! Milo, por sua vez, estava anormalmente perdido.
- Mas ... talvez se eu voltar agora eu consiga meu antigo emprego de volta!
- Non, Milo! Você fica comigo! – e Kamus levou uma mão ao rosto de Milo, apoiando a outra na parede.
Kamus sentia que Milo precisava de apoio. E definitivamente precisava de alguém que lhe mostrasse o caminho a ser seguido. Mas ao tocar a pele de Milo, Kamus sentiu-se incendiar. Ele precisava de Milo. Seria inadmissível Milo deixá-lo sozinho na Inglaterra. Milo era dele! Milo estava machucado e fragilizado! Ele iria cuidar de Milo. Ele o amava tanto! Kamus sabia que eles nasceram para ficar juntos. Ele sentia isso. E Kamus deixava seus dedos passearem sem pressa pelo rosto de Milo, sentindo cada contorno, cada linha daquele rosto que ele amava. Milo, por sua vez, aconchegou o rosto na mão de Kamus, para sentir aquele carinho com maior intensidade. E a mão de Kamus finalmente alcançou os lábios de Milo e os contornou de leve, entreabrindo-os. Os lábios de Milo eram tão macios. Kamus se lembrou dos beijos trocados e seu corpo reagiu à lembrança. Milo, por sua vez, fechou os olhos, como que se entregando àquele carinho. Kamus aproximou o próprio rosto do rosto de Milo, envolvendo-o com seu cheiro, com sua respiração suave, com seu amor e já estava a ponto de beijá-lo, quando se deu conta do que estava prestes a fazer. Não! Ele não podia! Kamus, então, deu um leve soco na parede e levantou o rosto. Milo abriu os olhos e o olhou surpreso:
- Non, Milo! Eu nunca mais quero te ver numa cama de hospital. Nunca mais! – e Kamus se afastou com pressa, trombando com Shaka e Mú que saíam da classe mais próxima.
Shaka foi atrás de Kamus. Mú voltou para a classe deles. E Milo continuou encostado à parede, com a respiração descompassada.
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Milo
O que ele estivera prestes a fazer? Ele quase deixara Kamus beijá-lo. Será que ele não tinha um pingo de vergonha na cara? Um pingo de orgulho? Kamus o chutara. Kamus o usara. Kamus pisara nele. E Kamus não mostrava a mínima consideração por ele. Ele o vira abalado depois de falar com a família e tudo em que ele pensara fora em agarrá-lo novamente. E ele não tivera a presença de espírito necessária para empurrar Kamus para longe de si. Ele era realmente desprezível. E sentia-se extremamente fraco na presença de Kamus. Mas o que Kamus dissera? Eu nunca mais quero te ver numa cama de hospital. Afinal, quando foi que Kamus o vira numa cama de hospital? Você fica comigo! O coração de Milo falhou uma batida. O que aquilo queria dizer?
- Milo? Você está bem? – a suave voz de Mú chamou Milo de volta à realidade.
- Estou, sim, Mú. Desculpa. É que eu estou tomando tantos remédios que acho que estou meio fora de sintonia. Deve ser isso.
- O Shaka pediu que eu pegasse o seu material e te levasse para o consultório do Dr. Shion. Você vem comigo?
- Claro, Mú. Mas eu posso ir sozinho. Eu não quero te dar trabalho.
- Imagina, Milo. E... eu preciso mesmo falar com o Dr. Shion.
Milo nem pensou no motivo pelo qual Mú precisaria falar com o Dr. Shion. Ele continuou a pensar nas frases de Kamus. O que aquilo significaria?
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Shaka
Enquanto seguia Kamus, Shaka repassava mentalmente sua lista de tarefas de 2ª. feira:
acordar
meditar
tomar café da manhã
ir para a faculdade
assistir a aula
falar com Afrodite
falar com Marin
falar com Aioria
beijar Mu
falar a Mu que o amava
passar na Biblioteca para pesquisar os textos indicados pelo prof. Dohko
almoçar
descobrir o que acontecera com Milo
descobrir o que acabara de ocorrer entre Kamus e Milo
voltar para casa
preparar o jantar
meditar
estudar
Mas a análise mental da lista organizacional do dia de Shaka foi brutalmente interrompida, pois que Kamus parou abruptamente e se virou para Shaka:
- Shaka? Qu´est-ce que tu veux10?
- Kamus, quero saber se está tudo bem com você! Você me pareceu um pouco transtornado e eu fiquei preocupado! – Kamus olhou para Shaka um pouco espantado. Shaka dificilmente se metia na vida dos outros. O que estava acontecendo com ele?
- Shaka, eu...
- Kamus, você sabe que pode confiar em mim, não sabe?
Engraçado, pensou Shaka, conheço Kamus há anos, mas nunca, nunca mesmo, conversamos assim. Shaka jamais se intrometera na vida de Kamus. Ele sabia que Kamus era solitário. Ele sabia que Kamus tinha algum sério problema familiar. Ele sabia que Kamus parecia precisar muito de um amigo. Mas ele nunca se metera na vida dele. Ele piamente acreditava que, se Kamus quisesse, ele sabia que podia contar consigo. Como ele mesmo pudera contar com Kamus, quando ele e Mú brigaram na boite. E, assim pensando, Shaka tentou ao menos imaginar quantas pessoas ele afastara com esse seu jeito. Quantas pessoas o acharam arrogante e distante? Quantas pessoas deixaram de se aproximar? Era tarde demais para corrigir o passado, mas ele ainda tinha tempo de corrigir o futuro, pensou Shaka feliz. Essa fora a influência de Mu em sua vida.
E Kamus, que definitivamente precisava de um amigo de bom senso, se pôs a contar tudo para Shaka, surpreendendo-se ao notar que Shaka sabia de quase tudo. Se essa nova fase de suas vidas servira para alguma coisa fora para auxiliar Kamus a se abrir mais com as pessoas. E para auxiliar Shaka a mudar seu jeito arrogante.
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Shion
- Então você arranjou encrenca com o Professor Dohko novamente, não é, Milo?
- Pois é, doutor. Minha vida seria bem melhor se o senhor se acertasse logo com ele! - Shion riu. Qual seria a chance dele um dia vir a se acertar novamente com Dohko? Nenhuma. Absolutamente nenhuma!
Milo estava na maca trocando os curativos enquanto conversava com Shion. Milo continuava divertido e bem humorado, mas Shion notava uma ponta de tristeza. Ah, Kamus! Como alguém pode errar tanto? E Milo viera acompanhado por um estranho amigo que ficara na outra sala. Um amigo que Shion ainda não conhecia. Mú era seu nome. E Shion sentia que o conhecia. Mas de onde seria? Ah! Ele tinha mesmo uma péssima memória. Mas ele sabia que se lembraria.
- E Saga, como ele passou a noite? – Shion tentou não transparecer um interesse além do profissional.
- Bem, doutor. Ele dormiu a noite toda. Quando eu saí, ele ainda estava meio sonolento. Mas eu vou para casa agora para passar a tarde com ele.
- Qualquer coisa com o Saga, me liga, certo, Milo? – dessa vez ele sentira que não conseguira segurar o interesse de todo. Ah! O que ele fizera? Milo estava com Saga, não estava?
- Doutor, por que o senhor não liga para ele?
- Para o Saga? - será que o Milo notara algo, perguntou-se Shion.
- É, acho que ele iria gostar! – é ele notara algo, pensou Shion. E não se importara, definitivamente!
- Pode ser – ele novamente assumiu o tom profissional - Mas tenho mais duas coisas para te dizer. Amanhã de manhã é a última dose do analgésico. Depois você passa a tomar um remédio comum. Isso pode te causar algum desconforto no final da tarde.
- Sem erro, doutor.
- E 4ª. feira, quando seu tornozelo desinchar um pouco mais, você volta ao hospital para fazer uma ressonância magnética para podermos verificar a extensão da lesão, certo?
- Maravilha!
- Bom, Milo. Pode ir. – Milo levantou-se e se foi, agradecendo Shion.
Quando ele saiu com Mú, Shion se lembrou que se esquecera de perguntar de onde ele era. Ele falava com um sotaque estranho. Um sotaque que lhe lembrava algo. Algo há muito esquecido.
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Outro capítulo gigante! Desculpem! É que eu quis dar um ritmo diferente à narrativa. E eu havia largado um pouco alguns personagens após o acidente! Espero que tenha ficado bom!
Kanon: Virgo-chan! Você apresentou o meu ponto de vista, mas não o do Saga! Estou TÃO feliz!
Virgo-chan: Que bom Kanon!
Kanon: É por que você gosta mais de mim do que do Saga, não é?
Virgo-chan (resignada): Kanon! Não é nada disso! Você sabe como eu adoro o Saga! E vocês não fizeram as pazes?
Kanon (descontrolado): Quer saber o que, Virgo-chan? Vou organizar piquetes junto com o Milo. Nenhum outro cavaleiro conseguirá chegar na sua fic!
Virgo-chan: Ah! Como é difícil escrever uma fic!
Bom, gostaria de agradecer às reviews maravilhosas da Dana, Gigi, Dionisiah, Sirrah, Haiku, Nuriko-riki, Tsuki-chan, Tsuki Torres, Hikaru, Musha, Áries Sin e Dark Ookami. São suas reviews que me animam a continuar. Muito obrigada!
Beijos da
Virgo-chan
Set/06
1 Este insensível
2 hoje
3 Seu carro
4 garota
5 Muito orgulho
6 Não! A Virgo-chan NÃO concorda com o Aldebaran. Mas esse é o ponto de vista dele (e dos homens em geral!).
7 Várias vezes.
8 Tudo certo?
9 aqui
10 O que você quer?
