História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo – Minha vez
- Saga? Aqui é Shion.
Saga quase engasgou. Certo que ele sabia que o Dr. Shion iria ligar naquele dia. Verdade que desde 4ª feira Saga tinha cogitado todas as respostas para todas as possíveis perguntas. Claro estava que ele até determinara o melhor tom para acompanhar cada uma das respostas às possíveis perguntas... (é, o Saga era metódico até nessas horas). Mas a energia agressiva de Shion sempre o pegava de surpresa. Agressiva? Sim, agressiva! Por mais que Shion disfarçasse com aquele sorriso onipresente, ele passava a Saga uma idéia de enorme agressividade. Não que ele fosse briguento. Não que ele fosse mal-educado. Mas definitivamente Shion parecia saber o que queria e onde queria chegar. E para tanto ele parecia disposto a usar todos os meios que julgasse adequados. Sem manipulações ou atalhos. Somente com a força de sua determinação.
O problema é que Saga ainda não conseguira saber o que ele queria consigo. Afinal, Shion iniciara o relacionamento (ou o que quer que fosse aquilo) com ameaças e ordens. Mas, depois Shion o atendera no hospital e parecera diferente. Parecera mesmo se importar com ele. Mas, afinal, ele era médico, era essa a função dele, certo? O problema (ou o que quer que fosse aquilo) se iniciara quando ele deixara o hospital. O que Shion fora fazer na casa de Saga? E aquela ligação? O tom de voz? E essa ligação de agora? Isso tudo deixava de se enquadrar na função de um médico. E, por óbvio, Saga odiava coisas fora de lugar. E Shion estava fora de sua função. Oh, deuses! Como ele se atrapalhava quando as coisas saíam fora da ordem pré-estabelecida! Sim, por isso Shion o incomodava. Claro que era isso (ou o que quer que fosse isso). Isso e a confusão em que ele se metera ao tentar controlar Milo. Não bastasse o remorso, ele ainda tinha que lidar com aquela situação atípica. Mas a voz de Shion o chamou de volta ao problema imediato:
- Saga? Você está aí e não sabe o que falar, certo? – Não! De novo não! Shion, sem dúvida, está sorrindo, e se divertindo às minhas custas.
- Hã ... er... Me desculpe! Eu estava terminando de ler um relatório.
- Sei! – Claro que ele não acredita em mim!, pensou Saga.
- É verdade! – respondeu Saga, irritado.
- Eu não falei que não acreditava em você, Saga! – nem precisa, oras!, pensou Saga mais irritado ainda.
- Saga, como médico eu posso te falar que não é bom ficar sempre irritado. – é, o sorriso onipresente devia estar no rosto de Shion. Mas... sim! Ele está dando conselhos de médico. Ele deve ter ligado como médico. Era a resposta!
- Eu sei, doutor, mas eu estou bem. De verdade! Minha cabeça não dói mais. E eu não estou mais confuso. Foi por isso que o senhor ligou, certo? – que saco! Será que aquele som abafado era o som da risada de Shion?
- É isso que você quer, não é Saga?
- O que você quer dizer? – Saga odiava conversas cifradas!
- Você quer que eu tenha te ligado apenas como seu médico.
- E não foi por isso que o senhor ligou, doutor?
- Não, Saga. Não foi por isso. E eu não quero mais que você me chame de doutor.
- Er... então por que você ligou... Shion? – que saco, Saga! Tá falando que nem criança!
- Ah, sim! O porquê! – e Shion fez uma pausa proposital - É que eu estou a fim de você e queria convidá-lo para sair comigo.
Desta vez Saga engasgou. E tossiu. E perdeu a respiração. E pode ouvir a risada de Shion do outro lado da linha. Bom, é claro que agora todos concordam que Shion, de fato, era agressivo em seus métodos. E direto, é claro!
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Logo depois da aula de 6ª feira, todos foram almoçar, como já se tornara um hábito. Infelizmente, também era hábito que eles saíssem para a balada às 6ªs feiras, mas, aparentemente, esse hábito seria quebrado naquela semana, já que sem a disposição baladística de Milo, todos pareciam inclinados a nada fazer... Ou melhor, todos queriam fazer algo, mas tão somente com seus respectivos.
Aldebaran sairia novamente com as garotas que conhecera na semana passada. Sua animação era palpável. Sua vontade de contar vantagem, também. Flor estava sorrindo doce e idiotamente a cada comentário que qualquer um fizesse. Shina passaria o fim de semana na casa de MdM, que queria comer macarrão (e mais algo). Aioria e Marin só faltavam transar embaixo (ou mesmo em cima) da mesa do refeitório. Mú e Shaka, que teriam a casa livre em virtude dos programas dos outros, sorriam-se de uma forma zen-safada que não combinava muito com o seu jeito normal de ser. Milo, todo quebrado, não podia ir a uma boite e, sem ele, o que Kamus faria em uma boite?
Claro, no entanto, que Milo não se conformou absolutamente com um final de semana inteiro sem ver os amigos e enquanto Kamus engolia algo, ele falou:
- Bom, amanhã o Kamus vai cozinhar para todo mundo lá em casa! - Kamus, é claro, engasgou. Cozinhar para todos? Mas, repensando, ele adorou Milo haver usado "lá em casa" . Era tão íntimo, como se eles morassem juntos, como um casal.
- Milo! Você não acha que devia ter me consultado? – falou Kamus, fingindo-se de bravo.
- É... tem razão! Tem problema, Kamus? – como resistir? Como?
- Non! Pas de problème1!
- Então tudo acertado! Vocês podem?
Todos se olharam sugestivamente e concordaram. Os dois pareciam estar se dando muito bem, mas, ainda assim, eles precisavam dar uma mãozinha. E ir à casa de Kamus novamente parecia ser uma ótima oportunidade.
- Mas a gente tem que convidar mais um monte de gente – disse Mú, pensando em Shion.
- Posso levar o MdM? E ele vai querer levar o Shura e a loirinha que fica com ele – acrescentou Shina.
- Eu posso levar uma pessoa? – perguntou Flor. Kamus o olhou interrogativo, o que fez com que Milo ficasse enciumado.
- Eu acho que não vou levar ninguém, porque senão não posso contar de hoje à noite – falou Aldebaran, ainda a fim de contar vantagem.
- E têm também os outros colegas da nossa classe – acrescentou Shaka.
- O Misty, não! – gritou Milo, para diversão de Kamus. Milo era mesmo ciumento. Foi o que bastou.
- Por que não, Milo – perguntou Marin. É, ela continuava meio desligada.
- É, por que não, Milo? – perguntou Shaka, a fim de provocar.
- Pourquoi pas, Milo? – juntou-se Kamus à turma para se divertir às custas de Milo.
- Ah, pessoal. Não enche o Milo. Senão ele desmaia! Afinal, já é 6ª. feira. DIA DE DESMAIAR! – Aioria, é claro.
Milo pegou seu copo vazio e o jogou em Aioria. Aioria pegou seu copo meio vazio e o jogou em Milo molhando-o. Os dois se levantaram e continuaram a discutir fora do restaurante. Kamus e Marin suspiraram. Aquilo não passaria nunca!
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Kamus, Milo, Aioria e Marin passaram o resto da tarde na biblioteca, para variar. Afinal, eles ainda tinham os trabalhos do Professor Dohko. Claro que Milo e Aioria discutiram por toda a tarde, enquanto Marin e Kamus trabalhavam. Mas aquilo já se tornara parte da rotina dos quatro.
Milo e Kamus terminaram seu trabalho e se foram. Em verdade, eles estavam quase na saída da faculdade, quando Milo se lembrou que esquecera na biblioteca a nova sacola de roupas que Aioria lhe trouxera pela manhã. Oras, andar com Milo por quase toda a faculdade demoraria horas. Assim, Kamus pediu para Milo esperá-lo na entrada da faculdade que ele iria pegar a sacola e voltaria para que eles fossem para casa. Milo, impaciente, esperou. Fazer o que? Ele era mesmo uma lesma com aquelas muletas. Um pouco depois que Kamus saiu, uma pessoa mais do que conhecida apareceu: SAGA! Milo ficou absolutamente sem reação em face da surpresa.
Saga, ao olhar para frente e dar de cara com Milo, também parou surpreso. O que ele devia fazer? O que? Claro que ele pensara em encontrar Milo várias vezes, desde que Milo deixara sua casa. Mas Milo não atendia suas ligações e nunca ligava de volta. E, afinal, ele sabia que Milo estava ressentido. E, por mais que odiasse, ele sabia que devia dar espaço a Milo. Quando Shion pedira (não, ordenara) que ele viesse encontrá-lo na LSE, Saga pensara na possibilidade de encontrar Milo. Mas, realmente, não esperara que fosse encontrá-lo. A faculdade era imensa. Ele iria bem depois do horário das aulas. E, agora, não sabia o que falar. E, pelo jeito, Milo também não sabia. Bom, mas isso não podia ficar assim. Eles não eram crianças. Eles tinham que conversar:
- Milo? Está melhor? Ainda dói?
- Saga... ! Que bom te ver, cara. Estou quase novo. E sua cabeça? – a voz de Milo soara quase normal. Tudo daria certo, afinal!
- Já passou. Não sinto mais nada. Quando você tira o gesso e pára de usar muletas?
- Em 1 semana! – Ah! Como era bom saber que Milo não o odiava mais, pensou Saga feliz.
- Que ótimo, Milo!
- Saga... eu sei que não te atendi e ... tudo mais. Mas eu queria te agradecer de novo por ter ... se jogado escada abaixo para me ajudar.
- Sem erro, Milo. Foi para compensar as vezes em que eu não fui tão legal assim.
- Pô, Saga! Compensou mesmo, hein?
E Milo deu aquele sorriso que só ele tinha, para felicidade de Saga. Sim, eles poderiam ao menos voltar a ser amigos, pensou Saga sorrindo de volta. Sim, isso daria certo. Claro que ele ainda se sentia atraído por Milo. Milo era lindo, afinal! E o sexo entre eles fora para lá de fantástico. Mas ele não queria mais aquilo. Afinal, aquela obsessão era uma prisão para ele também. A sua obsessão por Milo o prendia, infernizava e acabava com sua vida. Não era bom! Ele nem mesmo se reconhecia quando se lembrava de todas as mentiras que falara para ficar com Milo. Eles não podiam ficar juntos. Mas eles podiam, ao menos, ser amigos.
Milo, por sua parte, estava aliviado. Saga sempre fora um grande amigo. Saga o ajudara, cuidara dele e possivelmente salvara sua vida. Ele não queria se afastar de Saga. Ele não queria ter que apagar aquilo como se nunca houvesse existido. Mas ele não amava Saga. E não agüentava o controle que Saga sempre tentara exercer sobre ele. Mas Saga era especial para si. Um grande amigo. Uma pessoa incrível. E, claro, o seu primeiro relacionamento homossexual. E Milo não conseguia se esquecer que eles tiveram momentos fantásticos.
- E você não caiu nenhuma vez com essas muletas, Milo?
- Pô, Saga. Assim você me ofende. Eu aprendi até a dar piruetas de muletas. Quer ver? – é, Milo continuava divertido, pensou Saga, feliz, sabendo que teria que se preparar para amparar Milo a qualquer momento.
Milo deu uma pirueta de muletas e perdeu o equilíbrio no segundo seguinte. Em verdade, Milo iria cair se Saga não o abraçasse. E eles permaneceram abraçados por segundos, como a se perdoar mutuamente por tudo o que foi dito e por tudo o que não foi. Sim, homens nunca falam realmente o que pensam! Infelizmente, nesse momento surgiu Kamus, que ao ver Milo abraçado a Saga ficou furioso. Ele avançou em direção a Milo, arrancou-o dos braços de Saga e o arrastou, de muletas e tudo para a rua. Lá, chamou um táxi e, sem falar nada, voltaram para casa.
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Ah! Kamus estava emburrado de novo! Mas, por óbvio, a última coisa possível, seria que ele admitisse que estava emburrado. Ou que estava com ciúmes. Mas ele se negara a falar com Milo desde que saíram da faculdade. Milo, no entanto, não se importava mais. Estranho como Milo, por vezes, era impulsivo e, em outras, estrategista. Mas o jeito enigmático e inalcançável é característico dos escorpinianos... Às vezes tão infantis, às vezes, com a idade do próprio mundo. E conseguiam transitar tão bem entre extremos!
Enfim, Milo não insistiu. Ele entendia tudo sobre ciúmes. Ele não forçaria Kamus. Ao menos não até o ataque daquela noite.
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Shaka e Mú finalmente chegaram em casa. Vazia! A casa seria deles por horas. E eles não tinham tempo a perder! Eles se viam todos os dias, sentavam-se juntos, conversavam, estudavam, almoçavam, mas eles precisavam ... bom, de sexo. Claro que Shaka ainda tentava disfarçar, como podia, aquela necessidade crua. Já Mú não tinha o mínimo problema em surpreender Shaka com comentários e carícias ... , instigantes.
E agora eles finalmente estavam a sós. Mú quase partia para cima de Shaka, quando este abriu sua mochila, pegou o incenso, o ipod, e as roupas e dirigiu-se para o quarto de Mú. Mú o viu dobrar a roupa, acender o incenso e ligar o ipod na caixa de música.
E Mú esperava!
Logo depois, Shaka dirigiu-se à cozinha, viu se havia comida vegetariana, lavou a louça que estava suja e guardou tudo nos armários.
E Mú esperava.
Depois, Shaka passou no banheiro, escovou os dentes, penteou os cabelos (e eram loooongos cabelos!)...
E Mú... esperava! Não! Chegava daquilo!
- SHAKA! - Shaka virou-se surpreso.
- Fala, carneirinho...
- Quarto, sem roupa, agora!
Bom, não podemos nos esquecer de que Shaka era virginiano. Quando interessava ele era realmente obediente.
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Kamus não conseguia dormir. A imagem de Milo nos braços de Saga voltava sempre que ele fechava os olhos. Seu Milo. E se ele não tivesse chegado a tempo? Será que Saga o machucaria? Será que Milo ficaria com Saga? Ele ainda se arrependia de como reagira. Ele ficara com tanta vergonha que não mais falara com Milo. Nem mesmo à hora do jantar. Ele falara que estava com dor de cabeça, nada falara, e fora dormir tão logo quanto possível. Dormir! Como se aquilo fosse possível. Foi quando Kamus ouviu um berro no quarto ao lado. MILO! E Kamus correu para o quarto de Milo para encontrá-lo sentado em sua cama, com ar de desespero. Ele respirava pesadamente e agitava o braço que não estava engessado no ar, como se tentasse afastar algo. Sem saber o que fazer, Kamus se atirou na cama e abraçou-se a Milo fortemente. Ele simplesmente não agüentava ver Milo sofrendo de forma alguma.
- Milo? Mi? Qu´est que c´est2?
- ...
- Mi? Fala comigo. S ´il vous plaît.
- Ka... mus? – somente agora Milo parara de se agitar. O que seria? Um pesadelo? Kamus entendia tudo de pesadelos!
- Sou eu, Milo! Kamus! O que foi, mon amour? – ainda abraçado a Kamus e sem que Kamus pudesse vê-lo, Milo deu outro de seus sorrisos venenosos. Ah! Seria fácil!, pensou Milo. Depois ele pediria desculpas pela encenação.
- Um ... pesadelo, Kamus! Desculpa! Pode voltar a dormir.
- Non, Mi. Me conta.
- Não! Já passou. – e Milo afastou-se de Kamus, evitando olhá-lo nos olhos, como se estivesse com vergonha.
- Me conta, Milo. Confia em mim.
- Não! ... Quer dizer, deixa para lá, Kamus. Eu já te dou trabalho demais. – mas Kamus ainda podia ouvir um quê de medo na voz de Milo. O que ele teria sonhado?
- Milo, me conta. Daí passa. Juro. Eu entendo tudo de pesadelos.
Verdade! Quantas vezes ele acordara gritando sem ninguém em casa? Quantas vezes ele quisera contar para alguém, mas não havia ninguém? Como ele quisera alguém, então, para contar seus pesadelos. Talvez por isso eles nunca tivessem passado, pensou Kamus amargamente.
- Passa mesmo? – a voz de Milo estava insegura, mas pelo menos agora ele olhava Kamus nos olhos.
- Passa, Mi. Me conta.
Milo respirou profundamente, como se para contar o que sonhara ele precisasse de muita, muita energia. E, finalmente, Milo começou.
- Eu... sonhei que estava dormindo ... aqui mesmo, quando alguém chegou. Mas eu não acordei e ... aí... – e Milo suspirou. Kamus imediatamente o abraçou e afundou o rosto em seu ombro. Seria impressão ou Kamus cheirara seus cabelos?
- Pode me contar, mon amour - Kamus falou baixinho.
- Ele... me vendou, amarrou meus pulsos e prendeu meus braços na cabeceira da cama.
Milo falou aquilo bem perto do ouvido de Kamus, num tom de voz rouco que fez todos os pelos do corpo de Kamus se arrepiarem. Céus! Milo lhe contava um pesadelo e tudo em que Kamus conseguia pensar era em vendá-lo e amarrá-lo ele mesmo. Ter Milo em seus braços depois de tanto tempo fazia com que Kamus perdesse totalmente a razão. Ele queria Milo! E o resto que se resolvesse depois. Então, Kamus abraçou Milo ainda mais forte, enquanto seu cheiro entrava por suas narinas e o calor de Milo tomava conta de seus sentidos.
Milo, por sua vez, não cabia em si de feliz ao sentir que Kamus não fugira. Não, Kamus não lhe escaparia desta vez. Caramba! Como Kamus era cabeçudo! Por que lutar contra aquilo? Mas isso não importava naquele momento. E Milo, sentindo que seus movimentos estavam restritos, fez o que podia. Agradou os cabelos lisos de Kamus, que escorriam por suas mãos como fios de seda.. Ah! Como ele sonhara com aqueles cabelos em suas mãos. Bom, mão, já que a outra estava engessada. Mas tudo bem. Ele não era assim tão exigente. E Milo continuou de forma provocante:
- E ele ... era um ele ... começou a passar as mãos em meu corpo – Milo sentiu Kamus estremecer - e começou a se esfregar contra mim. E ... eu não conseguia fazer nada, além de gemer baixinho. Eu não conseguia gritar. Eu não ...conseguia ...reagir, Kamus.
Também Kamus não conseguia mais reagir. O que era aquilo? Kamus pensava em Milo amarrado e vendado naquela cama. E ouvia aquela voz que o fazia querer... se esfregar em Milo. Milo o fazia perder a razão! E Milo começara a vaguear as mãos por suas costas, por debaixo de sua blusa. E Kamus se arrepiava a cada toque de Milo.
- Me conta mais, mon amour...
Sim, Kamus queria saber. Ele queria ouvir aquela voz rouca em seu ouvido. E Milo contou a sua história, que tinha o dom de excitar Kamus ainda mais.
- E ele me beijou ... e disse para eu não fazer barulho. E ... tirou minha calça e ... me chupou. Ah, Kamus. Eu queria gritar, mas ... eu não conseguia... – Milo empurrava-se contra Kamus, num movimento ritmado que lembrava a Kamus o que ele queria fazer com Milo.
- E daí, Mi? O que aconteceu? – era óbvio que aquilo não era um pesadelo. Mas há muito tempo Kamus havia parado de se importar com aquilo. Ele começou a mordiscar o pescoço de Milo e a passar a mão pelo corpo de Milo, que se arrepiava a cada toque.
- Eu senti vergonha. Eu ... acho que ...eu estava gostando... Kamus.
A voz rouca, marcada de desejo de Milo, excitou Kamus ainda mais, se possível. Que raio de pesadelo seria aquele, afinal? Aquilo estava mais para sonho erótico! Mas a verdade é que aquilo o excitava além de seu controle. Claro que era mais um golpe de Milo. E ele caíra. Caíra na armadilha do escorpião. Mas agora era tarde demais. Ele não conseguiria mais se afastar de Milo. Ele perdera e se entregara ao veneno do escorpião. E Kamus pegou o rosto de Milo em suas mãos e o olhou diretamente, fazendo com que Milo quase derretesse sob aquele olhar quente, que combinava tão pouco com Kamus:
- Você gostou, Milo? Mauvais goût! Tu es moi3! – Milo estremeceu.
Ah! Kamus falava-lhe em francês! Milo o olhava sem nada entender, mas ele adorava quando Kamus falava em francês! E Kamus tomou os lábios de Milo de forma determinada. Milo sentiu-se vitorioso! Kamus não conseguiria mais fugir dele. Kamus o queria! E esses pensamentos foram sucedidos por sensações, muito mais... prazerosas! Os lábios quentes de Kamus, sua língua tomando posse do que era seu, as leves mordidas, os suspiros de prazer! Sim, finalmente Milo se sentia feliz! Mas Kamus interrompeu o beijo e disse:
- Me conta mais, mon amour.
- ... - O que aconteceu depois? O que, Milo? Pensa! Mas era difícil pensar com Kamusbeijando cada centímetro de seu rosto e tocando seu membro por cima de sua calça.
- Eu vim e ... ele tentou me virar para ... para... – Milo gemeu quando Kamus começou a puxar seu cabelo para trás, para ter mais acesso a seu pescoço.
- O que, Mi? O que ele queria fazer com você? – Kamus conseguira pleno acesso ao pescoço de Milo, e o lambia e mordia. Então, ele avançou pelo tórax de Milo. Seu. Todo seu! E Kamus chupou um dos mamilos de Milo.
- Ele...queria me penetrar, Kamus... Mas ... aaah ... eu não queria. – sem delicadeza alguma Kamus empurrara Milo de costas na cama e estava deitado por cima dele, tentando tirar sua blusa. Ele precisava tocar aquele corpo. Ele precisava sentir o calor daquela pele contra a sua.
- E você ... não queria, Milo?
Kamus conseguira tirar a blusa de Milo e sentia, milimetricamente, aquele abdômen lindamente definido. Ele sentia a respiração agitada de Milo. Ele ouvia seus gemidos. Ele mesmo estava com a respiração fora de controle. Aliás, ele estava fora de controle. Ele queria Milo. Seu corpo exigia o corpo de Milo! E... aquele pesadelo! Céus! Milo descobrira um novo jeito de provocá-lo. E muito!
– Me diz... Milo! Por que você... não queria?
- Era... a minha vez, Kamus. A... minha vez...! Aaah... – mas Milo perdeu o rumo da fala ao sentir as mãos de Kamus penetrarem sua calça.
- Ah! A sua vez... Ta fois4Milo!
Milo estremeceu ao tom daquela voz. Puro desejo! E Kamus tirou a própria blusa, já que Milo não conseguiria nem mesmo se não estivesse engessado. Por segundos, Milo olhou o tórax de Kamus sem ação, maravilhado. Mas finalmente ele tocou o corpo de Kamus avidamente. Como ele queria Kamus!
- E ... eu falei ... isso para ele, Kamus. Era a minha vez! – E Milo mordiscou o peito de Kamus e o ouviu gemer.
- E o que ele fez, Milo? – perguntou Kamus quase enlouquecido de desejo.
Kamus se afastou para retirar a calça de Milo, enquanto esperava pela resposta. Ele queria saber o que mais acontecera naquele sonho, pesadelo ou invenção de Milo. Ele precisava. A voz de Milo o excitava. O corpo de Milo o excitava. O olhar de Milo sobre si o excitava. Em verdade, tudo em Milo o excitava. Inclusive aquela história sem pé nem cabeça. Seu coração batia descompassado. Sua respiração estava cada vez mais pesada. Ele não conseguia retirar a calça de Milo e estava a ponto de rasgá-la, quando Milo começou a beijar sua pele clara. E beijava cada pequena sarda e o ouvia gemer. E Milo arranhou levemente o tórax de Kamus. A pele dele era tão alva que ficava marcada ao mínimo toque. Lindo! Seu Kamus. E logo seria seu novamente. Milo sorriu e continuou a narrar o sonho:
- Ele ... me disse que achava que eu não iria conseguir ... porque eu estava engessado... – Kamus sorriu – mas eu disse a ele que é claro que ... eu iria conseguir.
- E ... será que ... você consegue mesmo, Milo? – ah, Kamus o desafiava. Ele iria ver.
- Bom, Kamus... só tem um jeito da gente saber, não é? – A voz de Milo era macia, quente, instigante, sensual, tudo ao mesmo tempo.
- C ´est vrai, Milo!
E finalmente Kamus conseguiu livrar os dois de todas as roupas. Depois de sonhar tanto com o corpo de Milo, finalmente tê-lo era enlouquecedor. E ele podia afirmar com toda certeza que Milo se encontrava no mesmo estado. Kamus perdera a capacidade de pensar com razoabilidade e agia por instinto. Sim, ele queria tomar cuidado com Milo. Ele não queria machucá-lo mais. Mas seu instinto ordenava que ele desse vazão a seu desejo. E seus beijos e carícias logo deixaram de ser amorosos e passaram a ser selvagens.
Mas Milo parecia querer o mesmo. Ele estava desesperado de vontade de ter Kamus para si. Kamus, por sua vez, queria muito se entregar a Milo. Então, Kamus recostou Milo na cabeceira da cama e Milo o preparou como pode. Mas, excitado como Kamus estava, ele duvidava que precisasse de muito. E logo Kamus se acomodou por cima de Milo e começou a cavalgá-lo. Kamus subia e descia freneticamente e se deliciava ao ver a expressão de Milo a cada movimento seu. Os olhos de Milo estavam entreabertos, sua respiração estava descompassada e ele parecia não saber mais onde estava. Ele refletia somente um sentimento: desejo. E, Milo, abruptamente, tomou o membro de Kamus em sua mão e começou a masturbá-lo com movimentos rápidos e certeiros. Kamus sentiu-se fraquejar. Afinal, ele nunca se sentira tão desejado ou amado como se sentia por Milo. E Kamus continuou a se movimentar mais e mais rápido até ouvir os gemidos cada vez mais fortes de Milo se transformarem em gritos de prazer. E Kamus o acompanhou, na explosão e nos gritos, enquanto sentia seus cabelos lisos colarem-se aos corpos molhados seu e de Milo. Kamus olhou para Milo, que ainda não parecera voltar de onde estivera. Seu corpo ainda era sacudido por espasmos, como se as ondas de prazer ainda chegassem. Milo permanecia de olhos fechados, tentando, a todo custo sentir cada fração do prazer que Kamus lhe proporcionara. Milo era extremamente sensual. Kamus queria dizer-lhe que o amava e que ele seria seu para todo o sempre. Mas a mera visão de Milo naquele estado fez com que o membro de Kamus despertasse novamente. E Kamus beijou Milo.
Às vezes os atos realmente dizem mais do que as palavras!
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Virgo-chan tenta segurar o entusiasmo de Kamus e Milo, mas não consegue. Talvez (talvez!) eu não devesse ter deixado os dois a seco por tanto tempo. Será que vai sobrar algo dos dois para o próximo capítulo? Ah, céus!
Bom, como sempre, a Virgo-chan fica com receio de que o lemon tenha sido vulgar. Juro, essa de escrever lemon é complicado! Se vocês puderem, me digam o que acharam.
Gostaria de agradecer as reviews de Princess Andrômeda, Tsuki-chan, Hikaru, Gigi, Haiku (desculpe, não tenho seu e. mail), Dionisiah, Dark Ookami, Pure Petit Cat, Botori, Tsuki Torres, Mussha, Sirrah, Kali Cyr Charlot, Nuriko-riki e Laninha Dark Cai. Também gostaria de agradecer à Nine 66 que comentou por e. mail. De forma especial, eu gostaria de agradecer à Dionisiah, já que a idéia do pesadelo foi dela!
Muito obrigada a todas que me deixam ou já deixaram reviews! Eu confesso que nunca, nunca mesmo, esperei por tantas reviews em minha primeira fic. Muito obrigada! Vocês são especiais!
Beijos da,
Virgo-chan
Nov/06
1 Não, sem problema.
2 O que é?
3 Mau gosto, Milo! Você é meu!
4 Tua vez
22
