Avisos:

Essa fic é totalmente humorística e eu mudei um pouco o rumo da história, de modo que eu possa trabalhar com ela ao meu bel-prazer.

Pode ser que o estilo de humor não agrade todo mundo, mas...

Esse é o capítulo final.

Espero que gostem!


Filosofia Etílica com Ênfase em Sakê

Capítulo III – Desfeche

"Você não vai dizer nada?" Ela diz, após um tempo.

Claro, é muito fácil para ela dizer isso. Um dia você está indo para sua cama dormir e a noiva do seu irmão diz para você que está grávida – de você – e não sabe o que fazer. Ela CHORA no seu ombro, mesmo que seja a pessoa mais insensível que você conheça – o que se torna assustador -, e depois, como se nada tivesse acontecido, ela simplesmente diz que a solução perfeita é uma farsa na qual o meu filho será filho do meu irmão. Não é perfeito? Eu deveria estar feliz com isso, eu sei, mas não estou. Na verdade, eu estou irado.

"Ótimo." Ela se vira e começa a caminhar, sem esperar resposta. Insensível é pouco para Anna; ela é um monstro.

"E-espere!" Eu a detenho, segurando-a pelo pulso. Acreditem ou não, eu ainda estou incrédulo com a naturalidade com a qual ela me disse certas coisas. Estou chocado por esse lado perverso dela.

"O que é?" Ela vira o rosto para me olhar e há algo de muito maligno em seus olhos. Uma aura negativa, penso eu.

"Você..." As palavras travam na minha garganta. Como eu, o grande onmyouji da família Asakura, aquele que foi o responsável por sua fundação e que domina todos os cinco elementos, posso perder a fala diante dela? Ridículo. "Você não pode fazer isso." Abaixo o rosto.

Certo, isso foi muito idiota, para não dizer ridículo novamente. Oras, onde eu estou com a cabeça? É claro que ela pode – e deve – fazer isso. Nos pouparia dos problemas, ela seria feliz ao lado de Yoh (até que eu a roubasse para ser minha) e eu poderia continuar com os meus planos para me tornar o Shaman King, deixando esta maldita pensão para trás. E ela fará a pergunta. A fatídica pergunta. A expressão dela diz isso. Por favor, Deus, faça com que ela desista disso. Anna, por favor, não...!

"Por que não?" Ela fez. As vezes eu sinto que ela é capaz de ler a minha mente, apenas para fazer aquilo que eu mais odeio. As vezes eu acho que alguém está conspirando contra mim. É, deve ser isso ou eu estou enlouquecendo de vez com a idéia de ser pai – e perder o direito de, antes mesmo de tomar meu filho nos braços.

"Bom, porque....bom, porque..." Eu tento buscar uma resposta coerente, mas não há uma. Droga! "...eu simplesmente não quero e pronto!"

Ela, me olha, surpresa. Ah, droga, eu disse isso em voz alta?

"O que você disse?" Ela pergunta, dando meia volta e caminha até mim, parando na minha frente. Eu sinto que estou sem jeito. Não é pelo jeito que ela reagiu, mas pelo que eu falei. Se ela está incrédula, imagine eu.

"Eu disse..." Desvio o olhar, meio hesitante. Mas o que diabos eu estou fazendo? Não posso simplesmente deixar que ela diga que o idiota do meu irmão é pai do meu filho! Ele não merece isso (o meu filho). É, estou decidido. "Eu disse que você não pode fazer isso porque eu não quero." Digo, convicto daquilo que quero. A surpresa aparece novamente nos olhos dela e, por um momento, eu enxergo uma daquelas cenas clichês, na qual ela me abraça e diz que me ama. Droga, acho que andei passando tempo demais com ela vendo novelas.

"Hao..." Ela começa, num tom mais manso e suspira. Creio que as minhas palavras surtiram algum efeito sobre ela. "...você sabe que não podemos fazer isso, não é? A melhor solução é a que eu propus. Eu não posso simplesmente arriscar tudo por uma noite de bebidas. Você não pode fazer isso comigo..."

Não posso? Como assim não posso? É óbvio que eu posso fazer isso. É o meu direito como pai, certo? Mesmo que tenha sido apenas uma noite e...não me olhe desse jeito. Droga, pare de me olhar com esses malditos olhos de gato de botas¹.

"Mas é o meu direito..." Sussurro baixo, desviando o olhar. Não consigo olha-la diretamente nos olhos. É muito difícil encarar olhos tão suplicantes. Droga.

"Você..." Ela começa, mas então somos interrompidos por uma Tv que voa pela janela. Uma Tv.

"Mas o que diabos?!" Exclamo. Pense só. Eu estou tendo uma conversa séria com a mãe do meu filho e de repente uma Tv voa pela janela. Deve ser a coisa mais normal do mundo, não?

"Oe!" Yoh aparece na janela – agora estilhaçada – e acena. "Gomen, gomen! O Ren estava meio furioso por causa da piadinha sem graça do Chocolove e tentou atingi-lo com a Tv, mas acho que não deu muito certo." Ele ri. Sabe, eu realmente estou furioso com isso, mas há alguém que está mais. Alguém loira e de olhos negros – agora vermelhos, eu tenho certeza de que agora vermelhos. – que tem uma aura negra envolta em seu corpo.

"Yoh," Ela começa com um tom calmo – altamente perigoso, mas calmo – e caminha a passos lentos naquela direção. Novamente eu tenho a sensação de que os passos dela ocasionam um pequeno terremoto e não é porque ela está mais pesada. "nós ainda não tínhamos acabado de pagar essa Tv."

"A-ah, nós daremos um jeito nisso, Anninha." Ele diz. E é realmente aí que eu sinto a necessidade de ficar na minha.

Entendam, eu poderia até me intrometer e ajudar o meu irmão a sair dessa, mas isso seria realmente pedir para morrer. Nos poucos meses que estou aqui, eu descobri algumas coisas sobre Anna. Umas mais importantes, outras nem tanto. Mas se existe algo que ela odeia mais do que a mim, esse algo é ser chamado de Anninha. Acho que é porque dá a ela, a sensação de ser ainda menor do que já é. Sorte a minha que ela não pode ler a minha mente, não é?

"É bom mesmo que dêem um jeito nisso." Não querendo perder a chance de vê-los tomar a surra de suas vidas, eu caminho para dentro, seguindo os passos de Anna. Me dirijo à cozinha e deixo a pipoca estourando no microondas, antes de me apoiar rapidamente na bancada para ver o que vem a seguir.

"Hunf, culpe o Chocolove por isso." Diz Ren, mal-humorado. As vezes acho que ele está de TPM.

"Mas eu não tenho culpa se você não gostou da minha piada do bolo!" Chocolove exclama, antes de Ren olha-lo de maneira assustadora. Será que ele e a Anna competem para ver quem é o pior? As vezes penso que sim.

"É melhor calar essa sua boca se não quiser que eu enfie o bolo no seu..." Ah! O apito do microondas soou, minha pipoca deve estar pronta. Quando retorno, vejo metade da sala revirada. O sofá está sobre Ren e Chocolove, enquanto o cabideiro para pendurar chapéus e casacos – eu sempre perguntei para que eles tinham um se ninguém nunca o usava – estava quebrado ao meio na cabeça de Yoh e Horo. É, acho que eu descobri para que serve o cabideiro.

"Você." Ela me olha, enquanto como um punhado de pipocas. O olhar dela é assassino, destruidor, mas eu não me deixo intimidar. Ao menos não nos primeiros segundos. Mas então ela dá um passo na minha direção e outro e outro e mais outro, cobrindo a distância entre nós. Ela parece tornar-se gigante quando está na minha frente. Acho que é o olhar. "Limpe essa bagunça." Ela pega a minha pipoca e sai caminhando na direção do quarto – acho que vai ver Tv lá. Eu penso em questiona-la, mas eu prezo pela minha vida. Pela primeira vez em mil anos, eu acato a ordem de alguém que não seja a minha mãe.

X

Quando os amigos de Yoh finalmente terminam a limpeza como eu ordenei após acorda-los – vocês acharam mesmo que eu iria sujar as minhas mãos? -, resolvo subir para me deitar. Tenho o cuidado de acender a luz e noto que estou sozinho no meu quarto, exceto pelo espírito que vagou por este – ele virou jantar do Fire-Spirit por ter-me dito algo que não foi agradável - e me deito.

Mas eu não durmo.

Eu não consigo dormir.

E não é só pelo fato de eles estarem fazendo muito barulho, mas também pelo que Anna me disse. A solução. Eu não posso aceitar aquela maldita solução. Me levanto, disposto a tirar essa história a limpo e caminho até o quarto dela. Bato sutilmente na porta; não há resposta. Bato novamente; silêncio.

"Anna?" Chamo, no intuito de obter resposta; nenhuma. "Anna?" Chamo novamente, o resultado é o mesmo. Sei que não deveria, mas começo a me preocupar. "Eu vou entrar, tudo bem?"

E então eu entro, esperando me deparar com ela dormindo, ou precisando de ajuda, ou qualquer outra coisa que possa me preocupar. Ao invés disso, me deparo com a imagem dela chorando. Uma das mãos cobrindo a boca, enquanto as lágrimas correm sutilmente pelo rosto. A vasilha de pipocas está ao lado dela, já quase vazia e há também uma caixa de lencinhos. Estou chocado.

Vocês devem estar pensando que eu sou um insensível por ter reagido dessa maneira, mas eu não sou. O que me chocou não foi o fato de ela estar chorando, mas o motivo. Quando eu finalmente saí do meu choque e me aproximei, vislumbrei a cena de um casal apaixonado (daqueles de novelas mexicanas) se beijando. É, ela estava chorando por causa de uma novela.

"Eles ficaram juntos finalmente..." Ouço ela murmurar, enquanto usa de um lencinho para secar as lágrimas.

"Anna, isso é apenas uma novela..." Digo, me aproximando.

"Você não compreende a profundidade dos sentimentos do José Armando pela Maria Josefine, seu insensível!" À essa altura ela começa a jogar almofadas e tudo o mais que estiver ao seu alcance na minha direção.

"Acalme-se. Já acabou, não é?" Sentei-me ao lado dela, depois de proteger-me da última almofada que ela tinha em mãos. Olhando na direção da Tv, eu ainda vejo o beijo final da mocinha e do herói, junto a um grande letreiro escrito Fin, exatamente deste jeito.

Eu não consigo compreender os motivos do choro dela, porque os fins de novelas são sempre os mesmos. O vilão enlouquece e/ou morre, o mocinho fica com a mocinha e eles são felizes para sempre. Particularmente, eu acho isso uma falta de consideração para com os vilões da nossa sociedade – o quê? Eu sou um deles, oras!

"Eles passaram por tantas dificuldades..." Ela sussurra, apoiando o rosto em meu peito. Não preciso dizer que fiquei chocado a ponto de apenas conseguir consolá-la e não dizer nada, certo?Oras, Hao, onde está sua coragem?! Afinal, você é um homem ou um garoto?...Acho melhor me abster de comentários quanto à pergunta que acabei de fazer.

"Anna..." Começo, procurando as palavras corretas. Vejo ela erguer o rosto na minha direção e seus olhos brilham por algumas lágrimas presas à eles. Sinto-me tentado a fazer algo, mas apenas inspiro o ar pelos lábios. "...nós precisamos conversar a respeito do nosso filho. Eu não posso permitir que você tome uma atitude tão insensata quanto a nossa responsabilidade naquela noite."

Silêncio. Ela apenas fica me encarando e os olhos dela estão tão inexpressivos e, ah, droga, eu queria poder ler a mente dela para saber o que está pensando! Ainda sou capaz de escutar a música melodramática de fim de novela ao fundo e, sinceramente, isso está me incomodando.

"Diabos, Anna, diga alguma coisa!" Ela continua em silêncio, mas agora está me olhando como se eu tivesse dito algo impróprio. Ah, droga, eu pensei alto de novo?

"Hao..." Ela murmura meu nome em um timbre de voz tão baixo que eu tenho que me aproximar para ouvir. E ela está tocando meu rosto e, inferno, será que eu estou corando? Não, eu não sou um idiota apaixonado feito o Horo.

"O que foi?" Pergunto, notando que ela não vai prosseguir.

E então ela me acerta um tapa. Mas não um tapa qualquer e sim a lendária esquerda. Acho que não é necessário citar que eu só não deixei o quarto em pleno vôo porque bati contra a porta, certo? E, inferno, como esse tapa dói.

"Nunca mais fale assim comigo." Ela bate as mãos como se as tivesse sujado com algo e se levanta para deixar o quarto.

Ah, mas isso não vai ficar barato. Antes que ela possa sair, eu a seguro pelo pulso, prensando-a contra uma das paredes. Ela pareceu surpresa com isso, quem não ficaria? Mas eu não aceito desaforos e não me importo nem um pouco com o fato de ela estar grávida de um filho meu agora. Eu jamais a machucaria, mas também não posso deixar que passe dos limites e, bem, não estou raciocinando muito agora.

"Nunca mais aja assim comigo." Eu a beijo, segurando seus pulsos para que não pudesse fugir. Inicialmente ela se debate, mas, aos poucos, sinto que vai cedendo ao contato. E, conforme ela cede, eu solto seus pulsos e ela entrelaça os dedos aos meus.

Ainda sou capaz de escutar o barulho vindo do andar debaixo, porque provavelmente quebraram algo. E isso me faz lembrar de Yoh e eu fico imaginando se Anna não imagina, nesse momento, que ele sou eu para se sentir um pouco melhor. Não quero pensar nisso e também não me importo se for. Sei que ela – ainda – não me ama. Ela afasta o rosto do meu quando ouve um barulho um pouco mais alto – acho que agora quebraram o vaso que ela tanto gostava.

Ficamos em silêncio. Ela ainda me encara e tem os dedos entrelaçados aos meus. Sua expressão é enigmática, mas penso que ela deve estar se perguntando o que estamos fazendo. Provavelmente, uma grande besteira.

"Você..." Dissemos, em uníssono.

"Eu, o quê?" Droga, eu odeio isso.

"Não é melhor irmos ver o que eles estão aprontando?" Me adianto em perguntar, antes que ela o faça.

Ela abre a boca para dizer algo e ergue uma das mãos. Eu fecho os olhos, esperando que ela me dê outro tapa, mas tudo que eu sinto é uma carícia sutil no rosto. Abro os olhos e me deparo com um sorriso malicioso.

"Resolveremos os problemas depois." Ela diz e me puxa para um novo beijo.

Deixo para a imaginação de vocês o que aconteceu depois daqui. Não espero um felizes para sempre, mas, enquanto eu puder aproveitar, está tudo bem. Não acho que tenha muito tempo até que o Yoh e os outros destruam toda a casa, então vou me apressar. E quem sabe um dia vocês ainda não escutem falar do filho do Shaman King? Agora preciso ir, a Anna está me esperando. E, lembrem-se: quando forem se embebedar, jamais façam isso perto da noiva do seu irmão. Adeus e até nunca mais!

E essa bela história saiu por uma porta e entrou por outra. E quem souber, que conte outra!


¹ - Faz referência ao olhar do Gato de Botas do Shrek 8DD


N/A:

EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEU ACABEEEEEEEEEEI!

Nem acredito que vou dizer isso, mas consegui acabar essa fic!

Pois é, uma comédia HaoAnna é uma coisa que eu nunca tinha tentado e eu até gostei do final! Pobre Yoh, não passará debaixo da porta por um bom tempo. Eu fiquei pensando muito em como eu poderia encerrar essa fic e acho que não tinha jeito melhor.

No início dessa fic, eu não ia fazer HaoAnna, mas, como vêem, meu lado HaoAnnístico falou muito mais alto. Eu adorei trabalhar no PoV do Hao, é uma delícia e eu vou tentar mais vezes. Estou até surpresa com o número de reviews que essa fic atingiu, um dia vou tentar uma comédia YohAnna pelo ponto de vista do Hao.

Quis ressaltar um pouco o lance da bebida na frase final e talz, mas enfim.

Essa frase em negrito é de um tape (coisa velha 8D) de histórias de contos de fadas!

Ah, como eu amo isso! Demais, demais. Um dia eu ainda farei um conto de fadas, sério. De qualquer modo, é o fim dessa fic –qtau/

Deixei bem em aberto pra que cada um imagine o que quiser.

Rac, é o fim do seu presente depois de muitos meses 8D

Quero agradecer à Ray que me aturou até o fim dessa fic e, principalmente, à Ms. Cookie, porque ela é minha beta, eu amo ela e ela foi a responsável pelo título além de apoiar meu HaoAnnismo. Amo vocês s2

Bem, fico por aqui.

Que tal me deixarem reviews para um bom inicio de ano?