Quando a porta do quarto se fechou, Jorge esperou pelo pior; havia se trancado junto ao irmão e toda aquela energia pesada que o andava seguindo pelos últimos dias. Tudo parecia quieto demais, o ar em si vibrava diante da expectativa onde um dos gêmeos diria ou faria algo, porém Fred apenas ficou ali, o corpo voltado para a janela empoeirada, seu rosto não podia ser visto por seu irmão, mas estava tão frio e vazio quanto uma máscara: aquela havia sido a maior traição que já sofrera, se Jorge saltasse sobre ele naquele instante e o esfaqueasse pelas costas seria menos desapontador do que a cena que ele vira a pouco. Não! Como ele pôde? Há quanto tempo isso vinha acontecendo? Fora desde sempre ou só depois que Fred começara a expressar seus sentimentos? Droga, ele era seu irmão gêmeo, ele, acima de todos os outros, deveria entender e respeitar seus sentimentos, jamais traí-lo em hipótese alguma; sempre foram eles contra o mundo, vivendo em uma realidade aparte onde o resto da família não conseguia enxergar com clareza seus objetivos e sentimentos.

-Fred.

Apenas o som da voz do outro o deixou enojado. Era errado, não iria suportar conversar com o traidor, muito menos dividir o mesmo quarto que ele até o Natal. Talvez pudesse convencer sua mãe a colocá-lo junto a Monstro naquele cubículo...

-Fred, você quer se virar, por favor?

Ele continuou parado onde estava, fingindo não ouvir nada. Sua respiração acelerou e os músculos ficaram tensos. Se o outro não calasse logo a boca, Fred iria sentir-se na obrigação de socá-lo um pouco mais. Podia não ser rápido ou grande, mas por Merlin, tendo praticado tantos anos na posição de batedor acabou adquirindo um gancho de direita infalível. Porém a vantagem era de Jorge: ele estava cansado das crises existenciais do irmão, estava cansado de ser o ponto de equilíbrio entre eles e cansado de agüentar ouvir as reclamações de Fred quando as coisas podiam ser resolvidas facilmente. Jorge saltou sobre ele e segurou seus braços nas costas, assim Fred não podia escapar e tornar a socá-lo, e o forçou a inclinar-se sobre a cama, prensando-o contra o colchão. Ele teve que admitir, não era a posição mais poética para ficar com seu irmão quando ambos estavam zangados um com o outro e estavam a sós no quarto.

-Me larga, seu idiota! – gritou Fred, tentando inutilmente fugir, mas estava estava preso de um jeito desconfortável, suas pernas estavam sem nenhuma estabilidade e não havia um ponto para pegar impulso e afastar seu irmão.

- Só depois que conversarmos. – grunhiu Jorge quase deixando o braço direito de Fred escapulir. – Eu posso ficar assim por horas, e você sabe! É o seu que está na reta, não o meu...

-Como você pode? Eu te odeio, seu... – Fred nunca chegou a completar a frase porque Jorge pegou seus cabelos e forçou sua face contra o colchão.

-Chega! Chega! Fred, eu dou minha palavra que se não calar a boca e me escutar eu vou... – ele tentou pensar rápido enquanto procurava manter o equilíbrio sobre o irmão como um peão sobre um touro. – Vou lamber seu pescoço e orelha.

Aquilo bastou para que Fred ficasse imóvel imediatamente: tinha seu irmão sobre seu corpo, estava em posição desvantajosa e sabia que Jorge tinha um fetiche por ouvidos e nucas, então sabia onde tudo aquilo iria terminar e não queria ficar pior do que estava. Tinha certeza de que Jorge estava brincando, mas arriscar qualquer coisa ali seria um preço muito alto a pagar.

-Está bem! – gritou contra o colchão (sua voz saindo abafada); pegando ar quando Jorge soltou seus cabelos e o deixou respirar direito. – Está bem. – arfou. – Pode falar o que quiser, mas não prometo ouvir.

-Vai me ouvir sim. – Jorge soltou o irmão e saltou para uma distância segura caso ele resolvesse usar os punhos de novo.

Mas Fred apenas se largou sobre o colchão: não sentia mais vontade de brigar, não queria ouvir seu irmão, tudo que queria era sua varinha de volta para aparatar para bem longe e nunca mais ver ninguém naquela casa. Jorge deu a volta pela cama onde o irmão estava caído e sentou-se na outra: aquilo seria difícil e demorado, como gerar um daqueles cremes de canário. Ele estaria pisando em ovos conforme pronunciasse cada palavra.

-Por que me acordou de maneira tão gentil, meu caro irmão?

Fred não respondeu. Estava tão imóvel que Jorge não pôde deixar de se perguntar se o irmão havia adormecido ou até mesmo morrido naquele meio tempo. Seus olhos ainda estavam aberto, focados em algo que ele não conseguia ver, dando a ilusão de serem de vidro. A respiração mal fazia seu peito levantar. O sangue seco que antes escorria de seu nariz deixou um rastro pequeno em seu rosto. Jorge ajoelhou-se diante do irmão, afagou-lhe os cabelos.

-Fred, eu juro, eu estou fazendo muita força para entender o que está se passando dentro de você, mas está ficando realmente difícil. Primeiro grita e bate em Hermione daquele jeito e agora age assim? Maldição, você costumava a se abrir comigo, me falar de tudo sem se importar com o que eu iria pensar. Eu sou seu irmão gêmeo, não há como não compreender sua cabeça.

A neve continuou a cair do lado de fora da janela suja enquanto nenhum dos dois dizia qualquer outra palavra. Os gêmeos apenas ficaram em quietude, cada um recolhido dentro dos próprios pensamentos, chegando as próprias conclusões e remoendo seus pontos de vista até Jorge finalmente notar as lágrimas silenciosas do irmão, escorrendo pelos olhos castanhos com timidez, descendo sem pressa até a ponta do nariz curvo de Fred e dali caindo no tecido empoeirado que cobria o colchão.

-Há quanto tempo você e Hermione estão juntos? – perguntou ele em um sussurro quase inaudível.

Jorge ficou chocado, primeiro por ver Fred chorar e não saber o porque, segundo pela pergunta que lhe havia sido feita.

-O que?

-Você e ela... No sofá. Eu queria que fosse eu... – ele fechou os olhos com força, irritado com a forma que as lágrimas queimavam seus olhos. – Estou cansado de lutar, cansado de ter que lidar com as pessoas, cansado de desapontamentos. Eu não vou suportar ver vocês dois juntos, eu não quero...

-Ei, cara, calma! – finalmente compreendendo a razão dos eventos recentes, Jorge suspirou aliviado e sentou-se perto de onde a cabeça do seu irmão estava. – Eu e Hermione não estávamos...

-Claro que estavam. – interrompeu Fred com a voz arrastada. – Você podia ter me avisado antes que eu começasse a criar expectativas.

-Certo, você está ficando mais dramático do que Percy. E, vou ser sincero, não vou agüentar dividir o mesmo teto com outro imbecil. Olhe, pode ser que eu tenha mentindo um pouquinho pra você, ontem não derramei leite na cozinha, encontrei com Hermione lá embaixo e ela queria companhia...

-O que? – gritou Fred saltando onde estava e segurando Jorge pela gola da camisa.

-Por que está com essa cara? Não é como se ela estivesse triste após ter recebido um sermão do cara que estava cuidando nos últimos dois dias. – respondeu ele com um olhar de censura. – Como você pôde fazer isso com ela? Sabia que ela saiu no meio da nevasca com Tonks só pra comprar aquelas coisas pra você? Sabe quantos graus estavam fazendo lá fora?

-Eu não q...

-Eu não terminei! Ela está arrasada, achou que tivesse feito alguma coisa de errado, achou que tinha se intrometido demais na sua vida e não estivesse cuidando de você direito. E quando você bateu nela... – vendo que havia finalmente conseguido a real atenção de Fred e havia se tornado a voz superior na conversa, Jorge prosseguiu. – Agora preste atenção: você vai descer, pedir desculpas a todos nessa casa por agir como o maior babaca do mundo mágico e depois vai dedicar o resto de suas férias tentando se redimir com Mione!

-Mas...

-E você – Jorge segurou o irmão pelos punhos e o puxou de volta para a cama – vai deixar de fazer tanto drama. Chega, toda vez que criamos expectativas sobre algo sensacional você vira um pessimista: foi a mesma coisa sobre a nossa loja e agora sobre isso? Fred, eu estou garantido com o selo dos gêmeos Weasleys que Hermione gosta de você tanto quanto você gosta dela. Então para de agir feito Rony e comece a parecer mais como um homem.

-Isso não explica o porque de vocês dois terem dormido juntos. – retrucou Fred tentando fechar a cara, porém a notícia de que Hermione poderia, de fato, gostar dele, fazia seu sorriso se abrir mesmo que de má vontade.

-Ficamos conversando a noite toda e acabamos ficando no sofá. Dou minha palavra, que Snape se case comigo se eu estiver errado.

Ao ouvir a risada do irmão, Jorge finalmente permitiu-se relaxar na cama ao lado de Fred: bom, as coisas foram melhor do que ele esperava, achou que teria que nocautear o irmão algumas vezes antes de conseguir explicar-se e em algum momento iria precisar proteger-se com um pedaço de madeira. Porém desconfiava que o cansaço físico e emocional de Fred permitiram que suas defesas estivessem baixas, permitindo que a história fosse bem recebida por ele.

-Eu sou um idiota. – disse Fred olhando para o teto.

-É. – concordou Jorge.

-Um idiota horrível com temperamento difícil e sem ter onde cair morto.

-Que exagero, Fredie. Você é um rapaz muito bonito. – os dois riram por alguns segundos antes de voltarem a ficar em silêncio.

-Jorge?

-Hum..?

-Desculpe. Pelo soco e, bom, pelos últimos dias. Sei que não deve ter sido fácil.

-Imagine, eu me divirto com maníacos depressivos que tentam me matar pela manhã. – Jorge virou a cabeça e observou o irmão. – Relaxa, se eu agüentei você durante todos esses anos, não vai ser agora que vou mudar de idéia. Você apenas tem que aprender a ser mais sincero consigo mesmo e com os outros ao seu redor. Se ficar sempre guardando tudo pra você, vai acabar explodindo.


Hermione havia acabado de sair do banho, a toalha enrolada nos cabelos e a roupa já no corpo quando ouviu vozes no andar de baixo. Achou que ainda estivessem discutido sobre a briga dos gêmeos, então procurou abrigo no quarto que dividia com Gina; ela não estava lá. Hermione supôs que ainda estivesse tomando café da manhã, então deitou-se na cama e tentou encontrar o que fazer: deveres prontos, livros lidos, matéria estudada... Aquele era um dos raros momentos onde não havia nada para ser feito, ou talvez ela simplesmente não quisesse se atarefar, mas só precisava ocupar sua cabeça com outras coisas que não a forma agressiva com a qual Fred a havia acordado e socado Jorge. Conforme o tempo passava parecia que se tornava cada vez mais difícil de morar com eles, parecia que alguém sempre explodia em algum momento do dia em um ato de estresse! Ela tinha acabado de fechar os olhos quando alguém bateu na porta.

-Entre, Gina. – gritou ela, ficando surpresa ao se deparar com o rosto de Harry.

-Oi. Vim ver como você está. Eu e Ron. – a cabeça do jovem com cabeleira vermelha e sorriso sem graça surgiu pelo vão da porta. – Gina ficou presa com a Sra. Weasley na cozinha.

-Entrem. – ela tirou a toalha do cabelo e tentou ajeitá-lo com os dedos conforme seus amigos se acomodavam na beirada da cama de Gina.

-Está melhor? – perguntou Rony avaliando o estado da amiga: parecia um pouco pálida e com olheiras terríveis, mas Hermione geralmente ficava com aquela aparência quando os exames da escola se aproximavam.

-Um pouco. Nada que um bom banho não cure. – suspirou ela. – Mas foi um belo susto. Seu irmão fica assustador quando zangado.

-Nem me diga. Tinha que ver quando sem querer derramei chocolate nas vestes novas dele: eu teria lidado com um trasgo na boa se pudesse escolher.

Hermione e Harry riram. Fazia tempo desde a última vez em que os três se sentaram com calma a sós e conversaram sobre assuntos de forma descontraída. Geralmente suas conversas envolviam Umbridge, Voldemort ou Lila; com os três temporariamente banidos de suas mentes, ficava mais fácil de dar algumas gargalhadas.

-Você vai conversar com Fred? – perguntou Harry depois de algum tempo.

Hermione hesitou.

-Eu não sei. Eu estou um pouco cansada de sempre ir até ele. Fazer as coisas e, bom, ter um péssimo retorno...

-Ele está lá embaixo pedindo desculpa para todo mundo. – disse Rony antes que a amiga pudesse interrompê-lo.

Hermione abriu e fechou a boca várias vezes, porém não disse nada, apenas ficou sentada com o olhar surpreso e pensativo, provavelmente tentando imaginar como as coisas deviam estar indo no primeiro andar.

-Eu não me importo. – mentiu ela, tendo que admitir para si mesma que nem ao menos passou perto de convincente.

-Conta outra, Mione. – Rony inclinou-se para frente a fim de observar melhor a amiga – Deve estar se matando de curiosidade aí dentro...

-E se estiver, Weasley? – gritou ela voltando-se com a expressão furiosa para Rony – Eu não vou descer, eu não vou perguntar nada ao Fred, não vou procurá-lo, eu quero que ele se exploda!

-Hum..."Caboom!"?

Os três se voltaram para a porta aberta onde os gêmeos espionavam o interior do quarto com visível apreensão. Os olhos de Fred e Hermione se encontraram por um breve momento, o que foi o suficiente para deixá-lo embaraçado: como pudera tratá-la daquela forma? O que estava pensando quando havia empurrado a garota quando ela estava tentando impedi-lo de bater em seu irmão? Foi como se com aquele único contato visual todo o bom senso voltasse pra ele e Fred tomasse conhecimento de quão errado tinham sido suas atitudes.

-Hermione, eu... Eu gostaria de falar com você a sós. – sem jeito ele enfiou as mãos dentro dos bolsos e ficou a olhá-la. – Por favor.

-Harry, Ron... – Jorge chamou indicando com a cabeça para que saíssem.

Porém Hermione pôs-se de pé com uma expressão furiosa.

-Vocês dois, não saiam daí! – disse ela com a voz autoritária para os dois amigos que fizeram menção de se levantar.

A sua respiração estava ofegante e olhar cheio de desdém. Era assim? Fred cometia todos aqueles erros e os outros precisavam abrir espaço para que ele se desculpasse? Não, não estava certo, ninguém deveria facilitar para que ele ficasse de consciência tranqüila. Ele foi mal, grosso e exagerado! Então não era obrigação de Harry e Rony saírem do quarto para que Fred cumprisse sua missão ali.

-Como você ousa? Meus amigos vão ficar aqui, você não pode simplesmente entrar no quarto dos outros e começar a dar ordens. – ela avançou até os gêmeos e ignorou por completo o olhar chocado de Jorge – Não, eles não vão sair; não, não irei ficar a sós com você! Tudo que tenho feito nos últimos dias tem se resumido a cuidar de você, não o entreguei para a Sra. Weasley quando explodiram a panela na cozinha ou...ou disse que havia se machucado. Eu cuidei de você! E não me importei de fazer compras no meio do inverno ou olhar pra sua cara quando estava completamente desfigurado pelo inchaço! Você gritou comigo, bateu em mim e me empurrou quando tudo que eu queria era ajudar! Não, eu não vou ouvir! – gritou ela quando Fred pegou ar para se defender e ergueu os braços para tentar segurá-la pelos ombros. – Chega!

O quarto ficou em silêncio, o peito de Hermione subindo e descendo devido ao súbito ataque que tivera, seus olhos vermelhos, porém sem nenhum lágrima. Ela encarou Fred com infelicidade durante muito tempo.

-Chega. – repetiu, agora em um tom mais baixo e derrotado – Eu não agüento mais. Acabou.

Com os ombros curvados, Hermione passou pelos gêmeos com o olhar baixo e sem fôlego. Seguiu pelo corredor silencioso e imaginou se o restante da casa pudera ouvir seu pequeno discurso sobre seu estado emocional.

No quarto que ela acabara de deixar, todos olhavam para Fred que parecia preferir fingir estar em outro planeta do que ter consciência do que acabara de lhe ser dito. Jorge deu apenas alguns segundos para o irmão se recompor antes de dar-lhe um tapinha no rosto.

-E então? Vá atrás dela!

-O que? Não! Você por acaso não ouviu...?

-Não, Fred, sou o gêmeos surdo da família! Claro que ouvi, você é que não está me escutando: vá atrás dela. – Jorge empurrou o irmão para o corredor e bateu a porta do quarto atrás de si. Harry e Rony lhe lançaram um olhar questionador e ele deu os ombros com um sorriso bobo – E então, gente? O que será que tem para o almoço?

Fred deu passos vacilantes pelo corredor com medo que Hermione saltasse a qualquer momento de algum canto e recomeçasse a gritar com ele. Seus passos largos o levaram até o topo da escada onde Hermione havia escolhido para sentar-se e chorar sozinha. Ele vacilou, tinha medo de chegar perto e recomeçar a briga, achava que já estava tudo arruinado, mas também não podia deixá-la daquele jeito. Pisou no primeiro degrau e a madeira rangeu diante de seu peso. A garota lançou um olhar assustado para ele e disparou pelo segundo andar.

-Hermione. Hermione! – ele desceu o restante da escada aos trancos e solavancos, chamando por ela.

Por ser bem mais alto, rapidamente cobriu a distancia que os separava, a segurou com força por traz e a puxou para dentro do primeiro cômodo vazio que avistara. Ironicamente viu-se dentro da mesma sala onde ele e seu irmão se esconderam quando sujaram a cozinha. Antes Hermione estava sentada tranquilamente na batente da janela lendo um livro, agora se debatia furiosamente entre seus braços e o amaldiçoava de todas as maneira possíveis.

-Me solta, Fred! Me larga! – em termos de força física, era um batalha perdida: Fred tinha um metro e noventa, braços fortes e um ótimo senso de equilíbrio, mas, oh, Hermione não iria entregar os pontos facilmente.

-Eu preciso que me escute! – vociferou ele quase caindo no chão – Hermione, estou implorando. Depois pode ir, esbravejar, nunca mais falar comigo, mas deixe que eu me explique!

-Explicar o que, Fred? Sua total falta de educação? De consideração pelos outro? Seus modos grotescos? A forma como não leva nada a sério?

-...É. – ele a soltou por achar que a estava machucando. Mas bloqueou a porta e a viu tentar se recompor.

-Fred, saia do caminho. – grunhiu ela procurando ajeitar os cabelos ainda úmidos.

-Eu quero conversar...

-Fred, estou avisando, se não me deixar sair agora, vou passar o resto do ano lançando azarações contra você!

-Eu amo você, droga!

Isso bastou para fazê-la parar. Na verdade, bastou para que Jorge, Harry, Rony e Gina ficassem imóveis do outro lado da porta onde os dois estavam. Fred respirou fundo várias vezes sentindo o peito mais leve, finalmente conseguindo inspirar profundamente sem sentir-se culpado: não sentia aquela tranqüilidade há muito tempo então não pôde conter o sorriso pacífico que brotou naturalmente em seus lábios. Ergueu os olhos até os de Hermione a viu muito corada, a boca aberta como se fosse dizer alguma coisa. Ele achou que agora podia abandonar seu posto na porta e se aproximar da garota sem o risco de receber um tapa. Hermione balbuciou qualquer coisa tentando se reencontrar, mas a declaração de Fred ficava ecoando dentro de sua cabeça e a forma como ele ficara absolutamente adorável enquanto dizia tais palavras. Uma confissão até então proibida, já que Hermione sempre nutrira algum sentimento por Rony. Porém quando ele começara a sair com Lila, ela se viu sem chão e perdida, como se não mais pertencesse a aquele mundo. Então começou a ver Fred de maneira diferente durante as férias e a perceber que ele não era apenas um rapaz maroto que pregava peças.

-Me perdoe pela maneira com que agi nos últimos dias. – começou ele antes que ela recobrasse a postura irritada – e me perdoe pelas minhas atitudes agressivas, eu simplesmente... Não consigo mais me controlar com você por perto, mas me sinto ainda mais perdido quando você não está lá, do meu lado. Eu sei que tem sofrido com Rony falando sobre Lila, estava claro, mas eu sou um idiota por não tentar ajudá-la e ao invés disso pedir sua ajuda e depois fazer... Bom, fazer tanta besteira. Tem minha palavra que daqui em diante vou tentar me redimir por...

-Fred... – interrompeu ela revirando os olhos e dando um pequeno sorriso. – Eu...eu sei que não fez por mal, mas é tão frustrante ver você se torturando por nada. Eu fiquei assustada com o rumo que as coisas estavam levando. A última vez que vi você tão nervoso foi quando Malfoy insultou sua família depois do jogo de quadribol. – ela o viu rir por um momento enquanto se recordava da cena – Você tem que aprender a ser mais...

-Sincero. – completou ele com um sorriso. – já ouvi isso antes.

Hermione fez um aceno positivo com a cabeça e depois riu: Ora, como estavam sendo ridículos, certamente ele mais do que ela, mas todo aquele drama quando tudo podia ser resolvido tão facilmente... A perda de tempo parecia ser um absurdo, e para quem observa a tudo de fora deveria ter sido uma trama interessante e longa. Ela notou que Fred havia chegado ainda mais perto e recuou por instinto. Conforme ele avançava, Hermione dava passos lentos para traz até cair sem qualquer elegância na poltrona da sala. Fred abaixou-se até estar na altura dela e murmurou:

-Me perdoe. – pediu ele, pegando a pequena mão da garota e beijando cada um de seus dedos gentilmente.

-Está tudo bem. – sussurrou ela em resposta, tirando a mão do alcance dos lábios dele e afagando-lhe a face por um breve momento até notar que o rapaz chegava cada vez mais perto.

-Hermione. – suspirou Fred encostando sua testa a dela.

Os dois soltaram um longo suspiro ao mesmo tempo, não disseram nada ou se moveram, apenas se olharam enquanto a neve caia lá fora e cobria a calçada e o relógio velho na sala fazia seus movimentos pendulares sem pressa. Fred não queria dizer nada e sabia que Hermione também não precisava fazê-lo, pela primeira vez estavam em perfeita harmonia um com o outro, sem urgência por conta de piadas ou testes ou pressas do dia a dia. Apenas a respiração ritmada e em sincronia antes que Fred não pudesse mais se conter e lentamente tocar os lábios da garota com os dele.

O simples roçar da pele sensível fez uma onda de calor espalhar-se por seu corpo. Como quisera aquilo e como havia esperado! Ele tentou controlar o tremor que se apoderava de suas mãos, tronco e pernas, porém descobriu que Hermione tremia tanto quanto ele. Ele beijou os lábios da garota com cuidado e paixão, fazendo arrastar cada toque, sorvendo das sensações, lentamente levando a mão até o rosto de Hermione e aninhando sua face ali.

-Fred. – Hermione afastou-se com um sussurro assustado e o olhar carregado de dúvidas.

O rapaz fechou os olhos procurando o auto controle antes de recompor-se e poder olhar dentro daqueles formidáveis olhos castanhos.

-Fiz algo errado?

Ela hesitou: ele havia feito? Não, naqueles últimos minutos fora perfeito em cada palavra e gesto, não parecia o sujeito cômico e cheio de impulsos que geralmente era quando estavam em Hogwarts. E mesmo ali, com o olhar cheio de súplica e tão vulnerável que qualquer palavra pronunciada erroneamente pudesse destruí-lo, Hermione ainda o via como inatingível e incomparável, ainda que tivesse um irmão gêmeo. Oh, Fred seria sempre tão diferente de Jorge, principalmente aos olhos dela.

Hermione tocou seu rosto com cuidado e quando o rapaz tornou a cerrar os olhos e se aproximar, ela disse:

-Abra.

Por um segundo, ele pareceu confuso, até que abriu a boca devagar e deixou que Hermione avaliasse seus dentes. Ela se afastou com um sorriso e murmurou "Perfeito" antes de inclinar-se e beijá-lo carinhosamente.

-Eu também amo você. - sussurrou ela com doçura.

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N.A.: Hey, Cheff! Senhoras e senhores, tenho a infeliz missão de informar que este, provavelmente, é o último capítulo desta história =/ Oh, me perdoem, mas não sei se qualquer outra palavra deva ser pronunciada após tão lindo momento. Agora meus devidos agradecimentos a:

Ines G.: Uou, ainda bem que ressucitou! Se não perderia o ponto alto da fanfic! XD Oh, os gêmeos não podem ficar brigados para sempre, são Fred e Jorge! Os lindos e maravilhosos gêmeos Weasleys! E, juro, fiquei muito emocionada com a surpresa que preparou para mim em seu blog! Achei lindo e já até comentei! Muito obrigada pelo carinho e feedback! Desejo-lhe sucesso =D

Kaoro15: Chegou agora, mas valeu por adicionar minha história a sua lista de favoritos ;) (pessoal de Portugal está marcando presença!)

YukaCharlie: Que bom que amou! Com certeza, por alguma razão Jorge não bate muito com Hermione, talvez por faltar aquela energia, o fogo e atrito u.u. Tenso, tenso. Bom, Fred teve que aprender a ser sincero e desabafar. No final valeu a pena, certo?

Agora UchihaItachi e justaweirdowithnoname, vejo vocês em breve e quero saber o que falou nessa fanfics (exceto pelas pequenas falhas na linha temporal e erros de escrita que ocorrem ocasionalmente ^^')

A todos os outros que me acompanharam, valeu mesmo, bateu o recorde de todas as minhas fanfics, isso foi assustador o.o Muitas visitas, fiquei chocada.

Bom, senhoras e senhores leitores, vou deixar aqui minha conta no Deviantart, afinal futuramente publicarei algumas fotos de Fred/Hermione ou Fred e Jorge porque, bom, amo os gêmeos. =)

.com/

Deixem sugestões ou comentários se desejarem.

Um grande abraço para todos!