Capítulo 2
Entrei no quarto na qual ia dividir com a espaçosa Carol. Era um cômodo grande com dois armários embutidos , duas camas de solteiro box e apenas isso , sobrando ainda muito espaço naquele lugar.
Carol quase enlouqueceu quando soube que uma das suítes já tinha sido escolhida por Luana , Alice e Camila , e que a outra tinha ficado com JP e Diogo. Perguntei pra ela porque tanto drama , mas claro que Carol era mimada e sempre tinha o melhor , ela simplesmente não queria um quarto comum. Aquilo me deixou tão irritada que falei que se ela não estava satisfeita, que fosse dormir na sala porque eu não ia dividir o quarto com alguém que só reclama.
Carol como sempre leva tudo ao pé da letra , levou suas 7 malas roxas para a sala e se instalou lá. Só dou um prazo de 2 dias pra ela vir ao meu quarto com o rabo entre as pernas me pedindo arrego .
Dei uma risada e me estirei na cama .
" Pena que só tem Henrique pra destruir toda a minha felicidade" pensei perdendo o sorriso dos lábios " Terei de aguenta – lo por um mês inteirinho" me ajeitei na cama desconfortável com o pensamento.
Ouvi uma batida na porta e alguém abrindo – a.
- Tê? – Alice fechou a porta – Coloca o biquíni , a gente vai nadar no laguinho.
- Al , não tô muito afim , acho que vou dormir – falei me virando para ela, que deu um suspiro e se sentou na ponta da minha cama.
- Linda , eu sei que você tá chateada porque Henrique tá aqui.
- Você acha? – perguntei sarcástica .
- Não venha com o seu sarcasmo Albuquerque.
- Então que não me viesse com uma surpresa dessas.
- Olha , você viria mesmo se a gente te contasse?
- Não.
- Então , a gente não queria isso , você é uma das nossas melhores amigas , não queríamos te deixar de fora .
Me sentei encarando – a.
- Por que vocês o convidaram?
- Porque ele é nosso amigo também.
- Ui – fiz som de nojo e voltei a me deitar na cama.
- Não seja assim Tê . Você deve pensar que essa rixa entre vocês dois também machuca a gente . Você acha que eu gosto de ver meus amigos sempre brigando? – ela deu um beijo no meu ombro e se levantou – Pense nisso ok? Estamos te esperando.
Alice saiu do quarto e me deixou sozinha com meus pensamentos. O que ela falou me deixou triste .
Não queria que essa merda de briga os afetassem mas acaba que afeta todo mundo e deixa um clima pesado.
Me virei para o outro lado da cama .
"Vou ou não vou? Se eu não quero que os meus amigos sejam afetados tenho que ir , e olha eu esperei o ano inteiro pra vir passar as férias com eles , então tenho que ir"
Dei um pulo da cama e fui até a minha mala azul marinho e a abri tirando o primeiro biquíni que vi. Um laranja estampado com flores brancas .
O coloquei rapidamente, peguei minha saída de banho e uma toalha. Abri a porta do quarto , corri pelo corredor dos quartos e desci as escadas passando pela sala de estar que estava com a porta de vidro aberta.
- Carol? Você vem?
Ela estava sentada no sofá cama que ela havia preparado (muito mal , tinha até medo que aquele troço se dobrasse novamente no meio a noite e a puxasse junto para dentro do sofá) rodeada com suas malas roxas e com seus 40 biquínis na qual ela estava com uma duvida mortal de qual escolher.
Carol apenas me olhou de canto , agora com os olhos sem maquiagem mostrando mais suas íris azuladas .
- Estou temporariamente sem falar com a senhorita.
- Aham – sorri – Acho que até hoje de noite você vai lá bater na minha porta e vai me pedir ajuda para trazer toda a sua tranqueira para cima.
- Tranqueira? Olha como você fala das minhas coisas de alta classe.
- Tá pode ser de alta classe , mas me diga oque você vai fazer com todos esse biquínis?
- Vou usa – los oras .
- 40 biquínis em 30 dias? Bem esperto.
- Sai daqui Albuquerque.
- Ok – estava saindo de perto da porta de vidro, com um sorriso nos lábios , eu sabia que ela ia me chamar de novo.
- Ai , Tetê! Volte aqui.
Bingo!
- Oi – me encostei na porta com um sorriso maroto.
- Qual biquí...
- O azul turquesa – apontei para a peça de banho que estava escondida debaixo de uma mala – combina com os seus olhos.
- É verdade! Ai , você é incrível.
- Obrigada , mas devo te dizer , não se troque aqui. Apesar das cortinas na porta, existe sempre uma brecha. Tô te esperando lá fora.
- Ok , Darling.
Sai da porta e fui para fora da casa . No pátio onde estava estacionado os quatro carros havia um açude pequeno e limpo , com um passarela de madeira que adentrava na água , dando passagem para mais ao fundo do laguinho.
Parei na frente da passarela segurando minha toalha nas mãos e observando todos nadando na água transparente . Camila estava agarrada nos ombros de Léo , Alice estava sentada em cima daquelas boias em forma de rosquinha e Diogo segurava as bordas da boia enquanto conversava com ela , Luana conversava com JP e Henrique.
Suspirei enquanto hesitava.
- E ai.
- Ai , Carol. Você me deu um susto.
- Se surpreendeu com a minha beleza , por isso levou o susto.
- E com a modéstia.
- Faz parte também – ela sorriu maliciosa e olhou para o laguinho , logo seu sorriso murchou – Não entendo. Por que eles entram nesse açude com uma piscina coberta aqui atrás.
- Sei lá , pra entrar em contato com a natureza.
- Acho que já estou em contato o suficiente com a natureza , através dos mosquitos que estão me comendo viva – ela deu uma coçada no braço branco – Olha nem sei porque vocês gostam dessa sede , é só mato.
- Quando você era pequena você gostava.
- Eu era uma cria Teresa.
- Sei ... – entortei um pouco a boca desconfiada – Vamos logo , estou morrendo de calor.
- Pois é , você tá suando feito uma porca.
Só olhei pra ela.
- O que? Só falei a verdade.
- Você não sua por acaso?
- Não. Eu exalo perfume.
Dei uma gargalhada e a puxei pelo braço indo em direção do final da passarela de madeira.
- Ah! Está ai as madames – gritou Luana.
- Tenho certeza que Carol demorou 1 ano pra tirar todos aqueles biquínis de dentro das malas – JP deu uma gargalhada.
Carol apenas empinou o nariz , tirou a saída de banho e olhou ao redor dos próprios pés – Ah... Tê?
- Sim.
- Onde que eu deixo as minhas roupas?
- No chão mesmo.
- No chão? – ela colocou a mão no peito – Não , não , não . Eu já volto , vou pegar uma cadeira.
Carol saiu correndo, segurando firmemente a toalha e a saída de banho pomposas.
- O que tá esperando Tê? Entre! – Camila me chamou ainda abraçada com Léo .
Dei um sorriso e tirei a saída de banho.
- Ai , você é mesmo uma vadia né? – perguntou Alice com um sorriso – Olha esse corpão.
- Cala boca , Al . Você tem um corpo maravilhoso – e era a mais pura verdade , Alice era alta e malhada , parecia uma modelo. Pulei no lago gelado meio sem jeito , eu ficava meio envergonhada quando falavam de mim na minha frente.
A água engoliu meu corpo e o refrescou do verão de 40 graus . Quando emergi ouvi alguém reclamar , olhei em volta e vi Henrique de cara amarrada.
Há! Imagine que não foi ele a resmungar.
- O que você tá resmungando?
- Tá falando comigo? – perguntou ele com nojo.
- Que outro Narigudo resmungão tem aqui?
- Ei! Não comecem! – gritou Léo – Vocês fizeram um trato lembram?
Agora fui eu que resmunguei.
- Cheguei! – Carol chegou com uma cadeira de praia , toda suada.
- Carol? – perguntei rindo.
- Sim , Darling.
- Você está exalando muito perfume.
Ela parou de colocar as coisas em cima da cadeira e se olhou.
- Pois é , tô exalando flores do mato. Acho que vou dar apenas um pulinho pra depois voltar a cheiras rosas vermelhas – ela deu um sorriso e andou um pouco, parando na minha frente e colocando a pontinha do dedo na água – Af, tá gelada.
- A piscina também – retrucou Luana.
- Hum... – Carol falou fazendo beicinho , enquanto silenciosamente , Diogo saiu do laguinho e parou atrás dela – Olha acho que vou tomar um banho de chuveiro – ela se virou e se deparou com ele atrás de si – Ai! Diogo!
Ele deu um sorriso e a pegou no colo.
- Diogo , não! Por favor , essa água vai estragar meu biquíni.
- É de açúcar o biquíni?
- Ah... Não.
- Então não estraga – falando isso a jogou na água e em seguida pulou do lado de Alice tirando dela a boia , fazendo a morena alta também resvalar na água.
- DIOGO! – Carol gritou em plenos pulmões quando submergiu- Você tá morto cara . Alice mate ele!
- Bem que eu queria – disse a namorada apaixonada – Mas acho que vai ser de beijos – dizendo isso Al começou a encher seu amorzinho de beijos.
- Ai! Esse love todo me da enjoos! – fazendo som de vômito Carolina saiu da água pela escadinha da passarela – Você – apontou ela pra Diogo – Vai esperando Diogo Andrade Mathias , você está na minha lista negra.
- Ui , cara . Você tá ferrado – Léo falou com sarcasmo .
- Vai brincando Seu Leonardo , vai brincando – ela botou o cabelo para trás e saiu rebolando , com suas coisas no colo.
- Carol! Volte ai! Se não vou ter que ir te buscar! – Diogo gritou e Carol que estava já entrando na casa , mostrou a língua como uma criança de 12 anos e sumiu porta a dentro.
- Só mesmo a Carolina – riu Luana.
- Só ela mesmo – concordou Henrique que ainda estava olhando para a porta da casa , com um brilho estranho nos olhos.
Minha expressão de nojo se formou. " Meu Deus , imagina a minha melhor amiga doida com esse Narigudo babaca? Seria o caos!" Balancei a cabeça afugentando o pensamento , seria nojento demais e Carol não me daria tanto desgosto. Henrique , o loiro alto , musculoso de olhos azuis? Deus do Céu , pelo o que eu conheço de Carolina Abelli... Se ele der mole pra ela , a menina avança , sem dó nem piedade.
Passei a mão pelo rosto e mergulhei novamente.
O ar condicionado estava ligado a noite inteira , e eu dormia tranquilamente com o arzinho gelado quando alguém me sacudiu freneticamente.
- Hum – me afastei da pessoa , mas a maldita mão começou a me cutucar e me beliscar – Ai! O que foi? – gritei me sentando.
- Oi , Tê – Carol me saudou baixinho.
- Ai , Carolina – voltei a colocar a cabeça no travesseiro – Vai dormir.
- Hum ... Não consigo.
- Deixe – me adivinhar... A princesa não consegue dormir porque o sofá cama era muito duro.
- Mais ou menos , o sofá cama quase me engoliu . Não arrumei ele direito - tive que conter a gargalhada , olha eu poderia ser vidente – E também não era os dos mais confortáveis...
Me sentei novamente e olhei para cara de sono de Carol.
- E você veio aqui por que... – claro que eu sabia , só queria faze – la falar.
- Ai , Albuquerque. Você sabe! Agora tira a bunda dessa cama e venha me ajudar a pegar a minhas malas.
Sorri e levantei da cama junto com Carol, que me guiou escada a baixo para depois acender a luz da sala de estar em meus olhos recém – acordados. Por impulso coloquei a mão na frente do rosto.
- Vem me ajuda , Tê.
Deixei os meus olhos parecerem uma fenda e fui ajudar a pegar as malas de Carol. Deixa eu te contar , estavam extremamente pesadas.
- Carolina , você trouxe chumbo junto?
- Não , apenas as minhas roupas - disse ela com simplicidade. Revirei meus olhos e comecei a subir as escadas na frente dela.
- Sério , não te entendo Abelli , pra que tanta roupa? Estamos no verão , com roupas leves que não ocupam tanto espaço na mala. Eu trouxe apenas 2 malas de roupas e 1 de sapatos , e já acho muita coisa.
- Ai , pare de reclamar e continue andando – chegamos no quarto e deixei no chão as 3 malas que eu consegui levar – Darling, você sabe que eu poderia ter trazido bem mais coisas .
- E você poderia ter sido bem boazinha e ter aceitado o quarto normal.
Carol apenas revirou os olhos e jogou o cabelo embaraço atrás dos ombros.
- Ok , vamos conversar sobre o castigo só amanhã , tá mãe – resmungou sarcástica
- Claro , filha.
Descemos novamente na sala de estar , e arrumamos as roupas espalhadas de Carol para dentro de umas das malas .
- Carol? – perguntei sem desviar os olhos da mala que eu estava arrumando
- Fala.
- Hoje eu percebi um certo interesse da parte de Henrique por você.
- Sério? – ela parou de arrumar os biquínis e se virou para mim.
- Aham – falei com nojo.
- Hum... Interessante. O Henrique é muito gostoso , poderia ficar com ele por uma semana ... Um ótimo tempo – disse ela consigo mesma – Mas não tô afim de dividir meu verão com o babaca que a minha BFF odeia.
Olhei pra ela com sarcasmo.
- Sei... – falei fechando a mala com um sorriso– Você nunca dispensa um cara porque eu não quero que você fique com ele.
- Pra falar a verdade , Tê . Acho que por ver, ele passando da fase da adolescência para a fase adulta , perdeu o encanto. E você sabe , eu ADORO um carinha mais velho – Carol deu bastante ênfase ao adoro – Mas my Darling , pelo o que eu percebi hoje , não era em mim que ele estava interessado ... – ela me olhou nada sugestiva .
- O que? – dei uma risada – Tá louca! Aquele Narigudo me odeia.
- Ele pode odiar a sua personalidade , mas seu corpão ele adorou.
- Acho que você viu coisas Carolina – falei desviando de seu olhar.
- Há! Esse é irmão desse Teresa – ela apontou para os próprios olhos – Eu conheço esses tipos de garotos , sei quando estão atraídos. E nesse caso , ele te odeia , fato! Mas Henrique não pode negar a raça dos homens , ele ficou babando por seu corpinho de sereia .
- Então era por isso que ele estava resmungando... – falei comigo mesma. Balancei a cabeça espantando o pensamento – Vamos logo com essas malas Carolina , estou morta de sono .
Ela concordou com um sorriso malicioso nos lábios.
