Título: Do As Infinity
Autora: Mila B.
Capa: Vide profile.
Sinopse: Existem muitos motivos para não se amar uma pessoa, mas apenas um para amá-la. (C. Drummond de Andrade). Veela!fic Vampire!fic.
Gênero: Romance/Comfort/Hurt/Drama.
Classificação: Slash/Nc-17.
Casal: Harry Potter e Draco Malfoy.
Trila Sonora: Set Fire to the Rain, Adele.
AVISO: Essa fanfic contém SLASH, relação homem x homem! Acha ruim, horrível, feio, nojento? NÃO LEIA. E alguém notou a ordem dos nomes no casal? Pois é, Draco UKE! Prefere ele seme? Acha um absurdo ele por baixo? Então é só clicar no X simpático no canto direito superior da página e ser feliz. :)
Capítulo 2
Explicações e Aceitação
Draco acordou com a luz fraca do amanhecer que serpenteava pelo quarto brincando em suas pálpebras. Remexeu-se preguiçosamente na cama, sentindo-se exausto e fraco. Demorou apenas alguns segundos até que os eventos da noite retornassem com força total à mente embargada pelo sono. Sentou-se rapidamente na cama, levando uma mão ao pescoço.
"Meu Deus..." Murmurou consigo mesmo, levantando e correndo até o banheiro. Como prova de que tudo fora real, e não apenas um sonho absurdo, dois pequenos pontinhos avermelhados destoavam na tez pálida de seu pescoço. Então ele realmente transara com Harry Potter, que agora era um vampiro. "Potter, seu miserável..."
Draco perguntou-se como Harry teria virado um vampiro. A última vez que o vira, fora no final de seu quinto ano em Hogwarts, antes de fugir da Inglaterra. Depois acompanhara de longe as notícias esparsas que chegavam sobre a guerra. Porém, após descobrir que Voldemort caíra e que o mundo mágico estava a salvo no Reino Unido, Draco desligou-se de sua antiga vida. Poderia ter retornado, mas a culpa não permitira.
E também descobrira que algumas pessoas que voltaram depois da guerra foram vistas como traidoras e passaram a ser tratadas como párias pela sociedade. A guerra fora vencida a um alto custo, e as pessoas que haviam perdido parentes e amigos queridos passaram a culpar não apenas os aliados de Voldemort, mas também aqueles que escolheram não se envolver. Draco não queria voltar para, além de sua própria consciência, ter outras pessoas para culpá-lo. Ele nunca fora corajoso. Ele não tivera a coragem necessária para ficar, e não possuía a coragem necessária para voltar. Mesmo depois de seis anos desde o fim da guerra.
Por ter-se desligado de sua antiga vida, Draco não sabia nada sobre o que acontecera com o famoso herói de guerra, Harry Potter, após o conflito. Os jornais talvez houvessem noticiado o que acontecera com Harry, e como ele se tornara um sugador de sangue. E agora Draco estava curioso.
Harry poderia tê-lo matado na noite passada. Draco sabia muitas coisas sobre os efeitos que um veela tinha sobre as outras pessoas, e sobre os outros seres. Era comum que, quando um vampiro encontrasse alguém com descendência veela, acabasse por matar sem pensar duas vezes, extasiado com o aroma e com o gosto do sangue da vítima. Mas vampiros que não fossem criaturas débeis e estúpidas, sem consciência, eram raros nos dias atuais, então ele nunca se preocupara muito em topar com algum deles.
Mas agora um topara com ele, e era melhor que começasse a tomar mais cuidado.
Tomou um banho demorado, repreendendo-se por pensar no corpo de Harry e nas sensações que ele lhe proporcionara há algumas horas. Todo seu corpo estava sensível, e havia manchas espalhadas por ele, nos braços, na cintura. Nunca tivera uma noite de sexo – definitivamente selvagem – tão boa quanto aquela.
"Droga, Potter. Saia da minha cabeça." Murmurou enquanto lavava os longos cabelos. Harry torna-se um homem extremamente bonito. E aquele ar sombrio e misterioso adicionava muita sensualidade ao conjunto. Draco estremeceu lembrando-se da maneira ardente como ele o beijara em todas as vezes, incansável, insaciável. "Eu não acredito que o desgraçado me mordeu! Poderia ter-me matado..."
O dia transcorreu naturalmente, sem nenhuma novidade. Mas pareceu se arrastar de maneira agonizante, pois Draco ficava olhando para a rua, desejando que o sol se pusesse logo e o crepúsculo encobrisse Roma. Ele queria ver Harry Potter novamente, por mais que isso lhe soasse um tanto suicida. O vampiro poderia ter-se controlado naquela noite, mas nada garantia que ele conseguisse uma segunda vez.
"Você parece aflito hoje, querido." Monique falou quando ele entrou na cozinha para trazer os pedidos e pegar outros. Ela sempre reparava em suas mudanças de humor, sem nem mesmo olhá-lo. Era como se apenas sentisse no ar.
Draco desejou poder conversar mais abertamente com a senhora, sempre tão carinhosa e preocupada com ele, mas não poderia contar que estava angustiado porque um ex-colega que virara vampiro aparecera em sua vida para assombrá-lo.
"Não é nada. Só estou um pouco cansado." Falou, dando um beijo na bochecha da senhora antes de pegar os pratos com fatias de bolo que ela acabara de preparar.
"Não hesite em me procurar se precisar de alguns conselhos amorosos. Acredite ou não, eu já levei essa cidade abaixo na minha juventude." Monique piscou-lhe um olho. Draco sorriu de lado e saiu da cozinha, indo servir os clientes.
No horário do almoço, Monique e Draco saíram do Café, deixando-o sob os cuidados dos outros empregados. A cidade estava mais cheia. Em junho algumas festividades a céu aberto começavam em Roma, como a que vinha acontecendo na Ilha do Tibre. Todas as noites, entre junho e setembro, a ilha – a única do rio que se localiza na parte central da cidade, e onde vitimas de epidemias e criminosos eram antes condenados – fervilha com restaurantes, bares e lojas de roupas, livros e artesanatos.
"Você já foi a alguma das festividades desse ano?" Perguntou Draco enquanto eles entravam em um pequeno estabelecimento discretamente localizado numa rua perpendicular à Via Condotti.
"Ah, meu querido, eu não tenho mais idade para isso. Mas você deveria ir. Pegar um rapazola bonitão ou uma moça de sorriso cativante e aproveitar as noites de Roma." Monique comentou jovialmente, sentando-se em uma das mesas.
"Ridículo, Monique, você aparenta vinte anos a menos do que realmente tem. Poderia encontrar alguém também... Vive me acusando de ser alguém solitário, mas também não fica para trás..." Repreendeu Draco.
"Draco, é diferente quando a gente já viveu um grande amor. Não tenho dúvidas de que eu e Tasso éramos almas gêmeas. Não havia ninguém que me entendesse como ele, e ninguém que me proporcionasse tanta alegria com um simples sorriso. Brigávamos, é claro, e muito, mas nenhuma briga durava mais do que algumas horas. Não agüentávamos, e no fim acabávamos rindo juntos. Eu já amei tanto e aproveitei tanto, que não sinto necessidade de buscar por um novo amor, Draco, porque nenhum pode superar o que eu tive com Tasso. Eu posso sair com outros homens, eventualmente, mas meu coração pertencerá sempre ao meu querido e falecido esposo." Monique disfarçou os olhos marejados, olhando para o lado e perguntando indignada onde estavam os garçons daquele lugar.
"Deve ser incrível amar dessa forma..." Draco murmurou consigo mesmo, apoiando o cotovelo na mesa. Ele poderia sentir inveja daquilo. De alguém que fora capaz de amar tanto e ter esse amor retribuído na mesma intensidade. Um romance tão pleno que nem a morte, a distância ou a eternidade jamais apagariam.
Monique voltou o olhar para ele e sorriu.
"É sim, e eu quero que você experimente. Eu ainda me lembro de como conheci Tasso. Foi na Colina de Pincio, na Piazza del Popolo. É um dos lugares mais românticos de Roma, você sabe. Eu fui lá com uns amigos, para ver o pôr-do-sol. Ele se aproximou. Eu pensei que fosse uma de minhas amigas e comentei sobre o quão lindo era a visão lá do alto. Ele concordou, olhando diretamente para mim. Eu o olhei ruborizada e disse estar falando do céu. Ele sorriu e falou que ele falava da mesma coisa." Monique balançou a cabeça, sorrindo de leve, as bochechas coradas. "Pessoas especiais surgem das maneiras mais inesperadas. Cabe a nós dar uma chance a essas pessoas."
Draco sorriu também, e acabou pensando em Harry. Ele certamente surgira da maneira mais inesperada possível, em um momento também envolvendo o pôr-do-sol de Roma. Não poderia negar que queria saber mais sobre o que acontecera com o herói do mundo bruxo. Só não queria que ele voltasse apenas para aproveitar-se de seu corpo, beber de seu sangue. Ao pensar nisso, resolveu pedir um prato com reforço de ferro. Não queria ficar anêmico – não sabia quanto sangue Harry sugara na noite anterior.
"Você tende a dar chance demais a desconhecidos. Deu uma chance para mim, e olhe agora para a enrascada em que se meteu." Draco brincou, não querendo aprofundar o tema de por que razão se mantinha afastado de outras pessoas.
"É verdade." Lamentou Monique. "Mas já aprendi minha lição. Hoje em dia cuido para espantar os garotinhos abandonados que batem à porta do meu Café pedindo por um emprego." Monique estendeu a mão e fez um carinho rápido em uma das bochechas de Draco, com dois tapinhas carinhosos.
XxX
O sol recém sumira no horizonte, e tímidas estrelas principiavam a surgir, incandescentes em meio ao manto negro que começava a envolvê-las. Havia pessoas rindo e conversando, indo de uma loja para outra, comprando os doces expostos em pequenas barraquinhas de rua, entrando e saindo de restaurantes e carregando sacolas em meio à confusão que eram aquelas festividades de verão.
Mesmo cercado por tanta agitação e barulho, Harry Potter sentia-se longe do mundo, olhando para o céu e pensando que, diferente dos outros, ele poderia passar a eternidade contando as estrelas sobre sua cabeça, mas que ainda assim não encontraria o número verdadeiro. Porque o dia voltaria, inexorável, apagando todos os mistérios da noite com sua claridade que não permitia dúvidas ou medos.
Harry procurou em sua mente o momento exato em que o crepúsculo se tornara a única certeza em sua vida. Ele nunca fora uma pessoa de traçar muitos planos, é verdade. Sempre agira por impulsivo e sem pensar no que o dia seguinte lhe traria. Até porque, não há lógica em traçar planos de longa data quando se está em meio a uma guerra. Quando se pode morrer num piscar de olhos, ou ver as pessoas que estariam inclusas em um provável futuro caindo inertes em frente aos seus olhos.
Mas uma pequena parte de seu ser sonhara, ainda antes da queda de Voldemort, que tudo aquilo acabaria e ele poderia levar uma vida normal. Casar e ter filhos e arrumar um emprego que não envolvesse salvar o mundo de um maníaco homicida. E quando a guerra de fato acabou, Harry traçou planos. Marcou casamento. Apostou com George o ano em que Ron finalmente pediria Hermione em casamento. E estava feliz, com o coração leve de uma forma que não ousara sonhar ser possível antes de seus dezoito anos – até que uma missão e um erro de cálculos acabassem com seus tímidos primeiros planos decididos e arquitetados.
Era sempre difícil lembrar-se de tudo que ficara para trás, ou pensar no que estava perdendo. Principalmente quando não estava ganhando nada em troca. Pelo menos não até a noite anterior. Ele ainda podia sentir o calor de Malfoy envolvendo seu corpo frio e espalhando uma sensação de formigamento por sua pele doentiamente branca. E sentia-se salivar e estremecer, a respiração alterar e os olhos dilatarem ao se lembrar do gosto do sangue que provara em meio ao seu descontrole. Era como despertar depois de anos dormindo, como sentir a luz do sol, quente, viva e forte novamente e vislumbrar, mesmo que ao longe, algum significado para continuar pisando sobre a terra.
E foi com esse pensamento que o viu parado em frente a uma banca de livros, olhando para os títulos com um interesse distraído. Harry poderia jurar que, se seu coração ainda batesse, teria acelerado no peito naquele momento. Chegara até a ilha seguindo o aroma de Malfoy, agora muito mais forte, trazido até suas narinas pelo vento suave que atravessava a cidade. Puxou o ar até que preenchesse completamente seus pulmões, atingido por uma sensação agridoce de bem-estar e consternação, pois seu lado predatório gritava para que terminasse o que começara na noite anterior. Era incrível que houvesse se controlado a tempo de não beber Draco Malfoy por inteiro.
E Malfoy se sobressaltou levemente quando parou ao lado dele, também olhando para os títulos dos livros.
"Eu deveria imaginar que você aparecia assim que o sol se pusesse." Draco olhou para o céu, e então para Harry, os olhos semicerrados e a expressão desconfiada. O vampiro notou que ele estava com a mão no bolso, provavelmente segurando firmemente a varinha. "Não chegue tão perto, Potter." Ele ameaçou, andando um passo para trás quando Harry deu um à frente.
"Eu não vou te atacar, se é isso que você está imaginando." Harry falou, o tom neutro e os olhos presos no rosto sério do outro. Merlin, Harry não se lembrava de ter visto alguém tão bonito em toda a sua vida, e sua mão formigou por tocar o rosto dele novamente.
"Você me mordeu ontem, você praticamente me estuprou, Potter! E-"
"Oh, como se você não houvesse gostado." Harry o interrompeu vencendo a distância entre os dois e segurando o pulso da mão com a qual Draco segurava a varinha. As maçãs do rosto do loiro adquiriram um tom avermelhado – Harry não sabia se por seu comentário ou pela proximidade –, e o coração bombeou com força, as batidas quase ensurdecedoras nos ouvidos do vampiro.
"Po-Potter…" Draco gaguejou quando Harry segurou-o pela nuca e o puxou, afundando o rosto na dobra do pescoço do loiro, aspirando profundamente e causando um tremor pelo corpo do menor.
"Eu não queria ter perdido o controle ontem, me desculpe." Harry falou em um sussurrou, os lábios tocando a pele do outro numa carícia suave. "Prometo ser um bom garoto hoje." Completou próximo à orelha de Draco, que virou o rosto, claramente incomodado por estar preso nos braços do vampiro.
"Então seja um bom garoto e me largue." Draco disse o mais firme que sua voz permitiu. Sentia todo seu corpo corresponder a Harry, mas sabia que isso era efeito da aura sedutora do vampiro. A voz aveludada que lhe tirava as forças, os lábios macios que arrepiavam sua pele e os olhos verdes penetrantes que liam sua alma. Draco sentia-se terrivelmente vulnerável, e isso só o deixava irritado e angustiado, indeciso entre correr ou se entregar.
E Draco ficou realmente surpreso quando Harry de fato se afastou parecendo dono de si mesmo novamente, a expressão séria e sombria, esperando por nada em especial.
"Acho que deveríamos conversar." Draco praticamente demandou cruzando os braços sobre o peito.
"Okay," Harry concordou e, em um movimento que Draco mal pôde acompanhar, abraçou-o pela cintura e aparatou. Quando a sensação ruim na boca do estômago passou e o loiro conseguiu se localizar, viu que estavam em um quarto iluminado por algumas velas apenas. Havia uma grande janela aberta como um quadro do céu estrelado de um lado, uma porta fechada de outro, uma lareira crepitando suavemente perto de onde Harry agora estava parado, apoiado à parede, observando-o sentado na cama de casal que preenchia boa parte do aposento.
"Um quarto. Que conveniente." Debochou com os lábios torcidos, e recebeu um sorriso mínimo em retorno.
"Agora você pareceu com o Malfoy que eu conheci em Hogwarts." Harry falou, e viu o loiro se retrair, como se fisicamente atingido pelo comentário. O vampiro ergueu uma sobrancelha, analisando atentamente o outro. "Por que você desapareceu?"
"Quando falei que queria conversar, era eu quem queria fazer as perguntar, Potter." Draco retrucou evitando encarar o vampiro, o olhar perdido na janela aberta.
"Uma pergunta para cada um. Responda as minhas que eu responderei as suas." Harry interpôs num tom que não abria espaço para reclamações. Ele também estava curioso, também tinha muito que perguntar. Draco suspirou permanecendo em silêncio por alguns minutos antes de voltar a encarar a figura quase escondida pelas sombras tremulantes do quarto, apenas os olhos verdes brilhando na penumbra.
"Eu receberia a marca negra durante as férias entre o quinto e o sexto ano. Era o que o meu pai sempre planejara para mim: seguir seus passos, servir fiel e cegamente a Voldemort. Mas eu não queria me envolver numa guerra. Então fugi da Inglaterra sem que meus pais sequer desconfiassem. Lucius tinha tanta certeza de minha devoção que jamais imaginaria que seu único filho não dava a mínima para aquela maldita guerra. Por covardia, indiferença, não importa, não era o que eu queria." Draco relatou, surpreendendo-se com o quão fácil as palavras saíram, como se há muito tempo estivessem entaladas em sua garganta. Harry manteve-se quieto, apenas o observando intensamente, como se esmiuçasse cada significado oculto por trás daquela declaração. "Como você conseguiu se controlar ontem?"
Harry ficou surpreso com pergunta.
"Pensei que a primeira coisa que me perguntaria seria como me transformei em um vampiro." Comentou, e Draco sorriu de lado.
"Chegarei lá. Mas primeiro quero saber como conseguiu não beber todo o meu sangue. É quase impossível para um vampiro não se deixar controlar totalmente pelos instintos quando encontra uma ou um veela. Eu jurava que não sobreviveria à noite passada."
"É por isso que continua tão tenso? Acha que vou te atacar a qualquer momento?" Harry perguntou, quase divertido, mesmo sabendo que Draco estava certo em manter-se alerta, pois estava usando de toda sua concentração e auto-controle para de fato não tomar alguma atitude impensada.
"Você pode fingir que está relaxado, mas consigo ver o quanto está tenso, com o corpo rígido, os punhos apertados. Você não é imune aos próprios impulsos. Responda a pergunta."
"Sua mãe me ajudou num momento importante." Harry declarou, optando por ignorar o tom prepotente do outro, e percebeu Draco fraquejar em sua pose firme à menção de Narcisa. "Tenho uma dívida com ela, então não poderia simplesmente matar o filho dela por pura auto-satisfação."
"Minha mãe... O que ela fez? Você sabe algo dela? Como ela está hoje em dia?" Draco perguntou, visivelmente abalado. Mas Harry balançou a cabeça.
"Minha vez. Como você pode ser um veela se na época da escola não o era? Que eu me lembre, sempre se gabou de ser um bruxo de sangue-puro."
Draco sentiu a garganta se apertar. Estava esperando por essa pergunta, porém não se sentia tentado a respondê-la, mesmo que dessa forma não pudesse fazer novas perguntas. Desenterrar esse passado era difícil, e mais doloroso do que imaginara. Draco se sobressaltou ao ver Harry ajoelhado à sua frente, olhando-o com preocupação, e só então percebeu que prendera a respiração e mordera o lábio inferior até que ele ficasse inchado. Amaldiçoou-se por isso, ao ver o brilho de desejo e sede nos olhos do vampiro.
Harry segurou uma mão do loiro e beijou-o longamente no pulso, fazendo Draco voltar a prender a respiração.
"Você não precisa falar se o incomoda tanto." Ele murmurou contra a pele fina do pulso, as pequenas linhas azuis no local cintilando aos olhos do vampiro, que se segurava para não enterrar os dentes na carne tenra.
"Potter..." Draco chamou baixinho, tocando com a ponta dos dedos o rosto do outro. Harry ergueu o rosto para fitá-lo, as orbes tempestuosas o acalmando. "Como... Como você se transformou?"
"Faz três anos." Harry disse com a testa vincada, enquanto lentamente se erguia, o rosto se aproximando do do loiro que se deixou levar pelo olhar quente do vampiro, seu corpo inclinando-se para trás até que suas costas batessem no colchão. "Eu estava com vinte e um anos e já trabalhava como auror. Estávamos em uma missão, havíamos encontrado um dos focos dos comensais que ainda impunham alguma resistência." Harry continuou contando ao enlaçar a cintura do loiro e levá-lo mais para o meio da larga cama. "Não sabíamos que um deles era um vampiro. Ele se rendeu, mas, num momento de descuido, ele me atacou... Aconteceu muito rápido." Harry se encaixou entre as pernas de Draco, que gemeu baixinho com o contato, uma das mãos do vampiro deslizando por baixo de sua camisa. "Ele me drenou numa velocidade espantosa... Toda a raiva concentrada naquele ato de vingança."
"Harry... Você disse que iria se controlar." Draco ofegou quando o vampiro segurou um de seus mamilos e começou a acariciá-lo, apertando-o de leve, enquanto os lábios frios se concentravam no pescoço do loiro.
"Mas você é irresistível." Harry murmurou movendo o quadril, arrancando um novo gemido de Draco, que encheu as mãos com os cabelos negros do vampiro, tremendo quando a ponta da língua dele deslizou vagarosamente por sua pele, contornando a linha do maxilar e alcançando sua boca. Harry passou a língua por seus lábios, provando-os.
"Isso não explica como você se transformou. Você precisaria receber o sangue dele depois que ele o drenou." Draco discorreu com alguma dificuldade, sua mente se turvando com o prazer e o desejo que começavam a invadi-lo de maneira sinuosa e perigosa.
"Seu coração está batendo tão forte. Consigo ouvir como se fosse o som de tambores." Harry sussurrou, mordiscando o lábio inferior do loiro e abrindo um pequeno corte. Draco soltou um gemido baixo de dor, mas antes que pudesse reclamar, Harry já devorava sua boca, beijando-o e sugando o sangue e acabando com qualquer pensamento que o loiro pudesse ter que não fosse relacionado ao momento presente, aos toques do vampiro, ao gosto de seu próprio sangue derretendo-se entre as línguas de ambos, que travavam uma luta selvagem.
Estava tão absorto naquilo que demorou a raciocinar o que acontecera quando Harry se afastou abruptamente e, apenas depois de alguns segundos recuperando o fôlego, abriu os olhos, deparando-se com as duas esmeraldas fixas em seu rosto.
"Eu quero saber mais sobre você." Harry disse sério, tocando o rosto do loiro como se tocasse algo precioso. "Quero saber quem é Draco Malfoy."
Draco piscou aturdido.
"O que aconteceu depois que você foi drenado?" Draco desviou o assunto, voltando ao relato incompleto do vampiro. Harry sorriu de canto, percebendo a estratégia do ex-sonserino.
"Ron também era auror e estava na missão. Ainda deve ser auror. Ele não conseguiu me deixar morrer. Quando viu meu corpo inerte... Eles mataram o vampiro, mas antes, derramaram parte do sangue da criatura na minha boca. Foi um ato desesperado." Harry balançou a cabeça, tentando afastar o sentimento ruim que se espalhou por seu corpo, ajoelhando-se na cama, os ombros caídos. "Inevitavelmente, isso afetou e muito nossa amizade. Ele não deveria ter feito o que fez. Aquele era meu momento para morrer."
Draco ajoelhou-se também, impressionado ao ver Harry tão... derrotado. Ele não lembrava muitas coisas da época da escola, pois lhe parecia tão distante quanto toda uma vida, mas não recordava de ter visto, em nenhum momento sequer, Harry Potter com aquele ar cansado e abatido, mesmo quando carregava a salvação do mundo bruxo nas costas.
"Se você está aqui agora, então não era o seu momento para morrer." Draco falou num murmúrio, tocando o rosto do vampiro, mantendo-se próximo, buscando por algum calor, apesar de existir apenas o frio no corpo pálido do outro.
"Eu não aguentei três meses na Inglaterra depois disso. O caso foi abafado e poucos sabem da verdade. Meus amigos tentaram me aceitar, mas eu sentia que eles nunca ficavam plenamente confortáveis. Minha noiva tentou entender e disse que estaria ao meu lado, que ainda me amava, mas chorava quase todos os dias. Eu me tornei um fardo para todos eles..." Os olhos de Harry escureceram, até o ponto de tornarem-se vermelho escuro, e ele soltou uma risada amarga. "Depois de cumprir a maldita profecia, destruir Voldemort, eu já não servia para muita coisa. Tornei-me facilmente descartável."
Draco sentiu-se quase afrontado pelo conformismo pesado com que Harry falou aquilo, como se não valesse nada, como se realmente acreditasse que se transformara em um problema, alguém que só tinha um sentido, um propósito por causa da existência de um anti-herói. O problema dos heróis é que eles se esquecem de que não precisam de vilões para existir. Um herói pode ser um homem que acolhe uma criança, uma mãe que não desiste do filho, ou alguém solidário e honrado, cuja paixão sobrepuja a omissão. Mas Harry era como um pássaro que machucara uma das asas, depois de experimentar a sensação do voo. Sua existência então se tornara imperfeita – o desejo de voltar a voar persistia, corroendo-o.
"Não seja idiota." Disse Draco, saindo da cama e indo até a janela em busca de ar fresco. Escorou-se ao parapeito e pôs-se a olhar o movimento lá fora. "As pessoas têm dificuldade em lidar com o que sai do esperado; não sabem como agir, tornam-se inseguras, medrosas." Falou, pensando por um momento que estava descrevendo a si próprio – algo que não gostaria de admitir nem em seu íntimo. "Um Harry Potter vampiro... não é algo fácil de assimilar. Mas não isso que te define, que te torna ou não necessário e especial. Só de pensar em toda a merda pela qual você já passou, Potter... não sei quantos bruxos conseguiriam. E isso ninguém tira de você: sua essência – que te fez enfrentar coisas que outros jamais aguentariam sequer imaginar. A mesma essência nobre que te fez partir para não se tornar um corpo estranho entre seus amigos. Eu não sei se tudo isso faz de você alguém extremamente corajoso ou idiota, mas você continua o mesmo, você é o que você é, tenha ou não que matar um bruxo das trevas."
Draco se virou e olhou para o vampiro, imóvel sobre a cama, ainda na mesma posição. Não conseguia ver o rosto dele de onde estava, apenas as costas largas, os ombros caídos. Harry pensava se Draco pensaria a mesma coisa caso descobrisse que ele matara inocentes em seus primeiros meses como vampiro. Era uma culpa da qual não conseguia fugir. Os erros do presente apagam os acertos do passado?
"Meu pai foi assassinado por Voldemort por causa da minha fuga." Draco falou de repente, sentindo a garganta secar. Harry virou-se então para ele, uma expressão preocupada no rosto vincado. "Não sei o que minha mãe fez para não ter o mesmo destino, mas ela sempre foi mais esperta do que qualquer um poderia supor." Draco respirou fundo, pois falar aquilo que já sabia em voz alta depois de manter a informação apenas para si por tanto tempo era como experimentar o gosto amargo da passagem do tempo em sua boca. "Alguém como você nunca se tornaria descartável, Potter. Por isso mesmo que seu amigo ruivo não conseguiu deixá-lo morrer quando havia um modo de salvar sua vida..." Os dois se encararam longamente, até que Draco fez a pergunta que atingiu Harry como uma flecha. "Foram eles que não o aceitaram como vampiro, Potter, ou foi você mesmo que não foi capaz de se aceitar?"
E Draco quase sentia como se falasse consigo mesmo, porque ele não era capaz de aceitar o que fizera. Seu pai morrera por sua causa, e esse era um fardo difícil de carregar. Lucius não era perfeito, não fora nem um marido, tampouco um pai exemplar, mas o que é o exemplar além de uma idealização fantasiosa e inatingível? Pois ele os amara e os protegera como podia, tomara escolhas que, acreditava, eram as melhores para sua família. E o que ele, o filho ingrato, dera em troca? Uma fuga, uma grande decepção, e uma sentença de morte. Draco não cogitara que Voldemort mataria o pai por traição, uma vez que Lucius não imaginara nem tomara parte em seus planos, mas ele deveria ter previsto que um louco megalomaníaco não deixaria um ato como aquele impune.
Perdido como estava em seus próprios demônios, Draco mal percebeu que o vampiro se levantara e agora estava parado à sua frente, olhando-o de uma forma que angustiava.
"Você amadureceu bastante." Harry disse, acariciando a bochecha de Draco. "Mas ainda é ingênuo, e está errado. Se eu passei por muita coisa? Sim, eu passei, mas não é o passado que determina nosso futuro. Nós vivemos a temer o futuro; mas é o passado que nos atropela e mata, e apenas para isso ele serve. Uma pessoa pode ter feito grandes feitos, mas, no momento em que os outros não precisam mais dela, não se importarão em descartá-la de suas vidas, tenha ela as salvado, ajudado ou não. No momento em que essa mesma pessoa foge das expectativas, comete um pequeno erro e não é mais necessária, precisa ser eliminada. É assim na história, exemplos não faltam. Por isso fui embora. Não queria que me tratassem com falsa cortesia, para depois falarem pelas minhas costas." Harry suspirou cansado. "Posso não gostar de ser um vampiro, mas se continuasse lá, só começaria a sentir pena de mim mesmo, porque era dessa forma que os Weasley, ou Hermione e os outros me olhavam. Eu matei inocentes, usei-os como alimento. Não sou nenhum exemplo."
Harry observou o loiro por longos minutos, ambos sérios, medindo-se mutuamente e tentando estabelecer algum estranho tipo de comunicação silenciosa, enquanto repassavam as palavras um do outro em suas mentes. Draco em nenhum momento duvidara que o vampiro já havia matado outros para sobreviver, a informação não o surpreendera. Surpreendia-o Potter estar contando tanto, abrindo-se tanto. E ele também estava, mas por quê?
"E você se culpa e também não se aceita." Harry foi o primeiro a cortar o silêncio, subitamente entendendo toda a melancolia que cercava o rapaz como um fantasma apagando sua luz. "Da última vez que falei com a sua mãe, foi logo depois do julgamento que testemunhei a favor dela, contando como ela mentiu para Voldemort para me ajudar." Harry deslizou a mão e tocou o pescoço de Draco, fazendo este voltar a tremer sob a carícia lenta e suave. "Perguntei por que ela me ajudou, e a resposta dela foi simples: a guerra lhe tirou o filho e o marido, e ela jamais ficaria do lado que causara ambas as perdas. Ela sente sua falta, Draco. Ela não te culpa."
"Como pode saber?" Draco retrucou, apoiando a mão no parapeito, algo querendo explodir em seu peito: a vontade de escorregar até o chão, abraçar os joelhos e chorar apoderando-se de seu corpo.
"Eu vi nos olhos dela. Vocês Malfoy conseguem esconder o que sentem nas atitudes, nas feições finas e aristocráticas, mas não nos olhos."
Draco ergueu o olhar, encarando Harry por um instante, suas orbes atormentadas contando tudo que sentia. Ele era apenas um covarde, uma existência vazia, alguém sem perspectivas. Por que Potter o mirava daquela maneira, como se ele fosse tudo que ele queria e precisava?
"Porque você é." Harry falou, e Draco quase se sentiu assustado com a resposta antes de se lembrar que os vampiros mais poderosos eram capazes de captar algumas linhas de pensamentos até mesmo de bruxos oclumentes. "Você é perfeito. Talvez não para o mundo, mas para mim..."
"Harry..." Draco entreabriu os lábios quando vampiro o segurou com força e uniu-os em um novo beijo, menos vazio, mas cheio de significados, algo como carinho e compreensão, um desespero velado por curar as feridas e cicatrizes do outro. Segurou os cabelos negros, puxando-os e afundando mais os lábios no frio de Harry, que roubava seu calor, seu autocontrole. Por que era tão intenso? Por que seu coração doía de uma forma quase boa, comprimido em seu peito? Por que sentia como se pudesse continuar nos braços fortes do vampiro pelo resto dos seus dias?
Por que precisava ser tão bom...?
Harry arrancou sua camisa, jogando-a com impaciência para longe, o tecido rasgado ondulando até cair no chão, inutilizado. Draco gemeu quando ele tocou livremente suas costas e peito, e jogou a cabeça para trás quando ele desceu os lábios para sua garganta, lambendo provocativamente o local enquanto tratava de livrá-lo também das calças. Draco também livrou Harry da roupa de cima, expondo os músculos bem trabalhados do peitoral dele, firmes como mármore branco e frio, sobrenatural. Ele colou seus corpos, abraçando o menor e levando-o de volta para cama, suas bocas presas em um beijo luxurioso. Quando ele o deitou e retirou-lhe todas as peças de roupa que faltavam, Draco estremeceu ao ver o vampiro, ajoelhado na cama, segurar uma de suas pernas e beijá-lo libidinosamente na parte interna na coxa, lançando arrepios que subiram até a ponta de seus cabelos.
Com uma rápida olhada para Draco, que tinha o rosto afogueado e a respiração rasa entre os lábios entreabertos, Harry gentilmente afundou os dentes na coxa do loiro, não muito distante da virilha, e revirou os olhos por baixo das pálpebras fechadas quando o sangue invadiu sua boca, derretendo-se como néctar em suas papilas gustativas, um prazer anormal e delicioso além do imaginável invadindo seu corpo como ondas em um mar cada vez mais revolto. Draco gemeu, jogando a cabeça contra o colchão, ofegando como se não conseguisse respirar, todo seu corpo excitado com o contato. Harry antes não gostava de ver as vítimas sentirem prazer quando as mordia, um dos mecanismos dos vampiros para mantê-las dóceis e entregues em seus braços enquanto sugavam lentamente seus fios de vida, os dentes afiados liberando endorfinas que as estimulavam tanto ou mais que o ato sexual. Uma maneira doce, lúbrica e indigna de se morrer, de fato. Mas Harry não iria matar o jovem que agora gemia e chamava baixinho por seu nome, numa voz entrecortada e sensual que triplicou o prazer e a excitação do vampiro que sugava lentamente a perna do amante.
Harry afastou-se suavemente, passando a língua pelos dois pontinhos avermelhados na pele branca do outro, fechando-os com sua saliva. Draco entreabriu os olhos, arfando ruidosamente, os olhos cinzentos escurecidos, como se absorvessem a penumbra do quarto. Harry sentiu aquela atração devastadora que praticamente o cegava e lhe tirava o chão ao observar o loiro. A longa trança se desfizera em algum momento, e agora parte dos cabelos dourados inundava o colchão, oferecendo um brilho a mais ao rapaz que ainda se recuperava dos efeitos recentes da mordida. Harry não esperou que a respiração dele normalizasse antes de cobri-lo com seu corpo e voltar a beijá-lo selvagemmente. Draco o segurou com força e rodeou seu quadril com as pernas, atritando suas ereções, buscando desesperadamente pelo máximo de contato, como se a distância machucasse a pele. Harry rosnou, murmurando um feitiço que lubrificasse o loiro antes de descer a mão e acariciar a entrada dele com movimentos sutis e circulares e, após um lamento de Draco pela provocação, colocar o primeiro dedo, estimulando-o.
Draco buscou a ereção de Harry em meio à névoa turva de prazer que o envolvia, e começou a masturbá-lo também, arrancando mais alguns rosnados do vampiro, que insinuou o segundo dedo, e então o terceiro; ambos se perdendo nos lábios, no calor, na pele e nos olhos um do outro.
"Harry... agora, eu quero agora." Draco ofegou com dificuldade em meio ao beijo cálido. Harry sentiu o corpo se enrijecer ainda mais com a ansiedade enquanto tirava os dedos e trocava-os por sua ereção, entrando lentamente e experimentando com deleite a sensação de ser envolvido pelo corpo do outro. Era quase inacreditável o quanto parecia simplesmente certo ter Draco em seus braços, fazê-lo seu. Harry não sabia se todo aquele desejo e paixão eram apenas influência da atração veela de Draco, que parecia sugá-lo em um doce encanto, deixando-o completamente à mercê, desestabilizado e até mesmo fraco, ou se havia algo mais. Independentemente disso, ele nunca imaginara algo tão forte e denso envolver e apertar seu coração como garras das quais lhe era impossível escapar.
Draco arqueou o quadril, instigando o vampiro a ir mais fundo, mais forte, o que lhe foi atendido sem qualquer hesitação, os corpos começando a ondular juntos de modo cada vez mais descontrolado, como se a razão, o sentido, e o mundo se desvanecesse em meio ao choque dos corpos, os beijos passionais, as mãos ansiosas e o desejo desmesurado. Talvez horas depois, talvez minutos, talvez em espaço de tempo incapaz de ser medido na infinitude do que experimentavam, Harry segurou o quadril delgado de Draco e aumentou a velocidade, o ápice pronunciando-se como um vulcão em erupção. Sentiu o corpo do menor enrijecer e então estremecer antes de colapsar molemente sobre o colchão, e não demorou para que seu corpo seguisse o mesmo caminho.
Harry caiu sobre Draco, tentando acalmar as palpitações em seu corpo; seu tórax grudado ao de Draco, sentindo os batimentos descompassados deste e fingindo que eles eram também seus. Draco estava com os olhos fechados, acariciando os fios negros, incapaz de mover-se além disso, incapaz de pensar claramente no significado daquilo, no quanto aquele envolvimento alteraria sua vida. Ou no quanto precisava que sua vida fosse tirada do eixo pacato e acomodado – vazio – em que a colocara e mantinha já por anos. Harry rolou, saindo de cima de Draco e deitando-se de lado com o cotovelo apoiado no colchão para poder olhar para o loiro.
"Draco..." Chamou, o timbre grave parecendo alcançar cada metro cúbico do quarto. "Talvez seja cedo para dizer, mas..." Harry sorriu, pois sua percepção sobre cedo ou tarde, agora que tinha todo o tempo do mundo pela frente, para sempre jovem, imutável, era-lhe vaga e estranha, como se não fizesse mais sentido algum. "Eu sinto que não posso mais deixá-lo ir. Quero que fique comigo. Fique comigo, Draco."
Draco sentiu seu coração quase recuperado voltar a bater agitado, o peso daquele pedido, dos olhos ofuscantemente verdes em meio à aura nebulosa do vampiro, comprimindo-lhe o peito. Por que recusaria? O que havia para perder? Lembrou-se da conversa que tivera com Monique mais cedo, sobre como ela dera uma chance ao desconhecido, e o quanto fora feliz com isso. Por que não ele? Sentia-se tão vivo agora, como não se sentia em anos – como se capaz de grandes feitos e realizações, capaz de parar de apenas sobreviver e ter algo especial que poderia curá-lo mais plenamente do que o efeito implacável do tempo. Tocou o rosto de Harry, como se o carinho pudesse transmitir sua resposta e, erguendo levemente o corpo, beijou-o nos lábios.
NA: Eu super tenho vontade de colocar esses dois no colo e dar muito amor. Tão traumatizadinhos se consolando mutuamente. *.*
Obrigada pelas reviews no último capítulo! O retorno foi até mesmo maior do que eu esperava. [][]
Julia: Oi, flor! Os sentimentos entre esses dois são tão fortes que até mesmo me fogem às vezes. hehe! Então que ótimo que eu consegui transmitir tudo de forma que quem lesse também conseguisse sentir! Espero que nesse capítulo também tenha dado certo! Eles precisam tanto um do outro! xD Muito obrigada pelos elogios e pela review! Beijos!
Lud: Que lindo ler isso *¬* obrigada! Eu amo vampiros também - os tradicionais ao menos... se é que me entende. Beijos!
Maho Malfoy: Ahn, obrigada! Eu imagino que o Harry tenha sentido muita vontade de matar o Alexander sim, mas conseguiu se controlar! hauahuahau! O Draco tira a razão do Harry, acho lindo isso, rs. *.* Beijos!
