- Capítulo II -
Booth
Quando ele recebeu a ligação de Brennan e perguntou o que estava acontecendo instantaneamente sabia que era algo com Katy e que estava ligado a Pellant. A voz dela falhava e ela pedia apenas que ele fosse pra casa, levasse Katy e Tina para o edifício Hoover e depois até o shopping se encontrar com ela e Angela.
Ele praguejava a cada vez que o trânsito claramente mostrava estar contra ele, e então enfim ligou a sirene e ignorou qualquer bronca que fosse receber de seu chefe.
Quando as viu, ele se sentiu aliviado. Elas estavam bem, mas Angela estava inquieta e Bones parecia muito nervosa.
-Booth. – A voz dela, e os passos que o alcançaram abraçando-o com força, também dizia isso.
-O que houve?
-Elas estão bem? – Brennan devolveu com outra pergunta. Ele olhou para Angela que estava com Michael nos braços. O pequeno dormia alheio aos problemas dos adultos. Sorte a dele.
-Sim... Bones, o que houve?
Ela lhe explicou que recebeu uma mensagem no telefone, e que era de Pellant. E que se ela, que nunca acreditava em hipóteses, sabia que era dele. Do psicopata que eles tiveram problemas no último verão, e que era observado duas vezes mais agora pelo FBI, mas ainda assim, não tinham conseguido nada.
Quando ele viu a foto, percebeu que a imagem realmente era recente.
Porque antes dele sair também, ele viu a filha usando aquelas roupas.
-Ok. Vamos.
Eles ficaram em silencio.
O que sempre era pior na opinião dele. Angela olhava pela janela, e Bones também. Ela parecia irritantemente interessada demais no monumento de Washington. Ele suspirou. Precisava dizer algo.
Mas antes mesmo de falar, ela falou:
-Quero ir até lá.
-... Onde? – Ele perguntou confuso. Angela parecia inquieta no banco de trás. Brennan não respondeu. Ele olhou pelo retrovisor, e o olhar da artista era um claro "não!" para ele.
-Brenn, não faça isso. – Ela pediu. Michael parecia acordar agora. Ela o levantou para que ele se distraísse com a paisagem. –... Por que ir até lá?
-É um convite. Ele quer me dar um aviso.
-Do que estamos falando...? – Booth perguntou não entendendo, e ao ver os olhos azuis dela implorando-o ele compreendeu. –Não. O quê? Não... Bones, não.
-Booth, por favor.
-Não. Eu não vou te levar pra falar com Pellant. Esqueça.
-Ele me mandou aquela foto Booth. Ele quer que eu vá falar com ele...
-... Como? Ele só está brincando com você. Bones... – Aqueles olhos azuis, sempre o faziam hesitar, e as vezes ele odiava isso... Em si mesmo.
-Por favor. – Ela pediu tão segura de si, que ele não pode negar.
-Está bem.
-Como é que é o agente-que-nunca-escuta-o-que-eu-digo? – Angela pronunciou-se no banco de trás do carro claramente frustrada. Booth se virou assim que parou no sinal. –Você enlouqueceu? – Ela perguntou e ele olhou para Brennan ao seu lado. –Booth, me escuta. Ir até lá só vai aumentar o problema. Pior, a raiva de vocês.
-Ele quer que eu fale com ele Angie, quer me desafiar. – Brennan argumentou ao seu lado.
-Querida, ele desafia a todos nós. Ele desafia ao governo dos Estados Unidos. Por que diabos você iria até ele? É como ir direto pro covil da cobra!
-Ele está sendo observado. O dia todo por quatro agentes Angela. Não vai acontecer nada.
Talvez a segurança na voz dela tenha irritado Angela ainda mais, porque ela apenas suspirou frustrada e murmurou:
-Ok. Já que eu não vou conseguir argumentar com você, e Booth não vai mudar de idéia, eu espero no carro.
-Obrigada.
-Não me agradeça. Se eu não estivesse com Michael no colo, você e eu teríamos um problema Temperance Brennan. – Ela disse ainda olhando pela janela. Booth estacionou e olhou para a parceira.
-Ainda quer fazer isso...?
-Por favor.
Angela bufou em um claro protesto. Brennan a fitou por alguns segundos como se lhe pedisse desculpas breves e então seguiu com Booth.
Da última vez que ele estivera ali, foi com Sweets, foi quando falara com Pellant sobre o assassinato da mulher... Eles descobriram que Pellant era culpado, mas ele era esperto demais pra ser pego em uma confissão.
Então, ele lhe disse que por mais esperto que ele fosse, ele o pegaria.
Ele falou com os agentes e ambos entraram.
Assim que o viu, o sorriso de escárnio voltou à face do homem. Pellant deve ter uns trinta e poucos anos. A barba bem aparada, e o cabelo bem aparado e curto.
Ele sorriu.
Booth percebeu que ao contrário dele, Pellant usava roupas de casa. Uma bermuda cor de palha e uma camisa listrada de praia. Ele então ergueu os braços.
-Agente Booth. Dra. Brennan. – E então angulou a cabeça. –... Vejo que dessa vez, o Dr. Sweets não está com você. E é um prazer tê-la em minha casa doutora...
O modo como ele disse doutora quase o fez pular em seu pescoço e estrangulá-lo até a morte, mas por mais tentador que fosse Booth não podia fazer isso. Afinal, eles estavam ali para conversar certo?
-Por que me mandou aquela foto.
-Ah, Dra. Brennan... Não seja tão apressada.
Certo?
-Desembucha Pellant. – Ele disse aproximando-se perigosamente, o outro deu um passo para trás. –... Por que mandou a foto?
-Quem disse que fui eu? – Ele devolveu com um sorriso cético. –Mas eu tenho uma pergunta séria: Vocês querem um copo de café?
Brennan deu dois passos até ficar frente a frente com o homem.
-Você pode ser um gênio em computadores, mas eu ainda vou descobrir a verdade. E sabe disso. Você vai cometer outro assassinato, você vai me desafiar, e então... Eu vou pegar você.
-Ah, doutora, não seja tão convencida. – Mas Brennan sorriu. –Somos muito parecidos sabia? – Ele tocou o braço dela, dessa vez, era como se ela quisesse avançar contra ele.
-Eu não sou igual a você. – Devolveu.
-Ah, você é sim. – Ele falou com seu olhar brilhante e sorriso cético. –Você é igual a mim. E isso, não é o que vai destruí-la. Suas escolhas irão. Você devia ter escolhido ficar sozinha, porque aí... Seria mais fácil.
Booth percebeu que ele queria dizer o seria mais fácil, como quem diz: eu a mataria. Mas ambos sabiam que ele só estava fazendo um jogo psicológico.
-Não se esqueça do que eu disse Pellant. – Eles se viraram de costas, quando Pellant escorou-se na cadeira assim que a ocupara e disse antes dos dois alcançarem a porta:
-Katheryn "Katy" Booth. É realmente um lindo nome... – Ele se virou. Bones continuou parada. –... E tenho que admitir. Sua filha é mesmo linda. – Concluiu erguendo os olhos. Sua parceira se virou tão lentamente para ele, que parecia recém saída de um filme de terror.
-Não se atreva-.
-Seria uma pena, – Ele a cortou. Os olhos perigosamente cintilantes como um animal. –Se algo acontecesse...
Foi tão rápido, que ele nem mesmo entendeu até que acontecesse.
Brennan saiu do seu lado e alcançou Pellant em menos de três segundos, e deu-lhe uma bofetada tão forte, que ele jurava que havia doído mais que uma bola de basquete bem no meio da cara, e Booth sabia exatamente qual era essa sensação.
-Bones! –Dois dos agentes entraram perguntando o que estava acontecendo. Ele a segurou pela cintura e a puxou para trás, se não tivesse feito isso, ela provavelmente o mataria...
-Fique longe dela entendeu? Fique longe! – Bones se debatia. Um dos agentes ajudou Pellant a se levantar e ele limpou o sangue que escorria pelo canto da boca e sorriu.
-... Talvez você esteja certa. Não somos assim tão parecidos... – Era claro que ele estava zombando disso. –Porque você tem pessoas para se preocupar. E nós sabemos o quanto uma dor no coração, dói muito mais que o próprio óbito.
-Ora seu-.
-Bones, já chega. Calma. – Ele ainda a segurava pela cintura, e então se virou para Pellant enquanto Brennan saia pela porta. –Ambos sabemos que você realmente vai cometer um erro. E vamos estar lá pra pegá-lo. Eu vou pegá-lo... Pessoalmente. Cuidem dele. – Ele disse voltando os seus olhos para os dois agentes e então saiu.
Bones estava parada de costas para ele.
Quando ele a alcançou e tocou-lhe o braço, ela se virou para ele abraçando-o.
-Ele não vai conseguir. – Ele a tranquilizou.
-Não. Ele não vai. – Ela repetiu, mas ele sabia que ela não acreditava nisso.
Obrigada thayane. Aí está o segundo capítulo n.n
Até +
