- Capítulo III –

Brennan

Ela sempre adoraria aqueles momentos.

Enquanto ela mesma estava digitando algo sobre seu novo livro, e Booth assistia algo na TV. Ele tinha uma vasilha de pipoca e um copo de coca cola na mesinha de centro. E aí ele derramava pipoca quando alguém fazia gol ou algo parecido e acabava por murmurar pragas baixinhas enquanto limpava a bagunça...

Então ele disfarçava sem saber que servia apenas para fazê-la rir, mas aquilo sempre a inspirava.

Porque ela podia adicionar isso em seu livro...

... Aí ele passava pelo quarto, olhava para Katy ainda dormindo – que claramente tinha um sono pesado, mesmo com o pai assistindo ao futebol ou algo do tipo, – depois olhava para ela em seu quarto com o notebook no colo dava-lhe um beijo e talvez...

Bem.

Por isso ela sempre gostava desses momentos.

Mas hoje teria uma nova experiência. Ainda eram 19h quando a campainha tocou. Booth abriu a porta com um feliz "Parker!" e depois a chamou.

-Bones! – O garoto sorriu ao vê-la.

-Oi... – Ela o cumprimentou enquanto Booth o erguia no alto os dois rindo e brincando.

-Pai, cadê a minha irmãzinha? – O modo como ele disse aquilo e olhou para os lados por alguns segundos a fez se lembrar de Russel. Ela sempre se escondia para ele procurá-la, e Parker fazia Katy rir tanto que os dois se acabavam até não aguentar mais.

-Tá dormindo. – Brennan disse. –... Mas você vai dormir aqui. Mais tarde poderá vê-la.

-Ok. – Ele voltou a animar-se.

-Ah. Tenho algo pra você. – Booth anunciou alcançando a gaveta e lhe estendendo um cordão. Ele era de couro, mas Brennan viu que o crucifixo pequeno era de ouro.

-Uau pai... Isso é... Muito bonito. – Parker parecia contente. –Não vou mais tirar. – E dito isso ele colocou o cordão no pescoço. Booth sorriu.

-... E, como eu guardo o melhor pro final. – Booth falou rindo e foi até o quarto. De lá, ele voltou com uma caixa em papel de presente preto com desenhos de raios. Era pequena, Brennan imaginou que seria uma peça de roupa.

-Quê isso...? – Parker tinha um meio sorriso.

-Abre. – Booth também.

Ele o fez. E então deu um sorriso tão grande e um "Uau!" tão contente, que ela por um momento quis ter comprado o mesmo presente.

-Pai... Uma camisa do Eagles... – O garoto o fitou. –Isso é muito legal... Mamãe foi à Nova York, ela me deu um boné dos Yankees, mas isso é... Nossa. Tá autografada! – Ele perguntou com a voz elevando-se em algumas oitavas claramente surpresa.

-Sim. Do novo artilheiro: Thomas Thornton T. T.

Acima do número 11 ela viu uma caligrafia em lateral. Thomas "T. T." Thornton.

-Obrigado! – Parker pulou no colo do pai e os dois caíram para trás no sofá rindo. –Não é demais Bones?

-É sim... Ahn... Eu... Também tenho um presente pra você. – Ela saiu da sala e os dois se fitaram. Entrou no quarto e pegou o embrulho. Parker a fitou com um sorriso. –Aqui.

-Você não precisava... – Ele começou e ela lhe estendeu o embrulho.

Brennan apenas sorriu e ele o apanhou.

Antes de abri-lo Parker o examinou tentando não rasgá-lo. Booth havia lhe explicado que ele gostava de guardar os papéis de presente pra dar sorte e pra se lembrar das pessoas que não se esqueciam dele.

Então, assim que o abriu – tomando cuidado pra não rasgar – Parker imediatamente ergueu as sobrancelhas no alto. Olhou do pai para ela, de volta para ele, pro presente e ia alternando assim durante uns trinta segundos.

-Eu sabia. Você não gostou. - Brennan soltou com um suspiro.

-O quê? – Ele perguntou surpreso demais para ter assimilado a tristeza na voz dela. –... Não. Bones. Quer dizer, é claro que eu gostei!

-Verdade?

-Claro! É... É um Playstation 3! Você tá brincando? Eu adorei! – O garoto ignorou o jogo do pai que acabara e começou a mexer nos fios da TV para experimentar seu mais novo presente.

-Uau, Bones... – Booth se aproximou com um sorriso dela. Brennan ainda olhava Parker atrás do aparelho removendo os fios e conectando seu Play 3 o mais rápido que podia.

-Ele gostou mesmo? - Ela perguntou incerta.

-Claro. Ele queria um desde o verão passado. Mas Rebecca fez com que escolhesse entre ele e o computador novo. Parker escolheu o computador, e disse que ainda se arrepende... Arrependia. –Corrigiu-se.

-Nossa... – Parker sorriu ao ligá-lo. Era claro que a TV de 40 polegadas ajudava bastante, mas aquilo pra ele era melhor que pipoca amanteigada no cinema ou pizza no jantar... Era simplesmente... –Nossa. – Repetiu e então olhou para Brennan. –Desculpe. Eu não te agradeci. – E a abraçou. –Obrigado.

-Fico feliz que tenha gostado.

-Eu adorei! Muito mesmo Bones! – Ela sorriu abraçando-o. -... Ahn, eu comprei alguns jogos também... Estão... Dentro da sacola. – Ela pegou-a em cima de seu criado mudo e a estendeu pra Parker.

-Puxa! – Ele exclamou claramente feliz. –Tron. GTA... Naruto e olha! Hóquei! – Esse último ele colocou-o para jogar. –Ah...! Esse é o melhor aniversário de todos! Uma camiseta, um computador, uma viagem e ainda um Play 3!

Brennan riu assim como Booth enquanto Parker murmurava pra si mesmo o quanto sua vida era maravilhosa naquele momento.

Ela pensava em algumas cenas que podia incluir em seu livro...

... Imaginou que queria um lugar bonito. E então se lembrou da cidade de São Francisco na Califórnia. Era o lugar perfeito... Como uma espécie de Nova York só que mais... Colorida.

Brennan olhou algumas imagens que podia usar para incluir, e então desconectou da internet e se sentou na cama. De vez em quando, se levantava para ver se estava tudo bem com Katy.

Mas aí percebeu que não precisava de um lugar ou cidade bonita apenas para ter um momento como esse.

Parker ainda estava jogando videogame na sala e Booth roncava no sofá.

-... Bones...? – Ela ergueu os olhos para o garoto parado na porta. –... Ahn... Você tá usando a internet?

-Não.

-É... Eu posso instalar no videogame no modem...?

-Pode.

-Obrigado. – Ele sorriu e voltou para sala. Brennan franziu o cenho assim que Parker parou no meio do quarto e ficou observando o modem com a cabeça inclinada.

-Que foi?

-Não alcança... Mas tudo bem. – Ele se virou de costas.

-Posso ficar na sala com você. Assim você pode instalar lá. – O garoto sorriu em clara concordância. Alguns minutos depois, ele havia conectado o fio da internet no Playstation, e depois começou a jogar de novo. –Por que precisa do modem pra jogar?

-É jogo online. – Parker explicou enquanto arrumava alguns nomes no game options. –... Vou jogar contra um garoto de Nova York.

-Verdade? – Ela salvou o documento já que não conseguia muitas idéias para ele, e se levantou. –Posso assistir você jogar?

-Claro...

-Booth...? – Brennan o chamou, ele resmungou algo fazendo tanto ela e Parker rirem. –Booth?

-Humm?

-Vá se deitar na cama... Pra descansar.

-Descansar... – Ele considerou a idéia, e então se virou para o outro lado dormindo de novo. Brennan suspirou. Parker voltou a se sentar no chão ainda rindo do pai.

-Booth! – Ela o chamou mais alto.

-Oi! Quê? – Ele ergueu-se assustado.

-Shhh. – Brennan pediu movendo a mão para ele abaixar o tom de voz. –Fale baixo. Katy está dormindo...

-Desculpe. – Ele pediu bagunçando o já bagunçado cabelo e começou a se deitar no sofá novamente.

-Não... – Brennan o segurou. –Vá dormir na cama. Você está aqui a mais de uma hora.

-Que horas são...?

-Quase dez... Vá pra cama.

-Parker... Você não devia estar na cama...? – Booth perguntou olhando para o filho. Parker lamentou-se.

-Ah, pai. Só mais um pouco... Vamos começar um jogo novo agora.

-Depois dele você vai dormir?

-Vou. - Booth o fitou com aquele olhar de "não acredito." Brennan sorriu.

-Vou ficar aqui com ele. – Brennan falou segurando em seu braço e o ajudando a se levantar. –Agora vá dormir...

Booth suspirou e ela sorriu novamente. Ele se aproximou de seu ouvido apenas para que ela o ouvisse.

-Não demore então... – Brennan suspirou, mas sorriu. Ele então foi se deitar.

-Senta aí Bones. – Parker falou e ambos olharam para o quarto onde Booth se jogou na cama e apagou novamente. Parker se levantou do chão e se sentou ao lado de Brennan. Ficou feliz pelo controle ser sem fio pela milésima vez. -... Ele é um Yankee.

-Yankee...?

Parker sorriu. Ela não sabia, mas ele adorava explicar coisas que ela não conhecia...

-É uma abreviação de Nova Yorkino Bones... Eu acho. – Disse meio sem jeito. -... Aqui agente é fã do time Eagles e Whashington White. Lá, eles são fãs dos yankees...

-Mmm. – Brennan sorriu fitando o jogo que iria começar. – E você é um Whashington White ou Eagle?

-Hoje Eagle. – Parker sorriu e ela também ao ver o jogador que era ele.

Um Parker J. Booth nas costas abaixo do numero 11.

Ele usava uma camisa branca com detalhes em cor madeira nas mangas e uma faixa vermelha no braço direito. Na frente estava o claro desenho de uma águia.

Mas o jogador mesmo tendo o cabelo loiro e encaracolado de Parker devia ter ali, no jogo uns 25 anos. Brennan sorriu.

-Aquele é você?

-Uhum. – Parker sorriu também. –Provavelmente.

Ele começou seu jogo e fez dois pontos. Explicou pra ela como era o processo. Brennan lhe disse que uma vez viu seu pai jogar Hóquei, e achou interessante, mas muito violento.

Parker apenas riu e disse que os Booths causavam essa impressão.

Foi quando aconteceu.

A imagem do jogo desapareceu, e um ícone piscava na tela negra.

Parker se levantou irritado.

-... Mas o que foi agora? – Resmungou baixo. Ele foi para trás da tela e bufou. Claramente estava tudo certo... E havia energia.

Então o ícone começou a escrever algo:

TENHO UM NOVO JOGO DOUTORA...

... ESPERO QUE CURTA A BRINCADEIRA TANTO QUANTO EU.

-Ahn não... – Brennan murmurou. Parker saiu de trás da televisão e foi para frente.

Ele leu à escrita e a fitou. Franziu o cenho e voltou seus olhos para a imagem que piscou.

Ela não sabia quanto tempo levou para gritar um "Não!" bem sonoro e forte e puxar Parker para longe do aparelho virando-o de costas para ele e o abraçando instantaneamente. Pela luz da sala, sabia que a imagem havia piscado.

-Bones o que foi...? – Parker perguntou. Ele parecia confuso, mas apenas ergueu a cabeça para olhá-la. Escorando o queixo em seu colo.

-Booth! – Brennan gritou esquecendo que Katy estava dormindo. –Booth!

-Quê? O que foi-

Mas suas palavras foram cortadas assim que ele viu a imagem na tela.

Uma foto em 42 polegadas de um corpo. Claramente dividido. Podiam-se ver as pernas e um braço desmembrados. Muita carne, e órgãos espalhados...

... Uma imagem forte demais para uma criança.


Hoho XP. tinha esquecido d editar, mas agora está sem erros XP².

Comenteeemmm

bjo. n.n