Capítulo 5 – Curiosidade, assassina de gatos


As palavras dele desarmaram o último das defesas de Nikki Heat. Sentia vontade de dizer a ele exatamente o mesmo, de contar o porquê acordara chorando mais cedo, de dizer o quanto tinha odiado-o por ter sumido depois de ser responsável pelos três melhores meses de sua vida, de tirar tudo a limpo e ter a certeza de que estar com ela era o que ela queria."


E não, ela não queria.

– Castle, pense bem, tem que haver um forma de eu sair daqui.

– Você ainda vai ter que passar pela Quinta, não vale a pena.

Apenas para constatar o óbvio ela repassou o caminho dali até sua casa, à trinta minutos da casa do escritor, e chegou à mesma conclusão. Se saísse dali naquele momento chegaria em casa a tempo de escutar o celular tocar com o aviso de um novo homicídio. O último caso tinha sido cansativo o suficiente, ela precisava mesmo dormir.

– E o que eu faço? – Questionou ela, mais para si mesma.

Castle dirigiu um olhar incrédulo a ela.

– Para uma detetive, você não está se saindo muito bem.

Ela franziu o cenho, pensativa. Três segundos depois, as peças se encaixaram na cabeça de Beckett e ela só conseguiu dizer uma palavra:

– Não.

– Você sabe que não tem problema.

– Não, – ela respondeu, com veemência. – Não vou ficar atrapalhando as coisas por aqui.

– Você fala como se eu fosse te deixar ir para casa nessa nevasca. – Ironizou Castle, e completou depois, olhando para ela e dizendo para palavra separada e claramente: – De forma alguma.

– Castle, eu sou bem grandinha, sei me cuidar.

– Não vai e ponto. Não é uma pergunta.

Beckett encarou os olhos azuis de Castle. Novamente aquela certeza. Aquela preocupação. Aquele toque de ironia. Ela abriu a boca para dizer algo, mas ele a cortou, levantando o indicador e colocando palavras sobre as suas.

– E você não vai ficar no sofá.

– Sua mãe está no quarto de hospedes, e você não vai expulsar a Alexis. Vai tirar mais uma cama do além?

– Pode dormir no meu quarto. – Disse, com naturalidade.

Beckett apenas teve tempo de sentir o estômago frio, e a garganta fechar bloqueando passagem de ar inconscientemente. Não podia acreditar que aquilo tudo tinha sido uma das tentativas idiotas dele de... Justo agora? Ele não podia ao menos ter esperado? Ele já não tinha superado essa fase? Seu desapontamento era quase tangível.

– Castle... – Ela olhou para baixo.

– Não tem problema, eu não vou dormir essa noite, tenho umas páginas atrasadas – Capítulos... Ele pensou, se corrigindo – E qualquer coisa, eu posso dormir no sofá.

Eu posso dormir no sofá.

– Se quer mesmo deitar naquele sofá – E apontou – É mais seguro que vá para casa.

Ela não reprimiu um sorriso, levantando o rosto novamente.

– Prometo que não entro no quarto. Pode trancá-lo, se quiser. – Ele sorriu de volta.

O escritor viu o semblante de Beckett se suavizar num sorriso de alívio e imaginou o porquê, mesmo não se demorando muito no pensamento. Este, estava preso em coisas diferentes, vagando entre a realidade e a ficção do novo livro. Estava preocupado com Beckett e seu recente termino com Josh. O riso dela se modificava quando ela pensava nele, ele tinha consciência disso. Estava preocupado com Nikki e onde diabos o namoro com Rook iria parar. Ela tinha dúvidas, inseguranças, receios. Hesitava em revelá-los a ele. E Beckett, depois de um o ano, qual seria seu motivo para terminar com médico, de quem sempre falava, e aparentemente gostava?

Ele foi despertado de seus pensamentos quando percebeu que Beckett suspirava ao assentir com a cabeça.

– Tudo bem, eu fico. Mas não durma muito tarde, e... cuidado com o sofá.

– Não se preocupe comigo.

Ambos sabiam que aquilo não tinha o menor cabimento. Ele mesmo dissera: eram parceiros - ou algo próximo daquilo -, e a parceria incluía sempre estar lá,preocupado. Mas era uma preocupação diferente; boa, saudável, embora infindável.

– Boa noite... – Respondeu, apenas.

– Boa noite. – Ele disse, se inclinando e deixando um beijo nas bochechas da detetive. – A casa é sua. E acorde a dona Martha, ela te arranja uma blusa.

– De forma alguma. – Ela respondeu, de forma natural.

– Você é muito chata sabia? Meu guarda roupa então... Pegue qualquer blusa. – Ele retrucou, e se virou, para impedir qualquer objeção.

Quando ele se afastou, indo em direção ao escritório e deixando-a sozinha na sala, Beckett se permitiu tirar o casaco e jogá-lo em cima da bancada novamente. Com um suspiro, seguiu até o quarto do escritor sem a antiga hesitação de antes. Já tinha estado ali tantas vezes nos últimos anos que não conseguia mais sentir-se inibida. Os jogos de poker, os jantares para os quais Martha insistia em convidá-la... Apesar de tudo, é claro, ela nunca tinha estado numa situação daquelas. Como ele esperava que ela simplesmente abrisse o guarda roupa dele, como se morasse ali? Era completamente diferente.

E, diferente ou não, Beckett se pegou de frente para a cama de Castle minutos depois, vestida em uma camisa branca, grande o suficiente para que ela não se sentisse completamente nua sem a calça jeans, e os dedos em frente aos lábios, tentando esconder o sorriso que surgia. Tinha que admitir: sempre imaginara como seria deitar ali. Quer dizer, ele era rico. Seus lençóis, as colchas, os travesseiros, tudo da melhor qualidade. Devia ser como deitar em nuvens. Mordendo os lábios ela deu uma olhadela por cima dos ombros, para se assegurar de que ninguém espiava pela fresta da porta.

Sem encontrar ninguém então, ela deixou-se cair na cama do escritor, sem se importar com a respiração que ficaria presa até que ela ficasse sem fôlego. Assim que seus pulmões clamaram por ar ela virou o rosto e inspirou profundamente. Só não contava com o cheiro da colônia de Castle que, impregnado nos lençóis e na roupa que usava, preencheram seus pulmões, sua mente, agora cheia de imagens.

Por mais que ela tentasse, a torrente de memórias não cessava, então ela apenas se deixou levar. Ver onde aquilo dava. Colocou-se por baixo do cobertor e, por questão de costume, abraçou o travesseiro.

Logo, ouviu a voz de Castle em sua cabeça:

– Aplicativo GPS... Estou monitorando o celular da Alexis.

Ela nunca ia se esquecer de quando o escritor baixara um aplicativo – aqueles malditos aplicativos – para monitorar o celular da filha. Tudo bem, ela pensou, temos que dar um desconto a ele. Pai solteiro. Não tinha idéia de como lidar com a filha adolescente que tinha mentido para ele. Se bem que, podia realmente chamar aquilo de mentira? Seja lá o porque tivesse feito aquilo, Alexis tinha um bom motivo, ela tinha certeza. A garota era a filha mais comportada que ela já vira. Nada parecida com ela mesma, naquela idade.

Ah, a adolescência, pensou. Dane-se a Idade Média, aquilo sim tinha sido a idade das trevas.

– Ah, claro. Porque eu achei que ia durar? – Dessa vez, era sua própria voz que vinha em mente.

Pensando em trevas, ela não poderia esquecer-se de quando um guindaste caíra em cima dos postes de luz há três quadras do 12th. Não tinha visto o incidente em si, nem estado envolvida, mas sentira na pele o que era trabalhar sem luz por três semanas. Sem o computador a comunicação com a CSU ficara complicada, mas a pior parte era não poder trabalhar a noite, não que aquilo tivesse impedido a detetive por muito tempo. No terceiro dia ela já não agüentava mais.

Ficou até mais tarde, com esperanças de que os geradores funcionassem até um horário avançado, mas, como ela sabia, aquilo não duraria por muito tempo. Eram nove e vinte quando os computadores se apagaram e ela ficou na escuridão total, sozinha.

Com um suspiro ela abriu a gaveta e acendeu uma vela.

– Deus abençoe a Boston Tea Party¹...

Sem esperar pelo que viria a seguir, ela se assustou com o riso de Castle, que tinha magicamente surgido das escadas, e, cansado, se arrastado até sua mesa.
– Falando sozinha, detetive?

Favorecida pela escuridão ela sorriu abertamente, agradecendo pela companhia.

– O que está fazendo aqui?

Ele jogou o celular sobre a mesa e se apoiou na mesma, chegando mais perto dela, por mais que essa não fosse a intenção. Apertando alguns botões, então, ele transformou a tela em uma lanterna que iluminou o sorriso que ela escondia.

– Sabia que você estaria aqui e... Pensei em jogar uma luz na situação... – e ergueu o celular, tirando o peso da mesa e indo até o quadro branco.

Pensando bem, aqueles aplicativos eram bem úteis... Castle podia ser útil, as vezes, mas... Porque ela estava pensando naquilo? Por quanto tempo? Imersa em outras mil memórias, Beckett ficara ali por longos minutos. Ou talvez horas. Ela tinha até receio olhar o relógio em seu pulso, com medo do horário. Tinha que dormir.

Como, se não tinha sono? Como, se o perfume, que agora começava a lhe inebriar como álcool, lhe tirava o sono com imagens que eram felizes demais para a ocasião?

Por que ela estava pensando em Castle se gostava tanto de Josh?

Sem aguentar a própria mente a detetive levantou da cama num salto, com as mãos entre os fios de cabelo como se ela pudesse, com aquilo, tirar os pensamentos à força de sua cabeça. Saindo do quarto ela não percebeu que não tinha fechara a porta. Ela mal ficara encostada, na verdade.

A casa estava completamente escura. Alexis já devia estar dormindo, e Martha provavelmente tinha feito o mesmo. Não tinha visto as duas depois que começara a ver o filme com Castle... Perdera realmente a noção do tempo.

Indo até a cozinha ela se apoiou na bancada ao lado da geladeira, de onde tirara um copo de leite. Embora duvidasse que aquilo fosse funcionar para fazê-la dormir, foi o suficiente para acalmar seus nervos. Ficou encarando a escuridão por algum tempo, sem vontade de voltar para o quarto, até que percebeu a única luz acessa da casa: o escritório.

Ele ainda estava acordado. Podia lhe fazer alguma companhia até que ela sentisse sono o suficiente para tentar dormir.

Beckett deixou o copo dentro da pia e seguiu silenciosamente para o escritório. Sem querer quebrar a linha de raciocínio do escritor, ela não anunciou sua entrada, e assim que chegou mais perto viu como aquilo tinha sido uma boa ideia. Castle estava sentado na cadeira, com as pernas jogadas para cima da mesa e o computador no colo, que exibia o protetor de tela de sempre: You should be writing. É claro que ele não estava funcionando muito bem. Ao contrário do que ela pensava, ele dormia pesadamente, por mais desconfortável que parecesse estar.

Irônico. Ela era quem queria dormir, não ele. As coisas andavam trocadas entre os dois.

Com um sorriso, Beckett cruzou os braços, observando como o peito dele subia e descia pela respiração. As mãos ainda estavam sobre o teclado, como se ele tivesse pegado no sono de uma só vez, ainda no meio de uma frase. Castle não movia um músculo. Devia estar exausto, provavelmente tinha passado a tarde inteira escrevendo. Ele não a enganava: Estava há semanas sem escrever. Ficava mal-humorado, pensativo, quando não conseguia a inspiração necessária; ela quase conseguia ver a fumaça saindo da cabeça dele quando ele tentava encaixar as palavras, chegava a ser engraçado. É claro que, depois das crises, ele se superava. Era quase certo que estivesse em uma parte critica da história, algo realmente importante... O que estaria acontecendo no livro? Castle era extremamente protetor em relação aos originais. Nem mesmo ela conseguia convencê-lo de deixá-la ler algumas páginas. Nada. Nem uma linha.

Mas talvez... Talvez ela pudesse... Dar uma espiada?

Que mal havia? Ele estava completamente desmaiado, nem mesmo iria sentir. Era só uma olhadinha... A última linha. Sim, somente a última linha. Ou, talvez, fosse melhor que ela lesse o parágrafo todo. Parágrafo. Era isso. Nada mais que o último parágrafo.

Decidida a ao menos saber do que se tratava o novo livro, Beckett se aproximou da cadeira com cuidado, com medo de que o piso de madeira que estalava a cada passo pudesse entregar sua proximidade. Quando estava perto o suficiente, ela se inclinou sobre a tela do computador, tentando achar uma posição que fosse menos desconfortável, já que uma que fosse de fato confortável era pedir demais d sua própria sorte.

Com uma delicadeza extrema que era estranha a sua própria personalidade, ela movimentou o mouse para revelar o editor de texto do computador. Sem pensar, Beckett leu a ultima coisa que havia sido escrita, como o prometido. E chegando ao ponto final da frase ela estacou. Só podia ter lido errado. Ela chacoalhou a cabeça com vontade e focou-se em reler trecho com mais paciência, tentando não pular nenhuma palavra e digerindo cada frase com cuidado. Da primeira a última palavra daquele trecho mínimo seus dentes passaram a fazer pressão no lábio que ela mordia com força suficiente para fazê-la sentir dor.

O que diabos Richard Castle queria dizer com ter certeza de que aquilo era mesmo o que ela queria?

Nikki tinha certeza. Ela sempre teve. Desde o primeiro livro, desde que fora obrigada a deixá-lo persegui-la como uma segunda sombra. Pode ter sido incomodo no começo, muito, mas a convivência havia transformado a presença dele em algo divertido; ele a fazia rir, era o suficiente. Nikki sabia, sempre soube. Castle não tinha idéia do que estava escrevendo.

Mas, quem era ela para julgar? Ele era o escritor, ele ditava as regras. Se ele queria uma Nikki com dúvidas, era isso que ele faria, mesmo que não fosse a realidade.
Além daquilo, Beckett estranhou as atitudes de Nikki descritas no texto, principalmente a forma como ela perdera a fala completamente por algo que Rook dissera. As duas detetives eram praticamente a mesma pessoa; Heat era a imagem no espelho de Kate, por isso ela sabia que nada poderia fazê-la ficar calada daquela forma. Nada dito faria com que ela se entregasse ao silêncio por não saber o que eu responder. Mas havia a probabilidade de Castle estar começando a diferenciar suas personalidades.
Não que aquilo diminuísse sua curiosidade, de qualquer forma, era o completo oposto: quando mais ela via que Nikki se distanciava dela mesma, mais ela queria saber como Nikki reagiria às situações. Mais ainda, queria saber o que Rook dissera. Ah, como queria. Precisava saber. Só para ter certeza de que seus silêncios ainda estavam seguros, que ainda teria resposta para tudo.

Mas ler as oitenta e várias páginas que já tinham sido escritas naquela posição era como pular do Empire State. Uma hora ele acordaria e a encontraria debruçada sobre seu corpo lendo exatamente aquilo que ele passara semanas dizendo que ela não poderia ler. Tirar o computador do colo dele também era uma ideia idiota: como escolher pular do centésimo andar ao invés do topo. Não era a proximidade – a respiração dele em seu rosto a teria deixado vermelha em qualquer outro momento – que a incomodava, mas a possibilidade de magoar Castle que a fazia pensar duas vezes em ler todo o resto. Estava traindo a confiança dele.
Uma pena que aquela culpa não tenha durado mais de três segundos.

A curiosidade já havia consumido todo e qualquer bom senso que sobrara em Beckett quando ela voltou a ficar de pé ao lado do escritor, concluindo como faria aquilo.
Havia a opção – na verdade a única: teria que achar as cópias impressas de segurança de Castle. Mas também havia o problema: onde ele guardava aquele tipo de coisa? Tinha de estar no escritório. Dificilmente ele deixaria algo daquela importância em outro lugar ou aos cuidados de outra pessoa.
Então, o que um detetive fazia quando precisava achar algo na casa de um suspeito? Uma bagunça. E ela ia começar pela estante de livros. Clichê, mas eficaz. Era incrível a quantidade de pessoas que escondiam coisas entre paginas de livros, ou atrás deles nas estantes; embora fosse mais provável que ele somente tivesse enfiado as páginas entre a papelada que se acumulava no canto inferior da estante.

Pensando nisso, ela se colocou à frente do que era uma verdadeira parede de biblioteca que abrigava os livros que um dia Castle comprara ou escrevera. Não parecia haver nenhum critério naquela arrumação: títulos famosos de autores igualmente famosos dividiam espaço com edições únicas de livros dos quais ela nunca ouvira falar, e com os mais clássicos dos clássicos, como Romeu e Julieta e outras tragédias e comédias de Shakespeare - ela até mesmo encontrou Heat Wave entre as obras do dramaturgo inglês.

Agora ela via de onde saíra todo aquele drama, além é claro das influencias by Broadway de dona Martha.

As primeiras impressões da série de Derrick Storm e Nikki Heat também estavam lá, ao lado de outros trabalhos únicos do autor, que incluíam In a Hail of Bullets – seu primeiro livro – e Flowers For Your Grave.

Beckett ainda se lembrava dos detalhes deste último, de forma assustadora, na verdade. As páginas, as falas, de cada capítulo, individualmente. Talvez tivesse a ver com a quantidade de vezes em que ela lera, repetidamente, a história. Do modo como ela vira a morte transformada em algo poético, elegante e misterioso. Ela deixou-se deslizar o livro da estante, acariciando a capa, lembrando das noites que passara em claro em sua sala, com o livro em mãos. As imagens do assassinato de sua própria mãe lhe tomavam os pensamentos, impediam seu sono, mas... de repente, ela acordava com os raios quentes do sol em sua pele: a poesia de Castle a fizera pegar no sono.

E ai estava ela, novamente sem sono. Novamente procurara a ajuda dele para conseguir dormir, Mas estava atrás de outra coisa, agora.

Colocando o livro novamente na estante com a promessa de lê-lo mais uma vez ela voltou a procurar os manuscritos.

Era possível, em algum nível que Castle tivesse confiado a papelada a Alexis? Ela podia esquecer qualquer ideia de ler Summer Heat antes de ele chegar às livrarias, então. Melhor acreditar que estava em algum lugar no caos ordenado que era o escritório.

Caos ordenado...

Uma ideia surgia na cabeça da detetive: procure a falha.

Se o escritório era um caos, a única coisa que ele fazia questão de manter arrumada era sua narrativa, e o padrão se seguisse, então os impressos tinham de estar no único local que tinha alguma forma de organização. A falha.

Beckett olhou em volta, e seus olhos caíram imediatamente sobre a mesa em que o escritor tinha os pés apoiados. Então, pé ante pé ela foi até o móvel e analisou o que havia em cima: tudo ali estava em seu devido lugar. Da caneta ao controle remoto do helicóptero de brinquedo. Mas não havia uma única folha.

Nas gavetas talvez? Pensou, abrindo silenciosamente a primeira de cinco, enfileiradas abaixo da perna de Castle. Nada. Segunda, então... Nada. Terceira, Quarta... Nada. Beckett segurou o puxador da quinta e última gaveta com os olhos fechados, quase rezando para que seu conteúdo fosse animador, mas ao puxá-la, ela percebeu que a gaveta nem mesmo se movia. Ela não tinha coragem de abrir os olhos. Com eles ainda fechados, passou a mãos pela gaveta encontrando exatamente aquilo que temia encontrar: uma fechadura.


1 A Boston Tea Party foi o evento que consolidou a revolução americana contra o Reino Unido. Em piadas, é comum dizer que, sem o evento, os EUA ainda estariam usando lamparinas como lâmpadas.