- Capítulo IV -
Brennan
Booth a olhou assustado, e em seguida para Parker.
-O que ele viu?
-Eu não sei. – Ela admitiu em um fio de voz. De repente assustada pela imagem na cabeça do menino.
-... Bones, eu só vi colorido... – Ele a tranquilizou. –Não pude entender o que tinha na tela.
Silêncio.
Ela duvidava se poderia formar uma palavra coerente agora. Nem por um segundo soltou Parker. Booth puxou seu celular e tirou uma foto da imagem. Apenas agora se virando novamente para esta, Brennan viu uma escrita logo abaixo:
.
SERÁ QUE VOCÊ VAI ME ENCONTRAR...?
IRONICAMENTE. EU A ENCONTREI ANTES DO AMANHECER.
.
Ela conhecia aquele jogo de palavras.
Era uma dica do provável restante do corpo... Uma idéia do provável culpado passando por sua mente, mas ela a afastou instantaneamente. Era uma cientista de fatos, e não de opiniões. Tudo o que precisavam agora, era encontrar o lugar, o corpo e levá-lo para o Jeffersonian.
Seus olhos encontraram os de Booth e eles iniciaram uma conversa silenciosa. Ele então se virou para desligar o aparelho de TV. Katy começou a chorar. Brennan olhou para Booth novamente e soltou Parker.
-... Bones? – Ele não havia se virado. Apenas continuava a fitá-la, e então segurou sua mão indo com ela para ver a irmã.
O telefone de Booth começou a tocar.
-Booth?
Era quase meia-noite. Ainda faltavam dez minutos.
Brennan relaxou ao ver Katy, e ergueu os braços para pegá-la. Parker se sentou na cadeira que ela geralmente ocupava e se pôs a examinar o quarto de bebê.
Os desenhos em uma das paredes que seu próprio pai fizera. Ela o viu sorrir brevemente, e quando Katy se acalmou, devolveu-a para o berço.
Parker parecia esperar por uma permissão, ou que ela saísse na frente e ele a seguisse, pois ficou quieto.
Brennan ergueu a mão e apagou a luz. Conduziu-o para seu próprio quarto com Booth.
-Acho que não tem mais videogame hoje, certo...? – Ele disse com um meio sorriso.
-Durma um pouco. – Ela disse apenas e ele olhou momentaneamente pela janela.
–Bones...?
-Hum...?
-Eu não vi nada. – ele lhe garantiu de novo. Brennan ainda ficara de costas, não sabendo que Parker tamborilava os dedos uns nos outros ansiosos. Ela fechou os olhos por alguns segundos e abriu-os mirando-o novamente. –Eu juro. – Ele prometeu e ela finalmente sorriu-lhe.
-Acredito em você. – Disse desligando também a luz de seu quarto, Parker se deitou.
A cama que seu pai ocupou ha alguns minutos agora ele iria ocupar. Sabendo que ambos nem mesmo dormiriam mais. Ela o fitou e ele desligou o telefone.
-Era do FBI.
-Algo errado...?
-Temos um caso. – Ele disse e Brennan franziu o cenho. Sua expressão era um pouco assustada.
Ela olhou então para o aparelho de TV desligado.
-Que caso? – Perguntou.
-Um corpo que foi esquartejado. No píer... – ela o mirou. –o corpo da foto. – ele continuou.
Pra ela, estar ali com a equipe de análise nunca foi tão estressante.
Aquela voz na sua cabeça dizia no tom de "eu te disse" irritando-a ainda mais... E o pior, era que a voz, tinha um tom tão familiar, que lhe era frustrante.
-E o que você vai fazer...?
-Eu não sei Angela. – Admitiu assim que saíram do local e ela pedira que mandassem tudo para o Jeffersonian.
-Brenn... – A voz a chamou novamente. Limitando-se a não dizer nada que a magoasse. Brennan parou seus passos.
Ela se virou para a amiga que arqueou as sobrancelhas e cruzou os braços.
Sua pose que para ela dizia: Vamos. Faça um esforço, ou então Querida, pense. Há uma solução.
Mas ela suspirou fitando-a.
Cansada demais para pensar em algo mais coerente que um banho longo e cama... De preferência com Booth.
-Eu realmente não sei Angie. – Admitiu. –Não há uma confirmação do rosto da vítima como você viu, mas... Talvez devêssemos adiantar os processos, e a Cam fazer algum exame de DNA... O mais rápido possível.
Ela se virou de novo para ir para o carro.
-Brennan. – E novamente Angela a chamou.
Angela usava botas de caminhada, um vestido que ia ate o joelho muito confortável e o jaleco e um crachá do Instituto. Normalmente ela não ia até as cenas do crime porque odiava o processo por completo, mas hoje, parecia ter tido um tipo de ataque súbito ou apenas "intuição" – que ela claro ainda não acreditava e a acompanhado até lá – seguido talvez fosse a palavra certa.
-Parker não viu...?
-Não. Ele disse que não... E eu acredito nele. – Ela falou. O sol estava um pouco incomodo. Finalmente Angela se pôs a andar acompanhando-a. -... Booth pediu que os nomes dos que estiveram aqui nos últimos dois meses. É uma lista bem longa.
-Ainda não me disse o que está pensando. – Ela suspirou fitando-a.
Angela normalmente já sabia a resposta sem ter que perguntar, mas parecia gostar do fato de fazê-lo apenas para lhe dizer que no fim estava certa... De novo.
-Estou pensando que queria poder resolver isso rápido. – Ela disse simplesmente colocando o cinto e arrancando. Foi à vez de Angela suspirar, mas ela não disse nada.
Apenas ignorou-a como sempre fazia quando lhe dizia algo que sabia ser uma mentira e deixava para depois.
Pegou seu celular e colocou o fone. Ao parar no sinal discou a chamada do numero de Tina.
Chamou até cair.
-Que foi...?
-Não consigo falar com a babá de Katy.
-... E com quem ela está...?
-Com o avô do Booth. – Brennan respondeu tentando uma segunda vez. –Ela e Parker.
-Devia ser um dia de vocês hoje não é...?
-Sim. – ela admitiu.
Os planos eram ir para o zoológico, e depois visitar o parque central, e Parker queria ver o museu do Jeffersonian. Pra ela não era problema algum. Ela adoraria mostrar aquele lugar em particular, mas esse caso em especial destruíra todos os seus planos.
-Não consigo falar com Tina. – Brennan finalmente desistiu e olhou o relógio. Logo elas estariam no Jeffersonian. O telefone de Angela tocou, mas ela não atendeu, apenas olhou o visor.
Ela podia jurar que Angela havia empalidecido tanto quanto o personagem de um filme fictício que ela gostava, mas a artista não tirara os olhos do aparelho. Suas mãos começaram a tremer. Brennan estacionou o carro ignorando o fato de estarem em local proibido e tocou seu braço.
Angela se retesou, mas a olhou assustada.
-O que foi?
-Michael. Creche. Eu...
-Deixe-me ver. – De alguma forma ela sabia o que era. Angela recebeu uma mensagem.
.
OI ANGIE.
COMO ESTÁ O MICHAEL...? AH, DESCULPE. VOCÊ ESTÁ TENTANDO AJUDAR SUA MELHOR AMIGA NÃO É...?
MAS EU QUERIA QUE TIVESSE UM TEMPO PRA MIM... NA VERDADE PRA ME VISITAR. OK. EU VOU VISITAR SEU FILHO ENTÃO.
NOS VEMOS.
.
Ela olhou para Angela.
-Brenn-.
-Pra que lado?
Ela dobrou uma esquina, seguiu por uma linha reta e então pararam.
Angela nem mesmo esperou e saiu do carro em um pique. Ela a seguiu. Elas correram por algumas casas até a última da rua. Uma creche cheia de crianças. Algumas brincavam em escorregas, outras se contentavam apenas por estarem sentadas na areia.
Uma mulher estava com um garoto nos braços. Brennan franziu o cenho e parou. Angela se aproximou.
-Michael... – A mulher a mirou confusa, mas entregou-lhe o garoto. Mas Angela o devolveu. –Não. Onde ele está...?
-Quem?
-Meu filho. Michael. – Ela se aproximou. Angela ignorou a mulher e entrou na casa. Algumas das babás discutiam com ela enquanto ela olhava em cada quarto ou canto do local. –ONDE ELE ESTÁ?
-Sra. Montenegro... Eu não entendo.
-Diga onde.
-... Mas... Ele estava aqui agora e-.
As duas ouviram pneus no asfalto e correram para os fundos, em tempo de ver um carro preto e um garoto que agora fechava a porta. Ele tinha uma criança nos braços que começou a chorar. Não qualquer criança, mas Michael.
-Não! Michael!
-Cuidado! – Brennan olhou para trás. –Pra dentro agora! – E gritou para as mulheres seguindo a amiga.
Ela puxou Angela no instante que o carro poderia tê-la jogado para longe, e a artista se levantou começando a correr.
Ela a seguiu em uma distância de dez ou quinze metros.
Ela estava em um pique que jamais havia visto-a. As duas devem ter corrido durante dez minutos, o carro cortava o trânsito parado por duas quadras. Brennan se sentia extremamente cansada, mas Angela ainda continuava correndo. Ela os viu abrir um dos vidros e dar um tiro que bateu em algo e ricocheteou quebrando vidros de uma janela, mas sua amiga não parou.
Brennan lembrou-se que indo por aonde o carro ia eles precisariam dar a volta para pegar a estrada... Ela conhecia aquele caminho. Se pegasse o beco a vinte metros, e fosse rápida, os alcançaria. O carro pegou a direita a duas quadras a frente.
Praguejou em pensamento por ter deixado o telefone em seu carro.
Angela estava mais longe agora.
Ela virou e desejou internamente não estar errada.
Outro disparo.
Ela correu e passou por um beco. Avistou a pouco mais de vinte metros o carro que seguia. Por uma fração de segundo, viu alguém puxar uma arma do banco de trás. Apertou seu passo. Um disparo. Dois. Três.
Angela estava a sua frente a dois, um... Meio metro. Ela saltou sobre a amiga jogando-se no chão com a mesma.
Seu braço direito queimou e ela ouviu as balas baterem no asfalto.
Angela pareceu entender, pois ficou quieta.
Brennan ergueu a cabeça. O carro sumiu ao virar a direita.
-Não... Michael... – Angela estava se levantando para recomeçar a corrida, mas ela a segurou.
-Não. Calma. Calma. Vamos achá-lo. Por favor... Angie.
-Ele... – Ela franziu o cenho. Ao se jogar sobre Angela sentiu algo incômodo em seu abdome. Sua amiga estava com o celular no bolso. Sem pedir-lhe permissão ou algo do tipo, ela o puxou abriu no nome de Booth e discou. Ouviu sua voz do outro lado da linha. –Booth. Ele pegou o Michael.
obrigada pelos comentários. XD.
Ingrid, Julianacs, thayane e Aninha Montgomery.
Aí está o cap novo...
Espero que gostem.
beijos.
