Capítulo 6 – Página 88
"Mas não conseguia. Aquilo era algo que ainda ficaria entalado em sua garganta por mais algum tempo.
– Jamie... – Heat elevou sua face alguns centímetros beijando os lábios de Rook – Você tem que deixar de ser tão dramático.
Por que ele ainda tentava?, ele se perguntou, tirou as mãos do rosto da detetive e passou os braços ao redor de sua cintura, apertando a mulher em seu corpo com uma força que só deixava transparecer ainda mais o medo e a preocupação. Quando Nikki o apertou da mesma forma pousando a cabeça em seu ombro ele se lembrou, então, o porque. Porque ela também queria que ele continuasse tentando.
– Me desculpe. Ossos do ofício. – Heat riu e se afundou mais ainda no abraço do jornalista. – Só achei que tivéssemos passado dessa fase.
– Que fase? – Sua voz soou abafada, sua respiração em ritmo normal dando a Jameson a certeza final de que ele precisava: estava ali com ele. Nada com o que se preocupar.
– A de achar que o que temos é brincadeira.
Nikki riu mais uma vez e soltou Jameson sem deixar que ele olhasse em seus olhos, mesmo que aquilo não disfarçasse a vermelhidão em sua bochecha. Sem dizer nada,voltou a ficar de costas para ele, ainda segurando os braços dele ao redor de seu corpo.
Ele não ia mentir: preferia que ela tivesse se entregado às lágrimas e confessasse seja lá o que ela sentia por ele, mas aquilo não seria Nikki Heat. De certa forma, Rook se sentia feliz com a falta de resposta, sabendo que aquilo significava que ela continuava ela, mesmo depois de tudo que acontecera. O silencio, ele aprendera a ler como um "nós falamos disso depois". Era o que bastava no momento.
Beijando os cabelos de Nikki mais uma vez ele acabou com a sessão de carinhos excessivos e voltou a olhar as anotações. Ainda tinham um caso para resolver. A morte de alguém ainda era mais importante do que um discussão que tinha a vida inteira para acontecer.
– Rales, conseguiu os detalhes que te pedi?
Detetive Raley olhou para a mulher que entrava passando pelos cubículos e pelas mesas indo diretamente até ele e reprimiu um sorriso.
– Sim, mas vejo que você não trouxe meu picolé...
Heat levantou a sobrancelha como se estivesse irritada, mas retribuiu os risos apreciando a piada como deveria. Mais uma vez a regra de não falar muito sobre eventos traumáticos se colocava a prova. Sentou-se sua mesa e esperou, vendo que o detetive anotava um nome que ela ainda não conhecia no quadro.
– Você parece ter mais notícias...
– Na verdade eu tenho – Ochoa vinha pelo mesmo caminho que Nikki fizera, parando ao lado. – A perícia recuperou os arquivos corrompidos dos drives que você achou na mansão dos Gray.
– E temos novidades na autópsia de Samantha. – Completou o outro, se juntando à Nikki e ao parceiro. – Mas Lauren quer te dar a notícia pessoalmente.
– Ela não te adiantou nada...?
– Nada.
– Quem é... – Ela estreitou os olhos lendo o novo nome no quadro. –... Julian Trone?
– Minha parte da notícia – Respondeu Raley – Ele surgiu quando começamos a repassar os nomes dos empregados como o ex-professor de violino de Rose Gray...
Um ex-professor da filha da falecida? O que ele possivelmente teria a ver?
– Rales, temos um...
– Crime do quarto fechado, eu sei... Mas como nosso quarto é na verdade uma propriedade enorme, e nosso violinista foi pego pelas câmeras de segurança no dia do crime eu achei que pudéssemos levar um papinho com ele.
– O temos a respeito de Trone?
– Essa é a melhor parte. – Disse Ochoa, jogando uma pasta grossa sobre a mesa de Nikki.
– Vou apostar que não são os registros da Orquestra de New York."
