- Capítulo V -

Booth

Ele nunca queria repetir aquele momento.

Muito menos aquelas sensações.

O primeiro aviso, foi a mensagem de texto que Brennan recebeu no shopping.

O olhar dela mirando-o e perguntando se Katy estava bem, se ele estava bem, porque ela estava...

... Mas era claro que ela não estava.

Entao ele passa o dia todo ansioso para entregar a camiseta autografada para Parker que iria pra casa deles nessa noite. Camiseta que ele ficou por duas semanas tentando conseguir o bendito autógrafo...

Aí ele está esperando Brennan ir para cama – quando ouve seu próprio chamado ansioso – e a vê abraçada a Parker na sala, onde ambos estavam distraídos com o presente dela pra ele...

... Parker ficou tão feliz com o videogame.

Agradeceu mentalmente por ser férias de verão, ou ele – e Rebecca estariam com problemas.

Quando ele olha pra tela, vê algo que sua carreira de agente do FBI – e parceiro de Bones – está acostumada, mas seu coração falha uma batida ao olhar para o próprio filho temendo que ele tivesse visto também...

Felizmente ele nada vira.

Claro, as investigações estavam andando o FBI estava no caso... Ele sabia que era Pellant, mas não tinha como provar, e isso lhe era mais que frustrante, era incrivelmente "gritante". Era como se cada músculo de seu corpo lhe implorasse para pará-lo antes que tudo piorasse.

Então ele vê a ligação de Bones, e ao atender, novamente se sente impune. Idiota...

"Booth... Ele pegou o Michael."

Quando chegou e viu Angela abraçada a Bones, e os paramédicos chegando logo atrás dele... Angela estava inconsolável, e Bones estava...

-Você está ferida. Senhora... – Um dos paramédicos foi falar com Angela enquanto o outro atendeu Brennan. Ela ainda não tinha percebido que ele tinha chegado até que chamou seu nome. -... Foi de raspão, mas não se preocupe. Você ficará bem.

-Eu estou bem, obrigada. – Ele a viu responder sem fitar o homem e caminhando agora em sua direção.

-Bones... – Quando ela o viu imediatamente olhou para Angela, que ainda conversava com um dos policiais. Booth também se virou brevemente para a amiga, e então se aproximou.

Ela lhe deu a versão resumida.

A mensagem no celular de Angela, e a corrida para encontrar Michael na creche.

O carro.

A placa deste, e a tentativa contra a vida de Angela.

E ele, imediatamente começou a ligar para contatos em seu celular.

-Booth...? Diga... Diga que vamos achá-lo. – Ela estava nervosa.

Pudera, afinal quem Pellant pensava que era? Um covarde desgraçado que ameaçava a vida de um bebê?

Ele iria pegá-lo.

É claro que ele iria!

-Eu... Eu não sei Bones. – Admitiu. Não pensou que doeria mais que o imaginado repetir aquilo em voz alta. –Angie falou com o Hodgins...?

-Eu falei com ele há alguns minutos. Não disse o que estava acontecendo só o chamei pra vir pra cá... – Ela franziu o cenho e ele acompanhou o seu olhar percebendo que o mesmo estava chegando.

-Dra. B? – Ele olhou ao redor claramente confuso. –Você tá machucada... Booth...? O que-?

-Jack!

Hodgins ficara tão pálido, que Booth quase saiu de seu lugar para socorrer o amigo. Angela o abraçou e nem precisou explicar nada. Foi como se Hodgins tivesse adivinhado.

-É o Michael... O que... O que houve? – Sua voz falhou. Booth sabia o que aquilo significava, mas ele se virou ao ouvir o barulho de mensagem recebida. Brennan tirou seu celular, mas quando ele se aproximou ela o guardou.

-Bones?

-Não é nada.

-Bones...

-Booth.

-O que ele disse?

-Por favor... – Ela pediu fechando os olhos e respirando internamente. Seu próprio celular tocou uma, duas vezes até que ele decidiu atendê-lo, mas não desviou os olhos dos dela.

-Booth. – Disse.

-Senhor, aqui é o Agente Carter, temos a localização do carro...

-Ótimo. – Ele disse. Felizmente uma boa notícia. –Onde ele está...? – Ele estendeu a mão para um dos paramédicos que segurava uma prancheta, este arqueou a sobrancelha, e Booth fez sinal de quem precisava anotar algo e o homem lhe emprestou o objeto. –Fale.

-Rua West Carper... O antigo açougue... Estamos monitorando-o. Tem dois policiais no local, ainda não há nenhum sinal do dono... Quer que os mande para lá...?

-Não. Eu estou indo para lá. Quero que mantenha-me informado.

Ele olhou para sua parceira antes de pegar o carro.

Devia ter se segurado por uns cinco segundos e quase repetiu o que ouvira para ela de novo só pra ter certeza que Brennan estava prestando atenção, mas ela apenas olhou novamente para Angela e Hodgins que ainda conversavam.

Estranhou o fato de ela não pedir para acompanhá-lo, mas sim voltar para onde Angela estava e lhe assegurar que ficaria tudo bem pela enésima vez.

... Duvidava um pouco disso...

Michael é uma criança de aproximadamente dois anos de idade, e o problema é que Pellant não tem cúmplices, mas ele não poderia ter feito isso sozinho.

Pegou seu telefone e ligou para o avô para saber se Parker e Katy estavam bem.

Quando desceu do carro e aproximou-se do policial, este lhe explicou o que estava acontecendo:

Depois de uma curta viagem de sete minutos – o tráfego não estava tão infernal assim, e a sirene ajudou bastante, claro tinham muitas leis de trânsito quebradas, mas isso agora não vinha ao caso.

Ele desceu do carro assim que avistou um dos policiais. Ele não parecia estar... "Disfarçado".

-Alguma novidade? – Booth perguntou impaciente. O policial de aparentemente vinte e poucos anos assentiu.

-Ficamos aqui durante algumas horas senhor, como se estivessemos monitorando uma casa em particular ou algo do tipo, já que é área de condomínio...

-E...?

-Bem, a alguns minutos, o dono foi para o carro. Ele abriu o porta-malas, tirou uma cadeirinha de bebê e voltou para o antigo açougue.

-Há quanto tempo foi isso...? – Ele perguntou erguendo os olhos para o carro.

-Pouco mais de cinco minutos, senhor. – O outro soldado respondeu.

-Bom... Quero que liguem para seu chefe e o informem. Eu assumo daqui. – Booth falou levantando o celular e discando alguns números. Assim que a voz atendeu do outro lado da linha ele disse: -Caroline. Sou eu. Preciso de um mandato, acho que encontrei o filho dos Hodgins...

Ele organizou tudo com a mais pura cautela.

Primeiro, montou um grupo para invasão e resgate.

E então repassou o plano pela provável milésima vez.

E aí, ergueu os olhos para o alto por alguns segundos pedindo silenciosamente que Deus o atendesse. Pediu aos santos que acreditava, e até mesmo os que nem conhecia para que aquilo tudo desse certo, mas o mais importante: pediu para que Michael estivesse bem.

Quando invadiu o local, e gritou "FBI!" ele hesitou por alguns milésimos e ouviu um disparo. Um agente ao seu lado fora atingido, mas logo abateram o atirador.

Subiram os degraus, ele na frente, mas parou seus passos assim que ouviu:

-Todo mundo parado ou eu atiro nele!

-Droga! Pra trás! – Booth volveu estendendo o braço e os agentes o obedeceram. –Escute: Meu nome é Seeley Booth. Se largar a criança, eu garanto que não vai se machucar, mas largue o garoto.

-Ele é minha garantia. Não vou deixá-lo!

-Tudo bem, me escuta. – Booth pediu escondendo-se atrás da parede e acenando para que os agentes fizessem o mesmo. -... Qual é o seu nome?

-Por que quer saber meu nome? – Gritou o outro de volta.

-Olhe meu senhor... Eu só estou tentando ajudá-lo. Me escute. Solte o garoto... Eu garanto que vai ficar tudo bem com você... Ok?

-Eu quero um helicóptero. E um piloto. Agora!

-Booth? – Ele olhou para o lado. Um agente filho de um amigo veterando estava mirando-o.

Esperando uma decisão.

Seu nome era Thomas. Ele era um atirador de elite a pouco mais de dois anos, e estava esperando por uma ordem.

-Salvar o garoto é a prioridade. – Thomas repetiu e ele suspirou.

-Vá. – Booth disse sentindo um bolo em sua garganta. –... Fique a posto. Vou continuar tentando. Se ele não aceitar... Se não houver outra opção então você...

-... Entendi. – Thomas se afastou e ele olhou para os outros dois agentes.

-Quero você aqui, e você ali. – Apontou. –Mantenham o rádio ligado.

Ele ouviu o barulho do helicóptero claramente pronto.

-Sim senhor.

Booth tentou se virar novamente para avistar o homem que estava com Michael, e se jogou para trás quase sendo atingido por um tiro.

-Ok! Ok! Se acalme! Eu não vou tentar nada! Só quero o garoto!

-Você vai atirar em mim! Como fizeram com o Ray!

-Não! Eu... Eu estou desarmado. – Ele deu um passo a frente e levantou as mãos para o alto. Agora o homem podia avistá-lo. –Tenho uma proposta melhor pra você. Troque o garoto por mim.

-O quê?

-Eu fico no lugar dele. Você o coloca no chão, enquanto eu me aproximo. E entramos no helicóptero.

O homem não respondeu. Booth imaginou que ele estivesse pensando na proposta.

E nem mesmo se mexeu ou abaixou as mãos. Continuou imóvel, para que ele pudesse ver que ele estava falando sério.

Mas então suas esperanças se esvaíram, porque o homem disse.

-Não. Eu saio daqui com o garoto... Prometo deixá-lo em algum lugar.

-Isso não parece um bom acordo. – Argumentou.

-Então eu o mato.

-Será pior pra você. Vamos, pense bem. O garoto não é seu passe livre aqui. É o seu impasse. Solte-o. Pode ter a mim... E o helicóptero.

-Não. – Ele arregalou os olhos.

O sequestrador erguera o braço e estava a ponto de dar um disparo. Dessa vez ele não teria tempo para se afastar, então sentiu uma mão puxá-lo para trás, e uma dor aguda no peito. Outro disparo.

-Agente Booth! Senhor? – Um dos agentes estava tentando animá-lo.

Ele ergueu a cabeça e sentiu como se tivesse caído em cima de uma pedra.

Talvez tivesse.

-Eu tô bem... O colete segurou.

-Suspeito no chão! – Thomas gritou de algum lugar. –Capitão? Esperando ordens.

-Chequem. Vou na frente.

-O senhor está bem?

-Sim soldado. – Ele respondeu simplesmente e levantou-se.

O açougue abandonado estava em ruínas, e para ele, parecia o cenário de um jogo de terror, pois havia sangue seco nas paredes, que estavam desgastadas e sujas. Quando se aproximou, sentiu o coração gelar dentro do peito.

A dor sumiu de repente e para ele, foi como se estivesse oco.

Diante dele, um rapaz de mais ou menos quinze, não mais que dezoito anos estava caído no chão cercado por uma poça de sangue. A seus pés, estava Michael o filho de Angela e Jack Hodgins...

... Completamente imóvel.


Obrigada pelos comentários.

Desculpem a demora. PC formatando XP.

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