Capítulo 8 – Página 89


"– A famosa Nikki Heat. A que devo o prazer? – Julian Trone era praticamente um garoto. Era muito se tinha vinte e poucos anos, Heat não se lembrava direito da ficha. Assim que batera os olhos na foto, Heat duvidara que ele tivesse algo a ver com tudo aquilo. Mas preferia não concluir nada sem antes de ouvir a história. Conclusões precipitadas eram perigosas no ramo.

– É a respeito de Samantha Gray...

Ele pareceu surpreso. Indicou a poltrona para que Nikki e Rook se sentassem e se sentou no sofá à frente dos dois quando ambos aceitaram a oferta.

O loft do músico era, apesar de grande, simples. As paredes e mobília em tons pastéis, sem muitos contrastes, deixavam tudo muito agradável aos olhos. Tudo tão básico e claro que Nikki quase não notou o enorme Steinway & Sons perolado a uns dois metros a sua direita. Alguns quadros tinham sido pendurados nas paredes, mas com muito bom gosto e sofisticação. Nada que chamasse tanta atenção quanto a pequena Versalhes de Matthew Starr, onde estivera um ano antes.

Trone pareceu hesitar por alguns instantes.

– O que aconteceu?

Nikki e Rook trocaram olhares de cumplicidade. Ele ainda não estava sabendo. O mordomo realmente tinha cumprido sua promessa. O que vira ou ouvira, levaria para o túmulo. Aquilo podia ser bom e ruim ao mesmo tempo. A sorte estava sendo simpática, e Heat agradecia por não visto ela se transformar numa vadia ainda.

Antes que ela pudesse responder, Rook tomou a dianteira:

– Ela está morta. – Sutil como um elefante, muito obrigada.

Trone levou a mão à boca, incrédulo, e suspirou.

– Minha nossa, Rose deve estar arrasada. – Ele abaixou a cabeça, como todos sempre faziam. Nikki sabia que o violinista não a conhecia tão bem, mas não estranhou o silencio pesaroso que se instalava na sala. Ter a morte andando tão perto de si não era agradável a ninguém. Por fim, Trone deu um meio sorriso, e continuou – Ela e a mãe viviam brigando, e Rose pode ser bastante difícil de lidar de vez em quando, mas... Apesar de tudo elas se davam muito bem quando não falavam da faculdade.

Nikki assentiu.

– Senhor Trone...

– Por favor, me chame de Julian. – Disse com um sorriso tão charmoso que obrigou Nikki a retribuir.

– Claro... Julian, creio que esteve na mansão dos Gray há três dias.

– Sim, eu dou aulas de violino para Rose, filha de Samantha.

Nikki e Rook trocaram olhares de cumplicidade. Aquele caso já estava começando a se mostrar complicado. Mas ambos sabiam, desde o começo que a única forma de passar por aquilo era descobrir quem mentia, porque e o que andavam escondendo.

Por algum motivo que Rook desconhecia, Nikki decidiu pegar leve com o garoto.

– Não é bem essa a informação que temos.

Ela pode ver Trone engolir em seco e desviar o olhar para um Peter Doig na parede mais próxima.

– Julian, nós temos uma imagem sua, captada por uma das câmeras de segurança dizendo que você estava lá...

– Sim, como eu já disse, eu estava.

– Mas não dando aula para Rose. – Rook. O que ele estava fazendo ali mesmo? – Você foi despedido por Samantha por pegar alguns souvenires um tanto quanto caros da casa.

– O que estava fazendo lá então?

– Não, fui despedido por que ela não gostava de me ver por lá. – O garoto suspirou – Foi sem querer sabia? A primeira vez que Rose pegou num violino eu nem acreditei que ela nunca tinha visto um na vida. Ela tem um talento, e Samantha nunca gostou disso. Era desperdício que a mãe a obrigasse a estudar como se ela realmente precisasse daquilo...

– Você ainda não me respondeu, Julian. – Pressionou Nikki – Por que estava zanzando pelos corredores da casa se já não podia estar mais ali?"