Capítulo 10 – Página 90
Capítulo dedicado à Pekenota e Vi Ramos, por estarem aqui desde o começo.
"– Tudo bem, agora acho que você pode me explicar direitinho o que estava fazendo na casa de Trone.
Nikki entrelaçou os dedos e se apoiou na mesa de uma das salas espelhadas da delegacia. Dadas às circunstancias, o que não era exatamente um interrogatório formal se transformara em um assim que Rose Gray entrara na sala do violinista vestindo apenas um roupão de seda e enxugando os cabelos molhados. A paciência da detetive com as surpresas de toda aquela história estavam começando a se esgotar. Nikki estava definitivamente impaciente. Muito impaciente.
E enquanto isso, a filha de Samantha se mantinha do outro lado da mesa, calada, com os olhos mudando de posição a todo o momento, quase assustada.
– Ele... É meu namorado...
Detetive Heat suspirou profundamente.
– E porque não disse isso antes, Rose?
A garota passou a mão nos cabelos loiros e lisos e engasgou com as palavras.
– Eu não achei que fosse importante, ele é só um violinista, só meu namorado, qual a relevância disso?
– Sabe, Rose, essa deve ser a frase que eu mais escuto. "Não achei que fosse importante". Existem muitas variações, e algumas vezes eu até finjo que acredito. – Nikki se levantou da cadeira e passeou pela sala de interrogatório calmamente. – Mas as pessoas sabem que nada é irrelevante numa investigação, ainda mais quando pessoas morreram, ainda mais você Rose. Sua mãe era promotora de justiça. Você sabe uma ou duas coisas sobre investigações.
Rose Gray se manteve de boca fechada. Nikki deu a volta na mesa, parando ao lado dela e apoiando os quadris na mesa.
– Só que você também sabia que ele poderia acabar tendo que responder uma pergunta ou outra, não é?
A garota suspirou e desviou o olhar da detetive, voltando-se completamente para frente.
– Minha mãe não gostava dele, e ele não gostava dela. Eu só queria poupá-lo dessa história toda, ele não tem nada a ver com isso!
– O que me trás uma pergunta de volta a mente. O que Trone fazia na mansão no dia do assassinato de sua mãe? Como pode saber que ele não tem nada a ver?
– Ele é meu namorado, droga, faça as contas! – Ela cuspiu, quase interrompendo a detetive. – Ele foi lá para me ver, ignorou todos os pedidos dos meus pais, do meu irmão, todas as ordens. Eu não podia sair de lá, estava trancada naquele lugar. Droga, ele foi lá me ver! Não pode ter nada a ver com isso por que estava comigo. – Rose já estava vermelha de raiva e tristeza, e lágrimas escorriam por suas bochechas, enquanto ela tentava limpá-las com a manga do casaco Gucci.
Heat fechou os olhos e balançou a cabeça descontente. Desencostou da mesa sem mais uma única palavra e saiu da sala irritada, batendo a porta. Aquele caso estava sendo mais complicado do que ela pesava que fosse ser."
