Capítulo 14 – Memórias
– Acho que sei como Heather morreu... – Disse Castle, abrindo a porta do carro e esperando que Beckett entrasse no carro também para continuar.
Beckett se sentou e lhe dirigiu um olhar inquisidor e incrédulo. Teorias. Estava demorando.
– Nos divirta com histórias, senhor escritor.
– Um ninja foi contratado para matá-la.
Beckett apenas virou a chaves na ignição.
– Não sei por que ainda tento.
– Ok, improvável, mas-
– Improvável, quem diria?
– Mas, faz sentido. Quem mais entraria num teatro sem ser visto, sufocaria a atriz e ainda cortaria sua garganta para esconder?
– Já está fazendo piadas com a morte dela? Você realmente supera rápido.
– Hey, se conhecesse Teddy como eu, saberia que ela não ia achar ruim, onde quer que esteja. Na verdade, é mais provável que ela me importunasse pelo resto de seu pós-vida se eu não fizesse nenhuma brincadeira sequer.
A detetive prendeu o riso na garganta com um grasnado e assentiu em concordância.
– Se você diz... Mas essa sua teoria ninja tem mais furos que uma peneira, não preciso te dizer, não é?
– Não foi uma brincadeira, totalmente. Não é esquisito que ninguém soubesse que ela tinha companhia? – Perguntou Castle.
– Mais do que isso, o segurança noturno nem mesmo a viu entrando no Majestic. Ele assume o posto às nove, quando trancam tudo. – Respondeu ela, adicionando um detalhe à imagem estranha que formava daquele caso. E conjecturou: – Talvez ela tenha entrado pela porta dos fundos.
– Talvez ela já estivesse dentro quando ele chegou.
Os dedos de Kate batiam no volante incessantemente, enquanto pensava.
– Ele não deveria fazer uma checagem para não deixar ninguém lá dentro? – Seu tom beirava a indignação.
Castle balançou os ombros.
– Deve, é claro, mas aposto que não faz isso desde que começou a trabalhar lá. Ninguém obedece à rotina até que algo diferente aconteça.
– Bom, é seguro dizer que ele vai começar a passar a lanterna pelos cantos mais escuros à procura de alguém assim que voltar à ativa, partindo do pressuposto de que não vá ser demitido.
– Ryan já tem as câmeras do teatro, imagino, não vai ser tão difícil descobrir que horas ela chegou lá. – Concluiu Castle.
Beckett balançou os ombros, com uma expressão que ia da concordância à irritação. Se o segurança tivesse feito seu trabalho direito aquela tragédia poderia ter sido evitada. Alguns poucos detalhes, algumas rotinas mantidas ou quebradas, faziam toda a diferença. Não havia como saber quais, então era desperdício de paciência pensar seriamente naquilo, por mais indignante que fosse. Os dramas da vida não estavam sob o controle de nenhum reles mortal, pensou Beckett. Suspirou, parou no sinal vermelho da Madison com a 78th Street e esperou. Era só o que podia fazer, na maioria das vezes.
Beckett quase esquecera que estava lidando com uma vítima conhecida, ou melhor dizendo, famosa. Os oficiais fizeram um bom trabalho mantendo a morte da atriz fora da mídia pelo primeiro dia de investigação, o que provavelmente era um recorde mundial, mas não duraria para sempre. Na verdade Kate via o fim de seu breve sossego no final do corredor. Uma repórter do Legder se anunciou em alto e bom tom, o suficiente para virar as cabeças dos detetives nos cubículos mais próximos da saída do elevador do 12th. Ela usava scarpins gigantescos de um azul forte, quase roxo, e uma saia de estampa combinando, uma mistura confusa da cor berrante com amarelo, branco e vermelho. A blusa branca quebrava o choque do estilo, mas, acostumada com um esquema de cor mais sóbrio, a detetive se perguntou como deixavam aquela mulher ir trabalhar daquela forma. Então se lembrou o que ela fazia. Era repórter. Chamar atenção era parte do ofício.
Beckett teria dispensado a apresentação da jornalista. Sabia que seu nome era Tommy Yards, a mais nova redatora da coluna investigativa do jornal; uma repórter aparentemente inofensiva que vinha infernizando sua vida desde que ganhara acesso à seus casos. Beckett se deu o luxo de aproveitar a pontada de superioridade quando a mulher tropeçou nos próprios pés: podia correr e pular cercas com saltos ainda maiores, enquanto ela parecia mal conseguir se manter em pé sobre eles ao andar em sua direção. Antes que pudesse chegar à Kate, Gates interceptou a detetive parecendo sem paciência. Não de um jeito irritado. Ela tinha um olhar entediado que dizia por favor, acabe com isso logo para podermos fazer nosso trabalho.
E foi isso que disse, de fato.
– Fiz o melhor que pude antes que você chegasse, mas ela insistiu em falar com você diretamente e você sabe que eu não posso simplesmente negar. Não demore, temos mais o que fazer.
Interessantemente, o modo como as palavras saíram de boca deram a impressão de que ela pensava que Beckett estava gostando daquilo tudo. A detetive não se incomodou com o tom. A capitã sabia que policial sério nenhum gostava da imprensa. Lidavam com ela com um sorriso falso no rosto, o que estava bem longe de qualquer sentimento positivo. Quando começou o trabalho, Kate se perguntou se podia ser tão ruim assim. Ao longo dos anos entendeu que podia ser pior.
Assim que Gates deixou seu campo de visão, Castle apareceu nele.
– Castle, que tal me deixar cuidar disso enquanto você... me faz um café?
Richard não estranhou o pedido. Ela preferia se entender com os jornalistas sozinha, ele podia compreender aquilo. Mesmo porque assistir uma Beckett cheia de sorrisos e palavras gentis, sutilmente dando a declaração de sempre – estamos investigando, os detalhes virão a publico o mais cedo que pudermos -, podia ser quase perturbador. Se não fosse detetive da Homicídios, Katherine Beckett podia ter se dado bem nos palcos, pensou ele, suprimindo a curiosidade.
Antes de receber a resposta do parceiro ela seguiu com Tommy Yards para uma das salas de interrogatório para uma conversa mais reclusa.
Castle balançou os ombros e foi em direção à sala de descanso, parando na máquina de expressos que provia a cafeína necessária para noites longas e manhãs que chegavam mais cedo. Ryan devia ter passado um bom tempo analisando as horas e mais horas de vídeo que vieram das duas entradas do teatro, pois tinha não uma xícara, mas uma caneca quase cheia de café aninhada entre as mãos, enquanto tentava se manter de olhos abertos.
– Achei que você já tivesse se acostumado com café de verdade... – Disse Castle, colocando uma xícara à postos e preparando a máquina para receber o café. – Sabe que essa quantidade vai te deixar acordado por dias?
– É o que eu preciso no momento. – Resmungou ele, bebendo longos goles e se calando por minutos, esperando que o organismo começasse a ver o efeito do estimulante, ou que seu cérebro começasse a acreditar que estava sendo estimulado. E então, quando parecia estar um pouco mais acordado e suas piscadas demorando menos de trinta segundos, reparou no escritor. – Só uma? – Apontou para a xícara agora fumegante nas mãos de Richard. – Sabe que Beckett vai ficar brava se não fizer a ela O Café de Todos Os Dias...?
– Fiz questão de encher ela de waffles, panquecas e tudo o que puder pensar hoje de manhã, tenho quase certeza que ela não vai sentir falta...
Talvez fosse o sono. Ryan demorou a processar as palavras, mas sabia que algo nelas era curioso.
– Ela dormiu na sua casa?
– Não é o que está pensando. – Respondeu Castle, sem muito desespero.
– Estou pensando que vocês tem um caso há anos, mas isso seria dizer que ela traia Josh.
– Se ela escutar isso, vou dizer que você está delirando de sono.
– Não que vá salvar minha pele, mas obrigada.
Castle deu um meio sorriso e bebericou o café. Lembrou-se de Beckett em sua porta dois dias antes, com os olhos cheios de água. Ela não demonstraria propositalmente nunca, mas todos viam os sorrisos mal reprimidos quando recebia uma mensagem de texto ou uma ligação, a aura de felicidade, a certa ansiedade que rodeava a detetive nos dias anteriores ao aniversario de namoro. Todos sabiam da data, não importava a quantidade de 'não é nada' que ela dissesse. O que teria destruído aquilo em tão pouco tempo e deixado a mulher mais forte que ele conhecia em lágrimas? Ryan não estaria certo, estaria? Não. Beckett não seria capaz. Mas e Josh Davidson? Ninguém sabia realmente quem ele era. O raciocínio despertou no escritor o instinto de fazer uma visitinha ao ex da parceira, mas ela nunca o iria perdoar. Deixou o pensamento de lado com outro gole do café.
A cabeça de Esposito apareceu na porta, sinalizando para os outros dois.
– Vocês precisam ver isso... – Disse ele, divertido.
– Ela deixou aberta? – Perguntou Castle.
Esposito mal terminara de balançar a cabeça em afirmação e Ryan e Castle já haviam deixado suas canecas e xícaras para trás, correndo para chegar à sala de interrogatório que algumas vezes Beckett usava para conversas privadas - aquelas nas quais não queria seu interlocutor confortável demais com o ambiente.
Na primeira vez que viu aquilo, Richard pensou ser um pouco descuidado da parte da parceira:
– Quer dizer que vamos poder ver tudo que você faz aí dentro? – Ele comentara com ela, antes que ela entrasse.
– Não seja bobo... – Ela dissera, e fechara a porta.
Sendo óbvio, a primeira coisa que Richard fizera foi tentar a sala de observação, pensando que Beckett fizera algo com o espelho e com o audio, para não deixar que ninguém espionasse seus diálogos. E para sua surpresa, o que ela fizera fora algo muito mais simples. Ela somente trancara a porta.
Quando saiu da sala de descanso com aquilo em mente, Castle apenas esperança que Beckett tivesse cometido uma pequena gafe e esquecido
Mas assim que viraram no corredor os três tiveram tempo de apenas ver Kate e Tommy Yards saírem por ela. A jornalista agradeceu a cooperação de Beckett e seguiu para o elevador, enquanto a detetive foi de encontro aos que chegavam. Kate elevou uma sobrancelha em resposta aos suspiros desapontados que vinham do parceiro.
– Mas já? – Resmungou Castle.
– Bom, ela já tinha respostas para tudo que perguntou, eu só precisava estar lá para tomar responsabilidade por elas.
– Mas...
– O que, Castle? Acha que eu vou dar uma chance para vocês três me espionarem? Não mesmo.
Ele bufou dramaticamente pela chance perdida. Claro. Ela não cometia gafes. Se não trancara a porta era porque não planejara passar muito tempo lá dentro, de qualquer forma.
– O que ela queria afinal de contas?
– Ah, o básico, você sabe. O caso já ficou famoso então eles sempre querem um monte de detalhes que eu nunca posso dar.
– Acho que é a primeira vez que alguém do Ledger vem aqui pessoalmente. – Ele comentou, virando-se para analisar a figura esquia da jornalista parada em frente ao elevador. – Como será que ela conseguiu a façan-
O comentário foi interrompido pelo som do elevador no andar do escritório. Um casal saiu pela porta. Pareciam perturbados e desconfortáveis com o ar de burocrático e quase hostil das gavetas de arquivos e armas penduradas na cintura de todos os oficiais. Logo, um policial de baixa patente apareceu para escolta-los a uma das salas reservadas mais confortáveis da delegacia.
– São os pais de Heather. – Esclareceu Esposito. – Bem a tempo.
– Vamos ver o que têm a dizer. – Disse Beckett, e ela e Castle foram encontrar com Karen e Rene Gillespie.
Quando entraram na sala os dois já tinham xícaras de café na mão. Os rostos cansados e devastados daqueles que perderam a única filha apontavam para baixo. Karen Gillespie tinha as mãos tremulas entre as do marido.
– Senhor e senhora Gillespie, eu sou det. Beckett, esse é Richard Castle. Sentimos muito pela perda.
– Pode nos dizer o que aconteceu, senhorita Beckett? – Disse o pai de Heather, trazendo o assunto para o pessoal ao ignorar a patente de Kate.
– Estamos fazendo nosso melhor para entender, senhor. E para isso precisamos fazer algumas perguntas... Eu compreendo que pode ser doloroso, mas é realmente importante.
A mãe da atriz dirigiu um olhar úmido e inconsolável para Richard. O mesmo que ele dirigira à parceira no dia anterior. Kate se lembrou da forma como ele a abraçara, de como seu toque firme fora tão frágil naquele momento. As vezes ela se esquecia daquilo. De que Castle podia ser frágil.
– O caso de Teddy esta em boas mãos com a det., Karen. Eu prometo. – O olhar de Richard encontrou o dela. Beckett o sustentou com a firmeza que ele precisava. – Ela é a melhor. – E ele se voltou para Karen Gillespie novamente. – Nós vamos encontrar quem quer que tenha feito isso com ela.
A mãe da vítima assentiu, longe de estar satisfeita ou conformada, mas entendendo que cooperar rápida e precisamente era a melhor forma de ajudar.
– Teddy... Se refere à Heather, certo? – Perguntou Kate, curiosa. Já era a segunda vez que ouvia o parceiro se referir a vítima daquela forma.
– Ah... Sim. – Afirmou Rene Gillespie. – Nós costumávamos chama-la de Teddy Bear, um apelido de infância, na verdade.
Kate anuiu em entendimento.
– O senhor sabe de alguém que poderia querer ferir Heather? – Questionou a detetive, como o de praxe.
– Heather era querida por todos, eu duvido que alguém pudesse causar algum mal a ela...
– Ela era uma atriz famosa, Sr. Gillespie, é comum que ela tenha recebido cartas ou e-mails de fãs... mais ousados.
Beckett estava sendo generosa, pensou Richard. Ele mesmo recebia uma ou duas daquelas cartas por mês, e o termo em sua mente se parecia mais com fãs desajustados.
– Ela não nos diria. – Esclareceu Karen. – Heather nunca comentava muito sobre o trabalho conosco, só abria a boca para falar do teatro quando precisava desmentir algum absurdo da mídia.
– Ela não estava... namorando ninguém, estava? – Questionou o escritor, com um tom na voz que Beckett demorou para identificar.
– Não, Richard Castle. Ao menos que ela não que tenha nos apresentado. – Resmungou Rene Gillespie, quase sorrindo. – Depois de tanto tempo, você está com ciúmes?
– Claro que não. – Disse Castle. – Eu já passei dessa fase...
– Mas... Não acho que ela estivesse namorando com ele, quer dizer... – Disse Sra. Gillespie. – sabe como esses relacionamentos de hoje em dia são dinâmicos... Mas ela comentava muito sobre um rapaz. Não me lembro o nome; Alex, Alec, talvez... Sinceramente eu nunca dei muita importância... A garota era uma atriz até fora dos palcos, fazia drama para absolutamente tudo. – Ela sorriu por um segundo, mas logo as lágrimas surgiram em seus olhos novamente. – Eu queria ter prestado mais atenção no que ela dizia, quem sabe... quem sabe assim eu não... eu...
– Não é culpa sua Karen. – Apressou-se Richard. – Não tinha como saber o que ia acontecer, não se pode prever esse tipo de coisa...
Ela balançou a cabeça, controlando as lágrimas e secando as que escapavam com um lenço que tinha em mãos. Karen Gillespie encostou a cabeça no ombro do marido à procura de apoio. Beckett podia ver como ela tentava impedir os soluços, contraindo todos os músculos do corpo e firmando a própria sanidade no que restava da sanidade da pessoa mais próxima.
Jim Beckett fizera o mesmo, Kate se lembrava. Se lembrava de como ele a abraçara, de como ele desesperadamente segurava seu rosto e o encarava por minutos sem dizer nada, tentando encontrar a esposa morta nos olhos e traços de sua filha. Ela se lembrou de como chorara por semanas na abraçada ao travesseiro que abafava seus gritos, sem ter coragem de jogar a própria tristeza em cima do homem cuja a sanidade ela não conseguira ser forte o suficiente para ajudar a manter.
Beckett engoliu e seco e desviou o olhar, sem saber porque aquilo tudo viera à tona naquele momento.
– Preste atenção em tudo, Richard. – Disse Rene Gillespie. – Tudo que Alexis disser, fizer, preste atenção.
Castle sentiu falta da filha. Uma saudade pura e insurgente, baseada apenas no instinto de proteção e na vontade de vê-la sorrir a qualquer custo. Assentiu, fechando os olhos e com um suspiro. Nessa fração de segundo, ouviu a voz de Heather.
– Rick... – Era clara como se ela estivesse ao seu lado, mas era apenas uma lembrança. – Você sabe que pode contar comigo, não sabe?
– Teddy, ela só tem cinco anos...
– Por isso mesmo, não pode ser tão difícil... – Resmungou a ruiva, se sentando na cama ao lado do escritor. – Alexis é uma graça, e me adora tanto quanto eu a adoro, você sabe.
– Crianças não são tão simples, você não tem ideia do que está falando. Ela se comporta comigo, mas-
– É você quem complicada as coisas. Só deixe ela comigo. Eu prometo que cuido bem dela.
Castle estava a ponto de responder com um objeção, não fosse um leve batida na porta.
– Pai...? – Chamou uma voz doce e infantil.
Richard permitiu a entrada da filha e sentou-se na cama, também. Uma sorridente Alexis abriu a porta e correu para os braços do pai, subindo no colchão e se jogando sobre ele.
– Como vai a minha garota nessa ensolarada manhã de domingo, ein? – Ele disse, quando a garota sentou em seu colo. – Será que ela aguenta sentir cócegas antes do café da manhã?
Heather pulou num susto quando Alexis levantou-se do colo de Richard e pulou no seu.
– Me proteja, Teddy! – Gritou a garota, em meio a risos.
– Não se atreva, Richard Castle! – Disse Heather, teatralmente, abraçando a garota de forma a protege-la. – Nós ruivas temos que nos unir contra esses morenos malvados!
– Mas o que a princesa Alexis não sabia era que Teddy estava trabalhando contra seu maior inimigo... – Narrou Richard, piscando para Heather. – E a atacou quando ela menos esperava!
Alexis gritou, riu, esperneou, mas não conseguiu se livrar do abraço de Heather. A atriz se jogou com a garota na cama, fazendo cócegas na menina e dividindo com ela as risadas, os sorrisos e a diversão da inocência. Castle se apoiou num braço e assistiu as duas rolaram de rir. A cena nunca mais seria apagada de sua memória.
– Alexis... O que acha de ficar com Heather amanhã a noite? – Perguntou ele, quando as duas já estavam exaustas, caídas sobre os travesseiros.
– Porque?
– O papai tem uma noite de autógrafos para ir...
– Não posso ir com você? – Disse a garota, manhosa.
– Não permitida a entrada de ruivas.
– Por isso Teddy não vai também?
– Exatamente. Então ela é a única que pode cuidar de você...
– Mas a vovó também é ruiva... Ela vai?
– O pessoal que faz os convites errou a cor do cabelo e colocou ela como loira...
A garota riu e deu de ombros.
– Não chegue muito tarde!
Castle apenas sorriu.
– Uma noite de autógrafos sem minhas duas garotas... Não vai ser tão divertido.
– Mentiroso! – Gritaram as ruivas, e Castle se jogou em cima das duas, enchendo ambas de beijos e cocegas.
– Deveria ser impossível que filhos fossem antes dos pais. – Disse Rene Gillespie, acordando Richard de suas memórias felizes para a realidade que sempre fora decepcionante. Algumas vezes Castle odiava abrir os olhos de manhã e perder os sonhos de vista, odiava olhar no relógio do computador e perceber que tinha que parar de escrever ou teria problemas no dia seguinte.
– Não sem ao menos se despedir... – Disse Karen.
– Não víamos Heather há meses, Richard, meses. – Completou o pai da vitima.
– Meses? – Questionou a detetive, para se certificar.
– Sim, a última vez que nos encontramos foi na ultima apresentação da temporada de verão.
Beckett afastou todos os pensamentos sobre seus piores dias da cabeça e repassou a conversa que teve com Gillian Flanders no dia anterior.
– Tem certeza? Nenhum vez depois disso? – Perguntou ela. Castle conhecia aquele tom.
– Com certeza, detetive? Na última vez que vi minha filha, ela estava no camarim do Majestic Theater, reclamando das pequenas falhas na atuação. Aquelas que ninguém nota, sabe...?
Kate não respondeu.
– Beckett...? – Tentou Castle. – O que houve?
– Gillian Flanders me disse que disse que Heather não aparecer em um dos últimos ensaios. – Ela explicou. – Por que havia ido visitar os pais.
Capítulo novo. Não vou nem comentar meu atraso.
Desculpa ai, pessoal. Culpa, em boa parte, da minha viagem. Estou no Canadá, fazendo um breve intercâmbio, e a vida aqui é um pouco corrida. O meu final do ano foi um caos, e esse começo então...
Esperam que tenham gostado. Deixem uma review, por favor. Comentem mesmo!
Obrigada pela paciência!
