Ela finalmente abriu a porta, depois que ele insistiu batendo e chamando por horas.
-Tudo bem, Malfoy. Isso não é típico de você, e só por isso estou abrindo essa porta.
-Ótimo... - Ele olhou para ela, pensando por onde começar - Bem... Você me conhece, você sabe que eu não teria feito nada disso nunca na minha vida, mas por você, Ginny, vale a pena.
-Malfoy, é sério, nós nunca daríamos certo, somos tão diferentes... E nós tentamos, não foi?
-Por muito pouco tempo. E você desistiu na primeira crise, e voltou para o Potter assim que ele te prometeu uma coisa mais fácil.
Ginny começou a chorar, já sem auto-controle nenhum. Estava esgotada, o assunto lhe doía, e insistir nele era como enfiar uma faca enferrujada numa ferida mal cicatrizada, que ela insistia que já estava melhorando.
-E você não teria feito a mesma coisa?
Draco parou para pensar.
-É... eu faria, talvez... Mas não estou fazendo, estou? Eu estou aqui, lutando pra você ficar comigo, me humilhando, me arriscando a sentir coisas de que eu não tenho o mínimo controle e que eu desconheço porque eu realmente gosto muito de você. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Você tem ideia do inferno em que eu estava quando você deixou eu me aproximar, no último ano em Hogwarts? Você me mostrou outro jeito de viver e aquilo era tudo que eu sempre precisei. Eu amei você tanto justamente por isso, Weasley, você foi uma esperança que deu certo...
-Por algum tempo.
-Porque você pulou fora, fingindo pra você mesma que amava o Potter mais do que amava a mim.
-E eu amava.
-Não Weasley, você achava mais fácil. Era uma coisa melhor e mais segura pra você e por isso você fez aquela escolha, mas como você mesmo viu, o fácil pode ser cansativo. Tudo afundou porque você simplesmente não o amava suficiente nem mesmo para suportar a chatisse que era o seu relacionamento fácil com ele. Você não queria aquilo de verdade e eu sempre soube!
Ginny escondeu o rosto nas mãos e finalmente entrou em sua casa. Sentou-se no sofá e Draco foi atrás dela. Ajoelhou-se e esperou que ela se acalmasse, para só então tocá-la. Segurou o rosto dela pelo queixo e a fez olhar para ele.
-Não vai ser fácil, Ginny. Não foi fácil, não está sendo fácil e nunca vai ser. Mas não escolha de novo o que é fácil só por isso. Por que eu te amo e vou fazer de tudo para isso dar certo, contra todas as chances.
Ginny olhou para ele. Tentou jogar o jogo dele, até mesmo chegou a ficar na frente, mas ela era mesmo uma perdedora, e Draco tinha razão.
Ginny segurou o rosto dele e abaixou-se para ficar na mesma altura que ele, de joelhos, estava. Ele fechou os olhos esperando um beijo, um sim, um não, um talvez ou qualquer coisa. Ginny olhou bem para ele, de olhos fechados, ali, esperando pela resposta dela. O que mais ela podia querer dele, se até mesmo a promessa de tentar vencer o impossível ele estava fazendo a ela?
Encostou os lábios nos dele, e logo Draco levou as mãos ao rosto dela também, beijando-a com mais vontade. Conteve qualquer impulso e afastou-a antes que o beijo fosse ainda mais longe.
-O que isso significa?
-Significa que não vai ser fácil, mas eu vou tentar.
Draco riu um riso tão sincero que fez Ginny recordar do porque havia se apaixonado por aquele menino assustado no meio da guerra, naquele ano em Hogwarts. Seu coração bateu de uma forma leve e apaixonada, e ela precisou dizer.
-Você também merece ouvir o que você sempre soube, Draco. Eu te amo.
