Tá... esse negócio de condicionar capítulos por reviews não funcionou... Tem pouca gente lendo essa fic, mas não vou deixar quem está lendo esperando mais.

Um capítulo um pouquinho mais longo pra vcs.

bjs!

dai86


CAPÍTULO 3

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As portas do elevador se abriram, e Sakura saiu com a criança, agora adormecida, em seus braços, parando para examinar o luxuoso saguão do vigésimo andar. Bem adiante havia uma imponente parede de vidro, na qual estavam presas enormes letras de latão polido que diziam:

Uchiha & Associados

Administração

Mais atrás, outra parede de granito preto, onde era possível admirar um belo trabalho artesanal esculpido em relevo na superfície de pedra – um leque, símbolo da empresa. No meio do ambiente, apenas uma pequena e tímida mesa, também preta, para a recepcionista.

Sakura perguntou-se com amargor se a loira opulenta que sentava-se à mesa fora escolhida pelo próprio Uchiha Sasuke. Talvez ele tivesse preferência por loiras... Lembrava-se de Ino ter dito algo sobre o "chefão" estar presente a sua segunda entrevista para o emprego na Uchiha & Associados depois da qual em que fora contratada.

Claro que Ino não era uma loira qualquer. Seus longos cabelos dourados eram gloriosos, harmonizando-se com a perfeição do rosto. Sua aparência estonteante, aliás, fora um problema por toda sua vida, não lhe trazendo nenhuma felicidade. Os homens não conseguiam mantê-la longe de seus olhos... ou de suas mãos.

Pobre e doce Ino! Sempre tão ingênua...

Depois que começara a trabalhar como secretária na cidade, tornara-se ainda mais suscetível a rapazes bonitos de cabelos negros e olhos sedutores. Sempre dispostos a fazer qualquer tipo de jura de amor e compromisso. Ino fora uma vítima daquela combinação, sempre julgando estar apaixonada. E uma vez amando, passava a acreditar em tudo o que seu parceiro lhe dizia, sonhando com um grande anel de noivado em seu dedo.

Óbvio, as coisas nunca caminhavam naquela direção, e Ino vivia sendo enganada. Sakura ficava quase louca vendo a amiga ser usada e desprezada por qualquer canalha de fala mansa. Homens casados, divorciados ou solteiros - não importava. Bastava que dissessem a Ino "eu te amo", e ela se colocava nas mãos deles.

Sakura sempre oferecia conforto e conselhos depois de cada rompimento, mas sua paciência tinha diminuído com o passar dos anos, e chegara ao fim logo depois de Ino ser promovida ao cargo de assistente pessoal de Uchiha Sasuke.

Naquela ocasião, a amiga confessara estar apaixonada de novo. Ao ser pressionada, admitira que o objeto de sua afeição era seu novo chefe. Uma discussão terrível havia se seguido, e Sakura dissera a Ino que ela dormia com qualquer um que lhe dissesse uma doce mentira.

Ino respondera com sarcasmo, afirmando que Sakura possuía um coração de pedra, e que era incapaz de amar quem quer que fosse, ou mesmo qualquer coisa, além dela mesma.

Aquelas haviam sido as últimas palavras entre as duas amigas. Um ano se passara desde então, e agora Ino estava morta... O queixo de Sakura começou a tremer. Teve de engolir em seco para conter as lágrimas.

- Não vou decepcioná-la, Ino - sussurrou, olhando de relance a bela menina que segurava nos braços. - Sua Megumi terá tudo o que você desejou para ela. Todas as vantagens. Será uma criança amada e querida. Nada de roupas baratas ou escola pública. E quanto ao serviço social e lares adotivos... jamais! Pelo menos enquanto eu viver.

Decidida, Sakura seguiu adiante, empurrando a porta de vidro com o ombro e aproximando-se da recepção. - Estou aqui para ver Sasuke Uchiha - anunciou com firmeza para a glamorosa jovem de olhos castanhos. - E, antes que você pergunte, sim, eu tenho uma hora marcada - mentiu, sem nenhum pudor.

Sakura acreditava que era sempre melhor ficar na ofensiva. Além disso, jamais teria conseguido entrar na mais famosa escola dramática do país se não tivesse confiança em suas habilidades como atriz. Afinal, entrar para o mundo do teatro era quase tão difícil quanto invadir a Casa da Moeda.

A moça acompanhou-a até um longo corredor, que levava a outra área de recepção, agora um pouco menor e com ar menos ostentador, graças à decoração mais aconchegante em madeira.

- Posso ajudá-la?

Sakura ergueu a cabeça e encarou a senhora vestida de maneira recatada, sentada atrás de uma pequena escrivaninha. "A secretária de Uchiha Sasuke", Sakura concluiu, surpresa, por constatar que ela não era loira, nem jovem. Cínica, Sakura perguntou-se se Uchiha Sasuke havia aprendido sua lição sobre misturar negócios e prazer.

- Estou aqui para ver Sasuke.

A secretária arqueou uma sobrancelha.

- O Sr. Uchiha está numa reunião que durará toda a tarde. Ele foi bem claro quando me pediu que não o incomodasse por nada.

- Duvido que tenha se referido a mim - Sakura replicou, ajeitando Megumi no colo. – Ou à filha dele.

Os olhos de Agari se arregalaram ao mesmo tempo que se levantou, observando a criança com grande curiosidade. - A... filha dele? - repetiu, espantada.

- Sim - Sakura respondeu, seca. - O nome dela é Megumi, e tem 3 meses. Poderia por favor, dizer a Sasuke que ela está aqui, e que eu gostaria de falar com ele?

A secretária piscou, e então pigarreou. - Talvez seja melhor que a senhorita espere no escritório do Sr. Uchiha. Irei chamá-lo.

O sorriso nos lábios de Sakura era gélido. - É uma boa idéia.

A sala de Uchiha Sasuke foi outra surpresa. Embora toda a decoração fosse impecável e as janelas oferecessem uma vista de Konoha capaz de tirar o fôlego, era um ambiente planejado para trabalho, e não para impressionar.

Havia várias divisórias, cada qual com seu próprio computador, impressora, fax e cadeira. Todas as máquinas estavam ligadas, e sobre os tampos espalhavam-se documentos, de vários tipos. A mesa principal, no centro, também não parecia muito arrumada. A secretária emitiu um som exasperado ao ver a confusão, meneando a cabeça e avançando até escrivaninha para apanhar a caneca de café frio.

Nesse meio tempo, Sakura sentou-se em uma das cadeiras e cruzou suas longas pernas, ajeitando Megumi sobre os joelhos e baixando a cabeça para checar se ainda estava dormindo.

- Mas que menininha mais comportada você é! - ela murmurou, com suavidade, ajeitando a coberta cor-de-rosa.

Quando, terminou, tornou a encarar Agari, que a examinava como se fosse alguém que tivesse acabado de desembarcar de Marte.

- Com certeza o Sr. Uchiha estará aqui em breve. Afirmou e a deixou, fechando a porta atrás de si.

Aquela mesma porta voltou a se abrir com um brusquidão menos de dois minutos depois, e Sakura virou-se, encarando pela primeira vez a figura do pai de Megumi.

Uchiha Sasuke era ainda mais surpreendente do que sua secretária ou seu escritório. Era alto, como imaginara, moreno e bonito, seus traços fortes eram de uma masculinidade marcante. Mas o que mais lhe chamava a atenção eram seus olhos negros intimidadores.

Mas apesar de tudo aquilo, aquele que a olhava fixo parado à soleira não se enquadrava na imagem que Sakura fizera dele. Os amantes de Ino costumavam ser calmos e introversos, envoltos numa aura de mistério. Mas todos possuíam um charme silencioso e sofisticado apelo sexual, que fazia garotas ingênuas como Ino acharem-nos irresistíveis. Uchiha Sasuke dificilmente se encaixaria naquela descrição.

Ele entrou, personificando a própria imagem do macho alfa, com seus ombros largos e postura ofensiva. Os cabelos negros balançavam bagunçados, num contrastante estilo despojado. As mangas de sua camisa haviam sido arregaçadas como se estivesse pronto para uma briga, o nó da gravata estava frouxo, e o botão superior da camisa, aberto. As sobrancelhas negras estavam tão arqueadas que quase se tocavam. Sasuke parecia mais um soldado pronto para entrar no campo de batalha do que o riquíssimo empresário de finanças que era.

Aproximando-se a passos rápidos, Sasuke primeiro fitou de relance para Megumi, e então tornou a fixar Sakura.

- Ouvi dizer que você está espalhando por aí que esta é minha filha!

Sakura não se deixou intimidar por aquela demonstração de chauvinismo. Perguntava-se o que Ino teria visto naquele homem. Bem, talvez ele fosse melhor na cama do que fora dela...

- Isso mesmo - ela confirmou.

Sasuke dirigiu-lhe um olhar que teria feito a pobre Ino congelar. Sakura começava a entender por que sua amiga não tentara se reaproximar do pai biológico de Megumi para conseguir ajuda e uma pensão alimentícia. Quando Uchiha Sasuke terminava com uma mulher, de certo esperava que fosse definitivo.

Mas ela não era Ino.

- Espere aqui - ele murmurou.

- Não tenho a menor intenção de ir a lugar algum.

- Sakura falou, recebendo outro daqueles olhares aterradores. Mas nem mesmo piscou ignorando a ameaça contida naquelas íris negras. Houve uma pausa de vários segundos, então Sasuke girou nos calcanhares e deixou a sala, batendo a porta atrás de si.

Sakura esticou as pernas para relaxar um pouco. Esperava que Sasuke tivesse o bom senso de recuperar o autocontrole. Ainda mais porque não estava disposta a desistir daquela batalha.

O tempo escoava, devagar.

Sakura sentiu a pulsação acelerar-se, mas já estava psicologicamente preparada para tudo aquilo. Não imaginava que Sasuke fosse aceitar aquela situação saltitando de alegria. Não após ele ter negado a paternidade e dado dinheiro a Ino para um aborto, em seguida mandando-a embora.

Sakura não esperava nada dele. E Uchiha Sasuke só confirmava suas piores opiniões sobre gente igual a ele. Ela, lógico, teria de enfrentar uma verdadeira guerra para conseguir o suporte financeiro de que precisava para criar a filha de Ino. Mas Sakura até que gostava de uma boa luta... Na verdade, sempre agia melhor quando se via sob pressão.

O som da maçaneta girando a retirou daqueles devaneios.

A visão de dois guardas de segurança entrando na sala a espantaram, fazendo seu pulso acelerar ainda mais. Então era daquele jeito que ele ia brigar? Cerrando os dentes, levantou-se e lançou um olhar de desdém para os seguranças.

- Devo supor que o Sr. Uchiha não vai retornar...

- Certo moça. - O maior e mais velho dos dois se adiantou. - Ele mandou dizer que da próxima vez chamará a polícia.

- Verdade? Bem, veremos... Não, isso não será necessário! - ela alertou quando o guarda que acabara de falar tocou-lhe o ombro. A despeito de seus protestos, os dois a escoltaram até que estivesse fora do prédio. Sakura ficou ali na calçada por muito tempo, olhando para os andares superiores tentando conter a raiva. Imaginava o moreno sentado em sua poltrona de couro com um sorriso de triunfo.

- Eu vou pegar você, Uchiha Sasuke - ela jurou, e respirou fundo. - Vou fazê-lo pagar por isso, pode apostar!

Levou algum tempo até que Sakura conseguisse recuperar a compostura. Mas seu cérebro, afinal, voltou a funcionar com clareza, e ela passou a perguntar-se por que o pai de Megumi estava agindo daquela forma. Era uma coisa estúpida blefar sobre paternidade. E não importava o que mais pudesse ser, Uchiha Sasuke não lhe parecera estúpido.

De súbito lhe ocorreu que ele devia acreditar que Ino tinha abortado, o que podia significar que não fazia a menor idéia de que Megumi era o bebê dela. Talvez Sasuke pensasse que Megumi era outra criança, e ela, Sakura, sua mãe. Quando a encarara daquele jeito, na certa tentara lembrar se dormira com Sakura ou não. Ao concluir que não a conhecia, acreditou estar diante de alguma vigarista, sedenta por arrancar-lhe dinheiro. Tinha de ser isso!

Que coisa idiota... Sakura devia ter sido bem mais clara, revelando que não era a mãe biológica daquela menina.

- Sua nova mãe é uma tonta - informou à criança, que acabara de acordar. - Mas não se preocupe, tenho um plano alternativo. Já que por enquanto bloqueei o acesso a seu papai, tentarei falar com sua avó. Sim, eu sei que você está com fome e molhada, mas vou alimentá-la e trocar sua fralda no táxi. Trouxe tudo comigo: mamadeira, fraldas, roupinhas... Não está impressionada?

Vários passantes lançaram olhares para a jovem de cabelos róseos, que parecia alheia a tudo, menos ao bebê com quem conversava.

- Espere até que sua avó a veja, tão bonita e boazinha. Sei que não vai poder resistir. Eu não pude, não é? Por falar nisso... sua mãe de verdade nem sempre falava as coisas certas. Por exemplo, estava errada quando disse que eu não podia amar nada nem ninguém com esse meu coração de pedra. Não, meu amorzinho, Ino se equivocou a esse respeito...


Já viram quem entra na história no próximo capítulo, não? Uchiha Mikoto!

Sera que ela vai ajudar ou atrapalhar a Sakura?

Veremos, rs.

dai86