Pra quem acompanhava Epílogo, só gostaria de avisar que atualizei a fic depois de meses sem tocar nela. O capítulo 4 também está quase pronto... talvez eu atualize na próxima semana.

Curtam mais um capítulo de Megumi...

dai86


CAPÍTULO 5

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Sasuke considerou a idéia de chegar atrasado em casa de propósito. Pensou até mesmo em ligar para a mãe, inventando um jantar de negócios na cidade. Mas como nunca foi covarde, entrou em seu carro um pouco antes das seis e dirigiu para a ponte. Iria suportar o encontro com Temari, mas não iria se esforçar para parecer agradável com aquela mulher.

Com um pouco de sorte, a viúva alegre de Shikamaru e sua mãe casamenteira entenderiam de uma vez por todas que ele era uma causa perdida. Nada o incomodava mais do que caçadoras de fortuna jogando-se sobre ele. Além disso, loiras também não eram seu tipo. Uma mulher alta e curvilínea com longas pernas o deixaria interessado no mesmo instante. E se fosse um desafio, a combinação seria irresistível. Nara Temari não era nada disso.

A imagem da bela moça que estivera em seu escritório voltou-lhe à memória. Aquilo acontecera durante toda a tarde, chegando até mesmo a distraí-lo do trabalho em várias ocasiões. De qualquer modo, aquela jovem era muitíssimo sexy, com sua calça branca e o suéter vermelho.

Os cabelos eram lindos, longos, róseos e um tanto selvagens. Assim como sua dona. Pena que fosse uma vigarista... ou maluca. Sasuke estava imaginando o que ela poderia ser no momento em que estacionou o automóvel do lado de fora da garagem. Ainda não chegara a nenhuma conclusão quando entrou na mansão pela porta dos fundos. Estava a meio caminho nas escadas dirigindo-se para o santuário de seu quarto quando o som de um bebê chorando o fez parar de imediato.

Arqueando as sobrancelhas, Sasuke virou-se devagar e apurou a audição. O som parecia vir da sala de estar. Seria a televisão? Não, não era, decidiu quando ouviu o gemido outra vez. Era alto demais e... muito real. Uma possibilidade absurda lhe ocorreu.

"Impossível! Ela não ousaria!"

Mas quando a criança tornou a chorar, Sasuke soube que ela ousaria sim. Como um tufão, tornou a descer a escadaria e caminhou para o aposento em questão. Descrença e fúria faziam sua pulsação acelerar-se. E lá estava a moça, cálida como uma flor, ajoelhada ao lado de uma poltrona, cantando com uma suavidade tal como só uma mulher era capaz.

Sasuke já havia aberto a boca para falar quando foi interrompido pela cantoria. A garota inclinou-se para observar a criança que ficara em silêncio. A calça branca e justa realçava todos os contornos de suas coxas torneadas, e por um instante aquela visão quase o fez se esquecer do quão irritado estava. Aquilo, porém, durou apenas um momento.

- Ei, você aí!

Virando-se de maneira abrupta, Sakura encarou-o com um olhar intenso. Ao mesmo tempo, levou o dedo indicador aos lábios, pedindo que se calasse.

- Quieto, pelo amor de Deus! - sussurrou. - Faz horas que estou tentando fazê-la dormir. Acho que estranhou a casa... Megumi costuma adormecer no mesmo instante em que termina a mamadeira. Antes que Sasuke pudesse dizer outra palavra, Sakura colocou a mão firme sobre o peito dele, empurrando-o para trás. Depois disso, fechou com cuidado a porta atrás dos dois, como se toda aquela cena fosse muito normal e razoável.

Sasuke pôde apenas balançar a cabeça espantado. Aquela não era uma vigarista, concluiu, em total exasperação. Era uma louca! Deliciosa e atraente, sem dúvida. Mas uma completa desequilibrada.

- Não sei o que você disse para minha mãe, mocinha, mas pegou o homem errado. Não sou o pai da sua criança.

- Calma lá, Sr. Uchiha, eu nunca disse que você era.

A confusão tomou conta das feições dele. -O quê?

- Você não pode ser o pai de minha criança, porque eu não tenho nenhuma. Devia ter lhe dito isso em seu escritório, mas não raciocinei direito. Megumi é filha de Ino.

- Ino? - ele repetiu, confuso.

Sakura olhou-o fixo. - Espero que não me diga que não conhece Ino também. Yamanaka Ino - adicionou com frieza. - Caso tenha esquecido, ela foi sua secretária por alguns meses no ano passado, Sr. Uchiha. E nesse período vocês tiveram um caso.

O choque fez com que Sasuke ficasse sem fala por alguns segundos. Mas então a ira voltou a dominá-lo. Se Ino pensava que ele iria assumir a paternidade daquele bebê por causa de uma única noite, estava redondamente enganada.

- Ino era minha secretária, eu admito. Mas nós não tivemos um caso!

- Ora, vamos lá, Sr. Uchiha! - Sakura cruzou os braços. - Não nasci ontem. Sei muito bem o que aconteceu entre você e Ino. Como pode ficar parado aí mentindo desse jeito e dizendo que não dormiu com ela?

- Não nego que tenha feito isso. Mas foi apenas uma noite. E eu usei proteção. Repito, não sou o pai dessa garota, nem de nenhuma outra. Já lhe falei isso antes mocinha: pegou o sujeito errado.

Um sorriso gélido curvou os lábios dela. - Você é Sasuke Uchiha, o presidente da Uchiha & Associados, não é?

- Sabe muito bem que sim.

- Então, peguei o homem certo. Mas, se insistir num teste de DNA, não farei objeções.

- Um teste de DNA? Não farei teste nenhum!

- Oh, sim, você fará, Sasuke...

Ele virou-se e notou que sua mãe chegara. Ao vê-la, acalmou-se um pouco. Talvez fosse uma boa idéia realizar aquele teste. Afinal de contas, seria a melhor maneira de provar que não tinha nenhuma responsabilidade naquele assunto, pois tratava-se de uma prova científica indiscutível.

Muito bem. - Sasuke recuperou a compostura, surpreendendo ambas as mulheres. Sobretudo a bela mulher de olhos verdes. "Quem é ela?", ele se perguntou. "E qual seria a relação dela com Ino? Seria sua irmã, talvez?" Examinando melhor, no entanto, constatou que não era nem um pouco parecida com sua antiga secretária.

- Sendo assim, me diga, senhorita... Por que Ino não veio ela mesma me falar sobre o bebê? Por que mandou alguém em seu lugar? Não me diga que é porque tem medo de mim, pois não vou acreditar.

- Ino morreu duas semanas atrás, vítima de um atropelamento - a Sra. Uchiha explicou, com um olhar de reprovação. - Como não tinha parentes, nomeou a Srta. Haruno Sakura como tutora legal de Megumi. Elas eram grandes amigas. Foi por isso que Sakura veio para cá hoje. Para ver se vamos ajudar a cuidar da criança.

- Tudo isso é muito triste. Ficarei feliz em dar algum dinheiro para a Srta. Haruno se isso ajudar. Mas okaasan, eu não sou o pai do nenê de Ino.

Mikoto assentiu. - Acho que acredita mesmo nisso, filho. Isso explicaria seu comportamento. Mas Sakura me contou que Ino afirmou que você era o pai. Também me disse que Ino o procurou e contou sobre a gravidez logo que soube. E, pelo visto, você negou que era o pai e lhe sugeriu um aborto...

- Isso não é verdade! Se Ino lhe falou isso, ela mentiu.

- Sasuke se dirigia a Sakura, que limitava-se a encará-lo com uma expressão de desdém.

- Posso jurar que nunca soube sobre a gravidez de Ino, nem recebi nenhuma visita dela.

- Ino não costumava mentir. - Os lábios de Sakura retesaram-se em sinal de desagrado.

- Por favor! Todo mundo mente!

- É mesmo, Sr. Uchiha?

O tom sarcástico deixava claro que Sakura não acreditava em uma única sílaba pronunciada por ele. Sasuke, porém, não estava acostumado a ter sua credibilidade posta em dúvida. E não gostou daquela situação, nem um pouco.

- Você acredita mesmo em toda essa tolice? - ele perguntou à mãe, tentando livrar-se da desagradável sensação de embaraço.

- Sakura me mostrou uma fotografia de Ino, meu filho. E devo dizer que ela é uma das mais belas moças que já vi.

- Está insinuando que eu não resistiria? É isso?

- Muitos homens não poderiam, Sr. Uchiha - Sakura interveio. - Muito menos quando Ino imaginava-se apaixonada por eles. Ela me confessou que sentia-se assim em relação a você, um pouco antes de Megumi ter sido concebida, no mês de outubro do ano passado. E, quando Ino se apaixonava por um homem, não havia nada que ela não fizesse por ele.

"Ao contrário de você", Sasuke concluiu ao ver o frio semblante feminino. "Nunca seria escrava de homem nenhum..." O que apenas fazia com que Sakura parecesse ainda mais atraente.

A descoberta daquele estonteante e incontrolável desejo não foi nem um pouco agradável para ele. Seus hormônios ao que tudo indicava, insistiam em não dar ouvidos à razão. Tudo bem, ele gostava de mulheres que representavam um desafio, mas aquilo era ridículo. Aquela jovem em especial o desprezava, e era de uma perversidade assombrosa desejar alguém que deixava claro a cada segundo que ele seria o último na face da terra com quem desejava ir para a cama.

- Eu repito - Sasuke disse, tentando se controlar. - Dormi apenas uma vez com Ino, e usei proteção. Foi no último dia em que ela trabalhou como minha secretária. Seu namorado a havia abandonado por outra mulher, e Ino estava muito triste...

- Então você a confortou, não é? - Sakura disparou, num tom ainda mais cáustico.

Os olhos de Sasuke fixaram-se nos dela, e mais uma vez algo aconteceu em seu interior. Uma sensação profunda e perigosa. Alguma coisa que o tornava incapaz de controlar os próprios pensamentos. Era um desejo de fazer aquela mulher que demonstrava tanto desprezo por ele implorar por seu toque. O momento de hesitação desapareceu logo, mas Sasuke ainda se sentia incomodado por haver perdido a paciência. Era necessário que tomasse o pulso daquela situação. E de seu próprio corpo. Ou será que sua mente estava começando a lhe pregar peças? Não, não. Não era sua mente. Era aquela mulher.

- Pode-se dizer que sim, Sak.

- Meu nome é Sakura, Sr. Uchiha. Nada de apelidos ou diminutivos, sim? - Ela ajeitou os cabelos e voltou ao assunto: - Preservativos podem falhar, você sabe.

- Não os que eu compro.

As sobrancelhas dela arquearam-se numa expressão zombeteira.

- Não conheço nenhuma marca 100% infalível.

Sasuke também não, mas não estava disposto a ceder um milímetro sequer em nenhuma discussão que envolvesse a Srta. Haruno.

- Quando e onde eu posso fazer esse teste? - ele perguntou determinado a desaparecer dali o mais rápido possível.

- Liguei para um médico - Mikoto se adiantou. Ele informou que, se você e Megumi forem ao laboratório na segunda-feira de manhã, retirará as amostras de sangue, e as enviará imediatamente. Mas, já que este não é um caso criminal, ou urgente, demorará cerca de duas semanas para sair o resultado.

- É lógico que podem ser mais breves do que isso!

- Você pode pedir, eu acho, mas duvido que isso faça alguma diferença. Pelo que entendi, o número de testes de DNA cresceu muito, e é dada prioridade a emergências reais, como trabalhos de perícia, coisas do gênero. Por conta disso, convidei Sakura e Megumi para ficarem hospedadas conosco. Ela estava trabalhando e vivendo em Suna, no ano passado, e não tem nenhum lugar decente para ficar em Konoha, apenas aquele quartinho onde Ino morava.

- Não acho que essa seja uma boa solução, okaasan. - Sasuke ficou satisfeito por conseguir não demonstrar o pânico que aquela idéia lhe provocava.

- Por que não filho?

- Por uma razão muito simples: você pode ficar muito ligada à criança nesse período. Como acha que vai se sentir quando descobrir que ela não é sua neta?

Mikoto encarou-o, imperturbável, como se guardasse algum segredo.

- Eu suportarei, se e quando isso acontecer. Mais alguma objeção?

- Não queria parecer pedante, mas você não sabe nada sobre Ino, exceto o que Sakura lhe disse. Pelo que sabemos até agora aquela menina pode ser de qualquer um!

Na verdade, tal pensamento não lhe ocorrera antes, mas agora que Sasuke começara com a bravata, era melhor ir em frente.

- Assim como não conhecemos esta mulher! - Ele apontou Sakura. - Convidar uma estranha para sua própria casa sem checar sua história com fontes confiáveis não é apenas ingênuo, mas uma enorme estupidez!

Os olhos de Sakura estreitaram-se diante da afirmação ofensiva de Sasuke. Certo, então era guerra!

Ignorou a expressão intimidante daquele homem que parecia querer estrangulá-la. Fora capaz de suportar a farsa daquele pretenso ultraje, e até ouvira os menores detalhes daquelas mentiras sem rir.

Mas Sasuke Uchiha estava indo longe demais. Primeiro chamara Ino de mentirosa, e agora também a acusava de coisa pior, tentando colocá-la no papel de uma vadia. Entretanto, nada mudava o fato de que Sasuke Uchiha era o pai de Megumi, e de nada iria adiantar negar suas responsabilidades paternas pela segunda vez!

- Esperava poder evitar o envolvimento de advogados nessa história – Sakura murmurou, controlada, com as pupilas soltando chispas. - Achei que poderíamos encontrar algum arranjo amigável com relação à situação de Megumi, mas agora vejo que estava sendo otimista demais. Sinto muito, Sra. Uchiha.

Sorriu para a avó de Megumi. - Adoraria ficar aqui em sua companhia. Posso ver que é muito diferente de seu filho, pois é óbvio que é uma boa pessoa, mas isso não vai funcionar.

- Oh, vai sim! - Mikoto assegurou com firmeza, fazendo Sakura piscar, atônita. - Esta é minha casa, e eu a hospedarei aqui se quiser. Se não gostar, Sasuke, então é você quem terá de sair. Talvez seja mesmo hora de encontrar um lugar para si mesmo. As hipotecas já foram quitadas há anos. E pense bem... Se viver sozinho, não vai ter de se preocupar mais com meus esforços de casamenteira.

Hipotecas? Casamenteira?

Sakura estava adorando ouvir tudo aquilo. Pelo visto, a vida na mansão dos Uchiha nem sempre era uma experiência tranqüila.

- Ótimo! - Sasuke já estava virava para sair quando o bom senso retornou a Sakura. Não era aquilo o que ela queria. Não mesmo!

- Não, espere! – interrompeu-o com a urgência de seu chamado. - Sra. Uchiha, por favor, não quero causar nenhum problema entre a senhora e seu filho.

Era verdade. Não havia nenhuma vantagem naquilo, nem para ela, nem para Megumi. E, por mais que desejasse retirar o escalpo daquele insolente, tal atitude não a levaria a lugar nenhum. E quanto a ameaçá-lo com um processo... Sakura não queria tomar aquele caminho também. Casos no tribunal tomavam muito tempo e dinheiro, e ela não dispunha de nenhum dos dois. O seguro que Ino deixara até rendera uma quantia razoável, mas Sakura colocara tudo em uma conta especial, pensando na futura educação de Megumi. Suas próprias economias haviam se reduzido a quase nada depois que pagara as despesas do funeral.

Para piorar as coisas, a profissão de atriz não era das mais rentáveis que podiam existir. A cautela lhe dizia que a conciliação era o caminho a seguir, não a confrontação. Já conquistara o apoio da mãe dele. Era hora de lançar mão de uma cartada mais esperta. Respirando fundo para se recompor, teve de recorrer a seu talento dramático mais uma vez.

- Seu filho tem razão, Sra. Uchiha - Sakura ponderou, soando bastante convincente. – Eu poderia ser qualquer uma. Claro que tenho meus documentos comigo, mas suponho que isso não seja o bastante. Pelo que sei, vigaristas e estelionatários conseguem falsificar coisas assim com muita facilidade. Contudo, posso lhe fornecer vários números de telefone para que cheque minha identidade. Amigos, empregadores e até mesmo o advogado que cuidou do testamento de Ino. Ficarei feliz se você também checar minhas referências, Sr. Uchiha. - Ao dizer aquilo, Sakura esforçou-se para não parecer sarcástica demais.

- E, quanto a Megumi, é lógico que posso provar quem ela é, pois trouxe sua certidão de nascimento comigo. Também tenho as chaves do apartamento de Ino onde há documentos pessoais que podem ajudar a provar o que contei ao Sr. Uchiha hoje. Mostrarei tudo o que quiser, Sra. Uchiha.

Sasuke não saltou de alegria diante daquela oferta. De fato, parecia bastante relutante, e permanecia num silêncio impenetrável. Sakura suspirou. Não estava conseguindo muito humilhando a si mesma.

- É justo, Sasuke - a mãe dele interveio. - Sakura não pode fazer muito mais do que isso, não é? Veja bem, por que não a leva até o apartamento de Ino logo após o jantar? Dessa maneira, poderá começar a tirar suas dúvidas já, além de trazer para cá tudo o que Sakura precisar para si e para Megumi.

Os músculos do pescoço de Sasuke retesaram-se. Era evidente que ele não queria levá-la a lugar nenhum. Desejava era manter distância dela e de Megumi. "Isso não é nada bom", Sakura pensou. Seu olhar devia trair sua raiva, ainda que tentasse manter suas emoções sob rédeas curtas. Uma atriz devia ser capaz de fazer isso, mas quando estava tão nervosa, sempre acabava falhando.

- Não poderei dizer uma palavra a respeito disso tudo, não é? - Sasuke dirigia-se a Mikoto, deixando bem clara sua frustração. - Apenas não me culpe depois se as coisas não funcionarem da maneira que você quer.

Sasuke suspirou. - Imagino que Temari não virá nos visitar, certo?

- Não querido. - Uchiha Mikoto voltara a demonstrar placidez. - Preferi deixar nosso encontro para outra ocasião.

- Bem, tenho ao menos este consolo. Quem poderia dizer que eu ficaria grato a esse fiasco por algum motivo?

- Sakura não reagiu à palavra "fiasco", mas mordeu a língua. Desconfiava que teria de fazer aquilo muitas vezes quando estivesse ao lado daquele homem. O relacionamento entre os dois começara errado, e ter de lidar com Sasuke lhe provocava todas as reações irracionais possíveis. A verdade é que nunca gostara de homens grandes. Chegava a sentir-se nervosa e intimidada algumas vezes, como se fosse pequena e vulnerável. Sabia que era uma tolice, já que era bastante alta.

Entretanto, Uchiha Sasuke era mais alto que a maioria dos rapazes com quem lidava, e parecia ainda maior naquele espaço confinado. Com certeza tinham mais de um metro e noventa, e devia pesar uns noventa quilos. Não era parrudo, mas seus ombros eram largos, e os braços, muito musculosos. Sem dúvida era bem grande, sem falar intimidador...

- Vou precisar tomar banho e me trocar. - Sasuke, com esforço, desviou a atenção da curva dos seios de Sakura. Quando fitou a mãe, notou que estava sendo observado com interesse. - A que horas pretende servir o jantar?

- Um pouco mais cedo, creio. Matsuri já deixou tudo preparado antes de ir embora. Pode ser às sete e meia?

- Ótimo. - ele murmurou e deu-lhes as costas, tornando a subir as escadas e desaparecendo em seguida.

Uma porta bateu no andar superior logo depois, e Sakura deixou escapar um suspiro exasperado antes que pudesse pensar melhor na situação. A Sra. Uchiha aproximou-se e deu-lhe um tapinha leve no ombro num gesto de conforto.

- O diabo não é tão feio quanto parece, minha querida. Na verdade, acho que você se saiu muito bem em toda a situação, enfrentando-o daquela forma. Mencionar a possibilidade de processá-lo foi uma excelente tacada. Tenho certeza de que enfrentar um processo de paternidade em uma corte não é uma idéia que agrade Sasuke nem um pouco. Significaria uma enorme perda de tempo, e ele é paranóico por trabalho, entende? Pessoas assim não se importam com mais nada a não ser trabalhar. Isso também explica por que meu filho teve um caso com sua amiga. A única mulher que vê com regularidade é sua secretária.

- Não acho que ele esteja tendo um caso com a atual - Sakura observou pensativa, fazendo a Sra. Uchiha dar risada.

- Tenho de concordar com isso. De qualquer forma, achei estranho. Sasuke ser tão veemente ao negar o caso com Ino. Por que falar que só dormiu com ela uma vez se não é verdade?

Sakura não queria chamar Sasuke de "mentiroso descarado" na frente de sua própria mãe. Mas tinha sólidas evidências de que ele dormira com Ino mais de uma vez.

- Não faço idéia, Sra. Uchiha.

- Não poderia haver outro homem?

- Oh, não! Não que eu soubesse. Lógico que Ino vivia apaixonada, mas por um rapaz de cada vez, e ela estava louca por seu filho outubro do ano passado. Acredite quando lhe digo que não poderia haver mais ninguém naquela época. Quando Ino amava, era de maneira exclusiva, e até mesmo obsessiva.

- Tudo bem. No entanto, por que Sasuke também afirmou que Ino não o procurou para falar sobre a gravidez? Meu filho não é um santo, mas costuma ser honesto.

Aquela mulher não conseguia encarar o fato de que seu filho podia mentir sem fazer a menor cerimônia.

- Bem, Sra. Uchiha, eu não saberia dizer - Sakura murmurou. - Talvez Sasuke não quisesse parecer ruim a seus olhos. Não sei o que se passa pela cabeça de seu filho, mas não tenho dúvida de que é o pai de Megumi, e o teste de DNA provará isso.

- Oh, sim! Agora concordo com você. E para ser franca também não tenho dúvidas sobre isso.

- A senhora não tem? - Sakura se surpreendeu.

- Céus, não! - Mikoto sorriu. - Megumi é a perfeita imagem de Sasuke quando era um bebê. Notei isso de imediato. Ele era um nenezinho lindo. E foi um garoto bonito também. Até que a puberdade lhe deu essa figura mais intimidadora.

Era difícil para Sakura encontrar alguma semelhança. Ela sempre achara Megumi parecida com Ino. De qualquer forma, não conhecera Sasuke quando ele era criança.

- O que acha que Sasuke fará quando chegarem os resultados do teste de DNA e ele não puder mais negar que é o pai, senhora?

Mikoto suspirou. - Devo admitir que não vai ficar nada satisfeito. Porém, tenho esperança de que vai superar.

- Fico imaginando se ele...

Sakura estava umedecendo os lábios quando percebeu o olhar atento com que Mikoto a observava.

- Você tem namorado, Sakura? - perguntou com fingida inocência, quase fazendo Sakura rir.

Se a mãe de Uchiha Sasuke estava tendo a idéia que ela imaginava, então era melhor pensar direito. O inferno congelaria antes que se interessasse por aquele homem. "Ou por qualquer outro, para ser mais exata." Mas ainda não era o momento para revelar aquilo pelo qual Ino sempre a criticara: sua falta de habilidade para amar ou confiar no sexo oposto. Graças a seu passado familiar, Sakura achava que sua atitude negativa em relação aos homens era justificável. Chegava até mesmo a ficar surpresa pelo desprendimento da amiga em relação a esse assunto.

Sakura não podia deixar de ser cínica nessa área. Não que fosse virgem. Dormira com alguns namorados, mas nunca por amor. Era como se quisesse saber como atuar em cenas de sexo. No fundo, também por ter ficado curiosa de todo o burburinho que se fazia a esse respeito. E ainda não fazia a menor idéia da razão para tanto estardalhaço.

- Não senhora, nenhum namorado no momento.

A resposta agradou à avó de Megumi.

- E existe alguma razão que a force a voltar para Suna? Você me contou que o papel que fazia naquela novela terminou...

- Por enquanto, sim. Mas se o público sentir minha falta os roteiristas vão ter de me incluir no enredo outra vez.

- Não pode conseguir trabalho como atriz aqui em Konoha?

- Infelizmente a maioria das companhias produtoras está concentrada em Suna...

- Sei...

- Por favor, não se preocupe, Sra. Uchiha. Megumi é minha prioridade número um no momento, não minha carreira. Se tiver que permanecer em Konoha, farei isso.

Na verdade, Sakura estava desiludida com a própria opção profissional. Aquele trabalho não estava lhe trazendo o prazer e a satisfação que um dia imaginara. Estava sendo mais feliz ao colocar tudo de lado por algum tempo para cuidar de Megumi.

Uchiha Mikoto sorriu, e Sakura pensou em como Megumi era afortunada por ter uma avó como aquela.

- Sabe de uma coisa? Você precisa parar de me chamar de Sra. Uchiha. Meu nome é Mikoto.

- Mikoto - Sakura repetiu, sorrindo.

- Maravilhoso! Agora é melhor fazer os preparativos para o jantar, antes que aquele rabugento desça.

Foi necessário um grande esforço para que Sakura não gargalhasse. "Rabugento" era uma palavra que descrevia Uchiha Sasuke à perfeição. Homens como ele não gostavam que mulheres provocassem turbulências em seu caminho.

- Posso ajudar de alguma maneira, Mikoto?

- Não querida, obrigada. Está tudo bem. Por que não vai até o banheiro no fim do corredor e se refresca um pouco antes do jantar?

- Certo. Farei isso.


Já viram, né? Sasuke adorou as curvas da Sakura, mas detestou a garota.

Já a Sakura detesta homens em geral... mas vocês já imaginam que logo ela vai mudar de idéia, rs.

Tá, o enredo não é surpreendente nem criativo, mas os clichês românticos são sempre divertidos.

E vocês? Acham que Megumi é ou não filha do Sasuke?

beijos

dai86