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bjs.
dai86
CAPÍTULO 6
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Sasuke optou por tomar um banho gelado. Com os dentes cerrados, experimentava alguma satisfação por haver conseguido recuperar o controle dos próprios hormônios. Mas por quanto tempo aquilo duraria, vivendo sob o mesmo teto com aquela mulher? Droga! Nenhuma garota lhe provocava aquela sensação indesejável desde a adolescência. Era pura luxúria. "Nem mesmo pense nela", advertiu-se, girando o registro e aumentando ainda mais a força da ducha.
Mas ele tinha de pensar nela e em toda aquela situação. Certo, então não era uma tramóia. Talvez Sakura não fosse uma vigarista. Mas ela estava enganada se acreditava que ele era o pai daquele bebê, porque isso era impossível.
Bem... não 100% impossível, Sasuke concedeu com relutância. Sakura estava certa, nem sempre os preservativos funcionavam. Mas a probabilidade era de menos de 1%. Por outro lado, se Ino acreditasse mesmo por um momento que ele podia ser o pai de Megumi, teria aparecido para lhe contar. Mas não fizera isso! Não, Megumi não era sua filha. Ino sabia disso.
Mas mesmo assim, Sakura acreditava no contrário. O que podia significar que Ino mentira para sua melhor amiga. Por que as pessoas mentiam? Por vergonha? Para proteger alguém? Talvez o pai do bebê fosse um homem casado. Podia até mesmo ser alguém que trabalhava na Uchiha & Associados...
Sasuke arqueou as sobrancelhas e inclinou a cabeça para trás, enxaguando os cabelos. Precisava descobrir a verdadeira identidade do pai do bebê. E rápido, antes que sua mãe ficasse ligada demais à criança, e, sobretudo, antes que ele ficasse louco de desejo por Sakura.
Maldição! A simples idéia de ter aquela beleza sob seu teto durante as próximas duas semanas lhe provocava calafrios. Aqueles fantásticos olhos, os lábios carnudos, os seios firmes e redondos... Sasuke gemeu. Pelo visto, tudo de que precisava era lembrar-se dela para sentir-se uma ereção. E a água fria não estava mais funcionando tão bem.
Vinte minutos mais tarde, após vestir calça jeans e uma camisa pólo azul, um ainda agitado Sasuke desceu as escadas. Nem tinha se preocupado em fazer a barba, e seus cabelos úmidos mostravam-se um tanto desalinhados por terem sido penteados apenas com os dedos.
Pelo menos o jantar não seria tão ruim concluiu enquanto atravessava o hall. Ele se sentaria e evitaria os olhares das duas mulheres. Mas não lhe agradava imaginar-se levando Sakura a algum lugar depois. Ficar a tão pouca distância daquela jovem podia ser muito perigoso. Também não lhe parecia nada interessante ter de se defender quando sabia que era inocente. Ora, o que fizera para merecer tudo aquilo? Fora um bom sujeito por toda a vida, não? Um bom filho, bom irmão, bom amigo... Não usava drogas, não bebia em excesso. Não enganava os clientes, trabalhava duro e doava dinheiro para caridade.
E o mais importante de tudo: jamais fora um sedutor sem coração. E não havia engravidado nenhuma de suas secretárias!
Ao ouvir o som de vozes femininas vindo da cozinha à direita, Sasuke virou para a esquerda, indo para a sala de jantar. Lá chegando foi direto para o bar, servindo-se de uma dose dupla de uísque. Em algumas ocasiões apenas um drinque conseguia acalmá-lo.
- Não beba isso, Sasuke.
O copo parou a poucos milímetros de seus lábios. Ele olhou sobre o ombro e viu que Mikoto se aproximava carregando uma travessa.
- Por que não, okaasan?
- Vai ter de dirigir depois do jantar, lembra-se? Além disso, peguei uma garrafa do seu vinho favorito para acompanhar a refeição. Não pode misturar bebidas, senão passará dos limites.
- Vou tentar me lembrar disso - zombou, sorvendo um grande gole.
O álcool ainda não tivera tempo de agir quando Sakura entrou. Ajeitara os cabelos, enquanto ele tomava banho, e seus lábios pareciam mais rosados do que nunca. Era uma visão deliciosamente convidativa. Naquele exato momento, Sasuke sentiu vontade de tomar mais uma longa e demorada ducha gelada. Exasperado, desviou o olhar e sorveu o resto da bebida de uma só vez.
Sakura observou a maneira como Sasuke bebia sem sentir a menor simpatia. Se havia um homem no mundo que parecia culpado, seu nome era Sasuke Uchiha. Imaginar-se sozinha com ele mais tarde não lhe fazia bem algum. Não que Sakura acreditasse de verdade que haveria alguma tentativa de aproximação. Era uma sensação profunda e irritante que a atormentava. Algo que ela não queria admitir.
"Por que ele não podia ser como os namorados costumeiros de Ino", perguntou a si mesma. "Talvez porque ele não tenha sido namorado dela", uma aborrecida voz interior lhe respondeu. E se Sasuke estivesse sendo sincero? E se tivesse dormido com Ino apenas uma vez? Será que era possível que o pai de Megumi fosse outro?
Não, não podia ser, concluiu de imediato. A própria Ino lhe dissera que seu chefe, Sasuke Uchiha, era aquele por quem estava apaixonada. E com quem dormira. Também vira todos aqueles cartões de flores entre as coisas de Ino, com pequenas mensagens íntimas, todas assinadas como "S".
Quais eram as probabilidades de Ino ter dois amantes trabalhando na Uchiha & Associados, e ambos com a inicial "S" em seu nome? Não, tinha de ser Sasuke. E só porque ele não se encaixava no tipo físico usual que Ino costumava escolher, isso não o inocentava de nada. Era mesmo o pai de Megumi. Ponto final.
Uma sucessão de pensamentos semelhantes ocuparam-lhe a mente durante todo o jantar. Estava terminando seu prato quando um choro agudo a fez voltar à realidade. Sakura, de um salto, ergueu-se da cadeira. - O bebê! - E então saiu da mesa apressada. Sasuke olhou para o teto, o que provocou um gesto de censura de sua mãe.
- Eu me acostumaria ao som se fosse você, filho.
- Quantas vezes vou ter de dizer que aquela menina não é minha? - ele murmurou com um suspiro.
Mikoto riu. Depois se levantou, e continuou rindo. Também deixou o recinto. Sasuke balançou a cabeça. "Mulheres... Nunca dão o braço a torcer."
Mikoto se recusava a aceitar a advertência. Não queria ouvir a voz da razão, e a de seu próprio filho. Preferia ser envolvida por um monte de mentiras perpetradas por uma completa estranha. E aquela completa estranha voltou logo depois para a mesa, carregando a agora quieta criança no colo, acariciando-a nas costas.
- Sim, querida. Sei que você está faminta e molhada. Só preciso... Oh! - Sakura deixou escapar um gemido ao notar que estava sozinha com ele na sala. - Onde está Mikoto?
- Não faço a menor idéia - Sasuke disse, com frieza. - Achei que tinha ido com você ver o bebê.
- Preciso saber onde ela colocou as fraldas descartáveis que comprou. Por, que não segura sua filha enquanto vou procurá-la?
Uma expressão horrorizada foi a única resposta que Sakura recebeu.
- Megumi não morde, fique tranqüilo - Sakura zombou dele ao colocar o bebê nos braços de Sasuke. Se ela chorar, apenas caminhe um pouco por aí e a embale. Megumi adora isso.
- Mas... mas...
Porém, Sakura já havia partido. Os lábios dele se estreitaram quando olhou o nenê que tinha nos braços. Dois grandes olhos azuis estavam fixos nos dele, e o semblante da menina era, sem sombra de dúvida, adorável.
- E então, menininha? Você também é uma vigarista como sua mãe adotiva? Se Sakura acha que essa tática vai funcionar, está redondamente enganada!
Espantada pela entonação grave e masculina, Megumi remexeu-se, agitada, começando a chorar em seguida. As sobrancelhas de Sasuke arquearam-se. Como uma coisinha doce e pequena como aquela podia fazer tanto barulho?
Num instante se pôs de pé, caminhando pela de lá para cá e embalando o bebê como um louco. Resolveu até mesmo conversar com Megumi, para ver se conseguia acalmá-la.
- Vamos, vamos. Não chore... Não queria fazê-la chorar, e não estou zangado com você. Esta é uma situação absurda. Acho que não está acostumada a ouvir homens falando, não é? Conversarei com mais suavidade com você no futuro, eu prometo...
Entretanto, nada parecia funcionar, e os gritos ficavam cada vez mais altos, como se aquilo fosse possível. Para piorar a situação, Megumi estava muito agitada.
- Vejo que você não tem muito jeito com crianças, - Mikoto comentou, divertida quando tornou a entrar, tomando a neta dos braços dele. - Deixe-me mostrar como é. Bebezinhos gostam de serem abraçados com força, para sentirem-se seguros e confortáveis.
Toda a choradeira cessou como por encanto, e instantes depois os grandes olhos azuis de Megumi encaravam Sasuke apenas com curiosidade.
- Viu?- Mikoto deu de ombros.
- Sim okaasan, eu vi: Todas as mulheres usam lágrimas para conseguir o que querem... desde a mais tenra idade. Irei até lá em cima fazer um telefonema. Diga a nossa hóspede para estar pronta em cinco minutos. Não quero passar toda a noite fazendo isso. Já são nove horas, e pretendo sair mais tarde.
- Vai aonde?
Sasuke a encarou com desagrado.
- Kaasan, eu tenho 33 anos. Não me trate como se eu fosse um colegial. Mas, se quer mesmo saber, vou ver minha namorada.
- Sua namorada?
- Isso mesmo.
- Mas você nunca mencionou que tinha uma. Pelo menos... não de uns tempos para cá.
- Não desconfia por quê? - indagou, com desdém.
- Não seja cínico - Mikoto retrucou.
Sasuke decidira que chegara a hora de dar as cartas, sem deixar margem para dúvidas. Já passara por maus bocados por deixar sua mãe atirá-lo para moças como Nara Temari. Tinha suportado aquilo por algum tempo porque não queria fazê-la desistir de todas as suas esperanças de uma só tacada. O fato de Itachi ter escolhido viver em um mosteiro deixara Mikoto bastante irritada. Mas agora já era o bastante.
- Okaasan - ele começou com firmeza - você conhece meus sentimentos sobre casamento e crianças. São coisas que não me dizem respeito. Sei que acha que vou mudar de idéia um dia, mas isso não acontecerá. Entendo que também pensa que vou me apaixonar um dia, mas não vou.
- E essa sua namorada sabe disso? - Mikoto quis saber, com presença de espírito.
- Pode crer que sim.
- É uma namorada estranha.
- Tayuya me compreende. Nós temos um... arranjo.
- Isso deve significar que vocês usam um ao outro para fazer sexo.
Um suspiro escapou dos lábios dele.
- Eu não colocaria as coisas desse modo.
- Então, como colocaria?
- Nós... somos amantes.
- Não, não são. Aliás, amor não tem nada a ver com o que vocês estão fazendo um com o outro.
A crítica de sua mãe calou fundo. Sasuke ressentiu-se pelo fato de ela querer fazê-lo ter vergonha do que era na verdade um relacionamento muito prático e sensível. Não estava ferindo ninguém. Muito menos Tayuya.
- Seu ponto de vista é muito antiquado - ele disparou, virando-se para sair dali.
Para seu martírio, porém, encontrou Sakura parada à soleira da porta que dava para o corredor, com uma mamadeira em uma das mãos e uma fralda na outra.
Quanto da conversa ela teria ouvido?
Se sua expressão chocada significava algo, então toda sua relação com Tayuya já não era mais segredo para ela.
- Se vocês me derem licença... - E Sasuke passou por ela, desaparecendo em segundos.
Cinco minutos mais tarde Sasuke retornou, dessa vez com seu equilíbrio restaurado e o bom humor presente. Tayuya estaria esperando por ele. E, entre todas as pessoas que conhecia, era a única que ficaria feliz por vê-lo. A bela e sexy Tayuya... Seria bem mais fácil se todas as mulheres fossem iguais a ela!
Pra quem não se lembra, em Naruto, Tayuya era aquela kunoichi de Oto de cabelos cor de rosa.
Vocês vão conhecê-la logo nessa fic, rs.
beijos
dai86
