Ah, gente. Me sinto obrigada a defender a Sakura. Como leitoras, nós sabemos de tudo o que se passa na cabeça das personagens, mas vejamos do ponto de vista da Sakura...
Sasuke é o sujeito que seduziu, engravidou e abandonou sua amiga Ino, e depois mentiu sobre isso na frente da própria mãe (Sakura tem certeza disso). Visto o tipo de relacionamento com Tayuya, não é difícil de imaginar que seja um mulherengo que transa com todas as mulheres por aí. Tudo o que ela sabe é que ele é bonito e sedutor, e ela acabou cedendo. Depois disso acabou se sentindo como mais uma idiota que caiu na rede. E sabemos que Sakura tem problemas em confiar nos homens.
Eu achei a reação dela até natural. Bem, veremos como Sakura reage quando conhecer melhor o moreno. Rs.
bjs!
dai86
CAPÍTULO 12
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Sasuke resmungou algo para si mesmo assim que ouviu a batida da porta, e entrou em seus aposentos. Nunca fora um homem de extremos até encontrar a Srta. Haruno Sakura, e aquela explosão emocional o incomodava.
- É sempre muito excitante da primeira vez - ele a imitou, cerrando os dentes.
Sakura conseguira atingi-lo em cheio. Então, ela sempre experimentara grande prazer no sexo... Bem, assim como ele!
Mas o que acontecera entre os dois não fora apenas isso, mas sim uma grande experiência, uma combinação de algo emocional e físico. Pelo menos era o que sentia.
Era óbvio que Sakura não tinha sensibilidade o bastante para notar a diferença. Caminhou irritado pelo quarto, de um lado para o outro. Chamou-a de todos os nomes impronunciáveis que conhecia. Quando não conseguiu pensar em mais nada, sentou-se na beira da cama. Nem adiantava tentar dormir, ele sabia. Sendo assim, levantou-se e foi até o computador, que mantinha no dormitório.
- O melhor mesmo é trabalhar - murmurou, sentando-se. Sua mente, porém, parecia incapaz de fugir dos devaneios. Primeiro, lembrou-se de Sakura, o que o fez olhar para a cama e examinar todo o amplo aposento. Aquele sempre fora o quarto principal da casa. Mas, depois que seu pai morrera e Sasuke voltara a viver com a mãe, Mikoto insistira para que se instalasse lá. Após muito discutir, Sasuke acabara concordando.
Tinha de admitir que era o único quarto da mansão que possuía espaço suficiente para instalar um pequeno escritório, além de toda a mobília habitual. Mas a idéia de dormir na cama de seus pais havia sido muito desconfortável. Por trás da porta, Sasuke ouvira muitas discussões naquele lugar. E conhecera uma jovem arrumadeira que se tornara amante de seu pai sob aquele mesmo teto.
Só Deus podia saber quantas outras ele tivera...
Para sepultar tais recordações, e com a permissão de Mikoto, Sasuke doou toda a mobília para caridade, e comprou uma cama nova, que mandou fazer sob medida numa carpintaria local.
Agora, uma das paredes tinha práticos armários embutidos. A outra servira para que instalasse seu escritório compacto, com um computador ligado ao sistema da empresa. Completava o conjunto eletrônico uma televisão, o DVD e o aparelho de som. Não que Sasuke usasse muito aquelas coisas. Mas elas estavam lá, para um caso de necessidade.
O aposento de Mikoto ficava no andar de baixo, onde no passado fora o escritório de Fugaku, seu pai. Ela quase nunca subia para os quartos, e Sasuke pagava uma faxineira, que aparecia todas as segundas e sextas-feiras para fazer a limpeza pesada, bem como lavar a roupa.
A cozinheira, Matsuri, vinha todas as tardes por algumas horas. Aquele era um dinheiro bem gasto, em sua opinião. Assim, Mikoto ficava com tempo livre para praticar jardinagem, que tanto adorava.
Ao pensar na mãe, sua memória voltou ao que descobrira no fim de semana. Não pretendia contar nada a Sakura, por enquanto, mesmo que fosse só por teimosia. Mas desejava muito que Mikoto soubesse. Por isso, desceu as escadas, minutos depois, servindo-se de uma taça de vinho e sentando-se em frente à TV da sala de estar, esperando pela chegada dela.
Pouco depois das onze, Sasuke ouviu o barulho da chave virando na porta da frente. Permaneceu onde estava, sabendo que a curiosidade de Mikoto a levaria até ele. - Oh, é você, querido... - Mikoto sorriu, parecendo um tanto decepcionada como se preferisse encontrar Sakura.
- Sim, kaa-chan. - Sasuke ficou amuado. - Seu filho adorado.
- Onde está Sakura? Por acaso foi incomodá-la em seu quarto?
- Lógico! Afinal, sou Sasuke, o Inconveniente, não é? Isso, sem mencionar os rótulos de sedutor implacável e canalha que abandona mulheres grávidas. Mas, respondendo a sua pergunta, Sakura está lá em cima. Por sorte, esta casa é grande o bastante para que não tenhamos de suportar a presença um do outro.
Mikoto suspirou. - Vocês discutiram de novo...
Sasuke quase sorriu. Se ela soubesse! – Pode-se dizer que sim.
- E sobre o que foi agora?
- Digamos apenas que Sakura e eu não podemos concordar em nada, mesmo que nossas vidas dependam disso.
- Megumi está dormindo?
- Imagino que sim. Já faz algum tempo que tudo está muito quieto por aqui.
- Acho que também vou me deitar. Estou exausta.
- Antes que faça isso tenho algo para lhe contar.
Mikoto encarou-o com um olhar questionador.
- É um pouco tarde para confessar tudo, você não acha? Já sei que é o pai de Megumi.
- É justo sobre isso, okaasan: não sou eu. O verdadeiro pai é Nara Shikamaru. Andei investigando no fim de semana, e descobri que Ino teve um caso com ele.
- Oh, Sasuke, Sasuke... - Mikoto meneou a cabeça. - Colocar a culpa num homem morto é uma coisa muito feia de se fazer.
Sasuke mal podia acreditar no que ouvia. O que havia de errado com aquelas mulheres?
- Mas, okaasan, Ino dormiu com ele! Tenho certeza disso.
- E também com você, correto? Megumi é sua filha, querido. Acredite nisso.
- Mas ela nem mesmo se parece comigo.
- Não seja ridículo! Evidente que parece! Mas Megumi é apenas um bebê, e você está cego demais para enxergar alguma semelhança.
Sasuke fitou o teto. Não havia nenhuma esperança de convencê-la. Levantando-se da cadeira, dirigiu-se até Mikoto e colocou a mão em seu ombro.
- Okaasan, apenas não quero que saia magoada disso tudo.
- Mas como isso poderia acontecer? Sakura é uma garota adorável e generosa, com um excelente coração. Ela quer que eu e você façamos parte da vida de Megumi.
- Okaasan, por Kami! Será que não está me escutando?
Sasuke encarou Mikoto muito preocupado, mas podia ver nos grandes olhos negros dela que aquele assunto já fora colocado de lado.
- Sabe de uma coisa, meu filho? Quando me deparei com Sakura, parada à soleira de nossa mansão percebi que é seu tipo de garota. Você sempre gostou de mulheres voluptuosas. Os dois aliás são tão bonitos... Por isso, achei que a atração seria imediata. Porém, creio que estava esperando demais por pensar que podiam acabar se apaixonando e se casando.
- Casamento! Kami Sama! Será que todos por aqui ficaram malucos!
- Todos? De quem mais você está falando?
- De mim, kaasan. - Sasuke deu-lhe as costas, passando por ela em direção à escadaria. – De mim!
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Não está se sentindo bem, Sakura? - Mikoto quis saber, quando saíram do consultório. Sasuke se fora antes sem se despedir, rumando para o escritório em seu próprio carro, e por isso Sakura suspirara com alívio ao se ver sozinha com Mikoto.
O desjejum havia sido um pesadelo, assim como ter de sentar-se na sala de espera da clínica junto dele, esperando pela chamada do médico. Sasuke não dissera uma só palavra durante toda a manhã, nem mesmo enquanto a enfermeira tirava seu sangue e o de Megumi. Apenas um pouco mais tarde perguntara com frieza se o resultado poderia ser apressado, e o doutor respondera que faria o possível, mas duvidava que conseguiria algo antes de duas semanas.
Sakura, então, vira os lábios de Sasuke curvarem-se com desânimo, e soube que ele estava detestando tudo isso tanto quanto ela.
- Estou ótima, Mikoto - mentiu. - Apenas um pouco tensa. Fiquei preocupada de Megumi estranhar a clínica.
- Isso é compreensível, mas ela só chorou um pouquinho. Veja! - Acenou na direção do carrinho do bebê. - O anjinho já voltou a dormir.
- Sim, ela é uma boa menina... E bem dorminhoca.
- Para mim, parece que é você quem precisa de um bom sono.
- Sim - Sakura admitiu, num sussurro. - Não dormi muito esta noite.
- E eu sei por quê! Sasuke me contou.
Sakura gelou, e então encarou Mikoto. – Ele contou o quê?
- Que vocês discutiram outra vez.
- Ah... sim... Temo que isso seja verdade.
- Posso entender o quão irritada deve ter ficado sobre aquela história de Nara Shikamaru, querida.
- Nara Shikamaru? - repetiu confusa.
- O homem com quem Ino teve um caso, de acordo com Sasuke. Ele era o chefe do departamento de aquisições e estratégias de negócios da Uchiha & Associados. Casado, é claro. Não que isso impedisse Shikamaru de dormir com alguém. Ele era um verdadeiro sedutor, alem de ser muito atraente. Do tipo misterioso e charmoso... sabe como é.
Sakura arqueou as sobrancelhas. A descrição encaixava-se à perfeição no tipo que Ino sempre escolhia para se envolver. Mas por que aquele nome, Nara, a deixara sobressaltada?
- Pobre Temari... - Mikoto murmurou, fazendo Sakura compreender tudo. Shikamaru devia ser o marido de Temari, a mulher que fora convidada para jantar, na sexta-feira.
Sakura mordiscou o lábio inferior e começou a avaliar as possibilidades. O fato de o tal Shikamaru ser casado podia explicar por que Ino não queria revelar a identidade de seu amante. Talvez apenas tivesse usado Sasuke como um álibi perfeito.
- Você disse que Temari é viúva, não, Mikoto?
- Sim, Sakura, Shikamaru morreu num acidente de carro, no começo do ano. Perdeu o controle do veículo numa noite chuvosa e acabou batendo num poste.
Por um instante, Sakura tentou organizar todas aquelas informações. Quando, de súbito, percebeu algo mais: o nome Shikamaru também começava com a letra S. Todo o sangue desapareceu de seu rosto. - Kami... o que foi que eu fiz?" - sussurou pra si mesma.
- Mas nada disso interessa, você sabe - Mikoto continuava. - Fui bem direta com Sasuke. A pequena Megumi é filha dele, não adianta ficar apontando o dedo para outro sujeito. É melhor encarar a paternidade como um homem.
Uma estranha fraqueza fez os joelhos de Sakura fraquejarem.
- Eu... acho que é melhor me sentar um pouco, Mikoto. - Apoiou-se em uma mureta ao lado da calçada.
- Querida! - A Sra. Uchiha a encarou preocupada. - Você está branca como papel! Devemos ir logo para o carro. O ar-condicionado vai fazê-la sentir-se melhor. Está muito quente aqui fora. Deixe-me empurrar o carrinho de Megumi. Quando chegarmos em casa, é melhor você descansar um pouco. Cuidarei de Megumi, não se preocupe.
- Você é muito gentil. - Sakura, a muito custo, lutava par a controlar as lágrimas. Era aquilo o que Sasuke ia lhe contar? Ele dissera que não queria que sua mãe ficasse magoada, pois já sofrera muito na vida.
Sakura supôs que ele se referia ao fato de Mikoto ter perdido o marido, além de seu outro filho ter abandonado a família para viver como um monge. E agora Sakura aparecera, e alimentara as esperanças da pobre senhora sobre a neta que sempre desejara ter. Ela sentiu-se terrível. Simplesmente terrível!
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Sasuke caminhava de um lado para o outro no escritório. Sua auto-estima estava em frangalhos. Não conseguia nem se olhar no espelho. Comportara-se como um completo imbecil naquela manhã. Tratara a todas com absoluta frieza, agindo como uma criança mimada. E depois saíra da clínica sem trocar uma palavra até mesmo com sua mãe. Não era de estranhar que Mikoto o tivesse encarado com tanto desapontamento.
E quanto a Sakura? Ela nem parecia a garota que tinha entrado em sua vida na semana anterior, cheia de fogo e determinação. Esta manhã lhe parecera pálida e frágil, com profundas olheiras.
No caminho para o escritório, Sasuke tentara entender todas as nuances do comportamento daquela mulher. Algum detalhe parecia estar fora de lugar. Por algum estranho motivo, ele não acreditava que Sakura tivesse tanta experiência sexual quanto dera a entender. Afinal de contas, isso não combinava com a jovem que entrara em sua sala acusando-o de ser imoral.
Talvez ela estivesse representando. Era uma atriz, não podia se esquecer disso. Poderia estar evitando-o tanto porque tinha medo de ficar perto dele. Temendo o que poderia dizer, sentir ou fazer. Não tinha sido apenas sexo para Sakura, Sasuke concluíra enfim quando atingira o pedágio da ponte. Claro, essa era a resposta!
Quase passara direto pela cabine sem pagar, freando no último segundo, o cobrador o examinou com um olhar estranho, e Sasuke imaginou se o homem o reconhecera da vez anterior, quando Sakura estivera sentada a seu lado chorando três dias atrás.
Ela realmente possuía muitas razões para odiá-lo. Aceitou aquilo, deixando escapar um suspiro. Fora brutal desde o começo, primeiro a jogando pra fora do prédio escoltada por seguranças, depois a acusando de ser uma vigarista. Comportara-se de maneira rude e hostil, e criara todo tipo de dificuldade.
Para coroar tudo, quando achava que o que sentia não passava de um ataque inconveniente de luxúria, tentara aproveitar-se dela num momento de vulnerabilidade, e então, na noite passada, ao perceber que a atração era mútua, fizera amor com Sakura como se fosse um homem possuído sem nem mesmo protegê-la.
Não era de se estranhar que ela agora estivesse desesperada para se manter longe, a uma distância segura. Na verdade, Sakura fechara-se como uma concha. E agora ela não lhe daria mais nenhuma chance. Em duas semanas aquela moça linda estaria fora de seu caminho, e para sempre. Bastaria que o resultado do teste chegasse, comprovando que ele não era o pai de Megumi, e os dois nunca mais tornariam a se ver. Nunca mais.
A não ser...
Sasuke sentou-se à mesa e começou a elaborar um plano de ação. Como tinha pouco tempo, era melhor se apressar, e rápido!
Achei engraçada essa última parte. Isso porque não acredito que nenhum homem seja capaz de um insight desse, de entender o comportamento da Sakura. Muito menos alguém como Sasuke que se mantém longe de relacionamentos. Mas é legal pra ver o Sasuke se mexendo pra conseguir a Sakura pra si.
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dai86
