dai86


CAPÍTULO 14

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O táxi deixou Sakura no portão, onde Mikoto a esperava. No colo da senhora, Megumi remexia os bracinhos, feliz e sorridente.

- Como foram as coisas? - Mikoto quis saber, com seus expressivos olhos negros examinando com curiosidade uma ainda aturdida Sakura. - Você não me parece muito contente... Discutiu o que precisava com Sasuke?

A pergunta fez a mente de Sakura voltar à realidade. Qualquer problema pessoal que tivera com Sasuke era irrelevante no momento, já que agora o futuro de Megumi e a felicidade de Mikoto estavam assegurados.

- Sim, conversamos - confirmou, sorrindo ao estender os braços para pegar a criança. – Dessa vez nós tivemos uma conversa de verdade, e seu filho concordou que a possibilidade de ele ser o pai de Megumi em vez de Shikamaru é bem grande. Parece que Shikamaru só apareceu na vida de Ino depois que Megumi já fora concebida - Sakura improvisou, visto que não tinha permissão para mencionar a vasectomia.

Mikoto meneou a cabeça, impaciente.

- Ora, ora... Basta fitar de relance a pequena Megumi para ver que ela é filha de Sasuke. A menina parece ter os genes dos Uchiha estampados na testa.

No fundo, Sakura ainda achava que Megumi não era nada parecida com Sasuke. A semelhança física mais marcante era com Ino. Mas quem era ela para desmerecer o prazer daquela avó em potencial?

- Se meu filho fosse razoável, eu poderia ter apontado todas as evidências para que enxergasse de vez. Porém Sasuke estava insistindo em agir como um o tolo sem coração.

- Não posso imaginar Sasuke agindo como um tolo - Sakura murmurou enquanto o caminhavam para a residência.

- Ele decerto fez isso na sexta-feira - a Sra. Uchiha relembrou-a. - Mas você o enfrentou com garra.

Aquela frase fez Sakura conter um suspiro. Sim, com certeza ela o enfrentara. E como...

- Sasuke cultiva essa determinação ingrata de controlar tudo em sua vida, Sakura. Não tenho dúvida de que essa mudança de atitude nele significa que ainda tenta fazer isso. Hoje, na clínica, deve ter percebido que não adiantava continuar fingindo que não era o pai, já que o teste provará a realidade. Aposto que decidiu admitir isso primeiro, para sentir-se por cima, como sempre. Sasuke Uchiha tem de ser o chefe de tudo, entende? E quanto mais gentil e razoável ele parece, mais perigoso está sendo. Meu filho pareceu gentil e razoável hoje à tarde?

- Bem... eu... suponho que sim. De certo modo...

- Então, concentre toda sua atenção. Meu filho deve estar planejando como fazê-la agir exatamente como ele quer.

Os lábios de Sakura ressecaram-se assim que pensou no que Sasuke queria naquela noite. Mikoto abriu a porta da frente sem parar de falar: - Posso apostar que está tentando organizar sua vida de forma que Megumi não provoque nenhum incômodo na rotina. Logo vai pedir para que você se mude para cá de uma vez por todas, pois assim terá duas mulheres para cuidar do bebê. Sasuke será um pai responsável, mas não terá tempo disponível. Isso interferiria em seu trabalho.

Foi necessário algum esforço para que Sakura se concentrasse no que Mikoto estava dizendo.

- Nada pode interferir nos negócios de meu filho. Nem mesmo suas atividades "extracurriculares". Por que acha que eu não sabia nada sobre aquela tal Tayuya? O motivo é que Sasuke trata o sexo como se estivesse marcando visitas ao dentista... Só pode acontecer depois do horário de expediente, ou durante o almoço. Sim, você pode parecer chocada, mas já vi a fatura do cartão de crédito dele. O que mais poderia explicar contas em o quartos de hotel da cidade quando sei muito bem que Sasuke vem para casa todas as noites e trabalha no escritório o dia inteiro?

As duas estavam paradas no hall, diante das escadas. Os olhos de Sakura estavam arregalados, e seu coração acelerado. Se o que a mãe de Sasuke estava dizendo era verdade, então ela se encaixaria na vida dele com mais conveniência do que Tayuya. Afinal de contas, ele não teria nem mesmo de sair de casa para fazer sexo!

- Por acaso Sasuke já lhe pediu para se mudar para cá? - Mikoto indagou.

- Não.

A senhora fez um gesto afirmativo.

- Mas fará isso querida, pode esperar. E, quando fizer, qual será sua resposta?

Sakura concluiu que, a despeito da atitude crítica de Mikoto em relação ao filho, estava tentada a dizer "sim". E seria uma solução perfeita, tinha de admitir. Começava a apreciar aquele jogo de sedução, embora não quisesse admiti-lo em voz alta.

Recusava-se a chamar aquilo de amor. Ino sempre se referia a seus romances como "casos de amor", mas o tempo sempre provara que estava errada.

- O que eu diria? - sussurrou, suspirando diante da fraqueza da própria carne. - Aceitaria, acho.

Os lábios de Mikoto curvaram-se num sorriso.

- Era essa a resposta que eu esperava ouvir. Agora, me dê Megumi e vá lá para cima dormir um pouco. Você parece cansadíssima, querida.

- E estou, Mikoto.

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Sasuke sentiu-se alarmado quando voltou para a residência, naquela noite. Sakura se comportava de maneira estranha, ficando tensa a cada vez que ele tentava se aproximar. Parecia evitar de propósito ficar a sós com ele, usando o bebê ou Mikoto como escudo e impedindo-o de falar-lhe, ou mesmo trocar um simples beijo.

E Sasuke queria beijá-la. Como queria...

Os três se sentaram para jantar às sete e meia, com o carrinho de bebê ao lado da mesa. Ele mesmo insistira naquilo, tentando impressionar Sakura com aquele súbito ataque de atenção paternal. Mas ela não parecia impressionada, permanecendo distraída e tensa durante toda a refeição.

- Conseguiu descansar hoje à tarde? - Sasuke quis saber quando Mikoto se levantou para apanhar o café. De imediato os ombros de Sakura se encolheram e ela desviou o olhar.

- Só um pouco...

- Sakura, - o que está acontecendo? - ele perguntou, e só escutou o silêncio. - Foi algo que eu fiz? Ou então, algo que não fiz?

Ela balançou a cabeça.

- Por acaso essa é sua forma de dizer que não quer ir a meu quarto mais tarde?

Ao virar-se para encará-lo, Sakura tinha os olhos arregalados e brilhantes.

- Seu quarto? - perguntou com voz rouca.

Qualquer medo que Sasuke sentira de não ser mais desejado foi afastado de imediato. A expressão naquele rosto adorável lhe informava que Sakura estava tão excitada quanto ele. Sasuke suspeitava que Sakura era, na essência, uma garota tímida, com poucos amantes no passado e quase nenhuma confiança nos homens. Teria de ser cuidadoso para não espantá-la, o que com certeza a afastaria. Sobretudo agora, que ele não a procurava apenas por sexo. Pretendia muito mais do que isso.

- É o mais afastado da escadaria - ele explicou com tranqüilidade. - E tem uma tranca na porta.

- Mas assim não poderei ouvir Megumi se ela chorar.

Incrível! Sakura estava tremendo de desejo - podia perceber por suas reações -, mas ainda assim pensava em Megumi. Que poder aquele pequeno ser tinha! Claro... era uma criaturinha maravilhosa, linda e cativante. Qualquer um sucumbiria diante de uma de suas risadas deliciosas.

- Vou pedir para okaasan ficar com Megumi no andar de baixo hoje. - Sasuke afirmou para uma atônita Sakura. - Ela me disse mesmo que ia sugerir isso. Está preocupada, pois acha que você precisa de uma boa noite de sono. E eu, evidente, concordei.

Sakura sentiu um forte tremor diante das artimanhas de Sasuke. Ele pensara em tudo, não é? Tudo planejado, como Mikoto havia falado. Nada poderia interromper seu momento de prazer. "Ou o meu", pensou, sentindo-se corrompida. Era perigoso, como Mikoto a alertara, e estava certa. Sasuke queria o que queria, e quando queria.

O problema era que ela aceitava de bom grado os desejos dele, naquele momento. Mas o que aconteceria quando Sasuke se cansasse dela? Quando o sexo se tornasse tedioso e aparecesse uma nova mulher, mais excitante, em seu caminho?

Devia lembrar que ela substituira Tayuya. Chegaria o dia em que alguém poderia substituí-la. Quem seria a próxima? Nara Temari, talvez? Ou será que Sasuke já experimentara aquele prato? Não, ele não seduziria a mulher de outro homem. Não era o estilo de Sasuke, que tinha seu próprio código de moral quando se tratava de sedução, e isso não incluía adultério.

- Por que está tão pensativa? - ele perguntou, um tanto irritado, ao mesmo tempo que Mikoto voltava, carregando uma bandeja. Sakura decidiu retomar as rédeas a situação. Pelo menos superficialmente.

- Estava pensando que poderia ser uma boa idéia se eu me mudasse para cá, trazendo o resto de minhas coisas - ela disse, antes que Sasuke tivesse a chance de pedir, ou coagi-la. - O que acha, Mikoto? É a você que devo perguntar, visto que esta é sua casa.

Mikoto lançou-lhe um olhar admirado.

- Essa é uma sugestão esplêndida, meu bem. Dessa maneira, todos nós poderemos cuidar do bebê. Nós três.

A frase pareceu atingir Sasuke.

- Nós três? - ele repetiu, arqueando as sobrancelhas.

- Sim, é lógico - a Sra. Uchiha confirmou ao servir o café. - Você é o pai de Megumi, certo? Vai ter de fazer a sua parte.

- Bem... não tenho tempo para servir de babá, okaasan. Trabalho muito.

Mikoto e Sakura trocaram olhares cúmplices. - É mesmo? Ora, talvez você tenha de trabalhar um pouco menos no futuro. De repente, um sorriso inesperado surgiu nos lábios de Sasuke.

- Você está certíssima, kaasan. Farei isso. Mas temo que não possa começar esta noite. Trouxe um serviço importante, que requer minha atenção urgente. De qualquer forma, amanhã serei todo de vocês. Boa noite, doçura. Ele inclinou-se para dar um beijo em Megumi, antes de se levantar.

- Se alguma de vocês precisar muito de mim, estarei em meus aposentos.

O estômago de Sakura contraiu-se diante daquele convite indireto, e evitou encará-lo quando Sasuke saiu da sala com sua xícara na mão. No momento, aliás, ela ocupava-se de adicionar açúcar e creme ao próprio café.

- Parece-me que você estava errada, Mikoto - comentou Sakura, num tom casual. – Seu filho parece disposto a fazer sua parte.

- Acha mesmo? Lembre-se do que eu disse, Sakura. Quando Sasuke está sendo gentil e cooperativo, é porque planeja alguma coisa. Nunca o subestime.

Não era essa a intenção de Sakura. Mas ela pensava, mesmo assim, que Mikoto estava sendo um pouco dura. Sasuke, afinal, se comportava como um verdadeiro cavalheiro desde que descobrira que era o pai de Megumi. Pensando melhor, essa não era a expressão correta. Um cavalheiro não teria se comportado como um bárbaro, fazendo amor com uma mulher sobre a mesa de seu escritório. E decerto não manipularia a própria mãe para poder passar a noite com a tutora de sua filha.

E girando devagar a colherinha mergulhada no líquido fumegante, Sakura perguntou-se quanto tempo levaria antes que Sasuke fosse até seu quarto naquela noite, arrastando-a para o dele.


Hahaha, quem conhece um homem melhor que sua própria mãe?

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