dai86


CAPÍTULO 15

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O relógio na cabeceira da cama informava que eram onze e meia. Sakura havia ficado no andar de baixo, assistindo à televisão com Mikoto até as dez e meia, quando a senhora Uchiha se retirou para dormir. Megumi mamara às nove e meia, e só acordaria de novo em duas ou três horas.

Quando Sakura prometera estar lá embaixo para dar a mamadeira da manhã, Mikoto lhe disse para deixar de ser tola.

- Não sou tão velha assim que não me lembre de como preparar a refeição de um bebê. Pode dormir até mais tarde. Se ficar desesperada por ajuda, acordo Sasuke. Ele, sem dúvida, ficará muito entusiasmado - zombou.

Sakura não ousou dizer nada sobre o assunto, mas jurou a si mesma não passar a noite na cama de Sasuke pra não correr o risco de ser surpreendida. Isso se ele a procurasse... Naquele momento, estava sentada na beira de seu cama, de banho tomado e perfumada.

Enquanto se ajeitava sentira-se estranhamente nervosa, com as mãos tremendo tanto enquanto depilava as pernas que só por sorte não se cortou. E agora sentia seu estômago revirar. O ponteiro se aproximava da meia-noite, o que parecia ser o prazo limite para que ficasse em seu quarto. Sasuke na certa apareceria depois daquele horário. E, quando fizesse isso, a humilhação seria maior do que a que teria de suportar se fosse para o quarto dele primeiro. Engolindo seco, Sakura levantou-se e caminhou para a porta.

Sasuke tentou não consultar o relógio. Depois de seu segundo banho gelado, sentou-se ao computador fingindo trabalhar, quando na verdade tudo o que fazia era esperar por Sakura. Já era quase meia-noite! Decerto ela estava vindo.

E então ele ouviu algo. O ruído suave de uma porta sendo aberta e fechada. Apurou a audição e pôde ouvir os passos aproximando-se pelo corredor, e não conseguiu mais ficar sentado. Foi até a porta e um instante depois estava olhando para aqueles grandes olhos verdes, úmidos pelas lágrimas.

Sasuke aproximou-se com um gemido, segurando aquele rosto apavorado entre as mãos. Em seguida puxou-a para si, até que seus lábios estivessem quase se tocando. - Você não deve temer nada de mim, Sakura. Nada mesmo...

Sakura tinha de lhe dar crédito. Sasuke sabia fazer os gestos certos, assim como escolher as melhores palavras. Diante de seu toque carinhoso e as frases doces, seus medos se dissiparam. Tudo o que ela queria era recostar-se naquele corpo forte, rendendo-se a ele.

E foi isso o que fez. Como Sasuke parecia maravilhoso! Seu cheiro, o toque de sua pele... Tudo era como um sonho. O primeiro beijo foi ávido e longo, e suas bocas permaneceram coladas até que Sasuke fechasse a porta atrás de si. Já o segundo foi mais suave, e por isso mesmo mais sedutor. Ao mesmo tempo, os dedos de Sasuke livravam Sakura de seu robe sem perder um segundo. Nua, Sakura sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, e ergueu a cabeça para encará-lo.

- Não me diga que você não gosta de mostrar este corpo perfeito - ele murmurou, extasiado. Sakura nunca pensara no próprio corpo como perfeito. Na verdade, seu parâmetro sempre fora Ino, que lhe parecera o modelo feminino ideal. Embora talvez a bela figura de Ino tivesse representado mais uma maldição do que uma bênção.

- Você gosta das minhas formas?

- Eu adoro! - Sasuke a abraçou cheio de carinho. - Seus seios são lindos, e sua cintura, adorável. E essas pernas longas... Adoro tudo em você! Achei que soubesse disso.

Ele a pegou no colo e carregou-a para a cama, colocando-a com cuidado sobre os lençóis. Em seguida, tirou seu roupão preto com um gesto brusco, e teria se juntado a Sakura na cama ainda vestindo seu pijama se ela não tivesse protestado.

- Não! - interrompeu-o, com uma ansiedade que a deixou chocada e excitada. - Quero vê-lo também.

As sobrancelhas dele arquearam-se, mas Sasuke não lhe pareceu nada incomodado em atendê-la. E por que deveria? Afinal, era um homem magnífico.

- Você... faz muita ginástica? – Sakura o admirou ao vê-lo se deitar a seu lado.

- Só um pouco. Ajuda a aliviar o stress. Tem uma academia no subsolo do edifício da empresa. É conveniente.

- E quanto ao seu bronzeado?

- É artificial. - Sasuke riu.

- O que há de tão engraçado, Sasuke?

- Eu não costumo gostar de falar quando estou na cama com uma mulher.

- Oh - Sakura sentiu-se tola e envergonhada.

- Mas aprecio muito conversar com você. - E se pôs a acariciar-lhe o braço, e depois a coxa.

Sakura não conseguia acreditar no quanto aquele simples gesto a excitava.

- Gosto tanto que poderia conversar e tocar cada centímetro do seu corpo por toda a noite. – A grande mão continuava movendo-se com mestria. - Você gosta disto, anjo? O tom de voz de Sasuke era quase tão encantador quanto seus afagos, que, naquele momento, se dirigiram aos seios dela.

- Você não precisa fazer nada, Sakura. Apenas fique deitada, feche os olhos e aproveite...

E aquilo era exatamente o que Sakura estava fazendo. Apreciava as carícias mais íntimas e deliciosas que já experimentara em toda sua vida. Com seus sussurros e atenções, Sasuke fizera com que ela perdesse todo vestígio de controle, temor ou inibição. E quando os dedos pararam, sendo substituídos pelos lábios de Sasuke, não houve nenhum protesto de sua parte.

Assim os dois passaram as horas seguintes. Sasuke fez amor com ela várias vezes, surpreendendo Sakura com sua gentileza, assim como seu vigor. Ele parecia não cansar de suas curvas, tocando-as, experimentando-as, tomando-as mais e mais.

Algumas vezes eles conversaram, contando um ao outro as coisas mais tolas. Compartilharam experiências de infância. Conversa de amantes, Sakura supunha, mas era ótimo. Por um instante chegou até mesmo a imaginar que Sasuke se importava mesmo com ela, que apreciava passar o tempo em sua companhia, ainda que não fizessem amor.

Quando Sasuke, por fim, adormeceu, Sakura permaneceu inerte na cama por alguns instantes. Tentava compreender tudo o que acontecera. Seria aquilo apenas sexo? "Não para mim", foi a resposta do fundo de sua alma. Mas, na certa, fora assim para ele. Caso contrário, por que um encontro furtivo como aquele, na calada da noite? Não, Sasuke não estava apaixonado. Sakura era apenas sua última conquista. Suspirando, Sakura escorregou para fora dos lençóis, vestiu-se e saiu do quarto, sem fazer ruído. Ao chegar a sua própria cama, adormeceu logo que colocou a cabeça no travesseiro.

No dia seguinte, quando Sakura desceu as escadas, por volta de meio-dia, ficou surpresa ao saber que Sasuke tinha acordado às sete, como sempre.

- Ele estava de bom humor - Mikoto disse: - Até mesmo insistiu para dar a mamadeira para Megumi. E depois me perguntou como devia fazer para trocar a fralda. Saindo-se muito bem nisso, e parecia satisfeito consigo mesmo. Se não o conhecesse tão bem, diria que está gostando de ser pai.

Sakura limitou-se a menear a cabeça. Sasuke era mesmo um enigma, e não sabia o que fazer a seu respeito.

- E tem outra coisa, minha querida. Você sabe que o médico falou que Megumi precisa tomar a vacina, não é?

- Sim, Mikoto.

- Sendo assim, marquei consulta na clínica para quinta de manhã, e adivinhe o que aconteceu?

-O quê?

- Sasuke quer levar você e Megumi até lá. Sakura arregalou os olhos.

- Mas assim ele vai se atrasar para o trabalho.

- Foi o que eu disse, mas meu filho respondeu que isso não tinha importância, pois você podia precisar dele. Comentou que notou como ficou irritada e tensa ao ver a enfermeira tirando o sangue de Megumi ontem.

Sakura tinha de admitir que se sentira muito ansiosa por acompanhar Megumi ao consultório. Preferia tomar cinqüenta injeções do que ver sua pequena boneca tomar uma que fosse. Mesmo assim, estava surpresa por Sasuke ter notado aquele detalhe.

- Isso foi muito... gentil da parte dele - murmurou, perguntando-se se fizera um mau juízo dele, afinal.

- Sim, tem razão. - Então, Mikoto pareceu cismada.

- Gostaria de saber o que meu filho está tramando.

- Pode não ser nada disso, Mikoto. Talvez Sasuke se importe de verdade com Megumi, agora que sabe que é sua.

- É possível, eu acho. Sempre acreditei que Sasuke daria um bom pai.

Só restava a Sakura torcer para a bondosa senhora estar certa.

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Sasuke percebeu o mal-estar de Megumi no momento em que a agulha começou a entrar em sua delicada pele. Droga! Ele mesmo não gostaria de senti-la sendo enfiada em sua pele. Seu coração apertou-se quando a menina agarrou seu dedo e começou a chorar.

Sentia-se como um monstro cruel, segurando-a para ser torturada. Sabia que era uma reação irracional, levando-se em consideração que a vacinação era essencial para a saúde de qualquer criança. Sem ela, Megumi poderia sucumbir a uma das numerosas doenças infantis.

- Calma, querida, não chore! Papai está aqui. Ao perceber o que acabara de dizer, Sasuke respirou fundo. Papai? Ele tinha mesmo dito aquilo? Papai... Seus lábios curvaram-se num sorriso, ao se pôr a massagear o bumbum do bebê.

A simples palavra lhe provocava uma reação estranha, fazendo-o sentir-se ao mesmo tempo suave e poderoso.- Sinto muito por isso - o médico se desculpou assim que os soluços de Megumi começaram a diminuir. - Mas é para o bem dela.

- É fácil dizer isso quando você está do outro lado da agulha - Sasuke resmungou.

- Acho que sim. - O doutor fitou-o de relance. - Pelo que vejo, presumo que você não está mais questionando a paternidade da menina, não é? Sasuke estava prestes a dizer ao homem que ele podia cancelar o teste quando Sakura irrompeu pela sala, com uma expressão agitada.

- Quase não pude suportar ouvi-la gritar daquele jeito. Megumi está bem?

- Está ótima - o doutor garantiu. - O pai dela tem tudo sob controle.

Entretanto, Sasuke não estava certo daquilo. Havia perdido sua oportunidade de dizer ao homem para cancelar o teste, e isso não era nada bom.

- Deixe-me segurá-la - Sakura pediu, estendendo os braços para apanhar a pequena.

De certa forma, Sasuke ficou decepcionado ao ver que o bebê aquietou-se de imediato. Ainda teria de percorrer um longo caminho antes de ganhar o prêmio de pai do ano.

- A temperatura de Megumi pode subir um pouco nas próximas 24 horas. Se isso acontecer, dê a ela algumas gotas de paracetamol infantil. Garanto que tudo ficará bem.

- Espero que sim, doutor... - E Sasuke se virou para seguir Sakura, que caminhava apressada pelo corredor, desejando sair o quanto antes daquele ambiente hospitalar. Na véspera, chegara a acreditar que Sakura confiava nele, e que estava até mesmo se apaixonando. Mas já não tinha tanta certeza...

Megumi adormeceu assim que foi colocada, no cesto no banco detrás do carro, e só restou um pesado silêncio entre os dois adultos. Sakura não dizia uma única sílaba, e Sasuke não conseguia entender seu comportamento. Tudo lhe parecera tão bem na noite anterior...

- Alguma coisa errada, Sakura? - ele resolveu perguntar.

- Não. O que poderia estar errado?

As sobrancelhas de Sasuke se arquearam. Será que percebia um certo sarcasmo?

Sakura suspirou e desviou o olhar para a janela. Porém, quando ele manobrou o automóvel para o acostamento e desligou o motor, viu-se forçada a voltar a encará-lo.

- O que acha que está fazendo, Sasuke? Está atrasado para o trabalho!

- O trabalho pode esperar.

- Bem, isso é uma novidade, de acordo com sua mãe.

- É mesmo? E o que mais minha adorável mãezinha anda dizendo pelas minhas costas?

- Nada que eu já não soubesse.

- Como o quê?

- Sobre sua atitude em relação a mulheres e sexo, por exemplo.

- Sério? Então descreva essa minha "atitude".

- Você sabe muito bem como se comporta com respeito a esses assuntos, Sasuke. Isso ficou bem claro desde aquela sexta-feira. No passado, talvez suas namoradas tivessem se contentado com casos sem nenhum envolvimento além de sexo, mas não gosto nem um pouco disso. Na verdade estou muito zangada comigo mesma por permitir que me use dessa maneira.

Mais uma vez, Sakura se voltou para o vidro.

- Mas eu não estou usando você! - Sasuke sentiu um certo pânico pelo rumo que aquela conversa estava tomando.

Sakura lhe lançou um olhar de descrédito que dizia exatamente o quanto acreditava naquelas palavras.

- Olhe para mim, Sakura, e tente ouvir o que estou dizendo.

Foi com certa relutância que ela o obedeceu. - Estou ouvindo - disse, com frieza.

Sasuke hesitou, sem saber como começar. Era cedo demais para dizer que a amava. Sakura não acreditaria naquilo. Entretanto, queria convencê-la de que a considerava especial, e não apenas uma amante conveniente. Não estava acostumado a se envolver com uma mulher que queria mais. Também não era seu costume querer mais. Para ser franco, nem mesmo sabia como conduzir um relacionamento normal com uma moça. Contudo, tinha que aprender, e rápido. Sasuke retirou o cinto de segurança e tomou as mãos de Sakura entre as suas.

- O que sinto por você vai muito além de sexo. Estou sendo sincero. Já lhe disse antes que acho que temos algo especial aqui. Você também acredita nisso, não é? Sei que não é o tipo de garota que pula na cama de qualquer um, não interessa o que tenha dito no domingo.

Sakura parecia muito desconfortável ao ouvir aquilo. - Isso é tão óbvio?

- O que é óbvio?

- Que eu sou desajeitada na cama...

- Do que está falando? Você não é desajeitada. É perfeita em todos os sentidos. É tão quente e receptiva... faz com que me sinta um deus.

- Mas eu... não sei fazer aquelas coisas que os homens adoram. Quero dizer... Ah, você sabe o que quero dizer, Sasuke!

- Não espero que faça nada diferente - ele esclareceu, com extrema honestidade. – Meu maior prazer é lhe dar prazer!

Sasuke levou os dedos delicados até seus lábios para beijá-los.

- Você não faz a menor idéia do que provoca em mim, Sakura. Não tenho necessidade de posições mirabolantes e jogos de sedução. Tudo o que preciso são esses seus lábios sobre os meus. E então vou ao céu.

Os olhos verdes de Sakura permaneciam nublados por uma dúvida.

- Se é assim, por que eu sou um segredo, Sasuke? Por que temos de nos encontrar como dois criminosos no meio da madrugada? Me explica e aí vou acreditar em você.

- Posso apenas pedir desculpas por isso. Tenho de confessar que adquiri hábitos terríveis em relação às mulheres ao longo dos anos. Tornei-me muito egoísta. Minha única desculpa é que não queria me transformar em uma pessoa igual a meu pai.

- Seu pai?

- Sim, ele era um sedutor incorrigível que tentava justificar seu péssimo comportamento alegando que se apaixonava por todas aquelas moças. Dizia que não podia se conter. Kami, eu o desprezava! Em especial pelo que fazia com minha mãe. Como ela podia continuar amando-o e perdoando-o, eu nunca entenderei.

- Sabe de uma coisa? Eu costumava me sentir assim a respeito de Ino. Não conseguia entender por que minha amiga deixava os homens tratarem-na tão mal... E tudo em nome do amor.

- E então você jurou que não seria igual a ela. - Sasuke começava a compreendê-la melhor. Ele também jurara nunca ser igual a seu pai. Não apenas na vida pessoal, mas também com relação aos negócios. Quando Fugaku morrera, deixara as finanças da família em completa confusão. No entanto, tudo aquilo era passado. Naquele momento, devia se preocupar apenas com o presente.

- O que acha de tentarmos começar tudo de novo? - ele sugeriu.

Sakura o fitou atônita. - De que jeito?

- Vamos sair como um casal normal.

Os olhos dela arregalaram-se.

- Você quer dizer... um encontro?

- Sim, e começaremos amanhã à noite. Você vai se arrumar, ficar bem bonita, e eu a levarei a um restaurante refinado para jantar. Dessa forma, minha mãe saberá que tudo está correndo bem, e não ficará surpresa quando descobrir que somos mais do que bons amigos.

- Mas, Sasuke, e quanto a esses furtivos encontros noturnos? Ou melhor...

- Cuidaremos desse detalhe quando for a ocasião.

- Conhecendo você como conheço, acho que a ocasião vai ser hoje mesmo, no meio da madrugada.

- Acho que não. - Sasuke negou, sorrindo.

- Cansado demais? - Sakura tentou não transparecer seu desapontamento.

- Nada disso, anjo. É que hoje okaasan vai jogar shogi, e vai sair de casa por volta das sete e meia.

Sasuke observou uma excitação instantânea no semblante de Sakura, o que o deixou bastante satisfeito. Não via a hora de provar que não a considerava desajeitada na cama. Ou fora dela!


Faltam poucos capítulos...

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