Feliz Páscoa pra todos!

dai86


CAPÍTULO 16

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- Eu ainda não acredito nisso! - Mikoto exclamou, muito alegre. - Sasuke a convidou para sair, e você aceitou! Veja bem, sempre soube que era o tipo dele, querida, mas nunca esperei... nunca acreditei... Mikoto sentou-se na beira da cama de Sakura, levando a mão ao peito, na altura do coração.

- Isso é bom demais!

Sakura virou-se na cadeira em frente à penteadeira, onde estivera escovando seus cabelos. - Não tenha muitas esperanças, Mikoto – Sakura advertiu a mulher mais velha com gentileza. - Sasuke ainda é Sasuke.

- Mas você gosta dele, não é? Quero dizer... de verdade?

- Sim. Gosto muito.

A Sra. Uchiha mal tinha saído de casa na noite anterior, quando Sasuke chegara. Por sorte, Megumi estava no andar de cima, dormindo.

- Não na cama dessa vez - ele murmurou, abraçando-a por trás e beijando-lhe o pescoço.

A cama acabou não fazendo parte da agitada sessão de amor que tiveram. A mudança de cenário trouxe consigo novos desejos de Sasuke. Ele demonstrou querer mais dela. E Sakura pretendia dar-lhe mais.

Sakura ainda estava atônita com sua boa vontade em fazer tudo o que sempre achara que nunca faria com um homem. Ainda assim, parecia que, quanto mais se liberava, mais prazer e excitação encontrava, enquanto Sasuke fazia amor com ela em todos os lugares e posições exóticas. Entre os dois não havia nenhum pudor, e ambos pareciam dominados por uma intensa e lasciva luxúria.

Mesmo agora, embora a lembrança do que fizera ainda a espantasse um pouco, não sentia vergonha. Sabia que amava Sasuke. Portanto, como algo poderia ser errado quando se amava alguém?

Mas será que ele nutria o mesmo sentimento? Sasuke não dissera isso, e, mesmo que dissesse, Sakura acreditaria? Os homens costumavam dizer que amavam as mulheres, mesmo sem sentir isso. Na maior parte do tempo era sexo o que queriam, não amor. Fora o que aprendera com os desastrosos casos de Ino. Mas Sakura não podia negar que tinha esperanças, assim como Mikoto. Mas talvez fosse melhor ouvir as advertências de seu cérebro, e não alimentar sonhos impossíveis.

- E então, como estou, Mikoto?

- Linda. - A Sra. Uchiha sorria. – Parece uma artista de cinema!

Na verdade, a própria Sakura achava que estava bonita. Não tinha muitas roupas para sair, pois usava calça jeans a maior parte do tempo. No entanto, naquela ocasião, colocara o que possuía de melhor. O vestido que escolhera era preto e básico, de uma espécie de veludo bem leve. O estilo era elegante, com linhas simples, cortado nos ombros com uma gola alta e redonda. Era curto, mas não demais. Justo, mas não muito. E, quando combinado com os sapatos pretos de saltos altos e os brincos certos, parecia muito sofisticado.

- Sasuke vai ficar maluco! Espero que saiba o que está fazendo, minha cara.

- O que quer dizer?

Mikoto achou graça da reação dela. - Querida, meu filho não é do tipo que se faz de cavalheiro com uma bela mulher por muito tempo. Sobretudo quando a dama em questão se arruma assim para ele.

- Mikoto, tenho 26 anos - Sakura observou com firmeza. - E já vivi o bastante. Sei muito bem o que estou fazendo.

As sobrancelhas de Mikoto arquearam-se. - Está bem... Mas, mesmo assim, tenha cuidado. Não quero vê-la magoada. Os rapazes podem ser muito egoístas às vezes, dizendo a uma garota que a amam quando na verdade tudo o que querem é levá-la para a cama.

Naquilo Mikoto tinha plena razão.

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- Sua mãe pensa que você é um mulherengo incorrigível. Os dentes de Sasuke cerraram-se, e sua mandíbula ficou tensa. Com gestos lentos, ele serviu-se de mais vinho e observou a mulher que amava.

Sakura estava tão bela e tão desejável... Ao apanhá-la, notara logo seu esforço para agradá-lo com sua aparência. Ele mesmo correra na hora do almoço para comprar trajes novos. Conhecendo as próprias limitações em termos de moda, pedira a um vendedor para auxiliá-lo. Queria algo que lhe caísse bem e que tivesse estilo. Nunca se interessara tanto pela própria aparência antes, mas queria estar bonito para Sakura. A bem da verdade, desejava que ela ficasse sem fôlego.

E tinha conseguido, a princípio. Porém, logo a admiração dela se transformara em hesitação, o que demonstrava que Sakura ainda não confiava nele. O comportamento dela era muito diferente do que fora na véspera. Sakura fora tão incrível, tão apaixonada, desinibida e, sim, confiante!

Mas agora estava de volta ao primeiro estágio. E tudo por causa de Mikoto. A primeira mulher que devia incentivar o relacionamento deles era justo aquela que o sabotava. Teria de trocar algumas palavras com sua mãe quando voltasse para casa. Naquele dia ainda, antes que ela fizesse mais algum estrago.

- Okaasan deve achar isso por causa de meu pai - Sasuke ponderou, com cuidado. – Porém está errada. Não sou nenhum depravado. Apenas um homem que foi tolo por muito tempo e agora acordou para a realidade.

- O que quer dizer?

Sasuke a encarou e decidiu tomar seu destino nas mãos, apenas usando a coragem e desistindo de qualquer subterfúgio.

- Eu ia esperar um pouco mais antes de lhe revelar isso, Sakura, mas o fato é que estou apaixonado por você.

Por um instante lhe pareceu que Sakura iria desmaiar. Seus dedos tremiam tanto que ela chegou a entornar um pouco de vinho sobre a impecável toalha de linho branco.

- Não pode estar falando sério - ela retrucou, com o rosto pálido e a voz insegura.

- Estou sim. Tenho pensado nisso desde segunda-feira quando você foi a meu escritório, mas achei que era cedo demais para falar alguma coisa. E, se cometi um engano fazendo amor com você com tanta paixão, então me desculpe. Estava querendo fazê-la se apaixonar por mim também. Mas pelo que vejo no seu semblante, acho que falhei.

- Ah... você...não! - balbuciou, sentindo a pulsação disparar. - Não é isso Sasuke, eu... eu também te amo... não quis aceitar, nem alimentar esperanças. Você tem certeza disso, Sasuke? Quero dizer...

- Tenho toda certeza. Farei qualquer coisa por você. E quero dizer qualquer coisa mesmo! - Sasuke recordou as mentiras que contara e a forma como fingira com o bebê. Bem, não fora falso em tudo, concedeu-se. Era fato que sentia algo por aquela criança.

Uma pigarreada fez com que soltasse a mão de Sakura e erguesse os olhos com impaciência. Um garçom o aguardava, trazendo um telefone sem fio.

- Desculpe-me por interromper seu jantar, Sr. Uchiha, mas é uma ligação para o senhor. Uma emergência, a senhora disse.

"Uma emergência?" Sasuke pegou o aparelho, lembrando-se de que a única pessoa que sabia onde ele estava naquele momento era Mikoto.

- Uchiha Sasuke - atendeu apreensivo.

- Oh, Sasuke! - Mikoto exclamou. - Estou tão feliz por tê-lo achado! Tinha medo de que vocês tivessem ido a outro lugar. Estou tentando ligar para o seu celular há quase uma hora!

O estômago dele se contraiu ao notar que sua mãe estava em pânico. Havia desligado seu aparelho para não ser importunado por ligações de trabalho durante seu encontro com Sakura, algo realmente inédito para ele.

- O que aconteceu, mamãe? - perguntou, vendo Sakura prender a respiração.

Trocaram olhares enquanto ele ouvia a desesperada explicação de Mikoto. Megumi acordara às nove horas com o que parecia ser o começo de uma gripe. Tossia, e sua temperatura era mais alta do que o normal. Mikoto lhe dera a medicação que havia sido prescrita, mas às dez a menina começara a respirar com dificuldade. Preocupada com a possibilidade de aquela ser uma reação alérgica à vacinação, a Sra. Uchiha chamou o médico, que he sugeriu levá-la para o hospital mais próximo. Depois do primeiro exame na emergência levaram Megumi direto para a UTI.

- Em que hospital? - Sasuke perguntou incapaz de esconder a preocupação. Kami! Se algo acontecesse àquela menina Sakura iria morrer!

- Hospital Sogo Kano.

- Estaremos aí o mais rápido que pudermos. - Desligou e se levantava num sobressalto.

Avistou Sakura já de pé, segurando a bolsa. Sasuke tomou-a pelo cotovelo, guiando-a entre as mesas do salão. - Temos de ir - disse ao garçom, no caminho. - Emergência de família. Diga para o gerente me mandar a conta. Ele sabe onde me encontrar...

- É Megumi, não é? - Sakura perguntou, quando saíram do estabelecimento. - Minha menina está doente?

- Sim.

- O que é?

- Não sei. Okaasan disse que ela tossia e mostrava problemas para respirar. Talvez seja asma ou algo do gênero.

- Kami!

Sasuke achou melhor acalmar Sakura, por isso abraçou-a com carinho.

- Não entre em pânico, anjo... Kaasan a levou para um hospital muito bom. Megumi ficará bem.

- Como você pode afirmar isso? E se ela morrer?

- Megumi não vai morrer - assegurou, conduzindo-a para o automóvel.

Foi um pesadelo dirigir até o hospital, com Sakura branca como uma folha de papel a seu lado. Até porque a preocupação dele não era menor. Megumi era tão pequena e preciosa para todos eles... Decerto alguma força superior cuidaria dela. Sem dúvida...

Quando se aproximavam do Sogo Kano Hospital, Sasuke começou a rezar, pela primeira vez em anos. Na verdade, era como se tentasse fazer uma barganha. "Poupe essa criança inocente, Kami, e eu... eu..."

"Eu o quê?", perguntou-se, desgostoso. Seria um bom rapaz, no futuro? Iria à igreja todos os domingos? Diria a Sakura que Nara Shikamaru não tinha feito vasectomia, e que usara essa mentira para se assumir como pai de Megumi, e assim parecer melhor aos olhos de Sakura? Qual seria o objetivo de tal confissão? Ela deixaria de amá-lo, e ele não poderia suportar aquilo. Mas um relacionamento não podia ser construído sobre falsidade ou truques.

Céus...

Mikoto Uchiha os esperava na entrada principal, também pálida. Seus olhos estavam nublados pela preocupação quando se dirigiu a Sakura.

- Sinto-me culpada, querida. Acho que Megumi acordou algum tempo antes de eu conseguir ouvi-la. Estava falando ao telefone, por isso fiquei longe de nossa garotinha...

- Não se culpe por nada - Sakura disse, com gentileza. - Isso não tem sentido.

- Onde ela está, kaasan?

- Vou levá-los até lá, filho. Mikoto conduziu-os pelos corredores. Em minutos, chegaram a um quarto onde a linda Megumi jazia no que parecia uma tenda de oxigênio.

Uma coisinha tão pequena no meio de tantas parafernálias médicas...

Sakura começou a chorar, e Sasuke abraçou-a, sentindo o próprio coração apertar-se. A enfermeira, parada ao lado da cama, adiantou-se para receber o grupo.

- Vocês são os pais?

- Esta é a tutora de Megumi. - Sasuke acenou com a cabeça na direção de Sakura. – A mãe dela morreu, mas eu sou o pai - emendou, concluindo que não era o momento certo para nenhuma confissão.

- E eu, a avó - Mikoto completou. - Fui eu quem a trouxe.

- Graças a deus a senhora fez isso - a enfermeira comentou. - A menina tem um tipo novo de bronquite, que ataca muito rápido. Ela melhorou agora, e já consegue respirar com mais facilidade, mas esta vai ser uma noite bastante longa. O doutor deve voltar logo para vê-la. Enquanto isso, tentem não se preocupar. É bom que a garota não seja alérgica a penicilina. Não que isso mate o vírus, mas é o melhor antibiótico para qualquer infecção. E a pneumonia pode ser um problema, nesses casos. Sobretudo em pacientes tão jovens.

- Como vocês sabem que Megumi não é alérgica a penicilina? - Sasuke quis saber.

A enfermeira pareceu confusa.

- Está em sua ficha. Alguém deve ter dado essa informação quando a menina deu entrada no hospital. Todos olharam para Mikoto, que de imediato se pôs na defensiva.

- Eu não disse que tinha certeza. Apenas falei que o pai não era alérgico, assim como o resto da família.

- Mas o que é isso, okaasan? E se eu não for o pai de Megumi? Ainda há margem a dúvidas, você sabe muito bem.

Sakura ergueu a cabeça para encará-lo.

- Mas Sasuke, você deve ser. Quem mais poderia?

- Não se preocupem - a enfermeira interveio, com habilidade. - Nenhum antibiótico foi administrado ainda. Vamos esperar pelos testes de sangue. Olhem, vou retirar aquela informação do relatório, mas sugiro que vocês contem ao doutor todo o histórico médico do bebê. Agora, tenho de voltar para minha paciente. Ela voltou para junto da cama, deixando Sasuke tendo de dar satisfação às duas mulheres.

- Eu apenas falei que não podemos ter certeza absoluta - ele murmurou. - Não até que chegue o resultado do teste.

- Mas você pode Sasuke - Mikoto insistiu. - Tenho uma novidade que põe seu parentesco com Megumi acima de qualquer suspeita. Aquele telefonema de que lhes falei antes era de Temari. Eu queria explicar sobre Megumi, e por que não a havia convidado de novo para jantar.

De qualquer forma, Temari começou a dizer o quanto gostaria de ter tido um filho, mas que Shikamaru não gostava de crianças, e tinha feito uma daquelas operações...

- Uma vasectomia - Sasuke completou, esperando não soar tão atônito quanto se sentia.

- Sim, isso mesmo. Entende agora, meu filho? Shikamaru não tinha a menor possibilidade de ser o pai de Megumi.

Ele devia estar parecendo estranho, pois Sakura lhe perguntou se se sentia bem. Depois de piscar várias vezes, Sasuke conseguiu recuperar o controle para fitá-la.

- A realidade o atingiu em cheio, não é? - Sakura indagou com gentileza, com seus belos olhos verdes brilhando pelas lágrimas. - Agora que sabe que aquela é sua filha, deitada naquele quarto.

Ah, se Sakura apenas soubesse!

- Sim - conseguiu sussurrar, virando-se para observar pelo vidro a frágil menina.

Antes Sasuke pensava que se importava. No entanto, agora que sabia que ela era mesmo sua filha, não conseguia conter o turbilhão de sentimentos que o dominava. Seu nível de angústia e preocupação subiu drasticamente. Uma dor lhe oprimia o peito, fazendo-o tremer. Faria qualquer coisa na face da terra para ter aquela criança de volta a sua casa, segura e curada. Até mesmo contaria toda a verdade a Sakura, se é que aquilo faria alguma diferença. Mas quem poderia saber? Talvez fizesse!

- Eu... preciso falar com você, Sakura. Okaasan, pode nos deixar a sós por alguns minutos?

- Vou me sentar ao lado de Megumi. Quero ficar com minha neta.

- O que é, Sasuke? - Sakura se voltou para ele, logo que se viram a sós.

- Tenho algo a lhe dizer. E é muito importante.

- O quê?

- Eu menti para você.

De imediato, Sakura levou a mão à garganta. - Mentiu? Você... quer dizer... você não me ama?

- Não é isso! Claro que te amo! Te amo tanto que menti quanto à vasectomia de Shikamaru.

- Mas, Sasuke... isso não faz sentido. Eu não entendo.

- Quando lhe disse que Shikamaru tinha feito aquela operação, foi porque acreditava que ele era o pai. Havia acabado de perceber o quanto te amava, e num impulso decidi usar qualquer meio a minha disposição para ganhar seu amor. Inventei aquela história sobre a vasectomia e disse que Megumi era minha porque concluí que ser pai dela me ajudaria a conquistá-la.

- Mentiu quando disse que Megumi era sua filha?

- Sim.

- Então, todo aquele comportamento de bom pai era apenas representação?

- Sim... não... bem... de certa forma. - Sasuke suspirou. - Eu poderia amenizar minha culpa e dizer que aos poucos fui me afeiçoando à Megumi, o que é verdade, mas ainda assim, foi um erro perigoso de minha parte.

- Perigoso e ardiloso - Sakura meneou a cabeça e olhou para o chão. - Por que está me dizendo isso agora? Você não precisava.

Sasuke encolheu os ombros. Sentia-se indefeso e sem esperança.

- Tive essa idéia louca de que talvez Deus estivesse me punindo. De que eu pudesse fazer Megumi sarar se lhe contasse tudo. E houve aquela voz em minha consciência que me falou que um relacionamento não pode ser baseado em mentiras e truques. Não quero jamais feri-la ou magoá-la como meu pai fez com minha mãe. Quero que você confie em mim e me respeite, Sakura. E pretendo que fiquemos juntos. Não apenas por algum tempo, mas para o resto de nossas vidas.

Sakura tornou a encará-lo por um longo momento, e em seguida seu olhar se tornou tão maravilhoso e terno que quase fez Sasuke desmoronar. Envolveu-o num abraço que traduzia ao mesmo tempo amor e confiança. Garantiu que Megumi ficaria bem, e que ela confiava nele e o respeitava. E que, sim, também queria ficar junto dele até o fim de seus dias.


O próximo capítulo será o penúltimo.

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