Capitulo 5 - Traduzido por Clarisse
Depois que ele levou todas as compras para a cozinha, ela parecia querer que ele ficasse fora do caminho. Ele concordou, porque estava perturbado por quanto ele estava gostando de assisti-la cozinhar. Provavelmente porque ela ainda estava usando aquele vestido idiota. Ela também estava descalça. A imagem era um pouco surreal demais. Tudo que ela precisava para completar era uma barriga de grávida. Expulsando esses pensamentos ofensivos de sua mente tão rápido quanto pode, ele disse repentinamente. "Eu tenho que terminar de consertar a picape."
Ela olhou para ele. "Que picape?"
"Está no abrigo lá fora...Não funciona. Ainda."
"Oh," ele disse casualmente voltando-se para os vegetais. "OK."
Passados alguns segundos ela se virou para ele novamente, com um olhar questionante. Ele ainda estava olhando para ela. "O que?"
"Nada." Ele sal rápido pela porta dos fundos.
Confusa, ela continuou o que estava fazendo
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"Que diabos é isso?" Ele perguntou com nojo quando ela colocou a panela na mesa.
"Eu nem vou te dizer o nome, porque você não ia conseguir falar mesmo," ela disse. "Experimenta."
"Ms é verde." Ele olhou dentro da panela. "Eu esqueci de te falar, Freckles, mas eu tenho regras sobre comida verde."
"Você comeu coisas verdes na ilha," ela lembrou.
"É, bem...Eu não tinha opção , lá." Ele pausou. "O que tem aí...Aquele aspargo que você me fez comprar?"
"Alcachofra," Ela o corrigiu enquanto servia em seu prato.
"Dá no mesmo." Ele disse desdenhoso.
"Dá pra parar de agir como criança? Se você odiar não vai ser obrigado a comer."
"Brigado, mãe." Ele espetou o garfo experimentalmente. Ela o observou tentando não rir. Finalmente, agindo como se estivesse sendo forçado a colocar um material potencialmente radioativo na boca, ele deu uma mordida.
"Então?" Ela perguntou.
Ele mastigou pensando. "Precisa de pimenta." Ele deu outra mordida.
Ela sorriu e passou a pimenta para ele. "Obrigada. Acho que isso é o mais próximo de um elogio que eu posso esperar, huh?"
Eles continuaram a comer em silêncio por alguns minutos.
De repente, ela colocou o garfo no prato e parecia estar ouvindo alguma coisa.
"O que?" Ele perguntou preocupado.
Então ele também ouviu. Um barulho distante, vibrando... de início ele não sabia o que era, mas foi ficando cada vez mais alto. Um helicóptero. Parecia estar voando baixo.
Ele a observou. Toda a cor tinha desaparecido de seu rosto e sua postura estava tensa. Esperando, quase congelada.
Ela olhou para a abertura do porão. "Eu deveria...?"
"Ainda não,", ele disse, levantando uma mão. "Espere."
Lentamente, gradualmente, depois de um intervalo torturante no qual eles sentaram imóveis, o som foi diminuindo. Depois de mais ou menos um minuto, desapareceu completamente, e a cozinha estava em silêncio de novo.
Respirando lenta e profundamente, ela olhou em seus olhos.
"Provavelmente não foi nada," ele disse baixo, tentando parecer seguro. "Eles sempre passam por aqui. Está perto do lago e das montanhas...Tem uma paisagem legal para se observar."
"A noite?" Ela perguntou duvidando, se sentindo mal.
Ele não respondeu. Ele também se sentia fraco. Mas por algum motivo, não queria que ela percebesse. Ele continuou comendo.
"Melhor terminar de comer," ele disse, apontando para o prato dela. "Vai esfriar."
"Eu não estou mais com fome," Ela disse baixo.
"Sobra mais pra mim." Ele disse alegre.
Ela sorriu triste para ele, mas parecia agradecida ao mesmo tempo. "Eu acho que vou tomar um banho. O cheiro de naftalina está começando a me irritar."
Ela levantou e carregou seu prato para a pia. Na porta, ela pausou. "Merda...esqueci da bagunça. Acho que você não quer lavar a louça, quer?"
"Achei que você nunca fosse perguntar," Ele disse forçando um sorriso.
"Brigada."
Quando ele ouviu a água caindo no 2º andar ele respirou fundo. Indo até a geladeira, ele pegou uma cerveja, então, mudando de idéia, devolveu e abriu o armário onde guardava os Jack Daniels.
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Quando ela desceu, ela estava vestindo o roupão de novo. Ele sentava na sala, grato pela sensação do uísque ardendo em seu estômago. Pelo menos ele se sentia mais calmo agora.
Olhando para cima, ele percebeu que ela estava parada hesitante na porta. Ela apontou com a cabeça, que ele nem tinha percebido que havia ligado. "Você se importa?" Ela parecia perturbada.
Ele voltou sua atenção para a TV e pela primeira vez percebeu o que estava passando. Um episódio de COPS. Ótimo, ele pensou. Desligando, ele tentou se desculpar. "Acho que você não quer ver isso, huh?"
"Na verdade, não," ela disse, sentando.
Eles se sentaram quietos por um minuto. Ela parecia distraida e preocupada, como se ainda ouvisse alguma coisa. Por hoje, pelo menos, a ilusão de segurança foi destruída.
Vendo sua vulnerabilidade tão perto da superfície o incomodava mais que ele queria admitir. Ela não parecia a Kate quando estava assim. Pelo menos não a Kate que ele conhecia. Ele tentou pensar em algo parar esquecer do susto.
"Eu to querendo te perguntar uma coisa. Não consegui descobrir sozinho" Ele disse devagar.
Ela virou para ele. "O que?"
"Você disse que procurou meu endereço na lista telefônica."
Um vago reconhecimento se registrou em seu rosto. Ela sabia o que ele ia perguntar. "Sim, e?" ela perguntou
"Então você sabe que meu nome não é Sawyer," ele disse, a observando com atenção.
"Eu não procurei "Sawyer". Eu procurei seu nome de verdade." Ela disse com o traço de um sorriso.
"O que me leva ao que eu quero saber, mocinha. Como, exatamente, você descobriu meu nome?"
Ela abriu a boca, mas ele a interrompeu. "E não diga que foi no jornal, porque eu nunca disse àqueles jornalistas."
Ela mordeu o lábio inferior em divertimento. Olhando pela sala, ela parecia estar considerando.
Finalmente ele perguntou "Vai me dizer ou não?"
Ela olhou para ele e respirou, desistindo da charada. "Eu encontrei seu passaporte."
"Quando?"
"Na ilha. Uns dias depois da queda." Ela disse como se explicasse tudo.
"Entendo. E você planejava me devolver?" ele tentou não parecer irritado. Ele não queria interroga-la, mas era o único modo que ele sabia conversar.
"Sim" Ela respondeu defensivamente. Então enrolou o cabelo num gesto ridiculamente fofo.
Ele exalou defensivamente. "É, aposto. Quando você precisasse de alguma coisa e quisesse trocar, certo?"
Ela estreitou os olhos para ele. "Você teria feito a mesma coisa, Sawyer, e você sabe disso."
Ele não respondeu. A verdade era que, ele tinha muitos passaportes com ele na ilha, incluindo os de Shannon, Jin e Walt. Mas ela não precisava saber disso.
"Agora eu tenho uma pergunta." Ela disse se esticando de barriga no sofá, e virando-se para ele.
"O que?" Ele perguntou, tentando ignorar que o roupão estava chegando em uma parte perigosamente alta de sua coxa. Ela estava de calcinha? Pare de pensar nisso, ele disse bruscamente para si mesmo.
"Porque você não usa o nome 'James'?"
O som do seu primeiro nome o assustou o suficiente para que ele se recompusesse. Só ouvi-lo já o fazia nervoso, principalmente quando ela dizia. Trazia muita ressonância do passado.
"Eu não sei." Lê disse um pouco severamente. "Acho que nunca combinou comigo, Katherine. ele olhou para ela, feliz de ver que ela também estava um pouco assustada, porém ela conseguia esconder com um sorriso.
Ela desviou o olhar e balançou a cabeça. "Eu achei que você não assistia noticiários."
"Eu assiti por uns minutos no dia que cheguei. O suficiente para saber que não queria mais ver." Intrigada, ela olhou para ele. "Eu te vi ser presa. Depois disso, decidi não ver mais.
"Por quê?"
"Porque," ele levantou a cabeça brincando "o único modo que eu quero te ver de algemas, for se eu coloca-las em você."
Ela balançou a cabeça, sorrindo, e ele podia jurar que ela tinha ficado um pouco vermelha. "Por algum motivo eu achei que você seria menos nojento fora da ilha."
"Não sei o que te deu essa idéia." Ele disse com um sorriso.
"Eu também não." Ela concordou.
Então teve um momento de silêncio desconfortável. Os dois perceberam, quase que instintivamente, que o modo padrão como eles flertavam teria que tomar ramificações diferente aqui. Não era tão seguro quanto na ilha. Eles estavam constantemente em situações de stress. Tinham poucos lugares para se ficar sozinhos, e sempre tinham outras pessoas para vigiar.
Mas aqui...Tudo era diferente. Eles estavam completamente sozinhos um com o outro. Não tinha nada nem ninguém para interromper o que pudesse acontecer. A casa era afastada e eles estavam basicamente presos lá dentro. Já tinha muito tempo – tempo demais – desde que qualquer um dos dois tinha ficado com alguém, e a necessidade emocional era quase tão grande quanto a física. E para piorar, não tinha muito o que fazer aqui.
Todas essas circunstâncias contribuíam para produzir uma situação que era excitante e assustadora ao mesmo tempo, para os dois. Novos o suficiente para serem tentados pelas possibilidades, mas velhos o suficiente para saber o desastre que poderia se tornar, eles teriam que agir com cuidado.
Kate estava renunciando completamente. Mas não era fácil, mesmo para ela. Principalmente à noite. Principalmente quando ele olhava para ela desse jeito. Quando a tensão estava quase impossível de agüentar, ela se levantou e foi para a estante de livros, parecendo fascinada pelo conteúdo. Ele a observou, percebendo o que ela estava fazendo mas deixando ela se safar.
Ela pegou um livro e passou as páginas. "Eles eram dos seus avós também?"
"Sim, quase tudo aqui é. Meus pais não ficaram aqui tempo o suficiente para fazer muito progresso com a casa...Eles herdaram a casa quando eu tinha três anos, e então...bem, eu acho que você sabe o que aconteceu quando eu tinha oito anos." Ele disse amargamente.
Ela olhou triste para o livro "Sei"
"O engraçado é que, depois que eles morreram a casa foi leiloada. Nem sei quem ficou com ela por todos esses anos. O cara de quem eu comprei estava planejando destruir e construir um estábulo. Mas quando eu comprei, nada tinha sido tocado. É como se estivesse congelada em 1975."
"Você ta brincando." Ela disse, incrédula.
"Acho que tem a ver com a superstição. Ninguém quer uma casa onde um homem matou sua mulher e depois se suicidou." Um pouco mais suave, completou "Quem iria querer?"
Ela parecia perturbada. "Quer dizer que aconteceu aqui? Nessa casa?"
"Claro que foi." Ele disse, como se fosse óbvio. "Minha mãe estava no hall e meu pai naquele quarto que você entrou ontem a noite. Por isso não durmo mais lá." Ele disse braço, como se completando o pensamento.
"Sawyer.." ela parecia um pouco perturbada. "Por quê? Quero dizer, por que você iria querer...morar aqui?"
Ele olhou para a janela, mesmo ela estando coberta com cortinas e nada era visível. "Como se eu soubesse. Porque eu carrego aquela carta?" Ele olhou para ela. "Acho que pelo mesmo motivo que você carrega aquele aviãozinho."
Ela olhou para ele, do livro, de repente, surpresa.
"É, eu já vi", ele parecia cansado. "Você não é tão furtiva quanto acha que é."
Ela continuou a olhar para ele por um segundo, então olhou para o livro, sem saber o que dizer. Estranhamente, ela não se sentia ofendida nem machucada. Ela nem se sentiu encurralada, como teria se qualquer outra pessoa mencionasse o avião. De alguma forma, ela esperava que ele soubesse. Talvez uma parte dela tivesse esperança que ele soubesse.
Outro silêncio seguiu, mas esse, sem tensão. Os dois estavam cansados.
Ela sorriu triste. "Acho que eu vou subir e descansar. Eu sempre quis ler esse livro." Ela levantou o livro e ele viu que era Orgulho e Preconceito. Que conveniente. "Tenho certeza que você já cansou de mim, mesmo."
"É, você é uma chata." Ele disse sarcasticamente enquanto ela se aproximava da porta. "Mas se você sabe o que é melhor pra você, não vai me acordar de manhã."
Ela sorriu e concordou. "Prometo. Palavra de escoteira."
Ele balançou a cabeça e respirou irritado.
"O que?" Ela perguntou confusa.
"Agora eu vou passar a noite toda tentando não te imaginar num uniforme de escoteira."
Virando os olhos, ela começou a subir as escadas. "Boa noite, Sawyer," ela disse com uma voz firme.
"Você ta me matando, Freckles." Ele reclamou.
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