Capitulo
8 - Traduzido por Cristianepf
"Está
fresquinho e agradável aqui embaixo", Kate disse assim
que desceu para a cozinha à tardinha.
"Por duzentos e setenta e cinco dólares, é melhor mesmo que esteja melhor", ele disse tentando parecer bravo, o que não funcionou muito bem. A verdade era que estava mil vezes melhor, e ele percebeu que tinha sido um pouco ridículo não ter feito isso seis anos atrás. Mas novamente, ele nunca ficava muito tempo. A casa era muito grande para uma só pessoa.
"O que vocês está fazendo?" Ela perguntou incrédula, olhando para ele mais de perto.
"É só macarrão", ele disse, um pouco envergonhado.
Ela continuou olhando para ele.
"O quê?" Ele perguntou na defensiva. "Qualquer idiota sabe cozinhar macarrão, Solteiros tem que ter algumas cartas na manga" ele ponderou, piscando pra ela.
" Eu acho que sim" ela disse, ainda um pouco surpresa. "Posso ajudar?"
Ele atirou um tomate para ela, que começou a picá-lo, ela notou que ele continuava olhando para ela. Ela olhou para ele indagativamente.
"Você está com a cara toda amassada", ele disse quase sorrindo.
"Eu cai no sono", ela explicou.
"Assim espero... senão você ia gastar algum tempo explicando"
Ela fechou os olhos por um segundo e sorriu. "Você já parou para pensar quanto tempo você consegue ficar sem fazer alguma insinuação sexual?"
"O que posso dizer, Sardenta... eu acho que você traz à tona o melhor de mim."
"É? Eu odiaria ver como é o seu pior, então"
Eles sorriram um para o outro brincalhões antes que o clima começasse a ficar desconfortável, então voltaram a preparar o jantar.
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Depois de comerem o (surpreendentemente bom) macarrão de Sawyer, eles foram para sala, entediados, inquietos a ponto de enlouquecer por não estarem fazendo nada. Era contra a natureza de ambos estar confiando entre quatro paredes por tanto tempo, e o stress estava começando a ser fazer sentir.
Normalmente, Kate teria se aventurado na estrada apesar dos perigos, mas desta vez, ela precisava ser mais cautelosa. Ela havia sido pega duas vezes em menos de dois meses, e só a idéia de ser pega novamente já fazia com que ela ficasse enjoada. Ficar trancada em uma casa por algumas semanas era melhor do que estar presa numa cela pelo resto da vida. Ao menos era isso que ela ficava dizendo para si mesma.
Puxando um pouco da cortina, ela espiou ao longe pela janela. Não estava completamente escuro ainda, então descer até o lago não era uma opção.
"Tem grandes planos para esta noite, doçura?" Sawyer perguntou, observando-a.
"Sim, Eu estou só esperando meu acompanhante aparecer" ela disse secamente, fechando as cortinas de novo.
"Se você quiser, eu posso trazer o cara do ar-condicionado de volta. Aposto que ele está disponível", ele disse em tom zombeteiro.
Rindo, ela disse: "Eu passo esse."
Ela suspirou. Sawyer fingia assistir a um jogo de baseball no qual ele não tinha nenhum interesse. Depois de alguns minutos Kate parecia ter tido uma idéia. Seu rosto ganhou uma expressão de astúcia.
"Você nunca vai adivinhar o que eu achei naquele pequeno armário de baixo das escadas ontem enquanto eu estava limpando."
Ele olhou para ela, um pouco perturbado. "olha, alguém me deu aquilo... foi uma piada. Nem mesmo é meu. Já era hora de me livrar daquilo." ele disse inconfortavelmente tentando se justificar.
Kate estava confusa mas também tentando não rir. "O quê?"
"Do que você está falando?", ele perguntou cautelosamente.
Ainda olhando para como se ele fosse louco, ela foi até o corredor e voltou em alguns segundos, segurando um jogo Banco Imobiliário.
"Oh..." ele respirou aliviado. "Que diabos você pretende fazer com isso?"
Ela levantou as sobrancelhas para ele.
"Você só pode estar tirando com a minha cara", ele disse, voltando a dar atenção ao jogo. "Você não acha que estamos um tanto grandinhos para isso?"
"Ora vamos, Sawyer," ela suplicou. "Quanto tempo faz que você não joga isto?"
"Não o suficiente."
"Eu deixo você sair na frente", ela disse tentadoramente.
Ele ignorou-a. Ela então parou na frente dele, bloquiando sua visão.
"Você se importa? Estou tentando assistir!"
"Se você puder me dizer quais os dois times que estão jogando, eu sairei da frente," ela disse maliciosamente.
Ele olhou para ela com desprezo, mas ela o tinha pego. Ele não tinha a menor idéia quem estava jogando. Ele suspirou, aborrecido. Então, parecia que ele havia cedido um pouco quando uma idéia lhe ocorreu, ele perguntou brincalhão, "Tudo bem... o que o vencedor leva?"
"O quê?"
"Eu não vou jogar nenhum jogo idiota se não valer a pena."
"O que você quer?" ela perguntou em um tom cansado, esperando ouvir um de seus usuais pedidos inapropriados.
Ele parecia preparado para isto também, mas neste segundo sua expressão se modificou, tornando-se um pouco mais sério. Ele olhou diretamente para ela. "Eu vou dizer o que quero. Se eu ganhar, você vai me prometer que não vai sair correndo por aí antes de termos certeza de que é realmente seguro."
Ela estava confusa. "Está falando sério?"
Ele sorriu com um pouco de amargura. "Sim, estou falando sério. Eu posso ver que você está começando a ficar inquieta, e não quero acordar numa manhã para descobrir que você fugiu no meio da noite e roubou meu carro. "
Ela revirou os olhos em menosprezo. "Eu não faria isso."
Mas ainda assim, ela estava comovida. Ela havia dito que queria partir na primeira oportunidade, mas seria possível que ele estivesse mais preocupado com a segurança dela do que com a sua própria? Ela ainda não tinha realmente ponderado isto. Mas também a preocupava. Não seria uma boa idéia que ele começasse a se preocupar com ela. Não tinha dado muito certo para ninguém que já havia tentado antes.
"Pegar ou largar," ele disse.
Com um breve sorriso, ela confirmou com um gesto de cabeça. "Está certo. E se eu ganhar?"
"Escolha."
"Certo... que tal você baixar a tampa da privada?"
"Bem, eu acho que é bom eu dar o melhor de mim então." ele disse sorrindo maliciosamente. Ela riu.
Eles espalharam o
jogo no chão e escolheram suas fichas.
"A bota?"
Kate perguntou duvidosa.
"O quê" Eu gosto da bota."
"Eu sempre achei que você fosse do tipo que escolhesse o cavalo e o cavaleiro ou o navio de batalhas"
"Eu sempre fui a bota... você algum problema com isso?"
"Não," ela disse, levantando as mãos como se estivesse se rendendo.
Kate escolheu o carro.
"Que surpresa," Sawyer murmurou. Ela fez de conta que não ouviu.
Como
tirou o maior número, foi Kate quem começou. Parando no
quadro de "Sorte ou Revez", ela tirou uma carta.
Quando
ela tirou levantou do chão, Sawyer viu a expressão em
seu rosto se escurecer numa fração de segundos, mas
então ela
o encobriu com um sorriso irônico.
Arremessando o cartão, ela mostrou a ela. Dizia, "Vá direto para a prisão."
Escolhendo sua ficha, ela disse, "Quais as chances, huh?"
Ela colocou o carro delicadamente no quadrado que representava a prisão, sentindo sua mão tremer um pouco esperando que Sawyer não notasse. Era só um jogo estúpido... não significava nada. Ela não acreditava em sinais como estes - Ela nunca tinha acreditado. Ela não sabia explicar porque isto de alguma forma a aborreceu.
Ele a olhou por um segundo. Ela tentou sorrir. "Sua vez."
Ele escolheu uma carta do mesmo lugar que ela havia escolhido. Ela balançou a cabeça devagar. "Você não vai acreditar nisso, Sardenta." Ele segurava o cartão de soltura da prisão.
Eles se olharam por alguns segundos, ambos um bocado arrependidos de terem começado a jogar.
"Vendo para você,"
Sawyer ofereceu se esforçando para ser brincalhão.
"É"
Kate olhou para baixo. "Por quanto?"
"Bem... " ele considerou lentamente. "Já que o jogo acabou de começar, eu acho que vale muito ainda. Digamos... dez dólares?"
Ela olhou para ele, visivelmente agradecida, mesmo sabendo que nada disso significava nada.
Alcançando a ele uma nota de vinte, ela sorriu. "Fique com o troco." Ele agarrou mais da sua mão do que necessário para pegar , mas ela fingiu não notar.
Depois de uma hora de jogo, o humor de kate tinha melhorado, enquanto o de Sawyer certamente não. Ele estava devendo até por dentro dos olhos, e em breve todas as suas propriedades seriam hipotecadas. Familiarizada com a norma do monopólio, Kate era uma rica magnata.
Ela não conseguia evitar em provocá-lo. "O que posso fazer se você um péssimo investidor?"
"É? Bem talvez se alguém não tivesse roubado todas as minhas propriedades por ser gananciosa, eu tivesse uma chance!"
"É banco imobiliário, Sawyer! É pra ser ganancioso é a graça do jogo."
Ele a encarou, fazendo-a rir.
"Você é um perdedor."
Quanto mais enforcado ele ficava, mais ele perdia o interesse no jogo. Ele começou a usar o tempo para observá-la. Apesar de zangado por estar perdendo, era bom vê-la alegre pra variar. Ao menos tirava sua mente de todo o resto.
Numa jogada muito forte do dado, ela o fez voar na direção em ele estava. Se fingindo de emburrado, ele se recusou a alcançá-lo a ela, então ficando de joelhos e apoiando-se no outro lado do jogo, ela o pegou o que havia caído. Estando Sawyer ao seu lado, a ação dela fez com que o rosto deles ficassem separados só por alguns centímetros. O cabelo dela tocava no braço dele.
Quando ela pegou o dado, seus olhos encontraram o dele e ela parou por um segundo. Sem sequer pensar sobre o movimento, ele se inclinou um pouco, colocou uma mão no lado do rosto dela gentilmente, tocando seus lábios gentilmente com os seus. Ela relaxou por um instante, fechando os olhos, mas quando ele pressionou com mais firmeza, beijando seu lábio inferior, ela de repente saltou para trás como se um sistema de alarme tivesse disparado. Ficando de pé em um só movimento, ela chutou o jogo e as casas e hotéis espalharam-se em todas as direções.
Ambos ficaram olhando-se em choque por alguns segundos, Sawyer finalmente desviou o olhar e inclinou-se no chão, pondo as mãos atrás da cabeça em sinal de tentar segurar a raiva. Ele respirava fundo para tentar conter sua frustração.
Ela estava tremendo, tentando não chorar. Ela se virou, sabendo que lágrimas só o deixariam ainda mais bravo. "Sawyer..." ela começou, pausadamente. "Eu... você sabe... eu não vou ficar aqui por muito tempo." Ela parou, sem saber o que dizer. "É só que... seria complicado..."
"Quer saber?" ele disse com selvageria, levantando num salto. "Nem se incomode, querida. Eu entendi, está bem? Alto e claro. Poupe-se do aborrecimento.
De pé, ele olhou para ela por alguns segundos, com desprezo e arrependimento. Em um tom amargo que ela nunca o havia visto usar, ele disse: "Eu não vou cometer esse erro de novo, não se preocupe. Acho que algumas vezes eu demoro um pouco para entender as coisas."
Ela continuou não olhando para ele, sabendo que se tentasse se virar teria um colapso.
"Eu vou sair. Não espere acordada."
Alguns segundos depois, ela ouvir o bater da porta.
Desmoronando no sofá, ela pôs a cabeça entre as mãos e tentou controlar a respiração. Não houve jeito e ela finalmente começou a chorar.
Não estava chateada só pelo fato de tê-lo magoado. Foi porque quando ele a beijou, cada molécula de seu corpo reagiu imediatamente, e ela não queria nada mais no mundo do que ceder.
Mas o fato perigoso era que um beijo entre eles nunca poderia ser somente um beijo. A energia gerada era muito forte para isso - uma vez que o pavio fosse aceso, continuaria queimando até não haver mais nada. Eles mal haviam conseguido parar da primeira vez, e isto foi quando ele estava amarrado em um árvore com sangue escorrendo do rosto e ela havia sido subornada à beijá-lo. O que iria pará-los agora?
Aquilo não podia acontecer. Ela estava determinada não podia ficar tão envolvida assim. Era muito perigoso para ele, e era certamente perigoso para ela. Sua vida havia estava bagunçada e ninguém mais tinha que lidar com isso, mesmo alguém que estivesse parcialmente relacionado. Ela não queria um lance sexual agora, e a despeito de suas insinuações masculinas, ela achava que ele também não queria. A conexão que tomava lugar quando eles se olhavam era mais do que isto,e ela sabia desde o início, mas tentava não pensar a respeito.
O que lhe atraía nele era o seu mútuo entendimento, e foi isso que a havia trazido até aqui procurando por abrigo quando não tinha mais opções. Mas aquilo estava ameaçando a se tornar em algo mais - estavam a um passo desta transição, e ela se culpava por se recusar a admitir até agora.
Se esforçando a parar de chorar, ela fez uma tentativa para reerguer sua barreira emocional. Enquanto ela tristemente recolhia as peças do jogo espalhadas e as punha de volta na caixa, ela tomou a decisão.
Ela iria embora amanhã.
