Capitulo 11 - Traduzido por Cristianepf
Jack cumprimentou com um movimento de cabeça. "Sawyer."
Então olhou para baixo e com uma expressão de um leve divertimento perguntou, "Isto é uma arma em sua mão, ou você só está feliz em me ver?"
Sawyer também olhou para baixo, ainda não totalmente recuperado do choque. Ele havia até esquecido que andava com a arma. "Eu esperava outra pessoa," ele disse rapidamente, dando espaço para Jack entrar.
"Estou vendo," Jack replicou, como se não estivesse particularmente surpreso de que Sawyer poderia abrir a porta com uma arma. Ele entrou na cozinha e, sem esperar ser convidado, puxou uma cadeira da mesa e se sentou.
"Sente-se, doutor," Sawyer disse com sarcasmo, largando a arma no balcão e tentando fazer com que seu coração parasse de bater tão forte. Ele preferia fazer com que Jack fosse para sala de alguma maneira. Kate estava praticamente debaixo dos pés deles. Mas ficaria suspeito se ele fizesse isso agora, depois dele já ter se sentado.
"O que o traz ao Tennessee? Está prestando seus serviços na estrada?" Ele puxou uma cadeira e sentou junto da mesa como Jack já havia feito.
"Não exatamente." Ele olhou em volta curiosamente. "Então... esta é sua casa, ham? É mais limpa do que eu esperava."
Se ao menos ele soubesse quem anda limpando a casa, Sawyer pensou. Mas perguntou, indo direto ao ponto, "Alguma coisa que posso ajudar, Jack?"
Ele mencionou o nome propositalmente, porque sabia que do porão Kate podia ouvir cada palavra que diziam. Ele mesmo havia se encondido inúmeras vezes quando criança enquanto sua mãe entretinha "amigos" - incluindo o filho-da-mãe que destruiu suas vidas, o verdadeiro Sawyer. Então ele estava ciente de que a conversa da cozinha podia ser ouvida claramente de lá. Se ela não tinha reconhecido a voz de Jack imediatamente (e ele acreditava que ela tinha reconhecido), então agora ela podia ter certeza. Se ela quisesse sair, ela poderia. Não seria ele a deixar Jack saber que ela estava lá se ela assim não desejasse. Ele deixaria para ela decidir.
Jack suspirou, obviamente não querendo dizer o havia trazido até ali mas não vendo outra saída. "Eu acredito que você já deve ter ficado sabendo a essas alturas." Ele pausou. "Sobre a Kate."
Sawyer tentou parecer completamente inabalável. No segundo que ele viu Jack parado na porta, ele tinha uma leve desconfiança que o seu motivo para aparecer teria algo a ver com ela, mas agora não havia mais dúvida disso.
"Eu ouvi que ela passou uma rasteira nos desgraçados de novo. Tudo o que posso dizer é, melhor para ela."
Jack pareceu esperar por essa resposta, "É, bem... infelizmente, não é assim tão simples."
"E por que não?"
"Sabe o acidente que ela causou? O motorista teve hemorragia interna - eles não descobriram de imediato. Ele está em coma, e ... aparentemente, não está nada bem. Ele provavelmente não sobreviverá."
Sawyer não sabia o que dizer. Tudo o que ele podia pensar o fato de Kate estar ouvindo a isso.
Jack continuou. "Mas obviamente, esta é a última de suas preocupações... considerando todo o resto." Ele olhou para Sawyer indagativamente. "Você sabe ao menos o que ela fez?"
"Não," ele disse rapidamente. "E nem estou interessado em ouvir a versão deles sobre isso. Então não precisa se incomodar em me contar." Mesmo que a curiosidade estivesse matando-o, nada o induziria a colocá-la sob a tortura de ouvir seu passado sendo narrado (provavelmente de forma errada) por outra pessoa.
Jack olhou confuso, mas não insistiu. "Bem, é suficiente dizer, é uma história e tanto." Ele parou. "Ela é..." ele deu um leve sorriso irônico. "Ela é uma garota complicada."
Sawyer estava ficando de saco cheio. "Então porque diabos vocês está me contando isso?" Você sempre atravessa o país para falar bobagem sobre o passado de conhecidos? Lembrando-se do carro estacionando na entrada, ele perguntou incrédulo, "Você dirigiu até aqui?"
"Para ser honesto, eu não estou com pressa de entrar de novo em um avião."
"Então você levou três, quatro dias para chegar aqui e somente falar sobre a Kate. Sem ofensas doutor, mas você não tem coisas melhores para fazer?"
Será que isso soou natural o bastante? Ele tentava pensar no que diria se não a tivesse visto - se esta visita chocante realmente havia vindo do nada como ele fazia parecer. Seria isso o que ele diria?
Jack olhou para ele de perto. "Eu pensei que poderia haver uma chance de você tê-la visto."
"E o que iria fazer você pensar isso?" Ele tentou olhar para ele com firmeza.
"Eu não sei, só... presentimento, eu acho. Eu pensei que ela poderia procurar sua ajuda."
Sawyer engoliu, um pouco enfurecido por Jack ter pensado aquilo. Ele devia conhecê-la muito bem, afinal de contas.
"Não. Não vi ela. Sinto desapontar você." Isso foi convincente?
Houve um breve silêncio. Sawyer de repente percebeu, como uma fisgada no estômago, que Jack estava olhando para a lista de supermercado de Kate que eles acidentalmente deixaram sobre a mesa. Será que ele conhecia sua letra? Certamente ele não havia tido oportunidade de ver na ilha, ou havia?
Mas olhando melhor, ele notou que Jack parecia estar olhando fixo para a lista. Ele não estava focando a visão em nada, e depois de alguns segundos ele olhou em volta da cozinha. Sawyer estava aliviado. Ele tentou pensar em mais alguma coisa para dizer.
"Como descobriu onde eu moro?" Era incrível para ele que as pessoas continuassem encontrando-o lá, considerando o quanto ele tentava proteger sua verdadeira identidade.
Jack olhou como se não quisesse responder. "Eles, uh... eles tem informações bem detalhadas de todos que estiveram na ilha. Nomes, endereços, números de telefone... ao menos dos que tem telefone," ele disse, olhando intencionalmente para Sawyer.
Mas esta não foi a parte que lhe chamou a atenção. "Eles? Eles quem?"
Jack hesitou por um segundo, e depois suspirou. "O FBI. São eles que estão liderando a procura por ela agora - é das mais procuradas".
Sawyer ficou confuso a princípio, mas então começou a ver a verdade da situação. Ele sacudiu a cabeça devagar em sinal de desprezo e quase rindo. "Eu devia saber."
Ele olhou diretamente para Jack, acusador. "Aqueles filhos-da-mãe mandaram você aqui, não mandaram? O que estão tentando fazer, com que você a pegue para eles?"
Jack não respondeu. Ele parecia atormentado.
Sawyer continuou, amargo. "Eu sempre soube que você jogava, doutor, mas tenho que dizer, eu nunca pensei que você poderia ir tão longe. Provavelmente usando uma escuta, não está?"
"Não, eu não tenho uma escuta!" Jack finalmente respondeu, zangado. "Você realmente acha que eu faria isso com ela?"
"Então porque diabos você veio aqui?"
"Eu só queria falar com ela," ele continuou, um pouco mais calmo. "Essa fuga... é só... não é a coisa mais esperta a se fazer, a essas alturas. Ela precisa ouvir isso de alguém que realmente quer o melhor para ela."
"Você acha que ela devia se entregar?"
Jack olhou nos olhos dele. "Considerando o que vai acontecer à ela se nào se entregar, sim. Eu acho. É a única opção que ela tem.
Sawyer olhou para Jack como se ele fosse louco.
Jack continuou. "Eles querem oferecer à ela algum tipo de acordo. Se ela se entregar, sua sentença vai ser mais leve - que com bons advogados, é provável que ainda consiga diminuir pela metade. Ela ainda tem seus vinte e poucos anos... se ela for adiante e usar o tempo, ainda poderá levar uma vida normal quando sair."
Sawyer exaltou-se. "Eu já ouvi besteiras antes, mas essa ganha de todas. Você acha mesmo que vào tirar aliviar a pena dela? Depois de tudo que ela os fez passar - depois de fazê-los parecer idiotas com ela escapando tantas vezes? Sem contar o que ela fez para começar a ser perseguida... especialmente se é tào ruim quanto você disse que é? Me diga que você nào é assim tào idiota, Jack".
"Eu não estou dizendo que eles vão facilitar para ela, mas ainda é a melhor alternativa." Ele fez uma pausa, parecendo arrasado. "Ela vai acabar sendo morta, Sawyer. Se ela continuar com isso, é só uma questão de tempo. E mesmo que ela consiga se manter viva, o melhor que ela pode conseguir é uma vida sem liberdade."
"Eu não sei por que diabos você está me dizendo isso," ele disse mal-humorado. Ouvir tudo isso o fazia sentir-se mal. Havia um que de verdade nas palavras, mas ele não queria pensar nisso agora.
Jack olhou para baixo fitando a mesa. "Eu não sei. Eu só acho que é bom poder dividir isso com alguém que está do lado dela, para variar," Pausando, ele continuou calmamente. "Eu estou com medo por ela. Eu sei que isso é ridículo... eu só estive com ela por um mês. Mesmo assim... pensar no que vai acontecer com ela... me deixa doente." Ele sacudiu a cabeça, tristemente. "Ela não pode continuar fugindo pro resto da vida."
"Acho que ela vai tentar testar essa teoria," Sawyer disse calmamente. Ele queria mais que tudo tirar Jack da cozinha. Kate não devia ouvir isso.
"Eu acho que sim." Depois de alguns segundos, Jack olhou para Sawyer de novo, curioso."Você realmente não ficou sabendo dela?"
"Eu já não respondi isso?" ele replicou, tentando soar irritado ao invés de nervoso.
Jack acenou a cabeça afirmativamente. "Bem, então eu acho... que perdi a viagem. De qualquer maneira, valeu a pena tentar." Ele se levantou. "Eu vou indo."
Sawyer mão pôde resistir e perguntou, "O que faz você pensar que ela ouviria seu conselho, se você a achasse?"
Ele pensou por um segundo. "Eu não sei. Acho que eu só esperava que ela quisesse fazer a coisa certa. Talvez ninguém antes tenha se preocupado em tentar com que ela fizesse isso." Ele olhou para Sawyer tentando dar um significado nas últimas palavras, mas sem querer insultá-lo.
Sawyer levantou-se também. "Já parou pra pensar que talvez sua idéia de o que é certo pode não ser a mesma dela?"
A princípio Jack não respondeu. Ele estava olhando para a despensa, distraidamente. "Isso provavelmente é verdade," ele disse devagar, mas como se não estivesse realmente prestando a atenção.
Abrindo a porta, ele se virou novamente para Sawyer com uma expressão estranha e melancólica. "Se de alguma maneira você encontrar com ela no futuro, diga a ela..." ele parou por um instante. "Diga a ela que sinto sua falta. E que... eu fico feliz por tê-la conhecido, mesmo que tenha sido só por um mês. Não me esquecerei dela." Ele escondeu a cabeça um pouco, quase como se tivesse medo ficar muito emocional.
Sawyer estava um pouco confuso sobre o que havia desencadeado aquela reação, mas ele se sentia mal por ele. Não que eles pudessem se entender. Era de Kate que eles estavam falando, afinal.
"Eu passarei o recado se cruzar com ela," ele disse gentilmente. "Mas também não tenha grandes esperanças quanto à isso acontecer."
"É," Jack disse, quase sorrindo. "Bem... só por precaução."
Sawyer o seguiu até a varanda e ficou observando enquanto ele descia os degraus. Jack olhou em volta apreciativo. "É um belo lugar."
"Não é nada mal."
"Então..." Jack olhou de volta para ele. "Obrigado novamente por nos tirar da ilha."
"Você devia agradecer à Michael. Eu fui só um passageiro."
Jack acenou com a cabeça. "Nos vemos por aí, Sawyer."
"É."
Ele ficou olhando até Jack desaparecer ao lado da casa, e continuou ali até ouvir ele dar a partida no carro, e o barulho do atrito no cascalho se afastando em quanto ele seguia seu caminho de volta. Finalmente, ele voltou para dentro.
Ele olhou para a despensa, imaginando com um certo receio como Kate estaria depois de ouvir a tudo aquilo.
Com surpresa, ele viu que estendida sobre a máquina de lavar, bem visível, estavam as roupas que ela havia usado no dia em que foi presa na ilha. Jesus Cristo. Ele tinha vontade de se bater.
Então... será que Jack sabia? Seria isto que ele estava olhando? Devia ser. Mas por que ele não disse nada? Os pensamentos de Sawyer eram uma ciranda de confusões.
Tarde demais, pensou, ele não estava assim tão preocupado. A despeito das acusações que ele havia feito antes, ele realmente não acreditava que Jack pudesse dura-lá ou algo do tipo. Como ele havia dito, ele queria que ela mesma se entregasse, não que fosse capturada. Mesmo assim... como eles puderam ter sido tão descuidados deixando as roupas dela lá?
Ele entrou na peça e ajoelhou-se no chão. Devagar, ele levantou a porta do porão e olhou para baixo.
Exatamente como ele pensava. Ela estava sentada no chão, a cabeça sobre os joelhos, e ele podia dizer pela tensão, pelo movimento de quase vibração de seus ombros, que ela antes estava soluçando ou estava a um passo disso.
Por alguma razão, e para sua completa surpresa, a visão o fez ficar com raiva. Seria pelo fato dele saber que nada que ele pudesse dizer teria o poder de fazer ficar chateada àquele ponto?
"Você quer que eu vá atrás dele?" ele perguntou em tom amargo.
Ele mal conseguiu ouvir um silencioso "não" em resposta.
Incapaz de parar, ele continuou. "Porque eu provavelmente consiga alcançá-lo se eu dirigir rápido o bastante... é só você dizer, querida, pois tenho certeza que ele ficaria feliz em..."
"Eu disse Não!" ela disse bruscamente, finalmente levantando a cabeça.
Ele ficou horrorizado pela expressão do rosto dela. Era a primeira vez, desde que ela esta ali que ele a via tão emocionalmente abalada, sua dor tão perto da superfície.
Ele foi varrido por uma onda de ódio irracional contra Jack. Maldito. As coisas estavam tão bem ultimamente. Ou pelo menos eles estavam fingindo que estavam. Mas agora que ele havia dado passado por aqui com sua superioridade moral "fazer a coisa certa" dane-se e foda-se tudo por fazê-la duvidar de sí mesma. Ele queria voltar atrás e poder fazê-lo ir embora com um nariz quebrado.
Levantando-se, ela subiu a escada dramaticamente. Ele tentou ajudá-la, mas ela o repudiou, alcançando a porta.
"Eu vou sair pra dar uma volta," ela disse simplesmente.
"Mas é claro que você vai! Estamos no meio do dia, e é fim de semana. Não existe momento pior pra você sair!"
"Eu não me importo."
Quando ela empurrou a porta para abri-la, ele a segurou pelo braço.
"Que diabos tem de errado com você?" Mesmo que na verdade ele não precisasse realmente perguntar.
Ela ficou imóvel, e em um tom de voz quase inaudível, disse pausadamente "Me solte."
Ele hesitou por um segundo, mas não havia como segurá-la. A julgar pelo seu olhar selvagem e perturbado, ele podia dizer que ela não cederia. Ela precisava sair, ficar sozinha por um tempo. Ele a soltou.
Abrindo a porta, ela atravessou o quintal quase correndo e desapareceu atrás do galpão, provavelmente seguindo até o lago. Ele não tentou segurá-la.
Ele a ouviu entrar na casa depois de uma meia hora mais tarde e subiu direto para o andar superior, abrindo com firmeza a porta do quarto onde ela estava hospedada. Então não estava para conversa. Tudo bem. Ele podia lidar com isso. Ele não tinha idéia do que diria, de qualquer maneira. Ele ainda não conseguia saber se estava mais bravo por Jack ter aparecido causando tudo isso, ou por ela se deixar afetar tanto por isso.
Quanto mais tempo ela permanecia lá em cima, mais preocupado ele ficava. Ela não havia emitido um som durante toda a tarde. Ele sabia que ela tinha a tendência a se isolar sozinha quando estava chateada - ele a viu fazer isso antes na ilha - mas estava ficando ridículo.
Finalmente, quando ele estava pronto para subir e mandar com que ela saísse de lá, ele a ouviu descendo. Ele levantou os olhos esperançosos, mas suspirou de desapontamento quando viu o olhar que ela tinha no rosto. Se fosse possível, ela parecia ainda mais chateada do que antes. Havia também um ar firme, inflexível que indicava que ela estava de cabeça feita sobre alguma coisa. Ele tinha uma preocupante idéia do que se tratava.
Suas suspeitas se confirmaram quando ela falou.
Sem olhara para ele diretamente, ela disse quase indiferente. "Eu estou indo."
"Agora?"
Ela balançou a cabeça afirmativamente. "é."
"Nem é noite ainda." Essa era uma coisa ridícula para se dizer, ele sabia, mas foi a primeira coisas que lhe veio à cabeça.
"Logo vai ser."
"Você comeu alguma coisa hoje?" Outra coisa idiota pra se dizer.
Ela nem se importou em responder desta vez. Ela só se locomoveu em direção à porta da cozinha. Era como se ela estivesse em algum tipo de transe.
"Então... simples assim. Vou vai." ele disse amargamente.
Ela se virou para ele. "Quem estamos enganando, Sawyer? Eu não posso mais ficar aqui."
"Engraçado... você não parecia pensar assim antes do Santo Jack aparecer aqui nesta manhã com seu pequeno discurso "cheio de si".
Ela fechou os olhos brevemente quando ele mencionou a visita. Eles ainda não haviam dito nada sobre isso. "Sim, eu pensava assim. E você sabia. Eu estava mesmo planejando ir hoje, lembra?"
Era verdade, mas nenhum dos dois realmente acreditava que isso aconteceria. O fato dela ter aceitado aumentar a lista de compras deixava isso claro.
"é, bem isso foi antes de você ficar assim chateada... parece que você veio de um maldito ataque aéreo! Você não está pensando direito - se você sair assim, vai estar atrás das grades de manhã!"
Com um olhar distante muito estranho, ele disse gentilmente, "Sabe o que é engraçado? Eu nem se quer ligo mais."
Ele explodiu. "Nem pense em vir com essa "eu não ligo mais", querida! Eu vi como você fica toda vez que acha que há uma pequena possibilidade de ser apanhada, neste último mês. Isso te assusta demais, você tentando esconder ou não! Você realmente vai deixar ele fazer isso com você? Fazer você pensar que não tem nenhuma chance, você vai desistir? Por que isso é besteira, Kate, e você sabe! Você chegou já chegou tão longe, não chegou?
Ela finalmente olhou diretamente para ele. Ainda falando em uma voz contida, misteriosamente calma, ela disse, "O único motivo por você estar de cara, Sawyer, é porque você sabe que ele tem razão. Realmente não importa o que eu faça. Ficar aqui só está pondo você em perigo também... e eu não vou mais fazer isso. Não é justo."
"Você pode ouvir o que está dizendo?! Você vai acordar numa cela amanhã e quisera que alguém conseguisse fazer você retomar o juízo enquanto ainda é tempo. Mas parece que já é tarde demais, não é?"
"Talvez. Mas ao menos não terei que me preocupar com mais ninguém. De certa forma, é até um alívio."
"Você está mesmo perdida, não está?" ele disse espantado. "Diabos, eu sabia que você tinha uma queda pelo doutorzinho, Sardenta, mas eu não sabia que ele tinha poderes para controlar mentes - o que ele tem, algum tipo de boneco de vudu que parece com você? De a tranca em uma caixa e de repente você sente uma necessidade incontrolável de jogar sua vida fora?"
Ela deu um suspiro profundo. Ela sabia que ele só estava tentando usar todas as táticas que ele pudesse pensar, não importava quão absurdas elas fosse. Mas não ia funcionaria dessa vez. Insegura como ela se sentia, ela estava de cabeça feita.
"Isso não tem nada a ver com Jack. Tudo o que ele fez foi me lembrar do que eu já sabia." Ela empurrou a porta, tristemente.
"Adeus, Sawyer," ela quase murmurou. "Obrigada... por tudo."
Ele olhou para ela arrasado. "Se você for agora... não espere poder voltar. Isso não é uma pensão. Convites expiram no segundo em que você sai pela porta."
Imediatamente lágrimas marejaram seus olhos, e ele sentiu como se alguém esfaqueasse seu coração. Ela o encarou por um alguns segundos, e ele rezava para Deus que ela estivesse reconsiderando.
Finalmente, ela concordou mais uma vez, dolorosamente. "Eu entendo."
Fechando a porta atrás dela, ela saiu nos mesmos passos que havia feito mais cedo, só que desta vez ela tomava outra direção – a saída da frente.
Ele parou na porta. "Kate!"
Ela não se virou ou deu qualquer indicação de tê-lo ouvido. Em alguns segundos, ela estava fora de visão.
Sua ira e frustração o esmagavam, ele voltou para dentro e cego pela raiva, sem nem ao menos notar o que fazia, virou a mesa da cozinha e a fez voar pelo aposento.
Ouvindo o barulho da frente da casa, Kate parou por um instante e fechou os olhos. Então, respirando fundo e tentando conter as lágrimas, ela continuou em direção à estrada.
