Capitulo 12 - Traduzido por Ana

Ele não conseguia tirar os olhos do relógio. Não fazia o menor sentido, mas, por alguma razão, era incrivelmente importante pra ele saber exatamente a quanto tempo ela havia partido. Mentalmente, traçava seu progresso, na tentativa de calcular a que distãncia estaria agora. Não que isso fôsse mesmo possível. Já que ele nem mesmo sabia que direção ela havia tomado. Ela já podia ter arrumado uma carona ou podia ainda estar a pé. Talvez tivesse parado em algum lugar para se esconder ou talvez tivesse decidido continuar em movimento. Ele não tinha a menor pista. Mas não conseguia parar de pensar nisso.

Andou por toda a casa, de cima a baixo e quando esta não pode mais contê-lo, saiu pela varanda e deu várias voltas em torno da casa. Ele nunca havia se atormentado tanto por uma coisa antes. E a pior parte era que ele nem ao menos podia se afogar no álcool, como normalmente fazia quando enfrentava um problema que nao sabia como resolver. Ou melhor, poder podia, mas o mero pensamento era repugnante para ele. Estava determinado a manter a mente clara, pelo menos até que se acalmasse um pouco.

Toda a situação era ridícula. Para príncípio de conversa, fôra ridículo ela ter aparecido por lá, em primeiro lugar. Daí fora ainda mais ridículo que ele tivesse chegado ao ponto de desejar que ela ficasse. Porém, o aspecto mais claramente absurdo de tudo isso, era esse sentimento que o rasgava em pedaços e que lhe doía até os ossos.

Que que tava acontecendo com ele, afinal? Ela tinha saído das costas dele, deixado ele em paz - ia poder tocar a sua vida normal e dar adeus a todos os perigos e aborrecimentos que vieram com ela. Pela 1ª vez, desde que pisara naquele avião para Austrália, ia poder se encaixar de novo na sua velha rotina de vida. Ia poder planejar seu próximo golpe, se reunir com seus parceiros e retomar sua fileira de casos sem importância e transas de uma noite só. Então, por que, em nome de Deus, esse prospecto o enchia de um horror e uma repugnância como jamais sentira antes, em toda a sua vida?

Ele estava começando a perceber que iria acordar em casa de manhã e ela já teria ido. Ele desceria pelas escadas e não haveria ninguém lá. Ninguém para forçá-lo a tomar café fresquinho, rearrumar toda sua mobília ou reclamar de alguma porcaria quebrada. Ninguém para lhe puxar o saco e convencê-lo a brincar com jogos de tabuleiro. Se se metesse em outra briga de bar, ninguém iria se oferecer para pegar água oxigenada para ele.

E daí...qual a novidade? Era como sempre tinha sido. Ele tinha 35 anos, não deveria ter se acostumado já? Se ele não preferisse assim então por que tinha deixado por isso mesmo por tanto tempo?

Mas, essa era a maneira egoísta de encarar a situação, e mesmo através da onda de raiva que sentia de Kate, ele se apercebeu disso. Não era nada disso que o estava aborrecendo. O que estava aborrecendo mesmo era ficar imaginando onde ela estaria quando acordasse de manhã. Isso, se ela tivesse chance de dormir, o que era improvável. E se fôsse encontrada e levada presa nesse noite mesmo? Tentaria se esconder debaixo de alguma ponte ou em algum carro abandonado por aí?

Iria (e este era o pensamento que mais o horrorizava) aceitar a "ajuda" de um caminhoneiro solitário ou de algum tarado filho-da-mãe que a encontrasse na estrada?

Ela não tinha como se proteger, estava sem sem qualquer arma. Ele sabia que ela sabia lutar, mas que provavelmente não pesava mais do que 60 quilos, se tanto. Seria moleza para alguém dominá-la, se realmente quisesse.

Não apenas não tinha arma como também estava sem dinheiro. Sem um centavo, pelo que sabia. Ela tinha saído pela porta sem carregar absolutamente nada. E para cúmulo, estava usando o maldito vestido. Como se isso fôsse fazer ela parecer mais respeitável, pensou com despeito. Ela parecia mais uma fugida do hospício ou parte do elenco de uma produção escolar de Guys and dolls. Onde é que ela tava com a cabeça?

Quanto mais ele pensava nisso, mais zangado ficava - não apenas com ela, mas com ele mesmo por te-la deixado ir. Obviamente, ela estava perturbada, sem pensar claramente... mas o que ele poderia ter feito? Deixado ela trancada? É, por que isso sim, teria sido ótimo. Ele quase riu ao pensar nisso.

Ele voltou pra dentro e olhou o relógio de novo. Duas horas e meia. Ela já tinha partido a duas horas e meia. Estava completamente escuro agora. Toda vez que olhava as horas sentia uma maré de impaciência.

Pelo quê, ele não sabia, porque não era como se estivesse esperando que alguma coisa acontecesse. Havia dito a ela qeu não se desse ao luxo de voltar, e mesmo que ela soubesse que ele não estava falando a sério, ele sabia que ela não voltaria. Não só por teimosia e pra fazer ele engolir as palavras (embora isso também contasse) mas também por que ela tinha sido sincera ao dizer que não queria colocá-lo mais em perigo.

Ele sentiu que estava perdendo a cabeça. Cada segundo a deixava mais distante dele, mais próxima de algum perigo desconhecido ou de uma catástrofe. Como ele deixou que isso acontecesse?

Era culpa dele ela ter ido embora sem nada - ele poderia, pelo menos, ter lhe dado dinheiro, pensou, sentindo um mar de ódio por si mesmo. Por que não tinha pensado nisso antes? Ela provavelmente teria aceitado, embora jamais fôsse pedir. Como podia ser tão estúpido?

Então, essa era uma boa razão para procurar por ela, certo? Não era como se ele estivesse indo atrás dela, propriamente. Ele podia só... dizer-lhe que ela tinha sido uma idiota e forçá-la a aceitar o dinheiro. E aí... bem, se ela se acalmasse ou começasse a pensar racionalmente de novo, então talvez, talvez... ela pudesse reconsiderar...

Mas, não, ele não podia pensar nisso. Porque com toda a certeza, não aconteceria. Ele a conhecia o bastante para saber que ela era uma solitária por natureza, igual a ele. Uma vez que tivesse tomado a decisão de ficar só, não haveria o que a convencesse do contrário.

Ainda assim, valia a pena tentar. Ele ia ter que engolir um pouco o orgulho, já que tinha dito em alto e bom som que não queria voltar a vê-la de novo. Mas, neste caso ele aceitaria o sacrifício para tentar ajudá-la um pouco. E se ela estiver determinada a cair na estrada, então o dinheiro seria a ajuda mais importante na fuga que ela poderia ter.

Correndo até seu quarto com uma sensação esmagadora de que cada segundo perdido podia significar vida ou morte para ela, ele acendeu a luz e apressadamente puxou a gaveta perto da cama onde guardava o dinheiro. Tinha feito uma retirada no banco de alguns mil mangos semana passada, já que Kate havia sido uma despesa que ele não economizara. Ele preferia ter dinheiro vivo à mão, por que, como todos os homens, ele detestava preencher cheques.

Enquanto abria a gaveta, o pensamento de que ela pudesse ter estado aqui antes, rapidamente lhe ocorreu - quem sabe prevendo suas necessidades ela tivesse limpado ele? O que faria então? Ir atrás dela e exigir o dinheiro de volta? Parecia um pouco fora de propósito.

Mas, não... graças a Deus. Estava tudo lá. Ela não estava com cabeça pra antecipar despesas - infelizmente tinha falado a verdade quando disse que não ligava para o que lhe acontecesse.

Descendo apressado pelas escadas e agarrando as chaves do carro, lhe ocorreu que ele não sabia pra onde ela tinha ido. Por incrível que pareça, essa idéia óbvia não tinha lhe passado pela cabeça nem uma vez desde que se decidira a ir atrás dela. Se ela tivesse aceitado a carona de alguém logo depois que partira, já estaria fora do estado agora. Era bem possível que ele jamais a visse de novo, não importa o quanto procurasse por ela. Pensar nisso foi como levar um tiro de canhão nas costelas.

Mas, ele não podia perder tempo pensando nisso agora. A única chance que tinha, era começar a procurar imediatamente e esperar pelo melhor. E ele tinha uma vaga, indefinida suspeita sobre onde ela pudesse ter ido. Havia uma parada de caminhões, furreca e envelhecida bem depois da interestadual, cerca de 14 quilômetros dali.

Se ela decidiu caminhar, deveria estar por ali, agora. Era um tiro no escuro, mas se era como ela estava acostumada a viajar, não custava tentar. O hábito faz o monge, ele sabia bem. Seguro ou não, ela acabaria girando em torno do que estava acostumada a fazer.

Entrando no carro, colocou a chave na ignição e virou.

Nada aconteceu.

Tentou de novo. Nem um som.

Mas, que merda! Isto não tava acontecendo, tava? O carro tinha rodado bem ontem - o tanque estava cheio e o óleo tinha acabado de ser trocado.

Ele continuou virando a chave, mas não havia a menor indicação de que iria ligar.

Enraivecido e se sentindo em pânico, ele abriu a capô e olhou dentro. Estava tão distraído que não conseguiu realmente se concentrar e, de qualquer forma, não tinha idéia do que procurar, mesmo. Era um mecânico horrível - a caminhonete ainda quebrada era prova disso. Além do mais, mesmo que ele soubesse qual era o problema, que chance tinha de conseguir consertar ainda esta noite?

Fechando o capô de novo, com um bang ensurdecedor, ele chutou o lado do carro, furioso. E agora? Seu vizinho mais próximo estava a quase meio quilômetro dali e ele odiava o cara...nunca iria lhe pedir ajuda. Não tinha telefone, então não podia chamar um táxi - não que ele pudesse, pensou. O que diria? "Pode ficar dirigindo por aí, bem devagar, enquanto eu procuro uma garota que fugiu da minha casa? Ela é uma fugitiva e eu, tipo, quero dar a ela uma grana, pra ela poder continuar fugindo." A despeito da raiva, ele deu uma risada curta.

Ele ficou parado ali, se sentindo miserável e sem esperanças, e tão frustrado que estava perigosamente perto das lágrimas. Como foi que ferrou tudo assim? Que é isso, um sinal? Será que ele deveria deixar tudo pra lá, esquecer dela? Talvez esta seja sua última chance de escapar do rastro de destruição que ela carregava no caminho. Mas, diabo, ele também tinha seu próprio rastro de destruição... Quanto mal ela poderia lhe trazer?

Havia mais uma opção, mas ele não tinha qualquer esperança ali. Era sua última tentativa, o tipo de coisa ridícula que você é capaz de tentar quando se está tão sem escolhas que nada mais parece tão absurdo, como jogar um copo d´água num incêndio que já se espalhou pela casa toda.

Com o coração batendo e a cabeça latejando simultaneamente num ritmo forte e constante, ele entrou no barracão escuro e tateou até encontrar a porta do lado do motorista da caminhonete. Felizmente estava destrancada, embora ele, no fundo, soubesse que isso provavelmente não fôsse fazer muita diferença. O problema não era entrar.

Ele achou a chave certa no chaveiro - ele sabia qual era por ser a que nunca tinha sido usada. Ele não tinha tentado dar a partida naquela droga por pelo menos 6 meses. Colocando a chave na ignição, ele sentiu uma estranha necessidade de rezar, embora ele realmente não acreditasse em nada e não tivesse tempo pra isso, afinal. Em vez disso, ele respirou fundo e virou a chave.

Um som forçado e abafado... mas não sem esperança.

"Vamo lá... vamo lá, sua porcaria..." ele murmurou, virando a chave de novo.

O mesmo som, só que desta vez com umas arrancadas promissoras misturadas. Uma vez mais. Dando uns segundos para descansar, ele virou a chave de novo, segurando até que o som dos arrancos abafados finalmente se transformou num ronco e o motor reviveu.

Rindo feito um alucinado, ele gritou: "Eu sabia que você ainda dava no couro, desgraçado."

Sem se importar em abrir a porta do barracão, ele deu a ré rapidamente e pisou fundo pela estrada, espalhando cascalho atrás de si.

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Quando ele chegou na parada de caminhões, não sabia exatamente o que fazer. Ele não percebeu nenhum sinal dela no estacionamento. Ela não entraria, entraria?

Só pra ter certeza, entou no prédio, inclusive indo dar uma checada no banheiro das mulheres. Felizmente estava vazio, embora na saída, uma senhora idosa perto da balcão do café tenha lhe dado um olhar suspeitoso.

Nenhum sinal dela em lugar nenhum.

Ele voltou para fora, se sentindo ainda mais desesperançado, mas tentando pensar em qualquer possibilidade que restasse. Decidiu andar em volta do prédio. Se não achasse nada lá, talvez outra idéia lhe ocorresse.

Se aproximando do canto da frente, perto das caixas de jornal, ele levou um choque quando notou um carro da polícia estacionado mais adiante. Não eram tiras locais - era polícia estadual. O que diabos estavam fazendo aqui?

Tentando ficar imperceptível, ele fingiu procurar trocado no bolso, presumivelmente para comprar um jornal. Olhando em volta para os guardas, ele notou que eles pareciam conversar casualmente, parados no lado do motorista do carro. Pelo que parecia, não havia ninguém lá dentro. Ele relaxou um pouco.

Provavelmente não era nada.

Mas, isso ainda não acalmou suas primeiras preocupações. Se Kate não estava lá, onde diabos estava? Voltando ao plano, ele começou a caminhar pelos fundo do prédio, sem esperar muito, mas determinado a cobrir todo o território.

Nada do lado onde os policiais estavam conversando. Nada atrás. Ele circulou em volta do terceiro e quarto lado do prédio. No canto de trás tinha um recesso fundo e escuro onde a parede do posto de caminhões confinava com a estrutura de madeira que abrigava o lixo. Era estreito e quase completamente escuro, mas ele acreditou ver uma figura em pé no fundo. Quase sem fôlego, ele deu uns passos para perto da entrada, saindo do parque de estacionamento onde estivera caminhando. A figura se moveu um pouco para perto do brilho pálido e doentio da lâmpada halogênica.

Era ela.

Voltando a respirar e lutando contra uma forte urgência de desmaiar ali mesmo, ele a olhou por um segundo. Ela não o tinha visto ainda. Estava apenas parada ali, parecendo acuada, nervosa, alerta e exausta, tudo ao mesmo tempo. Ele nunca a havia visto em fuga antes, apenas imaginado. E ver de verdade era um muito pior do que imaginar.

De repentem, ela o notou. Seus olhos se encontraram e eles se encararam através da distância que os separavam. Ela não olhou zangada, aliviada ou mesmo surpresa para ele. Apenas, olhou para ele.

Espiando em volta para se certificar que ninguém o estava vigiando, ele se dirigiu para a cova e parou bem na frente dela. Se acontecesse de alguém olhar para lá agora, não seria capaz de vê-la atrás dele. Era um espaço pequeno.

Eles continuaram parados lá sem falar por alguns segundos.

Finalmente, Kate perguntou numa voz cansada, "O que está fazendo aqui, Sawyer?"

"Te trouxe algum dinheiro."

Foi um traço de desapontamento que ele viu em sua face? Ou tinha apenas imaginado isso?

"Eu não posso aceitar seu dinheiro."

Ele riu levemente com desprezo.

"Sem ofensas, garota, mas você pode querer salvar seus padrões éticos para coisas mais importantes. Como, digamos, não arrumar mais acidentes de carro?"

Ele pôde perceber que suas palavras a magoaram, e se arrependeu delas quase que imediatamente, mas a teimosia dela fazia ele quicar nas calças.

"Você não vai ter chance sem dinheiro" disse, com mais suavidade. "Quais são seus planos, se me permite perguntar?"

"Meus planos?" ela perguntou, quase como se pensasse a pergunta engraçada.

"Não tenho planos."

"Era o que pensava." Agarrando a mão dela, colocou o dinheiro na palma de sua mão e fechou-lhe os dedos. "Tem uns dois mil aqui." Relutantemente ele soltou a mão dela.

"Sawyer," ela disse baixinho, olhando pro dinheiro "É muito."

"É, uma ova. Mal vai dar pra um mês, se é assim que você pretende viver."

Ela fechou os olhos rapidamente.

"Obrigada." disse quase sussurrando.

Depois de uma pequena pausa, ele decidiu tentar mais uma vez.

"Você não tem que fazer isso, sabe? Posso te ajudar... você pode ficar muito mais segura do que isso. Eu tenho muito mais dinheiro do que posso usar... posso te conseguir uma identidade falsa, conta no banco... e podia te levar pro México ou outro lugar. Eu mesmo te levo de carro, se precisar."

Ela olhou como se estivesse tentando não chorar.

"Não posso."

"Por que não?"

"Eu não posso."

"Olha, eu sei que você tem uma necessidade patológica de recusar ajuda de outras pessoas, mas isto é loucura! Você não pode fazer isso sozinha. Quando você finalmente perceber isso, pode não haver mais ninguém lá para te oferecer ajuda."

"Por favor... vai embora." disse ela com firmeza.

"Tudo bem," ele respondeu zangado, desistindo. "Se você quer fazer da maneira mais difícil, vai em frente."

Ele a olhou intensamente por alguns segundos, sabendo que esta era, provavelmente, a última vez que a veria. Antes de se virar para ir, ele lembrou de avisá-la,

"A polícia estadual está lá fora, do outro lado do prédio."

"E por que você acha que eu estou aqui?"

"Tá," disse ele esgotado. "Bem, boa sorte. Vai precisar, Freckles."

Ele caminhou vagarosamente pela viela estreita, consciente de que, uma vez tendo se virado e dado a volta pelo prédio, estaria tudo acabado.

Cada passo que dava, o levava irrevogavelmente para longe dela.

Ela o observou ir, uma expressão torturada no rosto. Este momento era pior do que qualquer coisa imaginável.

No momento que ele alcançara a entrada e parado, pronto para se dirigir para a frente do prédio, ele a ouviu chamar atrás dele, quase como se não pudesse evitar.

"Sawyer!"

Ele se virou, sem ter uma só pista do que esperar. O que ela acabara de fazer ele não poderia prever nem em um milhão de anos.

Caminhando até ele vagarosamente e olhando como se mal conseguisse se aguentar, ela colocou a cabeça no ombro dele, o enlaçou com os braços pela cintura (do jeito que as crianças abraçam, ele pensou brevemente) e se apoiou nele.

Surpreso, ele permaneceu congelado por alguns segundos, depois vagarosa e desajeitadamente, levantou os braços e os colocou em volta dela, levemente a princípio, daí cada vez mais forte. Abaixando a cabeça até o ombro dela, ele pôde sentir o perfume de seus cabelos.

Aparentemente, ela abraçava pra valer. Por quanto tempo isso ia durar?

Ele não desejava que acabasse, então simplesmente ficou parado lá, com os braços em torno dela, esperando até ela decidir se soltar. Ele podia dizer pelo jeito que se apoiava nele como ela estava cansada - não apenas cansada fisicamente, muito, mas muito mais do que isso. Ela agia como se esta fôsse a primeira vez que fazia isso na vida.

Finalmente, depois de, pelo menos um minuto inteiro ter se passado, ela recuou um pouco.

Ele se preparou para outro adeus. De fato, já estava quase em seus lábios dizer primeiro para acabar de uma vez com aquilo, quando ela falou num tom de voz quieto e resignado.

"Me leva pra casa."

Ele olhou pra ela, primeiro não acreditando no que tinha acabado de ouvir. Mas a expressão dela confirmou suas esperanças. Nos últimos minutos, uma mudança havia acontecido com ela. Ela havia cedido em alguma coisa, ele não estava certo exatamente o que era, mas era óbvio que tinha acontecido. Exatamente como ele havia engolido o orgulho para vir procurá-la, ela parecia ter feito alguma espécie de concessão

também.

"Está certa disso?"

Ela concordou com a cabeça, "Sim."

Ele quase sorriu pra ela.

"OK" Ele parou. "Deixa eu trazer a caminhonete até este lado."

"Você fez a caminhonete funcionar?"

"Fiz."

"Qual era o problema dela?"

"Você quer mesmo falar sobre isso aqui?"

Ela finalmente sorriu.

"Não."

Ele olhou pra ela de novo, desejando não ficar longe dela nem pelos poucos minutos que levaria pra dirigir até ali.

"Não saia daqui."

Daí, numa onda de alívio pela maneira com que tudo se resolveu, ele olhou para ela e disse sarcasticamente, "Não acredito que você colocou esse vestido ridículo."

Virando os olhos ela disse: "Vá pegar a caminhonete, Sawyer."