Capitulo 13 - Traduzido por Leanna

Quando Sawyer trouxe a picape e parou em frente ao beco, ele não pode vê-la a principio. Houveram alguns breves segundos de medo, pensando que ela poderia ter mudado de idéia e ido embora, mas então ela deu um passo em direção da luz, e ele se sentiu tolo por ter pensando naquela terrível possibilidade. Ela esteve tão instável o dia todo – não havia como prever o que se passaria em sua cabeça no minuto seguinte.

Deixando a picape ligada, ele desceu e foi até o lado do passageiro, checando ao redor para ter certeza de que não havia ninguém observando e então a chamou com um gesto. Ela caminhou rapidamente para a porta aberta, de cabeça abaixada e entrou sentando-se no banco. Ele bateu a porta e foi rapidamente para o outro lado. Após entrar e bater a porta, ele olhou para ela. Ela estava olhando para a frente, sem se concentrar em nada especifico, parecendo exausta.

"Vamos passar pelos policiais ali pra poder entrar na estrada."

Com um esforço, ela virou-se para olhar para ele.

Ele continuou "Não quer se agachar para eles não te verem?"

Ela pareceu concordar com ele, e sem dizer nada, inclinou-se para a esquerda, empurrando seu corpo o mais que podia contra o assento. A cabine da picape não era grande, fazendo assim, com que sua cabeça ficasse quase no colo de Sawyer. Ele sorriu, incapaz de se conter. Ele já se encontrou nessa situação com outras mulheres varias vezes, mas com certeza não por elas estarem se escondendo da policia.

Ela finalmente falou com uma voz seca "Eu sei o que tá pensando." E em seguida adicionou "Pervertido."

"Bom, parece que você tava pensando a mesma coisa, então o que isso te torna?"

"Dirige" ela mandou.

"Sim senhora" ele disse, tentando recompor o semblante. Eles não estavam fora de perigo ainda. Seria melhor se a policia não o visse rindo sozinho dentro da picape – pensariam que tinha tomado umas.

Dando a ré e virando, ele dirigiu devagar e (esperando) discretamente a caminho da saída. Os policiais rodoviários ainda estavam conversando – aparentemente não tinham nada melhor para fazer. Ele ficou tenso ao passar por eles, sabendo que não podiam ver Kate, mas se sentindo preocupado da mesma forma. Já teve problemas suficientes com a lei para se preocupar consigo mesmo, mas agora o peso era dobrado. Precisava estar alerta por si e por ela ao mesmo tempo.

Ele parou na entrada da estrada e deu sinal para virar, tentando não se esquecer de nenhum pequeno detalhe que possa atrair a atenção dos policiais. Finalmente ele virou à direita e seguiu em frente, gradualmente aumentando a velocidade. Em alguns segundos, a parada de caminhões não era mais visível pelo retrovisor.

"Tudo bem," ele disse, aliviado "a barra ta limpa."

Ela sentou-se e olhou pela janela, sentindo a necessidade de checar por si mesma.

Satisfeita, ela olhou para Sawyer que dirigia. A estrada do interior estava completamente escura e seu rosto era pouco iluminado pelas luzes do painel. Ele parecia... diferente, de alguma forma. Ela o contemplou quieta, com um ar pensativo.

Ele olhou de relance para ela, e então voltou a olhar para a estrada.

"Como soube onde me encontrar?" ela finalmente perguntou, suavemente.

"Eu chutei." ele disse, repetindo as palavras dela na noite da briga no bar "Acho que não sou o único previsível."

"Acho que não," ela disse com um sorriso triste. Ainda parecia retraída e emocionalmente desgastada.

Após alguns segundos ela sussurrou, tão baixo que ele mal pôde ouvir "'Brigada."

"É," ele disse calmamente, mantendo o olhar na estrada. Ele não sabia na verdade o que dizer.

Eles ficaram em silêncio o resto do caminho de casa.

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Após parar a picape na varanda, eles entraram pela cozinha. A luz estava apagada, mas a pequena lâmpada em cima da pia produzia um brilho fosco.

Kate parou de repente e encarou sem palavras a mesa virada do outro lado do cômodo. Ela olhou para Sawyer erguendo levemente uma sobrancelha.

"O que aconteceu aqui?" ele perguntou, fazendo um pobre esforço para parecer surpreso.

Ela sorriu "Bela tentativa."

Indo até a pia, ela subiu agilmente no balcão e equilibrando-se nos joelhos, abriu o armário sobre a geladeira.

"O que acha que tá fazendo?" Sawyer perguntou

"Pegando uma bebida." Ela respondeu, pegando a garrafa de whiskey. Ela olhou para ele por cima dos ombros. "Não quer um?"

"Na verdade, quero," ele tinha que admitir. Mas não resistiu em perguntar "Como sabia que tava aí em cima?"

"Porque," ela disse, como se fosse obvio "eu gosto de fuçar por aí."

"Acredito," ele disse com um sorriso.

Abrindo outro armário bem atrás dela, ela pegou dois copos que Sawyer nem sabia que tinha. Foi bom alguém sair fuçando por aí, ele pensou, porque de outra forma algumas dessas coisas nunca seriam encontradas.

Sentando-se no balcão, com as pernas balançando, ela serviu as doses. Ele se aproximou e ficou de frente para ela, pegando o copo que ela o estendeu.

"Saúde," ela disse fingida, erguendo seu copo no ar. Ambos tomaram seu whiskey, e ela pegou a garrafa para servir mais.

Sawyer inclinou-se contra o balcão na diagonal do qual ela estava sentada, algums metros de distancia dela. Ele a observou com atenção. Havia um traço de perigo em sua expressão. Ela estava muito fechada, tentando enterrar todos os restos emocionais do que ocorrera no infeliz dia de hoje. Se ela for se fechar outra vez, eles vão terminar no exato ponto de onde começaram.

Tentando a distrair, ele perguntou brincalhão, "Então... vai ficar com minha grana?"

Parecendo distraída, ela repousou o copo no balcão e levou a mão até a frente do vestido, de onde retirou o dinheiro dobrado que havia escondido no sutiã. Ela o entregou, e ele pegou. Ela aquecido pelo contato com sua pele, e mesmo quando enfiou-o em seu bolso, ele pôde sentir o calor contra sua perna.

Ela tomou outra dose, dessa vez aos poucos e não em um gole. Ela olhou para ele pensativa. "Tava falando sério sobre me levar até o México?"

"Claro que falei sério," ele respondeu, estranhamente desapontado "Quando pretende ir?"

Ela considerou por um momento, mas então suspirou "Vamos falar disso amanhã, não to no clima de planejar nada hoje."

Ela parou.

Desviando o olhar, ela perguntou calmamente "Jack sabe que eu tô aqui, não sabe?"

Sawyer estava um pouco surpreso "O que te faz pensar isso?"

"Não sei. Eu só achei. Alguma coisa no jeito como ele falou quando te deu o recado... quando disse que sentia minha falta," ela terminou em voz baixa, quase tímida.

Ele a observou, detestando aquele olhar de bichinho distante e apaixonado que ela tem quando fala de Jack. Como sempre, isso o instiga a dizer algo grosseiro.

"Acho que devia ter mais cuidado quando deixar sua roupa suja jogada na lavadora bem a vista. Porque, sem ofensa, querida, mas ninguém vai acreditar que aquelas roupas são minhas."

Ela olhou para a dispensa confusa, mesmo com as luzes fracas e sem enxergar nada. Vagarosamente, percebeu o que havia feito, então riu amarga.

"Vai ser alguma coisa boba desse jeito que vai me pegar no final... espera pra ver. Alguma coisa idiota. Tento tanto ser cuidadosa... lembrar de todos os detalhes." Ela balançou a cabeça, zangada consigo mesma. "Deve achar que eu seria melhor nisso agora."

Ele se sentiu mal por trazer isso à tona "É, bem..." ele disse "Não me preocuparia muito. Ele não vai dizer nada."

"Você acha?" ela olhou para ele surpresa. Ela realmente não acreditava que Jack fosse dizer alguma coisa, mas estava surpresa de ouvir Sawyer dizer isso.

"Nah," ele respondeu, sem querer prolongar o assunto.

"Achei que odiasse Jack," ela não pôde evitar em dizer.

"Nunca disse que odiava," ele respondeu, irritado. "Mas mesmo que odiasse, isso não muda o fato de que ele não iria colocar você em perigo. Ouviu ele, não ouviu? O babaca quer que você se entregue por conta própria."

"É," ela disse, suspirando. Olhou para ele novamente, se preparando para falar, mas ele a interrompeu.

"E não pergunte de novo se acho que ele tem razão, porque já sabe o que vou dizer."

Ela fechou a boca novamente, quase sorrindo. Mas era um distante e triste sorriso. "O que te faz pensar que não mereço?" ela perguntou, curiosa "Quer dizer, nem sabe o que foi que eu fiz. Como sabe que meu lugar não é lá?"

"Posso te perguntar uma coisa?" ele olhou intensamente para ela "Se se entregar para eles te punirem... se eles te trancarem... vai mudar o que você fez? Vai ser possível se sentir pior do que já se sente? Aqueles canalhas fazem o serviço melhor que você?"

Ele viu em sua resposta, bem no fundo de seus olhos. Ela desviou o olhar, relutante "Não," ela disse em uma voz rouca.

"Então tá aí a sua resposta," ele quase sussurrou.

Kate desistiu de tomar o whiskey devagar. Ela virou de uma vez e pôs outra dose.

Eles ficaram em silencio por alguns minutos.

Ao invés de animá-la, o álcool parecia estar surtindo o efeito contrario, trazendo sua dor para a superfície. Era como observar água fervendo – a qualquer segundo poderia começar a borbulhar. Ele não queria outra cena como a de horas atrás. Provavelmente era irracional, mas ele não podia negar o medo de ela tentar partir outra vez. Se isso acontecesse, ele estava determinado a trancá-la, não importa o quanto ela se irrite. Ele estaria ferrado se tivesse que passar por tudo aquilo outra vez.

Quando ela começou, tremula, a colocar outra dose, ele firmemente pegou a garrafa dela. "Acho que chega por hoje, querida."

Ela respirou fundo, mas não discutiu.

Ele a observou ainda sentada no balcão, encostada contra a geladeira. Ela estava encarando a mesa da cozinha virada de ponta-cabeça do outro lado do cômodo, mas era obvio que ela não estava vendo a mesa.

De repente, do nada, ela perguntou "Já pensou em acabar com isso?"

"O que?" ele perguntou sem entender.

"Sabe do que tô falando" ela disse, ainda não olhando para ele. "Só... terminar com tudo, de uma vez por todas." Ela parou. "Descansar."

As palavras o enraiveceram, assim como o tom sombrio de sua voz. "Se quer falar em se matar, acho que não precisa desses eufemismos, não acha?"

"Certo," ela disse ríspida, virando-se para olhá-lo nos olhos "Já pensou em se matar, Sawyer?" ela disse cada palavra com clareza e força.

Ele deu um trago, sem querer lhe dizer a verdade "Todo mundo já pensou nisso alguma vez na vida."

Ela parecia ter achado a resposta engraçada de alguma forma "Talvez. Mas aposto que não tinham os motivos que nós temos."

Ele não tinha a menor vontade de ter essa conversa agora. Droga, ele não tinha a menor vontade de ter essa conversa nunca. Principalmente com alguém que o conheça tão bem. Vagamente, ele murmurou "Todo mundo tem problemas."

Ela virou os olhos, defensiva "Ok, Dr Phil."

Irritado, ele perguntou "Tá certo, se acha que a idéia é tão boa, então porque ainda não fez? O que te impede?"

Agora foi a vez dela ficar perturbada. Ela olhou para o chão e respondeu suave "Não sei. Só sou covarde, eu acho."

Ele balançou a cabeça e quase sorriu "Pode ser muita coisa, Sardenta... mas covarde não é uma delas."

"Ficaria surpreso," ela disse.

Ele esperou um segundo, então perguntou "Já pensou que talvez os covardes sejam os que fazem isso?"

Ela realmente pareceu considerar o comentário, como se fosse uma idéia nova. Mas de qualquer forma, ela não respondeu. Ao invés disso, ela mudou de ângulo, e ele pode ver pela voz quase tremula que era algo difícil para ela dizer.

"Sabe o que eu acho?" ela começou, leve "Acho que tem certas pessoas..." ela olhou para ele vacilante com seu olhar, quase como uma linha de segurança "Certas pessoas... que... se dividem em duas, de certa forma. Não como múltiplas personalidades ou nada assim, não é disso que tô falando. Só... uma parte vai pra um lado e a outra fica onde está."

Ele estava confuso, mas determinado a não interrompê-la. Ela continuou.

"Tipo, a pessoa deve recomeçar... ser decente e boa e normal. Essa é sua verdadeira natureza... essa é a forma que deveria ser. Mas então, algo acontece. E a pessoa tem que fazer algo terrível." Sua voz ficou um pouco mais tremula "E então as coisas só vão piorando, e a parte que fez as coisas terríveis continua se espalhando... e vai indo pra longe da parte boa. E a parte boa da pessoa – a parte verdadeira – só senta e assiste tudo horrorizada. Mas não há nada que possa fazer. Porque é muito fraca."

Agora não era penas sua voz que tremia. Ele se aproximou dela, ficando de frente para ela, querendo que ela parasse, mas estranhamente fascinado com suas palavras, pela forma que lhe soavam tão familiar.

Ela continuou "Então bem cedo, a parte verdadeira... a parte que tava lá desde o começo... tem que dividir o corpo com a outra parte, a parte terrível. E ambas se odeiam, e ambas sabem que precisam dividir aquele espaço até o ultimo suspiro, não importa como. Porque nenhuma delas vai a lugar algum, nunca." Uma lagrima escorreu por seu rosto, e ela a secou, com raiva.

"Kate," ele disse sem aviso, repousando suas mãos no balcão dos dois lados dela. Com ela sentada ali, eles estavam na mesma altura.

"E a única coisa que as duas partes tem em comum," ela sussurrou "é que estão morrendo de medo. Cada. Segundo."

Seus rostos estavam a apenas alguns centímetros de distancia agora, e quando ele se inclinou, ela não fez nenhum esforço para impedi-lo.

A principio se beijaram por consolo, suave, queimando a dor e a tristeza do dia. Ela enroscou seus braços no pescoço dele e ele acariciou seu cabelo. Gradualmente, a pressão e intensidade do beijo foram aumentando ao que a necessidade física começou a competir com a emocional. Suas línguas se encontraram, e a cabeça de Kate bateu contra o armário atrás dela, embora ela mal tenha notado. As mãos de Sawyer se moveram até sua cintura, sentindo através do fino tecido do vestido o calor de sua pele. Pela primeira vez, ele estava feliz por ela ter decidido usar essa coisa.

Quando ele interrompeu o beijo movendo-se para seu pescoço e a parte de sua pele que não estava coberta pelo vestido, ela teve tempo para rapidamente pensar se deveria parar com tudo, mas imediatamente desistiu da idéia. Ela não tem toda essa força de vontade. De certo modo, essa situação se tornou inevitável desde o momento em que ela chamou por seu nome no posto. Ela já havia tomado sua decisão; só não tinha ainda se dado conta disso. No momento ela não quer mais nada além de continuar com isso. Enroscando suas pernas na cintura dele, ela inclinou-se para sussurrar em seu ouvido, "Vamos lá pra cima"

Ele afastou-se um pouco para olhar para ela, brevemente, esperando uma confirmação. O olhar dela disse tudo que precisava saber. Com a exceção de um tornado partindo a casa ao meio, nada iria os impedir agora. Ele a beijou novamente, suave, quase grato, ao mesmo tempo que a erguia do balcão. Ela trancou seus braços no pescoço dele e ele a carregou para cima, sem interromperem o beijo. Ela fingiu não notar que ele tropeçou, fazendo-a ir contra a batente da porta do quarto.

Colocando-a gentilmente na cama do quarto escuro, ele continuou a beijá-la enquanto ela ia tirando sua camisa. Ele tentou com o vestido, mas desistiu frustrado. "Como você tira essa porcaria?" ele sussurrou impaciente. Rindo, ela disse "Eu faço." Para não perderem tempo, ele se livrou de suas calças.

Desejando que houvesse mais luz para poder vê-la, mas no momento satisfeito só por poder senti-la, ele traçou beijos por todo seu corpo, não se esquecendo de nenhum detalhe, até que ela não pudesse mais esperar. Já haviam esperado tempo demais.

Ele queria ir devagar e se conter, como sempre fez. Ele era um expert em brincar com as mulheres... poderia fazer uma vez durar horas. Mas as coisas não pareciam ir do seu jeito esta noite. Essa era Kate. Ele nunca sentira tanta paixão por ninguém antes. Comparado a isso, nenhuma das outras vezes teve algum significado.

Ainda assim, ele tentou manter um ritmo calmo e relaxado. Sem condições, porem... a forma frenética como ela movia-se, minou completamente seus esforços. Ele desistiu. Teriam todo tempo do mundo mais tarde. Têm a noite toda. Ele iria compensá-la. Mas isso já havia levado muito tempo para adiarem ainda mais.

Quando ela arquejou-se sob ele e gemeu ele sentiu todos os músculos do corpo dela ficarem tensos e em seguida repentinamente relaxarem, e ele rapidamente seguiu-a até o limite. Deixando-se cair sobre ela, pôde sentir lentas baforadas dela contra sua orelha e as batidas de seu coração sob o dele. Ele começou a mover-se, pensando que era pesado demais para ela, mas ela imediatamente o abraçou e o manteve ali.

Ele começou a beijar seu pescoço novamente, voltando-se para seu rosto, dizendo para si mesmo quase inocentemente maravilhado que essa era realmente Kate na cama com ele. Ele não conseguia tirar isso de sua mente – talvez porque era algo que quisesse há tanto tempo que já havia até descartado a possibilidade de acontecer. Então ele notou que suas bochechas estavam molhadas... Ela estava chorando. Será que ele fez algo de errado? Estava muito escuro para ver seu rosto, então ele sussurrou "O que foi?"

"Nada," ela disse. E pela primeira vez, ele ouviu algo na voz dela que nunca ouvira antes. Ela soava quase... em paz.

"Certeza?" ele perguntou, ainda confuso.

"Tenho," ela respondeu, e ele pôde notar que ela estava sorrindo "Sabe de uma coisa?" ela continuou "Acho que a gente devia ter feito isso há muito tempo."

Ele suspirou fingindo-se exasperado "O que foi eu tentei te dizer esse tempo todo?"

Ela riu, e ele cobriu seu rosto de beijos.

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Quando finalmente conseguiram dormir – Kate com a cabeça no peito dele, Sawyer com sua mão ainda enroscada nos cabelos dela – a pálida luz do amanhecer começava a iluminar o quarto