Capitulo 15 - Traduzido por Ana
Kate puxou um canto das cortinas e espiou pela janela da frente de novo. Nem um sinal dele ainda. Suspirando, ela largou a cortina e voltou para o quarto, tentando pensar em alguma outra coisa pra matar o tempo. Ela já tinha tomado um banho e lavado as roupas (lembrando claro, de tirar os lençois da cama de Sawyer). Ele tinha saído com a lista lá pelas duas, levando a caminhonete já que o carro tava fora de combate. Ela olhou pro relógio de novo e viu já tinha passado das cinco. Ele já devia ter chegado.
Não que ela nunca tivesse ficado sozinha ali antes. Ele tinha arrumado alguma desculpa para sair quase todo dia, na verdade. Ela não tinha ligado - até tinha sido bem bacana ter a casa só pra ela, livre por algumas horas de sua presença temperamental. Mas, de alguma forma, desta vez era diferente. Ela estava constrangida de admitir para si mesma que realmente sentia falta dele. E ela já estava começando a ficar um pouco preocupada, também. Não demorava tanto fazer compras.
Para passar o tempo, ela foi para cima pegar o vaso de flores silvestres e trazê-lo para colocar na mesa da cozinha para poder vê-lo enquanto preparava o jantar. Ela ainda não podia acreditar que ele fizera algo tão... pouco-Sawyer. Ele deveria ser bem hábil em ligar o botão do charme nos seus momentos de trambicagem, mas ela simplesmente não conseguia vizualizar isso. E de qualquer forma, tinha sido provavelmente um ato, com o propósito final de obter sexo e dinheiro. Desta vez era genuíno, o que fazia toda a diferença do mundo.
Voltando à sala da frente e olhando pela janela de novo, ela se surpreendeu ao vê-lo andando pela estrada, com uma sacola cheia de compras em cada mão. Ele parecia sujo, suado e, claro, pau da vida. Ótimo, ela pensou. E agora? Ela foi encontrá-lo na entrada dos fundos.
"O que aconteceu?" ela perguntou, segurando a porta para ele.
"Acho que a maldita caminhonete não estava consertada afinal!' disse ele mordaz.
Ela suspirou. "Aonde ficou?"
"Lá em cima na estrada. Agora vou ter que chamar aquele escroto do Greg para tentar arrastar de volta pro quintal." Ele largou as sacolas pesadamente em cima da bancada.
"O seu vizinho?"
"Esse," respondeu, com a voz cheia de sarcasmo. "Você acha que pode colocar essa porcaria na geladeira antes que derreta?"
"Qual é o seu problema?" ela perguntou, ficando zangada. "Você tá agindo como se isso fôsse minha culpa."
"Bem, se você quer falar tecnicamente, docinho..."
"Ah, eu tenha que escutar isso," disse ela, cruzando os braços.
"Ok, tudo bem. Se você não tivesse fugido como uma doida pra aquela parada de caminhões na noite passada, eu nunca que teria tentado dirigir aquela coisa, e não teria tido ilusão que tinha consertado. E não teria saído com ela hoje, e..."
Ele agarrou uma cerveja da geladeira e bateu com a porta,
"E não teria ficado encalhado naquela vala agora, a meio quilômetro de casa."Ele tomou um grande gole, ainda lhe dando um olhar enfezado.
Ela o encarou entre chocada e divertida.
"Este é o motivo mais idiota que ouvi na vida. Você se escuta quando fala?"
Ele se levantou bruscamente. "Só desempacota as coisas. Vou trazer o resto." Ele bateu com a porta e ela ouviu seus passos zangados sumindo pela estrada.
Ela ficou parada lá, lutando contra uma incontrolável vontade de rir. Claro que também estava aborrecida, mas, Meu Deus, ele era um bebêzão! Não importa qual desgraça lhe caia em cima, ele tem que encontrar alguém para culpar. Ela é que não ia ser esse alguém. Ela tinha culpas reais de sobra pra ficar se responsabilizando por incidentes como essa estúpida caminhonete quebrar.
Mas, hoje, pelo menos, ela ia passar por cima de sua imaturidade. Ela queria que as coisas caminhassem suavemente. Olhando para as flores de novo, ela tentou se lembrar do porquê. Seria uma pena se, depois da noite passada, eles acabassem estragando o dia de hoje brigando. Ela faria o melhor para distrai-lo disso e fazer com que ficasse com bom humor. Pra começar ela iria cozinhar algo gostoso pro jantar. Ela começou a remexer nos armários, procurando.
Sawyer observava o caminhão de Greg se arrastando pela estrada. Tinha levado quase duas horas, e o estúpido estava quase totalmente drogado pra conseguir ajudar direito, mas finalmente eles conseguiram trazer a maldita caminhonete para o quintal.
Enquanto via o vizinho ir embora, lhe ocorreu que agora estava preso ali, sem um só veículo funcionando. Nem o carro nem a caminhonete estavam andando e também não tinha telefone.
Mas, aí ele lembrou do que ele tinha ali. Kate. A idéia ainda o pegava de surpresa, embora ele já devesse ter se acostumado. Ela realmente tinha escolhido ficar. Isso tinha mesmo acontecido essa manhã? Parecia um sonho.
Gradualmente, ele sentiu que a raiva dos eventos da tarde estava desvanecendo. Nada disso fazia qualquer diferença. Por que diabos tinha saído tanto assim da linha?
À noite ele iria dormir com Kate de noite, não ia? O que podia ser tão ruim assim pra fazer que se esquecesse desse fato essencial?
Mas, será que ele iria dormir com ela esta noite? se perguntou, começando a ficar preocupado. Ele agora lembrava como tinha gritado com ela quando trouxe as compras e como ela tinha imediatamente se irritado. Jesus, ele era um idiota. Por que tinha feito uma besteira dessas? Ele tinha que fazer as pazes com ela. Isso, se ela deixasse, claro.
Enquanto se aproximava da porta da cozinha, ele se surpreendeu com sua voz aguda e zangada. "Que droga!"
Confuso, ele correu para dentro. "Que aconteceu?"
Se virando pra ele, ela puxou a gaveta do forno, levantou uma frigideira e jogou com força contra a bancada em frente dele.
"Olha isso." ela disse, mal controlando a raiva.
Ele olhou. Fôsse lá o que fôsse, estava preto e queimado como carvão. Uma fumaça acre saía daquilo, se acumulando em volta da lâmpada do teto.
"Que diabo é isso?"
"Era pra ser uma lasanha!" Ela largou o puxador do forno e bateu com força, olhando para Sawyer. "Seu forno é uma droga, Sawyer."
"Ah, então a culpa é do forno?" Ele perguntou, tentando não sorrir. Sabia o quanto isso ia deixá-la furiosa.
"Não, você tá certo. É minha culpa. E você sabe por quê? Porquê eu não sei fazer isso! Nunca fiquei na mesma cozinha por mais de alguns meses. Nunca aprendi a cozinhar - só arrumo algumas coisas por aí. Quer que eu envenene alguém pra você? Isso eu sei fazer. Quer que eu roube um banco ou faça uma ligação direta num carro? Aí, sou a pessoa certa." Ela disse amargamente. "Mas, não consigo nem cozinhar uma droga de uma lasanha."
"Do que que cê tá falando? perguntou ele, tentando, do seu jeito, parecer apoiador. "Você é uma grande cozinheira! Até aquela coisa que fez na primeira noite que eu não queria comer... aquele aspargo..."
"Alcachofra!"
"Tanto faz," disse ele, tentando ficar calmo.
Ambos olharam um pro outro por alguns segundos, cautelosamente, prontos para a briga.
Daí, a despeito de seus esforços, o canto da boca de Kate começou a se torcer levemente. Ela olhou para o chão e depois para Sawyer. Os olhos dele estavam brilhando com o riso reprimido.
"Sabe de uma coisa, Sardenta? Talvez você tenha razão... nós estaríamos melhor na maldita ilha." Ele se aproximou dela, colocando suas mãos suavemente em seus ombros. Ele podia ver que ela estava tentando não sorrir. Continuou. "Sem fornos pra se preocupar por lá.
"É" ela disse suavemente, "Sem caminhonetes, também."
Ele a beijou levemente.
Ela suspirou. "Eu queria muito que esse fôsse um ótimo dia."
"Talvez a gente ainda tenha tempo de salvá-lo" disse ele, misteriosamente.
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Quando Kate terminou de fazer os sanduíches, Sawyer já tinha achado uma antiga cesta de piquenique de vime, no alto da prateleira da despensa. Ele a arrumou enquanto ela pegava a lanterna. Estava completamente escuro lá fora.
Quando chegaram no lago, Kate estendeu a manta na doca com um floreio, embora não houvesse necessidade - eles podiam ter sentado em cima da madeira. Mas, a manta ajudava no clima.
Eles se ajeitaram para comer. Não havia lua cheia, mas as estrelas, combinadas com o reflexo no lago, providenciaram um brilho difuso - apenas suficiente para poder enxergar. Quando já tinham terminado, Kate começou a juntar as coisas pra colocar de volta na cesta, mas Sawyer a interrompeu.
"Espera, não acabou ainda. Tenho uma surpresa pra você."
Ela o olhou com curiosidade.
Tateando no fundo da cesta, ele levantou uma toalha e apanhou uma garrafa de champagne e duas taças longas, miraculosamente intactas.
"Champagne! Quando vc arrumou isto?"
"Hoje." E com uma voz que parecia insinuar que ela não tivesse muitas expectativas, acrescentou, "É de uma marca barata."
Ela ficou comovida com sua necessidade incessante de subestimar tudo. "Qualquer marca é legal."
Ele estendeu a garrafa para ela. "Quer fazer as honras?"
"Tudo bem... vai em frente."
Quando ele se preparou para arrancar a rolha, ela enfiou os dedos nas orelhas e se retesou. A rolha saiu voando com o som de POP e pousou no lago com um som forte.
Kate abaixou as mãos e levantou as taças para ele colocar a bebida.
Ele sorriu e balançou a cabeça enquanto entornava a bebida.
"Nunca vou conseguir te entender."
"Como assim?"
"Eu vi você se oferecer pra carregar uma arma pela floresta para caçar um demente psicopata e ficar parada lá, olhando ele ser mais furado que uma peneira, sem nem piscar. Mas, é só alguém tirar arrancar um rolha de champagne pra você se encolher toda como se fôsse ter um tiro de canhão."
Ela sorriu, concordando com a cabeça levemente: "O que posso dizer? Sou complicada."
"Eu bebo a isso," disse ele, levantando a taça. Eles brindaram com as taças e depois as levaram aos lábios.
"Muito boa," disse Kate tranquilizadoramente. "Mesmo sendo barata."
Ele lhe deu um sorriso agradecido.
Após mais algumas taças, Kate disse devagar, como se ela tivesse acabado de pensar nisso, "Sabe... outubro tá chegando."
"E?"
"E... o tempo vai mudar. Esta pode ser uma das últimas noites quentes que vamos ter."
"Então, o que você acha sugere?"
"Bem...podíamos nadar."
Ele pareceu considerar a possibilidade.
"Tudo bem, Sassafras. Digamos que a gente decidisse nadar. O que você tá planejando vestir?"
"Nada?" ela disse, como uma pergunta e não resposta.
"Boa resposta," ele disse, levantando as sobrancelhas e sorrindo. "Bem que um mergulho não cai mal agora."
Kate se levantou, e com alguns movimentos leves e fluidos, tirou todas as roupas em segundos.
Ele a observou, fascinado. Até o movimento de abrir o sutiã e jogá-lo ao chão foi estranhamente gracioso.
Daí, como qeu para contradizer toda a graça com que o havia enfeitiçado, ela pulou pra dentro da água como um garoto de 10 anos, de pé, do mesmo jeito que havia pulado da cachoeira na ilha.
Um grande splash se elevou por trás dela, respingando em Sawyer.
"Mas, que droga, garota!" ele gritou enquanto ela nadava pra longe da doca. "Ninguém nunca te ensinou a mergulhar?"
"Não," ela respondeu com um sorriso. "Nem vai, então, nem pense nisso." Ela tomou fôlego e desapareceu embaixo da água.
Ele tirou as roupas e manobrou pra mergulhar bem antes dela voltar a superfície. Ela olhou em volta, procurando por ele confusa e nervosa.
"Sawyer?"
E engasgou de susto, quando as mãos dele a agarraram pela cintura e a puxaram pra baixo d´água.
Ela voltou pra cima, brava e chateada. Ela lhe deu um murro no ombro, forte o bastante pra ele ver que ela não tava brincando.
"Não faça mais isso! Não é engraçado!" Ela começou a nadar para longe, mas ele a agarrou, puxando-a de volta, e a beijou. Ela cedeu, apesar de não querer e o beijou de volta. Se afastando um pouco, ela o olhou criticamente na luz fraca.
"Já te disse que na verdade eu não gosto de você tanto assim?"
"Baby, você deixou isso bem claro desde o primeiro momento que nos conhecemos," ele disse com um sorriso. "Graças a Deus não deixamos que uma coisinha como essa nos atrapalhe, né?"
Ela riu e o empurrou, nadando mais adiante no lago. Ele espirrou água em cima dela.
Depois de alguns segundos, ele a chamou. "Isto te lembra alguma coisa?"
"Sim," ela respondeu saudosa, voltando pra perto dele. "Mas, não tem defuntos neste aqui, certo?"
"Não que eu saiba." Ele fingiu pensar nisso por um segundo. "Imagino que os crocodilos já devem ter devorado todos eles."
"Quê?" ela perguntou, olhando para ele como se ele estivesse louco.
"Crocodilos," ele repetiu, como se fôsse a coisa mais óbvia do mundo e surpreso por ela perguntar.
"Mas, do que é que você está falando?" ela perguntou, intrigada apesar de tudo.
"Você nunca viu aquele filme onde aqueles crocodilos ficaram soltos num lago do Maine?" ele continuou, "Era uma história verdadeira. Só que que não foi no Maine... foi bem aqui, no Tennessee."
"Você fala muita besteira, Sawyer." ela virou os olhos.
"É sério!" ele respondeu, bancando o ofendido. "Deu no noticiário nacional por um mês."
Ela o ignorou, mas ele podia ver que ela estava considerando a possibilidade vagamente, então ele continuou.
"Por que acha que eu hesitei quando você falou em nadar? Eu tinha que pesar as opções. Ficar na borda, a salvo, ou mergulhar nu em pelo com a Sardenta e me arriscar a ser devorado por um maldito crocodilo. Acho que deu pra ver qual ganhou. "
Nadando em direção a ele, ela colocou os braços em volta de seu pescoço.
"Não colou," disse ela com um sorriso. "E sabe porquê? Por que eu sou uma mentirosa muito melhor do que você."
"E não é que é verdade?" ele disse, entregando os pontos. Ela estava certa... não ia ser fácil enrolar ela.
"Aposto que um monte de garotas acreditou nessa estoria, não foi?"
Ele não respondeu por um segundo, mas acabou falando baixinho, quase tímido, "Nunca trouxe nenhuma garota aqui, antes."
"Tá brincando?" ela respondeu incrédula. "Mas, este é um lugar perfeito!"
Ele se inclinou um pouco para que ele pudesse ver seus olhos. "Elas não valiam a pena," ele sussurrou. Abaixando a cabeça ligeiramente para que ele não pudesse ver sua emoção, ela perguntou suavemente, "Quer dançar comigo?"
"O quê? Agora?"
"É, agora. Você acha que estava falando de amanhã?"
"Você tá ouvindo alguma música e eu não?"
"Você não precisa de música para dançar."
Ele a olhou em dúvida. "Nunca ouvi falar de ninguém dançando embaixo d´água."
Dando-lhe um sorriso dissimulado, ela sussurrou, "Tem um monte de coisas que se pode fazer na água. Dança comigo que eu vou te provar."
Agora ele parecia interessado. "Temos um trato."
Ele a beijou de novo, profundamente e desta vez ela não ligou quando ele a puxou pra baixo d´água.
