Capitulo 16 - Traduzido por Cristianepf
Sawyer abriu os olhos e viu Kate do outro lado da cama, praticamente na beirada. Ele estava infinitamente aliviado por ela não ser daquele tipo de mulher que gosta de dormir agarrada a noite toda. Ele odiava aquilo. Talvez por um tempinho quando caiam no sono, mas a noite toda? Isso era de matar. Estava agradecido por aparentemente ela precisar do seu espaço tanto quanto ele.
Outra coisa para estar grato nesta manhã era o fato dela estar dormindo nua, e em algum momento durante o sono ela empurrou os lençóis até a cintura, assim ele tinha oportunidade de dar uma boa olhada antes que ela acordasse. Pouco a pouco, estava começando a parecer que seria um ótimo dia.
Eles estavam no quarto da Kate, pois ao retornarem do lago na noite passada, ela percebeu que não tinha se lembrado de estender os lençóis lavados de Sawyer. Ele culparia ela por ser descuidada , mesmo que ela cuidasse das roupas muito melhor que ele, já que ele só fazia isso a cada três semanas e olhe lá. Ela o chamaria de pão-duro e desorganizado por ter só um jogo de lençóis. No fim, eles decidiram ficar no quarto da Kate, pois, como ela ponderou, lá estava limpo. Além disso, tinha o papel de parede novo - sobre o qual Sawyer adicionou com sarcasmo, "Nossa, você com certeza sabe com convencer um homem, não é querida?"
Mas agora, ele estava contente pelo engano pois as cortinas dali eram mais claras do que as do seu quarto, e por isso deixavam passar mais luz. Mais luz significava que ele podia ver com mais clareza. E havia muito para ver.
Justamente quando ele a examinava minuciosamente, pensando estar livre de ser interrompido, ela abriu os olhos. Notando que ele a observava, ela enterrou um pouco o rosto no travesseiro e se espreguiçou. Então, percebendo o quanto seu corpo estava exposto, ela puxou o lençol até o pescoço, sorrindo para ele e corando um pouco.
Maldição. Contudo ele tinha que admitir que era adorável ela ser tão modesta. Sempre vem de quem você menos espera.
Ele sorriu para ela, mas tentou parecer desapontado. "Por que diabos você fez isso?"
"Acho que você já viu demais de mim na noite passada, não viu?" Ela foi de encontro a ele e deitou em seu peito.
"Ontem estava escuro."
"Ótimo. O que diz aquele velho ditado? 'O escuro é o melhor amigo de uma mulher?'"
"Ora, por favor. Isso é para mulheres velhas ou gordas. Acho que você não tem nada com o que se preocupar ainda." Ele correu a mão pelos cabelos dela e olhou para ela interrogativo. "Por falar nisso, quantos anos você tem?"
Pela primeira vez lhe ocorreu que ele não sabia. Pelo que Jack havia dito, ela estava na casa dos vinte, mas isso podia ser qualquer coisa entre vinte e um e vinte e nove. Ele não estava a fim de chutar. Ele sabia por experiência própria que aquele era um jogo que você nunca quer jogar.
"Você não devia perguntar isso," ela disse, fingindo-se ofendida.
"Ora, vamos, você vai querer pular essa? Você tem tantos segredos que eu nunca pensaria que idade estaria no topo da sua lista."
Ela ficou observando-o por alguns momentos, mas então cedeu, suspirando. "Eu tenho vinte e cinco."
"Jesus cristo," ele disse, parecendo preocupado. "Eu sou um maldito assaltante de berçário."
Ela riu.
Ele esperou um pouco, mas ele não disse nada mais. "Você não vai perguntar a minha idade?"
"Não preciso perguntar, eu já sei. Eu encontrei seu passaporte lembra?" Ela pausou pra causar mais efeito, depois disse com uma expressão perfeitamente séria, "Tudo bem... eu gosto de homens mais velhos."
"Homens mais velhos," ele disse com desdém.
"Não se preocupe," ela disse num tom suave. "Você ainda tem cinco bons anos antes dos quarenta."
"Por que você não cala a boca?" ele resmungou.
Ela riu, sem poder manter a compostura por mais tempo. "Bem... eu vou fazer vinte e seis em algumas semanas, então a diferença vai diminuir um pouco."
"Que dia?"
"15 de outubro."
"Ora, ora..." ele disse misterioso. "Já está bem próximo, não é? Espero que você não esteja esperando uma grande festa. Nós podemos ter algum problema com a lista de convidados."
"Eu não sou muito de festa. Você consegue outra garrafa de champanhe, e está bom demais pra mim. Nos últimos anos eu nem comemorei meu aniversário mesmo, então não significaria grande coisa. É só outro dia qualquer..." Ela pareceu um pouco triste quando disse isso, então deitou a cabeça em seu pescoço, esperando que ele não pudesse notar.
Ele tinha notado, mas ao invés de dizer alguma coisa, ele beijou sua bochecha. "Como diabos vocês faz cheirar tão bem, afinal?"
"Provavelmente eu esteja cheirando ao lado," ela murmurou, com a voz abafada contra ele.
"Não," ele respondeu. "Cheira do mesmo jeito de sempre... mesmo na ilha."
Ela levantou a cabeça e olhou para ele desconfiada. "Como você sabe como eu cheirava na ilha?"
"O que você quer dizer com 'como eu sei'?" Ele perguntou incrédulo "Você me derrubava praticamente todos os dias, garota" Ele piscou pra ela. "Sabe, para duas pessoas que não estavam transando, nós definitivamente ficávamos muito um em cima do outro, não é?"
Ela fechou os olhos, suspirando. "Você tem um jeito encantador de expor as coisas."
Eles se olharam por alguns segundos, ambos refletindo o quão improvável tinha sido a maneira como eles tinham chegado até ali, juntos na cama, entregues à uma banal conversa matinal.
O rosto de Kate ganha um ar um pouco mais sério. "Posso perguntar uma coisa?"
"Manda."
"Se tivéssemos que fazer tudo de novo, você teria me dado seu lugar na jangada?"
Ele pareceu pensar, então disse, com um sorriso malicioso, "Não."
Ela deu um breve sorriso, mordendo o lábio. "Sawyer," ele sussurrou, devagar.
"O quê?"
"Você teria me dado seu lugar na jangada?"
Erguendo-se, ele a beijou suavemente, carinhosamente. Ele deitou novamente a cabeça no travesseiro a observou com seriedade.
"Não."
Ele tentou com todas as forças não rir. "Você é um cretino."
"Que bom que você gosta de homens mais velhos então, não é?"
Ela levantou-se. "Eu vou tomar banho." Parando na porta, ela olhou de volta para ele. "Se você fosse lá embaixo, talvez conseguisse fazer um café. Se suas pernas não caírem por isso..."
Ela conseguiu se esconder no corredor a tempo do travesseiro ser arremessado contra a porta.
Mais tarde quando ela desceu, ele estava sentando à mesa lendo um jornal.
"Não sabia que você tinha jornal."
"Eu não tinha. Comprei ontem na cidade."
"Ah." Ela colocou as mãos em seus ombros e se inclinou sobre suas costas. "O chuveiro está livre."
"Isto é uma indireta?"
"Talvez," ela disse. "Você pode achar eu não estou com o cheiro do lago, mas você com certeza está."
"Você acha, é?"
"Aham. Eu também queria lembrar que tem um aparelho de barbear elétrico no armário. Você lembra como funciona?"
"Você é um pé-no-saco, sabia?"
Ela sorriu e colocou o queixo no topo da cabeça dele, olhando para o jornal. Piscando e olhando mais de perto, ela disse surpresa, "Shannon assinou um acordo pra um livro?"
"Onde diz isso?"
Ela bateu na parte superior do canto direito do jornal, que continha o pequeno título "Bela sobrevivente escreve memórias."
Sawyer caiu na gargalhada. "Quem será que ela vai contratar pra escrever por ela?"
Kate perambulava ao redor da pia. "Dê um desconto," ela disse alertando-o. "Afinal de contas, ela perdeu o irmão."
"É mesmo? Talvez você vá querer reconsiderar isso," ele disse, explorando o artigo. "Escuta só." Ele pegou o jornal e leu.
"Quando lhe foi perguntado qual sua percepção sobre a fugitiva perigosa, Kate Austin, que estava também entre os sobreviventes do Vôo Oceanic 815, A senhorita Rutherford disse: 'Eu não a conhecia assim tão bem, mas ela me dava arrepios desde o início. Ela estava sempre se metendo onde não era chamada e colocando uns contra os outros. Ela também se achava a mais gostosa de todas nós. Mas eu vou falar sobre isso tudo no meu livro'" Sawyer parou de ler e olhou para Kate.
"Aquela vaca," ela disse, em choque. Sawyer tentou não rir.
Ela ficou parada pensando. "Quando eu joguei uns contra os outros?"
"Bem..." Sawyer começou, sabendo que não deveria dizer nada mas não conseguia se conter. "Você tentou roubar meu lugar na jangada tentando fazer parecer que eu tinha envenanado uma pessoa."
Ela ainda parecia confusa. "Sim... mas e além disso?"
"E quando você mandou Jack pegar as chaves daquela maleta fazendo-o ir atrás de mim? Ou aquela vez quando você... "
"Está bem!" ela o interrompeu. "Será que você pode simplesmente ir tomar o seu banho?"
Ele foi por trás dela e beijou seu pescoço. "Não deixei isso te aborrecer. Aquela magrela só está com inveja."
"Ah é," ela revirou os olhos. "Todas as garotas querem ser como eu."
Ele passou pela porta. "Eu tenho que correr até o Greg e usar o telefone dele pra trazer o maldito mecânico até aqui. Ele tem umas peças que ele vai me vender barato, de qualquer maneira. "
"Você não acha que provavelmente deveria mandar religar seu telefone?"
"Não quero falar com ninguém!" ele gritou enquanto subia as escadas.
Ela suspirou e sacudiu a cabeça.
Indo até a lavanderia, ela tirou os lençóis da lavadora onde ela tinha deixado na noite passada. Quando ela os colocou no cesto de roupas e voltou para a cozinha, ela parou em choque, seu corpo inteiro estremeceu de terror imediatamente.
Havia um homem na porta, olhando para dentro do cômodo.
"James? Onde diabos você está?" ele chamou.
Mesmo ela estando congelada, não havia maneira de impedir que ele a visse. Ele virou um pouco a cabeça e notou a presença dela. Piscando os olhos como se não tivesse certeza do que estava vendo, ele abriu a porta de tela despreocupadamente e entrou na cozinha.
Kate engoliu com dificuldade tentando evitar que o coração saísse do peito. Seu primeiro impulso era de tirar ele pra fora e correr, mas ela fez o possível para conter esse impulso. Se ela ficasse calma, talvez tivesse uma chance de não precisar fazê-lo.
Olhando para ela como se pensassem em alguma coisa vagamente engraçada, ele disse: "Ah... não sabia que ele tinha uma hóspede."
Começou a lhe ocorrer que este devia ser o vizinho do qual Sawyer tinha falado - Greg. Ela notou que seus olhos estavam vermelhos e ele parecia estar chapado, às 11:00 da manhã. Mas ele não parecia hostil ou ameaçador. Ele era um pouco gordo, com cabelos ruivos encaracolados e parecia o típico perdedor que aparece em cada filme já feito. Ela sabia que Sawyer o detestava, mas pensando bem, Sawyer detestava todo mundo. Isso não era grande coisa. Se o cara não a reconhecesse, então talvez ela pudesse simplesmente mentir para ele.
Ela caminhou até ele devagar, esperando que ele não pudesse notar que seus joelhos tremiam.
Ele a olhou de cima a baixo, apreciativo. "Tenho aquelas peças que ele queria," ele disse, parando o olhar nos peitos dela sem movê-lo nem um pouco mais pra cima.
"James está... no chuveiro," ela disse calmamente. Soava completamente bizarro se referir a Sawyer como James, era a primeira vez que ela tivera a oportunidade de fazê-lo. "Ele já deve sair. Você, ãh... aceita um café?"
Ele finalmente olhou para o rosto dela. "Ehhh" Passando a mão no nariz, ele olhou perdido pelo cômodo.
Aquilo era um sim ou um não? Confusa, Kate se deslocou até o armário, decidindo preparar uma caneca de café mesmo assim.
Ela se virou e o viu olhando-a mais atentamente, quase duvidoso. Ela sentiu as próprias mãos tremerem um pouco enquanto ela entreava a xícara a ele.
"Hey..." ele disse calmamente, como se ele tivesse acabo de pensar em algo. "Espere um minuto..." Ele sorriu maliciosamente para ela.
"Eu sei quem você é."
