Capítulo 20 - Traduzido por Cristianepf
As coisas ficaram tensas pelos dias que se seguiram depois do incidente da fotografia. O encanto estava quebrado, e a paz que eles tinham tido por quase uma semana tinha chegado ao fim. Eles estavam distantes e sem paciência um com o outro desde aquela noite, uma situação que não melhorou com o fato de Sawyer ter pego um resfriado, provavelmente por insistir em sentar lá fora no ar frio enquanto lia a carta. O virus o havia feito ficar irritável e arredio, ainda mais do que o normal. (A ponto que Kate finalmente disse à ele: Pelo amor de Deus, Sawyer, você tem um resfriado, não leucemia! Eu acho que você vai sobreviver!)
De uma maneira triste, ambos perceberam que havia uma fenda entre ele que talvez nunca fosse fechada. A fenda não era causada pelo que eles não tinham em comum, como na maioria dos relacionamentos, mas pelo que eles tinham em comum - seus passados sofridos.
A raíz do problema, claro, era a meneira com que ambos lidavam com seus passados. Kate corria do seu, escapando não só dos agentes que estavam literamente à sua caça, mas também fazendo o máximo para evitar pensar ou falar sobre sua vida de antes. Sawyer, por outro lado, recusava-se a enterrar o seu, afogando-se na própria dor e culpa até que a idéia de seguir adiante fosse praticamente inconcebível. Contudo ambos estavam convencidos de saber o que o outro precisava - ela queria que ele superasse, ele queria que ela se abrisse e enfrentasse de cabeça erguida - ambos sabiam que provavelmente não conseguiriam realizar seus desejos em breve. Teimosia era uma qualidade que ambos possuíam.
Então quando Kate abriu os olhos de manhã, ela não estava de todo surpresa em descobrir que Sawyer não estava lá. No entanto era mais cedo do que ele costumava levantar, ela não teria tempo de se clarear com ele cedo só para fazê-la se sentir mal. Afinal de contas, ela não tinha sido exatamente compreensiva quando à "doença" dele, mas só em pensar no comportamente dele ela já ficou irritada com ele de novo. Talvez, afinal, algum tempo sozinhos era o que ambos precisavam.
Rolando para o lado esquerdo, ela notou um pedaço de papel colado com fita adesiva na estantezinha ao lado da cama. Ela apurou a vistam tentando entender as palavras sob a luz fraca da manhã que era filtrada pelas cortinas fechadas, mas estava muito escuro. Curiosa, ela se levantou. Se ele tinha deixado um bilhete, então talvez ele não estivesse na casa. Onde ele poderia ter ido? Ela acendeu a lâmpada ao lado da cama, sendo ofuscada pela repentina claridade e esperando seus olhos se ajustarem.
Depois de alguns segundos, ela pode decifrar nos garranchos de Sawyer, descuidamente escrito à mão as palavras, "Já volto."
Bem, isso ajudava muito. Ele revirou os olhos.
Olhando mais atentamente a folha, ela notou no final, quase como uma idéia repentina, a ordem "Volte a dormir."
A despeito de sí mesma, ela não conseguiu conter um sorriso. Quem mais além dele deixaria um bilhete como aquele?
Bem, se ele já estava voltando, não havia com o que se preocupar, ela pensou. E era extremamente cedo - o relógio digital ao lado da cama marcava 7h45. Ela decidiu aceitar o conselho do bilhete e se deitar novamente.
Foi só ela começar a cair no sono, ouviu a porta da cozinha bater e alguns minutos depois os passos dele na escada. Ela suspirou, sem abrir os olhos ainda. Ou quase sem abrir.
Virando-se devagar para a porta, ela assistiu ele chegar e ficar observando, tentando ver se ela ainda estava dormindo.
Ela decidiu dar a resposta a ele. "Estou acordada." Espreguiçando-se, ela perguntou com um bocejo. "Como está seu resfriado?"
"Tinha ido quando eu acordei hoje pela manhã." Ele fez uma pausa. "Não graças à você."
"É, bem... me desculpe. Não sou muito boa nessa coisa de "instinto maternal". Eu não estou habituada a cuidar de ninguém além de mim mesma."
"Talvez seja hora de mudar isso," ele disse misteriosamente.
"O quê? O que isso quer dizer?"
Ele olhou para ela mais de perto, divertido. "Você ao menos sabe que dia é hoje?"
Ela pensou por um segundo, não entendendo o que ele queria dizer. "Sexta-feira?" ela perguntou fazendo uma tentativa.
Ele balançou a cabeça e bufou um pouco. "Na verdade, é Sábado, mas não é isso que quero dizer. Estava falando sobre a data."
Agora ela estava ainda mais confusa. "A data...?" Ela olhou em volta, como se alguma coisa no quarto pudesse ajudá-la a lembrar.
Exasperado, ele disse, "É seu maldito aniversário, Freckles! Você esqueceu completamente?"
Ela afundou novamente no travesseiro, um pouco envergonhada. "Ah." Ela fez uma pausa. "Como eu disse, eu não costumo comemorar meu aniversário." Então, preocupada, ela olhou para cima. "Nós não vamos, não é?"
Ao invés de responder, ele se apaixou e a beijou - um longo, demorado e carinhoso beijo... o primeiro desse tipo em trêsdias. Ela fechou os olhos e se deixou levar por ele.
Quando ele finalmente se afastou, ela murmurou, "Acho que isso foi um sim?" Apesar do empenho dela de parecer incomodada, ela não podia evitar estar aliviada pelas coisas estarem indo melhor hoje. Talvez eles ficassem bem, afinal de contas.
"Tenho algo pra você lá em baixo," ele disse com um sorriso discreto.
"Sawyer..." ela disse alarmada. "O que vocês fez?"
"Você vai ter que ir e ver por você mesma."
Ficando de pé, ele retirou os lençóis dela sem cerimônia. Suas pernas mal estavam cobertas pela camiseta que ela usava para dormir. Ela continuou olhando para ele, hesitante, sem se mover.
"Não vou ter que carregá-la, não é?" ele perguntou.
Suspirando, ela ela se levantou e lentamente saiu da cama. "Estou de pé."
Então, só por ser irritante, ele a levantou e carregou mesmo assim, lançando-a em seus ombros como se fosse um saco de batatas. Enquanto ele descia as escadas, ele mantinha um braço em volta das pernas dela a fim de segurá-la enquanto o outro... explorava.
"Ei!" ela ralhou. "Olha a mão boba!" Então, entre risadas e gritinhos encantadores, "Sawyer, pára!"
Finalmente, ele dobrou e a colocou no chão em frente à porta do armário da salinha de baixo das escadas. Ele fez sinal para ela mexendo as sobrancelhas.
Ela olhou para ele, então para porta, e de novo para ele. "Aí dentro?"
"Abra," ele sugeriu.
"Não tenho certeza se eu quero," ela respondeu, sorrindo.
"Você vai levar o dia todo, ou o quê!"
"Está bem." Girando a maçaneta arredondada, ela olhou novamente para ele ansiosamente. "Não é nada... pervertido, é?" Por que eu já disse que eu não gosto dessas coisas..."
"Será que dá pra abrir a maldita porta?"
Dirigindo um último olhar a ele, ela lentamente empurrou a porta abrindo uma fresta, e então abrindo o resto. Perdendo o fôlego, ela pôs a mão na boca.
Em sua frente, deitado em um cobertor, havia um cãozinho pastor alemão de aproximadamente 2 meses de idade. Estava com a cabeça erguida e olhando-os curiosamente.
Se voltando em choque para Sawyer, ela perguntou, como se precisasse de uma confirmação, "É um cãozinho?"
Agora que ela havia realmente visto o que era, ele parecia um pouco envergonhado. "É um cão de guarda, ele resmungou. "Ao menos vai ser, quando crescer." Ele olhou para baixo encarando os pés, desajeitadamente. "Para ajudar a protejer você... quando eu não estiver aqui."
Ela o observou por alguns segundos, sentindo algo dentro dela se partindo em pedaços. Engolindo em seco, ela se ajoelhou para que ele não pudesse ver suas lágrimas. Ela começou a mexer com o cãozinho. Ele bocejou e começou a morder de leve as mãos dela. Apesar dela saber que o silêncio dela poderia fazer com que ele ficasse zangado, ela não podia evitar. Ela estava com medo de tentar dizer alguma coisa acabasse perdendo as estribeiras.
Sem dizer uma palavra, ele se ajoelhou atrás dela, acariciou seus cabelos por um momento, e então puxou-a para seu abraço. Com os braços ao redor dela apertando-a pela costas, ele beijou sua têmpora. Ela se virou para ele, refugiando-se contra seu pescoço. Eles ficaram nesta posição por alguns minutos sem se mover ou falar. O cãozinho, sentindo-se ignorado e talvez ofendido, voltou a dormir.
Finalmente, ela sussurrou, "Obrigada."
Um olhar de pequena preocupação apareceu no rosto dela. "Quanto tempo..." ela começou hesitante. "Quanto tempo leva para um cachorro como esse... ficar adulto?"
"Não sei," ele respondeu, suavemente. "Algo em torno de um ano, eu acho."
Afastando-se, ela olhou para ele com seriedade. Ela realmente não queria dizer isso, mas sentia como se precisasse.
"Sawyer... muita coisa pode acontecer em um ano." Ela fez uma pausa, e continuou tristemente. "Daqui a um ano... Quem sabe? Eu posso estar..." ela parou, se esforçando para dizer as palavras. "Eu posso estar..."
"E, bem..." ele a interrompeu. "Suponho que teremos que arriscar então, hun?" Ele também não queria que ela terminasse a frase.
Ela deu a ele um sorriso triste. "Ok," ela respondeu agradecida.
Então, no empenho de evitar mais lágrimas, ela tentou um assunto mais ameno. "É um menino ou uma menina?" Ela perguntou, olhando para o cãozinho.
"Menino." Ele completou, "Eles são mais baratos."
Agora ela deu a ele um sorriso de verdade, divertindo-se com sempre pela tendência dele de dizer a ela quanto as coisas custavam.
"Qual o nome dele?" ela perguntou.
"Que tal Jack?" Ele olhou para ela com malícia.
"Não," ele respondeu com fimeza, ainda sorrindo.
"Está bem, então, escolha um nome."
Ela olhou para o cãozinho pensativa. "Eu nunca tive um cachorro. Meu melhor amigo tinha, enquanto... crescia. Ela se voltou de novo para Sawyer, quase encabulada. "O nome dele era Gus."
Ele levantou as mãos e as deixou cair sobre as pernas num gesto de aceitação. "Tem cara de Gus pra mim."
Eles sorriram, olhando nos olhos um do outro com certa intenção, como se eles estivessem dividindo algum tipo de segredo.
"Feliz Aniversário," Sawyer disse calmamente.
Apertando os lábios, ela acenou a cabeça levemente, agradecendo a ele sem palavras.
Ele continou. "Espero que você não pense que isso é tudo. O dia mal começou. Eu tenho muito mais na manga."
"É disso que eu tenho medo," ela disse, deixando transparecer uma expressão de espanto no rosto, mas estava apenas brincando.
De repente, como se estivesse obedecendo algum sinal que não só ele ouvia, o cãozinho abriu os olhos, levantou, deu alguns passos engraçadinhos, agachou-se e fez xixi. Então, voltou até o cobertor e voltou a se deitar.
Kate observou a poça ir se espalhando devagar, então olhou para Sawyer, com uma pergunta no olhar.
"É seu cachorro," ele disse, sorrindo para ela.
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O resto da manhã foi gasto limpando iguais poças e montinhos, assim como salvando sapatos, mobília, fios elétricos dos dentes do cãozinho. Sawyer finalmente desistiu e ajudou, ao menos um pouco, porque ele diria que Kate estava perigosamente a ponto de ficar de saco cheio com ele. Nenhum dos dois sabia muito sobre cuidar de um cachorro, mas eles não tinham idéia de que podia ser tão exaustivo. Quando o cãozinho tirou uma soneca, eles ficaram aliviados e tentaram ao máximo ficar quietos para que ele não acordasse; então, quando ele acordou, eles o seguiram nervosos como pais novatos com uma criança que acabou de aprender a andar. Quando ele finalmente aprendeu a usar o jornal que havia sido deixado no chão para ele, ambos estavam tão orgulhosos como se ele tivesse ganhado em um show de cachorros.
Além do cãozinho, Sawyer tinha mais algumas surpresas para ela. Depois do almoço, ele largou uma pilha de revistas, folhinhas e catálogos na mesa em frente à ela.
Ela olhou para ele, confusa.
"Escolha suas próprias roupas," ele disse.
"Você conseguiu isso de um shopping?"
"Sim."
"Não consigo imaginar você em um shopping." ela disse pensativamente.
"É, bem, eu não faria isso por qualquer um," ele replicou sarcasticamente. "Eu preferia estar na ilha do que no 'The Gap' (loja de roupas) "
Ela sorriu. "Qual o limite do que posso gastar?"
"Peça o que precisar. E me faça um favor não me dizendo quanto vai custar."
"Você sabe... seria muito mais rápido ligar pedindo ao invés de pedir pelo correio," ela sugeriu.
"Eu estou um passo a sua frente, espertinha. Já fui até a companhia telefônica, mandei religar essa coisa. Deve voltar a funcionar a qualquer momento hoje. Feliz agora?"
"Você não vai se arrepender de ter mandado religar... é ridículo não ter um telefone."
"Não entendo que diferença pode fazer pra você... você não vai atender quando tocar. Entedeu? Seria muito suspeito se alguém descobrir que tem uma pessoa aqui comigo. "
"Eu sei disso," ela dissem revirando os olhos. "Eu não planejava fazer isso."
"Bom."
"Então talvez você devesse perguntar primeiro ao invés de começar a gritar comigo."
"Eu não estava gritando," ele disse com desdém.
Eles ficaram se olhando provocantes por alguns segundos, e Kate sentoi algo agitar-se dentro dela. Fazia alguns diasm afinal de contas.
"O cãozinho dormiu," ela murmurou.
"E?"
"E... você quer ir lá pra cima?" Ela levantou a sobrancelha sugestivamente.
Menos de um minuto depois, eles estavam rolando na cama de Sawyer, despindo-se freneticamente envolvidos numa ininterrúpta névoa de beijos e respiração ofegante. Tirando seu sutiã, ele moveu-se para o lado e levou os lábios até os seios dela. Ela ficou em posição e então surpresa quando nada aconteceu. Ambos olharam para baixo, confusos, e Kate percebeu que havia esquecido de retirar a roupa íntima.
"Oh," ele disse dando uma risadinha.
Inclinando-se para engolfá-lo com mais beijos, ela pôs os dedos nos dois lados do elástico da calcinha e a retirou. Quando eles estavam prontos para tentar de novo, ela parou repentinamente.
"O que foi isso?"
"O quê?" ele disse impacientemente, beijando seus lábios e tentando fazer com que ela se deitasse com ele. Mas ela estava parada, ouvindo.
"Você não ouviu isso?"
Então ele ouviu também. Um baixo, lamentoso, uivo triste. Eles se olharam.
"Você só pode estar brincando," Sawyer disse.
Ela suspirou pesadamente, deixando a cabeça cair no peito dele. "Ele está com medo... provavelmente está achando que está sozinho."
"Ele vai voltar a dormir! Ele é um cachorro, por amor de Deus!"
Eles continuaram ouvindo por um segundo. Cada uivo ficava mais triste e lamentoso. Kate finalmente levantou, colocando de volta as roupas. "Este é o som mais triste que já ouvi na vida, Sawyer."
"Que diabos eu devo fazer com isto?" Ele perguntou indignado.
"Apenas espere," ela disse, rindo. "Eu volto em um minuto."
Mas ela não voltou. Depois de um tempo, ele desistiu. De qualquer forma, era tarde demais agora. Eles iam ter que recomeçar tudo de novo. Zangado, ele teve de se vestir e foi procurar por ela.
Ela estava sentanda no sofá da sala. Quando ele entrou, ela levou um dedo nos lábios, pedindo que ele ficasse em silêncio. O cãozinho estava deitado de costas, as quatro patas engraçadamente viradas de pro ar, a cabeça no colo dela. Enquanto ela acariava a barriguinha, os olhos dele ficavam pesados e começavam a se fechar.
Kate olhava para Sawyer interrogativamente, como se a perguntar "Você já viu alguma coisa tão fofa na vida?"
Bem, ele não tinha, mas ainda assim...
"É bom ver que alguém está tento alguma ação aqui," ele murmurou sarcástico.
Ela revirou os olhos para ele e voltou sua atenção novamente para o cachorro.
Irritado, ele saiu lá fora para ter certeza de que os fios do telefone ainda estavam no lugar para que este funcionasse quando o serviço estivesse reestabelecido. Ele estava começando a achar que as implicações desse presente seriam um pouco mais do que ele havia pensado.
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Algumas horas depois, Kate estava sentanda no balcão da cozinha, marcando as páginas dos catálogos e esperando a àgua ferver no fogão perto dela. Ela deu uma nova olhada na panela e suspirou. Nem sinal de borbulhar ainda. Tudo nesse lugar era velho e demorava uma eternidade para funcionar.
Sawyer entrou e começou a lavar as mãos na pia. "Quem poderia imaginar que uma coisinha como aquela ia fazer cocô tantas vezes em um dia."
Sem tirar os olhos das páginas que olhava, ela sorriu. "Foi sua idéia," ela replicou cantarolando, em um tom de insulto.
"É," ele disse, parecendo aborrecido. "E eu tenho certeza que você vai me lembrar disso todos os dias."
Notando a panela de água no fogão, ele desligou o fogo. "Mas que diabos você pensa que está fazendo?"
Agora ela levantou a cabeça, olhando para ele como se ele fosse louco. "Estou fazendo macarrão."
"Não no seu aniversário, você não vai fazer."
"Sawyer..." ela disse, parecendo comovida.
"Planejei pedir alguma coisa. Assim que o maldito telefone voltar a funcionar."
"Realmente existem restaurantes que entregam aqui no meio do nada?"
"Como você pensa que eu sobrevivia antes de você vir parar aqui?" Segurando o rosto dela entre as mãos, ele se inclinou e a beijou, recuando de modo implicante quando ela começou a se entregar ao beijo.
"Você lembra o que aconteceu na última vez que você estava sentada aí?" ele perguntou piscando para ela.
Ela fingiu pensar a respeito. "Eu lembro de beber muito whisky... mas tudo depois disso é embaçado."
Ele pareceu verdadeiramente magoado, e ela teve que rir. "Estou brincando, Sawyer. Claro que eu me lembro."
"É bom que lembre," ele disse ficando um pouco zangado. Para se vingar, ele se curvou e mordeu o pescoço dela, tão forte que até doeu um pouco. Apesar disso, ela não estava reclamando. Passando as pernas ao redor dele, ela o deixou continuar por um segundo e então levantou a cabeça dele até a sua, beijando-o profundamente. As mãos dele escorregaram por debaixo da blusa dela, e, seu corpo a traindo, começou a se mover devagar, num ritmo ondulado contra ele, mesmo que ambos ainda estivessem completamente vestidos. Desafivelando o jeans, ela se ergueu um pouco para que ele pudesse ajudá-la a retirá-lo.
Repentinamente, a cabeça de Kate bateu contra a porta do balcão e Sawyer mordeu o próprio lábio, ambos alarmados.
Bem à direita da cabeça de Kate, na parede, o telefone começou a tocar.
"Isto não está acontecendo," ela resmungou.
Ele começou a se moveu em direção ao telefone e ela segurou-o pelo braço. "Não atenda!"
"Eu não posso simplesmente deixar tocando!"
"Por que não? Você não teve telefone por meses... está realmente preocupado em perder uma ligação?"
Eles se olharam enquanto o telefone tocava alto e insistente, quase parecia que tocava mais alto a cada segundo, mesmo que isso fosse impossível.
Finalemente, Sawyer não podia mais aguentar. Ele pegou o fone. "Alô!" ele disse, em um tom que mais parecia de reclamação do que de saudação.
Ela o observava de perto, seus olhos eram de aborrecimento. "Sim... estava desligado." Ele pausou. "Talvez porque eu não queria receber sua maldita ligação!"
Kate suspirou alto, tentando fazer com que ele se apressasse. Colocando a mão no fone, ele murmurou. "É minha tia Meg. Eu tenho que falar com ela... se eu não falar ela pode vir até aqui me procurar. Ela é uma vadia louca." Ele disse a última frase quase orgulhoso, e Kate pensou que ele podia talvez ter afeição pela tia.
"Não pode pedir pra ela ligar depois?" ela quase choromingava.
"O quê?" Sawyer perguntou, tirando a mão do fone e se afastando dela. "Eu nunca peguei emprestado seu carrinho de neve... de que diabos você está falando! "
Frustrada, Kate desceu do balcão e saiu pela porta.
"Onde você está indo?" Sawyer assoviou para ela.
"Tomar um banho," ela disse de maneira acusadora. "De preferência um bem frio."
Ele pareceu arrependido, mas então ficou distraído de novo. "Sim... eu ainda estou aqui," ele disse ao telefone.
Então, enquanto subia as escadas, ela teve de rir quando ouviu ele dizer, "Você perdeu a porcaria da sua cabeça, tia Meg... eu nem mesmo gosto de Barry Manilow!"
Depois que eles receberam a pizza à noitinha e terem comido o quanto quizeram, Kate sugeriu que eles caminhassem até p lago com o cãozinho.
No entanto, Sawyer já tinha outros planos, que ele lembrou ao olhar para o relógio. E o cãozinho não estava incluído.
"Ele vai estar bem aqui. Provavelmente não vai nem acordar enquanto estivermos fora... ele vai ficar apagado a noite toda," ele tentou converce-la.
"Onde vamos?" ela perguntou, mistificada.
"Não posso dizer," ele respondeu com um brilho nos olhos.
"Bem, ao menos me diga para que eu possa me vestir apropriadamente." Ela olhou sarcástica para o vestido que havia colocado após o banho.
"Sardenta, à menos que você tenha uma máquina do tempo, você nunca vai estar vestida apropriadamente quando estiver usando essa coisa." Ele sorriu para ela. "Não importa... não vamos chamar a atenção para onde vamos."
"E onde isso vai ser?"
"Você não vai conseguir arrancar isso de mim tão fácil." Ele beijou-lhe a testa. "Ponha seus sapatos."
Depois de checarem que o cãozinho estava dormindo no cobertor no banheiro, eles saíram na varanda. Sawyer trancou a porta atrás deles, então pegou o braço dela e a guiou até a caminhonete.
Depois de dar uma olhada mecânica de ambos os veículos já que ambos estavam fora de circulação, ele descobriu que já que a transmissão estava dentro do carro, a caminhonete seria mais fácil de consertar. Ele não gostava que outra pessoa consertasse, porque ele sempre gostou de mexer ele mesmo. Mas ele era muito pão duro pra consertar ambos os automóveis, então ele optou pela caminhonete. Além disso, ele tinha boas memórias relacionadas à ele. Se não fosse por aquela porcaria começar a funcionar naquele momento, ele talvez nunca tivesse achado Kate e a trazido de volta.
Ele abriu a porta do passageiro e esperou que ela entrasse. Ela olhou para ele nervosa.
"Você tem certeza disso? Não parece muito seguro."
"Não vamos muito longe. Vai ficar tudo bem."
Olhando para ele por mais alguns segundos, ela tentou confiar nele. Ela suspirou e subiu até o banco. "Espero que você esteja certo."
Ele sentou ao seu lado, dando a partida na caminhonete dando ré, então fez a volta e ganhou a saída. Quando foi para a estrada, dobrou à direita.
Kate estava preocupada e quieta mais do que de costume. Havia muitas coisas que podiam sair errado naquela situação. As possibilidades passavam pela mente dela... podia haver um acidente... a caminhonete podia quebrar de novo... eles podiam ser pegos por um policial... alguém poderia vê-la e reconhecê-la... ela não podia parar de pensar. Além da noite que ela tinha ido para a parada de caminhão, perturbada pela culpa e desespero, esta era a primeira vez que ela deixava a propriedade de Sawyer. Ela não tinha percebido até agora como ela se sentia segura lá. Quanto mais a caminhonete se afastava, mais tensa ela ficava.
Quando passaram pela casa de Greg, escura e vazia agora que ele tinha ido visitar a tia, ela ficou momentaneamente distraída. Ela chegou mais perto da janela para ver o que parecia um carrocel quebrado... sem os cavalos? Mas que diabos? Ela se virou para Sawyer, confusa.
"Greg não trabalha em um parque de diversões por acaso, não é?"
"Não, Sawyer respondeu com divertido desdém. "Por quê?" Ele deu uma olhada para ela.
"Esquece," ela disse, parecendo perturbada. "Apenas continue dirigindo."
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Um minuto ou mais depois, ele virou à esquerda e começaram a subir. A estrada estendia-se ao lado da montanha, e às vezes se tornava quase vertical. A caminhonete seguia, devagar agora, fazendo cada curva com cuidado ao longo que o caminho à frente deles ficava cada vez mais íngreme.
Eventualmente, a estrada estava cheia de pedregulhos, então, só um rastro escuro com capim crescendo no meio. Eles continuavam subindo. Kate se agarrou com um braço na porta e outro contra o acento do banco para não ficar batendo no teto enquanto eles pulavam dentro dos sulcos fundos da estrada.
"Tem certeza de que sabe para onde estamos indo? Porque eu não acho que seja o caminho certo, Sawyer."
Ele sorriu, sem responder à ela.
Ele finalmente parou em frente à um monte de àrvores secas. "Fim da linha," ele disse, virando-se para ela. "Temos que andar daqui. Não é muito longe."
"Como você sabe que não há ninguém lá?" Ela perguntou com cautela, sem muita vontade de sair do carro.
"Não tem. Confie em mim. Eu provavelmente sou a única pessoa que ainda vem aqui."
"Eu posso ver porquê." ela murmurou enquanto ele saiu e fez a volta até sua porta. Abrindo-a, ela desceu e o deixou guiá-la por um estreito caminho que ela não havia antes notado. Eles caminharam por uma área arborizada, Sawyer iluminava o caminho com uma lanterna. Ela notou que ele também carregava um cobertor que ele devia ter pego de trás da caminhonete.
Depois de alguns minutos de caminhada, o arvoredo deu lugar à uma vegetação mais rochosa. Ele desceu até a beira e voltou para ajudá-la a descer. Finalmente levantando a cabeça e dando uma olhada, ela quase ficou sem ar.
O lago era visível daquela distância, vislumbrando a luz da lua. E então o que parecia outro lago, e um rio, ao lado deste. Na direção oposta, no outro lado da mata fechada e das montanhas, notavam-se um feixe de luzes.
"Aquilo é a cidade?" ela susurrou. "Parece tão pequena daqui."
"É pequena," ele disse. "Cinco mil habitantes. Mas parece ainda menor daqui de cima."
Ele ligou a lanterna e deu uma olhada no relógio, a terceira vez que ele tinha feito isso desde que eles tinham entrado na caminhonete.
"Por que você fica fazendo isso?" ela perguntou com curiosidade. "Você tem um compromisso em algum lugar?"
Ele sentou em uma pedra que formava um banco natural. "Sente-se, ele disse, segurando seus braços.
Ela sentou ao lado dele, tremendo de frio com o fino vestido. O ar estava mais frio lá em cima. Ela amontou-se contra ele, tão próximo quanto ela pôde chegar. Ele pegou o cobertor de trás dela o largou em volta de seus ombros e então puxou-a mais pra perto.
"Então era pra isso que o cobertor ia servir," ela disse sorrindo. "Que bom que você pensou nisso."
"Na verdade, eu não pensei. É o cobertor em que eu trouxe o cachorro... só lembrando que foi nele. Se você sentir algum cheiro estranho, você sabe por quê. "
Ela se afastou um poco e olhou para ele atentamente, tentando saber se ele estava brincando ou não. Ela achou que ele estava.
Tentando esconder um sorriso, ele olhou para o relógio de novo.
"Você está começando a me assustar um pouco." ela disse a ele.
"Só esperando pelo resto do seu presente de aniversário, só isso."
Ela suspirou, desistindo de conseguir qualquer informação dele. Seria mais simples só esperar para ver sobre o que tudo aquilo se tratava. Ela descansou a cabeça no ombro dele, sentindo um pouco de sono. Tinha sido um longo dia. E eles ainda não haviam terminando o que haviam começado.
De repente, estrondo ensurdecedor a fez pular. Ela levantou a cabeça, e viu, bem à frente deles e bem acima das luzes da cidade, uma chuva de luzes. O entrondo foi rapidamente seguido de um segundo, este virando em duas estrelas.
Fogos de artifício.
Ela olhou para Sawyer, maravilhada, sem ao menos conseguir falar por um segundo. "Como você fez isso?"
"O quê?" ele perguntou, sorrindo. "Você não acha que merece?"
Ela continuou a olhar para ele em choque.
Ele balançou a cabeça, parecendo um pouco encabulado. "É que por acaso seu aniversário caiu no mesmo dia do bicentenário da cidade." As últimas palavras foram ditas quase que com desprezo, como se a idéia de uma comemoração municipal fosse algo que ele realmente não queria se aprofundar. "Eu ví um folheto na cidade esta manhã sobre uns fogos de artifício hoje à noite... achei que poderíamos ver daqui."
A pequeno sorrindo de satisfação transpareceu no rosto dele. "Você está mesmo colocando a sua reputação de 'mau- caráter' em perigo... você sabe disso, certo?
"É, bem... me dê alguns dias. Eu tenho certeza que farei alguma coisa estúpida o suficiênte para fazer com que você esqueça disso."
Ela acenou a cabeça, quase rindo. Provavelmente era verdade.
Ambos voltaram os olhos para a cidade lá em baixo, assistindo depois de cada estrondo as cores brilhantes que surgiam, chiando e estalando na sua máxima glória, então lentamente desmanchando-se em fumaça.
"É tão estranho ver fogos em outubro," Kate disse calmamente. "Eu não lembro de ter visto um espetáculo desses desde que eu era criança. Eu e meu melhor amigo costumávamos ir escondido até o centro onde haviam uns no 4 de julho."
"O mesmo amigo que tinha o cachorro?" Sawyer perguntou.
"Sim."
"Qual o nome dela?"
Ela não respondeu por um segundo. "Não era uma garota." A expressão dela revelava alguma relutância, mas ela disse calmamente, "O nome dele era Tom."
Notando sua hesitação, mas sem entender a razão, ele perguntou, "Vocês dois tiveram algum tipo de 'quedinha?' Um desse tipos 'cara-especial-da-escola'?"
Noticing her hesitation, but misinterpreting the reason, he asked, "You two have some sort of fallin' out? One of those after-school-special type things?"
"Não," ela disse, olhando para os fogos de artifício. "Não exatamente."
"Então porque você não mantém contato com ele agora?"
Ele viu a dor cintilar nos olhos dela imediatamente, e ela mordeu o lábio para não ceder à ela. Olhando diretamente para ele, ela respirou fundo e então disse simplesmente, "Ele está morto."
Ele a observou atentamente assim que ela se voltou novamente para a vista. "Sinto muito ouvir isso, ele disse, intrigado. "O que aconteceu?" Ele sabia que não devia perguntar, e ela provavelmente não diria, mas ele precisava tentar.
Ela fechou os olhos por um segundo. "Esta noite não," ela disse cansadamente.
"Eu já ouví isso antes, querida. Parece que nunca vai haver a noite certa, não é?"
"Desculpe," ela susurrou. Agora ela estava olhando para o lago, atormentada, sem mais prestar atenção aos fogos.
Ele se sentiu péssimo. Era a porcaria do aniversário dela, afinal de contas. Por que ele não podia simplesmente deixá-la quieta?
"Não se preocupe," ele murmurou. "Acho que não posso falar nada, né? Também não deixei você saber o que queria na outra noite." Ele pausou. "Queria que as coisas fossem diferentes. Queria poder te dar mais." Mais dele mesmo, era o que ele queria dizer. Ela sabia disso, instintivamente, porque ela sentia a mesma coisa.
Olhando para ele, ela sorriu com tristeza. "Eu vou ficar com o que você me der."
Ele olhou profundamente em seus olhos, sentindo-se mergulhar neles. "É... eu também."
E por agora, aquilo podia ser o suficiente. Ao menos por esta noite, parecia ser o suficiente.
Saindo de cima da pedra, Sawyer se moveu até o chão perto dos pés de Kate. Ela o observava com curiosidade. Ele ergueu o calcanhar dela e começou a beijá-los delicadamente, depois de alguns segundos indo para o outro.
"O que você está fazendo?" ela perguntou, quase rindo. Dava cócegas, mas também era incacreditávelmente bom.
Lentamente, os beijos deles foram subindo um pouco mais, divergindo entre um lado e outro. O coração dela começou a acelerar um pouco, e continuava subindo ao passo que ele já alcançava os joelhos dela.
"Sawyer..." ela disse advertindo-o, mas sem muita força. "Aqui não."
Ele sorriu para ela com malicia. "Por que não?"
"Pode ter alguém por perto."
Agora ele estava um pouco além dos joelhos no espaço que compreendia o interior de suas pernas, ainda alternando entre um lado e outro. Ela engoliu, tentando ao máximo se conter.
"Você é a aniversariante... se quer ir embora, é só dizer." ele agora estava na metade do caminho entre os joelhos e a cintura dele, levantando o vestido enquanto progredia.
A respiração dela começava a vacilar, ela sussurrou, como se estivesse pensando alto, "Pensando bem, eu sempre achei que é falta de educação recusar um presente."
"Com certeza é," ele disse sorrindo. Piscando para ela, ele já tinha o fundo a parte de dentro do vestido dela sobre a própria cabeça.
Gemendo suavemente, ela deixou-se cair para trás na pedra, fechando os olhos. Os fogos de artifício haviam cessado, mas Kate nem notou.
Ela estava preocupada com uma explosão completamente diferente.
