Capítulo 32

Quando Kate abriu os ollhos e olhou o relogio, se alarmou com como tinha dormido ate tarde. E era tudo culpa do Sawyer, ela pensou irracionalmente, dando um forte empurrão nele. Eles deveriam ter ido dormir imediatamente na noite anterior, mas ah não..

"Acorda", ela mandou. Ele deu um gemido e sussurrou alguma coisa incoerente com a cara no travesseiro. Levantando da cama, ela se vestiu com pressa, tomando cuidado com seu braço direito mas decidindo tirar a tipóia por enquanto. Que horas Jack ia sair pro aeroporto? Ela não conseguia lembrar, mas sabia que ele devia ter falado.

Entrando no corredor ela reparou que a porta do quarto que ele dormiu estava aberta, a cama feita direitinha e tudo perfeito. Ela desceu as escadas com um medo crescente, primeiro ela olhou na sala, que estava vazia. Ela foi até a entrada da cozinha pra dar uma rápida olhada e parou de andar num susto, com vergonha e aliviada ao mesmo tempo. Ele estava sentado na mesa.

"Oi," ela disse quietamente.

"Bom Dia."

"Eu tava com esse medo maluco que você fosse tentar sair antes da gente acordar, sem dizer tchau. "Ela olhou pra ele curiosamente, imaginado se essa tinha sido a intenção dele. As malas dele estavam feitas, uma encima da outra, perto da porta.

Ele pareceu vagamente culpado, mas ao mesmo tempo se divertindo. "Bem, é meio difícil sair dirigindo ao nascer do sol quando você tem que esperar por um táxi."

Ela sorriu. "É acho que sim."

Eles ficaram quietos por um Segundo. Kate não sabia ao certo o que dizer. Seria inútil tentar falar de qualquer coisa que fosse que eles conversaram na noite anterior. Eles já tinham falado tudo, e não tinha nada novo pra ser dito. Ela queria que Sawyer se apressasse e levantasse a bunda da cama, pelo menos pra salvá-los dessa intimidade constrangedora.

"Você tá com fome?" ela perguntou finalmente. "Você provavelmente deveria comer alguma coisa antes de ir embora." Ela começou de novo indo em direção as gavetas.

"Eu to bem, Kate. Eu não sou muito de tomar café da manhã." Ele parou. "Eu, uhn..Eu já fiz um pouco de café. Espero que não tenha problema."

"Ah," ela disse, olhando pra garrafa de café. "Claro". Ela foi pegar um copo, pelo menos pra ter algo pra ocupar as mãos.

"Eu reparei que você tirou a tipóia," ele disse, a observando.

"É, dava mais trabalho que ajudava."

"Como tá seu braço agora de manhã?"

"Não muito ruim." Ela esticou o braço direito, pra experimentar. "Quer dizer eu duvido que eu possa dar estrelas por um tempo, mas não tá doendo nao, tá só um pouco dolorido."

"Eu provavelmente deveria dar uma olhada de novo antes de eu ir embora, se você não se importar."

"Não me importo," ela disse, sentando na mesa perto dele. "Vá em frente."

Cuidadosamente, ele desenrolou o curativo. Enquanto ele virava a cabeça com preocupação e examinava os pequenos pontos procurando sinais de infecção ou de algum sangramento, Kate observava a cara dele. Ele olhou pra ela antes dela ter tempo de olhar pra outro lado e sorriu tristemente.

"Tá tudo certo," ele disse gentilmente, ainda olhando pra ela.

Veio um barulho de perto da porta. " Ah ótimo, ele ainda tá aqui," Sawyer disse num tom sarcástico.

Kate olhou para ele e fechou os olhos irritada e com vergonha, suspirando. Ele estava usando boxers e nada mais.

Jack abaixou os olhos em direção a mesa e balançou a cabeça, parecia que ele estava tentando não rir.

"Sawyer," ela disse entre os dentes. "Dá pra você vestir uma calça?"

"Não consegui achar nada limpo," ele disse com ar de acusação.

Olhando pra ele, ela foi rapidamente dentro da lavanderia e pegou uma calça jeans da secadora. Voltando pra cozinha, ela embolou a calça e jogou na cintura dele, com força. Ele levantou as mãos pra pegar a calça, dando um sorrisinho brincalhão e desafiador.

Botando a calça sem mesmo se incomodar em sair da cozinha, ele perguntou, "Mas, então quanto a gente te deve, doutor?"

"Com licença?" Jack perguntou.

"Pelo braço. Quanto?"

Kate olhou pro chão, inconfortável, mas, sem interromper. Esse assunto teria que ser tratado em algum momento.

"Você não me deve nada," Jack disse, parecendo cansado. "Isso foi um favor, pra uma amiga," ele adicionou olhado pra Kate. "Eu esperaria que você fizesse o mesmo por mim."

Saywer revirou os olhos na ultima frase, mas pressionou ele de novo. "Você tem certeza?"

"Aham, fique com seu dinheiro."

Com um exagerado gesto de aceitação, Sawyer foi pegar um copo de café.

Kate tentou convencer ele. "Jack deixa ele te dar alguma coisa. Só as passagens de avião devem ter sido caríssimas. E ainda mais, você tá faltando ao trabalho…"

"Eu rearrumei meus horários, então na verdade eu não estou faltando a nada. Além do mais...Eu to feliz de ter tido a chance de te ver." Ele pareceu sincero, e ela abaixou os olhos, se sentindo mal.

Sawyer voltou pra mesa, dando uma bicada em sua xícara. "Quer saber, Freckles...Eu acho que você está melhorando nesse negocio todo de fazer café."

Kate abriu um sorriso e parou por um momento pra que seu anuncio tivesse um impacto profundo. Sawyer olhou para ela sem entender nada.

"Jack que fez," ela disse com um pouco de prazer. Isso era a vingança pelos boxers.

Ele olhou dela para Jack, sua expressão mudando. Ele parecia que tinha sido enganado de alguma forma.

"Brigado pelo elogio, Sawyer," Jack said, claramente se divertindo.

Puxando uma cadeira ele se sentou bruscamente, irritado, mas, sem conseguir pensar em uma resposta apropriada. Com sorte, ele foi salvo pelo som de um carro buzinando que vinha da entrada da garagem.

"Deve ser o meu táxi," Jack disse, se levantando devagar.

Sawyer fez um esforço pra levantar de novo e destrancou a porta da cozinha. Jack pegou suas malas, e eles andaram ate a varanda do lado da casa. Kate começou a dar a volta e segui-lo até a frente da casa, mas, Sawyer segurou o braço dela e a puxou.

"Aonde você acha que tá indo?"

Jack parou, ele realizou ao mesmo tempo. "Ele tá certo, Kate. Você não pode arriscar deixando o motorista do táxi te ver."

Quando a estupidez do que ela estava prestes a fazer bateu nela, ela riu quase azeda. "Eu esqueci. Eu esqueci completamente," ela disse pensativa.

Os três pareceram tristes por um segundo. Seria essa a forma como sua vida seria pra sempre?

"A gente pode dizer tchau aqui," Jack disse.

Aceitando, Kate abriu os braços pra abraça-lo. "Muito obrigada," ela sussurrou por cima do ombro dele. Ele abraçou ela mais forte quando ouviu essas palavras, mas, depois a soltou abruptamente, segurando ela na altura de seus braços.

"Se qualquer dia você precisar de alguma coisa…qualquer coisa que seja…" Ele olhou pra ela significativamente.

"Eu sei," ela sussurrou agradecida, tentando segurar as lágrimas.

Sawyer suspirou, olhando pro outro lado. Ele não ia interromper a cena, mas, obviamente ele desejava que eles se apresassem e terminassem logo.

Finalmente Jack tirou os olhos de Kate. Relutantemente, ele levantou a mão pra Sawyer apertar. Sawyer hesitou, parecendo destruído e encurralado, mas, então ele apertou.

"Tome conta dela," Jack disse com simplicidade.

"To tentando," Sawyer disse.

Kate limpou uma lagrima disfarçadamente, virando o rosto pro lado por um segundo. Ela engoliu forte. Eles ouviram a buzina de novo, dois apitos bem altos.

Jack começou a descer as escadas da varanda. "Deve ser o mesmo motorista de ontem," ele disse meio que sorrindo. "Eu acho que o cara não vai com a minha."

No canto da cassa, ele parou, se virando. "Tchau, Kate," ele disse quietamente.

Ela concordou. "Tchau," ela disse num suspiro, não confiando nela mesma pra fazer nada mais que isso. Sawyer botou o braço em volta dos ombros dela.

Jack sumiu atrás do canto da casa, e alguns minutos depois, o som do carro também sumiu.

Eles continuaram ali em pé por um minuto, sem dizer nada.

"Você tá pronta pra entrar?" Sawyer finalmente perguntou.

"Pode ir na frente," ela disse, se afastando um pouco. "Eu vou sentar aqui por algum minutos. Daqui a pouco eu entro."

Kate se sentou na escada. Amarrando os braços em volta do joelho, ficou olhando o horizonte com uma expressão estranhamente de paz.