Gabi estava sentada na praça de Prontera, lendo seus livros, hábito que não havia abandonado desde seus tempos de magia, pensando na época que ainda rodava o mundo atrás de aventuras. Afinal, ela já havia sido, inclusive, uma maga, sabia como era enfrentar ameaças, como sobreviver no campo, conhecia muito sobre ervas, itens e muitas outras coisas. Era curiosa por natureza, desde criança, bem antes de resolver seguir a vida que sua irmã havia mostrado. Mas a mentalidade de sua irmã mais velha, Aisha, acabou a obrigando a cuidar das posses da família. Alice, a irmã do meio, tampouco se interessava pelo ofício, apesar de ser também muito inteligente e inclusive versada nas artes da escrita. Mas esta havia decidido seguir o caminho da Fé, restando a Gabi, a filha mais nova, o cuidado dos bens e finanças da família.

Enquanto lia seus livros, com sua pequena Lunático de estimação, acabou se deparando com algumas notas estranhas em seu livro básico de criação de poções. Era algo que falava sobre a criação de formas que emulavam a vida. Era algo interessante, algo que ainda não tinha lido a respeito, mesmo sendo uma ávida devoradora de livros da Academia de Magia de Geffen.

Sabendo que não encontraria muita informação em seus livros e que, certamente, nada encontraria nas bibliotecas de Prontera uma cidade muito religiosa devido a presença da Catedral a nordeste da cidade, dirigiu-se à cidade-satélite de Izlude, para pegar o primeiro aeroplano para a cidade dos Sábios.

A cidade de Juno situava-se fora dos domínios do Rei Tristan III, em um Estado diferente até politicamente do reino de Rune Midgard; Juno situava-se na República de Schwartzwald, situada ao norte de Al de Baran. A República havia crescido enormemente nos últimos tempos, a tal ponto que mesmo grandes guildas haviam se transferido para as suas cidades, como a poderosa guilda dos Ferreiros, para a cidade de Einbroch, e a dos caçadores, para a distante e isolada cidade de Hugel. Mas a República se mantinha com fortes laços de amizade e comércio com o reino, o que era muito saudável para os aventureiros e viajantes.

Chegando em Juno, Gabi foi direto para a Universidade, já que conhecia bem esta cidade. Afinal, era este o objetivo de vida dela quando era uma maga ainda. Colocou sua Lunático dentro do seu carrinho e foi direto para a biblioteca, procurar maiores informações. Encontrou muitos livros que falavam sobre as tentativas de criação de vida, de recriação eu até mimetização, com muitas citações especialmente sobre estas últimas, sempre citando as academias e empresas de pesquisas sediadas na república. Mas nada realmente indicativo sobre o fato da criação em si, ou se havia sido conseguido efetivamente criar vida. Algumas referências à guilda dos Alquimistas em diversos livros, além da própria indicação em um dos seus livros de criação de poções a fez pensar em seguir direção sul para a cidade que fazia a fronteira entre a república e o reinado, a cidade dos alquimistas Al de Baran.

Foi enviada para lá pelo serviço de teleportes da Kafra, pois era o caminho mais rápido. Lá na guilda conversou com muitos colegas de profissão, e pesquisou na biblioteca que havia no subsolo da guilda dos Alquimistas, e acabou encontrando que um pesquisador havia conseguido criar um homunculus, uma criatura viva em praticamente qualquer aspecto pensável, exceto que não era uma criação divina. Este pesquisador ficava na cidade de Lighthalzen, e trabalhava na Fundação Rekember.

Sem pensar duas vezes, Gabi pegou seu carrinho e foi correndo para a funcionária Kafra a mandar para a cidade de Juno, para que ela pudesse pegar o aeroplano para a cidade de Lighthalzen. Tudo o que havia na mente dela agora era a necessidade de conhecer esta forma de criação de vida.

Lighthalzen era uma cidade bonita, muito bem organizada e limpa, embora olhando lá do alto do aeroplano Gabi tinha tido a impressão de ter visto uma área mais suja na cidade. Como não era turismo o que tinha em mente, foi direto para o centro da cidade, procurar um guia que indicasse onde era a Fundação Rekember. Ao conseguir as indicações desejadas, deixou seu carrinho com a funcionária Kafra da cidade e foi direto para o noroeste da cidade, onde fica a sede da Fundação. Como talvez não interesse totalmente ao leitor toda a correria que envolveu a pesquisa de Gabi, vou me dar ao luxo de ir direto ao momento que ela encontra finalmente o pesquisador, após percorrer diversos corredores e ter falado com dezenas de pessoas e ter pesquisado centenas de papéis e livros atrás da informação que queria. Mas finalmente conseguiu o tão desejado conhecimento: como criar uma emulação de forma de vida, um homunculus.

Com o conhecimento em mãos, o coração cheio de alegria e o cérebro trabalhando a toda, Gabi quase se esqueceu de pegar seu carrinho com seus pertences com a funcionária Kafra antes de embarcar no aeroplano, que estava em seu porto à sudeste da cidade. Apesar de toda sua vontade e até pressa para tentar criar um homunculus, Gabi foi para o hotel que ficava no centro da cidade de Lighthalzen, pois anoitecia e ouvira falar que a cidade não era muito segura durante a noite. E também porque estava muito cansada de toda a correria do dia.