Capítulo 4. Grifinória, ainda bem!
- Qual será a prova das Casas?
- Só espero que não tenha a ver com família. – Sirius disse, apreensivo.
- Si, vamos para a Sonserina, é claro... Todos os Black estão lá.
Sirius encarou Bellatrix, sério.
- Eu vou para a Grifinória. Você vem comigo? – ele disse, puxando a mão dela.
- Grifinória? Vai sonhando... Para sangues-puros como nós, não tem lugar melhor que ...
- Eu sei o que é melhor para mim, garota! E não tem nada a ver com meu sangue. – ele a interrompeu.
Ops, clima tenso de novo. Sirius descontrolado de novo. Suspirei, pensando em outro assunto mais ameno que Hogwarts, para conversarmos. Por sorte, uma velha bruxa vendendo doces foi mais rápida do que eu e abriu a porta da cabine de supetão, quebrando o clima.
- Doces, queridos?
E viva a magia do açúcar! Logo estávamos nos empanturrando com todo tipo de guloseima colorida, exibindo figurinhas de bruxos famosos e animagos raros e esquecendo as perigosas diferenças ideológicas.
- Vocês sabem como chegaremos ao Castelo? – Narcisa começou, tímida.
Levantei os olhos, mas Sirius estava tranquilo.
- Com os Testrálios, oras. – Bellatrix pareceu desinteressada.
Enruguei a testa. Não podia ver Testrálios, felizmente.
- Na verdade, os alunos do primeiro ano tem que fazer a travessia do Lago de Barco. Os barquinhos são encantados, uma magia muito antiga, e sincronizados perfeitamente para...
- O que você sabe sobre essa magia antiga? – Sirius perguntou de repente.
Bellatrix e ele se entreolharam, animados.
Eu sabia o que estava por vir e era arriscado. Mas, bem, só se entra em Hogwarts pela primeira vez uma vez na vida.
Ficamos concentrados. Revezamos para colocar as vestes e eu mesmo nunca me troquei tão rápido na vida. Para se ter idéia, nem o Sirius atrasou.
As meninas eram essenciais. Só elas conseguiriam abalar levemente o feitiço e, nesse exato segundo, precisaríamos agir. Foi estranho ver a tímida Narcisa arquitetando todo o plano, mas quando descemos do trem, Sirius voltou a seu papel preferido de liderança.
Hagrid, o grandão do Olivaras, nos esperava com um lampião, mas mesmo Sirius ficou calado e o seguimos, discretos. Logo atrás dele, estava Lilian, ainda com a gata no colo e conversando animada com o menino sonolento. De alguma forma, eu sabia que ela estava segura.
Lá estava o Lago, o castelo ao fundo e os barcos prontos, tudo exatamente como Narcisa nos descreveu. Sirius escolheu um barco da ponta e nós entramos, varinhas a postos sob as vestes.
Assim que Hagrid deu a partida, Bellatrix e Narcisa agitaram as varinhas murmurando coisas que não entendi bem baixinho. O barco balançou, nos molhando um pouco. As águas pareceram ceder e, por um instante, achei que íamos afundar.
Não precisou de comando para Sirius e eu lançarmos nossas varinhas ao mesmo tempo e tomarmos o controle do barco. A corrida começara! Era incrível! Tínhamos conseguido!
Sirius me fez um sinal e eu fui para a ponta do barco, enquanto ele me dava apoio. Empinei o barco e naveguei em zigue-zague, girei, me diverti horrores.
- Lembra daquele verão em Weymouth, Tiago? – Sirius gritou.
E se eu lembrava, tinha sido um verão incrível. Quando virei, Sirius me molhou inteiro! Mas com as lentes encharcadas, eu vi vários barcos tentando quebrar o feitiço também e disputar conosco. Bellatrix tentava ajudar outros barcos a se libertar, mas Narcisa agora reclamava das vestes molhadas.
- Isso aí, galera! Regata de Hogwarts e estamos na frente! – Sirius delirava.
- Potter e Black lideram! – imitei a voz do narrador que nos divertiu em Weymouth.
- O quê? São vocês? Não acredito! John e Claire vão saber disso, ouviu, Sr. Potter! – Hagrid gritou.
- Acho que estou encrencado! Hahaha!
- Estamos mesmo. – Narcisa observou.
- Relaxa, Hagrid está vindo, vamos acelerar!
- Ganhamos! Potter e os Black, imbatíveis! – agora Sirius fazia a mesma voz.
Atracamos e pulamos do barco, ensopados e muito felizes. De repente, aplausos! Muitos! Isso é o que eu chamo de entrada triunfal!
- Dá-lhe Marotos! – ouvi alguém gritar. E soou tão estranhamente familiar. De quem era essa voz?
- Já são nossos fãs! – Bellatrix riu alto, atrapalhando meus pensamentos.
- Marotos! Marotos!
Sirius me deu a mão e agradecemos o público. Estávamos em êxtase.
- Agora estamos encrencados de verdade. – Narcisa disse, de repente, séria.
E, dessa vez, estávamos mesmo. Uma bruxa velha veio nos encontrar andando muito rápido. Ela fazia minha mãe em seus dias mais enfurecidos comigo parecer uma fada.
- Sigam-me sem dizer nenhuma palavra. – ela disse sem nem olhar para a gente direito.
Ela nos levou em silêncio até o segundo andar do castelo e foi tão rápida que até Sirius precisou correr para alcançá-la. Não vi como, mas ela abriu uma porta secreta, que revelou um Gárgula. Disse o nome de alguns doces que comemos no trem e entramos. Torci pela memória de Sirius ser melhor que a minha.
A sala era redonda, com vários itens mágicos e muitos retratos. Um cara bem, bem velho mesmo estava nos esperando. Pelo que papai dizia, ele devia ser o diretor, Alvo Dumbledore, e, nesse caso, comecei a achar que dessa vez a coisa ficaria feia para o meu lado.
- O que aconteceu? – ele perguntou, bem calmo.
- Alvo, o Lago... eles...os barcos, eu não sei como aconteceu. – a bruxa velha estava, em contrapartida, bem nervosa.
Mas o diretor continuou nos interrogando com o olhar, como se já soubesse de tudo.
- Meninas, vocês têm algo a dizer?
Mas Bellatrix fez cara de inocente e Narcisa suspirou aflita, sem ousar falar.
- Foi tudo minha culpa, Senhor Diretor, lamento muito. – Sirius fez uma reverência longa.
Me esforcei para não rir, mas Bellatrix não conseguiu.
- E o senhor quem é?
- Sirius Black, senhor. Às suas ordens. Permita-me dizer, a sua sala é incrível, a decoração é...
- Então, você é o garoto Black.
Sirius parou por um instante, encarando o diretor. Não era comum sua marcha automática de simpatia não funcionar.
- Conte-me, Senhor Black, como tudo aconteceu.
- Bom, eu tenho uma amiga na livraria Floreios & Borrões, a Carol, então tenho ido muito lá ultimamente. Tenho pesquisado muito sobre os feitiços antigos, como os que guardam o Lago de Hogwarts e...
- E?
- E fiquei interessado em como as magias antigas funcionavam e como poderiam ser quebradas. Então, eu pensei em fazer um teste, apenas. Eu não pensei em causar confusão, sinto muito mesmo.
- Se pesquisou tanto sobre as magias, deve saber...
- Eu forcei as minhas primas, puxa, estou envergonhado mesmo. Eu disse exatamente o que elas precisavam fazer, não deveria usar minha influência para isso, eu sei. Deveria ter sido mais paciente para aprender tudo no tempo certo e...
Levantei a sobrancelha. Esse era meu amigo, sempre nobre e cavalheiro, assumindo a culpa de tudo.
- Sim, sim. – o Diretor não pareceu convencido, mas não quis mais explicações.
- Minerva, por favor, acompanhe as Srtas. Black até a porta e espere-nos no corredor.
Narcisa respirou tranquila e Bellatrix ainda ria, baixinho, enquanto saíam.
Achei que as coisas fossem piorar de vez, mas o diretor era um velhinho muito bacana.
- Você conhece a reputação da sua família, Senhor Black?
- Sim, senhor. – Sirius ficou desconfortável. Um dos quadros na parede também.
- Você conhece, Senhor Potter?
- Não, senhor. – Respondi sem coragem de olhar para Sirius.
- Você conhecerá mais no tempo certo. – disse, enigmático. – Mas por hora, saibamos que é uma família muito tradicional e injustiçada.
- Injustiçada? – Sirius, incrédulo, encarou o diretor.
- Sim, sim. Embora a maioria da sua família abrace ideais abomináveis, há uma lenda que diz que, a cada geração, há um Black destinado à grandeza.
O quadro na parede mudou de expressão, parecendo pomposo.
- Não à grandeza que Fineus Nigellus, atrás de mim, está imaginando, como poder e glória. – o personagem do quadro ficou ofendido.
Sirius encarava o diretor, olhar fixo e respiração tranquila.
- Mas à grandeza de caráter, de coração. E à chance de mudar o rumo das coisas e, quem sabe, até redimir toda a família.
Eram pedaços de informações aqui e ali. Mas o enigma do diretor sobre o tempo certo de aprender sobre a família Black ainda me perturbava.
- É uma escolha, Sirius. – ele disse, com tom paternal, e Sirius assentiu.
Tive a impressão de não ter entendido a maior parte dessa conversa do velho, e a certeza de que o Sirius entendeu tudo completamente. Odeio me sentir idiota assim nessas situações sociais, isso sempre acaba acontecendo. Por que ele não me mandou esperar lá fora também se tinha um assunto só com o Sirius?
- Agora, garotos. Vocês vão voltar com a Professora Minerva e ela vai conduzi-los à cerimônia de Seleção. Independente da casa em que vocês estejam, terão que cumprir uma detenção pelo ocorrido no Lago.
Puxa vida, toda a conversa mole e não esqueceu da punição. E eu que achei que ele era bacana.
- A Detenção de vocês durará com certeza todo o primeiro ano e pode se entender para os demais, dependendo de... Bem, dependendo de tudo.
- Mas... – dissemos juntos.
- Sua Detenção consistirá em uma aula especial, quinzenalmente.
- Aula de quê?
- Eu vou lhes contar mais em nosso primeiro encontro. Serei seu Professor.
- UAU! Que honra, Professor Dumbledore! – Sirius não se conteve mais e abraçou o Diretor.
- Obrigado, Professor. – limitei-me a dizer, e sorri.
- Agora, vão! Estamos atrasando a Cerimônia, temos um monte de alunos para sortear, o jantar só começa após a Seleção e eu estou morrendo de fome!
Esse velhinho era uma figura mesmo.
Saímos da sala e, antes que pudéssemos pensar em qualquer coisa, já estávamos correndo atrás da bruxa velha pelo castelo. Logo, entramos em uma sala onde os outros alunos nos aguardavam.
Lilian estava lá, olhos verdes como os da gata em seu colo. E ainda com o moleque com sono. Acho que se deram bem mesmo. Estou vendo que essa menina vai ser muito disputada, minhas chances são mínimas.
- Atenção, por favor! - Meu nome é Minerva McGonagall. Sou Vice-Diretora de Hogwarts, Diretora da Grifinória e Professora de Transfiguração.
Diretora da Grifinória e Vice-Diretora de Hogwarts? Oh-oh... algo me diz que precisarei melhorar meu relacionamento com a velha. Bom, pensando melhor, ela nem era tão velha assim.
- Eu serei breve. Estamos atrasados. Tenho apenas algumas recomendações. – ela continuou. – Primeiro, quero que saibam que o que ocorreu no lago será devidamente punido. Esses alunos estão, inclusive, ameaçados de expulsão.
Eita, expulsão? Ela pirou? – olhei para Sirius, e ele encarou a velha, digo, a Vice-Diretora, com um sorriso largo e descarado.
- Muito bem. Em minutos, vamos entrar no Grande Salão para a Cerimônia de Seleção. Eu vou chamar seus nomes em ordem alfabética e vocês virão até mim para serem selecionados. Quando tiverem a resposta, deverão se dirigir à mesa de sua Casa. A Casa a que vocês pertencerem será onde vocês viverão, dormirão e farão amigos. Todo ano, é realizado um campeonato entre as Casas. Por cumprirem corretamente suas tarefas, vocês ganham pontos para suas Casas. Desobedecendo as regras, vocês perdem pontos. Entenderam?
Ela nos olhou longamente e fui obrigado a retribuir com meu sorriso angelical número 4, o mesmo que faço quando minha mãe quer saber se eu peguei a vassoura do papai. Sirius ainda sorria, mas estava mais nervoso e inquieto.
- Bem, sigam-me.
Por fim, entramos em um salão imenso e eu suspirei. Estava finalmente no grande salão de Hogwarts! As mesas das Casas, os fantasmas perambulando, as velas voando, o teto aberto, era tudo como eu tinha imaginado! E agora era real! Na mesa dos Professores, o diretor Dumbledore sorriu para nós. Falando nele, será que o tal jantar demora?
Olhei para o Sirius, mas ele agora estava apreensivo, olhando fixamente um banquinho com um Chapéu em cima.
De repente, o Chapéu começou a cantar sobre as Casas de Hogwarts, foi o máximo! Não pude conter uns passinhos e Sirius me acompanhou sem tanto ânimo.
Ah, vocês podem me achar pouco atraente,
mas não me julguem pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui.
Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
suas cartolas altas de cetim brilhoso
porque eu sou o Chapéu Seletor de Hogwarts
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu.
Não há nada escondido em sua cabeça
que o Chapéu Seletor não consiga ver,
por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
em que casa de Hogwarts deverão ficar.
Quem sabe sua morada é a Grifinórnia,
casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue frio e nobreza
destacam os alunos da Grifinórnia dos demais;
quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
onde seus moradores são justos e leais
pacientes, sinceros, sem medo da dor;
ou será a velha e sábia Corvinal,
a casa dos que tem a mente sempre alerta,
onde os homens de grande espírito e saber
sempre encontrarão companheiros seus iguais;
ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
e ali fará seus verdadeiros amigos,
homens de astúcia que usam quaisquer meios
para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não deverão temer!
Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
(Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos)
porque sou o único, sou um Chapéu Pensador!
Nossa! Corações indômitos, ousadia, sangue frio e nobreza! Fiquei arrepiado! Assobiei forte, já nasci na Grifinória!
- Black, Bellatrix! – a seleção tinha começado. Sirius estava quieto.
- Sonserina!
Sirius colocou as mãos no rosto em frustração, mas Bellatrix ficou bem feliz e correu para a mesa da Sonserina.
- Black, Narcisa!
- Sonserina!
- Black, Sirius!
Eu mal podia reconhecer meu amigo. Ele tinha olhos sérios e pesados e se se arrastou para o banquinho. De repente, pensei na remota possibilidade de não estar na mesma Casa de Sirius. Não! Isso não poderia acontecer! Tem que ser Grifinória, tem que ser Grifinória! Quando dei por mim, estava já roendo até os dedos.
- Grifinória!
Grifinória! Meu amigo estava na Grifinória!
Ele veio correndo e gritando me abraçar e quase pulou no meu colo! Fez a maior festa, beijou a Vice-Diretora, beijou até o Chapéu! E não era para menos! Sirius não é mais um Black! Ele é o cara mais nobre que conheço e só podia estar na Grifinória!
Vi que Dumbledore sorria satisfeito enquanto Sirius ia para a mesa da Grifinória se transformar no melhor amigo de todo mundo, tenho certeza.
- Naaaaão!
Oh-oh. Bellatrix estava possessa por Sirius não ter ido para a Sonserina com ela e gritava histericamente. Eu disse que achava essa garota barraqueira.
- Não, Si! Seu lugar é conosco! Você não pode ficar nesse lugar com... com essa gente!
- Bella, cai na real... Me deixa. Depois a gente se fala...
- Vem, Si. Vamos para a Sonserina. Seu lugar é conosco, com a sua família. Vai ser muito melhor para você! Anda, vem! – Ela o puxou bem forte e eu imaginei o que viria.
- O meu lugar é onde eu escolhi, Bellatrix! E já faz tempo que eu sei o que é melhor para mim! E é longe da minha família! Longe das ideias doentias de vocês!
- Srta. Black, por favor, volte a sua mesa! – Dumbledore liderou a turma-do-deixa-disso bem na hora.
E Bellatrix voltou. Acho que ficou mesmo ressentida. Será que essa foi a briga final deles?
- Acho que esse episódio mostrou a eficácia do nosso velho Chapéu Seletor, pois acabamos de ver que tanto a Srta. Bellatrix Black quanto o Sr. Sirius Black foram mandados para os seus devidos lugares. E quero lembrar uma coisa muito importante dita pelo Sr. Black. Ele escolheu onde queria ficar. É assim que mudamos o rumo dos acontecimentos. É assim que provamos quem somos. Por nossas escolhas. Agora, Sr. Black, sua Casa o aguarda!
Eu podia ouvir a respiração de Sirius que foi sentar-se à mesa da Grifinória ovacionado com palmas de todas as Casas. Demais!
- Bom, vamos continuar a seleção.
O Chapéu continuou sorteando os alunos para suas Casas. Muito democrático, mandou gente para a Lufa-Lufa, Corvinal - aliás, que loirinha linda foi para a Corvinal! – Sonserina, Corvinal de novo, Lufa-Lufa muitas vezes até que...
- Evans, Lílian!
Fiquei atento! A bonequinha de porcelana e cabelo de fogo tinha que estar conosco na Grifinória. Tinha que estar.
- Grifinória!
Ufa! A Lily foi parar na Grifinória, ainda bem! Continuo na jogada! Mas, nossa, quanta gente gostou da ida dela para a Grifinória, essa garota está muito popular mesmo.
Ei, eu estou vendo direito? É isso mesmo? O Sirius acabou de pegar a Lily no colo! Talvez eu não esteja na jogada, afinal. E ainda abraçou e... beijou de novo! Estou perdido!
Preciso sentar na mesa da Grifinória depressa! Quanto falta para chamarem meu nome, nunca chega...
- Lupin, Remo!
O nome me chamou a atenção e levantei os olhos. Era o amigo sonolento da Lily. Não sei explicar, tinha algo de familiar nele. Não fiquei surpreso quando o Chapéu anunciou que ele seria nosso colega na Grifinória.
Remo chegou à mesa da Grifinória e Lily o abraçou. Depois, Sirius também. E parece que eu já vi essa cena tantas e tantas vezes. Que sensação estranha, mas me senti tão bem.
- Potter, Tiago!
Nossa, tinha ficado em transe até a letra P! Corri para o banquinho e o Chapéu não pensou muito.
- Grifinória! - Eu já sabia! Todos nós na Grifinória! Serão anos incríveis em Hogwarts!
Sirius veio me carregar para a mesa.
- Cara, Grifinória! Conseguimos! Irmão! - Quase achei que ele estava chorando de alegria.
- Eu te disse, cara! Eu praticamente nasci na Grifinória, vc não desgruda nem dos meus pais, achou que ia ficar onde?
Ele riu e me abraçou mais forte.
- Bem-vindo, Tiago! – Lilian sorriu mim. Definitivamente, para mim. Disse meu nome e tudo.
- Legal, Lílian! Todos nós na Grifinória! Ainda bem! – E eu, de novo, não tinha nada menos óbvio para dizer.
- Bem-vindo, cara! – O garoto sonolento, ou melhor, Remo, me disse, entusiasmado.
- Opa, valeu!
Quando nós três - Sirius, Remo e eu – começamos a conversar, eu soube que tinha ganhado mais um melhor amigo.
- Olha que linda! – Sirius reparou quando Susan Pullman foi sentar no fundo da mesa.
Eu pensei sozinho que a Lily era muito mais bonita, mas ainda não tive coragem de falar. Quanto tempo mais eu adiaria essa conversa? Não disputaria nenhuma menina com o Sirius, até porque não teria chance, mas era meio complicado porque ele azarava todas elas.
- Cara, olha o cabelo daquele maluco! Parece que nunca tomou banho! – observei, tentando desviar meus pensamentos.
- Só podia ser da Sonserina mesmo! – Sirius concordou.
Mais alguns nomes e finalmente, Dumbledore anunciou:
- Que comece o banquete!
Bem a tempo, estava faminto! E comi muito! Todos os pratos, várias vezes! Muitos doces coloridos! E ainda comeria mais, mas acho que eu estava dando prejuízo, pois antes que eu pudesse terminar de mastigar, Dumbledore encerrou o rango. Sacanagem!
- Muito bem, a Cerimônia está encerrada. O ano letivo está oficialmente, aberto. Por favor, dirijam-se a seus dormitórios.
- Alunos do primeiro ano! Venham conosco, rápido! – Uma moça ruiva acelerada nos chamou, enquanto um rapaz também ruivo acenava.
- Sr. Black e Sr. Potter! Os senhores vêm comigo! – a Vice-Diretora interrompeu nossa caminhada.
- Por quê? – Sirius se virou para a Vice-Diretora.
- Bem, agora que estão na Grifinória, eu sou responsável por vocês. E vamos conversar sobre o que aconteceu essa tarde no lago.
- Oh-oh...
- Sr. Lupin, com licença, sim?
- Claro. Até mais, pessoal!
Ela nos levou até seu escritório e eu me perguntava se ela tinha ou não conversado com Dumbledore a nosso respeito.
- Antes de mais nada, saibam que vou tirar 25 pontos da Grifinória pelo ocorrido. – ela começou, em sua fala corrida.
- Mas...
- Aqui não há espaço para negociação, Sr. Potter.
Suspirei. Era injusto. Nós não éramos da Grifinória essa tarde.
- E quanto à Detenção...
- Mas o Professor Dumbledore... – disse, dessa vez mais rápido, para que ela me deixasse dizer algo além do "mas".
- Estou ciente disso, Sr. Potter. O fato é que, além das aulas especiais, precisam cumprir também uma punição. Ou vão acabar achando que foram premiados pelo que fizeram.
Sirius riu.
- Vão limpar esse escritório uma vez por mês.
- Mas...
- Durante todo o ano.
Eu ia protestar novamente, mas Sirius pisou no meu pé. Estava tramando algo.
- Sem utilizar magia, obviamente.
Até o Sirius arregalou os olhos. O lugar era grande, cheio de mesas, quadros, estantes, livros! Livros! Ainda assim, sem magia era muita sacanagem. Tomara que a Vice-Diretora nunca converse com a minha mãe, elas tem mesmo ideias perigosamente parecidas.
- Muito bem, vocês começam na sexta. Vou leva-los aos dormitórios de vocês.
Ela nos levou em seu ritmo frenético até o sétimo andar, disse uma senha para um retrato de uma mulher muito gorda e chegamos à sala Comunal da Grifinória, que era composta, resumindo, de poltronas. Pensei que deveria ter decorado a senha, mas tinha me convencido de que era melhor evitar falar com a Vice-Diretora antes de entender bem os critérios dela para retirar pontos da própria Casa.
A sala estava vazia, exceto por um aluno gemendo em uma das poltronas. Nossa, ele estava passando muito mal, branco como a neve. E era o Remo!
- Acalme-se, venha comigo, Sr. Lupin, tudo ficará bem! – a Vice-Diretora pareceu preocupada.
Levantou-o e o levou consigo, amparando-o e o ajudando a andar.
- Potter e Black, subam imediatamente ao dormitório à esquerda. Estou levando Lupin à enfermaria e ele ficará bem. - Ela nos disse, sem se virar.
Mas mudou de idéia e, antes de sair, fez um esforço para olhar nossos rostos atônitos, novamente.
- Por favor, sejam discretos quanto a esse episódio. Posso contar com vocês?
Assentimos e ela saiu às pressas, praticamente carregando Remo.
Afundei devagar em uma das poltronas, tinha sido um dia e tanto.
- O que você acha que ele tem?
- Não sei. – Sirius encarou a janela. O céu estava limpo e a lua teimava em crescer. – Só espero que ele fique mesmo bem. Gostei do cara.
- É, eu estava para te dizer isso. Gostei dele também, parece que já somos amigos.
- Exatamente. – ele observou, sorrindo.
