Confesso que não esperava comentários tão rápido assim, estou tão feliz, não sei se é impressão minha mas sinto que os fãs de Jon/Arya estão começando a crescer. Obrigada à vocês que comentaram, vocês são meu maior combustível pra continuar a fic.

Ouçam Stranger da Katie Costello, essa música me inspira a escrever qualquer coisa Jon/Arya.

A garota lobo.

E ele pulou junto á Arya.

Não havia nada que ela lhe pedisse que Jon conseguisse dizer não. Nem mesmo quando eram coisas insanas, como combates à noite na floresta ou até mesmo nadar no rio. A água gelada era como mil facas entrando em seu corpo, mas Jon esqueceu-se de todo o desconforto ao ouvir a risada celestial de Arya, sentia falta daquilo, do olhar desafiador e os cabelos bagunçados, com os fios apontados para todas as direções. Estranhou a si mesmo, depois de tê-la reencontrado, estava mudado, algo dentro dele agitava-se freneticamente quando estava com Arya, era como se voltasse a ser apenas um bastardo de Winterfell.

-Está calado. –questionou Arya com um olhar pensativo.

-Temos que ir, não pretendo morrer congelado neste rio. –A garota revirou os olhos, mas atendeu seu pedido.

Caminharam até o castelo em silêncio, mas Jon às vezes, pegava a morena lhe fitando discretamente. Houve um grito de horror por parte de algumas mulheres ao ver Arya toda molhada e tremendo, após muita insistência Arya deixou que lhe preparassem um banho quente, antes de poder subir as escadas, Jon a puxou pelo braço.

-Não se esqueça de que hoje, no jantar, haverá uma comemoração para sua volta. –sorriu para ela, mas Arya fez uma careta de dor.

-Como poderia me esquecer dessa estupidez, não se fala em outra coisa. –respondeu incomodada. O semblante de Jon ficou sério.

-Por que não queria me contar que era você, por que me escondeu? –Arya se desvencilhou incomodada pelo assunto.

-Eu ia contar. –O rapaz a fitou irredutível.

-Mentirosa.

-Está sendo injusto. –interrompeu a garota aborrecida.

-Então me prometa, Arya. Prometa que estará ao meu lado, que não irá fugir na primeira oportunidade que tiver. –a garota desviou os olhos e se afastou magoada.

-Não fui eu quem deixou alguém, Jon. Você foi para a Muralha! –respondeu, lhe dando as costas. Jon ficou ali, parado, até a silhueta da garota sumir de sua vista, eram anos de mágoa e solidão, a semelhança que um dia os unira, agora, os distanciava.

-Todo esse tempo que estive com Daenerys, sempre tive a impressão de que quando ela virasse as costas essa garota enfiaria a espada em mim, percebe-se o por quê. Uma filha de Catelyn Stark, agora compreendo a cortesia especial que tinha comigo. –Jon se virou sorrindo para o anão, que lhe cumprimentou com um sorriso gentil.

-Tyrion, haviam me falado que você estava do nosso lado, mas tinha que ver com meus próprios olhos antes de crer.

-Digo o mesmo, Jon, ou devo lhe chamar de Vossa Graça? –perguntou irônico. –A última vez que o vi era um bastardo qualquer da Muralha e agora se tornou o Príncipe Prometido, depois disso, acredito que até mesmo eu posso deixar de ser anão. –Jon riu, mas o sorriso facilmente morreu em seus lábios ao fitar as escadas de pedra novamente. –Afinal, por que está todo molhado?- Jon ignorou sua pergunta. –Entendo. Irmãs, sempre nos levando à loucura.

-Antes conseguíamos adivinhar o que um estava pensando ou sentindo, mas agora, eu nem mesmo sei como agradá-la. –Jon confessou confuso.

-Jon, talvez seja a hora de você perceber que Arya não é mais aquela garotinha que um dia você conheceu. –começou Tyrion, cauteloso.

-Eu sei que ela cresceu, Tyrion, sei também como ela chegou até Daenerys, o problema é que só consigo me aproximar dela quando estamos lutando. Fora isso, Arya me enxerga como um estranho, como seu rei e apenas isso. –murmurou tristemente.

-A garota passou por muitas coisas, Jon. Todos nós temos escuridão, o inverno chegou cedo demais, terá que ser paciente.

-É bom ter você de volta. –disse Jon em um tom saudosista.

As palavras de Tyrion ficaram gravadas em sua mente.

Todos estavam radiantes para o jantar, homens e mulheres vestindo suas melhores roupas, canções animadas ecoavam pelo grande salão, havia até mesmo uma canção para Jon, o Rei de Gelo e Fogo. Havia vinho adocicado como a primavera em todas as taças, pessoas gargalhavam e gritavam, Daenerys encontrava-se ao lado de Jon, que não pôde desviar os olhos da mulher, a pele era queimada pelo sol das cidades livres, os cabelos claros formavam ondas que caíam em cascata pelos ombros, os olhos tinham um tom de violeta que o rapaz pensou ser inexistente, Daenerys era diferente de tudo que Jon conhecera. Era rainha, guerreira e doce ao mesmo tempo, havia doçura no olhar e nas palavras que ela lhe dirigia, era encantadora. Houve um silêncio crescente no salão, Jon pôde ver com os próprios olhos o motivo, prendeu o ar nos pulmões por um tempo indecifrável, os músculos do corpo ficaram rígidos enquanto ela caminhava por entre as mesas em sua direção, houve vivas ensurdecedoras.

"Viva a garota lobo!"

"Stark! Stark! Stark!"

Jon observou o desconforto tímido da garota, aquilo lhe dava mais charme do que ele gostaria. O rosto longo dela que um dia havia sido motivo de piadas maldosas, agora apenas acrescentava elegância à sua beleza, o vestido azul e cinza moldava as formas do corpo de Arya, Jon desviou os olhos rapidamente, sua irritação só aumentou quando notou os olhares abrasadores que lançavam à ela. Arya, ao contrário de Sansa e os outos irmãos, era uma autêntica nortenha, era filha de uma Tully, mas sua beleza pertencia ao Norte, era filha do inverno.

A morena sentou-se ao seu lado direito, trocaram rápidos olhares cheios de constrangimento e admiração. Jon ergueu a taça.

-À Arya Stark! –o salão em uníssono repetiu suas palavras, Jon bebeu o vinho em apenas um gole, a tensão entre os dois era quase palpável. De onde estava o rapaz se lembrou de todos seus momentos em Winterfell, desde os olhares venenosos que Catelyn lhe lançava, até as muitas vezes que Arya fugia da Septã Mordane e da mãe para terminar sua refeição ao lado do rapaz. Lembrou-se de quando pegava a garota passeando pelo castelo à noite, de como se divertiam em roubar tortas na cozinha ou a terna sensação de quando ela adormecia em seus braços. Tomou coragem, e deslizou sua mão para baixo da mesa, pousando em cima da mão fria de Arya, a garota estremeceu surpresa, Jon não ousou fitá-la, para sua satisfação, sentiu os dedos dela ganharem vida e se entrelaçarem com os seus. A festa passou despercebida aos olhos dele, sua atenção estava restrita ao calor das mãos de Arya envolvidas na sua.

Após se despedir de Daenerys e Tyrion, Jon seguiu para seu quarto, a exaustão corroia cada parte de seu corpo, um pequeno barulho ao leste do castelo, chamou sua atenção, caminhou entre o jardim até o começo de um longo gramado coberto por neve, não havia flores, nem árvores apenas o branco contrastando com a escuridão da noite, as estrelas podiam ser vistas nitidamente naquele lugar, abaixo delas, encontrava-se uma garota com os ombros curvados e os braços envolvendo as pernas.

-Parece ter sobrevivido à festa. –ironizou, sentando-se ao lado dela. Arya o fitou surpresa, mas logo relaxou ao reconhecê-lo.

-Não foi tão ruim. –confessou escondendo um sorriso.

-Está em casa, Arya. Winterfell é sua. –disse com a intenção de confortá-la, ao contrário do que esperava, Arya franziu o cenho, aborrecida.

-Sei o que está fazendo. Aceito Winterfell, Jon, é claro que aceito, mas não vou ficar aqui enquanto há uma guerra prestes a eclodir, vou lutar ao lado de Daenerys queira você ou não. –respondeu desafiadora.

-Você não pode fazer só o que quer, Arya. Você não entrará em combate! Estou lhe dizendo isso como rei e não como seu irmão –finalizou impaciente.

-Você não é meu irmão! –exaltou-se Arya, um silêncio pesaroso caiu sobre o eles. –Não tem esse direito, Jon! Não tente me tornar uma lady, não você, por favor! – Jon abaixou os olhos, irredutível.

-Deve haver sempre um Stark em Winterfell! –tentou novamente Jon, a garota riu em desdém.

-Você sabe que vou estar lá, não importa o que faça, vou estar lá, Jon. Fui feita para estar com espada em mãos e não para dar ordens dentro de um castelo. Pensei que iria me aceitar do jeito que eu sou, foi por isso que não contei à você quem eu era, sabia que algo havia mudado em você.

-Não seja ridícula! Quer saber por que não quero que vá? Nós dois sabemos o motivo, se você morrer, não haverá vitória em campo o suficiente para me manter de pé. Posso suportar seu ódio por mim por mantê-la aqui se isso significar que ainda estará viva. –murmurou em tom de desabafo. Arya ergueu as duas mãos para tocá-lo na face, Jon estremeceu com os dedos frios da garota em seu rosto, fechou os olhos quando ela correu os dedos por sua cicatriz .

-Todos os homens devem morrer, Jon. -o rapaz se esquivou infeliz.

-Não! –disse simplesmente, Arya se afastou em derrota.

-Não sou mais uma criança, quando vai perceber isso? –perguntou aborrecida, Jon a fitou com os olhos em chamas.

-Talvez quando parar de se comportar como uma! –Arya se levantou furiosa e Jon fez o mesmo.

-Eu não sou mais aquela garotinha que mal sabia pegar em uma espada, tenho tanto sangue nas mãos quanto você! Não me importa o que Vossa Graça deseja que eu faça. E se tentar me impedir, juro pelos deuses antigos, que partirei, posso sobreviver sozinha, Jon.

Arya era uma garota de espírito livre, assim como Ygritte fora, a imagem das duas misturava-se em sua cabeça, a morena era uma loba selvagem que nunca seria domada, Jon odiou aquilo, odiou por não conseguir protegê-la, odiou mais ainda por estar fascinado com o que ela se tornara.

-Ao menos lute ao meu lado. –Arya entreabriu a boca surpresa, mordeu os lábios, receosa, com medo de ser mais uma armadilha, Jon cruzou os braços e continuou. –Sem truques, Arya, juro pelos deuses dos nossos pais.

O brilho crescente nos olhos acinzentados da garota fez o coração de Jon encher-se de ternura, ficaram um longo momento se encarando e para o espanto de dele, Arya acabou com a distância entre eles envolvendo-o em um abraço tímido, o rapaz sorriu ao senti-la empregar força nos braços envolta de seu corpo, fechou os olhos ao sentir o cheiro dela, era uma mistura de vinho e flores de inverno.

Conversaram por um longo tempo sobre a guerra, seus pais, Winterfell, os irmãos, mas sempre hesitavam ou mudavam de assunto quando a conversa os levava a mencionar sobre o que havia acontecido com cada um nesses anos. Jon sentiu a respiração de Arya ficar pesada, a cabeça da garota caía levemente sobre ele, aninhou-a em seu peito e caminhou até chegar ao quarto dela, depositou-a na cama com todo o cuidado possível, beijou-lhe a testa em despedida, antes de sair do quarto, Arya murmurou quase inaudível.

-Obrigada, Jon.

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