Gente, sei que demorei pra postar esse capítulo, mil desculpas mas estava difícil de arranjar um tempinho pra me concentrar nessa história e dar continuidade. Ainda sim, acho que não ficou muito bom, mas está aí rsrs. Obrigada novamente a todo mundo que comentou, quando postei o primeiro capítulo de Entre dragões e lobos, achei que ninguém ia comentar (:
Fogo e sangue.
Jon tentava se concentrar nas palavras de Tyrion pela manhã, assentia quando era preciso, mas por vezes o homem lhe chamava sua atenção impaciente. O rapaz ainda podia sentir seu corpo responder aos toques de Arya noite passada, eram apenas irmãos compartilhando os mesmos medos e traumas e, de repente, tudo mudara de ângulo, desejavam-se como homem e mulher, os abraços e as palavras de conforto não lhe eram mais suficientes. Apesar de não tê-la possuído, na noite passada, Jon havia beijado e feito outras coisas com Arya, das quais sentiu vergonha. Era sua irmã, talvez ele fosse mais Targaryen do que imaginava. Sentiu tanta culpa quando acordou, que não teve coragem de esperá-la despertar, tentou ensaiar qualquer coisa para dizer, mas tudo que desejava era terminar o que haviam começando aquela noite. Não pensou o quão sacrificante seria deixá-la naquele quarto, Arya parecia uma escultura emaranhada em seu corpo, o sono parecia emergir todos os seus traços femininos, além disso, sentiu seu membro enrijecer dolorosamente com a seminudez dela e os movimentos não intencionais que fazia contra o corpo dele para se aconchegar.
Arya não demorou para aparecer no salão, com discretas olheiras e a boca em uma linha reta e fina, dando a ela uma expressão severa. Os olhos da garota, por um breve instante, caíram firmes sobre o dele, a íris cinza parecia ter se transformado em gelo. O silêncio tornou-se perturbador entre os dois, seguidos pelos olhares preocupados de Jon e a frieza de Arya. O restante do dia foi exaustivo, Jon passou horas lendo e mandando cartas para Davos Seaworth e a Muralha, o Cavaleiro das Cebolas dava à ele boas notícias, Rickon estava com ele e em um local seguro, o homem dizia na carta que as estradas estavam cheias de ladrões e Lannisters, aguardaria a guerra eclodir em Correrio, para trazer o garoto até Winterfell. Nas poucas cartas que recebia de Sam Tarly, a maior parte das notícias eram sobre a Mulher Vermelha estar seguindo em direção ao castelo, após a vitória de Jon na batalha para-lá-da-Muralha contra os Outros, Melisandre ficara por lá por precaução.
-Boas notícias? –a presença da garota o pegou desprevenido. Arya se aproximou perigosamente de Jon, ele conseguia sentir o perfume que ela emanava, era uma mistura de flores do inverno e couro novo.
-Sim, ótimas, na verdade. –umedeceu os lábios tentando manter os olhos nos mapas e nas cartas em cima de sua mesa. –Rickon está seguro com Davos, logo voltará para Winterfell e não há nenhum sinal dos Outros ao Norte da Muralha, Bran continuas sem dar notícias, mas Sam diz que o viu algumas semanas atrás e ele aparentava estar bem.
-Então por quê está tão preocupado, Jon? –disse tirando das mãos dele, a carta que ele fingia ler. Jon obrigou-se a encará-la.
-Tudo parece estar voltando aos eixos, mas não pra mim. Sou o Rei do Norte. –sussurrou tentando mostrar convicção. –Isto é insano, Robb deveria estar usando esta maldita coroa, estar sentado aqui, não sou um bastardo, mas mesmo assim me sinto um impostor. –Arya apertou as mãos dele contra as dela em sinal de conforto.
-Você é o rei. Merece esta coroa, é meu melhor amigo, a quem eu amo e confio, mas estou do seu lado por que sei que você saberá governar. Você é um líder, haverá canções em seu nome, e todos se lembrarão do homem que reergueu o Norte. –O homem afastou-se instintivamente, desejou beijá-la e tomá-la ali mesmo. Quis dizer a ela que não queria canções ou histórias sobre seus feitos, queria voltar em algum lugar perdido em sua vida de bastardo de Ned Stark, de quando Arya e ele eram melhores amigos, na época em que ele a amava do jeito certo, quando ela lhe beijava todo o rosto e em resposta, Jon despenteava seus cabelos.
-Não me afaste de você. –murmurou magoada. –Pro inferno, os deuses e todo o restante! Não somos irmãos! Além disso, você é um Targaryen, deixem que falem. –respondeu com rebeldia.
-Está mentindo pra você mesma, sabe disso. –voltou a encará-la angustiante. –Fomos criados como irmãos, Ned Stark morreu por causa de um incesto, isso é totalmente errado. Não são os deuses ou o povo que me impedem de continuar com essa insanidade, Arya. Eu deveria cuidar de você. –a garota limpou as lágrimas rapidamente, tinhas os dedos agarrados a sua espada e os lábios comprimidos em uma linha reta como havia feito de manhã.
-Não preciso que cuide de mim! –cuspiu as palavras, antes de sair fulminante do aposento.
Ficaram sem se falar dias, até os últimos arranjos para marcharem em guerra serem definidos, Arya então, fora obrigada a montar estratégias de combate com Jon, muitas vezes, durante a noite, a maior parte dos homens do rei se dirigiam aos seus quartos, deixando os dois por último. Era inevitável os olhares intensos que lançavam um ao outro, ora cheios de admiração, ora cheios de curiosidade e luxúria. Ele evitava ficar a sós com ela sempre que podia, as noites eram a parte mais difícil, os sonhos nada inocentes que tinha com Arya o despertava diversas vezes.
Estava tudo preparado para partir, quando Melisandre voltou da Muralha, a mulher parecia mais magra do que antes, porém ainda assim continuava bela e intimidadora. Arya parecia não gostar dela, quando apresentadas, Jon percebeu os pequenos detalhes de desconforto na face da garota.
Partiram pela estrada do rei, o plano era seguir por ela, esmagando os Frey e seguindo para Jardim de Cima, lá se encontrariam com os dorneses, lhes dando retaguarda contra os Tyrell, finalizariam em direção à Porto Real, com exército em peso sobre os Lannisters. Daenerys parecia um tanto ansiosa e emocionada por finalmente estar prestes a tomar o que era seu por direito, Tyrion vinha ao lado dela, com um dragão de três cabeças na placa de peito. Primeiro os Frey, os Tyrell e finalmente, os Lannisters, Jon sentia a adrenalina percorrer por cada parte de seu corpo, sentia-se inteiro com Garra-Longa em mãos. Seu olhar parou na pequena figura que cavalgava ao seu lado em um cavalo de pelagem negra, Jon tinha o coração apertado e sabia que só conseguiria descansar quando tivesse certeza que Arya estaria em segurança, naquele instante percebeu o quão caro saíra sua promessa, vê-la em cota de malha só o fazia sentir-se mais aflito, com medo de perdê-la. Arya pareceu senti-lo tenso, virou-se lhe dando um olhar encorajador.
-Pelo Norte, Vossa Graça. –disse espirituosa, Jon apenas limitou-se a sorrir, não importava se ela era sua senhora ou irmãzinha, Arya nunca mudaria.
Acamparam por uma noite perto do Gargalo, no dia seguinte voltaram para a estrada, Jon notou o desconforto e a agitação de Arya ao avistar as Gêmeas, sabia que a garota, acima de qualquer um, estava sedenta por sangue dos Frey. Todos podiam ouvir distantes bum bum, a música não era de toda desconhecida a Jon. As tropas dos Frey aproximavam-se e a música se tornava mais alta.
-Estão nos afrontando. –cuspiu a garota em desdém. –Essa música...eles...Robb... -Arya desembainhou sua espada. –Eles tocaram essa música enquanto rasgavam a garganta de minha mãe. –sua voz era dura como aço, mas Jon conseguiu sentir a mágoa por trás delas.
Trompetes de guerra de ambos os lados começaram a tocar, misturando-se com a música, homens batiam em suas próprias armaduras com martelos e espadas. O inverno tornara-se rigoroso, Jon gostava daquilo, se acostumara a lutar sob o frio, avistou Fantasma por entre as árvores, com os dentes a mostra, pronto para atacar. "O inverno está chegando", murmurou para si mesmo.
Passara dias e noites planejando e construindo estratégias, enfim a batalha em si chegara, tudo dependia agora dele e de Garra Longa, "é vencer ou morrer".
-Pelo Norte! Por Winterfell! –gritou sobre os trompetes, sua voz ecoou por todos os cavaleiros atrás de si, ambos repetiram em uníssono, atirou-se pelo campo com o cavalo de guerra, cavalgando o mais rápido que podia.
Um único estrondo tomou conta da campina, o barulho de aço contra aço, espada chocando-se violentamente contra carne. Sentiu o cavalo em que montava, escorregar sobre seu próprio sangue, pulou antes que pudesse ser atacado. Um relâmpago branco uniu-se à ele, não precisou se virar pra saber quem era, o lobo parecia estar tão faminto por Freys quanto Arya. Jon se viu cego perante há centenas de homens à sua volta, se defendia e atacava, mas seus olhos estavam sempre correndo pelo campo á qualquer indicio de Arya.
O sol de inverno parecia queimar tanto quanto nos dias de verão, a batalha terminara, seus homens pareciam estar em uma constante e interminável euforia, o gramado estava coberto por corpos e o riacho cheirava a sangue, os corvos já sobrevoavam famintos no céu cinzento, os estandartes com duas torres idênticas encontravam-se destruídas no chão, assim como seus homens.
Jon tinha o braço ferido e a perna direita latejava, mas nada era comparado com o tamanho desespero que sentia por não encontrá-la em lugar algum. Chegou a perguntar por Arya, mas seus homens estavam um momento letárgico de glória, nada conseguiam dizer senão celebrá-lo. Sentia sua boca secar a cada metro que percorria pela campina sem achá-la.
Estava prestes a desabar quando a encontrou na margem do rio, distante e só, como sempre. Tinha os olhos fixos nas Gêmeas, o rosto sujo de terra e sangue e os cabelos que lhe chegavam até os ombros formavam-se pequenos nós. Jon soltou a respiração presa e irregular de alívio antes de se aproximar.
-Vencemos. –ela disse quando o viu parado ao seu lado, Jon se colocou a sua frente, fazendo-a fitá-lo diretamente.
-Como se sente? –perguntou analisando seus traços preocupados, a garota franziu o cenho, pensativa.
-Insatisfeita. –confessou a ele. –Eu matei tantos homens quanto pude, mas mesmo assim, não é o bastante. –ela sorriu em desdém. –Além disso, Walder Frey continua dentro deste maldito castelo, vivo.
-Não por muito tempo. –acrescentou afastando os cabelos de Arya da fenda profunda em sua testa, o sangue escorria até o pescoço. –Precisamos cuidar disso. –a garota estremeceu de dor.
-É apenas um corte, não vou morrer. –disse tirando a mão de Jon de seu rosto e envolvendo com a sua. –Lorde Walder irá fugir se não invadirmos agora, e se não o matarmos logo, outros virão, você sabe, ele pode tirar um exército das calças.
-O que sugere minha senhora? Não há como invadir agora, há outra tropa guardando as Gêmeas, não são nada comparado a nós, mas estão bem posicionados, Arya, temos que aguardar. –Arya mordeu os lábios impaciente.
-Esperar pelo quê? Para que baixem a guarda, venham até nós? E se não vierem? Eu quero vingança Jon! –esbravejou com os olhos lacrimejantes, Jon tentou se aproximar, mas ela recuou. –Talvez a mulher vermelha, nos ajude, soube de algumas histórias sobre a morte de Renly Baratheon...-não pôde terminar, a expressão de Jon fechou-se em uma máscara severa e acusadora.
-Não ouse me propor isso! Melisandre serve a mim e ao Norte, mas não vou vencer através de R'hllor e suas sombras. –disse em um tom ofendido, a raiva da garota apenas cresceu.
-Walder Frey, assassinou Robb e minha mãe, Jon! –disse friamente. –Mais do que isso, ele traiu seu rei, afrontou todas as leis dos deuses e dos homens, este homem não merece respeito, nem honra em sua morte. –finalizou desconcertada.
Jon sabia que Arya tinha razão, tentou compreendê-la, sabia que depois de tudo que passara, aquele pedido lhe era justo, sabia o que Ned Stark faria se estivesse em seu lugar, mas ele estava morto.
-Pois bem, minha senhora, terá sua vingança. –respondeu friamente antes de deixá-la.
Naquela noite, Arya procurou por Melisandre, a sacerdotisa parecia saber que ela estava a sua procura, quando se aproximou, a mulher apenas lhe sorriu educadamente. ,
-Arya Stark, lutou bravamente ao lado do rei. –fez uma breve saudação.
-Até onde estaria disposta a ajudar o rei? –foi direto ao assunto, o sorriso da mulher vermelha apenas se alargou.
-Não veio aqui pelo rei, lady Stark. -a fogueira atrás de Melisandre, corria furiosamente, consumindo o ar, tocando a noite em uma dança hipnotizante.
-Não, vim por vingança.
-Diga o nome. –pediu a sacerdotisa, virando-se para a fogueira, Arya se aproximou.
-Walder Frey. –sussurrou trincando o maxilar, por um momento pode ver todos os seus inimigos queimando naquelas chamas.
-O Senhor da Luz dará paz à lady Stark, mas em troca, você entregará sua fé à ele. Acredita em seu poder, senhora? –perguntou com os olhos vermelhos firmes sobre Arya.
-Meu pai morreu diante dos Sete, senhora Melisandre, eu orei pelos deuses Novos e os Antigos e eles me responderam com a cabeça dele sendo arrancada. –respondeu firmemente, a mulher apenas assentiu.
As sombras envolta das chamas pareceram por alguns segundo ganharem vida, o fogo parecia arder com mais intensidade.
-valar morghulis. –murmurou Arya, a sacerdotisa a fitou e um breve sorriso esboçou sou rosto pálido.
-Valar dohaeris. –a mulher se afastou para se retirar, mas virou-se novamente curiosa. –Quem é você, Arya Stark? –a garota se virou confusa, fitou as chamas novamente, naquele momento respondeu a única coisa que lhe parecia ser verdadeira.
-Ninguém.
Arya voltou para sua cabana, naquela noite disse os nomes de seus inimigos, como sempre fazia, fez uma breve oração pelo Senhor da Luz. Acordou com a agitação fora de sua cabana, alguns homens pareciam assustados, enquanto outros pareciam vitoriosos, os primeiros raios de sol reluziam no horizonte, a garota se aproximou dos companheiros e antes que perguntasse a alguém sobre o motivo da agitação, Jon confirmou suas expectativas.
-Conseguiu lady Stark, Walder Frey está morto, seus homens ou o que sobrou deles, dobraram os joelhos, as Gêmeas são nossas.
/-/
Então é isso, espero que tenham gostado e comentem o/
